Tudo de todos os jornais de segunda-feira (22)  | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Alvo de reforma, custo da elite de servidores é o triplo dos demais

Dados do Ministério da Economia, que prepara uma reforma administrativa para ser enviada ao Congresso, mostram que o custo da elite do funcionalismo para a União corresponde, na média, a quase o triplo da despesa com os outros servidores. As cinco carreiras mais bem remuneradas no Executivo reúnem 13.800 trabalhadores, com gasto por pessoa de R$ 421 mil por ano; para os 608 mil restantes, o custo per capita é de R$ 167 mil. O salário inicial ultrapassa os R$ 20 mil e fica apenas 30% abaixo do topo dessas carreiras — e deve ser um dos alvos das mudanças.

Projetos para a segurança ganham força em Assembleias – Na esteira do pacote anticrime enviado ao Congresso por Sergio Moro, projetos ligados à segurança pública tomaram as pautas de Assembleias Legislativas. O número de propostas para a área nos estados subiu 53,6% no começo desta legislatura, comparado com quatro anos atrás.

Fogo amigo agora mira porta-voz de Bolsonaro – O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, entrou na mira de aliados de Jair Bolsonaro, como o filho Carlos e o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten. O ponto mais recente de atrito são os cafés da manhã com jornalistas, considerados ineficazes para melhorar a imagem de Bolsonaro.

Casos de hepatite viral têm alta de 20% em uma década – Crescimento pode estar ligado a aumento das notificações. Brasil tem compromisso de eliminar hepatite C até 2030.

Notícias de O GLOBO

Rêgo Barros, mais um general sob fogo amigo – Conhecido pela postura moderada e gosto pela leitura, o porta-voz Otávio do Rêgo Barros — general que comandou a comunicação do Exército na gestão de Eduardo Villas Bôas — atribuiu-se a missão de melhorar a relação entre Jair Bolsonaro e a imprensa, além de unificar as divulgações do Executivo como um todo. Ele, contudo, tem encontrado obstáculos pelo caminho. As críticas diretas recebidas do deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) no fim de semana (“porta-voz serve para proteger, não para expor”) e as indiretas proferidas pelo vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC) na sexta-feira (“por que o presidente insiste no tal café da manhã semanal com ‘jornalistas’?”) já ecoam nos corredores do Palácio do Planalto há alguns meses. No gabinete de Fabio Wajngarten, novo secretário de Comunicação do governo, as críticas aos cafés da manhã são frequentes desde sua entrada no cargo, em abril. A avaliação é de que a estratégia, elaborada por Rêgo Barros, é ineficaz em melhorar a imagem do presidente e transmitir a ideia de que é Bolsonaro quem lidera os esforços para o país avançar. Wajngarten nunca participa dos cafés e mantém relação distante com o porta-voz. Ainda que Bolsonaro tenha defendido o general dos ataques de Feliciano e Carlos, afirmando que Rêgo Barros o trata “com muito zelo, muita preocupação”, não são raras as vezes em que o presidente chama a atenção do subordinado por discordar do tom de algum pronunciamento.

Impacto ambiental vai durar décadas, dizem especialistas – Passados quase seis meses do rompimento da barragem da Vale em Córrego do Feijão, o rejeito de minério brilha forte sob o sol nas margens do Rio Paraopeba, em Brumadinho. O dano ambiental será sentido por décadas, diz o biólogo e ecólogo Ricardo Pinto Coelho, que há 40 anos estuda o Paraopeba. Ele explica que a assinatura biogeoquímica do Paraopeba, que abastece mais de 34 municípios mudou após o desastre ambiental. A assinatura de um rio é constituída dos elementos químicos presentes na água. Ela influencia toda a vida sustentada pelo rio, e a mudança trazida pelo desastre pode ter consequências perceptíveis só depois de alguns anos, diz. — É inegável que a água do Paraopeba está contaminada e que só parece melhor agora porque estamos na estação seca. A lama volta a escorrer com a chuva e essa contaminação perdurará por décadas — afirma ele, que participa do Grupo de Trabalho do Conselho Federal de Biologia sobre o desastre de Brumadinho. A mesma convicção tem Julio Grillo, ex-superintendente do Ibama em Minas Gerais, mas que estava à frente do instituto em janeiro, quando ocorreu o desastre de Brumadinho. Grillo, que foi exonerado em fevereiro, afirma que os rios Paraopeba e São Francisco deveriam ser monitorados com um nível de detalhamento muito maior do que atual.

Bolsonaro viaja mais para cidades onde venceu – Sob críticas em razão de suas declarações sobre os governadores do Nordeste , o presidente Jair Bolsonaro fez apenas duas visitas à região desde a posse. Os itinerários dos primeiros 200 dias de governo indicam um padrão, segundo levantamento do GLOBO. Não só o Nordeste foi preterido em relação a outras regiões do país, como também o presidente concentrou suas viagens em cidades onde saiu vitorioso nas eleições de 2018. Dos 22 municípios em que esteve, Bolsonaro venceu em 20 no segundo turno, exceto nas duas cidades nordestinas que visitou: Recife e Petrolina (PE). Apesar de ter derrotado o petista Fernando Haddad por 55,13% a 44,87% dos votos válidos em todo o país, Bolsonaro venceu o segundo turno em menos cidades que o adversário — 2.760 contra 2.810. O reflexo nas viagens presidenciais é, portanto, desproporcional ao resultado das urnas. Nesta semana, Bolsonaro tem três viagens previstas pelo país. A agenda inclui dois destinos inéditos: Vitória da Conquista, no interior da Bahia, onde deve inaugurar um aeroporto na terça-feira, e Manaus, que vai sediar reunião do conselho de administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), na próxima quinta-feira. A ida a Vitória da Conquista vai se somar ao reduzido grupo de cidades em que o então candidato do PSL perdeu no ano passado e foram visitados por ele após a posse. No município baiano, Bolsonaro obteve 41,93% dos votos válidos contra 58,07% de Haddad. Bolsonaro foi convidado pelo governador Rui Costa (PT), que durante a semana reclamou de ainda não recebeu confirmação da presença do presidente. No Planalto, a viagem é tida como certa, apesar de oficialmente estar como “prevista”. Já, na capital do Amazonas, o presidente venceu por 65,72% a 32,28%, em 2018. Na sexta, ele também deve retornar a Goiânia, onde conquistou expressivos 72,40% dos votos.

A injustiça da Justiça – O Clube Militar soltou uma nota considerando, “no mínimo suspeita”, a decisão do ministro Toffoli determinando que o Coaf não pode mais fornecer dados sobre cidadãos sem solicitação judicial. A medida, na prática, pode beneficiar, segundo algumas contas, umas 6 mil ações judiciais contra malfeitores. A decisão do presidente do STF foi para atender a defesa do senador Flávio Bolsonaro. (Ancelmo Gois)

Por falar em ‘paraíba’ – Ayres Britto, o ex-ministro do STF, diz que seu batimento “cardíaco/nordestino”(ele é sergipano) “acelera o cívico-brasileiro”. Por isso, publicou no seu Twitter: —Atestado de saúde cívica é nunca se esquecer de que todas as quatro ‘pessoas’ federadas do Brasil (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) estão proibidas de “criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si” (inciso III do art. 19 da Constituição). (Ancelmo Gois)

O ESTADO DE S.PAULO – primeira página

Manchete: Leilão da telefonia 5G pode movimentar R$ 20 bilhões

Relator do edital do leilão de frequências para a quinta geração da telefonia celular, o conselheiro da Anatel Vicente Aquino disse ao Estado que o 5G deve movimentar cerca de R$ 20 bilhões no País, sendo que metade desse total irá para o caixa do governo – o restante serão investimentos. O leilão está previsto para março de 2020. Um dos problemas previstos é o das antenas parabólicas, presentes em 19 milhões de residências e que sofrem interferência de sinal na faixa de 5G. Aquino defende que o edital preveja solução para que essas famílias não sejam prejudicadas. A proposta já está em audiência pública. A ideia é que o 5G, que pode revolucionar a indústria e as relações entre consumidores e máquinas, esteja disponível nas grandes capitais a partir de 2021.

Nos TCEs, há quem ganhe mais do que o presidente – Tribunais de contas dos Estados vão na contramão do STF e pagam a servidores “penduricalhos” que tornam seus ganhos maiores do que os de um ministro do STF ou do presidente da República. No MT, há um “vale-livro” anual que já chegou a R$ 70,9 mil. Em GO, um procurador novato recebeu R$ 39,29 mil no primeiro mês, mesmo valor do teto constitucional.

‘Há má vontade com o pacote anticrime’ – Coordenador da “bancada da bala”, deputado diz que o projeto do ministro da Justiça pouco avançou na Câmara nos últimos meses porque “há pessoas publicamente contrárias a Sérgio Moro e à Lava Jato”.

80% dos presos brasileiros não têm documentos – Segundo o ministro Dias Toffoli, presidente do Conselho Nacional de Justiça, calcula-se que 797 mil presos não têm documentos básicos para a cidadania, como RG e CPF.

EUA acusam Venezuela de agir com agressividade – Os EUA disseram que a Venezuela enviou caça para perseguir avião militar americano em zona internacional. Venezuelanos dizem que aeronave estava em seu espaço aéreo.

Bolsonaro privilegia bases eleitorais. 

Notícias do Estadão

Um museu para Abilio – Desde meados de 2015, toda vez que passava de carro por um tapume preto antes de chegar à sede da Fazenda da Toca, localizada em Itirapina, no interior de São Paulo, Abilio Diniz se perguntava por qual motivo a construção de mais um galinheiro na imensa área de 2,3 mil hectares – ela tem 100% certificação orgânica – estava demorando tanto para terminar. O empresário, que confessadamente detesta acompanhar qualquer construção, esquecia da própria dúvida tão logo entrava no confortável casarão, onde recebe familiares – já tem 18 netos – e amigos. Dois anos depois, ao completar 80 anos, cedeu ao insistente pedido de sua mulher, Geyse, para que desse “uma olhadinha” no ‘galinheiro’ pronto. Ao chegar ao local, o empresário não conteve suas lágrimas. Por meio de projeto capitaneado por Geyse e todos os seus filhos, ele viu ali, edificada, a história de sua vida: o Espaço Horizontes. O conjunto de salas expõe, de maneira tecnológica e moderna, o fio umbilical da família Diniz com o Pão de Açúcar, o lado esportista de Abilio, seus pilares de vida defendidos há décadas e, por fim, sua fé. Esse espaço será aberto à visitação pública a partir de 1.º de agosto, às terças, quintas e sextas-feiras. A entrada será gratuita, mas é necessário o agendamento. O “museu” ajuda a relembrar a sintonia entre a vida do empreendedor, sempre otimista, e o País. “Há muito tempo vivo e acompanho o que está acontece no Brasil e no mundo, Já vivi inúmeras crises aqui – e muitos momentos felizes. Trabalho desde os anos 60, passando pelo milagre econômico na década de 70, pela crise do petróleo nos anos 80, a crise da dívida externa e de jeito algum acredito que a solução para o momento crítico que vivemos seja mais difícil que a encontrada em outros”, conta, fazendo fé no sucesso da reforma da Previdência e da reforma tributária que “vem logo atrás para ajudar o caminho desenhado pela equipe de Paulo Guedes, que é o mais correto.” O empresário entende ser este mesmo o desejo da população? “Tenho certeza de que todos se conscientizaram. Não há saída minimamente saudável fora de uma reforma ampla do Estado, incluindo a reforma política.” (Direto da Fonte)

Bolsonaro privilegia bases eleitorais – Nos primeiros 200 dias do seu governo, o presidente Jair Bolsonaro tomou decisões que agradaram aos segmentos que mais deram apoio para sua eleição no ano passado: militares, policiais, evangélicos, ruralistas e caminhoneiros. A prioridade dada a esses grupos virou motivo para ataques de partidos da oposição, que veem no gesto do Planalto um fator que mantém a polarização política no País. Como prometido, o presidente tratou prioritariamente da facilitação da posse e porte de armas de fogo, uma pauta dos armamentistas (caçadores, atiradores esportivos e colecionadores), mas que divide opiniões entre as polícias, as Forças Armadas e no meio evangélico. Entre as benesses, Bolsonaro abriu crédito para caminhoneiros; negociou regras mais brandas de aposentadoria às polícias e carreiras federais da segurança pública; ampliou o financiamento de comunidades terapêuticas, em sua maioria ligadas a igrejas; e deu aval para manter isenta a contribuição previdenciária sobre a produção agropecuária exportada. Na sexta-feira, Bolsonaro pressionou publicamente o Congresso para debelar uma nova ameaça de greve dos caminhoneiros, insatisfeitos com a atualização da tabela do piso mínimo do frete. Ele pediu apoio a deputados e senadores para aprovação de projeto de lei que, entre outras medidas, aumenta a validade da carteira de motorista de cinco para dez anos.

No Twitter, ataque a general: ‘Melancia’ – O presidente Jair Bolsonaro usou ontem o Twitter para chamar de “melancia” o general da reserva Luiz Rocha Paiva. Integrante da Comissão da Anistia, Paiva disse à Coluna do Estadão que Bolsonaro foi “antipatriótico” e “incoerente” ao criticar governadores do Nordeste. “O Nordeste é o berço do Brasil. Sabia disso, presidente?” Na sua resposta, Bolsonaro escreveu: “Sem querer, descobrimos um melancia, defensor da Guerrilha do Araguaia, em pleno século 21.” Pejorativo, o termo é usado para definir quem seria “verde” (verde oliva, de militar) por fora e “vermelho” (de esquerda) por dentro.

General chamado por Bolsonaro de ‘melancia’ diz que ‘o centro é que dá virtude’ – Chamado pelo presidente de “melancia” (verde por fora e vermelho por dentro), o general da reserva Luiz Rocha Paiva disse à Coluna que não se arrepende de ter classificado como “antipatriótico” o comentário de Jair Bolsonaro sobre o Nordeste e que continuará sendo aliado do capitão. Segundo Rocha Paiva, seu apoio ao governo será mantido enquanto Bolsonaro defender “o patriotismo e o combate à corrupção”. Ele não quis responder ao ataque, mas alfinetou: “Falou mal de um lado, é fascista. Do outro, é comunista. O centro é que dá a virtude”. Após Rocha Paiva ter criticado o presidente, conforme mostrou o blog da Coluna, Jair Bolsonaro respondeu a ele no Twitter: “Sem querer, descobrimos um melancia“. O general afirmou ainda não temer perder seu cargo na Comissão da Anistia, numa eventual retaliação do governo. No Planalto, ao menos, tem um aliado. É colega de turma e amigo de longa data de Villas Bôas. (Coluna do Estadão)

Massa de bolo – Do outro lado do espectro, quem mais se beneficiou com a mais recente canelada de Bolsonaro foi Flávio Dino (PCdoB-MA). A polêmica com o presidente ajudou a projetar Dino como um nome para 2022. Ele já está no seu segundo mandato no governo do Maranhão. À Coluna, o governador não nega suas intenções, mas afirma que discussão ainda é prematura. “Falta muito tempo”. A ver. Neste ano, Flávio Dino já esteve com Lula, Fernando Henrique e Sarney. Conversa também com Ciro Gomes e Fernando Haddad. (Coluna do Estadão)

Má vontade contra pacote anticrime – Principal aposta de Sérgio Moro como ministro da Justiça, o seu pacote anticrime apresentado em fevereiro pouco avançou na Câmara. O relator do projeto no grupo criado para analisar a proposta, deputado Capitão Augusto (PL-SP), tem o seu diagnóstico: há uma “má vontade” dos parlamentares com as medidas do ex-juiz da Lava Jato. “Sabemos que há pessoas publicamente contrárias ao Moro e à Lava Jato”, afirmou ao Estado. Augusto, que coordena a Frente da Segurança Pública na Câmara, a chamada “bancada da bala”, apresentou seu relatório de 200 páginas no mês passado sem mudar uma linha do que propõe Moro. Ao levar o texto ao grupo de trabalho que analisa a proposta, porém, enfrentou resistência dos colegas, que fatiaram o pacote em 16 temas. Na primeira votação, que tratava da prisão após condenação em segunda instância, foi derrotado. O plano inicial era que o grupo já tivesse um parecer sobre as propostas prontas no início de junho. Agora, a previsão é que a análise demore pelo menos mais dois meses. “Parece que é uma espécie de sabotagem. Eles (deputados) estão protelando. Sabotagem talvez não seja a palavra porque é um termo muito pesado, mas há de fato uma má vontade da comissão em avançar de maneira mais célere a questão”, disse.

Indicação de Eduardo para EUA já acirra racha no PSL paulista – A possibilidade de o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ser indicado para o cargo de embaixador do Brasil nos EUA acirrou uma disputa interna pelo comando do PSL paulista e pela escolha de um nome para disputar a Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2020. No último dia 10, o filho do presidente Jair Bolsonaro assumiu o comando do diretório de São Paulo – o maior colégio eleitoral do País – em meio a um racha entre os grupos da deputada Joice Hasselmann, líder do governo no Congresso, e do senador Major Olímpio, líder do PSL no Senado. Alinhado ao governador João Doria (PSDB), o grupo de Joice (apoiado pelo deputado Alexandre Frota) defende que a líder do governo seja candidata à Prefeitura, enquanto Eduardo e Olímpio rejeitam uma aproximação com os tucanos e trabalham pela candidatura de José Luiz Datena. Em 2018, o apresentador chegou a se lançar ao Senado pelo DEM, mas neste ano negocia a filiação ao PSL. Com Eduardo eventualmente afastado de São Paulo, ficaria um vácuo no comando do partido. Como o diretório paulista opera em caráter provisório, a escolha do novo presidente não precisaria ser referendada por convenção e dependeria apenas do aval do diretório nacional, presidido pelo deputado Luciano Bivar (PSL-PE). Procurado, Bivar disse que não vai interferir no debate em São Paulo.

FOLHA DE S.PAULO – primeira página 

Manchete: Risco de morte da mulher sobe 8 vezes com violência

Mulheres brasileiras expostas a violência física, sexual ou mental têm risco de mortalidade equivalente a oito vezes o da população feminina em geral, diz estudo baseado em dados do Ministério da Saúde que envolveu pesquisadores de USP, UFMG e Universidade de Toronto. A pesquisa analisou cerca de 800 mil notificações de violência contra mulheres feitas por serviços de saúde e 16,5 mil mortes associadas a elas de 2011 a 2016 e cruzou as informações com os registros de morte que estão no SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). “É a crônica da morte anunciada. Temos a agressão, o endereço da mulher e do agressor, sabemos que ela corre o risco de morrer, e no final ela morre”, diz a médica Fatima Marinho, da USP, uma das autoras do estudo. “Não estamos conseguindo atuar preventivamente.” Daniel Cerqueira, coautor do Atlas da Violência, afirma que órgãos do Estado, como a polícia, deveriam ser avisados. Para ele, rondas periódicas podem evitar atos violentos. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não foi encontrado para comentar o estudo.

Jabutis caem da reforma da Previdência do governo – A Câmara derrubou jabutis da proposta original da reforma da Previdência, apresentada por Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Os jabutis são medidas inseridas em um projeto sem relação direta com o tema principal. Para especialistas, a prática não é ilegal, mas questionável. A Secretaria da Previdência não se pronunciou.

‘Não acredito em sustentabilidade com miséria’ – A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, diz não crer em preservação ambiental com miséria. Ela defende que produtores rurais sejam recompensados por áreas que conservarem. “Onde tem miséria você não vai preservar!’.

Posso ser demitido, mas Inpe resistirá a ataques, diz diretor.

PSL, de Bolsonaro, terá R$ 480 mi se fundo for ampliado – Suspeito de usar candidatas laranjas em 2018, o PSL será dono da maior fatia pública de recursos nas eleições de 2020. A sigla receberá R$ 480 milhões se o Congresso ampliar o fundo para candidatos.

Mathias Alencastro: “Brasil em nova era leva o Itamaraty a risco de implosão”.

País se alinha a EUA, diz Bolsonaro sobre navios – A Petrobras não forneceu combustível para navios do Irã no porto de Paranaguá. “Estamos alinhados à política deles [EUA]”, disse o presidente.

Medida provisória amplia as apostas em corridas de cavalo – A MP da Liberdade Econômica pode resultar na ampliação de jogos e receitas obtidas com o turfe. Entidades promotoras de corridas terão aval para promover loterias vinculadas aos páreos ou aos seus resultados.

Notícias da Folha

O que a Folha pensa: Censura com filtro – Em atordoante hiperatividade verbal recente, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) superou-se na capacidade de produzir disparates. Não se sabe se em reação ao protagonismo político do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ou se com o intuito de desviar a atenção de outros temas espinhosos, o fato é que o mandatário deu nos últimos dias demonstrações constrangedoras de superficialidade, preconceito e desprezo pela magnitude do cargo que ocupa. Entre os vitupérios que Bolsonaro dirigiu a instituições e setores da sociedade, não faltaram ataques a dois alvos preferenciais de sua cruzada obscurantista — a produção cultural e a científica.

Deltan receou comentar caso Flávio – O procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, manifestou em mensagens receio de comentar o caso Flávio Bolsonaro para não desagradar o governo Jair Bolsonaro. As mensagens trocadas entre membros da Lava Jato foram reveladas neste domingo (21) pelo site The Intercept Brasil. A reportagem deste domingo mostra troca de mensagens entre Deltan e colegas em dezembro passado, quando a movimentação financeira de Queiroz veio a público, incluindo um repasse de R$ 24 mil para a atual primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Com o também procurador da Lava Jato Roberson Pozzobon, Deltan discute de que maneira deve se pronunciar a respeito do caso. “Não podemos ficar quietos, mas é neste momento um pouco como com RD [Raquel Dodge, procuradora-geral]. Vamos depender dele pra reformas… Não sei se vale bater mais forte.” A conversa não deixa claro se Deltan se refere a Jair Bolsonaro ou a Sergio Moro, que à época já tinha sido indicado para o Ministério da Justiça e sofria críticas por não se manifestar a respeito do caso Queiroz. Pozzobon responde: “Pois é. Estou na msm dúvida”.

Bolsonaro defende porta-voz – Neste domingo (21), após um culto evangélico, o presidente levou a primeira-dama Michelle Bolsonaro e a sua filha mais nova, Laura, a uma galeteria. Na entrada, voltou a reclamar que a imprensa distorce suas declarações públicas. Bolsonaro saiu em defesa do porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, que foi criticado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e pelo deputado federal Marco Feliciano (Pode-SP) por promover cafés da manhã do presidente com jornalistas. “Ele [Rêgo Barros] é uma pessoa que tem tratado com muito zelo e muita preocupação. Ele ajudou a me convencer a fazer esses cafés”, disse o presidente.

Ato com Bolsonaro na BA é inflado com rivais do PT – Em momento de tensão com o eleitorado do Nordeste, em razão das críticas flagradas na última sexta (19), o presidente Jair Bolsonaro pretende usar ato na Bahia, na próxima terça (23), para virar o jogo em território inimigo. No fim de semana, o Planalto decidiu dobrar o número de convidados da inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista – originalmente uma festa fechada para 300 pessoas. Além disso, escalou rivais do governador Rui Costa (PT) para discursar no evento. Partiu de Rui Costa a iniciativa de rever a lista. Ele havia identificado a presença maciça de críticos e queixou-se ao Planalto. Mas enquanto o número total espichou para 600 convidados, a cota do governador petista subiu apenas de 70 para 100 nomes. Proporcionalmente, a presença de seus apoiadores encolheu. O desconforto é tamanho que aliados de Rui Costa passaram a defender publicamente neste domingo (21) ele não vá à cerimônia. Apoiadores dizem, porém, que ele sugeriu a festa e o aeroporto é um feito politicamente relevante. (Painel)

Ossos do ofício – Em outro trecho da turnê presidencial, Paulo Guedes (Economia) acompanha Jair Bolsonaro a Manaus (AM) na quinta (27). O ministro assume a presidência do conselho de administração da Suframa, que gerencia a Zona Franca e avalia empresas candidatas a receber o incentivo fiscal. Guedes tentou entregar a tarefa a um auxiliar, disseram interlocutores, mas não pôde. O cargo é de nível ministerial e, até a chegada dele ao governo, era de atribuição do extinto MDIC. Na gestão Bolsonaro, a Suframa está sendo comandada pelo coronel da reserva (e aliado) Alfredo Menezes, que nomeou pelo menos oito militares para o órgão. (Painel)

‘Estamos alinhados à política dos EUA’ – O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (21) que o Brasil está alinhado à política dos EUA de sanção econômica contra o Irã, ao comentar o caso de navios iranianos atracados no porto de Paranaguá (PR) por falta de combustível para seguir viagem. “Sabe que nós estamos alinhados à política deles. Então, fazemos o que tem de fazer”, disse o presidente — que afirmou, no entanto, não ter conversado com os EUA sobre sanções impostas ao Irã . “Existe esse problema, os EUA, de forma unilateral, têm embargos levantados contra o Irã. As empresas brasileiras foram avisadas por nós desse problema e estão correndo risco nesse sentido”, havia dito Bolsonaro na sexta. “Eu, particularmente, estou me aproximando cada vez mais do [presidente dos EUA, Donald] Trump.”

Antecipação do 13º dos aposentados do INSS espera decreto de Bolsonaro – A discussão sobre a reforma da Previdência tirou de foco um assunto que nesta época já mobilizava sindicatos e associações de aposentados em anos anteriores: a antecipação da primeira parcela do 13º salário para beneficiários do INSS. A primeira parte da gratificação é tradicionalmente depositada com a folha de pagamentos de agosto, embora a legislação determine apenas que o prazo acaba em novembro. A Secretaria de Previdência do Ministério da Economia informou que a antecipação depende de decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL). No ano passado, o decreto do presidente Michel Temer (MDB) foi publicado em 17 de julho, confirmando a primeira parcela em agosto, e a segunda na competência de novembro. Desde 2006 o governo adianta a primeira parcela do 13º, respeitando acordo firmado com entidades sindicais. Em 2015, porém, o agravamento da crise e a consequente queda na arrecadação fizeram o governo Dilma Rousseff (PT) considerar o adiamento da liberação do bônus. Uma das possibilidades discutidas na época foi dividir o abono em três parcelas. Após pressão de sindicatos e associações de aposentados, a primeira parte da gratificação foi incluída na folha de pagamentos de setembro. Distantes do presidente Jair Bolsonaro, lideranças sindicais relatam dificuldades em obter informações sobre o abono neste ano.

Mudança da Ancine custará caro aos cofres públicos – A mudança da Ancine (Agência Nacional do Cinema) do Rio para Brasília, anunciada por Jair Bolsonaro, custará caro para os cofres públicos. Cada servidor deslocado de cidade terá direito a receber, por exemplo, até três salários de indenização para arcar com os custos da mudança. O órgão tem hoje 345 servidores de carreira. A média salarial varia de R$ 9 mil, para os que têm ensino médio, a R$ 18 mil, pagos aos que têm ensino superior. Funcionários em cargos como os de superintendentes, diretores e secretários e que não têm casa em Brasília receberão auxílio-moradia. O valor varia de R$ 1.800 a até 25% do salário da pessoa. Outro problema deve surgir: a grande maioria dos servidores fez concurso para trabalhar no Rio de Janeiro. É provável que haja resistência à mudança de cidade. Os trabalhadores podem invocar questões familiares ou de saúde para permanecerem onde estão. Eles ficariam, assim, à disposição para serem deslocados para outros lugares do governo – que teria que fazer novas contratações para, se for o caso, substituí-los. Como a coluna antecipou na quinta (18), Bolsonaro estava contrariado com a área do cinema e planejava extinguir ou pelo menos mudar o desenho da Ancine. (Mônica Bergamo)

Gota d’água – Procuradores de São Paulo decidiram pedir a investigação de vazamentos sobre Lula em um processo. Mas, no caso, a informação divulgada favorecia o ex-presidente e causava constrangimento ao MPF (Ministério Público Federal). Na semana passada, o procurador Silvio Marques, do MP de SP, pediu que o juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública informasse quem teve acesso ao depoimento de Carlos Paschoal, delator da Odebrecht. Ele afirmou ter sido “quase coagido” por procuradores a fazer um relato sobre o sítio de Atibaia, frequentado por Lula e reformado pela empreiteira. Marques dizia que o vazamento era ilegal pois o depoimento, “salvo melhor juízo” era sigiloso. Errado, respondeu o juiz Fausto Seabra. O processo é público e qualquer um pode acessá-lo. Os jornalistas, por sinal, conseguiram cópia das falas e imagens do delator no próprio cartório da 3ª Vara. (Mônica Bergamo)

CORREIO BRAZILIENSE – primeira página

Manchete: Queda dos juros deixa poupança mais atrativa

Com o PIB debilitado, crescem as apostas de que o BC inicie cortes na taxa Selic, fazendo com que a aplicação, principalmente a aberta até 3 de maio de 2012, tenha o melhor rendimento do mercado.

À espera de generosidade – Mais de três mil pessoas vivem nas ruas de Brasília, muitas vindas de outras regiões em busca de emprego e abrigo. A crise econômica e o desemprego, aliados à falta de políticas públicas, agravam a situação em todo o país.

Projetos que afetam a vida dos servidores – Desempenho funcional, direito de greve e demissão por insuficiência do desempenho estão entre os temas que serão debatidos no Congresso este semestre. A pauta de votações no Legislativo está repleta e passa também pela reforma tributária e pela lei de abuso de autoridade.

Bolsonaro critica Inpe por “propaganda negativa”.

Mais ônibus escolares – Alunos dos ensinos fundamental e médio de áreas rurais são contemplados com sistema de transporte, mas universitários pedem ampliação do serviço. GDF estuda novo modelo.

Negócios – Motocicletas em alta. Onda de delivery sobre duas rodas turbina mercado, que cresceu 16% de janeiro a junho. A geração de emprego também aumentou.

Notícias do Correio

Bolsonaro volta a criticar Inpe – O presidente Jair Bolsonaro voltou ontem a criticar os dados sobre desmatamento produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o diretor da entidade, Ricardo Galvão. Ao chegar a um restaurante, em Brasília, o presidente anunciou que vai designar um ministro para discutir com Galvão os dados de desmatamento que, na sua opinião, não correspondem à verdade. Ele acrescentou que seu governo não quer fazer uma “propaganda negativa do Brasil”. “Eu não vou falar com ele. Quem vai falar com ele vai ser o ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e talvez, também, o Ricardo Salles (Meio Ambiente). O que nós não queremos é uma propaganda negativa do Brasil. A gente não quer fugir da verdade, mas aqueles dados pareceram muito com os do ano passado, e deu um salto”, disse o presidente, horas antes de receber o ministro do Meio Ambiente no Palácio da Alvorada. Os dados preliminares de satélites do Inpe demonstram que mais de 1.000 km² da Floresta Amazônica foram derrubados na primeira quinzena deste mês, um aumento de 68% em relação a julho de 2018. Na sexta-feira, durante café da manhã com jornalistas estrangeiros, o presidente afirmou que os dados não correspondiam à verdade e sugeriu que Galvão poderia estar a “serviço de alguma ONG”.

Manifesto em defesa do Inpe – O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgou manifesto em apoio ao Inpe. “Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza”, diz o texto do manifesto. “Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no País e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico”, acrescenta o comunicado. O manifesto diz ainda que o “Dr. Ricardo Galvão é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, tecnologia e inovação do Brasil”.

Lei do garimpo – Ao retornar ao Alvorada, após o almoço, Bolsonaro anunciou que enviará um projeto de lei ao Congresso Nacional para legalizar a atividade do garimpo no país, sem dar detalhes. “O garimpeiro é um cidadão que merece respeito, consideração, e obviamente a gente vai casar a exploração com a questão ambiental e botar um ponto final no mercúrio”, disse. No final da manhã, acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Bolsonaro participou do evento “Conquistando pelos olhos da fé”, na igreja Sara Nossa Terra.

Nordeste é minha terra – O presidente Jair Bolsonaro voltou a negar que tenha ofendido a população do Nordeste, na sexta-feira, durante café da manhã com jornalistas estrangeiros. “Daqueles governadores… o pior é o do Maranhão. Foi o que falei reservadamente para um ministro. Nenhuma crítica ao povo nordestino, meus irmãos. Mas o melhor de tudo foi ver um único general, Luiz Rocha Paiva, se aliar ao PCdoB de Flávio Dino, para me chamar de antipatriótico”, disse o presidente por meio do Twitter, criticando o militar, que havia condenado suas declarações. “Sem querer, descobrimos um melancia”, escreveu. Na sexta-feira, aparentemente sem saber que o microfone estava ligado, Bolsonaro usou o termo “paraíba” ao criticar Flávio Dino, e o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), durante conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao lado de correspondentes estrangeiros. Ao falar de Dino, ele disse: “não tem que ter nada com esse cara”. O presidente foi criticado por demonstrar preconceito contra nordestinos e perseguição a um estado governado por um oposicionista.

Pauta carregada até o fim do ano – O segundo semestre legislativo, que começa em agosto, será decisivo para a reforma da Previdência, mas essa não é a única pauta no radar dos parlamentares. Nos próximos meses, o Congresso deve manter o foco na agenda econômica, como tem feito ao longo do ano, e retomar projetos que foram deixados de lado e não puderam ser concluídos no primeiro semestre. Na lista, estão mudanças tributárias, a nova lei de licitações, o projeto de independência do Banco Central, a regulamentação do lobby, uma reestruturação administrativa e a Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica. Fora da seara da economia, outros assuntos polêmicos também estão na lista, como o projeto de lei que define abusos praticados por juízes e integrantes do Ministério Público, e uma proposta que estabelece prazo para pedidos de vista de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Roberto Brant: “Deixar de abastecer um navio mercante iraniano que veio aqui carregar milho que exportamos para o Irã é um sinal que será lido com preocupação por vários países, em todo o mundo, que compram nossa produção: China, países muçulmanos, Rússia e o próprio Irã.”

Medidas afetam servidor – O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) fez uma análise da situação, no Congresso Nacional, de 25 propostas que despontam como prioridades do governo. Boa parte delas afeta diretamente a vida do funcionalismo federal. A maioria está focada em melhorar o ambiente de negócios e a gestão pública, com normas para a desburocratização e desempenho no serviço público. “Exemplo disso, tramita a Medida Provisória nº 881/2019, da liberdade econômica, em comissão mista, e o Projeto de Lei do Senado nº 116/2017, sobre a demissão por insuficiência de desempenho do servidor público, que teve urgência aprovada para votação no plenário”, aponta o estudo. Vinte das propostas estão em tramitação no Legislativo, cinco aguardam encaminhamento pelo Poder Executivo e duas já foram transformadas em lei em 2019. “Segundo a equipe do Ministério da Economia, a intenção, para agilizar os trabalhos, é entregar os textos para que sejam acompanhados e encaminhados por parlamentares estreantes na Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. De preferência, do partido do presidente (PSL) ou da base de apoio”, explicou Neuriberg Dias do Rêgo, assessor parlamentar do Diap e autor do levantamento.

Despesas na mira – Como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem reforçado nas últimas semanas, há outra reforma no radar, embora não haja proposta pronta sobre o tema: a administrativa. Há pelo menos dois meses, ele tem trabalhado em um projeto de reestruturação da Câmara, com o objetivo de cortar e otimizar gastos, enxugar as estruturas e dar o exemplo para que outros órgãos federais façam o mesmo. As lideranças partidárias também dizem que a Câmara deve concluir a votação da nova lei de licitações, que endurece a pena para empresas que cometem fraudes em concorrências públicas e aumenta os valores de empreendimentos que podem ter dispensa de licitação. O projeto foi aprovado em junho, mas ainda falta avaliar os 23 destaques (sugestões de mudança no texto-base). Depois, o assunto vai para o Senado.

FGTS: multa pode ser revista – O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo “pode pensar”, futuramente, em reduzir a multa de 40% do saldo do FGTS paga a trabalhadores demitidos sem justa causa. “Olha, o valor [da multa] não está na Constituição, eu acho que não está. O FGTS está no artigo 7º da Constituição, mas o valor é uma lei. A gente pode pensar lá na frente (em alterar o valor), mas, antes disso, eu tenho que ganhar a guerra da informação: eu não quero manchete amanhã dizendo: ‘O presidente está estudando reduzir o valor da multa’. O que eu estou tentando levar para o trabalhador é o seguinte: menos direito e emprego ou todo direito e desemprego”, disse. O pagamento da multa do FGTS é imposto pela Constituição, que determina que ela deve ser equivalente a quatro vezes o valor de 10% — ou seja, 40% — com base no que foi estipulado pela lei que criou o fundo, em 1966.

Clonagem – A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, divulgou vídeo em uma rede social, ontem, no qual diz que teve o celular invadido por bandidos e farsantes. “Meu telefone foi clonado nesta madrugada”, escreveu ela em sua página do Twitter. A parlamentar conta que a polícia já foi acionada para apurar o caso. Ela disse ainda que teve a certeza da fraude após receber, de madrugada, uma ligação do jornalista Lauro Jardim. “Eu achei extremamente estranho. Uma ligação de madrugada, que história é essa? Uma ligação em um horário desses, mandei mensagem para ele. E ele [Lauro Jardim] me respondeu: ‘Estou respondendo às suas mensagens no Telegram’. Só que eu não mandei nenhuma mensagem, em Telegram nenhuma”, acrescentou a deputada. Em seguida, Joice mostrou o aparelho com os registros de ligações feitas do seu telefone para o próprio celular, e também internacionais. “Como se fosse possível que eu ligasse para mim mesma. Exatamente o que aconteceu aí com o ministro Sergio Moro (da Justiça)”, disse, acrescentando que o invasor é “da mesma gangue” que invadiu o telefone do ministro e de procuradores da Justiça Federal. “Isso é caso de polícia”, alegou.

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Empresas captam ao menor custo no exterior desde 2014

Depois de cinco anos, empresas brasileiras estão captando recursos no exterior a um custo menor que o da média dos países emergentes. Na semana passada, papéis de companhias nacionais pagaram, em média, 246 pontos-base (2,46 pontos percentuais) acima da taxa de juros paga por títulos do governo americano, principal parâmetro usado no cálculo dos prêmios pagos no mercado internacional. Nos últimos dias, pela primeira vez desde 2014, o prêmio médio das firmas de economias emergentes foi superior – 257 pontos-base.

CPMF exibe ‘currículo’ frustrante – A recriação de um tributo nos moldes da CPMF vai ocupar o centro do debate no segundo semestre. Uma nova versão do tributo, de alcance ainda mais amplo, deve integrar a proposta de reforma tributária do governo. No entanto, a experiência internacional comprova que o tributo tem vários problemas.

Butantan pede R$ 1,8 bi ao BNDES – Referência nacional na produção de soros e vacinas, o Instituto Butantan caminha para fornecer, pela primeira vez, a vacina contra gripe para o mercado internacional.

Meta difícil – 
Pedro Lima, presidente da 3 Corações, líder no setor de café torrado e moído do país, teme não atingir meta de faturar R$ 5 bilhões: crise, competição acirrada e preços em baixa.

Extinção de multas do FGTS deve ser gradual – O governo pretende extinguir, em até cinco anos, a multa adicional de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) cobrada das empresas que demitem sem justa causa. O presidente Jair Bolsonaro admitiu ontem que a multa de 40% também pode ser revista no futuro.

Brasileira Afya capta R$ 1,1 bi na Nasdaq – O grupo brasileiro de educação Afya, com foco em faculdades de medicina, captou US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão) com sua abertura de capital na Nasdaq, com demanda 14 vezes superior à oferta de ações.

Promessa de vinhos – O empresário francês Philippe Rothschild, da PNR Import, promete ampliar a oferta de vinhos europeus e repassar ao consumidor a redução do Imposto de Importação. “O acordo União Europeia-Mercosul é a melhor notícia para o consumidor de vinhos dos últimos 50 anos”, disse.

Notícias do Valor

TCU quer acelerar processo para barrar aposentadoria ilegal de servidor público – Responsável pela convalidação das aposentadorias dos servidores federais, o Tribunal de Contas da União (TCU) tenta acelerar a análise dos atos para identificar desvios na concessão dos benefícios, já que a demora no julgamento pode contribuir para agravar o déficit previdenciário. Neste ano, o tribunal conseguiu pela primeira vez projetar uma economia milionária para os cofres públicos após o julgamento de aposentadorias ilegais.

Nova tabela irrita caminhoneiros e ministro busca conciliação – Diante da irritação dos caminhoneiros com a nova tabela do frete, que teria reduzido os preços mínimos em algo como 30% a 50%, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, deve receber líderes da categoria e representantes dos embarcadores depois de amanhã, em Brasília, para buscar uma conciliação.

Privatização da Eletrobras não passará fácil, alertam líderes – A privatização da Eletrobras, que o governo Jair Bolsonaro pretende reencaminhar para a Câmara dos Deputados como projeto de lei, não será facilmente aprovada e exigirá muita negociação por envolver interesses regionais e de corporações, tem alertado o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e parlamentares favoráveis à proposta.

Cresce pressão dentro do PSDB por saída de Aécio – A pressão dentro do PSDB pela saída do deputado Aécio Neves (MG) do partido aumentou desde que diretórios municipais de São Paulo pediram a expulsão do parlamentar. Nos Estados, lideranças tucanas defendem o afastamento do deputado antes de uma eventual condenação na Justiça e cobram uma decisão do comando nacional da legenda. Para dirigentes, a manutenção de Aécio na sigla prejudicará candidaturas tucanas nas eleições de 2020.

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