Tudo de todos os jornais desta sexta-feira (08)  – Claudio Tognolli

Jornais desta sexta-feira (08) 

Chico Bruno

Manchete O Globo: Despreparo fatal

A prefeitura poderia ter evitado, ou minorado, as trágicas consequências do temporal de anteontem, avaliam especialistas. Havia alertas desde terça-feira para chuvas fortes, e o radar da prefeitura captou, às 17h da quarta-feira, a tormenta sobre Paraty vindo para a capital. Mas, só às 22h15m o Rio entrou em estágio de crise. Foram seis mortes; mais de 186 árvores caídas; casas, lojas e carros destruídos; deslizamentos de encostas; e cenas de caos pela cidade. A reação das forças de emergência foi lenta. O fechamento da Avenida Niemeyer poderia ter poupado ao menos duas vidas. Nos últimos quatro anos, os investimentos em contenção de encostas e prevenção de enchentes caíram 70%.

Primeira página O Globo

Governo diverge sobre a pauta mais urgente – O governo Bolsonaro ainda não conseguiu definir sua prioridade na agenda legislativa. Enquanto alguns parlamentares alinhados ao presidente defendem empenho na aprovação do pacote anticrime de Moro, outros aliados advogam que é mais urgente discutir a reforma da Previdência.

Manchete Estadão: Militares aceitam regras mais duras na sua previdência 

Superada a resistência inicial dos militares, as pastas da Economia e da Defesa negociam pontos da participação das Forças Armadas na reforma da Previdência. Segundo o ministro Fernando Azevedo e Silva (Defesa), “será possível chegar a um entendimento de 100%”. Paulo Guedes (Economia) disse que os integrantes das Forças Armadas vão participar da reforma, mas não na Proposta de Emenda à Constituição: “O regime deles é diferente e regulado por lei, não pela Constituição”. Entre os pontos mais avançados, estão o aumento da alíquota de contribuição, a inclusão de pensionistas e de alunos das escolas militares entre os contribuintes e a elevação do tempo de serviço de 30 para 35 anos. A categoria reivindica a criação de novo posto na hierarquia militar.

Primeira página Estadão

‘Ninguém mexe em direitos’ – Questionado sobre se o governo pretende acabar com férias e 13º salário, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que governo dará “novas alternativas a trabalhadores”.

Planalto suspende nomeações nos Estados – Na tentativa de conter uma “rebelião” de aliados, o governo suspendeu nomeações e exonerações de cargos comissionados e funções de confiança para exercício em empresas e repartições federais nos Estados, informa Vera Rosa. O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, avisou aos ministérios que estão “vedadas” as nomeações regionais “até segunda ordem”. A medida foi desencadeada por queixas contra trocas no comando do Incra.

Caixa 2, segundo Sérgio Moro – “Os políticos que me perdoem, mas caixa 2 é trapaça, é crime. Não tão grave quanto a corrupção, mas tem de ser criminalizado”, disse o ministro Sérgio Moro em São Paulo. 

PF apura se excesso de água rompeu barragem – A Polícia Federal investiga o acúmulo anormal de água e a falha na drenagem como principais causas do colapso da barragem de Brumadinho (MG). A PF quer acesso aos dados de um radar, que monitorava o local em tempo real, e de sensores da Vale. As informações são consideradas peças centrais sobre a tragédia, que até ontem contava 157 mortos e 182 desaparecidos.

Protesto para manter privilégio – Em protesto contra a regra que obriga auditores fiscais a passar por revista para entrar em áreas restritas de aeroportos, a categoria fez ontem uma operação-padrão no Galeão (RJ). Eles decidiram abrir todas as malas e revistar todas as pessoas no desembarque internacional, atingindo cerca de 3 mil passageiros e provocando filas de até quatro horas.

Temporal no Rio deixa seis mortos e destruição – Um temporal com ventos de mais de 100 km/h deixou seis mortos e destruição no Rio na noite de anteontem. Um deslizamento de encosta atingiu dois ônibus em São Conrado, zona sul, matando dois passageiros no veículo soterrado. Na zona oeste, a chuva derrubou uma casa, matando mãe e filho. No Vidigal e na Rocinha, outras duas pessoas morreram.

Manchete Folha: Pneumonia estica estada de Bolsonaro em hospital 

Após 11 dias internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a ter febre, na noite de quarta. Ele passou por uma tomografia, que detectou pneumonia, e sua permanência no hospital será prolongada por ao menos mais sete dias. O presidente foi submetido a uma cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada de uma bolsa de colostomia em 28 de janeiro. Em 6 de setembro, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen e teve o intestino afetado. Haverá aumento nos antibióticos, segundo Antonio Luiz Macedo, um dos médicos responsáveis por cuidar da saúde do presidente. Em rede social, Bolsonaro escreveu, para evitar alarmismo: “Cuidado com o sensacionalismo. Estamos tranquilos e seguimos firmes”. Inicialmente, a equipe médica estimava alta após dez dias, completados anteontem. Agora, na hipótese mais otimista, Bolsonaro permanecerá 18 dias no hospital. Médicos entrevistados pela Folha dizem que a situação clínica do presidente está se complicando.

Primeira página Folha

Estados pedem ao STF para cortar salário de servidores – Em carta, os secretários de Fazenda de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná, Pará, Alagoas e Mato Grosso do Sul pedem ao Supremo que restabeleça a possibilidade de redução da jornada de servidores públicos. Seria permitido aos estados o correspondente corte nos vencimentos em caso de frustração de receitas. O dispositivo, previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, está suspenso por medida cautelar e volta à pauta do STF no dia 27.

A cada 3 dias, uma criança é ferida por arma em casa – Nos últimos quatro anos, 518 crianças deram entrada em hospitais em decorrência de acidentes com armas de fogo em casa, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A posse de armas foi facilitada no mês passado após decreto assinado por Jair Bolsonaro.

Manchete Correio: GDF propõe o fim do passe livre somente para ensino privado

Pela proposta, enviada ontem à Câmara Legislativa pelo Governo do Distrito Federal, somente estudantes de escolas públicas, da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Federal de Brasília (IFB) e da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) terão direito a passagens gratuitas no sistema de transporte. Além disso, farão jus ao benefício alunos de instituições particulares que comprovarem renda familiar de até três salários mínimos, bolsistas e beneficiários de programas sociais, como o Fies. Pelas contas do Buriti, a medida resultará em economia de R$ 110 milhões por ano.

Primeira página Correio

Lei proíbe canudos e copos de plástico no DF – Sancionada por Ibaneis, lei aprovada no ano passado estabelece multa de R$ 1 mil a R$ 5 mil para quem descumprir a norma.

Guedes corre atrás de apoio para reforma – Depois de conversar com Maia, o alvo do ministro da Economia foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Proposta que muda Previdência terá prioridade no Congresso, apesar do apelo popular do pacote anticrime enviado por Moro.

População elegerá administradores regionais – Projeto do GDF define regras para a escolha dos chefes do Executivo nas cidades: votação direta vai indicar uma lista sêxtupla.

Manchete Valor: Ideia do ‘Plano B’ continua na pauta de Paulo Guedes

O “Plano B” do ministro da Economia, Paulo Guedes – que é desvincular e desindexar todo o Orçamento da União -, pode se transformar em “Plano A”. Desde que lançou a ideia de adotar essa alternativa na hipótese de o Congresso não aprovar a reforma da Previdência, o ministro tem sido incentivado a revolucionar as práticas e os costumes na política. Prefeitos, governadores e ministros de tribunais superiores, quando compreendem a extensão e os impactos da medida, se entusiasmam. Guedes pediu a técnicos de sua pasta que rascunhem uma proposta de emenda constitucional (PEC).

Primeira página Valor

Moro usa popularidade para articular – O ministro da Justiça, Sergio Moro, mostra-se meticuloso em seus passos para neutralizar resistências ao pacote de combate ao crime que enviará ao Congresso.

Valor dos frigoríficos sobe R$ 9 bi – O valor de mercado das empresas brasileiras de carnes negociadas em bolsa aumentou 16,9% desde dezembro. Impulsionado pela JBS, maior indústria de proteínas animais do mundo, esse grupo de companhias, que inclui Marfrig e BRF, valia ontem R$ 61,7 bilhões, R$ 8,9 bilhões a mais que em dezembro.

Interesse crescente – Equinor pretende participar do megaleilão do excedente da cessão onerosa, da 16ª Rodada da ANP e do 6º Leilão do pré-sal, diz a vice-presidente da petroleira norueguesa, Margareth Øvrum.

No Planalto, a ordem é ‘silêncio’ – A palavra de ordem entre ministros palacianos é silêncio. O vice-presidente Hamilton Mourão, de personalidade expansiva, mostrou-se aberto à imprensa, mas foi pressionado a conter-se.

Startup aluga imóvel para ‘negativados’ – Misto de imobiliária e seguradora, a startup Alpop (Aluguel Popular) – criada pelo Instituto Urbem, do urbanista Philip Yang, e a empresa de tecnologia Caiena -, que estreou no mercado há quatro meses, já tem um banco de aproximadamente 500 imóveis para alugar na zona leste de São Paulo e Campinas.

Aumenta risco de punição à direção da Vale – A possibilidade de punição de dirigentes da Vale, em razão do desastre em Brumadinho (MG), aumentou de forma significativa nos últimos anos, segundo especialistas ouvidos pelo Valor, devido ao maior rigor de juízes após os escândalos do mensalão e da Petrobras.

O avanço das democracias ‘iliberais’ – Neste ano, as democracias liberais podem virar minoria nesse grupo. Provavelmente o fator decisivo será o Canadá. Dependerá, portanto, do comportamento dos eleitores canadenses, nas eleições de outubro, para se saber se a correlação entre democracias liberais e iliberais no clube dos dez mais ricos vai ou não mudar.

Demais notícias 

MDB do Senado abandona Renan e se mobiliza por cargos – Derrotado na disputa pela Presidência do Senado , Renan Calheiros (MDB-AL) amarga, agora, um segundo revés: o abandono do próprio partido. Os 12 colegas viraram a página do último sábado e já se articulam para garantir as sobras de cargos e evitar que o MDB seja varridos completamente do mapa do poder. Para assegurar o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a legenda aceitou a imposição do grupo do novo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e vai indicar ao posto a senadora Simone Tebet (MS), adversária de Renan no processo eleitoral do Senado. A escolha deve ser sacramentada na semana que vem. Renan decidiu submergir esta semana. No último domingo ele viajou para Alagoas. (O Globo)

Ato esvaziado marca protesto do PT em defesa de Lula – Um ato em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizado na tarde desta quinta-feira na frente da sede nacional de São Paulo reuniu menos de 500 pessoas. A manifestação que pedia a liberdade do líder petista foi convocada às pressas após a juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba condenar na quarta-feira Lula a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia. Os manifestantes gritavam “Lula livre”. No pequeno carro de som, deputados e o candidato derrotado à Presidência pelo partido, Fernando Haddad, discursaram e criticaram a decisão da magistrada. O trânsito na rua onde o partido está instalado foi interrompido. O ato durou cerca de duas horas. (O Globo)

Fachin mantém investigação de Renan no STF – O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu fatiar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a antiga cúpula do MDB no Senado por integrarem organização criminosa que teria recebido propinas e desviado recursos públicos em um esquema de corrupção na Transpetro. A denúncia foi apresentada pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em setembro de 2017. Fachin decidiu manter apenas no STF a investigação sobre o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e arquivou a apuração sobre o ex-presidente José Sarney (MA) e o ex-senador Garibaldi Alves (RN), apontando haver prescrição no caso dos dois. Fachin ordenou o envio à Justiça Federal do Rio de Janeiro as investigações contra os ex-senadores Valdir Raupp (RO) e Romero Jucá (RR), que perderam o foro privilegiado ao encerrarem seus mandatos no Congresso Nacional. (Estadão)

Só aprova se organizar direitinho, avisa Maia – Rodrigo Maia (DEM-RJ) enviou para a equipe econômica alguns conselhos sobre a tramitação da reforma da Previdência. Em linhas gerais, ele acredita que, se organizar direitinho, dá para ampliar apoios, até para além da centro-direita. A primeira tarefa é pacificar o saco de gato do PSL, pois, sem o exemplo do partido de Jair Bolsonaro, será difícil atrair outras legendas. A segunda é criar pontes com a fragilizada, mas viva, esquerda, esfriando a luta ideológica. Ontem mesmo, Maia já se encontrou com o governador Camilo Santana (PT-CE). O presidente da Câmara também começou a se reunir com líderes e presidentes de partidos. Nesta semana, conversou com o comandante do PR, o controverso ex-deputado Valdemar Costa Neto. (Coluna do Estadão)

Sacada – Leila do Vôlei (PSB-DF) vai aproveitar o projeto de lei elaborado pela comissão especial do Senado criada após a tragédia de Mariana e que acabou abandonado. Na nova versão, ela acrescentará a obrigatoriedade da publicação digital das fiscalizações. (Coluna do Estadão)

Mourão vai ao Fla x Flu no sábado – O vice-presidente Hamilton Mourão vai ao estádio do Maracanã assistir ao clássico Flamengo contra Fluminense, na noite de sábado (9). Mourão, que é flamenguista, disse que vai ao Fla x Flu, aproveitando que cumprirá agenda no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (8), e que passará o fim de semana na cidade. Mourão disse esperar que o tempo melhore no Rio, que sofreu com o temporal da quinta-feira. “Vamos esperar que dê um voleizinho no sábado, porque estou com saudades”, disse Mourão que, sempre que está no Rio, costuma frequentar uma das redes de vôlei na praia de Copacabana. O vice-presidente contou que também foi atingindo pelas chuvas no Rio. “Perdi mais um colchão, por conta da infiltração provocada pelas chuvas”, observou ele, ao lembrar que os ventos chegaram a 120 km/h e que, na rua onde mora, caíram árvores. Mourão disse ainda que deve conversar com o governador do Rio, Wilson Witzel, por conta dos estragos da chuva, mas o encontro não está agendado. “O governador está tranquilo. Ele não pediu socorro. Amanhã vou conversar com ele”, declarou. (Estadão)

‘Eu estou solto e Lula está preso, babaca’, afirma Ciro – Candidato à Presidência da República derrotado nas eleições de 2018, Ciro Gomes (PDT) foi hostilizado e criticou apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (7). Ele discursava para um público de estudantes na Bienal da UNE (União Nacional dos Estudantes) em Salvador e criticou parcela dos jovens por defender políticos envolvidos em corrupção. “[O jovem] não está sequer ouvindo porque dói, dói demais você ouvir as coisas quando elas são verdadeiras e a referência totêmica, o totem deles não respondem mais. Tem coisa mais chata do que um jovem estar num bar defendendo corrupto?”, disse Ciro. Após ser vaiado e chamado de corrupto por uma parcela do público, Ciro se exaltou e rebateu os manifestantes. “Eu não sou [corrupto], não. Eu estou solto, 38 anos de vida pública, nunca respondi por nenhum malfeito. Eu sou limpo. Eu sou limpo. Engole essa, engole essa”, disse. Na sequência, repetiu por três vezes: “O Lula está preso, babaca.” (Folha)

Bolsonaro ignora desvio eleitoral – Em ato assinado em conjunto com o ministro Sergio Moro (Justiça), o presidente Jair Bolsonaro voltou a nomear Marcelo Álvaro Antônio para o cargo de ministro do Turismo. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (7). Deputado federal mais votado em Minas, o ministro patrocinou um esquema de candidaturas laranjas no estado que direcionou verbas públicas de campanha para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara. O caso foi revelado pela Folha na última segunda-feira. (Folha)

MPF quer pena de 80 anos a Paulo Preto – O Ministério Público Federal pediu à Justiça que Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa (estatal paulista de rodovias) conhecido como Paulo Preto, seja condenado a cerca de 80 anos de prisão na primeira ação da Lava Jato de São Paulo. Nela, o ex-diretor é réu sob suspeita de peculato (desvio de dinheiro público), inserção de dados falsos em sistema de informação e formação de quadrilha. A Procuradoria diz que ele desviou verbas públicas em reassentamentos de moradores para a construção do trecho sul do Rodoanel, obra viária que circunda a capital paulista. O valor é de R$ 7,7 milhões e, corrigido, ultrapassa R$ 10 milhões. (Folha)

Lula está indignado com condenação e irritado com multa – Interlocutores do ex-presidente Lula que estiveram com ele nesta quinta-feira (7) disseram que o petista ficou indignado com a decisão que o condenou no caso do sítio de Atibaia, no dia anterior. “Ele não é um homem que se abata ou se surpreenda. Na cabeça dele, está claro que os julgamentos dele são sempre políticos. Mas recebeu a notícia com muita indignação”, disse o ex-ministro e atual senador Jaques Wagner (PT-BA). “Ele está bem-disposto, com o ânimo elevado, mas indignado com as injustiças desse processo cheio de fragilidades”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE). Segundo os parlamentares, que visitaram Lula nesta quinta, o petista estava especialmente irritado com a multa de R$ 265 mil aplicada pela juíza. “É uma multa absurda, para inviabilizar qualquer alternativa”, disse Wagner. (Folha)

Futuro de Lula na prisão preocupa PF em Curitiba – Condenado em duas ações penais da Operação Lava Jato, e réu em outros seis processos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já acumula 25 anos em penas — e sua permanência na prisão preocupa a Polícia Federal. O petista está detido na sede da superintendência da PF em Curitiba desde abril do ano passado. Nesta semana, o atual superintendente da PF no Paraná, Luciano Flores de Lima, fez ressalvas à manutenção do ex-presidente no local. “A polícia judiciária não foi feita para cuidar de preso. Presos têm que estar em penitenciárias ou casas de detenção provisória”, afirmou. Agentes de outros estados têm sido destacados exclusivamente para fazer a custódia do ex-presidente, o que incomoda membros da instituição. “Cada instituição tem sua atribuição. A atribuição da PF é investigar”, disse Flores. “Se o Poder Judiciário decidir por [transferir Lula a] um lugar mais adequado, vai aliviar um pouco para os policiais que hoje estão dedicados à sua custódia.” (Folha)

STF e STJ veem tentativa de intimidação – A notícia de que o senador Alessandro Vieira (PPS-SE) conseguiu as assinaturas necessárias para pedir a abertura de uma CPI com foco nos tribunais superiores tirou do campo da bravata a reação de ministros do STF e do STJ à articulação. Togados de diferentes alas reagiram em uníssono com contrariedade ao que chamaram de tentativa de intimidação do Judiciário. A Associação dos Magistrados Brasileiros entrou em campo no Congresso para monitorar o movimento e mapear as adesões. Aliados de Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, dizem que, “se ele tiver juízo, não leva o pedido de CPI à frente”. Avaliam que não é hora de embate com o Judiciário. Alessandro Vieira vai na direção oposta. “Há o número de assinaturas. O rito prevê encaminhamento para a leitura na próxima sessão, e, depois, instala-se a comissão”, diz Vieira. “O Brasil sabe que a discussão é necessária.” (Painel da Folha)

Confirmada a morte de Emiliano Sala – A polícia britânica anunciou na noite desta quinta-feira (7), que o corpo encontrado no avião submerso no canal da Mancha é do atacante argentino Emiliano Sala, 28. O jogador estava desaparecido desde 21 de janeiro, quando o avião em que ele estava desapareceu no canal da Mancha. O piloto David Ibbotson segue desaparecido. (Folha)

A estratégia da aprovação dupla – A atuação do governo na primeira semana de atividade do Congresso não fugiu das expectativas dos parlamentares. O Executivo mostrou foco na reforma da Previdência e, ao mesmo tempo, acenou para o eleitorado ao apresentar um pacote de leis anticrime. O que surpreendeu parte dos deputados foi o fato de que as duas propostas devem tramitar ao mesmo tempo. Enquanto alguns acreditam que essa pode ser uma boa estratégia para aprovar a reforma, outros têm medo de que ela seja prejudicada, caso precise dividir as atenções com o projeto de segurança pública. No meio dos dois grupos, há um — bastante expressivo — que acha que não faz a menor diferença. “São 513 deputados. Não é possível que não possam discutir dois assuntos ao mesmo tempo”, resumiu o líder do Novo na Câmara, deputado Marcel Van Hattem (RS). (Correio)

Foco somente na Previdência – Para tranquilizar o mercado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que as modificações na legislação trabalhista não serão previstas na reforma da Previdência, como havia sido especulado. A inclusão dessas mudanças poderia tirar o foco do ajuste fiscal e retardar a discussão no Congresso. A equipe econômica quer urgência para aprovar o texto, mas alguns analistas acreditam que não haverá tempo hábil para realizar o feito no primeiro semestre. (Correio)

Onyx na Câmara – O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, desarquivou, ontem, 108 propostas na Câmara dos Deputados, dos quais ele é autor ou coautor. As matérias foram apresentadas por Lorenzoni durante seus quatro mandatos como deputado federal, desde 2003. Um dos textos mais recentes é o Projeto de Decreto Legislativo (PDC), assinado por Lorenzoni em parceria com Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), sobre o porte de armas durante voos. De acordo com a Casa Civil, o afastamento do ministro é temporário. “Ele reassumiu como deputado federal para desarquivar os projetos, como é de praxe em cada nova legislatura. Deve retornar ao cargo de ministro amanhã mesmo”, explica a pasta. (Correio)

Idas e vindas no Senado – Doze senadores trocaram de partidos de outubro do ano passado até este mês fevereiro, quando se iniciou a nova legislatura no Senado Federal. O troca-troca partidário acabou por mudar a dinâmica de forças nas bancadas da Casa, diminuindo a importância de siglas tradicionais como o PSDB e colocando em destaque novos grupos partidários, como o Podemos e o PSD. A forte renovação na Casa — das 54 cadeiras em disputa, 46 foram entregues a novos senadores — não evitou que uma parcela significativa desses parlamentares trouxesse à tona o já conhecido fisiologismo e protagonizasse “traições” ou acordos envolvendo 12 partidos. Entre os nomes, figuras tradicionais, como o ex-presidente Fernando Collor (AL) e estreantes como Jorge Kajuru (GO) e Capitão Styvenson (RN). As mudanças, inclusive, “expulsaram” cinco siglas do Senado: PTC, PRP, PHS, PTB e Solidariedade. Todas tinham ou saíram das urnas com pelo menos um senador, mas começaram o ano legislativo abandonadas por seus parlamentares. Na outra ponta está o PSD, de Gilberto Kassab. O ex-ministro articulou mesmo durante o recesso e conseguiu fazer seu partido chegar a nove senadores. Assim, o PSD ultrapassou o PSDB em tamanho e força. O outro exemplo foi o Podemos, partido do senador Alvaro Dias (PR), que subiu de cinco parlamentares após as eleições para oito nomes. (Correio)

Sindicatos prometem briga – A reforma da Previdência ainda nem foi encaminhada ao Congresso, mas o governo já foi alertado de que terá que lidar com a oposição feita pelas centrais sindicais. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, e o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, realizarão, em conjunto com outros representantes da classe trabalhadora, uma assembleia nacional, em 20 de fevereiro, para construir uma “alternativa de enfrentamento” à proposta. A ideia, explicam, é organizar os trabalhadores para a “resistência”, por entender que direitos serão retirados. O enfrentamento à sugestão do governo foi revelado pessoalmente por Freitas ao vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB). Ontem, os dois se reuniram no Palácio do Planalto para discutir sobre a proposta e as soluções para a indústria metalúrgica. O general evitou, contudo, comentar os textos da reforma em análise, limitando-se a avaliar que o debate seja feito no Congresso. (Correio)

Agora vai – O deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), ambientalista, apresentou todos os projetos que tenta emplacar desde a tragédia de Mariana, sobre ampliação de punições para crimes ambientais. Aliás, tem gente na casa defendendo que esse deve ser o tema da largada desta legislatura, enquanto a reforma previdenciária não chega ao plenário. É o jeito demonstrar que a Casa mudou e não compactua com a impunidade, seja qual for o tema. (Brasília-DF/Correio)

Renan na solitária – O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi colocado “de castigo” pelos próprios colegas de partido. Estão todos em busca da sobrevivência política, que, hoje, não passa por ele. A bola está com a ala que não votou no alagoano e com o DEM de Davi Alcolumbre. (Brasília-DF/Correio)

Fux determina suspensão de todos os processos sobre a tabela de frete – O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu ontem todos os processos, em todas as instâncias judiciais do país, que envolvam o tabelamento do frete. A decisão foi dada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5956, na qual a Associação do Transporte Rodoviário de Carga do Brasil (ATR Brasil) questiona a política de preços mínimos do transporte rodoviário de cargas. (Valor)

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