Tudo de todos os jornais desta quarta-feira (15)  – Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Guedes cobra do Congresso ação para tirar país ‘do fundo do poço’

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que está nas mãos do Congresso tirar o país “do fundo do poço’’, com medidas como a reforma da Previdência. Em audiência na Comissão Mista do Orçamento, Guedes citou a revisão para baixo da previsão de crescimento do PIB, agora em 1,5% este ano. “O que fizemos para a economia crescer? Não aprovamos nada. Só na base da saliva, do sonho?’’, disse. Para ele, o país, que precisa de crédito suplementar de R$ 248 bilhões, está “à beira do abismo fiscal’’. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse em Nova York que há risco de colapso social.

Câmara convoca Weintraub e impõe derrota ao governo – Numa articulação de partidos do centrão e da oposição, a Câmara dos Deputados convocou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para falar hoje no plenário sobre os cortes no setor. Em outro ato de hostilidade ao governo, líderes do PP e do DEM cancelaram encontro com o presidente Bolsonaro.

Caso Flávio: quebra de sigilo atinge 55 pessoas da Alerj – Entre os alvos da quebra de sigilo na investigação sobre suposto esquema de rachadinha do ex-deputado Flávio Bolsonaro, hoje senador, estão 55 funcionários ou ex-servidores da Alerj, entre eles um primo do filho do presidente. Em outra frente, o MP apura a origem do dinheiro em transações imobiliárias de Flávio.

STJ decide, por unanimidade, libertar Temer – A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por 4 votos a 0, conceder a liberdade ao ex-presidente Michel Temer e ao coronel Lima. Os dois devem deixar a prisão hoje, mas terão que cumprir medidas cautelares e entregar o passaporte.

Outras notícias 

Na mira do MP, de perfumes a empresas imobiliárias – Participantes de negócios imobiliários envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) apareceram entre os alvos dos 95 pedidos de quebra de sigilo fiscal e bancário autorizados pela Justiça do Rio no fim de abril. Três empresas do ex-jogador de vôlei de praia Fábio Guerra, que comprou em 2017 um apartamento de Flávio na Zona Sul do Rio por R$ 2,4 milhões, terão suas informações levantadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) – além do próprio Fábio e de sua mulher, Jordana Guerra. Parte do pagamento deste apartamento foi por meio de dinheiro em espécie, de acordo com Fábio. Esta foi a justificativa apresentada pelo senador para os 48 depósitos feitos em sua conta bancária, no valor de R$ 2 mil cada , identificados pelo Coaf no início do ano. Duas das empresas que terão seu sigilo levantado entre 2007 e 2018 – a FGRF Beach Volley Eventos Esportivos e a L.A. Atividades de Recreação e Lazer -, usadas para que Fábio recebesse premiações nos tempos de jogador, estavam inativas no último ano. Já a Guerra Comércio de Cosméticos e Perfumes funciona, oficialmente, em uma sala comercial no centro do Rio, embora funcionários de outras lojas digam que raramente veem alguém no local. O GLOBO encontrou a porta fechada na manhã desta terça-feira. Segundo Fábio, que se disse surpreso por ter o sigilo quebrado, seus perfumes são vendidos em domicílio ou online. Outra empresa que terá seu sigilo levantado é a MCA Exportação e Participações, que tem entre seus sócios uma firma com sede no Panamá — também alvo de quebra de sigilo. Em 2010, a MCA comprou 12 salas comerciais de Flávio Bolsonaro em um prédio na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, onde funciona atualmente. Flávio havia comprado sete dessas salas 45 dias antes de fechar a venda e teria lucrado mais de R$ 300 mil no negócio, segundo a “Folha de S. Paulo”. Marcello Cattaneo Adorno e Delio Thompson de Carvalho Filho, dois sócios da MCA, também tiveram o sigilo quebrado pela Justiça.

A dama do ódio – A Corte Especial do STJ julga, hoje, uma queixa-crime contra a desembargadora Marília Castro Neves, do Rio, acusada de fomentar o ódio na internet. A ação foi movida pelo ex-deputado Jean Wyllys. Veja o que ela postou numa rede social: “Eu, particularmente, sou a favor de um ‘paredão’ profilático para determinados entes… Jean Willis [sic], por exemplo, embora não valha a bala que o mate e o pano que limpe a lambança, não escaparia do paredão….” Meu Deus! (Ancelmo Gois)

Decreto das armas é inconstitucional, diz nota técnica do MPF – A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão que integra o Ministério Público Federal (MPF), encaminhou na segunda-feira ao Congresso uma nota técnica classificando como inconstitucional o decreto que flexibilizou o porte de armas, editado pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada. Um resumo do texto também foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com a nota técnica, as alterações que foram realizadas por Bolsonaro no Estatuto do Desarmamento não poderiam ter sido feitas por meio de decreto, já que, como foram de encontro ao teor do Estatuto, deveriam ter sido submetidas ao Congresso. O texto foi assinado pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, e pelo procurador federal dos Direitos do Cidadão adjunto, Marlon Alberto Weichert. A nota técnica também diz que a justificativa de que o decreto cumpre uma promessa eleitoral — uma das razões citadas por Bolsonaro para embassar o decreto — ignorou “os princípios da legalidade e da separação de poderes, bem como o dever público de promover a segurança pública”. O texto ainda ressalta que, além de inconstitucional, o decreto também “afronta as bases científicas que reiteradamente demonstram que a expansão do porte de armas, longe de reduzir a violência, é prejudicial à segurança pública”.

Na Câmara, um dia de Lei Áurea, monarquia e reação negra – Uma sessão solene em homenagem aos 131 anos da assinatura da Lei Áurea, organizada pelos deputados Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL-SP), foi interrompida por entidades do movimento negro, que entraram no plenário da Câmara dos Deputados aos gritos de “parem de nos matar”. Um grupo de monarquistas, que acompanhava a sessão na manhã desta terça-feira, respondeu com “Isabel, Isabel”, em defesa da princesa que assinou a Lei Áurea. Na mesa, estavam também Delegado Waldir (PSL-GO), líder da sigla na Câmara, Paula Belmonte (Cidadania-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP), que é próxima de Luiz Philippe. Em uma tentativa de apaziguar os ânimos, Zambelli disse, no microfone. — Lembrando os senhores que, se a Marielle foi uma mulher livre, foi graças à Princesa Isabel — afirmou, em referência à vereadora Marielle Franco (PSOL), que era negra e foi assassinada no Rio de Janeiro no ano passado. Os manifestantes, que incluem representantes dos grupos Frente Favela Brasil, Unegro, Movimento Negro Unificado, Educafro e outros, responderam com as palavras de ordem “fascistas, não passarão”. Um dos monarquistas foi retirado do plenário por seguranças. Ao retomar a palavra após a interrupção da sessão, Luiz Philippe, descendente da antiga família real brasileira, disse que é preciso lutar contra a “natureza humana”, cujo instinto é de escravizar uns aos outros. Ele foi vaiado pelos ativistas.

Estado de S. Paulo – primeira página

Manchete: ‘A realidade é que estamos no fundo do poço’, diz Guedes

Em audiência na Comissão Mista do Orçamento do Congresso, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que “o Brasil está prisioneiro da armadilha do baixo crescimento” e “à beira de um abismo fiscal”. “Não adianta achar que vamos crescer 3%, a realidade é que estamos no fundo do poço”, afirmou. O governo já trabalha com uma estimativa menor para o crescimento da economia neste ano, em torno de 1,5%. Com isso, o corte de despesas deve ser ampliado. Depois de um contingenciamento de R$ 30 bilhões anunciado em março, a projeção é de um corte adicional de cerca de R$ 5 bilhões. Os fracos resultados no comércio e na indústria, aliados à queda de 0,7% na atividade do setor de serviços em março, reforçaram a percepção de que a atividade econômica no 1.º trimestre foi mais baixa do que se esperava. Economistas ouvidos pelo Estado dizem que há espaço para que o Banco Central corte a taxa básica de juros (a Selic), hoje em 6,5%, em até um ponto.

Universidades federais fazem atos hoje contra cortes de verba – Em resposta ao bloqueio de 30% dos orçamentos decidido pelo MEC, pelo menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País convocaram protestos para hoje. Eles terão apoio de universidades públicas estaduais. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que as universidades devem deixar de ser tratadas como “torres de marfim” e não descartou novos cortes.

Em novo revés do governo, Câmara convoca Weintraub – Deputados aprovaram ontem, por 307 votos a 82, a convocação do ministro Abraham Weintraub para explicar os cortes no MEC. A articulação para a convocação passou pelos líderes do Centrão, que se recusaram a participar de reunião com Jair Bolsonaro no Planalto. Os líderes do DEM, Elmar Nascimento, e do PP, Arthur Lira, alegaram “momento inoportuno” para o encontro.

Particulares aderem à greve – Pelo menos 33 escolas da rede privada de SP aderiram à paralisação. Federação de escolas particulares recomenda corte de ponto de quem parar.

Ministérios podem voltar – A MP da reforma administrativa perde a validade em 3 de junho. Se não for aprovada até lá, o governo pode ter de recriar até dez ministérios.

Por unanimidade, STJ solta Temer e coronel Lima – Por 4 votos a 0, a 6ª Turma do STJ mandou soltar Michel Temer e o coronel Lima, presos desde quinta. O presidente da Turma, ministro Nefi Cordeiro, enfatizou que não se pode prender apenas “como resposta a desejos sociais”.

Professora que vai virar filme usou diploma falso – Professora conhecida pela história de superação – que deve virar filme –, Joana D’Arc Félix de Sousa usou diploma falso para confirmar formação na Universidade Harvard e reconhece que mentiu ao dizer que entrou na faculdade aos 14 anos, revelam Felipe Resk e Renata Cafardo.

Outras notícias 

Governo avalia ter de recriar até 10 ministérios – Uma dúvida jurídica atormenta o Palácio do Planalto. Tudo porque, se a medida provisória que trata da reforma administrativa não for aprovada até 3 de junho pelo Congresso, perderá a validade. A situação já seria preocupante por si só, não fosse um detalhe ainda pior: se for derrotado nessa votação, o governo poderá ter de recriar até dez ministérios. Editada em janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro, a MP 870 diminuiu o número de pastas, de 29 para 22. O Planalto enfrenta dificuldades na Câmara e no Senado e já foi informado de que, se a medida não receber sinal verde, todas as fusões de ministérios serão desfeitas e repartições sairão do limbo. Agora, porém, há uma interpretação de que, em um cenário assim, a Esplanada pode até mesmo voltar a ter a configuração do governo de Dilma Rousseff, que tinha 32 pastas em 2015, menos de um ano antes do impeachment.

Convocação esquenta clima na Câmara – Foi tenso o embate entre o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), e o Centrão, segundo relatos, por conta da convocação do ministro da Educação. Em certo momento, Waldir disse a deputados que Abraham Weintraub dará uma “aula” no plenário. Um membro do Centrão rebateu: “Que bom, porque eu sou burro”. O líder do PSL, então, provocou: “Vem ensinar porque é professor, se fosse delegado, como eu, viria para prender”. A sugestão de que há ladrões na Casa esquentou o clima e ajudou na derrota acachapante do governo. Quando percebeu o erro cometido, o PSL tentou corrigir os rumos e orientou a votação contra a convocação de Weintraub em plenário. Já era tarde. Major Vitor Hugo (PSL-GO) só usou a tribuna às 19h55. Disse que a convocação do ministro seria uma “excelente oportunidade” para Weintraub. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), que nunca escondeu o incômodo com a atuação de Vitor Hugo, sondou um deputado do Centrão para substituir o líder na Câmara. Ficou sem resposta. (Coluna do Estadão)

Lá vem chumbo – Um acordo de líderes no Senado deverá trocar na CCJ o relator do projeto que analisará o recente decreto de Bolsonaro sobre o uso e porte de armas. Deixa o posto Marcos do Val (Cidadania-ES) e entra Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), considerado refratário ao teor do texto. A articulação para dar urgência ao projeto ocorreu com o aval do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que está em Nova York. Com isso, o Senado também indica que enxerga inconstitucionalidade no decreto. (Coluna do Estadão)

Para Eduardo, bomba nuclear ‘garante a paz’ – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, afirmou que a posse de armas nucleares “garante a paz” e disse ainda que o “politicamente correto” o impede de falar sobre a possibilidade de guerra com a Venezuela. “Se nós tivéssemos um efetivo maior, talvez fôssemos levados mais a sério pelo (Nicolás) Maduro, ou temidos pela China ou pela Rússia”, afirmou. “São bombas nucleares que garantem a paz ali… cadê o colega do Paquistão? Como é que é a relação do Paquistão com a Índia se só um dos lados tivesse uma bomba nuclear? Será que seria da mesma maneira que é hoje? Óbvio que não. Quando um desenvolveu a bomba nuclear, o outro desenvolveu no dia seguinte e ali está selada, ao menos minimamente, uma espécie de paz. Eu sou entusiasta desta visão”, afirmou o deputado em reunião do colegiado que preside. Não é a primeira vez que o filho do presidente fala em defesa da manutenção de armas nucleares. Em 2016, em vídeo nas redes sociais, ele afirmou que a posse de armas nucleares aumenta o papel de destaque de um país.

Líderes falam em recuo no MEC, mas governo nega – Deputados que haviam se reunido com o presidente Jair Bolsonaro na tarde de desta terça-feira, 14, disseram após o encontro que o governo iria rever o bloqueio de recursos no orçamento da Educação. Líderes de quatro legendas, entre eles do partido do próprio presidente, disseram que Bolsonaro telefonou para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e determinou que novos cortes deixem de ser feitos. A informação foi dada pelos líderes do PSL, Delegado Waldir (GO), do Novo, Marcel Van Hattem (RS), do Podemos, José Nelto (GO), e do Cidadania, Daniel Coelho (PE). “O presidente falou que não haverá contingenciamento na pasta da Educação”, disse Diego Garcia (Pode-PR), que participou da reunião. Estavam presentes ainda parlamentares de PV, PSC e Patriotas. A reunião ocorreu às 18h, logo após a Câmara aprovar a convocação de Weintraub. Após deputados narrarem a ordem de recuo no MEC, a Casa Civil desmentiu em nota: “Não procede à informação de que haverá cancelamento do contingenciamento no MEC. O governo está controlando as contas públicas de maneira responsável”. O MEC afirmou que a ligação entre o presidente e o ministro nem sequer existiu. Após a confusão, Weintraub dirigiu-se ao Planalto para falar com o presidente. Segundo o MEC, Bolsonaro disse a ele que o bloqueio será mantido. O Ministério da Economia disse em nota que a Presidência não pediu revisão no contingenciamento.

Campanha de R$ 35 milhões da Petrobrás irrita assessores do Planalto – Assessores do Planalto ficaram indignados ao saber que a Petrobrás vai gastar R$ 35 milhões numa campanha na internet sobre a Jornada do Conhecimento – o objetivo é estimular crianças a se tornarem cientistas. Fazem uma comparação: a verba total para defender a reforma da Previdência não vai além de… R$ 40 milhões – já incluídas todas as mídias, digitais e tradicionais. Ou seja, entendem que o governo Bolsonaro precisa definir melhor as prioridades na mídia. (Direto da Fonte)

Ataque – O site de PSB, que faz campanha contra a reforma da Previdência proposta pelo governo, foi hackeado ontem. Durante algumas horas exibiu foto de Jair Bolsonaro fazendo… o clássico gesto de arma. (Direto da Fonte)

Folha de S.Paulo – primeira página 

Manchete: Governo quer mais FGTS no Minha Casa Minha Vida

Sem verba para manter o Minha Casa Minha Vida, o governo federal estuda reduzir de 10% para 3% sua participação no subsídio de faixas do programa. Recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) seriam usados para repor essa diferença. A diminuição da participação seria uma forma de destravar o programa e permitir novas contratações. No fim de abril, o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, anunciou que o governo teria recursos só até junho para manter seu funcionamento. A redução da participação se daria nas faixas 1,5 e 2 do programa habitacional. Pelas regras em vigor, os subsídios vão até R$ 47,5 mil nos imóveis da faixa 1,5, voltado para famílias com renda até R$ 2.600, e até R$ 29 mil na faixa 2, para as que têm renda até R$ 4.000. Atualmente a maior parte dos incentivos já vem do orçamento do FGTS (90%). A fatia do Tesouro Nacional seria reduzida para 3%. Com menos necessidade de aporte do governo, a expectativa é a de que mais famílias possam ser atendidas pelo programa.

Com críticas a abusos da Justiça, STJ solta Temer – Por unanimidade, a 6ª Turma do STJ determinou a soltura do ex-presidente Michel Temer (MDB), preso preventivamente em São Paulo desde quinta (9). João Baptista Lima Filho, amigo de Temer e acusado de operar propina, também foi liberado. Em tom crítico, ministros usaram expressões como “indevida antecipação de pena” e “caça às bruxas”.

Após ser alvo de fake news, general pede investigação – O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, disse à Folha ter sido alvo de montagem criminosa que tinha como objetivo “criar atrito, falar mal do presidente, um absurdo”.

Protestos são convocados contra cortes de verba para educação – Manifestações previstas para hoje foram organizadas por sindicatos de professores e servidores de universidades. Devem ter a adesão de estudantes e trabalhadores da educação das redes pública e privada de ensino fundamental e médio. Dezenas de escolas particulares em São Paulo, no Rio e em outros estados planejam parar. O principal objetivo é mostrar à população a importância das universidades no ensino, na pesquisa e na prestação de serviços à sociedade.

Bloqueios podem asfixiar ciência do país – O médico oncologista Paulo Hoff, 50, vê com preocupação os cortes em educação e ciência realizados pelo atual governo. “Todos nós queremos o melhor uso do recurso público, mas isso dificilmente se resolve no facão”.

Outras notícias

Toffoli cita problemas de juízes na política – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, defendeu nesta terça-feira (14) o que chamou de autocontenção do Poder Judiciário e disse que a política —e não a Justiça— é o instrumento capaz de resolver problemas e tratar do futuro do país. Durante palestra a investidores e empresários em Nova York, Toffoli afirmou que toda vez que juízes entram na seara política “temos problemas com o Parlamento”, e que os magistrados que têm desejos precisam mudar para o outro lado do balcão, assim como fez Sergio Moro ao assumir o Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro. Um dos exemplos citados pelo ministro foi o da Justiça Eleitoral, que muitas vezes cassa a candidaturas de nomes depois de eleitos. “Não podemos substituir a vontade das urnas pela vontade do juiz eleitoral”, afirmou. Num discurso em que fez acenos aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que também participavam do evento nos EUA, Toffoli defendeu ainda a necessidade de aprovar a reforma da Previdência como forma de abrir espaço para investimentos no Brasil.

Temos confiança no Flávio Bolsonaro, afirma Onyx – O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, saiu em defesa nesta terça-feira (14) do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e disse que a quebra do sigilo do filho do presidente Jair Bolsonaro não prejudica a atual gestão. No final de abril, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. A iniciativa é o primeiro passo judicial no rastro da investigação que apura movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária de Queiroz. Para o ministro, o episódio “de jeito nenhum” causa danos à imagem do governo Bolsonaro e tem de ser resolvido no âmbito processual, não interferindo na agenda do Executivo no Poder Legislativo.

Vaticano reconhece novo milagre de Irmã Dulce, que será proclamada santa – A religiosa baiana Maria Rita Lopes Pontes, a Irmã Dulce, teve o seu segundo milagre reconhecido e será proclamada santa pelo Vaticano — a primeira mulher nascida no Brasil com esse título. A informação foi publicada na manhã desta terça-feira (14) pelo Vatican News, canal oficial de notícias da Santa Sé. Sem entrar em detalhes, as Organizações Sociais Irmã Dulce e a Arquidiocese de Salvador informaram que o milagre está relacionado à cura de visão de uma pessoa cega que passou a enxergar. Nascida em 1914, em Salvador, Irmã Dulce, que ficou conhecida como “anjo bom da Bahia”, teve uma trajetória de fé e obstinação na qual enfrentou as rígidas regras de enclausuramento da Igreja Católica para prestar assistência a comunidades pobres de Salvador, trabalho que realizou até a morte, em 1992.

Feliciano ataca militares do governo e diz não ser mais idiota político – ntegrante da bancada evangélica que se aproximou mais ainda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) nos últimos tempos, o deputado Pastor Marco Feliciano (Pode-SP), 46, afirmou em entrevista à Folha que o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, minam a autoridade do presidente e o fazem parecer um “estelionatário eleitoral”. “As pessoas deveriam só entender qual é seu lugar. Nós falamos do Mourão, ele se aquietou, tá lá agora, é só o vice-presidente, como tem que ser. Santos Cruz tem que fazer a mesma coisa.” Os dois generais são os principais alvos da ala ideológica do governo, ligada ao escritor Olavo de Carvalho.

Decisão do STJ sobre Temer é sinal ‘pedagógico’ contra abusos – Pelo peso de uma decisão unânime, o veredito do STJ a favor da libertação do ex-presidente Michel Temer foi lido no Congresso e entre magistrados de cortes superiores como o primeiro sinal enfático e “pedagógico” do tribunal contra “abusos nas prisões preventivas”. Com o foco da Lava Jato sob o Rio, a sentença produzida pela corte, avaliam juristas, deputados e senadores, indica a Marcelo Bretas e aos juízes do TRF-2 que novas medidas deste tipo encontrarão resistência em Brasília. Um ministro do STJ comentou, no início desta semana, que a corte errou ao ter deixado Temer passar o fim de semana encarcerado. O caso do ex-presidente foi o mais rumoroso de prisão preventiva já analisado pelo tribunal. (Painel)

Correio Braziliense – primeira página

Manchete: Câmara exige que ministro explique cortes na Educação 

Na véspera da paralisação em protesto contra o bloqueio de verbas das universidades, deputados impõem nova derrota ao governo e aprovam a convocação de Weintraub.

Só reforma salva o país, diz Guedes – Ministro da Economia defende, no Congresso, a aprovação de crédito suplementar de R$ 246 milhões para conseguir quitar débitos com Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Bolsa Família e Plano Safra. Sem mudanças nas regras da aposentadoria, afirmou Guedes, a economia não voltará a crescer.

A santa luz que vem da Bahia – Irmã Dulce será canonizada pelo papa Francisco, após o Vaticano reconhecer um segundo milagre dela. A freira dedicou a vida a causas humanitárias e será chamada de Santa Dulce dos Pobres.

Solidariedade dá asas! – Voluntários e frequentadores da Biblioteca Braille Elmo Luz, na 612 Sul, ajudam deficientes visuais nos estudos para vestibulares e concursos públicos. Com o trabalho realizado no centro, Viviane Santos foi aprovada em curso de letras da UnB. “Deveriam existir mais espaços assim, com estrutura de qualidade”, diz a estudante.

Depois da ameaça, outro feminicídio – Morador da invasão da Chácara Santa Luzia, um homem matou a companheira a facadas. Ele jogou o corpo na tubulação de esgoto. Segundo vizinhos, o assassino disse à vítima, no mês passado, que a mataria.

STJ garante Temer livre – Sexta Turma segue o relator, ministro Antonio Palheiro, e decide, por unanimidade, permitir que o ex-presidente responda em liberdade ao processo por corrupção nas obras de Angra 3.

Outras notícias

Bolsonaro culpa Legislativo por fiasco – O presidente Jair Bolsonaro decidiu partir para o contra-ataque, após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abandonar a articulação política do governo. O chefe do Executivo federal usou as redes sociais para pressionar o Congresso a aprovar as reformas governistas. A estratégia é devolver a pressão imposta pelo Centrão ao Palácio do Planalto, entornando o caldo sobre o parlamento e jogando sobre os congressistas a responsabilidade pela geração de emprego e renda. A economia brasileira está estagnada. Os índices de desemprego continuam altos e a geração de postos de trabalho é pior do que em relação ao ano passado. Mas, em vez de tomar medidas efetivas para mudar esse quadro, Bolsonaro busca lavar as mãos e deixar que o parlamento lide com a fervura junto à sociedade. “Não esqueçamos que precisamos do Congresso para que possamos, definitivamente, decolar economicamente e realizar as tão necessárias transformações econômicas que o Brasil precisa”, escreveu, ontem, no Twitter. Na vida real, contudo, o governo não faz as articulações que deveria. O Planalto tenta, ainda, se isentar dos protestos que começam hoje com a greve nacional na educação. O discurso é de que a aprovação da reforma da Previdência, em tramitação no Congresso, pode descontingenciar os recursos cortados de universidades e instituições educacionais.

Sem reforma, projeção do PIB cai para 1,5% – Projeto de Lei orçamentária para 2020, Previdência, Produto Interno Bruto, Imposto de Renda, salário mínimo e crédito extra. Esses foram os principais assuntos abordados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão Mista do Orçamento, na Câmara dos Deputados. No encontro, Guedes pediu que o Congresso aprove um crédito suplementar de R$ 246 bilhões para quitar débitos com a Previdência, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Bolsa Família e Plano Safra. Sobre o salário mínimo, está cotado em R$ 1.040 para 2020. Ele disse, ainda, que a previsão do PIB recuou de 2,2% para 1,5% (a pasta apresentará uma estimativa oficial abaixo de 2% em 22 de maio) e, mais uma vez, atrelou qualquer possibilidade de crescimento do país à aprovação da reforma da Previdência antes de qualquer outro projeto. Guedes disse, ainda, que a demora na aprovação da reforma da Previdência causou o recuo na previsão do PIB, mas também destacou que, se a proposta de emenda na constituição passar, o crescimento pode aumentar. Sobre o crédito extra, o governo precisa de 257 votos de deputados e outros 47 de senadores para conseguir a verba, sendo “R$ 200 bilhões para a Previdência, R$ 30 bilhões para o BPC, R$ 8 bilhões em Bolsa Família e R$ 10 bilhões de Plano Safra”. Segundo o ministro sem a ajuda, o Bolsa Família pararia em setembro e o BPC em agosto.

Imposto de Renda – “O presidente Jair Bolsonaro é que falou que atualizaria a tabela do Imposto de Renda pela inflação, eu não disse nada. Estamos no meio de uma batalha da Previdência, não adianta me distrair com outra tabela de IR”, afirmou. O ministro disse que não faria sentido corrigir a tabela em um momento em que o governo tenta aprovar a reforma da Previdência para cortar gastos. Em audiência no Congresso Nacional, Guedes disse que a correção da tabela defasada custaria de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, o que seria um gasto muito grande, segundo ele. Outro tópico levantado foi o salário mínimo, que ficará em R$ 1.040 a partir de 2020. Assessor do ministro da Economia, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, disse que, com as reformas que o governo precisa, esse cálculo poderá mudar. Ele explicou que a projeção leva em conta o valor anterior corrigido pelo INPC. “Não é nossa política de salário mínimo. Temos até dezembro para ver qual é a dinâmica da economia”, disse.

Defesa de regra única – A retirada dos estados e municípios da reforma da Previdência, medida que tem sido defendida por parte do Centrão, não é aprovada pelo governo. Para o secretário adjunto de Previdência do Ministério da Economia, Narlon Gutierre Nogueira, as regras de aposentadoria e pensão devem ser as mesmas para servidores da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios — como está no texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019. Ontem, em audiência pública sobre os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), na Comissão Especial que discute a reforma na Câmara, o representante do governo recomendou aos deputados “refletir mais” sobre o assunto. “O governo defende aquilo que foi encaminhado: que valha para União, estados e municípios”, reforçou. Dois pontos ainda precisariam ser adaptados por leis: a criação dos regimes de previdência complementar e a definição da alíquota de contribuição, que sobe direto para 14%, mas pode ser alterada. “Mesmo com as regras valendo de forma imediata, assembleias e câmaras municipais terão que, posteriormente, aprovar lei para adequar o texto à Constituição”, explicou Gutierre. O secretário lembrou que, com as mudanças propostas na reforma, os estados e o DF poderão economizar, em 10 anos, R$ 299 bilhões. Entre os municípios, o ganho é estimado em R$ 170,4 bilhões. “A principal causa da deterioração financeira dos estados é o aumento da despesa com pessoal”, afirmou.

Primo de Flávio tem sigilo quebrado – A quebra do sigilo bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) se estendeu a Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo do parlamentar e dos filhos do presidente Jair Bolsonaro. Ele está entre os ex-funcionários do gabinete de Flávio que terão as contas bancárias investigadas por autorização do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Os dois trabalharam juntos entre novembro de 2006 e janeiro de 2012, quando o agora senador era deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Atualmente, Léo Índio é assessor do senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Flávio mantém o discurso de que a queda de sigilo é uma manobra para “esquentar informações ilícitas” que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) “já possui há vários meses”. Ele afirmou que a “verdade prevalecerá. “Nada fiz de errado”, ressaltou.

Oposição arma arapuca – A quebra de sigilo do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) levou um grupo de oposicionistas a buscar os gastos do presidente Jair Bolsonaro enquanto deputado federal e a lista de todos aqueles que trabalharam em seu gabinete parlamentar. Os oposicionistas farão o cruzamento dessa listagem com a daqueles que algum dia foram lotados no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A ordem é deixar tudo pronto para quando, e se houver, desgaste do presidente. A intenção dos oposicionistas é usar nesse caso o mesmo sistema que o Ministério Público usou em relação ao ex-presidente Michel Temer. Enquanto ocupou o cargo, Temer não foi processado por nada relativo ao inquérito dos portos. Mas as investigações não cessaram. Agora, uma parte dos adversários de Bolsonaro planeja seguir o mesmo script. (Brasília-DF)

Devoto antigo – O ex-presidente José Sarney está radiante com a notícia de que Irmã Dulce se tornará santa, por decisão do Vaticano. “Maior e mais iluminada e bela notícia não podia ter. Pedia sempre a Deus que não me chamasse sem vê-la santificada na Terra, já que no céu já está”, disse ao Correio. “Irmã Dulce não era feita de carne. Era bondade e amor. Ela está sempre no meu coração e na medalha que carrego comigo. O Espírito Santo existe: foi Ele que a reconheceu Santa”. A admiração sempre foi tão grande que, em 1988, Irmã Dulce foi indicada por Sarney, então presidente da República, para receber o Prêmio Nobel da Paz. (Eixo Capital)

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Governo prepara novo programa habitacional

Em uma tentativa de estimular a construção civil, um dos setores que mais emprega trabalhadores, e de reduzir o déficit habitacional, o governo está elaborando um novo programa para substituir o Minha Casa Minha Vida. De quebra, o programa pode ajudar a União a desovar parte de seu patrimônio imobiliário, que no fim do ano passado estava avaliado em R$ 947 bilhões.

Taxações são só o começo de confronto protecionista – Mesmo com os anúncios de sobretaxas nas importações, Estados Unidos e China mantêm negociações, mas a possibilidade de um acordo comercial parece distante.

Weintraub é convocado pela Câmara – Pressionado por uma greve nacional da educação convocada para hoje, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, terá de enfrentar também o plenário da Câmara. Os deputados cobram de Weintraub explicações sobre o contingenciamento orçamentário em universidades e institutos federais.

Veio para ficar – A Rappi, empresa de entregas do colombiano Sebastian Mejía, chegou ao Brasil há 18 meses e cresce 30% ao mês. Acaba de receber aporte de US$ 1,2 bilhão e vai fincar pé no país.

Múltis investem na carne de laboratório – A proteína do futuro pode não ser de insetos, como previam obras de ficção científica, nem de soja ou outros vegetais. Deverá ser a carne de laboratório, tão saborosa quanto a natural, desenvolvida a partir de células de animais que não precisam ser sacrificados.

Gestora ganha 27% em dólar com Brasil – Uma empresa brasileira deve proporcionar o maior retorno histórico global da gestora americana de private equity General Atlantic (GA), há 20 anos no Brasil. “A XP Investimentos provavelmente vai ultrapassar o retorno líquido que tivemos com a Alibaba, de US$ 1,5 bilhão”, diz Bill Ford, presidente global.

Credores da Sete Brasil mudam plano – Os credores da Sete Brasil se reunirão no dia 28 para deliberar sobre mudanças no plano de recuperação judicial da empresa de sondas.

Outras notícias

Aceno populista ignora crise fiscal – Ao determinar que o Ministério da Economia corrija pela inflação os valores da tabela do Imposto de Renda (IR) das pessoas físicas, o presidente Jair Bolsonaro demonstrou ignorar, mais uma vez, a gravidade das contas públicas. Para piorar, admitiu a possibilidade de elevar os limites de abatimento, da base de cálculo do mesmo imposto, os gastos das famílias com educação e saúde.

Especulação sobre Moro reanima PEC da Bengala – A possível indicação do ministro da Justiça, Sergio Moro, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) tão logo isto seja possível – um compromisso assumido pelo presidente Jair Bolsonaro com o ex-juiz da Lava-Jato quando do convite para integrar o governo, segundo relato do próprio presidente – acelerou movimentos no Congresso Nacional tanto para aumentar a troca de ministros na Corte quanto para impedir Bolsonaro de fazê-lo.

Sou a favor da reforma, mas com equilíbrio, diz FHC – O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), disse ontem ter “levado pau” ao afirmar em redes sociais que a reforma da Previdência precisa olhar aspectos sociais, além da economia. “Sou favorável à reforma da Previdência. Eu tentei quando era presidente. Acho que tem que ter uma idade mínima”, afirmou ontem em evento com representantes da Força Sindical. O grupo de 20 pessoas foi recebido pelo tucano depois de um pedido do presidente da central, Miguel Torres.

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