Tudo de todos os jornais deste domingo (21) | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: A milícia nas dunas

Em uma área de 9,7 mil hectares em seis municípios da Região dos Lagos, de Saquarema a Búzios, o Parque Estadual da Costa do Sol, unidade de conservação criada em 2011, enfrenta explosão de construções irregulares, muitas delas patrocinadas por milícias. Segundo o Ministério Público, casas são vendidas por R$ 7 mil, com prestações de até R$ 200. O promotor Vinícius Lameira diz que a estratégia é ocupar as casas rapidamente, para que se torne mais difícil demoli-las. O MP aponta conivência de servidores do estado e da prefeitura de Arraial do Cabo. A prefeitura nega, e o estado afirma que os funcionários têm agido na fiscalização. O governador Wilson Witzel propõe alterar os limites geográficos do parque.

Brumadinho, as buscas e o tormento da impunidade – O mar de lama secou, dando lugar a pilhas de minério de ferro. Mas a brutalidade do desastre continua a impressionar os bombeiros que, seis meses depois, buscam todos os dias os corpos de 22 pessoas desaparecidas desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). As famílias de 248 vítimas tiveram só um fragmento de corpo para enterrar. A indignidade do ato e o medo da impunidade as atormentam. Na região, 22 barragens entraram em estado de emergência.

Grupos querem pacote para renovar partidos – Sob ataque e ameaças de expulsão de deputados, movimentos de renovação política planejam medidas, como um projeto de lei, para mudar os partidos.

Notícias de O GLOBO

O pai do ano – A poucas semanas do dia dos pais, Bolsonaro — sempre às custas dos cofres públicos — acomoda mais uma vez a prole. Elegeu três — um deles deve ser embaixador nos EUA — e o quarto, Jair Renan, foi com ele à Argentina para a reunião do Mercosul. (Ancelmo Gois)

Caminhando para o passado – É como disse Millôr: quando as ideias ficam velhas lá fora, vêm morar no Brasil. Um dos maiores especialistas brasileiros em questões tributárias, José Roberto Afonso está abismado com o governo cogitando imposto único, nova CPMF, IVA federal ou nacional: “Estamos vivendo a idade da pedra. Nada disso é discutido no mundo, mais. O debate é outro, como cobrar impostos com o avanço digital”. (Ancelmo Gois)

A difícil arte de fazer Justiça – O ministro Luis Roberto Barroso está em Heidelberg, na Alemanha, a convite do Instituto Max Planck. Tomou um táxi dia desses e o motorista, ao saber que o brasileiro era professor de Direito, disse textualmente: “A justiça alemã é péssima. Você nunca pode prever o que o juiz vai fazer. É como um cassino”. Em seguida, completou: “Foi um juiz que libertou Hitler. Se não fosse o sistema judicial ineficiente, o nazismo não teria ocorrido”. A partir daí, duas conclusões do brasileiro: 1 – Ninguém está satisfeito com a Justiça que tem. 2 – Motoristas de táxi têm uma interpretação própria da vida, em qualquer parte do mundo. (Ancelmo Gois)

A vida real se impõe – Como nenhum governo é de ferro, Onyx Lorenzoni está negociando alguns cargos de segundo e terceiro escalões para o Centrão. Coisas como diretorias da Codevasf e do FNDE, locais com orçamentos bilionários e pelos quais a republicana turma do Centrão sempre teve uma queda especial. (Lauro Jardim)

Uma campanha (quase) isenta de recursos públicos – Na tarde do dia 15 de outubro de 2018, durante o segundo turno das eleições, o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro subiu as ladeiras da comunidade Tavares Bastos, no Rio, para chegar à sede do Batalhão de Operações Especiais ( Bope ) da PM. Bolsonaro comemorava sua chegada ao segundo turno e repetia um dos mantras de sua campanha: “Temos a segunda maior bancada em Brasília, sem televisão, sem fundo partidário, sem nada”, disse. Ainda que a legislação permita que os partidos utilizem dinheiro do fundo partidário em despesas da chamada pré-campanha — e também do fundo eleitoral durante a disputa —, Bolsonaro sempre frisava que sua candidatura não se valeu de recursos públicos. Na prestação de contas à Justiça Eleitoral, o candidato informou que os R$ 2,8 milhões gastos foram integralmente oriundos de doações. Bolsonaro de fato não usou o fundo eleitoral, mas documentos obtidos pelo GLOBO junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o presidente valeu-se, indiretamente, de pelo menos R$ 1 milhão do fundo partidário concedido ao PSL no ano passado. O fundo é composto de recursos públicos. Na prestação de contas anual do partido, foram apresentadas notas cujos relatórios mostram a conclusão de serviços para a campanha de Bolsonaro. Em junho de 2018, o então presidente do PSL, Gustavo Bebianno, contratou por R$ 500 mil a J&J Marketing, com sede no Leblon. A missão da empresa era atuar como consultora na coordenação de campanha do então pré-candidato Bolsonaro. Um trecho do contrato mostra que a empresa também ficou incumbida de produzir pelo menos 20 vídeos com títulos focados em áreas extremamente sensíveis à imagem do então candidato: “Bolsonaro contra o idealismo socialista (ideologia de gênero embutida)”, “Bolsonaro Racista, Fascista, Misógino e homofóbico” e “Bolsonaro e a religião”. Outra empresa contratada pelo PSL com dinheiro do fundo partidário foi a AM4 Brasil. Foram R$ 480 mil em seis parcelas de R$ 80 mil para executar a estratégia de atuação do partido nas redes sociais. Um relatório enviado pela empresa ao partido informa que, além de produzir conteúdo e monitorar as redes sociais do PSL, a AM4 também desenvolveu o site da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. As notas mostram ainda que o PSL contratou, por R$ 53,4 mil, com dinheiro do fundo partidário, uma consultoria para orientar os correligionários sobre estratégias para estimular nas redes sociais as doações de campanha. Procuradas, a JJ Marketing, a Ideia Digital e o PSL não responderam. A Secom disse que Bolsonaro não teve conhecimento sobre o uso de recursos públicos na contratação de empresas que trabalharam em sua campanha. Apesar das notas apresentadas, a AM4 negou que recebeu recursos do fundo partidário para atuar na campanha de Bolsonaro.

Sob nova direção, PSDB mira Joice, Frota e Tabata – No ímpeto de tentar dar identidade ao PSDB e recuperar votos nas próximas eleições, o governador de São Paulo, João Doria , traça uma meta ambiciosa: quer filiar nomes em destaque na política nacional, como os deputados federais Tabata Amaral (SP), que pode ser expulsa do PDT por votar a favor da reforma da Previdência, Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do Governo na Câmara, e Alexandre Frota (PSL-SP). Doria assumiu o controle do partido em maio, ao eleger seu aliado Bruno Araújo (PE) para comandar a sigla no lugar de Geraldo Alckmin. Desde então, tem trabalhado para repaginar o partido. A ideia é trazer rostos novos, mudando a cara da legenda, que tem uma velha guarda atuante, como Alckmin, o senador José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. — Não é de hoje que o PSDB tem me sondado, e com a tentativa de tirar o ranço do partido houve novas sondagens. Porém, meu perfil não é de tucana. Sou de direita assumida, liberal na economia, conservadora nos costumes e tenho posicionamentos muito firmes e incisivos — afirmou a deputada Joice Hasselmann. A parlamentar avalia que o PSDB deveria expulsar o deputado federal Aécio Neves para a legenda se “depurar”. Ela admite que todos os partidos têm problemas, inclusive, o dela, mas diz não se ver no ninho tucano.
— Já disse ao novo presidente do PSDB que a melhor coisa que o partido poderia fazer seria expulsar Aécio Neves. Ele foi uma decepção.

PSDB busca ‘alternativa honrosa’ para Aécio – Instalado para dar lustre de transparência ao PSDB, cuja imagem foi arranhada por escândalos de corrupção, o Conselho de Ética do partido deve receber nos próximos dias as duas representações que pedem a expulsão da legenda do deputado federal Aécio Neves (MG). A tendência é que o colegiado encontre uma alternativa honrosa para o tucano a fim de evitar desgastar ainda mais a já manchada reputação da sigla e do próprio Aécio. A hipótese de afastamento temporário é cogitada, segundo tucanos ouvidos pela reportagem. De forma reservada, dois membros do colegiado ouvidos pelo GLOBO consideraram “frágeis” os pedidos de expulsão do parlamentar. Aécio será julgado por ex-colegas de Congresso. Na Câmara, onde está atualmente, esse aliados afirmam que ele conquistou o respeito na bancada em razão de trajetória política e seu poder de articulação. Essa ala pondera que a saída do tucano não deve melhorar a imagem do PSDB e que o melhor é “esquecer o assunto”. Aécio Neves é réu por corrupção passiva e obstrução da Justiça e também responde à acusação de receber ilicitamente R$ 2 milhões de Joesley Batista, do grupo J&F. O deputado federal nega. — Joga-se fora um quadro valioso do partido em troca de quê? A gente entende que é uma decisão política e que há prejuízo eleitoral, mas vale a pena perder um quadro com essa capacidade política? A situação é ruim — afirma um dos parlamentares.

Novo PGR será indicado até 17 de agosto – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado que pretende indicar o novo procurador-geral da República até 17 de agosto, um mês antes do fim do mandato da atual PGR Raquel Dodge . A antecedência é necessária porque o nome escolhido ainda precisa ser sabatinado e aprovado no Senado , para que a indicação seja efetiva. Questionado sobre o assunto durante entrevista na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente, Bolsonaro antes perguntou aos repórteres qual era a data do fim do mandato de Raquel Dodge — que vai até 17 de setembro. — Uns 30 dias antes, então, mais ou menos no máximo 17 de agosto vai ter fumacinha branca — afirmou, fazendo uma referência à fumaça simbólica expelida pela Capela Sistina para anunciar a escolha de um novo papa. Esta é a corrida para PGR mais acirrada da instituição. Estão na disputa pelo cargo os três nomes mais votados na lista tríplice formada por uma votação interna da categoria — na ordem de votos, são eles: o subprocurador Mário Bonsaglia, a subprocuradora Luiza Frischeisen e o procurador regional Blal Dalloul — e também dois outros nomes que correm por fora da lista: a atual PGR Raquel Dodge, que busca um segundo mandato, e o subprocurador Augusto Aras.

Movimentos de renovação preparam iniciativas para tentar mudar partidos – Em reação à ameaça de punição de seus integrantes por legendas como PDT e PSB por terem votado a favor da reforma da Previdência, desrespeitando orientação de bancada, movimentos de renovação política estudam propor um projeto de lei com mudanças no funcionamento dos partidos. O grupo trabalha ainda na elaboração de um manifesto mais amplo, com quatro eixos: aumentar a democracia interna dos partidos, a transparência na gestão financeira, a integridade moral e a participação das mulheres. Tempo máximo de mandato para presidentes de partidos, proibição de comissões provisórias nas direções partidárias e obrigatoriedade de prévias estão entre as bandeiras defendidas por movimentos de renovação política e dão uma ideia do que pode vir nesse projeto de lei. O PDT, por exemplo, tem Carlos Lupi no comando do partido desde 2004 e vários de seus diretórios espalhados pelo país estão instalados de maneira provisória. Depois de uma semana sob ataques de lideranças políticas, grupos como Agora!, Acredito e Livres decidiram que está descartada a criação de uma legenda própria e que vão insistir em medidas para tentar “modernizar” os partidos.

Além de decretos, Planalto se destaca em vetos – Em relação conflituosa com o Congresso desde a posse, o presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente oito das 83 leis publicadas no Diário Oficial nos primeiros 200 dias de mandato, o que representa 9,4% dos projetos aprovados pelos parlamentares e enviados à sanção presidencial. Em anos de primeiro mandato presidencial, o número de vetos chega ao mesmo patamar do período de Luiz Inácio Lula da Silva, que, em 2003, derrubou integralmente 9,7% das leis. Na comparação com 2018, o percentual é mais de cinco vezes maior. O ex-presidente Michel Temer vetou integralmente apenas duas das 115 leis enviadas para sanção, um percentual de 1,7%. A média de vetos de 2003 até 2018 foi de 5,3% nos primeiros seis meses de governo. Ao mesmo tempo, Bolsonaro tem recorrido a tomadas de decisão individuais para fazer valer sua vontade. É o recordista em edição de decretos, desde Collor, nos primeiros seis meses de governo. Foram, ao todo, 261. O levantamento do GLOBO considerou as leis ordinárias e complementares publicadas no Diário Oficial da União até a última sexta-feira, quando Bolsonaro completou 200 dias de mandato. Além dos vetos integrais, o presidente vetou parcialmente 20 projetos e teve dois desses vetos derrubados pelo Congresso. Ainda há nove vetos parciais a serem analisados pelos parlamentares. O senador Paulo Paim (PTRS) é autor da uma das propostas vetadas por Bolsonaro — e cujo veto foi derrubado pelo Congresso na última semana. O projeto dispensa a reavaliação pericial de pessoas com HIV/AIDS que se aposentaram por invalidez. Na justificativa do veto, a Presidência alegou que a perícia periódica tem “relevante função de combate a fraudes no âmbito previdenciário”. — Há uma dissintonia entre o Executivo e o Congresso — afirmou Paim, para quem a derrubada do veto foi demonstração de que a última palavra ainda é do Congresso.

O plano M – Hamilton Mourão não descarta disputar a Presidência da República em 2022. A interlocutores próximos ele ressalva, entretanto, que só cogitará essa hipótese se Jair Bolsonaro não estiver no páreo. A propósito, Hamilton Mourão tem um apreço particular pelo porão do Palácio Jaburu, o lugar onde aconteceu a célebre conversa entre Michel Temer e Joesley Batista, aquela gravada pelo empresário. Mourão costuma usar a sala para assistir aos jogos do seu Flamengo. Lá, acompanhou a derrota para o Athletico Paranaense, na quarta-feira. (Lauro Jardim)

A hora é agora, Queiroz – Na sexta-feira, 26, completa sete meses a última aparição pública de Fabrício Queiroz, num depoimento ao SBT. Agora que Dias Toffoli deu um refresco para o ex-patrão de Queiroz, quem sabe o motorista sai do buraco onde está escondido? (Lauro Jardim)

O04 vem aí – Na visita de Jair Bolsonaro à Argentina para a reunião da cúpula do Mercosul, chamou atenção a presença de Jair Renan, o único filho adulto do presidente que não é político. Ainda, pelo visto. Segundo o núcleo duro de Bolsonaro, o plano do presidente é lançar o 04 como candidato a vereador no Rio de Janeiro, no lugar de Carlos Bolsonaro — se o 02 desistir mesmo da reeleição, conforme tem ameaçado. (Lauro Jardim)

Nas redes, a volta do protagonismo do centro – Marcado pela polarização entre direita e esquerda ao menos desde 2014, o debate político nas redes sociais voltou a ter o centro como um campo relevante durante a votação da reforma da Previdência. É o que aponta um levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que analisou 1,24 milhão de mensagens no Twitter sobre a reforma, entre 8 e 11 de julho, antes e depois da votação do texto na Câmara. O estudo mostra que, durante a votação da reforma , o protagonismo do centrão e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, gerou uma discussão não só sobre a pauta em si, mas em torno do nome de Maia. Em um dia específico de recorde de citações nas redes ao projeto, o nome de Maia acabou tendo mais citações na internet do que a soma do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia Paulo Guedes. Enquanto os simpatizantes do centro celebraram sua participação na aprovação do projeto, o presidente da Câmara foi criticado simultaneamente pelos outros dois pólos, tanto pela direita quanto esquerda, o que constituiu o centro da discussão. Segundo o levantamento, os perfis e interações ao centro representaram 14% da mobilização gerada com retuítes na rede social, enquanto os da direita somaram 57% e da esquerda, 19%. —A polarização é quase uma constante desde 2014. No entanto, o centro está conseguindo ressurgir após a eleição de 2018. —explica o diretor da DAPP, Marco Aurelio Ruediger. —As pontas não querem Rodrigo Maia, não querem que o centro volte a se estabelecer, porque isso altera o jogo atual que é polarizado. O centro busca juntar pedaços e isso isola os extremos. Daí tanta crítica da esquerda e da direita. É curioso que a maior parte das críticas veio da direita mais olavista (ligada ao ideólogo de direita, Olavo de Carvalho), que tem uma pauta que transcende a reforma, mais preocupada com a radicalização dos costumes —completa.

Só que… – O pai do futuro embaixador em Washington, um ex-fritador de hambúrguer, ganhou uma definição pelo mestre Nelson Motta: “Bolsonaro consegue a façanha de ser o rei e o bobo da corte ao mesmo tempo”. Maldade. (Ancelmo Gois)

O ESTADO DE S.PAULO – primeira página

Manchete: Verba pública para partidos cresce 2.400% em 24 anos

Alteração feita na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020 pelo relator Cacá Leão (PP-BA) autoriza o repasse, via Fundo Eleitoral, de até R$ 3,7 bilhões de recursos públicos aos partidos para as campanhas municipais de 2020. O valor é mais do que o dobro do R$ 1,7 bilhão distribuído nas eleições de 2018 e supera em R$ 1 bilhão o valor doado por empresas em 2012, último ano em que esse tipo de financiamento foi permitido. Com a verba anual do Fundo Partidário, os repasses podem chegar a R$ 4,63 bilhões em 2020, valor 2.400% maior do que o distribuído em 1996, após a aprovação da Lei dos Partidos. Segundo Cacá Leão, o aumento do fundo eleitoral foi pedido pela “maioria dos partidos”. Rodrigo Maia apoia.

Exército limita tuíte político de militar – Portaria do Estado-Maior do Exército estabeleceu normas contra manifestações políticas de militares da ativa em seus perfis, em especial no Twitter. Levantamento do Estado encontrou 220 publicações políticas em 20 contas de oficiais do Exército e de dois brigadeiros da Força Aérea.

SP perde maior número de fábricas da década – De janeiro a maio, o Estado de São Paulo perdeu 2,3 mil indústrias de transformação e extrativistas. É o maior número da última década, e 12% acima do ano passado. Na outra ponta, 4,4 mil fábricas foram abertas, o que não se refletiu em melhores números para a área, que viu o PIB encolher 14,4% de 2014 a 2018. Para analistas, a queda do PIB do setor mesmo com a abertura de fábricas mostra que houve encolhimento da produção.

Decifra-me ou… – Empresários brasileiros pagam até R$ 40 mil por roteiro na China para estudar o crescimento de gigantes como Alibaba e Baidu.

Bolsonaro fez ataque covarde, diz chefe do Inpe – O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão, disse que a atitude do presidente Jair Bolsonaro, que o acusou de agir “a serviço de alguma ONG”, foi “pusilânime e covarde” e as declarações parecem “conversa de botequim”. Na sexta-feira, Bolsonaro afirmou que os dados do Inpe sobre o desmatamento da Amazônia são mentirosos. Ontem, o Planalto não quis se pronunciar.

Tabata foi contra o PDT em 43% das votações – Tabata Amaral (PDT-SP) contrariou seu partido em 43% das votações nominais feitas na Câmara – incluindo a reforma da Previdência. Também considerado “infiel”, Felipe Rigoni (PSB-ES) votou contra a sigla em 54% das vezes.

Órfãos de Brumadinho – Geraldo Resende ampara os netos Antônio e Geraldo, de 1 ano, cujos pais morreram após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), há seis meses. Tragédia deixou uma centena de crianças órfãs, informa o enviado especial Pablo Pereira.

Notícias do Estadão

Pesquisa mostra que 53% são contra indicação de Eduardo – Pesquisa do Ideia Big Data em parceria com o site BR18 mostra que 53% dos entrevistados avaliam que o presidente Jair Bolsonaro não deveria indicar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador do Brasil em Washington. Questionados sobre essa possibilidade, que tem sido frequentemente repetida pelo presidente, 53% discordam, 33% concordam e 13% não sabem opinar. O levantamento foi realizado por pulso telefônico no dia 17 de julho com 2.222 pessoas. Dessas, 43% disseram que a indicação é compatível com nepotismo, 38% discordam dessa avaliação e 19% não opinaram. Quanto ao apoio que a possível nomeação tem recebido de aliados de Bolsonaro que acreditam que Eduardo, por ser filho do presidente, teria mais acesso ao governo dos Estados Unidos e capacidade de conseguir melhores negociações para o Brasil, 50% não concordam com esse ponto de vista, 39% concordam e 11% não souberam opinar. O presidente já trata com confiança a indicação do filho para a representação diplomática nos EUA, o mais cobiçado e de maior prestígio no Itamaraty. Na sexta-feira passada, ele disse achar muito difícil que o governo americano recuse a indicação de Eduardo Bolsonaro.

Presidente acusa Lula por ‘imagem ruim’ no exterior – O presidente Jair Bolsonaro atribuiu no sábado, 20, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o que chamou de imagem negativa do Brasil no exterior. “Lula durante a campanha dele disse claramente que no Brasil tinha 30 milhões de crianças na rua e vocês (jornalistas) não falavam nada sobre isso. Uma propaganda negativa do Brasil o tempo todo lá fora. Por isso, nossa imagem é tão ruim fora do Brasil”, afirmou ele, ao deixar o Palácio da Alvorada. Ao ser questionado sobre as declarações sobre fome e ainda sobre o registro de 13 milhões de desempregados no País, disse que os jornalistas deveriam fazer a pergunta a Lula. “O Lula falou que acabou com a fome, com a miséria. Tudo está uma maravilha com Lula”, ironizou. No Twitter, Bolsonaro também criticou o PT. “Não é porque perderam a eleição que seus crimes devem ser ignorados. Os efeitos devastadores do desgoverno da quadrilha ainda podem ser sentidos e é papel de todo aquele que ama o Brasil lembrar quem foram os culpados.”

‘Terra’ de Bolsonaro convive com a fome – A dona de casa Maria da Silva Oliveira serviu macarrão branco, sem molho ou mistura, de almoço ontem para a família, repetindo o “cardápio” da noite anterior. São oito pessoas acomodadas em um imóvel de três cômodos em Registro, considerada a “capital” do Vale do Ribeira, em São Paulo. “Fome, todo mundo passa aqui, filho. A gente se vira com o básico, arroz, feijão, de vez em quando um ovo ou uma salsicha”, afirma ela, que se mantém com renda mensal de R$ 900. O caso de “Maria Preta”, como é chamada na cidade, está longe de ser isolado e exemplifica dados divulgados por organismos internacionais que mostram a estagnação do combate à fome do Brasil. Também contraria a afirmação feita, na sexta-feira, pelo presidente Jair Bolsonaro de que falar em fome no País é uma “grande mentira”. Na casa de Ivone Guedes, também moradora de Registro, a situação era parecida. Para o almoço de sábado, ela contava com três ovos para sete pessoas, e não havia planos para o jantar. “Vou fazer mexido e repartir, tem arroz e feijão. A janta? Talvez meu irmão traga umas bananas.” Ela conta ter trocado a zona rural pela cidade atrás de um emprego fixo, o que não conseguiu. “Fome? É o que mais tem por aqui. O estômago ronca, mas fazer o quê? Quando tem arroz e feijão, o básico do básico, a gente fica contente.” O Vale do Ribeira, onde Bolsonaro passou a infância e a juventude, é uma das regiões mais pobres de São Paulo, junto com o sudoeste do Estado. Dos 23 municípios que integram o Vale do Ribeira, três deles estão entre os 15 piores em termos de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)– Itariri, Sete Barras e Barra do Turvo. A região também tem, proporcionalmente, a maior população assistida pelo Bolsa Família no Estado. Em 2015, último dado disponível, eram 30,4 mil famílias nos 23 municípios inscritas no programa. Só em Eldorado, 1.282 famílias (ou um terço da população) recebiam ajuda federal para sua subsistência. Dados divulgados em setembro do ano passado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e um grupo de agências da ONU mostram que o combate à fome no Brasil se estagnou, apesar de o País ter saído do chamado mapa da fome em 2014.

Presidente esticou a corda, avaliam aliados – Há grande tensão no meio político, inclusive entre apoiadores de Jair Bolsonaro, quanto à próxima rodada das pesquisas de avaliação do governo. É consenso que o presidente esticou a corda da opinião pública com declarações, no mínimo, polêmicas sobre temas sensíveis: direitos trabalhistas, relações familiares, costumes, guerra cultural, diferenças regionais e desigualdade. Como na política impera o oportunismo, alguns aliados já escolheram manter distância regulamentar de Bolsonaro e outros vão esperar as pesquisas para decidir os rumos. Se era consenso que Bolsonaro consolidava seus apoios na centro-direita com a defesa de suas bandeiras, a avaliação agora é de que o presidente pode ter cruzado a linha amarela ao abordar temas que não são unânimes nem mesmo no eleitorado conservador. Para um aliado de primeira hora, Bolsonaro mantém unida a direita quando ataca as causas históricas da esquerda, mas abre flancos ao insistir em beneficiar os filhos, negar a fome e entrar em bolas divididas com a populosa região Nordeste do País. Na mais recente pesquisa de avaliação CNI/Ibope, sua reprovação saiu de 40% para 47%. (Coluna do Estadão)

Gente como a gente – O Senado deve votar na primeira semana do segundo semestre o projeto de relatoria do Randolfe Rodrigues (Rede-AP) que diz que animais não podem ser tratados como “coisa”, possuem natureza jurídica e são sujeitos de direitos. Em português mais claro: reconhecimento, por lei, de que animais sentem dor, têm emoções e se diferem do ser humano apenas nos critérios de racionalidade e comunicação verbal. A atriz e ativista da causa Luisa Mell é aguardada em Brasília para acompanhar a votação. (Coluna do Estadão)

FOLHA DE S.PAULO – primeira página

Manchete: Gasto com funcionalismo sobe na crise e bate recorde

Os gastos com funcionários ativos de União, estados e municípios permaneceram em alta nos últimos anos de recessão seguida de semi estagnação da economia. Passaram do equivalente a 12,3% do PIB, em 2014, para 13,6%, ou R$ 927,8 bilhões, em 2018. Parte da expansão desse percentual se deve ao quadro recessivo de 2015 e 2016, mas a tendência de alta persistiu depois. O patamar é o maior já medido pelas estatísticas disponíveis — e semelhante ao dos desembolsos com a Previdência. O que leva o gasto a níveis tão atípicos não é o número de servidores, mas suas elevadas médias salariais em relação à iniciativa privada. O montante para salários e outros benefícios no Brasil é uma anomalia. No G20, só a África do Sul está à frente. Não por acaso, planos para uma reforma administrativa estão em estudo desde o governo Michel Temer (MDB). A equipe econômica de Jair Bolsonaro (PSL) indicou apenas que pretende reduzir ou até suspender contratações.

Reforma tributária põe indústria em choque com demais setores – As propostas que tramitam na Câmara e no Senado puseram em campos opostos a indústria e os demais setores da economia. Enquanto as fábricas defendem o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), comércio e serviços querem ‘nova CPMF’ e desoneração da folha.

Com ações pendentes, Toffoli só agiu no caso Flávio – Antes de beneficiar o senador Flávio Bolsonaro em liminar, o presidente do STF, Dias Toffoli, se envolveu por dois anos em um processo sobre compartilhamento de dados fiscais, mas não viu motivo para suspender investigações. Outras 42 ações similares no Supremo aguardavam definição, tomada apenas com o caso Flávio.

Condenados no mensalão driblam multa, diz Dodge – O ex-diretor do BB Henrique Pizzolato, o empresário Marcos Valério e o ex-deputado Pedro Henry são suspeitos de ludibriar a Justiça para não pagarem multas impostas no julgamento, segundo a Procuradoria-Geral.

Crise sobrecarrega SUS e eleva nº de consultas em SP.

Produtores rurais citam policiamento distante para ter armas como defesa do patrimônio – Em sua fazenda em Foz do Iguaçu (PR), Djalma Pastorello exibe revólver 38 e garrucha 32 (esta, sem registro); para ele, ‘não é só bandido que tem direito’ a posse e porte facilitados (Cotidiano B4)

Notícias da Folha

Witzel iguala Cabral em dias fora do cargo em viagem – O ritmo de viagens internacionais do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), já se assemelha ao do seu antecessor Sérgio Cabral (MDB). Na Argentina até este domingo (21), Witzel já acumula 24 dias fora do cargo em razão de viagens. É o mesmo número de ausências do emedebista nos primeiros sete meses de 2007 — também primeiro ano de mandato. O atual governador fluminense já foi para a Alemanha, Estados Unidos, Portugal e duas vezes para a Argentina. Na última ida a Buenos Aires, teve agenda oficial na sexta-feira (19). Depois, passou o fim de semana na cidade com a primeira-dama às suas custas, segundo o governo. Witzel já recebeu R$ 20,5 mil em diárias por viagens a trabalho — incluindo missões no país, como reuniões com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em Brasília. O valor supera o salário de governador, de R$ 19,7 mil brutos — cerca de R$ 14,7 mil líquidos.

Tabata contratou namorado por R$ 23 mil – A campanha da deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) pagou R$ 23 mil ao namorado dela, Daniel Alejandro Martínez Garcia, durante as eleições do ano passado. A informação foi revelada neste sábado (20) pelas revistas Veja e Exame. Martínez Garcia, 24, é colombiano e foi colega da deputada na Universidade Harvard, onde ambos se formaram. A prestação de contas da campanha afirma que ele prestou serviços de análise estratégica para a candidatura de agosto a outubro de 2018, durante o período eleitoral. Às revistas Tabata afirmou apenas que a sua campanha cumpriu as leis eleitorais “na contratação de seus serviços e pessoas” e que todas as informações a respeito são públicas. Após a publicação da reportagem pelas revistas, o coordenador nacional do Acredito, Samuel Melo, divulgou texto defendendo a deputada. Disse que o namorado dela fazia a gestão, atendimento e mobilização de mais de mil voluntários na candidatura, além de elaborar banco de dados sobre bairros e cidades do estado.

Condenados do mensalão driblam Justiça para não pagar multa – Condenados por envolvimento no esquema do mensalão do governo Lula (PT) há quase sete anos, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e o ex-deputado federal Pedro Henry são suspeitos de ludibriar a Justiça para obter benefícios e evitar o pagamento de multas impostas no julgamento. Os três têm dívidas de ao menos R$ 14,2 milhões, mas alegam não ter dinheiro ou patrimônio para quitá-las. Segundo manifestações da PGR (Procuradoria-Geral da República) ao Supremo Tribunal Federal, há indícios de que Pizzolato e Valério ocultam sua real situação financeira. O órgão também sustenta que Pedro Henry, ex-deputado pelo PP, induziu a corte a erro ao solicitar o parcelamento de seu débito como forma de se regularizar e obter a liberdade condicional. Ele pagou apenas uma prestação. Uma vez solto, não acertou mais nenhuma.

Para Bolsonaro, imprensa distorce suas declarações – O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (20) que a imprensa brasileira distorce as suas declarações públicas e que os veículos de comunicação “morrem de saudades do PT”. Em mensagem nas redes sociais, ele reagiu às críticas aos seus recentes posicionamentos. Nesta sexta-feira (19) o presidente disse que não há fome no Brasil, chamou os governadores nordestinos de “paraíbas” e atacou a jornalista Miriam Leitão. “Não adianta a imprensa me pintar como seu inimigo. Nenhum presidente recebeu tanto jornalista no Palácio do Planalto quanto eu, mesmo que só tenham usado dessa boa vontade para distorcer minhas palavras, mudar e agir de má-fé ao invés de reproduzir a realidade dos fatos”, disse, referindo-se a um café com correspondentes estrangeiros nesta sexta-feira. Ele afirmou ainda que sempre defendeu a liberdade de imprensa, “mesmo consciente do papel político-ideológico atual de sua maior parte, contrário aos interesses dos brasileiros, que contamina a informação e gera desinformação. No fundo, morrem de saudades do PT”.

Hora de arregaçar as mangas Aliados do prefeito de SP, Bruno Covas (PSDB), receberam os primeiros resultados de pesquisas que devem nortear a estratégia do tucano para buscar a reeleição no ano que vem. Alçado ao posto pela renúncia de João Doria, que deixou a administração municipal no ano passado para assumir a do estado, Covas ainda não é conhecido por cerca de 40% da população. Mais: o paulistano ainda está ressentido com a saída precoce do hoje governador da cidade, o que contamina a avaliação geral. Os dados ajudam a explicar a incisividade com que Covas cobrou o afastamento de Aécio Neves (PSDB-MG) da sigla. Hoje deputado, o mineiro é apontado como fonte de grande desgaste para a legenda. Se há boa notícia nos dados, está no campo da oposição. A avaliação do PT é tão ruim que auxiliares do prefeito ousam dizer que a sigla está “arrasada” na capital. O tucano está animado com o desafio. Sua administração entra agora no que ele tem chamado de fase de entrega, de inaugurações. Ele tem feito ao menos um compromisso público, nas ruas, por dia. Há reunião mensal de secretariado para acompanhar o cumprimento das metas. Segundo os dados, a avaliação da zeladoria da cidade melhorou, mas ainda é preciso atuar com força na limpeza de parques e clubes. (Painel)

Navegar é preciso – O ministro Paulo Guedes (Economia) ouviu de industriais que, após um primeiro semestre no marasmo, a perspectiva de todos os setores é fechar o ano em situação mais positiva do que como começaram. Sobre o FGTS, Guedes disse aos empresários que o modelo a ser anunciado pelo governo será o de liberação de pequenos saques anuais. Dar acesso a todo o dinheiro de uma vez, avaliou o ministro, segundo relatos, poderia produzir um “voo de galinha”. Os construtores concordaram com ele. Mas a opinião externada por Guedes não é consenso dentro do Ministério da Economia. Técnicos dizem, sob condição de anonimato, que os saques anuais vão se transformar em uma espécie de 14º salário, desidratando o FGTS sem produzir o benefício de criar uma nova força de demanda. (Painel)

CORREIO BRAZILIENSE – primeira página

Manchete: Governo busca mais articulação no Congresso

A aprovação da reforma previdenciária em primeiro turno animou o mercado, mas a necessidade de ampliar o diálogo com o Congresso, principalmente para destravar a economia, é prioridade de governistas. O próximo teste será as negociações sobre mudanças na área tributária.

Bolsonaro nega ter criticado nordestinos – Depois de dizer “daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão”, o presidente respondeu às fortes reações nas redes sociais: “A maldade está no coração de vocês (imprensa). Tenho tanta crítica ao Nordeste que casei com a filha de um cearense”.

A dor de perder um filho para o H1N1 – Depois da tragédia, a servidora pública Thâmar Castro Dias entra na luta para conscientizar as pessoas sobre a importância da vacinação contra o vírus.

Domingo de 7ºC e de baixa umidade – As baixas temperaturas podem se estender até agosto, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Julho registra a semana mais gelada do século.

Notícias do Correio

Bolsonaro nega preconceito – Após a repercussão negativa dos comentários que fez a respeito de governadores do Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro acusou a imprensa de ter distorcido o que ele disse na sexta-feira durante café da manhã com jornalistas estrangeiros. Ao deixar ontem o Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que suas declarações sobre “governadores de paraíba” tinham a intenção de criticar o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e o da Paraíba, João Azevedo (PSB), e não a população nordestina. “Eu fiz uma crítica ao governador do Maranhão e ao da Paraíba, que vivem esculhambando obras federais, que não são deles, são do povo”, disse o presidente a jornalistas. “A crítica que eu fiz foi aos governadores, nada mais. Em três segundos, vocês da mídia fazem uma festa. Eles são unidos, eles têm uma ideologia, perderam as eleições. Tentam o tempo todo, através da desinformação, manipular eleitores nordestinos. O Parlamento não é tão raso como estão pensando”, acrescentou.

Corte de R$ 2,5 bi no Orçamento – O presidente Jair Bolsonaro disse, ontem, que o governo vai anunciar uma “merreca” de corte, de R$ 2,5 bilhões, no Orçamento, em uma única pasta. Ele não disse qual. Em março, a tesourada para evitar um estouro na meta fiscal, que permite um rombo de até R$ 139 bilhões nas contas públicas, foi de R$ 30 bilhões. A equipe econômica vem sinalizando a necessidade de um novo contingenciamento neste mês, durante a divulgação do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas. Recentemente, reduziu de 1,6% para 0,8% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Isso afetará a previsão de arrecadação, xriando necessidade de bloqueio de gastos. “Queremos evitar que o governo pare, dado que o nosso Orçamento é completamente comprometido. Deve ter um novo corte agora. O que deve acontecer é um novo corte de R$ 2,5 bilhões. Uma ‘merreca’.”, disse.

Inteligência no combate ao crime – Criado em 1998, ao longo do ano, o Coaf aprimorou técnicas e planos de ação para impedir o avanço de ações criminosas por meio do sistema financeiro brasileiro. Todos os dias, o órgão, que antes era pouco notado na estrutura da Esplanada, varre transações financeiras com a finalidade de encontrar ações suspeitas. Inicialmente, o sistema do Coaf não busca por nomes, mas sim por números de CPFs em dados repassados por instituições envolvidas em transações financeiras. As chamadas “instituições obrigadas”, que precisam cumprir uma série de regras, e enviar ao Conselho qualquer ação suspeita, contemplam bancos, corretoras, imobiliárias e fintechs. Até mesmo negociações que envolvam apenas moeda em espécie estão na mira dos servidores do colegiado. O jurista Edson Luz Knippel, doutor em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) destaca que outros países têm instituições semelhantes ao Coaf, na intenção de combater com inteligência investigativa diversos crimes. “É um órgão indispensável, tanto que outras nações têm estruturas semelhantes”. Apesar de não ser uma entidade investigativa, o conselho repassa as informações de alto grau de relevância para instituições como Polícia Federal, Ministério Público, polícia civil nos estados, Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Poder Judiciário. Em seguida, as informações são analisadas e podem resultar em investigações e, posteriormente, em ações penais na Justiça. Podem ser utilizadas ainda para impedir ações de terrorismo, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, desestruturar facções criminosas e inibir o tráfico de seres humanos. Quanto maior e mais complexa a atividade ilícita, mais valores ela movimenta.

Confaz – Amanhã, secretários da Fazenda estaduais farão encontro do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Brasília. Eles pretendem apresentar uma proposta própria de reforma tributária, que poderá ser apensada como emenda da PEC 45. Desde a reforma da Previdência, Maia é quem mais se articula com os estados. Mas, depois que Bolsonaro chamou governadores do Nordeste de “paraíbas”, o clima pode azedar com os secretários da região, que lideram o movimento junto ao Legislativo. O governo sustenta o discurso de que o crescimento será via investimento. Mas, sem uma reforma tributária robusta, o governo ficará dependente de medidas para aquecer o consumo, não avançando, de fato, no equilibrio entre oferta e demanda. “É um voo de galinha”, critica o deputado Luis Miranda (DEM-DF). “A ideia do IVA é positiva, mas sem uma articulação política eficiente para garantir uma alíquota significativamente reduzida não vai dar certo”, pondera.

Bolsonaro embica no discurso radical – Os voos solos do presidente Jair Bolsonaro assustam ministros e assessores mais cautelosos da Esplanada. O capitão reformado a cada dia parece mais confortável no cargo, mas o que poderia ser uma boa notícia leva ao desespero qualquer gerenciador de crises. Uma coisa é ele fazer movimentos em direção a grupos mais conservadores, que garantem uma base considerável para se sustentar mesmo quando a economia não mostra resultados. Outra é negar números como o da fome no país ou avançar no preconceito clássico e espúrio contra nordestinos — mesmo que não soubesse que o microfone estava aberto. A falta de ministros nordestinos no time de Bolsonaro sempre foi um indicativo da dificuldade do presidente em perceber a pluralidade do país. Agora, com a frase do capitão reformado, revela algo mais profundo. Dos últimos episódios da semana — desde a indicação do filho para a embaixada dos EUA, passando pelas declarações contra o cinema brasileiro e terminando nos “paraíbas” — resta saber que o presidente está confortável no cargo, como se estivesse em casa. A próxima ação pode ser chamar um parlamentar que aceite colocar um chapéu de cangaceiro para aparecer de papagaio de pirata nas imagens de Bolsonaro. A ver. (Brasília-DF)

Resultados no sertão – Uma operação de quase um mês da Polícia Federal no sertão pernambucano é vista por delegados como case de sucesso. A corporação conseguiu asfixiar o tráfico local de uma maneira tal que, para suprir a demanda, traficantes precisam importar maconha do Paraguai. O resultado é a redução de homicídios no Polígono da Maconha. O próximo passo é trabalhar com policiais paraguaios as tentativas de estancar a outra ponta de distribuição. (Brasília-DF)

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