Tudo de todos os jornais deste domingo (26)  | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: País perde R$ 151 bi ao ano com jovens fora da escola

A elevada evasão escolar provoca perdas anuais de R$ 151 bilhões à economia brasileira, informa Cássia Almeida. Estudo inédito de Ricardo Paes de Barros, economista- chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, mostra que 15% dos dez milhões de adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Quando completam 18 anos, 35% ainda não concluíram o ensino médio. Sem formação adequada, esses jovens viram trabalhadores pouco qualificados, condenados a salários baixos e a uma saúde mais precária. Isso eleva gastos públicos com assistência e reduz a produtividade, gerando a fatura calculada por Barros. “É violação grave de direitos e um custo fenomenal para a sociedade”, alerta. A qualidade do ensino também preocupa: o Estado do Rio caiu da 4ª para a 20ª posição em ranking de avaliação em apenas quatro anos.

Mercado em ponto de bala – Nas lojas de armas das principais capitais do país, jovens curiosos por manusear espingardas, colecionadores que desejam aumentar o arsenal e praticantes de tiro em busca de novidades animam os comerciantes. “A liberação de modelos de uso restrito abriu leque expressivo para os compradores”, diz o empresário Axl Satier.

De Shakespeare a Machado, Cabral revê cobiça e maldade – As resenhas que o ex-governador Sérgio Cabral fez para abater sua pena, de 198 anos de prisão por corrupção e outros crimes, abordam “os riscos iminentes de injustiça” e “os ingredientes da alma humana” em obras de Machado de Assis, Shakespeare e Moacyr Scliar. Em uma das análises, ganhou nota dez.

Para ministro, internação forçada pode ser solução para cracolândia – Autor de projeto de lei aprovado no Senado, Osmar Terra diz que medida combate “epidemia”. Especialistas criticam.

Outras notícias

Documento enviado por Moro defende radares – Contrariando o discurso do presidente Jair Bolsonaro, um documento encaminhado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, à Câmara dos Deputados reconhece que os radares têm “potencial para colaborar” com a redução da violência no trânsito no Brasil. Elaborado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ofício também defende outro sistema ainda mais rigoroso: monitoramento eletrônico de rodovias. Seria uma “solução mais moderna” contra acidentes. “O controle e fiscalização de velocidade tem potencial para colaborar com a redução da violência no trânsito, contudo não é a única solução, de modo que é extremamente pertinente o debate para o aprimoramento do processo do emprego de radares, lombadas eletrônicas e outros”, diz trecho do documento. A PRF destaca que o monitoramento eletrônico é “mais abrangente que a mera fiscalização da velocidade por radar”. Este método é mais rigoroso por possibilitar a aplicação de multas a distâncias muito maiores. O monitoramento é feito por meio de salas equipadas com computadores e telas que reproduzem, com alta precisão, imagens de câmeras espalhadas por estradas. O Código de Trânsito Brasileiro prevê que as multas podem ser emitidas à distância sempre que for verificada uma infração. Moro encaminhou o documento à Câmara no dia 17 de maio, em resposta a um requerimento do deputado Ivan Valente (PSOL-SP). O ofício foi produzido pela PRF em 8 de maio. O parlamentar pediu ao ministro uma manifestação sobre declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro a respeito da retirada de radares das rodovias do país.

Recuos e reviravoltas – Em apenas cinco meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que a liturgia do cargo não o fez abandonar a espontaneidade de dizer o que lhe vem à cabeça, não importa se em reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto ou nos microfones abertos a 210 milhões de brasileiros. Ideias que surgem não são combinadas sequer com seu primeiro escalão, e o custo de declarações e planos mirabolantes já apresenta sua fatura. Não são raras situações de bate-cabeça ou operações para apagar incêndios maiores causados por declarações ou atos não planejados. Trata-se de rotina para quem o serviu até agora. Na semana passada, o presidente disse a jornalistas que seu governo preparava um projeto que geraria para os cofres públicos economia superior à cifra de R$ 1 trilhão prevista com a reforma da Previdência. A afirmação criou uma interrogação na equipe econômica do presidente. O ministro Paulo Guedes não tinha ideia do que se tratava tal medida. Marcos Cintra, secretário especial da Receita Federal, teve de se dirigir ao Palácio do Planalto para conversar com Bolsonaro e entender a proposta. Naquele dia, cancelou sua ida ao Congresso, cujo intuito era discutir a reforma tributária — esta sim, real e urgente. Cintra ouviu do presidente que o plano era o seguinte: a atualização do valor de imóveis. A ideia seria propor uma atualização obrigatória aos contribuintes — e taxá-la. Dessa arrecadação viria R$ 1 trilhão. A ideia não partiu do nada. O GLOBO encontrou um projeto de lei elaborado pelo advogado Luiz Bichara a pedido do ex-senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) destrinchando justamente a proposta, datado de 2017. Mas o texto nunca avançou no Senado.

Vai passar – Pelas contas do Planalto, a reforma da Previdência já teria 270 votos favoráveis na Câmara. Faltariam, portanto, 38 votos para aprovar o projeto mais importante do governo Bolsonaro. Entre esses 270 deputados, há dúvidas em relação às suas posições sobre o BPC, capitalização e aposentadoria rural. Mas esses são tópicos que o próprio governo sabe que pode flexibilizar. Já nas contas de Rodrigo Maia, que conhece a alma da Câmara como a palma da mão, a Nova Previdência ainda não tem 200 votos. Maia está pessimista quanto à possibilidade de botar o projeto para votar em junho. (Lauro Jardim)

O dia D da Odebrecht – A Odebrecht passa por uma prova de fogo nos próximos dias. Na sexta-feira, terá que pagar R$ 800 milhões aos credores em razão do vencimento dos juros de uma dívida. Ainda que o grupo imagine que os bancos possam empurrar a pendência com a barriga por mais uns meses, como já fizeram outras vezes, a deterioração financeira é patente — o endividamento total beira a R$ 70 bilhões. Emílio Odebrecht desembarca nesta semana em São Paulo, depois de um longo período na Bahia, para definir se a empresa começa a se preparar para pedir recuperação judicial. Esse planejamento incluiria, por exemplo, conversas com os credores. Emílio, de natureza tradicionalmente otimista, sempre foi peremptoriamente contra tal solução, mas a água está subindo nos seus calcanhares. (Lauro Jardim)

Passa a régua – O casal João Santana e Mônica Moura, enfim, começou a acertar suas pendências pecuniárias com o Estado. Depositaram no mês passado R$ 77 milhões à União. Foram duas transferências: uma de R$ 74 milhões, de Santana, e o outra de R$ 3 milhões, em nome de Mônica. (Lauro Jardim)

Expulsão com delicadeza – Bruno Araújo será eleito presidente do PSDB na sexta-feira, e uma de suas missões para o segundo semestre é dar cabo do processo de expulsão de Aécio Neves, Beto Richa e quantos estiverem encrencados até a medula na Lava-Jato. Mas, de acordo com um graúdo tucano, a ideia é que o processo seja feito “com delicadeza e sem espalhafato” —seja lá o que isso signifique quando se vai tirar alguém à força do partido. (Lauro Jardim)

Inimigos íntimos – Desconfiado por natureza, Jair Bolsonaro não tem fé nem na inteligência do governo. Está convencido de que a Abin está loteada de simpatizantes de esquerda. Bolsonaro acredita, inclusive, que seus arapongas produzem relatórios fajutos, alarmistas. Costuma citar um produzido às vésperas de uma viagem presidencial ao Rio de Janeiro em que a Abin previa fervorosas manifestações contra ele, mas nada aconteceu, e as recomendações para que não pisasse em Israel. Bolsonaro nutre uma penca de outras desconfianças em relação a aparentes aliados. Até Major Olímpio, líder do PSL no Senado, está entre eles. Em conversas recentes, Bolsonaro se referiu ao correligionário como um “ingrato”, incapaz de reconhecer que só se elegeu de carona no seu sucesso eleitoral. (Lauro Jardim)

Entre retaliações e reformas, Maia atua no limite das crises – Quando o PSL descumpriu um acordo e ameaçou a conclusão da votação na Câmara da Medida Provisória (MP) 870, o que poderia elevar de 22 para 29 o número de ministérios, integrantes de siglas do centrão (PP, PR, DEM, SD) estavam prestes a alimentar o incêndio. Quem precisou encontrar uma saída para evitar o desgaste foi Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara. É ele quem tem o poder de tocar a pauta do parlamento e, quando a corda estica demais, ainda que puxada inicialmente por ele próprio, procura dosar a medida para evitar crises institucionais. O centrão, que elegeu Maia para a presidência em fevereiro, é hoje a força mais relevante da Câmara. Arthur Lira (PP-AL), Wellington Roberto (PR-PB) e Paulinho da Força (SD-SP) são líderes do grupo que já fizeram parte da base de governos anteriores de diferentes matizes ideológicas. Agora, porém, não querem conversa com o presidente Jair Bolsonaro. Foram excluídos da articulação política e da indicação de cargos, além de serem atacados pelo presidente em seus discursos. Na quarta-feira, uniram-se com a oposição para tirar o Conselho de Controle e Atividades Financeiras (Coaf) da alçada do ministro Sergio Moro (Justiça). Maia não é apenas mediador entre o centrão e outras forças políticas. Ele sempre reúne esses líderes para jantar em sua casa após as votações, participa de um grupo de WhatsApp restrito com eles e chancela retaliações quando convém. Juntos, eles controlam ao menos 230 deputados. Unidos com a esquerda, não há derrota possível.

Pacote anticrime põe em lei audiência de custódia – Demonizada pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus filhos, a audiência de custódia, que hoje existe por resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), passará a constar expressamente em lei caso o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, seja aprovado. Ironicamente, o texto de Moro defendido como uma das principais bandeiras do governo vai introduzir esse dispositivo na legislação penal brasileira, que atualmente não o menciona. A pasta do ex-juiz da Lava-Jato é, inclusive, parceira em programa do CNJ com o apoio das Nações Unidas para fortalecer o instrumento. A audiência de custódia, regulamentada em 2015, estabelece que os presos em flagrante sejam apresentados em até 24 horas a um juiz, que decidirá se a detenção é de fato necessária. Dados inéditos do CNJ mostram que 204.169 detenções já foram relaxadas em audiências de custódia pelo Brasil. O número corresponde a cerca de 28% do total de presos hoje, por volta de 705 mil. A taxa de soltura é de 39,79% nas 513,1 mil audiências feitas no país desde que o instituto foi criado. Em 4,9% dos casos, os presos denunciaram tortura ou maus tratos da polícia. Embora as denúncias ocorram em menos de 5% das audiências de custódia, o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, postou na última semana um vídeo em que um homem que acabou de ser preso se joga no chão simulando uma agressão. “Imagine se por acaso tiver audiência de custódia no dia seguinte? Coitado deste policial”, escreveu Carlos. O próprio presidente Bolsonaro também já fez críticas ao instrumento. Durante a campanha, em uma sabatina, disse que tinha “de acabar com isso”. Outro filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) é autor de projeto para anular a resolução que regulamentou as audiências de custódia. Embora exista no país, de fato, por iniciativa do CNJ, a audiência de custódia é embasada juridicamente na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, promulgada pelo Brasil em 1992, e em princípios constitucionais. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a validade do instituto. Hoje, há jurisprudência sólida em favor das audiências de custódia. A proposta de Moro inclui no Código de Processo Penal (CPP) o dispositivo.

Faça o que eu digo, não faça o que fiz – Bolsonaro conhece bem a alma da Câmara, onde esteve por sete longos mandatos. Sabe que, ao contrário dos gritos dos seus militantes que vão às ruas hoje, a Casa não é esse demônio todo. Em alguns aspectos tem a cara do Brasil, nas virtudes e defeitos. Claro, a Câmara sempre teve gatunos notórios — como Maluf, que presidiu o PP onde Bolsonaro militou por 17 anos. Mas a maioria dos deputados não bate carteira, acho. É certo que a turma não liga muito para a fidelidade partidária — o presidente já trocou oito vezes de legenda. É certo também que a Casa cultiva — ontem mais do que hoje, felizmente —certa má vontade em votar reformas estruturantes. Bolsonaro, por exemplo, sempre foi contra mudanças na Previdência nos governos FH, Lula, Dilma e Temer. Seu filho Eduardo, o deputado e intelectual da família, já fez discurso dizendo que a Previdência era superavitária. A maioria dos deputados é voltada à defesa de interesses paroquiais (como a conclusão de uma ponte no seu município) e, principalmente, de suas categorias —Bolsonaro foi excelente defensor da família militar. Ah, e não custa nada lembrar: os deputados são todos eleitos pelo voto popular, assim como o presidente. (Ancelmo Gois)

Lobão e Kim Kataguiri são comunistas agora? – Dois bolsonaristas fervorosos em 2018 têm enfrentado a ira dos “bolsominions”: Lobão e Kim Kataguiri. Nos últimos dias, não só o número de seguidores deles vem caindo diariamente no Twitter, mas também o de interações (curtidas e “retuítes”). Como boa parte dos seguidores do governo é formada por “robôs”, estariam os dois sendo abandonados pela máquina que dá suporte às hostes bolsonaristas? Desde que disse ao “Valor” que Bolsonaro “não tem a menor capacidade intelectual de governar o país”, Lobão perdeu 22 mil seguidores no Twitter, uma média de mais de 3 mil por dia, segundo dados coletados pelo Crowdtangle. Já Kim Kataguiri, o deputado do Movimento Brasil Livre, perdeu 11,3 mil após se manifestar contrário ao protesto de hoje e criticar Bolsonaro por “demonizar a política”. Em abril, os tuítes de Lobão tinham uma média de 25 mil curtidas e “retuítes” por dia. Despencaram para 7,7 mil em maio. Com o jovem deputado, a média passou de 18 mil por dia para 10 mil. (Ancelmo Gois)

O Estado de S. Paulo – primeira página

Manchete: Atos por todo o País viram teste de apoio popular ao governo

Manifestações de apoio ao governo convocadas para hoje em pelo menos 312 cidades brasileiras serão um teste de força para o presidente Jair Bolsonaro. Apesar de ter agido nos últimos dias para desvincular os atos de qualquer patrocínio do Palácio do Planalto, Bolsonaro foi alertado por aliados de que as mobilizações viraram uma armadilha para sua gestão. Pelas redes sociais, deputados do PSL incentivaram os atos. O receio é de que, se não houver adesão popular de peso, o fracasso seja interpretado como perda de popularidade do presidente em meio a uma extensa lista de desafios políticos e econômicos. Outra preocupação é com possíveis episódios de violência. Não por acaso, Bolsonaro condenou publicamente a defesa, nas manifestações, de fechamento do Congresso e do STF. O Planalto pede que o foco das manifestações seja a defesa da reforma da Previdência e da segurança pública, além da Operação Lava Jato e do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

‘Recall’ do presidente – Um dos alvos das manifestações de hoje, o Congresso estuda colocar em pauta a adoção de “recall” para mandato de presidente. A medida teria potencial de reduzir o tempo do ocupante do Planalto.

Futuro sem sacrifício – Governo e ONGs querem acabar com a eutanásia dos cavalos de corrida, que costumam sofrer com sequelas após a “aposentadoria”. Ideia é usá-los em atividades como equoterapia.

Outras notícias 

Investigação sobre Flávio alcança 37 imóveis – A investigação sobre o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) atinge um total de 37 imóveis supostamente ligados ao senador do PSL, sua família, além da empresa Bolsontini Chocolates e Café. São 14 apartamentos e 23 salas comerciais em Copacabana, Botafogo, Barra da Tijuca e Jacarepaguá. O parlamentar afirma que não cometeu nenhum crime e se diz vítima de perseguição. No pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio e outras 94 pessoas e empresas, de 15 de abril, o Ministério Público afirmava já ter reunido informações de que ele investira R$ 9,4 milhões na aquisição de 19 imóveis. “As vendas declaradas entre 2010 e 2017 representariam uma lucratividade de R$ 3 milhões.” Em 21 de março, no entanto, relacionou os 37 imóveis em um pedido de informações a cartórios do Rio.

‘Bolsonaro arrisca demais e muito cedo’ – Ao adotar uma estratégia de “confronto” com menos de seis meses de mandato, o presidente Jair Bolsonaro está se “arriscando demais e muito cedo”. A análise é do cientista político e professor da FGV-Ebape Carlos Pereira. Segundo ele, o governo não tem outra saída porque prefere manter uma coalizão minoritária no Congresso em vez de negociar com os partidos. Ao Estado, Pereira afirmou que os atos marcados para este domingo, 26, a favor do governo têm duas faces: se forem bem-sucedidos, Bolsonaro acumula capital político. Por outro lado, se as manifestações se voltarem contra instituições democráticas, como o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal, “o tiro vai sair pela culatra”.

Redução de ministérios tem baixo impacto no Orçamento – A preocupação do governo em garantir a redução no número de seus ministérios com a aprovação Medida Provisória 870 tem efeito prático muito mais político do que econômico. A estimativa do Ministério da Economia é de economizar R$ 20,5 milhões ao ano com a diminuição de 29 para 22 pastas feito pelo presidente Jair Bolsonaro. O valor representa menos de 0,01% dos R$ 316,7 bilhões em despesa de pessoal registrados no ano passado. A MP da reforma administrativa foi aprovada na semana passada pela Câmara, mas ainda precisa passar pelo Senado. A análise da medida precisa ser concluída até o dia 3 de junho, caso contrário ela perde a validade e o governo precisará retomar a configuração anterior da Esplanada, com 29 ministérios. Segundo os dados do Ministério da Economia, mesmo considerando o corte de 21 mil cargos, funções e gratificações feito após a diminuição do número de pastas, a economia não chega a 1%. A estimativa é gastar R$ 195 milhões ao ano, apenas 0,06% menos do que o gasto em 2018. A redução no número de ministérios foi uma promessa de campanha de Bolsonaro. A proposta inicial era mais ousada, de manter 15 pastas, o que não se cumpriu. A intenção, segundo o então candidato, era enxugar gastos, mas sem especificar o valor. O economista Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, afirmou que a expectativa com o impacto financeiro da medida já era baixa por causa do grande número de servidores concursados. Para ele, a principal vantagem da redução dos ministérios é a “racionalidade administrativa”, mas isso não resolve o déficit nas contas públicas.

Protestos são desafio para o Partido Novo – As manifestações colocaram um desafio ao Novo. Reservadamente, líderes do partido avaliam que uma parcela significativa de seus eleitores deve aderir aos protestos, insatisfeitos “legitimamente” com políticos e com ministros do STF, porém sem defender o fechamento de instituições. Para um deles, é preciso fugir de análises generalistas porque a “narrativa” do ataque institucional interessa ao Centrão e à esquerda, “que classificaram o impeachment de Dilma Rousseff (PT) como golpe”, ainda que chancelado pelo Parlamento e pelo Supremo. No limite, o Novo enxerga a possibilidade de toda a direita brasileira, que se reergueu no declínio do petismo, ser engolfada por um carimbo generalista de “antidemocrática”, vítima de uma aliança tácita entre radicais bolsonaristas/olavistas, centro fisiológico e esquerda populista. Pela avaliação do Novo, que defende o direito do “cidadão se manifestar”, muita gente pode aderir aos protestos simplesmente porque quer mudar o Brasil, inclusive com a consciência de que o governo Bolsonaro não decolou e talvez fique na pista. Na centro-direita, os mais otimistas esperam um efeito depurativo nos protestos: separar os democratas dos radicais e dos populistas. (Coluna do Estadão)

Aula – Um experiente cacique, com passagens pelos governos anteriores, diz que as mudanças estudadas pela equipe do presidente Jair Bolsonaro no Minha Casa, Minha Vida revelam a completa falta de tirocínio político da atual gestão. Tecnicamente, avalia ele, cobrar aluguel das faixas iniciais do programa de moradia faz todo sentido para evitar a comercialização das unidades e ajudar o governo na crise. Porém, dá discurso para a oposição dizer que este governo acha que pobre não deve ter casa própria. O senador e ex-governador Jaques Wagner (PT-BA) foi rápido e já deu tom para a oposição seguir o mote: “Querem criar o meu aluguel, minha eternidade?”. (Coluna do Estadão)

Folha de S.Paulo – primeira página 

Manchete: Congresso limita ação de Bolsonaro e cria agenda própria

Seja qual for o resultado das manifestações de rua pró-Bolsonaro marcadas para hoje, líderes dos partidos que comandam o Congresso Nacional definiram um pacote de medidas para limitar o raio de ação do presidente da República. Avaliação uníssona colhida pela Folha entre congressistas é que Jair Bolsonaro (PSL) tem demonstrado incapacidade de governar. Além de acelerar discussões sobre impeachment, a insatisfação encontra lastro e incentivo no mundo empresarial e financeiro, o que faz deputados e senadores assumirem a dianteira de iniciativas como as reformas da Previdência e tributária. “Vai ser necessário ignorar o governo, não tem outra saída”, afirma o deputado Elmar Nascimento (BA), líder do DEM na Câmara. Entre as prioridades do partido, que ocupa as duas presidências do Congresso, e do centrão estão a PEC do Orçamento impositivo, um projeto que limita número de medidas provisórias e a adoção, quando necessário, de decretos legislativos para sustar os presidenciais. Há também duas propostas de “semipresidencialismo” ou “semiparlamentarismo” para 2022.

Família Batista pagou R$ 1 a Bertin por fatia do grupo JBS – Fusão da JBS com o Bertin, à época o maior exportador de carne bovina do país, envolveu acordo no qual os Bertin aceitaram ter menos de 10% da JBS como parte do pagamento — e que venderiam de volta aos Batistas tudo que excedesse esses 10% pela simbólica quantia de R$ 1. Com a transação, os Batistas recuperaram por fora ações que equivaliam a 17% da JBS.

Presidente veio do ‘não’ ao invés do ‘sim’, afirma FHC – Ex-presidente diz que sistema político criado em 1988 desapareceu na última eleição, pautada mais pela negação do que pela proposição. FHC acredita que sucessor de Jair Bolsonaro deverá ser um nome carismático.

Governo muda atribuições para destravar obras de infraestrutura – Medida provisória permite que estados, municípios e estatais contratem o BNDES, sem licitação, para estudos de projetos, PPPs e concessões à iniciativa privada.

MP do saneamento traz competição justa, diz Kelman – Para o ex-presidente da Sabesp, Jerson Kelman, o texto que propõe regulação do saneamento básico permite competição justa pela oferta do serviço. Governadores se opõem à medida provisória.

Cortes na educação geram queda real no orçamento do MEC – Sucessivos cortes desde 2015, em reflexo da crise econômica, levaram a uma redução real (descontada a inflação) dos recursos disponíveis na pasta. De 2015 a 2018, a retração acumulada foi de 6%.

Outras notícias

Amoêdo critica ‘polêmicas desnecessárias’ – Pouco depois de encerrar sua campanha presidencial (finalizada com uma votação que lhe garantiu o quinto lugar no primeiro turno, com 2,50% dos votos válidos), João Amoêdo voltou à estrada. O presidente do Novo tem andado pelo Brasil para divulgar o partido liberal que ajudou a fundar. No horizonte, a busca por cadeiras de prefeito e vereador em 2020. Amoêdo critica o governo pelo excesso de polêmicas e diz que os ruídos comprometem a medida mais urgente para o Brasil avançar, a reforma da Previdência. Ele acredita que Bolsonaro poderia se inspirar no que Romeu Zema, o primeiro governador eleito do Novo, faz em Minas Gerais desde janeiro. Considerada vitrine para a legenda, a gestão do empresário aposta, segundo Amoêdo, na mesma receita que o presidente deveria seguir: boa relação com o Legislativo e definição de prioridades.

Doria diz considerar manifestação inútil e inadequada – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que é contra as manifestações convocadas para este domingo (26) por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Na opinião de Doria, as manifestações são inoportunas e desnecessárias nesse momento, uma vez que o Brasil acabou de realizar eleições. “O povo já foi à rua, já manifestou as suas posições. Consideramos como algo inútil, inadequado, e estabelecendo o potencial de confronto que não é o momento”, disse. A declaração do governador paulista foi feita em entrevista à imprensa neste sábado (25) durante o encontro do Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste), fórum que reúne governadores do Sul e do Sudeste. Ele afirmou que o Brasil precisa de paz e equilíbrio para que possa existir um bom entendimento entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. “Com paz, ter o foco na reforma da Previdência, que é fundamental para o país, e, na sequência, nas demais reformas”, disse Doria.

Congresso limita ação de Bolsonaro – Seja qual for o resultado das manifestações de rua pró-Bolsonaro deste domingo (26), líderes dos partidos que comandam hoje o Congresso Nacional definiram um pacote de medidas para limitar o raio de ação do presidente da República e tocar por conta própria temas considerados cruciais pelo empresariado e pelo mercado, como as reformas da Previdência e tributária. A avaliação uníssona colhida pela Folha com congressistas é a de que Jair Bolsonaro (PSL) tem demonstrado incapacidade de governar, o que levou ao surgimento de um debate sobre impeachment com apenas cinco meses de gestão e a reativação das discussões sobre a mudança do sistema de governo do presidencialismo para algo próximo ao parlamentarismo.

Eduardo se casa no Rio sob protestos – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se casou no fim da tarde deste sábado (25) com a psicóloga Heloísa Wolf. A cerimônia foi realizada às 17h na Casa de Santa Teresa, localizada no bairro de mesmo nome no Rio de Janeiro. O bairro contava com um forte esquema de segurança, com agentes da Polícia Federal e da Polícia do Exército ao longo das ladeiras que dão acesso ao cerimonial. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) chegou à cerimônia às 16h15. A partir das 16h, moradores de um condomínio localizado perto da Casa de Santa Teresa se organizaram para realizar um protesto durante o casamento. O condomínio fica na ladeira acima da casa onde a festa é realizada. Os moradores penduraram bandeiras negras nas janelas e gritavam “Fora Bolsonaro” e “Quem Matou Marielle?” à medida que os convidados chegavam à festa. Um dos apartamentos tocava em uma caixa de som músicas de protesto, como “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, “Apesar de Você”, de Chico Buarque” e “Como Nossos Pais”, de Elis Regina. A síndica Sandra Gonçalves de Oliveira disse que a principal motivação dos moradores é política. “Aqui a maioria é contra Bolsonaro porque ele é um racista, misógino e preconceituoso”, afirmou. Outro motivo que mobilizou os moradores, segundo ela, foi o que chamou de “mutirão” de limpeza feito no bairro às vésperas do evento. A mesma reclamação foi feita por Jorge Fernandes, outro morador do prédio. “O bairro está largado há algum tempo, estava sem iluminação pública há mais de um ano e meio e o que a gente percebeu foi uma força-tarefa para melhorar iluminação e limpeza às vésperas do evento” , disse. Ele também ressaltou que o bairro é considerado progressista. “É uma ousadia ele fazer o evento aqui em Santa Teresa.”

Nem amada nem temida – A movimentação de Raquel Dodge para permanecer no comando da PGR ampliou sobremaneira a rejeição de parte da categoria ao nome dela e a determinação do Congresso de, caso seja mesmo indicada, questionar minúcias dos compromissos que firmou com Jair Bolsonaro. Senadores avisam que, se for reconduzida pelo presidente, Dodge terá que dizer em sabatina que tipo de encaminhamento daria à investigação de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), hoje a cargo do Ministério Público do Rio. Dodge é alvo de críticas dentro do Ministério Público Federal há tempos —o que levou uma ala da Procuradoria a isolá-la. O fato de ela ter voltado à lista de cotados para comandar a PGR ampliou a irritação. Seus adversários dizem que Bolsonaro pode abrir uma guerra no órgão se optar pela recondução. Procuradores que resistem a um novo mandato de Dodge afirmam que, a essa altura do campeonato, ela teria dificuldade até de montar nova equipe. Parte do time que a acompanha hoje já teria avisado que não está disposto a permanecer — e ao longo da gestão ela sofreu ao menos três importantes defecções. A procuradora-geral, porém, tem a simpatia dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo, Dias Toffoli, além da de Gilmar Mendes. Já outros integrantes da corte têm criticado o que chamam de “movimento ostensivo”. (Painel)

Agora vai – O deputado Capitão Augusto (PR-SP) finalizou seu relatório sobre o pacote anticrime de Moro. Pretende apresentá-lo na quarta (29) ao grupo de trabalho que analisa o assunto no Congresso. (Painel)

Riocard – Paulo Guedes (Economia) deixou os assessores acostumados com as cerimônias do poder em Brasília de cabelo em pé no último dia 17. Impaciente com o trânsito do Rio, travado pelo desabamento do Túnel Acústico, na zona Sul, o ministro desceu do carro oficial na estação de metrô mais próxima e seguiu para casa desacompanhado de seguranças. (Painel)

Bahia é eleita melhor estado turístico em pesquisa – “Tudo, tudo na Bahia a gente querer bem”, dizem os versos de uma canção de Caetano Veloso. O ilustre filho da terra não poderia ter sido mais preciso, haja vista o fluxo constante de turistas que visitam a região. Segundo o Datafolha, o estado continua entre as primeiras opções de viagem dos paulistanos. Com aproximadamente 1.100 km de extensão litorânea e praias para todos os gostos –selvagens, urbanas, sombreadas por mata atlântica, repletas de piscinas naturais–, a Bahia é sempre uma boa pedida. Ali a natureza não economizou beleza: que o diga quem já visitou a chapada Diamantina, uma das mais conhecidas formações geográficas desse tipo no país, que fica no coração do estado. São serras, rios e vegetação abundante a encher os olhos de quem busca o contato íntimo com a natureza. A capital, Salvador, foi a única cidade brasileira indicada em 2019 como “lugar a conhecer” na aguardada lista publicada pelo jornal The New York Times. Gente do mundo todo quer conhecer esse pedaço do Brasil. Caetano tem mesmo razão: “A Bahia tem um jeito”…

Correio Braziliense – primeira página

Manchete: Bolsonaro e os efeitos da manifestação

Simpatizantes do presidente, convocados pelas redes sociais, vão às ruas hoje com o objetivo de fortalecer o governo na queda de braço com o Congresso e o Supremo. Jair Bolsonaro não deve participar dos eventos, mas está confiante no apoio popular.

Empresas de servidores atuam no GDF – Só na área de saúde, os contratos chegam a R$ 600 milhões. Controlador-geral do DF, Aldemário Castro, defende regras e punições mais duras para evitar esse conflito de interesses.

O Correio visitou a nova Estação Comandante Ferraz – Equipe de 16 militares da Marinha permanece isolada até outubro, testando todos os equipamentos da base científica, que será inaugurada em março de 2020. A reportagem participou da última missão (2018/19) na região mais inóspita e fria do planeta, com temperaturas que chegam a 80º C e ventos a 200 km/h.

Ex-jogador Roni é preso – O presidente da Federação de Futebol, Daniel Vasconcelos, também foi detido. Os dois são acusados de fraudes em bilheterias dos jogos. No Mané Garrincha, o Verdão venceu o Glorioso com ajuda do VAR (1 x 0).

Outras notícias 

Manifestações “chapa branca” – A história brasileira tem alguns casos de protestos “chapa branca”, estimulados pelos próprios presidentes para reforçarem apoios. Em 1945, ainda no Estado Novo, Getúlio Vargas acabou favorecido por manifestações favoráveis à permanência do político gaúcho no poder. Um dos casos mais emblemáticos foi o “Comício da Central”, na Praça da República, no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964. Cálculos feitos da época mostram que mais de 150 mil pessoas foram às ruas para ver o presidente João Goulart e o governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola. O contra-ataque da oposição chegou seis dias depois e se prolongou até 8 de junho daquele ano, com uma série de manifestações da “Marcha da família com Deus pela liberdade”. Por último, há o fatídico caso do chamamento de Fernando Collor para as pessoas invadirem as ruas de verde e amarelo. Deu tudo errado — o Brasil se vestiu de preto. “Esses episódios estão inseridos em momentos de crises extremadas, quando os presidentes tentavam a rua como o último recurso”, diz Carlos Fico, um dos maiores historiadores do país, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Amigo do sociólogo Herbert de Souza (1935-1997), Fico lembra que a sugestão para as pessoas vestirem preto foi de Betinho. “Ele mesmo ficou surpreso com a adesão das pessoas em usarem o preto.” Para o historiador, Bolsonaro cometeu um erro ao estimular e apoiar as manifestações de hoje. “Ele não ganha nada, pois está no poder. O risco, aliás, é muito grande para ele. Foi uma grande bobagem, algo precipitado, com chances reais de reação das instituições e da própria oposição na rua, como ocorreu com as manifestações da Educação.”

Centrão rechaça o ato – Os protestos a favor do governo representam uma aposta de alto risco ao presidente Jair Bolsonaro. No melhor dos cenários, com demonstração de apoio — a depender do volume de manifestantes nas ruas —, a força da gestão bolsonarista continua como está. Com alguma representatividade popular, mas fragilizada em relação ao Congresso. No entanto, no pior dos cenários — com outra baixa adesão de populares —, o isolamento do capitão reformado deve ficar mais evidente e fortalecer o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), principais alvos dos atos de hoje. As manifestações são democráticas, mas vistas por congressistas como uma estratégia do governo de jogar os poderes contra o povo. É algo que, historicamente, não dá certo, alerta o deputado Wellington Roberto (PR-PB), líder do partido integrante do Centrão na Câmara. “Se vitimizar e fazer essa queda de braço jogando o Congresso contra a sociedade não é algo que garante a sobrevivência de um governo”, pondera. Sem construir maioria e apresentar uma agenda econômica, a cobrança virá, cedo ou tarde. “O povo não se alimenta de briga e redes sociais. Se o presidente não fizer algo, o caos e o tsunami ao qual se referiu virá.”

Supremo não acredita em desgaste – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello franziu o cenho, e adotou tom questionador, ao comentar as manifestações de hoje. Ele nega, assim como os colegas da Corte, que o movimento, mesmo que seja considerável, tenha a capacidade de provocar desgaste institucional entre Executivo e Judiciário. Mas o ministro não consegue esconder uma certa perplexidade em relação à situação política que culmina com este momento. “Como surgiu essa ideia (das manifestações pró-Bolsonaro)? É uma incógnita. E qual é o móvel? Visa um protesto contra o Congresso, contra o Supremo, contra a imprensa? Ou um apoio para um governo que está nos primeiros seis meses?”, disparou. A conversa com Marco Aurélio foi rápida. Durou uma caminhada de 50 ou 60 passos no tapete vermelho, no subsolo do STF. O ministro seguia para o plenário, no dia da votação que garantiu maioria a favor da criminalização da homofobia. Além de não compreender a necessidade de um governante precisar de apoio com apenas seis meses de mandato, o juiz da Suprema Corte comentou sobre eventuais riscos de radicalização. “Apoio popular ao governo, geralmente, deságua em uma visão totalitária. É impensável essa visão no Brasil, no Estado democrático em que nós vivemos”, alertou.

Protesto com livros – Em encontro com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, um grupo de educadores que venceu o prêmio “Professores do Brasil” levantou livros de Paulo Freire durante fotografia oficial. Entre os 30 professores presentes ao evento, em um hotel no bairro de Pinheiros, ao menos 8 tinham o livro de Paulo Freire em mãos — alguns ergueram seus exemplares durante a foto ao lado do próprio ministro. “Foi uma manifestação respeitosa e silenciosa. Soubemos na sexta que ele participaria do encontro. Então, pensamos em colocar a nossa posição contra o corte de recursos para as universidades. E também mostrar a importância do educador Paulo Freire”, comentou a professora Ana Beatriz Maciel, 34 anos. Questionado sobre a manifestação dos professores, Weintraub disse respeitar opiniões diferentes das dele. “Ela tem o direito de dizer ‘Viva Paulo Freire’. Eu também tenho o direito de dizer que o único lugar que segue Paulo Freire é o Brasil. Quando você tem uma pesquisa que é boa, um antibiótico, uma aspirina ou um avião, os outros tendem a copiar. Ninguém quis copiar Paulo Freire e nossos resultados são ruins.”

Moro & Bolsonaro – Os mais atentos observadores da política acreditam que, além da manifestação de hoje, as diferenças entre o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, serão um dos movimentos políticos que merecem ser observados. O ministro tenta arregimentar votos e apoiadores para ficar com o Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sob a sua administração direta. O presidente, por sua vez, diante do curto prazo para aprovar a Medida Provisória 870, deixou claro, nos últimos dias, que o importante é aprovar a estrutura de governo incluída na MP, ainda que, para isso, o Coaf fique com a área econômica. Até aqui, dizem alguns, há todos os sinais de que Bolsonaro começa a largar Moro. O PSL, não. Essa é a terceira diferença entre Moro e Bolsonaro. A primeira foi a nomeação de Illana Slabó para o conselho de Segurança Pública, vetada pelo presidente. A segunda, o fato de o presidente deixar dito nas entrelinhas que Moro aceitou ser ministro diante do compromisso de ser indicado mais adiante para o Supremo Tribunal Federal (STF). Para muitos, Bolsonaro quer Moro forte, mas não fazendo sombra à Presidência da República. (Brasília-DF)

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