Tudo de todos os jornais desta segunda-feira (17)  | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Após ataque de Bolsonaro, Levy deixa o BNDES

Menos de seis meses após assumir o comando do BNDES, Joaquim Levy entregou sua carta de demissão. A decisão foi anunciada um dia após o presidente Jair Bolsonaro dizer que ele estava com a “cabeça a prêmio”. A gota d’água foi à nomeação de diretor que havia trabalhado no governo do PT, o que desagradou a Bolsonaro. Especialistas criticaram a interferência do presidente, e fontes afirmam que a equipe econômica pode ter dificuldades para escolher um substituto com o perfil pretendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que busca um nome com experiência no setor privado.

Maia diz que nova crise não afeta reforma.

Leis propostas não consideram dados técnicos.

Fernando Gabeira: Viver, na era digital, é muito perigoso

Demétrio Magnoli: É grave o ato de criminalizar a verdade

40 milhões sem luz na Argentina e no Uruguai – Um gigantesco apagão, inédito, atingiu a Argentina e o Uruguai, afetando mais de 40 milhões de pessoas. A falta de energia começou às 7h da manhã, mas à noite ainda havia regiões argentinas sem luz. A poucos meses das eleições, a oposição aproveitou para atacar o presidente Macri.

Polícia investiga se marido de deputada foi executado – O pastor evangélico Anderson do Carmo, marido da deputada federal e cantora gospel Flordelis (PSD-RJ), foi morto ontem com mais de dez tiros na garagem de casa, no bairro de Pendotiba, em Niterói. A polícia investiga a hipótese de uma desavença familiar estar por trás do assassinato.

O ESTADO DE S.PAULO – primeira página

Manchete: Sem Levy, BNDES deverá concentrar privatizações

Com a saída de Joaquim Levy, que pediu demissão ontem após o presidente Jair Bolsonaro ameaçar dispensá-lo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá passar por uma reformulação em sua forma de atuação. A equipe econômica avalia concentrar a gestão das privatizações no banco, que já tem papel auxiliar no programa, além de colocar em prática promessa de Bolsonaro de abrir a “caixa-preta” da instituição e reforçar sua “despetização”. Um dos mais cotados para a vaga é o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, que esteve com Bolsonaro várias vezes nos últimos dias. Também fazem parte da lista o economista Gustavo Franco, atual presidente do conselho do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Governo estuda imposto menor para celular e computador – O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que o governo estuda reduzir o imposto sobre importação de produtos como celulares e computadores, de 16% para 4%. Em publicação no Twitter, ele afirmou que o objetivo da medida é “estimular a competitividade e a inovação tecnológica”. O corte nas tarifas de importação não precisa passar pelo Congresso. Bastam à decisão do presidente e a aprovação pela Câmara de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério da Economia.

Cresce número de brasileiros reincidentes na inadimplência – O número de brasileiros reincidentes na inadimplência – que conseguiram pagar dívidas atrasadas nos últimos 12 meses, mas voltaram a ficar com nome sujo – está em alta. Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, eles representaram em média 27% dos inadimplentes entre janeiro e maio deste ano ante 24,9% do total no mesmo período de 2018.

Prazo para corte de juros divide ex-diretores do BC.

Adriana Fernandes: Escolha de Levy teve vício na origem. Com Guedes, problemas já começaram em março.

Rafael Cortez: Governo não consegue reduzir a percepção de risco, mesmo com a reforma da Previdência.

Carlos Pereira: Perda do domínio político do presidente em relação ao Legislativo é o que pode vir a fragilizar a democracia brasileira.

Desinteligência generalizada – Jornalismo que se deixa submeter à balbúrdia irracional das redes sociais não cumpre sua função, que é a de dar aos cidadãos condições de refletir.

O novo rito para MP – Medida Provisória deve ser proposta apenas em caso de “relevância” e “urgência”.

FOLHA DE S.PAULO – primeira página 

Manchete: Atacado, Levy se demite do BNDES

Depois de ser atacado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no sábado, o economista Joaquim Levy pediu demissão da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ontem de manhã. Foi a primeira baixa na equipe montada pelo ministro Paulo Guedes, da Economia, que não procurou defender o auxiliar. Bolsonaro disse que Levy, titular da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), estava “com a cabeça a prêmio” devido a sua intenção de nomear um diretor também com passagem pela administração petista. O Palácio do Planalto também cobrava, segundo relatos, venda de ativos em poder do BNDES, devolução de recursos ao Tesouro Nacional e revelações acerca de empréstimos concedidos pela instituição durante os governos de Dilma e de Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro intensifica fritura de auxiliares às vésperas da ida de Moro ao Congresso. 

ENTREVISTA DA 2ª – Kasper Rorsted: Atletas homens e mulheres não devem necessariamente receber os mesmos salários e premiações. A afirmação é de Kasper Rorsted, presidente global da Adidas, patrocinadora da Copa, que decidiu igualar os bônus pagos nos Mundiais de futebol masculino e feminino

Marcus Melo: Bolsonaro é um dos beneficiários do caso Moro – O retorno ao status quo que marcou a campanha favorece o presidente, que se afirma como liderança antipetista e antissistema. Recrudesce intensamente a polarização.

Inquérito apura cabide de emprego no Sebrae paulista – Inquérito civil em São Paulo apura se integrantes da cúpula estadual do Sistema S usaram o Sebrae para empregar parentes e aliados. Um dos alvos da investigação, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, nega irregularidades.

CORREIO BRAZILIENSE – primeira página

Manchete: Senado ouve Moro, e STF decide se anula julgamento de Lula

No Dia dos Namorados, o ministro da Justiça decidiu desafiar ditado segundo o qual político desgastado não deve ir a estádio de futebol. Ele foi ao Mané Garrincha e, além de muito aplaudido, teve o nome gritado pela torcida. Na quarta-feira, o ambiente promete ser hostil: vai ser sabatinado no Senado, onde parlamentares enrolados em escândalos de corrupção desvendados pela Lava-Jato, operação da qual Sérgio Moro virou símbolo, tentarão emparedá-lo. O desempenho é fundamental para a sobrevivência política do ministro de Bolsonaro. Em seguida, outro embate está marcado: no dia 25, o STF vai decidir se Moro foi ou não imparcial ao julgar Lula na denúncia do tríplex do Guarujá. Com base em mensagens que teriam sido roubadas por hacker, a defesa do petista acusa o ex-juiz de colaborar com a acusação. A depender dessa decisão, o ex-presidente pode ganhar a liberdade.

Bolsonaro quer no BNDES alguém que abra “caixa-preta” – Incinerado publicamente pelo presidente da República, Joaquim Levy pede demissão do BNDES. Bolsonaro quer nomear um sucessor que se comprometa a abrir a “caixa-preta” do banco, expondo detalhes de empréstimos concedidos nos governos petistas. Instituição terá, ainda, de acelerar a devolução de recursos ao Tesouro.

Dilma: permitir despolitização deve ser uma autocrítica do PT – Ex-presidente falou ao Correio sobre derrota dos governos do partido, teto de gastos, impeachment, Lula, Bolsonaro, democracia e Lava-Jato. Ela avalia que os petistas sofreram “uma derrota tática”, mas acredita que “a mobilização das pessoas criará novas lideranças”.

Pedidos de refúgio ao Brasil têm aumento de 3.000% em seis anos.

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Levy sai do BNDES e o banco deve ter função redefinida

A “usina de crises” do governo entrou em ação novamente no fim de semana. A bola da vez foi Joaquim Levy, que ocupava a presidência do BNDES. No sábado, o presidente Jair Bolsonaro fez um ataque direto a Levy, cobrando que revertesse a nomeação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de mercado de capitais do banco porque ele havia trabalhado no governo do PT. As falas do presidente da República levaram ao pedido de demissão dos dois executivos, Barbosa e Levy.

Amil trava disputa com hospitais – A operadora de planos de saúde Amil está sob pressão de sua controladora, a UnitedHealth Group, para enxugar custos e ter lucros. Para isso, a operadora trava queda de braço com prestadores de serviço, em especial os hospitais.

Desafios – O grupo Ultra fez mudanças “dentro de casa” para retomar o crescimento. Mas “o maior desafio é a economia brasileira deslanchar”, diz Frederico Curado, CEO do grupo há dois anos.

Bolsonaro ataca tomada de três pinos – Diante dos números decepcionantes da economia, o governo resolveu se mexer: prepara norma para revogar o uso compulsório da tomada de três pinos.

Investimento das capitais cai 55% – Os investimentos das prefeituras das capitais brasileiras estão 55% abaixo dos realizados quatro anos atrás. Dados levantados pelo Valor em 23 capitais indicam que, no primeiro quadrimestre, os investimentos dessas cidades somaram R$ 1,22 bilhão, em comparação com R$ 2,69 bilhões em igual período de 2015.

Odebrecht formaliza recuperação – A ODB, holding do grupo Odebrecht, deve formalizar nesta segunda-feira o pedido de recuperação judicial, com dívidas de R$ 80 bilhões. Trata-se da maior recuperação judicial já pedida no Brasil, superior à homologada no começo de 2018 pela Oi, que renegociou dívidas de R$ 64 bilhões.

Mais notícias

Relembre os que deixaram o governo após método de fritura por Bolsonaro – Em apenas quatro dias, três pessoas deixaram o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Saíram de seus cargos o general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, Juarez de Paula Cunha, presidente dos Correios, e Joaquim Levy, presidente do BNDES. Os três desembarques foram acompanhados por frituras públicas promovidas por Bolsonaro. Sergio Moro, ministro da Justiça, também ouviu o presidente dizer, nesta semana, que não confiava 100% nele. A lavagem pública de roupa suja se tornou um marco do governo. Abaixo, veja quem já foi “fritado” por Jair Bolsonaro. [O general Franklimberg de Freitas foi demitido da presidência da Funai na terça-feira (11)]. (Folha)

Fazendeiros são presos no PA sob suspeita de matar sindicalista bolsonaristas – A Polícia Civil do Pará prendeu neste domingo (16) dois fazendeiros suspeitos da morte do sindicalista Carlos Cabral, 58, assassinado a tiros na última terça-feira (11), em Rio Maria, município a 820 km ao sul do Belém. As prisões temporárias aconteceram no entorno da Terra Indígena Apyterewa, onde Cabral atuava como grileiro. É uma região distante de Rio Maria cerca de 425 km, sendo a maior parte do trajeto em estrada de terra. Os dois fazendeiros presos neste domingo, Orcimar Arantes do Prado e Antônio Silvério dos Reis, também atuavam no comércio ilegal de terras e disputavam áreas com o sindicalista, segundo depoimentos de amigos e familiares. Com os dois fazendeiros, foram apreendidas armas e munições ilegais, entre pistolas, revólveres, escopetas e espingardas. O arsenal é tão grande que os policiais ainda não conseguiram fazer a contagem, principalmente das munições. Além de Prado e Reis, três homens que os acompanhavam foram presos em flagrantes por porte ilegal de arma. Um deles, no entanto, já foi solto pela Justiça. Um terceiro fazendeiro com mandado de prisão temporária está foragido. Vicente Paulo Terenco Lima, o Paulinho do Ditão, é tido como um dos grileiros mais antigos e influentes dentro de Apyterewa, da etnia parakanã. Apesar de uma decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2015 obrigar a retirada dos não indígenas, o governo federal tem protelado a cumprimento da medida na Terra Indígena Apyterewa. Com a eleição de Bolsonaro, que tem prometido anular demarcações, a invasão de Apyterewa aumentou nos últimos meses e já chega a alguns milhares de não indígenas. Em 2017 e 2018, a Apyterewa foi a quarta terra indígena mais desmatada do país, com uma perda de quase 2.000 hectares —alta de 351% em relação a 2016 e 2017. Os números são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais), que contabiliza o desmate de agosto a julho do ano seguinte. (Folha)

Sistema S é suspeito de privilégios a parentes – Um inquérito civil em São Paulo apura se integrantes da cúpula estadual do Sistema S, entidades cujos gastos têm sido questionados pelo ministro Paulo Guedes (Economia), usaram o Sebrae como cabide de empregos para parentes e aliados. Não que a investigação tenha inibido os citados. Dois apontados em depoimento como suspeitos de terem parentes empregados de forma irregular, Fábio Meirelles e Sylvio Rosa Goulart, foram homenageados em evento do próprio Sebrae no último dia 21 de maio. O inquérito, aberto pelo Ministério Público de São Paulo, tem como objetivo apurar suposta improbidade e denúncias de fraudes durante a presidência de Paulo Skaf (2014-2018) no conselho deliberativo do Sebrae-SP. A investigação envolve também pessoas que comandam outras entidades e cujos recursos vêm de contribuições compulsórias sobre as folhas de pagamento da indústria. Enquanto a maior parte do Sistema S é composta de entidades ligadas a uma única federação (de indústria, comércio ou agricultura, por exemplo), o Sebrae, que é o serviço de apoio à micro e pequena empresa, tem um modelo de gestão compartilhada. O próprio Paulo Skaf (MDB), que representa a Fiesp (federação das indústrias de São Paulo), também preside o Sesi-SP e o Senai-SP. Ele comanda a Fiesp desde 2004. (Folha)

Governadores do NE querem retomar Mais Médicos – Concluídas as etapas formais para a criação do Consórcio do Nordeste, figura jurídica que une os governos da região, começaram os debates sobre os primeiros planos de ação. Uma das frentes em estudo é firmar contrato com a Opas, a organização pan-americana responsável pela exportação de profissionais de saúde, para reinstalar atendimento similar ao do programa Mais Médicos. Segundo Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, já foi feita consulta à entidade. A ideia é retomar um contrato regional com a organização. A Opas rescindiu o acordo com o Brasil e anunciou a retirada de médicos do programa, a maioria cubanos, logo após a vitória de Jair Bolsonaro. A incapacidade do governo federal de repor as vagas antes ocupadas por cubanos deixou 28 milhões sem atendimento, estimou o New York Times. O Ceará é o segundo estado com o maior número em postos ociosos. (Painel/Folha)

Fogo alto – Parlamentares ficaram com a impressão de que o arroubo de Jair Bolsonaro contra Joaquim Levy, agora ex-presidente do BNDES, foi parte de um jogo combinado com o ministro Paulo Guedes (Economia). A insatisfação com Levy já era notada nos bastidores, mas a forma como a demissão ocorreu foi interpretada como uma aproximação de Guedes ao campo mais radical e ideológico que cerca o presidente, o que afasta os moderados do Congresso. Observadores especulavam no domingo (16) que, embora citado na bolsa de apostas, Salim Mattar teria dificuldades legais em assumir o BNDES, uma vez que atuou ativamente na campanha de Jair Bolsonaro. A Lei das Estatais veda a nomeação de quem tenha trabalhado na “organização, estruturação e realização” de campanha eleitoral nos últimos 36 meses. (Painel/Folha)

Bolsonaro não conseguirá abrir ‘caixa-preta’ do BNDES – A queda de Joaquim Levy do BNDES foi vista com descrença por empresários e altos executivos. A expectativa é que outro liberal virá. Mas, seja quem for o substituto, Bolsonaro dificilmente terá sucesso na abertura da tal caixa-preta do banco, promessa de campanha que Levy deixou de entregar. Para o presidente de uma grande indústria, há chances de o governo permanecer sem a caça às bruxas que tanto deseja, pelo simples fato de que talvez não haja bruxas para caçar. Após a saída de Luciano Coutinho, presidente do BNDES nas gestões petistas, os sucessores Maria Silvia Bastos Marques, Paulo Rabello de Castro, Dyogo Oliveira e o próprio Levy saíram sem entregar nenhuma caça às bruxas. Para um alto executivo do setor financeiro, embora o governo queira aproveitar o BNDES politicamente para trazer à tona empréstimos a empresas e governos estrangeiros amigos do PT, Levy ou outro profissional sério que vier não se arriscará a usar informações politicamente. Entre funcionários do banco, que se ofendem com a teoria da caixa-preta, a avaliação é semelhante. “Qualquer pessoa que tenha um nome a zelar e seja responsável vai enfrentar os mesmos problemas que o Levy”, diz Arthur Koblitz, da AFBNDES, associação de funcionários. (Painel S.A./Folha)

Mansões de Neymar na praia estão bloqueadas pela Justiça – Em meio a um escândalo por acusação de estupro, o atacante Neymar está com imóveis em seu nome bloqueados pela Justiça devido a processo por sonegação fiscal que tenta levar R$ 69 milhões do atleta. Em levantamento feito pela Folha, foram encontrados 36 imóveis em nome do atleta, de sua família ou de suas empresas que estão indisponíveis. Duas mansões em condomínio de luxo no Jardim Acapulco, no Guarujá, que, somadas, têm 3.000 m² de área, estão entre eles. Apesar de serem dois imóveis distintos, as casas são grudadas e utilizadas pela família do atleta. Elas estão entre as favoritas do jogador pela localização nobre, um bairro onde ele gosta de estar pela proximidade com a cidade de Santos e de seus amigos, chamados pelo jogador de “parças”. (Folha)

Bancada evangélica vai apoiar Moro de forma incondicional – A bancada evangélica da Câmara dos Deputados, a mais próxima de Jair Bolsonaro, decidiu apoiar o ministro Sergio Moro, da Justiça, de forma incondicional. “Ele está blindado por nós”, diz o deputado Pastor Marco Feliciano (Pode-SP). Na quarta (12), cerca de trinta parlamentares evangélicos se encontraram com Moro. “Fizemos uma oração e abençoamos a vida dele. Pedimos que Deus dê tranquilidade ao ministro”, diz o parlamentar. Feliciano viajou com Bolsonaro e Moro para Belém na quinta (13), onde participaram da celebração dos 108 anos da Assembleia de Deus no Brasil. “Ele foi ovacionado.” (Mônica Bergamo/Folha)

Torcidas – Na CCJ do Senado, Moro será recebido por senadores investigados e denunciados pela Lava-Jato. É o caso, por exemplo, de Renan Calheiros (MDB-AL), que tem usado as redes sociais para atacar Moro. “Essa polivalência do Sérgio Moro (investiga quem quer, coordena acusação, vaza seletivamente, pede nota ao MPF, condena sem prova…). É a falência do sistema judiciário”. E acrescentou: “Tão óbvio que dispensa o VAR”. Na lista dos alvos da Lava-Jato que podem interrogar Moro, estão também os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Humberto Costa (PT-PE). É justamente no campo das torcidas que o governo Bolsonaro tenta levar o debate, numa divisão entre os que apoiam ou querem desacreditar os trabalhos da Lava-Jato. Por causa da aprovação do combate à corrupção, atacar Moro e os procuradores de Curitiba pode ser um mau negócio. Mas a popularidade de Lula e a repercussão do conteúdo das conversas entre Moro e os procuradores são gigantes. Por isso, o governo trabalha por uma polarização entre os que são contra e a favor do combate à corrupção. (Correio)

Sem susto no mercado – A saída de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não abalou analistas de mercado. Eles já esperavam que, diante da personalidade de Bolsonaro, nem mesmo técnicos de alta competência sobreviveriam nos cargos se não partilhassem do pensamento do presidente. A demissão deverá ter pouco impacto no mercado financeiro hoje. O que vai interferir ou não na confiança do investidor é a escolha do sucessor. “É claro que nunca é boa a saída de um homem como o Levy. Mas somente haverá problema se, em vez de manter um técnico, o presidente resolver indicar um político”, avalia o economista César Bergo, sócio consultor da Corretora OpenInvest. “Há um temor no ar, porque não se sabe até que ponto o BNDES servirá de moeda de troca para a aprovação da reforma da Previdência”, diz Bergo. O economista menciona a proposta de retirar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), fonte de recursos do BNDES, para cobrir despesas com aposentadorias e pensões, medida que está no relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB) sobre a PEC da Previdência. “A saída de Levy pode ser mesmo resultado da insatisfação com a presença de ex-integrantes dos governos do PT, mas pode ser também a brecha que precisava para uma possível ingerência política. É esperar para ver”, assinala. (Correio)

Protesto – Funcionários do BNDES vão promover um ato contra o que classificam de “antipatriótica desconstrução” do banco. A manifestação, organizada pela associação dos funcionários, está marcada para quarta-feira, véspera do aniversário de 67 anos da instituição. O ato foi marcado em 13 de junho, portanto, antes da demissão do presidente Joaquim Levy, mas ganhou maior repercussão a partir dos acontecimentos no fim de semana. A nota reclama da “medida do relator da reforma da Previdência de acabar com os repasses constitucionais do PIS e Pasep para o BNDES”. Segundo a associação, cinco ex-presidentes devem participar do protesto. (Correio)

Um governo ideológico e re-vanchista A saída do economista Joaquim Levy do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é mais um sinal da tônica do governo de Jair Bolsonaro. Uma gestão marcada por decisões pessoais e, por vezes, destemperadas. Foi assim nas demissões de Gustavo Bebianno e Santos Cruz, ambos, respectivamente, ex-ministros da Secretaria-Geral e da Secretaria de Governo. O mesmo individualismo ceifou, também, o general Juarez Cunha da Presidência dos Correios. É o jeito Bolsonaro de governar. No sábado, ao criticar Levy, disse que “governo tem que ser assim”, no sentido de ter pulso firme ao tomar medidas em relação a indicados, ainda que em postos estratégicos. Sobretudo “gente suspeita em cargos importantes”, ao comentar sobre o agora ex-presidente do BNDES. Característica de Bolsonaro, essa forma de agir é classificada como insustentável a médio e longo prazos pelo cientista político Geraldo Tadeu, professor e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisas sobre a Democracia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). “Governos não vivem quatro anos nomeando e demitindo pessoas semanalmente. Isso mostra a incapacidade de Bolsonaro de se expandir além das suas fronteiras mais estritas”, critica. De acordo com Tadeu, Bolsonaro se mostra, cada vez mais, chefe de um governo de militância ideológica e revanchista. “É uma gestão que tem uma base estreita, não dialoga com a sociedade civil, com a maioria dos partidos políticos, com as outras instituições. Tem uma postura autoritária e restrita a um núcleo duro de militância ideológica. Vimos isso no Ministério da Educação, na demissão do Santos Cruz e em inúmeras situações, desde a demissão do Bebianno, é um governo que não sabe trabalhar com a pluralidade e a diversidade”, sustenta. (Correio)

Tarifa sobre vinho em acordo com Europa opõe Onyx a Paulo Guedes – Os ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) travam um embate na reta final de negociações para o acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul. A divergência gira em torno da abertura do mercado brasileiro para os vinhos produzidos na Europa. Na tentativa de destravar a celebração de um tratado, que se arrasta por duas décadas, Guedes adotou uma postura mais liberalizante nas discussões e aceitou várias demandas da UE. Um dos pedidos de Bruxelas é que seus produtores fiquem livres da tarifa de 27% para entrar no Mercosul. No governo Michel Temer, o bloco sul-americano apresentou uma oferta para a entrada de 15 milhões de litros de vinhos europeus isentos de taxação. A proposta sofre rejeição dos negociadores da UE. Mais flexível, a nova equipe econômica aceita melhorar a oferta na próxima rodada de discussões, no fim deste mês. Com aval de Guedes, o Brasil avalia colocar sobre a mesa uma cota de até 30 milhões de litros por ano, segundo funcionários do governo envolvidos na negociação. Em 2018, a UE exportou para o mercado brasileiro 37,5 milhões de litros de vinho – principalmente franceses, espanhóis, portugueses e italianos. A Argentina está a favor da liberalização. O país vizinho reconhece que pode perder participação no Brasil, mas acredita que seus vinhos são suficientemente competitivos para disputar também o mercado europeu em melhores condições, caso prevaleça o livre-comércio para a bebida. Onyx resiste à ideia. Ele teme o impacto para a economia da Serra Gaúcha, região onde teve expressiva votação nas eleições do ano passado, de uma eventual abertura aos vinhos europeus. Fontes do governo relatam que o chefe da Casa Civil quer “compensações” para reduzir a carga tributária dos produtores como única forma de sobrevivência à competição. (Valor)

Tomada de três pinos vira alvo das reformas do governo Bolsonaro – Mal o presidente Jair Bolsonaro havia anunciado o fim do horário de verão, instituído pela primeira vez no Brasil em 1931, e seu assessor internacional, Filipe Garcia Martins, foi ao Twitter, no dia 6 de abril, para defender outras medidas de impacto: “Temos que nos livrar [agora] da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditáveis e do acordo ortográfico. Poucas semanas depois, em meio às negociações sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro foi pessoalmente ao Congresso entregar o projeto que modifica leis de trânsito, incluindo a exigência de cadeirinha para crianças no banco traseiro. Agora, diante dos números decepcionantes da economia, o governo resolveu se mexer: prepara uma norma para revogar o uso compulsório da tomada de três pinos – também chamada, por diversos assessores presidenciais, de “tomada do PT”. (Valor)

Ministro leva Jucá em voo e provoca ira de bolsonaristas – Mesmo tendo uma base aliada fixa pequena no Congresso Nacional, o governo do presidente Jair Bolsonaro vem tendo dificuldade em satisfazer até os poucos parlamentares fiéis que conquistou entre Câmara e Senado. (Valor)

Sem Levy, BNDES deverá concentrar privatizações – Com a saída de Joaquim Levy, que pediu demissão ontem após o presidente Jair Bolsonaro ameaçar dispensá-lo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá passar por uma reformulação em sua forma de atuação. A equipe econômica avalia concentrar a gestão das privatizações no banco, que já tem papel auxiliar no programa, além de colocar em prática promessa de Bolsonaro de abrir a “caixa-preta” da instituição e reforçar sua “despetização”. Um dos mais cotados para a vaga é o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar, que esteve com Bolsonaro várias vezes nos últimos dias. Também fazem parte da lista o economista Gustavo Franco, atual presidente do conselho do BNDES, Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A saída de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), depois de ter sua “cabeça colocada a prêmio” pelo presidente Jair Bolsonaro, abre espaço para uma reformulação no papel do banco pela equipe econômica, que já pensa em concentrar a gestão das privatizações na instituição. O governo ainda quer que a troca no comando do banco reforce o discurso de “despetização” do BNDES. (Estadão)

Escolha de Levy teve vício na origem. Com Guedes, problemas já começaram em março – A escolha de Joaquim Levy para comandar o BNDES teve vício de origem. “Estão dizendo que você escolheu o cara errado”, disse o presidente Jair Bolsonaro ao seu superministro Paulo Guedes ao cobrar explicações sobre a opção pelo ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT) e ex-secretário de Fazenda de Sérgio Cabral (MDB) para comandar o banco de fomento. Guedes fez uma defesa forte do economista. Diretor do Banco Mundial na época, com passagens em organismos internacionais e no setor financeiro, Levy poderia trazer dinheiro de fora ao País, defendeu Guedes a Bolsonaro. Levy foi nomeado, mas não ficou imune às críticas. De olho nas redes sociais, Bolsonaro e seus filhos não perdiam oportunidade de cutucar o presidente do BNDES por não abrir a “caixa preta” dos empréstimos bilionários para empresas envolvidas em escândalos de corrupção. Com Guedes, os problemas começaram em março, pouco depois da posse. O ministro se mostrava arrependido da escolha de Levy, por sua postura de resistência a reduzir o tamanho do banco e devolver dinheiro ao Tesouro, e fazia planos para transferi-lo para um posto fora do País. (Estadão)

PSL e PRB dominam frentes diplomáticas no Congresso – O PSL, do presidente Jair Bolsonaro, e o PRB, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, ocuparam espaços abertos na diplomacia parlamentar e dominaram 45 dos 68 grupos de amizade entre o Brasil e países estrangeiros neste ano. A presidência desses grupos do Congresso Nacional, que em anos anteriores estava dispersa entre diversos partidos, agora se concentra nas duas legendas marcadamente de perfil conservador. O PSL, que preside 21 grupos de amizade, e o PRB, que comanda 24, foram os partidos cujas bancadas mais cresceram na eleição de 2018. O número de deputados do PSL saltou de 8 para 54 deputados, e o do PRB, de 21 para 31 atualmente. Os grupos de amizade são semelhantes às frentes parlamentares temáticas, só que dedicados à interlocução com países, blocos e entidades multinacionais como o Mercosul, a ONU, os Brics e a OTAN. Na prática, essas associações de deputados e senadores funcionam como um canal de aproximação com congressistas e governos estrangeiros, em geral por meio das embaixadas, e servem, por exemplo, ao relacionamento entre autoridades para tratar de lobbies e interesses diversos, como imigração, intercâmbio cultural, negócios e comércio bilateral. (Estadão)

No Senado, Flávio destoa do discurso ‘bolsonarista’ – No início do ano a bancada de senadores do Amapá – que tem entre seus integrantes o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), – conseguiu finalmente emplacar uma emenda de R$ 20 milhões ao orçamento para pavimentação do trecho norte da BR-156. A liberação da verba foi motivo de festa no Estado, afinal, a estrada é uma das obras inacabadas mais antigas do Brasil, que já se arrasta por incríveis 87 anos. Dias depois a euforia virou frustração. O senador Lucas Ribeiro (PSD-AP) foi conferir o plano de obras do Ministério da Infraestrutura e constatou que, apesar da liberação da verba, a BR-156 não estava nos planos do ministério. Ribeiro decidiu então procurar o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro, para pedir ajuda. Pouco tempo depois o amapaense recebeu uma ligação do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que informava a inclusão da BR-156 no plano de obras da pasta para 2019 e pedia desculpas pelo esquecimento. “O Flávio ajuda muito a criar um ambiente de diálogo aqui no Senado. Ele é sensível. Liga pra ministro, dá retorno”, disse Ribeiro. Em outro encontro com Flávio, o ministro da Infraestrutura revelou que havia terminado um pacote de concessões de rodovias federais no Estado do Rio de Janeiro. Tarcísio queria anunciar ali, na mesma hora, ao lado de Flávio, mas o político do Rio achou melhor adiar o anúncio e fazê-lo ao lado dos outros senadores do Estado, Arolde de Oliveira (PSD) e Romário (Podemos). Filho de um presidente da República que se elegeu com o discurso contrário ao que chama de “velha política” e que mantém como método a estratégia de não negociar com parlamentares, Flávio vem se transformando em um dos principais articuladores das pautas do governo no Senado. (Estadão)

Maia se diz ‘perplexo’ com a demissão – A participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, no processo de “fritura” de Joaquim Levy antes do pedido de demissão da presidência do BNDES deixou o Congresso com a impressão de que a equipe econômica continua participando da “usina de crises”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao Estado que ficou “perplexo” pela forma como o ministro tratou o subordinado. Para ele, o ex-ministro era um quadro de qualidade que tinha a acrescentar para garantir as reformas que o País precisa neste momento. O presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), também criticou a demissão. “O presidente Bolsonaro não entendeu que alguns quadros são suprapartidários. Eles não contribuem com um ou outro governo. Contribuem com o País”, disse. “É uma pena. No fim das contas, quem perde é o Brasil.” (Estadão)

Bolsonaro mantém pista livre rumo a 2022 – A maneira como Jair Bolsonaro tem lidado com seus “superministros” e com os governadores não deixa dúvidas entre os observadores mais rodados do Congresso: o presidente trabalha para manter livre o caminho rumo à reeleição. Em episódios recentes, mostrou a Paulo Guedes quem manda e deixou claro a Sérgio Moro que o destino do ex-juiz agora está atrelado ao do governo. De quebra, não se mexeu para evitar que a batata quente da reforma da Previdência nos Estados caísse nas mãos dos “aliados” João Doria e Wilson Witzel. (Coluna do Estadão)

Olhar atento – O ímpeto com que o ex-ministro do STF Carlos Velloso tem defendido Sérgio Moro chama a atenção dos advogados. Carlos Mário Velloso Filho (filho do ex-ministro) é candidato ao cargo de ministro substituto do TSE na lista tríplice que será escolhida no plenário do Supremo. Tão logo a lista for formada ela segue para as mãos do ministro da Justiça, que a encaminha, com as recomendações de praxe, a Jair Bolsonaro. (Coluna do Estadão)

Peneira – No primeiro mês de funcionamento, o programa Radar Anticorrupção, uma espécie de compliance no Ministério da Infraestrutura, de Tarcísio de Freiras, já abriu 23 inquéritos e processos. Foram identificados fortes indícios de conflitos de interesses, improbidades administrativas, fraudes e peculato. O ministério, um dos maiores orçamentos da Esplanada, já foi alvo de escândalos. A subsecretaria responsável pelo programa passou o pente-fino em 148 indicações para cargos comissionados na pasta para verificar a integridade e habilitação dos escolhidos. (Coluna do Estadão)

Leis propostas não consideram dados técnicos – Duas das medidas mais polêmicas tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro foram apresentadas sem dados técnicos que comprovem sua eficácia: a flexibilização da posse de armas e as mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Documentos elaborados pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Infraestrutura, respectivamente, não expõem estudos ou estatísticas que justifiquem as mudanças. Para defender a necessidade das iniciativas, o governo apresentou dois documentos. No caso das armas, a Exposição de Motivos 08/2019 foi assinada pelos ministros Sergio Moro (Justiça) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa); e a Exposição de Motivos 36/2019, referente a alterações no CTB, chancelada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Elas têm em comum a ausência de pesquisas, números ou evidências acadêmicas para fundamentar as medidas. A facilitação da posse e do porte de armas está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), e o projeto com mudanças no CTB foi recebido com críticas na Câmara. A principal evidência usada pelo governo para justificar o decreto que flexibiliza a posse de armas é um artigo escrito pelo chefe de assuntos legislativos de Moro, Vladimir Passos de Freitas. O documento do governo afirma que comerciantes de áreas urbanas e habitantes da zona rural convivem com um quadro “insustentável” de “mortes abusivas”. Mas o único número mencionado é o resultado do plebiscito de 2005 sobre o comércio de armas. Na época, 64% votaram a favor da venda de armas. (O Globo)

Do abacate ao Peso Real, a agenda paralela do presidente – Nos seis primeiros meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro tem surpreendido até mesmo auxiliares mais próximos com anúncios de medidas que não fazem parte da agenda prioritária de reformas. Enquanto o texto da reforma da Previdência era discutido na Comissão Especial, o presidente esteve na Câmara para entregar a proposta de alterações no Código de Trânsito, no início do mês. A iniciativa foi classificada como “falta de noção de prioridade” pelo presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PR-AM). As propostas de trânsito ainda estavam sendo conhecidas quando, dois dias depois, o presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes, em viagem à Argentina, anunciaram que o Brasil e o país vizinho pretendiam avançar com a proposta de criar uma moeda comum, o “peso real”. O anúncio logo foi desmentido pelo Banco Central brasileiro. Bolsonaro celebrou pelo Twitter, em maio, a abertura do mercado argentino para o abacate brasileiro, que representa apenas 0,007% do valor total das exportações brasileiras, depois de prometer “acabar com o fantasma” da importação de banana do Equador, com a restrição à entrada do produto no país. O presidente também surpreendeu ao afirmar, no início do mês, que há estudos no governo para a troca das cédulas de R$ 100 e R$ 50 com o objetivo de obrigar que o dinheiro seja depositado no sistema financeiro ou colocado em circulação. Outro caso emblemático é a proposta de transformar a Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis (RJ), em uma espécie de Cancún brasileira. Nessa região, Bolsonaro foi multado pelo Ibama por pesca ilegal em 2012. (O Globo)

Ataque político foge do padrão de hackers no Brasil, aponta estudo – A invasão de meios eletrônicos para obtenção e divulgação de dados pessoais por motivações políticas, suspeita que envolve o vazamento de conversas do ministro da Justiça Sergio Moro e do coordenador da Lava-Jato Deltan Dallagnol, foge do padrão de atuação dos hackers no Brasil. Relatório publicado em abril deste ano pela Recorded Future, empresa americana especializada em segurança digital, aponta que os cibercriminosos brasileiros são vistos na comunidade internacional como “piratas”, isto é, um grupo com boa capacidade técnica e que prioriza ataques com fins financeiros. Segundo o analista Ronaldo Vasconcellos, um dos autores do documento, ataques como os que atingiram o atual ministro da Justiça e procuradores da República representam uma ação quase inédita no Brasil. As investigações ainda não esclareceram se tentativas de invasão dos celulares, denunciadas por Moro e Dallagnol, foram perpetradas por uma pessoa ou um grupo, tampouco a nacionalidade dos envolvidos. — É uma coisa nova. A questão é se isso foi feito por pessoas motivadas politicamente a expor o que achavam que estava errado, ou se foi uma operação apenas para causar instabilidade institucional — diz Vasconcellos. Os raros casos de atuação política de hackers brasileiros costumavam se dar com os chamados “defacements”. A prática se assemelha a uma pichação: um site é invadido e, em seu lugar, é colocada uma página com textos críticos ou mensagens de cunho político. No estudo, membros da Recorded Future acessaram grupos de WhatsApp e Telegram que reúnem hackers. Segundo o documento, os cibercriminosos brasileiros misturam elementos de hackers de outros países. Assim como os chineses, eles trocam experiências em aplicativos de mensagens, indicando uma organização pouco hierárquica. (O Globo)

Usina de crises – Sábado, no meio da crise que levou Bolsonaro a demitir publicamente Joaquim Levy, o ministro Paulo Guedes foi esfriar a cabeça e assistiu, no Instituto Moreira Salles, no Rio, ao filme “A revolução em Paris”, de Pierre Schoeller. Saiu elogiando o longa-metragem —“sempre apreciei filmes sobre episódios históricos”—, que se passa durante a Revolução Francesa, quando o povo rebela-se contra a monarquia e exige umas transformações na sociedade. Ontem, havia pressão de amigos e familiares do Marcos Barbosa Pinto para que o ex-diretor de Mercado de Capitais do BNDES processe Bolsonaro. É que o presidente, ao se referir ao advogado, bastante respeitado no mercado financeiro, disse que Levy não podia nomear “gente suspeita”. Em março, o governo anunciou o nome de Gustavo Franco, ex-presidente do BC, para presidir o Conselho do BNDES. Mas isso não correu até agora. O foco maior de Paulo Guedes continua sendo a reforma da previdência, claro. O ministro se diz simpático à retirada do projeto BPC e das mudanças na aposentaria rural: “Ao longo dos meses percebi sua importância para as regiões mais pobres do país”. Mas… Guedes lamenta a retirada dos estados e municípios (“eles estão quebrados, e é lá onde o povo vive”) e também o que ele chama de “pressões corporativas”: “R$ 860 bi de redução nas despesas futuras, mais R$ 100 bi das pressões corporativas daria R$ 960 bi, e aí podemos examinar a proposta da Nova Previdência.” (Ancelmo Gois/O Globo)
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