Tudo de todos os jornais de terça-feira (22)  | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Pressionado por caminhoneiros, governo suspende tabela de frete

Temendo uma repetição da greve do ano passado, o governo recuou e suspendeu a nova tabela de frete, que havia entrado em vigor no sábado. A maioria dos valores era inferior aos da tabela de abril, o que desencadeou pressões. Houve bloqueio de estrada na Paraíba e relatos de protestos também em Pernambuco, Ceará e Minas Gerais. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, recebeu carta branca para negociar. Os caminhoneiros ainda estão insatisfeitos, exigindo maior remuneração. Medidas adotadas em benefício da categoria após a greve ainda não deslancharam.

Saque do FGTS deve ter limite de R$ 500 – A partir de setembro, o governo deverá autorizar saque emergencial de R$ 500 em cada conta ativa ou inativa de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos trabalhadores brasileiros. Regras para retiradas anuais de um percentual do saldo entrarão em vigor só em 2020.

Risco-país cai e pode levar à redução dos juros – A percepção do risco de investir no Brasil caiu após a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara, atingindo o patamar mais baixo em cinco anos. Segundo especialistas, isso vai contribuir para a redução da taxa de juros e para atrair investimentos estrangeiros.

Projeto libera garimpo em terras indígenas – O governo federal deve enviar ao Congresso projeto de lei que prevê exploração mineral em áreas indígenas. De acordo com o texto, os índios, que poderão vetar a atividade, receberão royalties das mineradoras. Por falta de regulamentação, a extração é vetada nesses locais. Líderes indígenas criticaram a iniciativa.

Conselho sobre drogas terá só nomes do governo – Decreto do Planalto reduziu de 28 para 14 os membros do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), que terá apenas indicados pelo governo federal. Foram excluídos todos os representantes de conselhos profissionais, da OAB e da SBPC. Para Bolsonaro, medida “acaba com o viés ideológico nas discussões”.

EUA ameaçam sanções a brasileiros por importar produto do Irã. 

Merval Pereira: “Presidente desmoraliza o Inpe”. 

Notícias de O GLOBO

Jorge Oliveira: ‘Ele (o presidente) é muito franco’ – Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência há pouco mais de um mês, Jorge Oliveira credita a repercussão negativa de declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro ao “seu jeito de ser muito honesto”. Para ele, muitas vezes se dá uma conotação “muito pejorativa” a falas de Bolsonaro por causa da “forma de se pronunciar”, que “não representa na essência o que ele pensa e o que ele é como pessoa”. — Ele é muito franco com as palavras, é muito simples. Não se prende ao politicamente correto, não segue protocolos. É da natureza dele. Faz sempre de forma muito espontânea. Ele sempre foi assim. E não mudou como presidente — disse Oliveira, em entrevista ao GLOBO. Para o ministro, que foi funcionário de Bolsonaro também em alguns de seus mandatos como deputado, “qualquer ruído que se tenha toma uma proporção muito grande”. Ele diz, no entanto, achar bom que o presidente não evite declarações polêmicas, já que isso evidenciaria sua autenticidade. O que Bolsonaro gosta ou não, “fica muito claro para qualquer um”, já que “ele não tem essa polidez de resguardar uma colocação”. O ministro reconhece que é “lógico” que esse comportamento “não vai agradar todo mundo sempre”.

Militar ‘melancia’ teve outros embates – Alvo de Jair Bolsonaro, o general da reserva Eduardo Rocha Paiva — chamado de “melancia” pelo presidente — tem um histórico de embates com a família. Anteriormente, o militar já havia criticado os filhos de Bolsonaro Carlos e Eduardo. Domingo, no Twitter, Bolsonaro chamou Paiva de “melancia”— verde por fora(referência ao uniforme militar) e vermelho por dentro (comunista) —, após o general criticá-lo pela declaração sobre “governadores de paraíba”. Ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Paiva disse que o comentário de Bolsonaro é “antipatriótico” e “incoerente para quem diz Brasil acima de tudo”. Paiva já havia chamado Carlos de “pau-mandado de Olavo (de Carvalho, ideólogo de direita)” e “idiota inútil”, num grupo de WhatsApp. Em resposta, Carlos sugeriu que o general era de um grupo de militares que “nunca lideraram nem guerra de travesseiros”. O definiu como “recruta” que “jamais abriu significativamente a boca quando o PT assaltava o país”. Em outro episódio, o general disse que a indicação de Eduardo para a embaixada nos Estados Unidos seria um “suicídio de reputação”. O general também ganhou notoriedade pelas críticas à ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Paiva duvidou da tortura sofrida por ela durante a ditadura militar. No prefácio da 9ª edição de “A verdade sufocada” (2006), de Carlos Alberto Brilhante Ustra, Paiva parabeniza o ex-chefe do DOI-Codi pelas “virtudes de coragem moral e física, perseverança e patriotismo”.Embora Ustra tenha negado a prática de torturas e assassinatos, o militar, que morreu em 2015, teve o nome relacionado a 60 mortos e desaparecidos.

Rede aciona STF contra decisão de Toffoli sobre dados do Coaf – A Rede Sustentabilidade entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a decisão do presidente da Corte, Dias Toffoli, que paralisou todos os processos judiciais e inquéritos com base no compartilhamento de dados entre órgãos de fiscalização e de investigação sem autorização da Justiça. O partido argumenta que a decisão de Toffoli vai contra a jurisprudência do Supremo e atinge profundamente as investigações no país. “Ao permitir a livre atuação de organizações criminosas, o ministro permite a violação, até que sua decisão seja cassada, do direito de todos os brasileiros e residentes no país à segurança”, defende a sigila. O pedido foi enviado para análise do vice-presidente da Corte, ministro Luiz Fux. Durante o recesso do mês de julho, cabe ao presidente do STF tomar decisões consideradas urgentes. Como a ação da Rede é contra uma decisão do próprio Toffoli, o ministro não ficará responsável por examiná-la. O relator é Ricardo Lewandowski, a quem caberá tocar o processo a partir de agosto, quando o STF voltará a funcionar plenamente após o fim do recesso.

‘Paraíba’ com muito orgulho – Correu a rede, no fim de semana, o vídeo em que a grande sambista Alcione, a Marrom, pede “respeito” a Bolsonaro —na sexta, como se sabe, o presidente chamou de “paraíba” o povo nordestino. Desde então, apesar dos ataques das hostes bolsonaristas, a sambista… ganhou seguidores. Foram 40 mil no Instagram, 13 mil no Facebook e 4,5 mil no Twitter. (Ancelmo Gois)

EUA ameaçam sanções a brasileiros – O governo brasileiro foi alertado há cerca de três semanas pelo governo americano de que a importação do fertilizante ureia do Irã está sob restrições impostas pelos Estados Unidos, e que empresas brasileiras, incluindo portos, que ajudem a viabilizar o comércio do produto estarão sujeitas a sanções. O alerta envolve o caso dos navios iranianos Termeh e Bavand, parados desde o início de junho no porto de Paranaguá porque a Petrobras se recusa a abastecê-los, alegando que pode ser alvo de punições de Washington. Os navios foram fretados pela empresa brasileira Eleva, e a carga de ureia que trouxeram do Irã já foi descarregada no mês passado. Eles deveriam voltar ao país persa com 100 toneladas de milho — o Irã compra um quinto do grão exportado pelo Brasil. A operação é classificada como “comércio compensado”, por não envolver pagamento iraniano em dinheiro, já que Teerã está com reservas reduzidas por causa das sanções aplicadas pelos EUA desde que abandonaram unilateralmente, em maio de 2018, o acordo nuclear assinado entre as principais potências e o país do Golfo Pérsico. A Eleva afirma que as embarcações entraram legalmente no Brasil e que comprou a ureia de empresas iranianas que não estão na lista de entidades sancionadas pelos EUA. Por isso, diz, não havia necessidade de pedir uma licença especial a Washington. — A Eleva, empresa brasileira e não sancionada, está tentando comprar combustível para concluir a exportação de milho que, por ser alimento, não é sujeito a qualquer tipo de sanção — disse ao GLOBO o advogado Rodrigo Cotta, do escritório Kincaid Mendes Vianna Advogados, que representa a empresa.

O ESTADO DE S.PAULO – primeira página

Manchete: Desmonte ameaça força-tarefa da Operação Zelotes

Deflagrada em 2015 para investigar esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a Operação Zelotes sofre processo de desmonte. O alerta foi feito pelo chefe substituto da Procuradoria do DF, Cláudio Drewes. “Decisão que permitiu o encerramento compulsório da força-tarefa sinaliza diminuição no esforço em combater a corrupção”, escreveu em nota publicada e depois removida do site da Procuradoria. Ele se refere à saída do procurador Alexandre Ismail, devolvido por decisão da procuradora-geral, Raquel Dodge, para Roraima. O outro procurador da Zelotes, Frederico Paiva, acompanha o caso dos EUA. Por isso, pelo menos seis audiências foram feitas por procuradores sem familiaridade com a operação. A PGR nega o esvaziamento e diz aguardar pedido para que novo nome seja indicado para a equipe.

Caixa e BB já venderam R$ 16 bi em ativos no ano – Por orientação da equipe econômica, Caixa e Banco do Brasil se anteciparam ao pacote de privatizações que o governo prepara e já venderam quase R$ 16 bilhões em ativos em 200 dias do governo Bolsonaro. O BNDES, envolvido com a mudança de comando e a orientação para que levante operações de governos anteriores, está mais atrasado no processo, mas seu presidente, Gustavo Montezano, disse que também venderá ativos.

Bolsonaro quer ver dados de desmate antes da divulgação – Em meio às críticas que tem feito ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o presidente Jair Bolsonaro disse que quer ser informado sobre os dados de desmatamento da Amazônia antes da divulgação para não ser “pego de calças curtas”. Ele voltou a dizer que a divulgação do aumento do desmatamento pode causar “enorme estrago para o Brasil”. Segundo o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, o governo já recebe previamente dados.

Saque de R$ 500 no FGTS – Governo estuda limitar a R$ 500 os saques das contas ativas e inativas do FGTS neste ano. Informação foi antecipada pelo estadao.com.br.

Cientistas defendem Inpe – A comunidade científica e especialistas em monitoramento de desmatamento saíram em defesa da transparência das informações.

Governo cede e cancela nova tabela de frete – Alvo de críticas dos caminhoneiros, que ameaçavam entrar em greve, a nova tabela de frete, em vigor desde sábado, foi suspensa ontem. Com isso, continua valendo a tabela de 2018. Segundo a agência reguladora do setor, a revogação considerou a “insatisfação de parcela significativa” dos caminhoneiros.

Conselho antidrogas será restrito a governo Metrópole. 

Inauguração na BA vira teste para o presidente Política.

João Amoêdo: Renovação sim, mas sem atalhos – Os eleitos dissidentes com origem em movimentos de renovação cumpriram importante dever cívico ao se envolver com a política e contribuíram com o País ao votar pela reforma da Previdência, mas erraram ao fazer a escolha partidária. Erraram ainda mais os que usaram recursos públicos para financiar suas campanhas.

Eliane Cantanhêde: “Nas democracias, governantes devem ter relações institucionais e ampliar contatos e aliados. Jair Bolsonaro faz o oposto”.

Notícias do Estadão

Decisão de Toffoli afeta projeto contra lavagem de dinheiro – Além de suspender investigações em todo o País, a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de proibir o compartilhamento de informações de órgãos de controle sem aval de Justiça coloca em risco um projeto do Ministério da Justiça que existe desde 2007. O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) tem como uma das suas principais funções analisar dados bancários em busca de indícios de irregularidades. A iniciativa surgiu de uma proposta da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), maior fórum de órgãos públicos e empresas na prevenção e repressão aos crimes de colarinho branco no País, e reúne 43 laboratórios espalhados pelo País. Para a promotora Mylene Comploier, coordenadora da iniciativa no Ministério Público de São Paulo, no entanto, o trabalho agora será prejudicado. A equipe de Comploier é responsável por fazer uma análise prévia dos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para só então remetê-los aos promotores de Justiça, que podem iniciar uma investigação com os dados. Isso tudo sem passar pela análise prévia de um juiz. “(A decisão de Toffoli) Atinge frontalmente, tanto a atividade do laboratório como as atividades de investigação”, afirmou a promotora ao Estado. A necessidade de autorização judicial para que os promotores passem a usar as informações é um contrassenso, na visão de Comploier. “É colocar um degrau a mais na investigação. Não é que se quer fugir do Judiciário, mas no mundo inteiro funciona dessa forma”, afirmou a promotora. “Se você demora a tomar uma medida para investigar, pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.” Ela rejeita a ideia de que os relatórios representam uma devassa na vida do cidadão. “São operações pontuais, apenas um pontapé inicial”, afirmou Comploier.

‘Falta apenas ouvir o Queiroz’, diz Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro defendeu ontem o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), seu filho mais velho, e disse que todas as suspeitas contra ele já foram “esclarecidas”. “Está faltando apenas ouvir o Queiroz”, afirmou o presidente, em referência ao ex-assessor do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Fabrício Queiroz. Flávio é alvo de investigações em ao menos três órgãos. Na principal delas, o Ministério Público do Rio apura se havia um esquema de repasse de parte do salário de funcionários do gabinete de Flávio, prática conhecida como “rachadinha” . Conforme revelou o Estado em dezembro, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostrou que Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Relatório do Coaf também mostrou que Flávio recebeu em sua conta 48 depósitos, num intervalo de cinco dias, feitas em uma agência dentro da Alerj e no mesmo valor: R$ 2 mil. “Esse depósito, feito por envelope, o limite é de R$ 2 mil. Não sei quantos, talvez milhões de depósitos são feitos por semana neste sentido”, disse Bolsonaro ao justificar os repasses.

Planalto tenta ‘pacificar’ sua comunicação – Após o final de semana de caneladas do presidente Jair Bolsonaro e de seu entorno, o Planalto deflagrou uma operação paz e amor, a ser tocada por Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). O general, recém-empossado, começou a fazer o meio-campo entre os desarticulados Fábio Wajngarten (Secom) e Rêgo Barros, o porta-voz. Em longas reuniões, ficou definido que eles precisam se acertar, caso contrário, a própria estrutura da Comunicação pode ser revista, com a possibilidade de o cargo de porta-voz ficar abrigado em outro estrutura. O primeiro teste será o próximo café de Bolsonaro com jornalistas. Previsto para agosto, ele deverá ter nova configuração e maior ingerência de Wajngarten. Atualmente, esses encontros são organizados por Rêgo Barros. A propósito: apesar das teorias conspiratórias sobre as postagens do áudio captado do cochicho entre o presidente e o ministro Onyx Lorenzoni, em que a TV Brasil ficou na berlinda, uma sindicância foi feita no final de semana. A conclusão é de que não houve dolo, mas sim um “erro” na comunicação. Ninguém deve ser demitido. O episódio serviu para a criação de novos protocolos envolvendo vídeos com o presidente, supostamente mais seguros. Foi justamente nesse cochicho, com câmeras e microfones ligados, que Bolsonaro criticou governadores do NE. O descontentamento com o formato dos encontros entre Bolsonaro e jornalistas é antigo. Uma das críticas: perfis diferentes em um mesmo encontro, como o que envolveu a apresentadora Luciana Gimenez e profissionais especializados em política. (Coluna do Estadão)

Muda para o que? – O cineasta Fernando Meirelles disse temer que mudanças anunciadas pelo governo para a Ancine signifiquem, na verdade, um direcionamento dos recursos apenas para projetos alinhados ao governo. Ele apoiou Marina Silva (Rede) para presidente. “Eu preferiria não ver dinheiro público financiando filmes para promover pastores e aumentar a renda de suas igrejas, mas, diferentemente dele (Jair Bolsonaro), admito a existência desses filmes”, disse à Coluna o diretor indicado ao Oscar pelo filme Cidade de Deus. (Coluna do Estadão)

Porta-voz diz que conta com ‘suporte’ de presidente – Novo alvo do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou nesta segunda-feira, 22, ter o “suporte” do presidente Jair Bolsonaro para continuar o seu trabalho. Desde a semana passada, Carlos, o filho “02” do presidente, tem feito críticas à realização de cafés da manhã periódicos de Bolsonaro com jornalistas no Palácio do Planalto. O evento é organizado pela equipe do porta-voz. “Conversamos hoje (ontem) pela manhã com o senhor presidente que nos deu suporte a mantermos esse relacionamento com imprensa, a provermos mais cafés da manhã”, disse Rêgo Barros.

“É golpe”, diz Janaína – A deputada estadual da Assembleia Legislativa de São Paulo Janaína Paschoal (PSL) afirmou em seu Twitter, que ‘é necessário que a população compreenda a gravidade do golpe em curso’. A parlamentar se referiu à decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que suspendeu processos e investigações abertos com base em dados da Receita, do Banco Central ou do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sem prévia autorização da Justiça. A mensagem de Janaína foi escrita após o Estado publicar uma reportagem na qual o criminalista Yuri Sahione, presidente da Comissão de Compliance da Ordem dos Advogados do Brasil, afirma que a decisão de Toffoli vai causar ‘enxurrada de ações’ nos tribunais. A ordem do ministro vale até novembro, quando a Corte máxima leva a plenário a matéria. “Além de uma enxurrada de ações, se não revertida, a decisão do Presidente do STF vai gerar um Tsunami de nulidades. É necessário que a população compreenda a gravidade do golpe em curso”, afirmou a deputada.

FOLHA DE S.PAULO – primeira página 

Manchete: Desigualdade global ameaça democracia

Espremida entre os 50% mais pobres e os 10% mais ricos, a classe média viu cair sua participação na riqueza mundial nos últimos 40 anos e, em reação à perda de status, tem recorrido cada vez mais ao apelo de líderes populistas. O fenômeno é mais visível no Ocidente, onde vivem 85% da população de alto poder aquisitivo. Emergem movimentos nacionalistas, como o que levou ao brexit — a decisão dos britânicos de se separar da União Europeia. No Reino Unido, enquanto o 1% mais rico dobrou sua fatia na renda nacional desde 1980,500 mil pessoas empobreceram nos últimos cinco anos e hoje vivem com ganho mensal inferior a 60% da média britânica. A Europa é o primeiro capítulo da série “Desigualdade Global”, produzida por Fernando Canzian e Lalo de Almeida. Ao longo de cinco meses, eles fizeram entrevistas e documentários em oito países, incluindo o Brasil. Para especialistas, sem soluções multilaterais para a crescente disparidade de renda, as democracias liberais e o crescimento global permanecerão ameaçados pelo discurso protecionista e hostil à imigração. “A globalização devia beneficiar a classe média nos países ricos, o que não ocorreu”, diz Lucas Chancel, um dos coordenadores do Relatório da Desigualdade Global, da equipe do economista Thomas Piketty.

Presidente planeja retirar gestão de fundo da Ancine – Em tentativa de censura ao conteúdo da produção cinematográfica incentivada pelo governo, o presidente Jair Bolsonaro quer transferir a gestão do Fundo Setorial do Audiovisual da Ancine para a pasta da Cidadania.

Ministro quer trocar diesel por gás em caminhões – Bento Albuquerque (Minas e Energia) quer usar o novo mercado de gás, a ser lançado hoje por Jair Bolsonaro, para diminuir o consumo de diesel, estimular a conversão de caminhões para gás natural veicular e reduzir o custo do frete. Renovar frota e abastecimento seriam desafios.

Bolsonaro fala em embargar dados de desmate – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse ontem que os dados sobre desmatamento no Brasil devem passar antes por seu crivo para ele não ser “pego de calças curtas”. Na sexta, Bolsonaro criticou o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, por divulgar relatório segundo o qual mais de 1.000 km² foram desmatados na 1ª quinzena de julho. “As informações têm que chegar a nosso conhecimento de modo que possamos tomar decisões precisas”, declarou o presidente, que citou hierarquia e disciplina. Chamado pelo governo para dar explicações, Galvão disse à Folha que até pode ser demitido, mas que o Inpe é sólido o suficiente para resistir a ataques.

Hélio Schwartsman: “Estadista é quem se destaca dos demais políticos” – “Por enxergar mais longe, ser capaz de se elevar acima das divisões sectárias e fazer avançar agendas decisivas, que produzirão impactos positivos por décadas. Jair Bolsonaro é o exato oposto disso”.

Mônica Bergamo

Notícias da Folha

Na Câmara, Eduardo prioriza política externa e vira guardião do pai – Para marcar os seis meses deste ano legislativo, a Folha acompanhou a atuação parlamentar dos três filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que mantêm cargo eletivo: o senador Flávio (PSL-RJ), o deputado federal Eduardo (PSL-SP) e o vereador Carlos (PSC-RJ) no Rio de Janeiro. Em seu segundo mandato como deputado, Eduardo Bolsonaro, 35, decidiu abraçar claramente o universo das relações internacionais, pautando para debate temas como crise na Venezuela e o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, mas sem descuidar de plataformas que o ajudaram a se reeleger, em especial a segurança pública. Indicado por seu pai para o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Eduardo procurou, logo ao assumir seu atual mandato, presidir a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), órgão da Câmara responsável por analisar acordos internacionais assinados pelo Brasil e projetos de lei sobre política externa. Na legislatura passada, ele foi suplente na comissão.

Na Câmara do Rio, Carlos Bolsonaro usa presença para defender governo do pai – Nos primeiros meses da nova legislatura na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, 36, que está no quinto mandato, pouco falou. E quando o fez, o motivo foi um só: defender o governo do pai, o presidente Jair Bolsonaro. Na tarde do dia 26 de junho, o filho 02 foi à tribuna xingar alguns de seus pares —rompante similar aos que o pai apresentava na Câmara dos Deputados em Brasília. Minutos antes, o vereador Reimont (PT) havia citado o caso do sargento que integrava a comitiva da viagem presidencial ao Japão e que foi preso com 39 kg de cocaína na Espanha. Ele disse que Jair Bolsonaro não poderia ser responsabilizado, mas que deveria fornecer explicações. Foi o suficiente para que Carlos saísse da inércia e xingasse Reimont de “cabeça de balão”. Quando Tarcísio Motta (PSOL) pediu respeito, o filho do presidente respondeu: “E você tem que ir para a Venezuela fazer um regime porque está muito gordinho, tá bom?”.

Mais discreto na internet, Flávio Bolsonaro atua nos bastidores do Senado – Quando pisou no plenário do Senado pela primeira vez após ser eleito para uma vaga na Casa, ainda em dezembro de 2018, Flávio Bolsonaro, 38, foi logo cercado pelos futuros colegas. Já era visto como o canal direto do Senado com o gabinete do pai, o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto. Papel que, de fato, passou a desempenhar. “Quer queira quer não, ele tem uma aproximação diferenciada com o mandatário do país e com a equipe dos ministros. Ele é um líder informal do governo. Não é oficialmente constituído, mas, pela facilidade de acesso, ajuda a todas as bancadas e senadores em situações em que pode encaminhar, interceder”, resume o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP). Dois dias depois da primeira visita de Flávio ao Senado, estourou a notícia de que um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontava movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. Atendendo a um pedido da defesa de Flávio, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, suspendeu todas as investigações baseadas em relatórios do Coaf com dados detalhados. Colegas de Senado dizem que o filho mais velho de Bolsonaro destoa de outros membros da família ao adotar discrição nas redes sociais e nos discursos. Nas conversas pessoais, não é estridente. Mostra-se capaz de conversar inclusive com colegas da oposição. Senadores próximos a Flávio dizem que ele não é vaidoso como os irmãos e que, de fato, tenta ajudar nos bastidores. Já opositores classificam Flávio como um colega afável, mas que, apesar de não ser tão estridente como outros membros da família, se omite em questões polêmicas e não tem um diálogo estabelecido com a oposição.

4 em 10 dizem que Bolsonaro não fez nada de positivo – Para 4 a cada 10 brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) não fez nada de muito positivo ou que mereça destaque em seus seis meses de governo. O cenário está em levantamento do Datafolha feito nos dias 4 e 5 de julho. Incitados a responder livremente (não foram dadas opções) o que o presidente teria feito de melhor até então, 39% dos entrevistados responderam “nada”. Esse percentual sobe para 45% entre mulheres e pessoas com apenas o ensino fundamental, para 46% entre negros, para 47% no Nordeste, para 52% entre adeptos de religiões de matrizes africanas e para 76% entre quem avalia o governo como ruim ou péssimo.

No apagar das luzes, Temer perdoou convênios suspeitos de desviar R$ 21 milhões do Turismo – Na reta final da gestão de Michel Temer (MDB), o Ministério do Turismo baixou em 25 de outubro do ano passado — três dias antes da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) — uma portaria criando uma comissão para reavaliar pareceres que reprovavam integral ou parcialmente sete convênios firmados pela pasta entre os anos de 2006 e 2010, no governo Lula (PT). Nos dois meses seguintes, três servidores designados para a comissão produziram pareceres revisando praticamente todas as conclusões anteriores. Dois dos convênios foram alvos da Operação Voucher, da Polícia Federal, que em 2011 prendeu 36 pessoas sob suspeita de desvios de recursos do ministério. Como resultado da revisão feita no apagar das luzes da gestão Temer, a determinação de devolução aos cofres públicos de R$ 21,5 milhões, em valores a serem corrigidos, foi quase extinta, caindo para apenas R$ 19 mil. A portaria foi assinada pelo então secretário nacional de Qualificação e Promoção do Turismo, Babington dos Santos, conhecido como Bob Santos. Ele continua até hoje com cargo de direção no ministério, sendo atualmente o secretário nacional de Integração Interinstitucional. Nos últimos dias de dezembro de 2018, a CGU (Controladoria-Geral da União) encaminhou ofício ao ministério solicitando informações sobre a comissão, que teve 30 dias para reavaliar os pareceres. Álvaro Antônio afirmou, em nota, que em abril mandou suspender os efeitos da portaria que criou a comissão, assim como o resultado produzido por ela, até a conclusão da apuração pela CGU.

O dobro ou nada – O Supremo deve avaliar no segundo semestre, sob impacto das revelações de mensagens com bastidores da Lava Jato, não uma, mas duas ações que questionam a atuação do ex-juiz Sergio Moro. Além do habeas corpus que tramita na Segunda Turma e no qual o ex-presidente Lula alega a suspeição do hoje ministro de Jair Bolsonaro, há, nas mãos de Edson Fachin, integrante da corte, uma queixa-crime por abuso de autoridade impetrada pela defesa do petista. Este caso tramita em sigilo. As alegações da defesa de Lula foram rejeitadas pelo TRF-4 e também por cortes superiores. O próprio Fachin já negou provimento aos pedidos do petista, mas em 17 de julho sua defesa apresentou novo recurso. Segundo o Painel apurou, há entre os argumentos para uma reavaliação da ação menção às conversas obtidas e divulgadas pelo The Intercept Brasil. (Painel)

Intramuros – Palco de ato com Jair Bolsonaro, nesta terça (23), o novo aeroporto de Vitória da Conquista (BA) foi coberto por tapumes. Não será possível ver o presidente do lado de fora. É a primeira visita à região após ter chamado governadores de “paraíbas”. Assim como o governador Rui Costa (PT-BA), Paloma Rocha, uma das filhas de Glauber Rocha, cancelou participação na inauguração do aeroporto –a obra leva o nome do cineasta. . (Painel)

Poeira – A fala de Bolsonaro segue sendo explorada pela oposição. “Ele acha que governar é arrumar briga. Tem sido um frasista infeliz e um presidente deplorável. Só destila preconceito e ódio”, diz o senador Jaques Wagner (PT-BA). (Painel)

Governo bloqueia R$ 1,4 bilhão do Orçamento – O enfraquecimento da atividade econômica e a piora na previsão de arrecadação levou o governo a anunciar nesta segunda-feira (22) um novo bloqueio no Orçamento. De acordo com o Ministério da Economia, o corte será de R$ 1,442 bilhão no Poder Executivo. Na última quinta-feira (18), a Folha antecipou que os cálculos da equipe econômica convergiam para a necessidade de um contingenciamento entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. Na prática, ao avaliar o andamento da execução orçamentária, os técnicos da área econômica identificaram um descompasso em relação ao que estava previsto para as receitas e as despesas do ano. Como esse desfalque pode levar ao estouro da meta fiscal de 2019, atualmente fixada em déficit de R$ 139 bilhões, o governo é forçado a bloquear recursos inicialmente previstos para ministérios.

Bolsonaro repete tática de Dilma e Sarney – A história se repete, agora como farsa. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) quer adiar a divulgação das taxas de desmatamento na Amazônia porque não gosta delas, mais uma prova de que nada conhece de ciência e nada aprendeu com a história. O incômodo palaciano com dados da devastação apurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é antigo. No governo de José Sarney, quando a destruição da Amazônia se tornou um caso internacional, a tentativa pioneira foi de manipulação. Candidata à reeleição em 2014, Dilma partiu para a ignorância, como faz agora Bolsonaro. Sabia que a devastação em alta abria um flanco na sua imagem e determinou que a divulgação dos dados do Deter fosse adiada. Nova grita da parte da opinião pública, dentro e fora do país, que dá valor à floresta. O atual ocupante do Planalto reedita agora a tática de ocultação de informações do governo do PT. Quer acesso antecipado aos dados, alegando que precisa deles para tomar providências.

Jantar às claras – O jantar que o ministro Luís Roberto Barroso ofereceu em Brasília, em 2016, e que teve Sergio Moro e Deltan Dallagnol entre os convidados, não teve nada de secreto —outras 23 pessoas compareceram ao evento. O jantar não era para eles, e sim para a professora Susan Ackerman, da Universidade Yale, que visitava Brasília para um seminário no UniCeub sobre corrupção. “Fiz uma pequena recepção em torno dela em minha casa, para a qual foram convidados alguns professores e expositores do seminário”, diz Barroso. Entre eles estavam Moro e Dallagnol. Na semana passada, diálogos do arquivo obtido pelo site The Intercept Brasil mostravam Barroso pedindo “máxima discrição” aos dois ao convidá-los para o jantar. “Era apenas algo privado e reservado aos participantes do seminário”, afirma Barroso. “Ninguém lá falou de Operação Lava Jato.” Com a repercussão da publicação dos diálogos, o ministro decidiu esclarecer o assunto, publicando um texto também em seu blog. (Mônica Bergamo)

CORREIO BRAZILIENSE – primeira página

Manchete: Celular é a maior causa de morte em roubos no DF

Secretário de Segurança afirma que smartphone da vítima aparece como motivação do crime em 80% dos latrocínios. Em entrevista ao programa CB.Poder, parceria do Correio com a TV Brasília, Anderson Torres disse que, por conta das investidas de criminosos, o uso de celular virou motivo de preocupação para a segurança pública no Distrito Federal. Além do combate ao crime contra o patrimônio, ele também falou sobre feminicídio, defendeu as escolas militarizadas e reajuste para policiais e bombeiros.

Governo age para deixar o gás mais barato – Plano reduz participação da Petrobras no setor e aumenta concorrência.

Previdência blindada contra polêmicas de Bolsonaro – Declarações, avaliam deputados, não vão influir na votação da PEC.

Índia parte rumo à Lua – Lançada ontem, a sonda não tripulada Chandrayaan-2 deve fazer do país a quarta nação a colocar equipamentos em solo lunar – EUA, União Soviética e China foram os primeiros. Meio século após a conquista da Lua, os mistérios do satélite natural da Terra ainda desafiam a tecnologia

Urgência em obras – A DF-001, umas das rodovias mais perigosas da capital, terá um trecho de 8,2km, em Brazlândia, reformado em 180 dias. As obras foram autorizadas ontem pelo governador Ibaneis Rocha. O chefe do Buriti também visitou, com empresários, o Teatro Nacional. Eles discutiram estratégias para reabrir o espaço.

Planalto entra em alerta com caminhoneiros – Para afastar os riscos de uma paralisação, governo suspendeu a tabela do frete, rejeitada pela categoria. Ministro da Infraestrutura se reunirá hoje com lideranças dos transportadores para discutir reivindicações.

Saque de R$ 500 no FGTS – Pelas novas regras que o governo vai anunciar amanhã, o valor acima deve ser o máximo que o cotista poderá retirar do Fundo de Garantia este ano. Já os saques do PIS/Pasep começam na quinta-feira.

Cassi sob vigilância – Por determinação da ANS, o plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil será monitorado por uma nova diretora fiscal. A medida foi tomada devido aos sucessivos déficits de caixa.

Notícias do Correio

Previdência deve ser preservada – As últimas declarações do presidente Jair Bolsonaro causaram turbulência no mundo político, mesmo no recesso do Legislativo, conhecido por ser um período de calmaria em Brasília. Na Câmara, há um acordo entre os parlamentares, costurado pelos líderes partidários, para que as reformas sejam tocadas de maneira independente do Executivo. No entanto, os posicionamentos do chefe do Executivo têm estremecido o plano dos congressistas. Líderes de legendas criticaram comentários de Jair Bolsonaro, principalmente no que se refere aos governadores do Nordeste. O deputado Tadeu Alencar (PSD-PE) afirmou que Bolsonaro está tornando mais difícil as relações entre o Executivo e o Legislativo. “Eu acho que já não surpreendem as declarações infelizes do presidente, que ratifica o comportamento inadequado de um chefe de Estado. Isso dificulta e tensiona, desnecessariamente, o cenário político. Torna mais rarefeito o clima com uma região populosa. É algo muito grave e é claro que isso tem repercussões na relação com o Congresso e governadores”, disse. O parlamentar declarou, no entanto, que não vislumbra mudança de posições em relação à reforma da Previdência. “Não acredito que causará virada de votos. É claro que não se pode tirar a competência dos senadores em relação a mudanças no texto, mas já temos um cenário de aprovação”, completou.

O efeito “Paraíba” no Congresso – Quase um terço das cadeiras do Congresso é ocupado por parlamentares do Nordeste, região que o presidente Jair Bolsonaro chamou pejorativamente de “Paraíba”. Os 151 representantes nordestinos compõem a segunda maior bancada da Câmara, atrás apenas dos 179 do Sudeste. No Senado, são 27 parlamentares, três de cada estado. No primeiro turno de votação da reforma da Previdência, na Câmara, 95 dos deputados do Nordeste avalizaram a proposta de emenda à Constituição (PEC) 6/2019, enquanto 53 foram contra. Três não participaram. A segunda rodada de votação está marcada para o início de agosto. Na avaliação do analista político Carlos Alberto Moura, da HC7 Pesquisas, a PEC da Previdência pode, sim, ser prejudicada pelo discurso agressivo de Bolsonaro. “Os governadores do Nordeste titubearam quando o governo se propôs até a mandar mais dinheiro para os estados em troca de apoio. Com esse direcionamento, cheio de farpas, pode ser que os deputados sigam os mandatários e acabem voltando atrás”, frisa. Do PSB de Pernambuco, o deputado João Campos, que votou contra a PEC, diz que a reforma não tem nada a ver com o “despreparo e com o desrespeito que o presidente tem com o Nordeste” e, por isso, a declaração não deve ter grande interferência. “Para mudar de um turno para outro, é necessário ter uma justificativa mais plausível, mas mostra que o presidente não tem maturidade para cuidar do país”, critica.

Caminhoneiros são desafio para governo – O governo experimentou, ontem, por algumas horas, o dissabor de uma paralisação de caminhoneiros. Responsáveis por parar o país, em maio do ano passado, transportadores autônomos obstruíram trechos de rodovias no Sudeste e no Nordeste, entre a noite de domingo e as 13h de ontem. Sob a coordenação do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o Executivo agiu para evitar a proliferação do movimento. Ao fim da tarde, por orientação de Freitas, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu a Resolução 5.849/2019, que determinava a nova política de preços mínimos do frete. A paralisação começou em Campos dos Goytacazes (RJ), na noite do domingo. Pela manhã, trechos em rodovias estavam parcialmente ou totalmente obstruídos em Campina Grande (PB), Horizonte (CE), Abreu e Lima (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Além Paraíba (MG), Muriaé (MG), Governador Valadares (MG), Leopoldina (MG) e Ipatinga (MG). As vias foram liberadas depois que Freitas se comprometeu a suspender a tabela de frete, publicada em 18 de julho. O risco de greve motivou o presidente Jair Bolsonaro a acompanhar de perto a situação, pelas informações do ministro e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Em contato com o caminhoneiro Marcone França, coordenador do movimento que paralisou rodovias em Pernambuco, o ministro da Infraestrutura se comprometeu a revogar a tabela.

Reação na Bahia – Com a confirmação da presença do presidente Jair Bolsonaro na inauguração do novo aeroporto de Vitória da Conquista (BA), hoje, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), decidiu que não vai mais participar da cerimônia. Será a primeira visita do chefe do Executivo Federal ao Nordeste após ter chamado pejorativamente os estados da região de “Paraíba”. Rui Costa divulgou um vídeo nas redes sociais, no qual explicou que não vai ao evento porque se transformou em um ato político-partidário. De acordo com o governador, o povo será excluído da cerimônia, para a qual o Planalto convidou “bolsonaristas”. Será “uma inauguração restrita a poucas pessoas, escolhidas a dedo, como se fosse uma convenção político-partidária”, criticou. “Não posso concordar com isso.” O aeroporto começou a ser construído em 2014, no segundo mandato do então governador Jaques Wagner (PT). O Planalto afirma que, dos R$ 106 milhões investidos na obra, R$ 75 milhões foram da União. O resto, do estado. “Exercitando a boa educação que aprendi, convidei o governo federal a se fazer presente ao ato de inauguração, nesta grande festa. Infelizmente, confundiram a boa educação com covardia, e, desde então, temos presenciado agressões ao povo do Nordeste e ao povo da Bahia”, disse Rui Costa.

Por maioria simples, o cargo será de Eduardo – Se o pai, Jair Bolsonaro, mantiver a indicação do filho Eduardo (PSL-SP) e se o deputado não escorregar na sabatina de maneira imperdoável até mesmo para os governistas, as chances de ele ser aprovado, tanto na Comissão de Relações Exteriores como no plenário do Senado, são cada vez maiores. A sensação no Legislativo é de que não se vetaria um pedido pessoal do presidente sob pena de um desgaste em dimensões únicas — seria um recado direto ao capitão reformado. Mas as votações, na comissão e no plenário, são por maioria simples e secretas, o que facilita a vida de Eduardo e do pai. “Só um governo completamente incompetente perde uma votação por maioria simples”, provocou um parlamentar governista, numa referência à gestão Dilma Rousseff, que teve vetada, por um voto, a indicação do embaixador Guilherme Patriota para a Organização dos Estados Americanos (OEA) em 2015. Enquanto a situação de Eduardo não é definida, restam as piadas. Levantamento da Levels Inteligência em Relações Governamentais mostra que a viralização de memes satirizando a suposta falta de capacitação de Eduardo para o cargo ocupa a maior parte da rede monitorada (cerca de 33%). A afirmação de que teria fritado hambúrguer no período em que fez intercâmbio nos EUA é o principal alvo dos internautas. Os dados foram coletados no final da semana passada. (Brasília-DF)

Entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato – O PT estuda pedir para que a votação da indicação de Eduardo Bolsonaro seja aberta, tanto na comissão como no plenário. O partido usa, assim, a tática dos oposicionistas ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), quando o alagoano disputou a presidência da Casa. Renan, inclusive, é um dos suplentes na Comissão de Relações Exteriores. A oposição não deve partir para questionamentos sobre o nível de inglês ou mesmo sobre questões envolvendo geopolítica durante eventual sabatina de Eduardo Bolsonaro. A avaliação geral é de que o tiro pode sair pela culatra. Faltaria aos senadores da oposição mais cancha com assuntos internacionais, por mais preparados que venham a ser por assessores. “A saída da oposição será pela política, por questões envolvendo símbolos como o nepotismo ou a relação de subserviência a Donald Trump”, adiantou um parlamentar petista. (Brasília-DF)

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Primeiro saque do FGTS pode ser limitado a R$ 500

A medida provisória que altera as regras de saque do FGTS, que será divulgada amanhã, deve restringir a R$ 500 a primeira retirada de todos os cotistas, prevista para setembro. A medida vai prever a opção de saques anuais na data de aniversário do trabalhador, de forma escalonada. Os técnicos trabalhavam, ontem à noite, com a possibilidade de quatro a sete faixas de saque, conforme o saldo na conta. A primeira faixa seria, também, de R$ 500.

Risco de greve faz governo recuar em frete – A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu ontem a nova tabela dos fretes rodoviários, em vigor há apenas três dias, a pedido do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, diante do risco de paralisação dos caminhoneiros, insatisfeitos com os valores propostos.

Carro elétrico encara desafios extras no Brasil – A eletrificação é um caminho sem volta. É o primeiro passo para uma série de avanços tecnológicos cada vez mais próximos, como os veículos sem motorista.

Fusão na bioenergia – Bunge e BP uniram seus negócios de bioenergia no Brasil, criando a BP Bunge Biocombustíveis, que será comandada por Geovane Consul, atual vice-presidente da Bunge Açúcar & Bioenergia. Mario Lindenhayan, principal executivo da BP no país, será o presidente do conselho.

Europa tenta controlar aluguéis – Metrópoles europeias como Berlim, Londres, Paris, Barcelona e Amsterdã tentam impor controles aos valores de aluguel residencial. É uma reação à escalada de preços que expulsa a classe média para zonas periféricas. Investidores e imobiliárias argumentam que a regulação restritiva do setor jamais foi positiva.

CVM libera emissão de CRI para todas as empresas – A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou as empresas a emitirem certificados de recebíveis imobiliários (CRI) com lastro em operações realizadas no passado.

Notícias do Valor

Pontes segue Bolsonaro e diz estranhar dados do Inpe – O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, publicou nota em rede social ontem na qual compartilha da estranheza expressa pelo presidente Jair Bolsonaro quanto aos dados do desmatamento que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) produz.

Carlos Bolsonaro critica porta-voz e pode levar a mudança na comunicação – O roteiro não é novo, mas alguns personagens mudaram. Desta vez o filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro PSC-RJ), dirigiu suas críticas ao porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros que, entre outras iniciativas, criou uma rotina de interação com os jornalistas. Carlos, que sempre foi uma espécie de consultor informal de comunicação do governo do pai, criticou publicamente no fim de semana a promoção de café com jornalistas.

PF concentra investigações sobre hackers – Inicialmente dispersa em diversos inquéritos, a investigação sobre a suposta invasão aos celulares de procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, está concentrada agora em dois eixos. A Polícia Federal (PF) toca de forma conjunta um inquérito em Curitiba e outro em Brasília.

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