Tudo de todos os jornais deste domingo (16)  | Claudio Tognolli


Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Governo sofre mais de um ataque digital por hora

Para estudiosos de defesa cibernética, a ação de hackers contra o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol expôs a fragilidade da segurança da informação no país, informa Dimitrius Dantas. Segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), os computadores de órgãos governamentais registraram 9,9 mil incidentes em 2018, 20% dos quais vazamento de dados. Cabe a cada órgão requerer protocolos para se defender de ataques. No ranking de cibersegurança da ONU, o Brasil ocupa a 70ª posição, atrás do Paraguai.

Bolsonaro diz que Levy está ‘com a cabeça a prêmio’ no BNDES – O presidente Bolsonaro ameaçou demitir o presidente do BNDES, Joaquim Levy, caso ele não desista da nomeação de um diretor que trabalhou na gestão petista. “Já estou por aqui com o Levy”, afirmou. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que entende a “angústia do presidente”.

Malan: ‘Previdência é o desafio mais urgente, mas não é panaceia’ – Em entrevista ao GLOBO, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan diz que reforma é condição para alcançar outros objetivos.

O Estado de S. Paulo – primeira página

Manchete: Petrobrás faz maior descoberta de gás desde o pré-sal

Em pouco tempo, o gás natural mais barato do País deve sair de Sergipe. A Petrobrás descobriu no Estado seis campos, de onde vai extrair 20 milhões de metros cúbicos de gás por dia, o que equivale a um terço da produção total do Brasil. O volume é ainda quase a metade do que a Bolívia, maior fornecedor do produto na América do Sul, vende no continente. A descoberta deve render R$ 7 bilhões anuais à Petrobrás e é a maior feita pela estatal desde o pré-sal, em 2006. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que há ainda outras áreas com indícios de presença de petróleo e gás na região, que podem resultar em “novas descobertas relevantes”. A novidade deve impulsionar plano de redução do preço dos combustíveis do ministro da Economia, Paulo Guedes. “Vamos ter competição, é o que vai fazer o preço baixar”, afirma o secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Márcio Felix.

Investimento privado – Metade da produção de gás de Sergipe virá da Celse, empresa controlada por sócios de Noruega, EUA e Brasil. O projeto de US$ 5 bilhões inaugura a concorrência em mercado dominado pela Petrobrás.

Bolsonaro diz que Levy está com ‘cabeça a prêmio’ – Jair Bolsonaro afirmou que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, está com a “cabeça a prêmio”. Bolsonaro ameaçou demiti-lo caso não exonere Marcos Pinto do cargo de diretor de mercado de capitais do banco. Após as declarações, o diretor entregou carta de renúncia.

Moro tenta fazer plebiscito da crise – Com aval do Planalto, Sérgio Moro transforma vazamento de conversas com procuradores em “plebiscito” dos que são contra e a favor da Lava Jato.

Sonho de viver nos EUA passa pelo Brasil – O México quer organizar um plano de “gestão migratória” que incluirá o Brasil, rota de africanos. Na travessia de florestas, angolano Dewa Nguibebe só bebeu água durante uma semana.

Folha de S.Paulo – primeira página 

Manchete: Seis carreiras levam R$ 1,7 bi em bônus e honorários em 2018

O pagamento de bônus e honorários, penduricalhos criados nos últimos anos para seis carreiras do funcionalismo federal, custou quase R$ 1,7 bilhão em 2018. Com a vantagem, servidores, incluindo aposentados, chegam a incrementar a remuneração em até 30%. Levantamento do Ministério da Economia obtido pela Folha mostra que auditores fiscais e analistas tributários da Receita foram os mais contemplados pelo sistema, com R$ 843,9 milhões em um ano. Outros R$ 149,8 milhões foram pagos a auditores fiscais do trabalho. Criado em 2017, o bônus de produtividade vai de R$ 1.800 a R$ 3.000 mensais. Os valores deveriam variar com a arrecadação, mas o mecanismo, alterado pelo Congresso, se tornou fixo. O número de autuações caiu em 2018, e o benefício é alvo do TCU.

Governo tem 23 de 49 votos em comissão da Previdência – Levantamento da Folha mostra que ao menos 23 dos 49 integrantes da comissão especial deverão ser favoráveis à proposta, que precisa de maioria simples. Alguns, porém, querem mais mudanças no texto. Na enquete, 11 estão contra o projeto, 4 se dizem indecisos e 11 não responderam. O presidente do colegiado quer votar a favor.

Ao acusar rivais, Azul mancha setor, diz presidente da Latam – Em entrevista à Folha, Jerome Cadier nega alegação de que a Latam e a Gol se uniram para acabar com a Avianca e impedir a entrada da Azul na ponte aérea Rio-SP. “Fica parecendo que o setor não é sério.”

Levy está com ‘cabeça a prêmio’ no BNDES, ameaça Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro disse estar “por aqui” com o economista Joaquim Levy, em razão de eventual nomeação no BNDES. Sobre o ministro Sergio Moro (Justiça), Bolsonaro disse inexistir confiança 100%.

Acesso a Sergio Moro em Curitiba era para poucos – Oito defensores que atuaram em dezenas de casos da Lava Jato relatam um Sergio Moro diferente do que aparece nas mensagens de Deltan Dallagnol. Nenhum jamais teve o celular do ex-juiz.

Correio Braziliense – primeira página

Manchete: A quem interessa afastar Moro?

Ex-presidente do STF, o ministro aposentado Carlos Velloso diz não ver, nas mensagens vazadas envolvendo Sérgio Moro, combinação entre o então juiz e procuradores da Lava-Jato. Mas chama a atenção para a gravidade da invasão ilegal de conversas privadas. “Esse tipo de atuação é ilícita e condenável. Toda a República pode ser grampeada”, alerta. Para ele, a força-tarefa pode estar sendo alvo de ataque por ter desvendado um bilionário esquema de corrupção na administração pública e levado gente muita poderosa para a cadeia.

Antenas de celular em área privada – Projeto de lei do GDF libera a instalação em terrenos particulares e define critérios para funcionamento dos equipamentos.

Candidatos defendem a lista tríplice – José Bonifácio, Lauro Cardoso, Nívio de Freitas e Vladimir Aras falam ao Correio sobre polêmicas atuais e planos para o MPF.

Homens repensam a masculinidade – O sexo forte, que era identificado por atitudes machistas e agressivas, busca sensibilidade, respeito e empatia para se tornar um humano melhor.

Gim deixa a prisão beneficiado por indulto de Temer – Condenado a quase 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema desvendado pela Lava-Jato, ex-senador tem a pena perdoada e não deve mais nada à Justiça.

Bolsonaro diz que Levy está com a “cabeça a prêmio” – Presidente afirma estar “por aqui” com presidente do BNDES e anuncia que Joaquim Levy será demitido se não desligar o diretor de Mercado de Capitais do banco, Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou no governo petista. Salim Mattar, secretário de Guedes, e Gustavo Franco, ex-chefe do Banco Central, são cotados para substituir Levy.

Mais notícias

Reduto da campanha de Bolsonaro vira palanque presidencial para Doria – O QG da campanha de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi convertido na noite desta sexta-feira (15) em cenário para homenagem a João Doria, governador de São Paulo e potencial adversário do presidente nas eleições de 2022. O anfitrião do jantar oferecido a 400 pessoas foi Paulo Marinho, suplente do senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), primogênito do presidente. Entre os convidados estavam políticos, empresários, artistas e jornalistas, incluindo o ex-ministro de Bolsonaro Gustavo Bebianno, recém-chegado de uma temporada na Califórnia. Nos jardins da casa que abrigou a coordenação da campanha de Bolsonaro, Doria fez críticas veladas ao presidente. Disse, por exemplo, que não ficou à espera da aprovação da reforma da Previdência para agir. (Folha)

Modelo de força-tarefa vê ascensão e crise sob a Operação Lava Jato – A divulgação de conversas entre autoridades da Lava Jato abriu espaço para críticas ao modelo de investigação com o uso de forças-tarefas, defendido como eficaz pelo Ministério Público Federal, mas ainda sem uma regulamentação específica. Desde as suas primeiras fases, ainda em 2014, a operação que teve origem no Paraná foi tocada por procuradores designados para reforçar as investigações no caso. Os resultados bem-sucedidos ajudaram a consolidar iniciativas parecidas pelo país, como a Lava Jato do Rio e a Operação Greenfield, no Distrito Federal. A revelação de que o então juiz Sergio Moro opinou sobre as investigações com Deltan, conforme mostrou o site The Intercept Brasil, levantou discussões sobre a credibilidade da força-tarefa paranaense, também afetada pela divulgação de troca de mensagens críticas ao PT na campanha eleitoral ao Palácio do Planalto do ano passado. (Folha)

Ida de Moro ao Senado é estratégica – A ida do ministro Sergio Moro (Justiça) à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado nesta próxima quarta-feira (19) foi resultado de um cálculo do desgaste a que o ex-juiz da Lava Jato seria submetido no Congresso. Moro e outros auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PSL) entenderam que ir espontaneamente ao Legislativo para explicar a troca de mensagens com o procurador Deltan Dallagnol era uma jogada relativamente segura, como o objetivo de frear eventual CPI com foco no ministro, tido como uma reserva ética do governo. Nas conversas divulgadas pelo The Intercept Brasil, o então juiz da Lava Jato troca colaborações com Deltan, coordenador da força-tarefa, o que é vetado por lei. Segundo o site, as mensagens foram enviadas à reportagem por fonte anônima e se referem ao período de 2015 a 2018. (Folha)

Não existe confiança 100%, afirma Bolsonaro sobre Moro – Um dia após a divulgação de novos trechos de conversas privadas nas quais o então juiz Sergio Moro passa orientações a procuradores da Lava Jata, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu o legado de seu ministro da Justiça, mas disse que não existe confiança 100%. “Eu não sei das particularidades da vida do Moro. Eu não frequento a casa dele. Ele não frequenta a minha casa por questão até de local onde moram nossas famílias. Mas, mesmo assim, meu pai dizia para mim: Confie 100% só em mim e minha mãe”, disse Bolsonaro, em rápida entrevista na porta do Palácio do Alvorada, neste sábado, em Brasília. Questionado se os diálogos entre o então juiz e o procurador chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, não representariam irregularidades, o presidente ressaltou os resultados da atuação de Moro no combate à corrupção. “Tem um crime de invadir o celular do caboclo lá [Deltan]. E outra, tem programa que eu tive acesso de você forjar conversa e ponto final. O que interessa? O Moro foi responsável, não por botar um ponto final, mas por buscar uma inflexão na questão da corrupção”, disse o presidente. “E mais importante: [Moro] livrou o Brasil de mergulhar em uma situação semelhante a da Venezuela. Onde estaria em jogo não o nosso patrimônio, mas a nossa liberdade”, completou. (Folha)

Bolsonaro defende armar a população para evitar golpe de Estado – Em evento do Exército em Santa Maria (RS) neste sábado (15), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que armar a população pode evitar golpes de Estado. “Nossa vida tem valor, mas tem algo com muito mais valoroso do que a nossa vida, que é a nossa liberdade. Além das Forças Armadas, defendo o armamento individual para o nosso povo, para que tentações não passem na cabeça de governantes para assumir o poder de forma absoluta. Temos exemplo na América Latina. Não queremos repeti-los. Confiando no povo, confiando nas Forças Armadas, esse mal cada vez mais se afasta de nós”, falou em pronunciamento. Ele não atendeu a imprensa. (Folha)

Aos inimigos, a lei – Oito advogados que atuaram em dezenas de casos relevantes para a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba relatam um modelo de relação com o ex-juiz Sergio Moro muito diferente do que aparece nas mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, segundo o The Intercept. Nenhum desses defensores jamais teve o telefone do então magistrado —por óbvio, tampouco trocou mensagens com ele. Despachos só previamente agendados por escrito com a Secretaria da 13ª Vara. O Painel consultou advogados de renome, ligados a réus ou delatores, com significativa atuação na 13ª Vara. A coluna fez a eles as mesmas perguntas, sob garantia de anonimato — há casos ainda pendentes. Um dos ouvidos fez defesa da atuação de Moro. Disse que manteve por anos relação impessoal com o ex-juiz e que considerava o trabalho dele sério. No fim, emendou: “Agora, que houve erro na condução da Lava Jato, houve”. (Painel/Folha)

Tenho orgulho da minha carreira – O advogado Marcos Barbosa Pinto apresentou neste sábado (15) uma carta de renúncia. Ele ocuparia, a convite de Joaquim Levy, a Diretoria de Mercado de Capitais do banco de fomento. Mais cedo, Bolsonaro disse que demitiria Levy na segunda-feira (17) se a nomeação fosse mantida. Bolsonaro ficou incomodado com o fato de Barbosa ter atuado em gestão petista. Levy também atuou em governos do PT — no de Lula como secretário do Tesouro e no do Dilma como ministro da Fazenda. A Folha teve acesso à carta de Barbosa Pinto a Levy. Ele tentou falar com Levy ao longo do dia, mas não obteve retorno. “É com pesar que entrego esta carta, logo após ter tomado posse, mas não quero continuar no cargo diante do descontentamento manifestado pelo presidente da República”, escreveu o advogado. Ele tomou posse na quarta-feira (12) e começaria a trabalhar na diretoria nesta segunda. (Folha)

Levy deveria pedir demissão antes de ser demitido – O economista Arminio Fraga disse neste sábado (15) que o presidente do BNDES, Joaquim Levy, deveria pedir demissão antes desta segunda-feira (17). Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro disse que está “por aqui” com Levy e sua “cabeça está a prêmio há algum tempo”. “Levy deveria pedir demissão antes de ele ser demitido na segunda-feira”, disse Fraga que é colunista da Folha e ex-presidente do Banco Central. Bolsonaro disse que poderia demitir Levy, sem falar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, porque ele nomeou Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou durante governo do PT, para a diretoria de Mercados de Capitais do banco. (Folha)

Em manobra ‘suicida’, Caixa executa dívidas da Odebrecht – A Caixa Econômica Federal executou dívidas da Odebrecht como forma de pressionar a empresa a abrir negociação e oferecer garantias mais firmes que protejam o banco estatal caso o grupo entre em recuperação judicial. O movimento, no entanto, foi visto pelos demais bancos credores e pela própria empresa como um manobra suicida, que jogou de vez o grupo na vala da recuperação judicial e deixará todos mais frágeis a partir de agora. Na Justiça, as negociações seguem o rito de uma lei própria e tudo é decidido pelo juiz. As dívidas executadas pela Caixa estavam em atraso há mais de dois meses e se referem a empréstimos tomados para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, e o Centro Administrativo de Brasília, em Taguatinga (DF). A Caixa decidiu esticar a corda porque, os demais bancos credores, como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, têm ações da petroquímica que dão proteção para boa parte dos empréstimos concedidos. No BB, por exemplo, além das provisões já realizadas para compensar perdas, pelo menos 40% da dívida está coberta pelas ações da Braskem. (Folha)

Gim recebe perdão judicial graças a indulto de Temer – Beneficiado pelo polêmico indulto de Natal assinado em 2017 pelo então presidente Michel Temer, o ex-senador Gim Argello está de volta às ruas. Condenado a 11 anos e 8 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-parlamentar cumpriu os requisitos estabelecidos pelo decreto presidencial e recebeu o perdão judicial. Segundo o advogado Marcelo Lebre Cruz, Gim já estava ontem com a família. Desde fevereiro de 2016, ele estava preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná, onde o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e o ex-governador do Paraná Beto Richa também passaram uma temporada. Gim teve um recurso deferido pela 1ª Vara de Execuções Penais de Curitiba, com parecer favorável do Ministério Público Federal. Os embargos declaratórios interpostos pela defesa pediam o reconhecimento do direito de Gim ser enquadrado no indulto de 2017, referendado há um mês pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por 7 votos a 4, depois de ser contestado pela Procuradoria-geral da República por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade. Por meio de liminar concedida pela ministra Cármen Lúcia, o benefício chegou a ficar suspenso por mais de um ano. Um dos motivos é ampliar os critérios do benefício e favorecer criminosos do colarinho branco — condenados por desvios de recursos, lavagem de dinheiro e corrupção —, como Gim. Foi o que defendeu o relator da Adin, ministro Roberto Barroso. (Correio)

Porteira aberta – Entre os beneficiados com o indulto natalino de Temer, estão também os ex-diretores do Banco Rural Kátia Rabello e José Roberto Salgado, condenados no processo do mensalão. O perdão da pena foi reconhecido pelo ministro Roberto Barroso, depois que o plenário do STF entendeu que o decreto de Temer poderia ser aplicado. Presos em novembro de 2013, Kátia Rabello e José Roberto Salgado foram condenados a 14 anos e 5 meses de prisão por lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira e evasão de divisas. Mas ambos já estavam em liberdade condicional. (Correio)

A velha política de volta – O tempo passa e, aos poucos, a vida política do Distrito Federal vai voltando ao passado. O ex-senador Luiz Estevão já passa o dia fora da prisão, malha na academia e acompanha o dia a dia da cidade. Na última sexta-feira, outro ex-senador, Gim Argello, foi liberado da cadeia em Curitiba, onde cumpria pena de quase 12 anos por corrupção em condenação da Lava-Jato, beneficiado pelo indulto de Natal assinado pelo ex-presidente Michel Temer, também denunciado. O bombardeio em cima do ex-juiz Sergio Moro e o desgaste provocado pelo vazamento de mensagens de chats do Telegram contribuem para enfraquecer o clima de sucesso do combate à corrupção. De heróis invencíveis, procuradores da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba agora são atacados, e muitos de seus algozes são os próprios alvos. (Eixo Capital/Correio)

Procurador se defende – Na sexta-feira, em nota publicada em rede social, o procurador Carlos Fernando Santos Lima afirmou desconhecer “completamente as mensagens citadas” pelo site. “(…) Acreditando singular que o ‘órgão jornalístico’ volte-se agora contra mim, aparentemente incomodado pelas críticas que tenho feito ao péssimo exemplo de ‘jornalismo’ que produz”, escreveu ele. “Apenas para colocar os fatos a limpo e demonstrar a capacidade de manipulação e inverdades, desde setembro de 2018 minha conta Telegram está deletada e o aplicativo desinstalado. Desnecessário dizer que atos criminosos devem ser rechaçados, e que os interesses que levaram a esse crime estão criando diálogos apócrifos para constranger autoridades. Não reconheço qualquer diálogo. Não devemos acreditar no greenwaldismo, nesse esforço de desinformação e difamação. Esse pseudo jornalista deve entregar o meio pelo qual recebeu, se é que recebeu, o material para ser periciado”, diz a nota publicada no Facebook. (Correio)

Lava-jato recuperou R$ 6 bilhões – A Operação Lava-Jato, há cinco anos desmontando esquemas de corrupção perpetuados na cúpula dos poderes Executivo e Legislativo, se tornou uma ação de Estado, mais que de governos. Após 429 denúncias e 159 condenações judiciais, os resultados da operação são robustos e dão a dimensão da investigação, que ganhou o nome por ter começado em um lava-jato localizado no Posto da Torre, em Brasília. Até o momento, com 61 fases, já foram recuperados R$ 6 bilhões aos cofres públicos. No entanto, levando em consideração acordos de cooperação, contratos de leniência e multas judiciais aplicadas a empresas e pessoas envolvidas, em alguns anos, esse valor pode chegar a R$ 14 bilhões. A principal empresa beneficiada pelas diligências é a Petrobras, que foi sangrada por executivos que usaram a estrutura da companhia para beneficiar partidos, obter benefícios pessoais e perpetuar um esquema bilionário de desvios, lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Além disso, a Lava-Jato desvendou esquemas complexos em outras empresas e empreendimentos públicos. A corrupção que afetou as obras da usina de Angra 3, no Rio de Janeiro, por exemplo, impressionou os agentes da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP), assim como a organização comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB), alvo do trabalho conjunto da PF, da Receita Federal e do MP. Em Brasília, está nas mãos da Justiça Federal um esquema de corrupção revelado pela operação Zelotes, desdobramento da Lava-Jato que investiga tráfico de influência, durante os governos petistas, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão de cúpula do Ministério da Fazenda, além do pagamento de propinas na licitação para a compra de 36 caças de combate. (Correio)

Pressão por armas – O presidente Jair Bolsonaro usou o Twitter para sugerir à população que cobre os senadores sobre o projeto de lei que anula o decreto de armas assinado por ele. “A CCJ do Senado decidiu revogar nossos decretos sobre CACs e posse de armas de fogo. Na terça, 18, o PL será votado no plenário. Caso aprovado, perdem os CACs e os bons cidadãos, que dificilmente terão direito de comprar legalmente suas armas. Cobrem os senadores do seu estado”, escreveu o presidente na rede social. (Correio)

Moro, um político entre dois gumes – O ministro da Justiça, Sérgio Moro, é aconselhado por alguns amigos e aliados a adiar a sua ida ao Senado esta semana. O ministro estará quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça para expor aos parlamentares a sua visão dos diálogos que, desde o último domingo, o deixam na constrangedora situação de ter que se explicar. O maior risco é ser pego desprevenido, ou seja, que o The Intercept abasteça a oposição com novas revelações quando Moro estiver depondo. Porém, agora é tarde para o ministro recuar. A área política do governo já foi alertada de que, se Moro mudar de ideia e faltar à sessão da CCJ, vai tirar o discurso para que não haja uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O colegiado é manhoso. Se Moro passar no teste, pode até recuperar o lastro para ser, no futuro, candidato. A carreira jurídica, porém, na avaliação dos senadores, está interrompida, a preços de hoje. A política dependerá do teste da semana. (Brasília-DF/Correio)

Moro tenta fazer plebiscito da crise – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, traçou uma estratégia para transformar o vazamento da troca de mensagens atribuídas a ele, quando juiz, e a procuradores da força-tarefa em Curitiba em uma espécie de plebiscito dos que são contra e a favor da Lava Jato. A contraofensiva tem o aval do Palácio do Planalto e foi discutida com o próprio presidente Jair Bolsonaro, na semana passada, após a análise de pesquisas encomendadas pelo governo sobre o episódio, além do monitoramento das redes sociais. Os resultados indicaram que o apoio à Lava Jato – operação sempre associada ao combate à corrupção – supera a desconfiança em relação ao conteúdo de conversas pelo celular, no aplicativo Telegram, entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Foi somente após essa avaliação reservada que Bolsonaro quebrou o silêncio e saiu em defesa do ministro da Justiça, um dos pilares de sustentação de seu governo. (Estadão)

Área econômica do governo vê situação ‘insustentável’ – Com a permanência ameaçada pelo presidente Jair Bolsonaro, integrantes da área econômica já falam reservadamente sobre nomes para substituir o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy. A avaliação é a de que a situação de Levy se tornou insustentável depois da bronca em público do presidente. Entre os cotados estão Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e atual presidente do conselho do BNDES, e Salim Matar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia. Também estão no páreo Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, funcionária de carreira do BNDES e atual presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Um absurdo vetar alguém simplesmente por ter trabalhado no governo PT”, criticou o ex-presidente do BC Armínio Fraga à coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy. Pinto foi sócio da Gávea Investimentos de 2011 a 2018. Antes, ocupou o cargo de diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). (Estadão)

Vazamento de diálogos põe Brasília em alerta – “Telefone só serve para marcar reunião em lugar errado.” A frase citada pelo deputado João Roma (PRB-BA), vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, funciona como “mantra” para alertar que não se deve usar o telefone para passar informações “quentes”, mas para despistar possíveis tentativas de grampo. “Sigo esse ensinamento do ex-presidente Tancredo Neves quando tenho de tratar de algo pessoal ou delicado.” O deputado não está sozinho. O vazamento de diálogos envolvendo autoridades acendeu uma luz amarela na Praça dos Três Poderes. No Congresso, a ação básica agora é a ativação da “confirmação em duas etapas” nos aplicativos de mensagens, o que confere maior segurança às conversas. Dentro do Planalto, o Gabinete de Segurança Institucional baixou ordem para que se usem aparelhos criptografados oferecidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Já no Supremo Tribunal Federal, um integrante da Corte ouvido reservadamente pela reportagem disse que não dá mais para encarar o WhatsApp como um aplicativo privado, mas, sim, como um “alto-falante” que espalha conteúdo abertamente. Em Brasília, muitos têm migrado para o aplicativo de mensagens privadas Signal, considerado, por ora, o mais seguro da categoria. (Estadão)

Protocolos frouxos – Em dezembro do ano passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou dois chineses ligados ao governo do seu país por roubarem dados de um servidor em Nova York. Entre as empresas que tiveram seus dados afetados está pelo menos uma brasileira. — As riquezas no Brasil não estão somente no subsolo, no Aquífero Guarani, estão também nos bancos de dados. O país é alvo constante de tentativas de acesso a essas informações: plataformas de prospecção de petróleo em águas profundas e dados do Banco Central. São alvos de interesse não só de pessoas, mas de governos — afirmou Gills Vilar Lopes, professor da Universidade Federal de Rondônia e membro do conselho editorial da Revista Brasileira de Inteligência, da Abin. Em setembro, a Symantec, do setor de segurança, detectou rastros do grupo de espionagem APT28, ligado ao governo russo, em um computador de uma embaixada no Brasil de um país produtor de petróleo, também não identificado. No mesmo mês, a base de dados do Ministério da Defesa foi invadida e dados do vice-presidente Hamilton Mourão e do então comandante do Exército, Eduardo VillasBoas, foram roubados. (O Globo)

Ouça bem – David Alcolumbre teve uma conversa dura com Jair Bolsonaro há duas semanas e deixou claro que chegou ao limite da paciência. Avisou que não está mais disposto a se estressar com colegas para socorrer o governo de enrascadas, enquanto Bolsonaro insiste em criminalizar a classe política —da qual ambos fazem parte, frisou. No auge do desabafo, Alcolumbre lembrou do desgaste que sofreu para segurar a proposta de criação da CPI da Toga e, com isso, continuou, salvar a pele do “seu filho, presidente”, Flávio Bolsonaro, cuja sobrevivência está nas mãos do Judiciário. (Lauro Jardim/O Globo)

O que o ‘rei’ quer contar – Arthur Soares, o notório Rei Arthur, denunciado pelo MPF no escândalo da compra de votos para a Olimpíada de 2016 e hoje foragido em Miami, está negociando uma delação premiada com os procuradores do Rio de Janeiro. São 55 anexos em que o maior fornecedor de serviços de vários governos do Rio destrincha negócios com três ex-governadores: o casal Rosinha e Anthony Garotinho e, claro, Sérgio Cabral — além de parte da elite política fluminense. Os anexos foram entregues em março ao MPF, mas as negociações estão em ponto morto. Há relatos de esquemas de corrupção em secretarias, tais como as de Segurança, Saúde, Educação e Ciência e Tecnologia; e em órgãos como Detran, DER, Corpo de Bombeiros e Seap. O TCE não ficou de fora — é protagonista de alguns anexos. Em geral, a propina paga, de acordo com o Rei Arthur, era de 10% líquido do valor de cada contrato. E o que Arthur Soares revela sobre o esquema para o Rio sediar a Olimpíada? Diz que deu, em setembro de 2009, US$ 2 milhões para a contratação de um “lobista” que ajudaria o Rio ser escolhido pelo COI. O dinheiro foi depositado no exterior, na “conta de uma empresa contratada pelo COB”. Semanas antes, num encontro a dois no Palácio Guanabara, Cabral lhe explicou que o COB fizera essa demanda. Arthur conta que em 2017 foi surpreendido com as notícias de compra de votos na definição da cidade sede da Olimpíada. O Rei Arthur narra também o dia em que foi chamado ao Palácio Laranjeiras por Garotinho, que tinha uma demanda inusual. O então governador “estava com dificuldade em guardar dinheiro” (a propina era paga em espécie). E pediu que Arthur guardasse a grana para ele. Eram R$ 10 milhões, entregues em três malas. (Lauro Jardim/O Globo)

Bola fora da quadra – O Rio de Janeiro tem dívidas para todos os lados que se olha. Está devendo até para Novak Djokovic. O tenista número 1 do mundo voltou a entrar na Justiça contra o estado. O sérvio está cobrando R$ 3 milhões, referentes ao cachê pela participação no evento “Djokovic no Rio”, em 2012. Na ocasião, em plena euforia da era Cabral, desembarcou na cidade para jogar uma partida contra Guga e inaugurar uma quadra de tênis na Rocinha. O estado pagou apenas US$ 450 mil do cachê de US$ 1,1 milhão. Ficou devendo US$ 650 mil. O tenista já acionara o estado com uma ação em 2015, mas não conseguiu receber a quantia. (Lauro Jardim/O Globo)

Demissão de Santos Cruz incomoda militares do governo – A decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz de seu Ministério incomodou militares de alta patente que integram o governo. A medida foi interpretada como um recado do chefe do Executivo sobre a relação que manterá com esse grupo daqui para frente. Ainda na visão desses militares, a demissão piorou a maneira como o governo é visto pelas Forças Armadas. Nas palavras de um general ouvido pelo GLOBO, sob a condição de anonimato, Bolsonaro “sabe muito bem o quanto admiramos o chefe militar que é Santos Cruz”. O general da reserva perdeu o cargo de ministro da Secretaria de Governo na última quinta-feira, depois de protagonizar um duro embate com o ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Em uma reunião no Palácio do Planalto, foi avisado que estava demitido. O gesto foi executado pelo presidente com a indicação do substituto já engatilhada: o general da ativa Luiz Eduardo Ramos, chefe do Comando Militar do Sudeste. Ramos é muito próximo de Bolsonaro e, a exemplo de Santos Cruz, é crítico dos pensamentos e da postura radical e conflitiva de Olavo de Carvalho. — Qualquer demissão no nível ministerial é uma mensagem ruim para todos os segmentos da sociedade. A de uma pessoa querida como Santos Cruz tem de ser lamentada — diz um dos generais ouvidos pela reportagem. Um segundo militar ouvido pelo GLOBO, também integrante do governo e também na condição de anonimato, se diz satisfeito com o substituto: —General Ramos tem um bom trato com todos. Teve, por exemplo, papel fundamental na resolução da greve dos caminhoneiros no ano passado, coordenando forças policiais. Este militar ouvido pela reportagem cita o trecho de uma música de Chico Buarque, “Gota D’Água”, para resumir o que ocorreu com Santos Cruz: “E qualquer desatenção, faça não. Pode ser a gota d’água.” (O Globo)

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