Tudo de todos os jornais desta sexta (17) – Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Tensão política e economia fraca levam dólar a R$ 4

Na maior cotação desde setembro, o dólar comercial foi ontem a R$ 4,035, impulsionado pelos sinais de fragilidade na recuperação econômica e pelo temor de investidores de que a desarticulação política atrapalhe a aprovação de reformas, sobretudo a da Previdência. A Bolsa caiu 1,75% e fechou aos 90 mil pontos, menor patamar do ano, também puxada pela queda das ações da Vale depois de alerta sobre ameaça de rompimento de barragem. A pressão sobre o governo após os atos contra o bloqueio de verbas também pesou na cotação do dólar.

MP investiga parentes de ex-mulher de Bolsonaro – Nove parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro, tiveram os sigilos quebrados na investigação sobre o gabinete de Flávio Bolsonaro. Alguns foram nomeados por Jair Bolsonaro e depois por seu filho. Flávio e Ana Cristina não comentaram. Para o presidente, a investigação visa atingi-lo: “Não vão me pegar”.

Aéreas criaram fundo de caixa 2, diz dono da Gol – Henrique Constantino disse em delação que sua empresa, a Gol, junto com TAM (hoje Latam), Azul e Avianca, criou fundo de R$ 2,5 milhões para caixa dois de parlamentares, informa Aguirre Talento. A ideia teria sido do presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz. Ele nega.

Após 17 dias no cargo, presidente do Inep é demitido – O presidente do Inep, Elmer Vicenzi, foi demitido do cargo que exercia desde 29 de abril. Ele é o segundo exonerado este ano da autarquia, responsável pelo Enem. Vicenzi se envolveu em polêmica com a área jurídica após pedido do MEC para usar dados sigilosos de alunos na emissão da carteira estudantil.

UFRJ acha no Rio vírus ‘primo’ do chicungunha – Cientistas da UFRJ descobriram novo vírus em circulação no Estado do Rio, o mayaro, que causa doença com sintomas semelhantes aos da chicungunha, informa Ana Lucia Azevedo. O vírus pode ser transmitido também pelo pernilongo comum (Culex), além do Aedes.

Outras notícias

Citados por Constantino negam financiamento ilegal – As empresas e os políticos citados negaram as acusações de Henrique Constantino. Procurada para comentar, a Abear negou “veementemente” ter feito contribuições ilegais a políticos. “A Associação Brasileira das Empresas Aéreas desconhece o conteúdo da delação premiada do empresário Henrique Constantino, mas nega veementemente que já tenha feito qualquer contribuição financeira a parlamentares, por meio de contratos fictícios, em seus sete anos de atividade. A Abear reitera que está à disposição da Justiça e das autoridades competentes para prestar esclarecimentos a respeito”, diz a entidade, presidida por Eduardo Sanovicz. A Gol, por meio de sua assessoria, afirmou: “Henrique Constantino não faz parte da administração da companhia desde julho de 2016, quando deixou o Conselho de Administração. A companhia esclarece que sempre esteve à disposição, cooperando com as autoridades ”. A Azul informou que “desconhece os fatos levantados”. A Latam, sucessora da TAM, também disse desconhecer os fatos e que “prestará esclarecimentos à Justiça caso seja acionada”. A Avianca não respondeu.

MP investiga parentes de ex-mulher de Bolsonaro – Nove parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro, tiveram os sigilos quebrados na investigação sobre o gabinete de Flávio Bolsonaro. Alguns foram nomeados por Jair Bolsonaro e depois por seu filho. Flávio e Ana Cristina não comentaram. Para o presidente, a investigação visa atingi-lo: “Não vão me pegar”. Um dos novos focos do Ministério Público do Rio (MP-RJ) na investigação sobre a possível prática de “rachadinhas” — devolução de parte do salário de funcionários —no gabinete do então deputado estadual e agora senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) será um grupo de parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e mãe de um de seus filhos, Jair Renan. Nove deles tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados a partir da decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) no dia 24 de abril, divulgada esta semana pelo GLOBO. Ana Cristina, com quem Bolsonaro viveu em união estável por dez anos, entre 1998 e 2008, foi a ponte para que a família Siqueira Valle começasse a integrar a extensa lista de funcionários do clã Bolsonaro, há cerca de 20 anos. Entre 1998 e 2007, surgiram nas listas de funcionários do gabinete de Bolsonaro os nomes de integrantes da família Siqueira Valle. O primeiro foi o pai de Ana Cristina, José Cândido Procópio Valle, nomeado em 1998. Em seguida, foi a vez de uma prima, Juliana Siqueira Vargas, então estudante e agora funcionária da Caixa Econômica Federal. Dois anos depois, em outubro de 2002, foram nomeadas a mãe de Ana Cristina, Henriqueta Guimarães Siqueira Valle, e a irmã, Andrea Siqueira Valle. Nenhuma das duas completou o ensino fundamental e ambas trabalharam boa parte da vida como donas de casa. Andrea é fisiculturista, vai à academia duas vezes por dia e também vive de bicos como manicure e faxineira. Mais tarde, em 2006, foram nomeados o irmão André Luiz Procópio Siqueira Valle, que é músico, e o primo André Luiz de Siqueira Hudson, técnico em informática. Ao longo de todo esse período, o escritório político de Bolsonaro sempre ficou em uma casa no bairro de Bento Ribeiro, na capital fluminense. Já os familiares de Ana Cristina viviam em Resende, no sul do estado.

Processo de Lula sobre sítio chega ao TRF-4 – O processo que investiga se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi beneficiado com reformas no sítio de Atibaia chegou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que julga os casos de segunda instância da Operação LavaJato. Se condenado nos próximos quatro meses, Lula pode perder o direito à progressão de pena que conseguiria em setembro. Em abril, Lula teve sua pena diminuída para 8 anos, dez meses e vinte dias, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no processo do tríplex do Guarujá. Com isso, seus advogados poderiam pedir para que o ex-presidente deixasse o cárcere em setembro, quando completasse 1/6 da sentença, a chamada progressão de pena. Caso a condenação no caso do sítio seja confirmada pelo TRF-4, porém, a pena aplicada se somará à do tríplex e Lula perderia o direito à progressão.

Governo já vê redução de ministérios sob risco – Líderes de partidos do centrão reunidos ontem decidiram se opor à ideia de votar medidas provisórias (MPs) urgentes para o governo na semana que vem. Entre elas, está a MP 870, que redefiniu o modelo do Executivo, enxugando o números de ministérios. Se a proposta não for votada até 3 de junho, a MP caduca, e ficarão recriados os 29 ministérios do governo Michel Temer, risco já considerado real pelos líderes de governo. Em transmissão ontem à noite pela internet, de Dallas, nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro comentou a dificuldade do governo na tramitação da MP: — Esperamos que MP dos ministérios seja aprovada sem alteração, mas se houver é direito do Parlamento. Questionado sobre a possibilidade de votar alguma MP na próxima semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), respondeu apenas “acredito que sim”. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, porém, líderes partidários resistem a tocar a pauta do governo. Com a ajuda da oposição, o centrão pode atrasar as MPs, já que, juntos, estes dois grupos controlam ao menos 300 deputados.

Big Brother da vida real – O reconhecimento facial, tecnologia vetada esta semana em São Francisco (EUA), está mais perto da vida do carioca do que você imagina. Além da PM, já tem empresa lançando mão da tecnologia. O Rio Terminais, consórcio que administra as estações de ônibus de Central do Brasil, Menezes Côrtes, Nova Iguaçu e Nilópolis, contratou uma empresa (Facewatch) para instalar o sistema. A Companhia Docas, que controla os portos de Rio, Niterói, Itaguaí e Angra dos Reis, inaugurou um novo centro de controle alimentado por 150 câmeras que fazem reconhecimento facial. Mas por que a novidade, sonho de consumo de Witzel e dos deputados do partido de Bolsonaro (o Trem da Alegria para a China tinha o pretexto de conhecer o sistema por lá), foi proibida justamente numa das cidades mais inovadoras do mundo? Em suma, porque “coloca em risco as liberdades civis”, votaram os vereadores de São Francisco. Há estudos que mostram que o sistema costuma errar, especialmente se a pessoa não for branca. Além disso, para cada foragido que eventualmente encontrar, a ferramenta precisa antes vasculhar qualquer rosto que passar diante das câmeras. Como ter certeza de que esse monitoramento “24 horas” será usado só para o bem? Cartas para a Redação. (Ancelmo Gois)

O Estado de S. Paulo – primeira página

Manchete: ‘Venham para cima de mim. Não vão me pegar’, diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro classificou como “esculacho” as investigações do MP-RJ sobre o filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e disse que colocará seu sigilo bancário à disposição. “Querem me atingir? Venham pra cima de mim. Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem de ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar”, afirmou. O MP-RJ obteve na Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio, de Fabrício Queiroz e de outras 93 pessoas e empresas, entre elas oito ex-funcionários de Jair Bolsonaro. Em dezembro, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado pelo Estado, apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em conta de Queiroz. Uma das transações é um cheque de R$ 24 mil para Michelle Bolsonaro. O presidente criticou os atos contra cortes nas verbas para educação e disse que não fará concessões em nome da governabilidade. “Querem um presidente vaselina para agradar a todo mundo? Não vai ser eu.”

Verba nas mãos do Congresso – Se o Congresso não aprovar a liberação de crédito de R$ 248,9 bilhões, o governo corre o risco de ficar sem dinheiro para pagar benefícios como Bolsa Família.

Queiroz fez saques de R$ 661 mil em 18 meses, aponta Coaf – As movimentações em dinheiro, consideradas atípicas, ocorreram entre janeiro de 2016 e junho de 2018 e foram detectadas pelo banco em que Fabrício Queiroz é correntista, segundo relatório do MP. As informações foram anexadas ao pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Queiroz, de Flávio Bolsonaro e de outras 93 pessoas e empresas.

Histórias de quem está na fila do desemprego – O desemprego se espalha no País e pelo menos 25% dos 13,387 milhões de vítimas da crise no mercado de trabalho no primeiro trimestre já estão há dois anos ou mais na batalha por uma oportunidade. Segundo o IBGE, na comparação com o último trimestre de 2018, a taxa de desemprego subiu em 14 unidades da Federação. No posto de atendimento do Brás (foto), desempregados dizem que topam qualquer desafio para trabalhar.

Cientista brasileira cria ‘caneta’ que detecta células cancerosas – A cientista Livia Schiavinato Eberlin, 33 anos, desenvolveu um dispositivo, na forma de caneta, que detecta células cancerosas. Brasileira, formada em química na Unicamp, ela chefia laboratório da Universidade do Texas, informa Fabiana Cambricoli.

TRF nega recurso e juiz manda prender Dirceu – O TRF-4 recusou recurso de José Dirceu e juiz de Curitiba determinou que o ex-ministro se apresente para cumprimento da pena de 8 anos e 10 meses de prisão na Lava Jato. Defesa disse que Dirceu se entregará hoje.

Outras notícias 

Queiroz fez saques de R$ 661 mil em 18 meses, aponta Coaf – As movimentações em dinheiro, consideradas atípicas, ocorreram entre janeiro de 2016 e junho de 2018 e foram detectadas pelo banco em que Fabrício Queiroz é correntista, segundo relatório do MP. As informações foram anexadas ao pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Queiroz, de Flávio Bolsonaro e de outras 93 pessoas e empresas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviados ao Ministério Público do Rio apontam que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), sacou R$ 661 mil em dinheiro durante um período de 18 meses, entre janeiro de 2016 e junho de 2018. As movimentações consideradas atípicas – detectadas originalmente pelo sistema de compliance do Banco Itaú, onde Queiroz é correntista – foram anexadas pelos promotores ao pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio, do ex-assessor e de outras 93 pessoas e empresas no âmbito do inquérito que investiga o hoje senador por peculato (desvio de dinheiro público por servidor) e lavagem de dinheiro. Até agora, os dois principais documentos conhecidos da investigação envolvendo o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro eram relatório que apontava movimentações (saques e depósitos) atípicas de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz ao longo de 2016, revelado pelo Estado em dezembro de 2018, e outro que reportava 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil na conta de Flávio entre junho e julho de 2017.

Quebra de sigilo atinge ex-assessores de Carlos – Ao quebrar o sigilo fiscal e bancário de todos os ex-funcionários do gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Justiça fluminense alcançou outros políticos da família Bolsonaro. Além dos oito ex-assessores do presidente Jair Bolsonaro que estão na mira da investigação por causa de Flávio, dois servidores que passaram pelo gabinete do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC) também tiveram seu sigilo quebrado pela Justiça. Ligados ao ex-policial militar Fabrício Queiroz, pivô do caso Coaf, Márcio da Silva Gerbatim e Claudionor Gerbatim de Lima já estiveram lotados nos gabinetes tanto de Flávio, na Assembleia, como no de Carlos, na Câmara Municipal. A quebra de sigilo investiga suspeita de “rachadinha”, prática por meio da qual funcionários devolvem parte do salário para o parlamentar que os nomeou. Márcio Gerbatim, que foi casado com a atual mulher de Queiroz, trabalhou no gabinete de Carlos entre abril 2008 e abril de 2010. Após os dois anos de serviço na Câmara Municipal, foi exonerado por Carlos e nomeado por Flávio na Alerj como assessor adjunto, cargo que exerceu até maio de 2011. Já Claudionor Lima é sobrinho da mulher de Queiroz e fez o caminho inverso ao de Márcio Gerbatim: trocou a Alerj pela Câmara Municipal. Ele é pai de Evelyn Mayara de Aguiar Gerbatim, enteada de Queiroz, que esteve lotada no gabinete de Flávio na Assembleia de agosto de 2017 até fevereiro deste ano. Como mostrou o Estado, a prática de compartilhar ou trocar funcionários é comum na família Bolsonaro. Ao todo, 30 pessoas já passaram por mais de um gabinete do clã, sendo 28 deles pelo do pai e pelo de um dos filhos. Desses 30, os únicos dois que não passaram pelo gabinete de Jair Bolsonaro foram Márcio da Silva Gerbatim e Claudionor Lima.

Para 62%, militares ‘sustentam governo’ – Pesquisa realizada pelo Ideia Big Data para o site BR18 mostrou que a maioria dos entrevistados (62%) concorda que os militares são um dos principais grupos de sustentação do governo. Quando questionados se o escritor Olavo de Carvalho e seus seguidores agem corretamente quando atacam militares, 66% discordam da afirmativa e 34% concordam. Indagados se uma crise com os militares pode trazer instabilidade ao governo, 54% dos participantes concordam com a afirmação e 46% discordam. Aplicada nos últimos dias 7 e 8 com 1.300 pessoas, pelo método de Unidade de Resposta Audível, a pesquisa tem margem de erro de 2,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

Verba nas mãos do Congresso – Se o Congresso não aprovar a liberação de crédito de R$ 248,9 bilhões, o governo corre o risco de ficar sem dinheiro para pagar benefícios como Bolsa Família. Sem um bom relacionamento no Congresso, o governo corre o risco de ficar sem dinheiro para pagar benefícios assistenciais, como o Bolsa Família, a partir do segundo semestre. Parlamentares têm resistido em aprovar um crédito extra no valor de R$ 248,9 bilhões, solicitado pela equipe econômica de Jair Bolsonaro, que pede urgência na liberação para não descumprir a chamada regra de ouro – que impede a emissão de dívida para o pagamento de despesas correntes. Nem mesmo o apelo do ministro da Economia, Paulo Guedes, feito nesta semana em reunião na Câmara, surtiu efeito. Embora parlamentares reconheçam a necessidade de liberar os recursos, o assunto esbarra no descontentamento com a articulação do Planalto. Deputados e senadores ouvidos pelo Estadão/Broadcast condicionam a aprovação do projeto a um diálogo maior com o Executivo e cobram esclarecimentos sobre o tamanho do crédito solicitado pelo governo. A desconfiança é de que a equipe de Bolsonaro apresenta um quadro pior do que realmente é. O projeto que libera os recursos foi encaminhado pelo governo ao Congresso em março e desde então está parado na Comissão Mista de Orçamento. O prazo para o colegiado analisar o pedido vai até novembro, mas o governo tem pressa e quer a votação do texto até o mês que vem. De acordo com Guedes, sem o crédito, os pagamentos de subsídios vão parar em junho, de benefícios assistenciais, em agosto, e do Bolsa Família, em setembro. Guedes declarou que o recurso também será usado para pagar a Previdência, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Plano Safra, temas sensíveis aos congressistas. “Estamos à beira de um abismo fiscal”, disse o ministro em reunião na terça-feira.

Bolsonaro tem até hoje para decidir sobre anistia a partidos – O presidente Jair Bolsonaro tem até hoje para decidir se veta projeto de lei que anistia multas aplicadas a partidos políticos. Ontem, o presidente em exercício, Rodrigo Maia, chegou a assinar o texto, que estava pronto para ser publicado no Diário Oficial da União (DOU), mas teve dúvidas e deixou a decisão para Bolsonaro, que tem previsão de retornar hoje dos Estados Unidos. Procurado ontem, Maia confirmou ao Estado que chegou a assinar o texto, mas não enviou para publicação. “Estava com dúvida se deveria sancionar ou não”, disse. “Deixei pronto, mas não mandei (para publicação no DOU).” Como Maia preferiu não sancionar, caberá a Bolsonaro deliberar sobre o tema. Se avalizar o projeto, será a primeira vez, desde 1995, que um presidente autoriza a anistia a multas das siglas. Caso o presidente não se manifeste até hoje – quando vence o prazo de 15 dias da aprovação no Congresso –, a legislação prevê que o projeto seja sancionado automaticamente. Nesta hipótese, o texto pode ser promulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Governo terá de buscar votos no recesso branco – O governo federal terá de correr contra o relógio para aprovar a reforma da Previdência antes que a conjuntura política e econômica possa se tornar ainda mais desfavorável ao presidente, a ponto de contaminar as articulações em curso. Pelos cálculos mais otimistas no cronograma atual, Planalto e Economia terão 20 dias para virar votos entre a aprovação do texto na Comissão Especial e a apreciação do projeto no plenário. Há mais um complicador: esse período curto deve coincidir com os festejos juninos, o recesso branco do Congresso. (Coluna do Estadão)

A lista – São ao menos cinco os deputados cotados para substituir o líder Major Vitor Hugo: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Cláudio Cajado (PP-BA), João Campos (PRB-GO), João Roma (PRB-BA) e Marco Feliciano (Pode-SP). Joice Hasselmann já procurou alguns. Só tem um problema: Jair Bolsonaro ainda não está convencido da necessidade de mudar a liderança. Caso a mudança se concretize, a ideia é arrumar alguma relatoria importante, ou outro posto para Vitor Hugo (PSL-GO). Está no radar a presidência da Comissão Especial dos militares ou o comando de um ministério menor. Colegas de Roma acham que não é o momento de ele assumir o posto porque acumulou desentendimentos na tramitação da MP que reduziu ministérios. (Coluna do Estadão)

Ele lá e nós cá – Em visita a Rodrigo Maia, líderes do Centrão fizeram uma avaliação sobre os protestos recentes. O entendimento geral é de que Bolsonaro jogou gasolina na fogueira. O presidente, porém, continua convencido de que o confronto é a melhor estratégia. Reforçaram ainda o entendimento de que o Legislativo não pode mais depender do Executivo para pautá-lo. Vão selecionar propostas com apelo popular, como o pacote anticrime de Sérgio Moro. Aliás, o ministro da Justiça também passou por lá. (Coluna do Estadão)

Click – Um dia após protestos contra o governo Bolsonaro organizados por universitários, a senadora Simone Tebet (MDB) deu palestra na Universidade de Brasília. (Coluna do Estadão)

Folha de S.Paulo – primeira página 

Manchete: Verba livre de universidade retrocede a nível pré-2009

Com o bloqueio de despesas promovido pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), as verbas de livre manejo nas universidades federais retrocederam ao patamar de uma década atrás. O contingenciamento de 30% dos recursos repassados pelo Tesouro reduziu o montante disponível para o custeio e os investimentos dessas instituições a R$ 5,2 bilhões neste ano. Trata-se, de longe, da menor cifra em valores corrigidos pela inflação desde 2008. Nessa época, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dava os primeiros passos em programa de expansão do ensino superior, que aumentou o número de universidades e seus gastos. De 54 estabelecimentos para atuais 68, os desembolsos obrigatórios (como salários e aposentadorias) saltaram de atualizados R$ 22,8 bilhões em 2007 para R$ 38,1 bilhões orçados neste ano. Um aumento real de 66,8%, bem superior ao crescimento do gasto não financeiro total do governo. O número do docentes subiu de 56,8 mil para 95,8 mil. Nos EUA, Bolsonaro voltou a ironizar os protestos, criticou a imprensa e declarou que os cortes não são apenas na educação, mas em todas as áreas. “Não tem dinheiro.”

Dólar fecha acima de R$ 4 pela 1ª vez desde outubro – O dólar fechou o dia ontem acima dos R$ 4, no maior patamar desde 1° de outubro, quando a disputa eleitoral concentrava as atenções dos investidores. A Bolsa fechou em queda de 1,74%, aos 90.024 pontos, o menor nível neste ano. Para analistas, o otimismo tem dado lugar à preocupação com o acirramento de ânimos e o afastamento do governo de uma agenda liberal.

Esquerda posta mais sobre ensino e puxa o centro – Ferramenta da Folha que acompanha o debate político no Twitter aponta que usuários mais à esquerda postaram o triplo de mensagens sobre educação em relação aos que estão à direita. Os de centro tenderam a retuitar mais mensagens da esquerda.

‘Não vão me pegar’, diz presidente sobre sigilo – Jair Bolsonaro disse ontem nos EUA que as investigações que avançam sobre seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), são feitas para atingi-lo. Como mostrou a Folha, a quebra de sigilo atinge ao menos cinco ex-assessores do presidente. Segundo Bolsonaro, as apurações visam prejudicar o seu governo. “Querem me atingir? Venham pra cima de mim”, afirmou.

Coaf aponta operações suspeitas de ministro do Turismo – Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta operações atípicas em contas bancárias pertencentes ao ministro Marcelo Álvaro Antônio. Segundo o órgão, Álvaro Antônio, pivô das investigações sobre candidaturas de laranjas do PSL, movimentou R$ 1,96 milhão de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019. O documento anota que, no período analisado, o titular do Turismo tinha como rendimento registrado apenas o seu salário como deputado federal, de R$ 22,1 mil. O registro das movimentações foi enviado para a Procuradoria-Geral da República. Agora, segue para Minas, onde há apurações sobre as candidaturas de fachada. Em nota, Álvaro Antônio diz que coloca à disposição das autoridades seus sigilos bancário e fiscal e que as movimentações têm lastro legal e foram declaradas.

Venezuela e OMC isolam Brasil dentro dos BRICS – Apenas o Brasil reconhece o governo de Juan Guaidó. Com relação à reforma da Organização Mundial do Comércio, o país foi o único a não rechaçar a proposta dos EUA para mudar o tratamento diferenciado de nações em desenvolvimento.

Outras notícias

Invasão em terra indígena chega a 20 mil garimpeiros, diz líder ianomâmi – A invasão de garimpeiros à terra indígena Yanomami, em Roraima, cresce a cada dia e já envolve cerca de 20 mil pessoas, afirmou à Folha o líder indígena Davi Kopenawa. Ele e outros líderes na região fizeram denúncias e pediram providências a autoridades do governo Bolsonaro em audiências nestas terça-feira (14) e quarta-feira (15) nos ministérios da Justiça e da Defesa e na Funai, em Brasília. Segundo os indígenas, os garimpeiros se espalham por quatro rios da região é até construíram uma vila com casas de madeiras, balsas e pistas de pouso na região de Auaris. O cálculo dos indígenas é que somente ali há 7 mil garimpeiros atrás de ouro e diamante. Em março de 2018, conforme uma denúncia protocolada pelas associações indígenas no Ministério Público Federal, esse número estimado era de 5 mil. “Eu calculo que quatro rios —Uraricoera, Mucajaí, Apiaú e Alto Catrimani— estão poluídos. Eu calculo o número de garimpeiros em 20 mil. Está piorando, está chegando [mais gente]”, disse Kopenawa. “Eles não estão trazendo nada [de bom]. Só estão trazendo problema. A doença que cria é a malária, já aumentou nesse lugar. Lá no Amazonas na região Marari a malária aumentou. Já matou quatro crianças.”

Bolsonaro repete Lula, Dilma e Temer e omite encontros de agenda oficial da Presidência – No início do mandato, Jair Bolsonaro promoveu encontro, no gabinete presidencial, com os sócios da futura rede televisiva CNN Brasil. A audiência não havia sido divulgada na agenda presidencial, apesar de ela ter sido noticiada no dia anterior. No final do encontro, o presidente posou com os executivos da emissora para uma fotografia, que minutos depois foi divulgada por veículos de comunicação. Ainda assim, o Palácio do Planalto só registrou a reunião horas depois, após ser questionado oficialmente. O episódio não é prática incomum na gestão atual. Apesar de ter sido eleito com o discurso da mudança, Bolsonaro tem repetido a postura de antecessores, como Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, na falta de transparência na divulgação de compromissos oficiais. Na terça-feira (14), por exemplo, o presidente almoçou com o apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, em uma audiência combinada no dia anterior. Mesmo assim, a reunião só foi incluída na agenda pública no meio da tarde, apesar da previsão do encontro ter sido entregue pela manhã à portaria do Palácio do Planalto.

Bolsonaro muda versão e diz que não fez acordo com Moro para STF – O presidente Jair Bolsonaro voltou atrás nesta quinta-feira (16) de sua primeira versão e disse que não houve nenhum acordo com o ministro da Justiça, Sergio Moro, para que ele assumisse uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) após cumprir um período como titular no governo. “Quem me acompanhou ao longo de quatro anos, sabe que eu falava que precisamos de alguém no Supremo com o perfil de Moro. Não teve nenhum acordo, nada, ninguém nunca me viu com Moro [antes da eleição]”, afirmou o presidente durante transmissão ao vivo em suas redes sociais. Bolsonaro, que estava em Dallas (EUA) para encontro com políticos e empresários americanos, disse que a primeira vez que falou com o ex-juiz foi, via telefone, durante a campanha eleitoral.

Vou ficar quietinho e não me meto mais na política brasileira, diz Olavo – O escritor Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro, disse nesta quinta-feira (16) que não fará mais comentários sobre a política brasileira por enquanto. “O que eu estou fazendo, estou decidindo hoje, é me ausentar temporariamente do debate político nacional, do dia a dia, das miudezas da política, porque se tornou uma coisa absolutamente insustentável”, afirmou Olavo durante entrevista em vídeo para o site Crítica Nacional, de perfil simpático ao presidente Jair Bolsonaro.

Coaf aponta operações bancárias suspeitas de ministro do Turismo – Relatório do Coaf aponta operações atípicas em contas bancárias de Marcelo Álvaro Antônio (PSL), ministro do Turismo de Jair Bolsonaro. Segundo o órgão do Ministério da Justiça, o pivô das investigações sobre candidaturas de laranjas do PSL movimentou R$ 1,96 milhão de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019. A Folha teve acesso ao documento, que relata “operação suspeita” e afirma ter havido depósitos e saques em dinheiro vivo que apresentaram “atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômica-financeira”, além de movimentação de recursos “incompatível com o patrimônio, a atividade econômica, ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”.

Olavistas veem risco de ‘despertar da oposição’ – A amplitude das manifestações contra a política educacional de Jair Bolsonaro preocupou governistas ligados a Olavo de Carvalho que veem risco de “despertar da oposição”. O grupo afirma que a maioria dos que foram às ruas é militante ou atrelada a sindicatos, mas diz que, se antes a esquerda estava “perdida, desmobilizada e desunida”, agora ela encontrou uma pauta que abre caminho para “reagrupamento e coesão” – e, portanto, para fazer contraponto efetivo ao presidente. A análise de parlamentares e auxiliares do presidente no Planalto é a de que houve erro grave no modo como o ministro Abraham Weintraub (Educação) comunicou o bloqueio de verbas. Para a população, avaliam, a impressão que fica é a de que não houve critério técnico. Os olavistas, porém, acham que Bolsonaro acertou ao afirmar que os que foram às ruas são “massa de manobra”. Dizem que era preciso apontar vínculo entre os manifestantes e um projeto de poder. (Painel)

Bolsonaro admite rever política de preços da Petrobras ‘caso não prejudique empresa’ – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu nesta quinta-feira (16) que pode rever a política de preços de combustíveis da Petrobras caso não haja prejuízo para a empresa. Durante transmissão ao vivo nas suas redes sociais, em viagem a Dallas, no Texas, o presidente disse que as pessoas o culpam pelo alto valor da gasolina nas bombas e que o sistema de preços “pode ter algum equívoco”. Portanto, declarou, se não prejudicar a empresa, pode ser revisado. “O pessoal reclama do preço da gasolina a R$ 5 e me culpam, atiram para cima de mim o tempo todo. O preço do combustível é feito lá pela Petrobras. Leva em conta o preço do barril de petróleo lá fora, bem como a variação do dólar. Lógico que se a gente puder rever isso aí sem prejuízo para a empresa, sem problema nenhum, às vezes a política pode ter algum equivoco”.

Folha não tem que contratar ‘qualquer uma’, diz Bolsonaro a repórter do jornal – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (16) que esta Folha não tem que contratar “qualquer uma” para trabalhar no jornal. A declaração foi dada nos Estados Unidos, quando a signatária [Marina Dias] deste texto o questionou sobre o bloqueio de recursos no orçamento da educação. Segundo o presidente, a jornalista tinha que entrar de novo “numa faculdade que presta e fazer bom jornalismo”. Bolsonaro disse ainda que esta Folha não pode contratar “qualquer uma para ser jornalista, ficar semeando a discórdia e perguntando besteira e publicando coisas nojentas por aí”. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) criticou a fala do presidente, dizendo que ele expôs a repórter a ofensas e ameaças de militantes virtuais. “Ao estimular um ambiente de confronto e intimidação contra jornalistas e veículos de mídia, Bolsonaro se afasta do compromisso democrático que assumiu ao tomar posse, e fica mais próximo dos governantes autoritários, de diversos matizes ideológicos, que buscam demonizar a imprensa por ver nela um obstáculo a seus projetos de poder”, afirma a organização em nota.

Paulo Guedes vai enviar proposta da reforma tributária ao Congresso – O Ministério da Economia pretende finalizar até o final de junho a proposta para a reforma tributária. O objetivo da pasta é enviar o texto para o Congresso antes do recesso parlamentar, em julho. Uma das propostas que consta na atual minuta feita pela equipe do ministro Paulo Guedes visa reduzir seis impostos federais para apenas dois: Imposto de Renda (IR) e outro sobre transações bancárias, nos moldes da CPMF. Outro ponto do documento propõe a alíquota única para o IR. A tributação de cerca de 20% seria aplicada para rendas de mais de R$ 5 mil por mês. Quem ganha abaixo desse valor seria isento. Guedes também pretende acabar com a possibilidade de deduções em saúde e educação. (Mônica Bergamo)

CBC, líder em munições, quer R$ 100 mi de financiamento – Na esteira do decreto de Jair Bolsonaro que flexibiliza as regras do porte de armas, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), uma das maiores fabricantes de munição do mundo, se movimenta em busca de recursos. A empresa, alvo de críticas dos filhos do presidente devido à sua posição monopolista, está prestes a fechar um pedido de financiamento de até R$ 100 milhões com o Banco do Brasil. A assembleia de acionistas que discutirá o tema está marcada para o dia 24. (Painel S.A.)

Correio Braziliense – primeira página

Manchete: Guedes diz ter garantia de nova Previdência até julho

Ministro afirmou em evento nos EUA que a aprovação da reforma, em 60 dias, lhe foi assegurada pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. “Isso vai mudar totalmente a perspectiva do país”, emendou.

Tristeza na volta às aulas no Céu Azul – Após 16 dias fechado, o colégio estadual onde um professor foi assassinado voltou a funcionar, ontem. Eventos culturais e um culto marcaram as homenagens a Júlio César Barroso de Sousa, morto a tiros por um adolescente da escola. Apesar do clima de tranquilidade, o medo é uma constante entre alunos, pais e professores na região.

Prisão para Dirceu – TRF-4 rejeita recurso, e juiz determina que o petista se entregue hoje à PF.

Ibaneis em minicarro – Governador testa veículo elétrico que poderá ter uso compartilhado.

Presidente do Inep, órgão que cuida do Enem, é demitido – Terceiro executivo a comandar o instituto este ano, Elmer Vicenzi ficou menos de um mês no cargo. Apesar de o MEC afirmar que a saída dele foi voluntária, fontes dizem que o real motivo da exoneração teria sido uma disputa interna.

MP vê crimes de Flávio – Bolsonaro reage e defende filho de acusações.

Um abraço à cultura – Artistas e produtores fizeram ato ontem contra a suspensão do Fundo de Apoio à Cultura. Eles se reuniram no Teatro Nacional, que deve ficar com as verbas, e temem desemprego no setor.

Risco de nova tragédia – Depois de Brumadinho, Barão de Cocais (MG): moradores da cidade são alertados para a ameaça de a barragem da Vale se romper.

Mayaro, a nova febre – Vírus identificado por pesquisadores da UFRJ também é transmitido pelo Aedes e causa os mesmos sintomas do chicungunha.
Brócolis contra câncer – Vegetal rico em vitaminas tem potencial para combater tumores, como o de mama e o de próstata, aponta estudo de cientistas israelenses.

Outras notícias

Dirceu volta para prisão – O juiz da Lava-Jato Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, determinou que o ex-ministro José Dirceu se apresente até as 16h de hoje para o cumprimento da pena de oito anos e 10 meses de prisão. O petista tem que se apresentar à Polícia Federal no Paraná, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso, cumprindo pena de oito anos e 10 meses no caso do triplex. O defensor, Roberto Podval, já afirmou que ele vai se entregar. A decisão de Bonat segue determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que rejeitou o derradeiro recurso do petista contra condenação e determinou “a imediata expedição de ofício ao MM. Juiz Federal para que inicie a execução provisória da pena”. Também recorreram por meio de embargos infringentes neste outro processo e tiveram o pedido negado pelo TRF-4 o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, e os sócios da construtora Credencial, Eduardo Aparecido de Meira e Flávio Henrique de Oliveira Macedo.

Mantida condenação de Vaccari e Bumlai – O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) julgou ontem os embargos de declaração em embargos infringentes do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do pecuarista José Carlos Bumlai. A 4.ª Seção da Corte manteve as condenações de Vaccari e Bumlai, determinando a execução provisória das penas a eles impostas, e manteve suspensa a ação contra Fernando Baiano. Vaccari já está preso desde abril de 2015, condenado em outras ações penais da Operação Lava-Jato. Bumlai está em liberdade. Vaccari e Bumlai requeriam também o envio das ações para a Justiça Eleitoral, o que foi negado pelo colegiado pela “inexistência de crime eleitoral”. Essa ação se refere ao empréstimo de R$ 12 milhões concedido pelo Banco Schahin em 2004 a Bumlai para repasse ao PT em troca de contrato com a Petrobras.

Entre afagos e derrapada – O presidente Jair Bolsonaro foi homenageado ontem, em Dallas, pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que concedeu a ele o título de “personalidade do ano”. O evento foi transferido para a cidade texana após a presença do brasileiro ser vetada em Nova York pelo prefeito Bill de Blasio, que o chamou de preconceituoso e perigoso. Ao receber a homenagem, Bolsonaro concentrou o discurso de 11 minutos na situação política da Venezuela e da Argentina. Ele também elogiou a atual relação com os Estados Unidos, antes “tratados como se fossem inimigos”, e acabou errando seu bordão ao concluir a fala: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil acima de todos”. Bolsonaro manifestou preocupação com as dificuldades políticas enfrentadas pelo presidente argentino, Mauricio Macri, e a possibilidade de vitória de Cristina Kirchner nas eleições presidenciais de outubro, o que, na opinião dele, transformaria o país em uma “nova Venezuela” na região. “Essa amiga do PT do Brasil, de (Hugo) Chávez, de (Nicolás) Maduro, entre outros, como Fidel Castro, que tinham mais que o sonho de roubar nosso país, (o sonho de) roubar a liberdade de todos nós”, disse.

A volta do parlamentarismo branco – A falta de articulação do presidente Jair Bolsonaro com os parlamentares fez com que o governo perdesse força no Legislativo em um nível que não se observava desde o segundo mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT). Em menos de cinco meses de gestão, o governo amarga série de derrotas no Congresso e enfrenta dificuldades até para aprovar decisões inerentes ao presidente da República, como as alterações na Esplanada dos Ministérios. O contingenciamento de recursos da Educação, a resistência em mudar a articulação política e o bate-cabeça no próprio governo, que não consegue alinhar as ideias entre o presidente e seus ministros, atrapalharam o trânsito do Planalto no Congresso e comprometem os diálogos pela aprovação da reforma da Previdência. Diferentemente do último governo petista, o clima não é de propor o impeachment de Bolsonaro, mas o Congresso planeja impulsionar agendas próprias, como forma de assumir um amplo protagonismo na comparação com o Executivo. Parlamentares vão reforçar a Bolsonaro a ideia de que ele é mais dependente do Legislativo do que o contrário.

Flávio nas mãos de Alcolumbre – Embora as denúncias sobre a compra e venda de imóveis do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) nada tenham a ver com o seu atual mandato, um grupo de oposicionistas prepara representação contra o parlamentar no Conselho de Ética. A ordem é criar mais um fato político e deixar o pai, o presidente Jair Bolsonaro, ainda mais irritado do que deixou transparecer em suas declarações de ontem — afirmações que, por sinal, ajudaram a fazer com que a bolsa de valores despencasse no Brasil. Se esses oposicionistas seguirem esse plano de representar contra Flávio, caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), decidir o que fazer com o pedido, uma vez que o Conselho de Ética da Casa ainda não foi instalado. O receio dos bolsonaristas é de que Alcolumbre repita a dose da CPI da Toga. O demista considerou a CPI prejudicada, mas recorreu ao plenário e determinou que houvesse um parecer da Comissão de Constituição e Justiça. Se agir dessa forma, Flávio terá que se defender no plenário. Há quem diga que chegou a hora de Alcolumbre demonstrar consideração com o governo e arquivar tudo com uma canetada. (Brasília-DF)

Vai encarar? – Assim, não!
O Centrão fez chegar ao Planalto que a forma de garantir a Medida Provisória 870, aquela que reestrutura o governo, é com votação simbólica do texto aprovado na Comissão Especial — aquele que tem o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Economia e recria o Ministério das Cidades. Se houver pedido de votação nominal por parte do PSL para vincular o Coaf à Justiça, haverá risco de a MP perder a validade. O partido de Jair Bolsonaro, entretanto, encerra a semana disposto a comprar essa briga. A ideia é desgastar o Centrão perante a população com o discurso de que, quem não quer Coaf nas mãos da Justiça tem medo do que pode vir pela frente. A turma do deixa disso avalia que é melhor deixar o Coaf na Economia, uma vez que Paulo Guedes já se comprometeu a manter a equipe indicada por Sérgio Moro, do que perder a MP. (Brasília-DF)

O que vem lá – Depois das manifestações dos estudantes, grupos simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro preparam ida às ruas em 26 de maio, para pedir o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e o do ministro Gilmar Mendes. (Brasília-DF)

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Relator exige contribuição patronal para capitalização

O relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), entende que o regime de capitalização, sistema de aposentadoria individual incluído na proposta enviada pelo governo ao Congresso, deve exigir contribuição das empresas. “Se 90% [da receita para a Previdência] é patronal e o sistema ainda é deficitário, a contribuição patronal tem uma importância enorme”, disse Moreira ao Valor.

Departamento de Moro vai apurar dados sobre Flavio – O Ministério Público Estadual do Rio (MP-RJ) solicitou ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica (DRCI), do Ministério da Justiça, dados sobre empresa panamenha envolvida em transações imobiliárias do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

MP diz quando sócio responde por dívidas da empresa – O governo incluiu na MP 881, da Liberdade Econômica, dispositivos para deixar mais claro em quais ocasiões os empresários terão que responder pelas dívidas de empresas que administram ou nas quais são sócios.

“Eu dou um tilt na esquerda” – Tabata Amaral, 25 anos, foi a deputada federal da oposição mais votada de São Paulo. A história de superação, da ocupação na periferia paulistana à graduação em Harvard, mescla-se com ativismo na área de educação. ‘À Mesa com o Valor’, ela faz a defesa parcial da reforma da Previdência e diz que dá um “tilt na esquerda”.

Investimento federal cai a 0,35% do PIB – O investimento feito pela União caiu ao menor nível em pelo menos 13 anos. O valor de R$ 6,2 bilhões registrado no primeiro trimestre corresponde a 0,35% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual mais baixo para o período em toda a série histórica com valores padronizados, com início em 2007.

Sinal vermelho para guerra dos EUA com o Irã – As chances de uma guerra dos Estados Unidos com o Irã estão agora piscando em vermelho. Qualquer conflito desse tipo poderia provocar um terremoto geopolítico maior que aquele que se seguiu à invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos.

A frenética transformação na forma de pagar – O modelo tradicional do mercado de cartões, formado por bandeiras, bancos, credenciadoras e varejistas, está ficando para trás, depois de vigorar por décadas. Novos participantes e tecnologias surgiram, criando alternativas às “maquininhas” e aos cartões, como transferências instantâneas e o QR Code, obrigando as empresas a se reinventar.

Outras notícias

Para especialistas, Weintraub age ao contrário do próprio discurso – Ainda é cedo para cravar se as manifestações que tomaram as ruas do país anteontem contra o contingenciamento de gastos no ensino superior vão perdurar, a exemplo do que ocorreu em 2013, avaliam especialistas. O que é certo, por enquanto, é que ministro da Educação, Abraham Weintraub, tem atuado na direção contrária de seu discurso, reiterado seguidas vezes, de que é preciso baixar a temperatura do debate educacional.

Dodge é apontada como ‘opção confortável’ para PGR – A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, cujo mandato termina em setembro, voltou ao páreo da corrida pelo comando do Ministério Público Federal (MPF) e já coleciona, no governo, apoios importantes que consideram que a recondução dela para o cargo seria a opção “mais confortável” para o presidente Jair Bolsonaro.

MP do Rio diz que senador teria cometido peculato – O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) afirmou que a prática do crime de peculato atribuído ao atual senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) “restou parcialmente incontroversa” a partir da análise de relatórios de inteligência financeira que miraram o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro e seu ex-assessor na Assembleia Legislativa fluminense, o policial militar reformado Fabrício Queiroz.

Líderes preveem agravamento da crise e tentarão blindar reforma – Em meio à escalada da crise política, com a revelação de novos fatos relativos à investigação sobre o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o governo terá de afinar a relação com o Congresso para evitar uma derrota na reestruturação do primeiro escalão ou a desaceleração da reforma da Previdência. A disposição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e dos líderes do Centrão – que têm ditado o ritmo dos trabalhos na Casa – é blindar a pauta econômica e construir uma agenda própria para evitar que o Congresso fique à reboque da crise do Executivo.

Eleições ameaçam enfraquecer a EU – A premiê alemã, Angela Merkel, disse nesta semana que a Europa tem de se reposicionar para enfrentar os desafios colocados pelos três grandes rivais globais: Rússia, China e… os EUA. A declaração escancara o grau de degradação das relações entre europeus e americanos. Mas manter a Europa unida está ficando cada vez mais difícil. O Parlamento Europeu deverá sair mais fragmentado do que nunca das próximas eleições. Isso deve dificultar o processo decisório e enfraquecer a União Europeia.

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