Venezuela: nova onda de censura contra a imprensa crítica: Repórteres sem Fronteiras (RSF) denuncia recentes ataques do governo de Nicolas Maduro contra diversos meios de comunicação críticos e independente | Claudio Tognolli
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Venezuela: nova onda de censura contra a imprensa crítica
A Repórteres sem Fronteiras (RSF) denuncia veementemente os recentes ataques do governo de Nicolas Maduro contra diversos meios de comunicação críticos e independentes, em particular provocando a cessação das atividades de um canal online. Essa caça às vozes dissidentes tem consequências dramáticas para a liberdade de informação e para toda a população venezuelana.

O canal de televisão online VP ITV  foi forçado a anunciar, em 10 de janeiro, a paralisação temporária de suas atividades em território venezuelano. A decisão acontece na sequência de uma operação conjunta realizada dois dias antes pela a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) e o Serviço Nacional Integrado de Administração Aduaneira e Tributária (Seniat) nas instalações do canal em Caracas. Durante a intervenção, que não havia sido anunciada, as equipes da Conatel e do Seniat apreenderam todo o equipamento da redação (equipamentos de transmissão, câmeras, computadores) e interrogaram vários colaboradores do canal. A VP ITV é um canal de notícias sobre a América Latina e a Venezuela com sede em Miami e muito crítico da administração do Presidente Maduro. O veículo emprega cerca de 150 pessoas na Venezuela.

No mesmo dia, o diário regional Panorama, com sede em Maracaibo, no estado de Zulia (noroeste do país) e distribuído há mais de 106 anos, também recebeu uma visita surpresa do Seniat, que ordenou imediatamente o fechamento do jornal e do seu parque gráfico por um período de cinco dias, a pretexto de violação das regras fiscais em vigor.

O portal de notícias online Tal Cual, muito crítico do chavismo, foi, por sua vez, vítima de um ciberataque que deixou o seu site fora do ar por várias horas, ataque repetido na segunda-feira, 11 de janeiro.

A censura estatal realizada pelo governo de Nicolas Maduro contra a imprensa crítica e de oposição tem consequências dramáticas para o povo venezuelano, que tem um acesso cada vez mais limitado a informações plurais e contrastantes, lamentou o diretor do escritório da RSF para a América Latina, Emmanuel Colombié. A liberdade de informação e o pluralismo da mídia são os pilares da democracia. Ao atacar e sufocar a mídia independente e não oficial, o governo venezuelano está atirando no próprio pé e prestando um desserviço ao seu povo.

Essas tentativas de censura administrativa ocorrem em um contexto tenso de caça aos oponentes políticos do atual governo. Este último acusou recentemente várias ONGs e meios de comunicação independentes, como os sites Efecto CocuyoCaraota digitalEl Pitazo, e a rádio Radio Fe y Alegría, de serem “mercenários do jornalismo” financiados do exterior para derrubar o governo. Após essas declarações, as instalações da Radio Fe y Alegria foram atacadas e arrombadas, no dia 8 de janeiro.

Só em 2020, 17 sites de notícias online e 18 estações de rádio locais foram forçados a fechar, de acordo com a organização local Espacio Publico.

A Venezuela ocupa a 147a posição entre 180 países noRanking Mundial de Liberdade de Imprensa estabelecido pela RSF em 2020.

Repórteres sem Fronteiras (RSF)
Emmanuel Colombié – Diretor Regional da RSF para a América Latina
@RSF_pt
https://rsf.org/pt

 

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