JBS é acusada de trabalho escravo no Mato Grosso do Sul


Rafael Rodrigues

17 julho 2023 às 07h54 

Sindicato alega que trabalhadores foram encontrados em situação semelhante à escravidão

JBS é a maior empresa de carnes do Brasil. | Foto: Reprodução.

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Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Carnes e Aves de Sidrolândia (Sindaves) tomou medidas legais no estado do Mato Grosso do Sul, acusando a JBS, empresa bilionária dos irmãos Joesley e Wesley Batista, de sujeitar funcionários terceirizados e indígenas a condições análogas à escravidão. O sindicato acusa a marca da JBS, a Seara, de submeter trabalhadores terceirizados a condições degradantes na cidade de Sidrolândia (MS).

Além disso, o sindicato alega que 15 trabalhadores indígenas foram encontrados em situação semelhante à escravidão. A Seara, ao ser questionada, afirmou que, assim que tomou conhecimento do caso, exigiu que o fornecedor cumprisse todas as normas trabalhistas.

Sérgio Bolzan, vice-presidente do Sindaves, afirmou que as empresas estabelecem jornadas de trabalho em que os funcionários chegam a trabalhar até 14 horas por dia, sem receber adicionais por insalubridade em atividades de risco, além de não fornecerem equipamentos de proteção individual (EPI).

Ele também denuncia condições precárias em granjas, onde cerca de 30% dos aviários não possuem vestiários, refeitórios adequados ou espaços para troca de roupa de forma privativa. Segundo Bolzan, os trabalhadores são obrigados a comer no chão, sem acesso a meios para aquecer a comida.

A JBS e as empresas terceirizadas não fornecem refeições, água ou utensílios de cozinha e higiene pessoal aos trabalhadores que realizam o processo de recolhimento de aves, conhecido como “pega do frango”, onde são coletadas cerca de 200 mil aves diariamente, carregadas em caixas de 24 quilos e transportadas para os frigoríficos.

Danos morais e existenciais

O sindicato moveu uma ação civil pública na Vara do Trabalho Itinerante em Sidrolândia, buscando indenização para mais de cem trabalhadores e ex-funcionários da Seara por danos morais e existenciais. De acordo com o sindicato, esses trabalhadores não recebem os devidos adicionais por insalubridade em atividades de risco, não possuem equipamentos de proteção individual adequados para realizar certas tarefas e são submetidos a condições precárias nas granjas.

Em resposta, a Seara divulgou uma nota afirmando que, assim que teve conhecimento do caso envolvendo os indígenas, exigiu que o fornecedor terceirizado cumprisse todas as regras trabalhistas, incluindo a questão dos alojamentos.

A empresa ressaltou que mantém rigorosos protocolos e controles em suas operações para garantir que todos os fornecedores cumpram suas obrigações legais e proporcionem o bem-estar de seus funcionários, incluindo o fornecimento de equipamentos de proteção individual, qualidade no transporte, segurança e condições de trabalho adequadas, entre outros aspectos.

Além disso, a empresa afirmou que realiza inspeções técnicas para verificar todo o processo de coleta e a regularidade das empresas prestadoras de serviços.

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