Tudo de todos os jornais de quinta-feira (18)  | Claudio Tognolli


Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Governo vai autorizar nos próximos dias saques do FGTS

O governo decidiu autorizar trabalhadores a sacar dinheiro de suas contas do FGTS. O montante a ser liberado pode chegar a R$ 30 bilhões. O presidente Jair Bolsonaro deve bater o martelo ainda hoje, escolhendo entre duas alternativas que estão sobre a mesa: liberação apenas de recursos de contas inativas, como no governo Temer, ou também de contas ativas. Neste caso, os percentuais oscilariam de 10% a 35%; quanto maior o saldo em dinheiro, menor o percentual. Os saques ocorreriam no mês do aniversário do trabalhador. A liberação tem o objetivo de estimular o consumo e a economia.

Plano individual de saúde pode voltar mais enxuto – De olho nos brasileiros atendidos pelo SUS, as operadoras de saúde querem voltar a vender planos individuais, porém mais segmentados. O objetivo é ampliar número de usuários, que encolheu em cerca de 3 milhões desde 2014. Empresas condicionam oferta a mudanças nas regras do setor.

MEC propõe parcerias para financiar universidades – Programa Future-se, que prevê captação, inclusive de recursos privados, de R$ 102 bilhões, irá ao Congresso após consulta pública.

MP reage a decisão de Toffoli; STF está dividido – Para Ministério Público, ato de Toffoli põe em risco investigações sobre lavagem de dinheiro no país. PGR estuda recorrer, e STF está dividido sobre o tema.

Bolsonaro: ‘Embaixadores não fizeram nada de bom’ – O presidente Jair Bolsonaro disse, na Argentina, que os embaixadores do Brasil nos EUA “não fizeram nada de bom” desde 2003. Bolsonaro, que vai indicar o filho 03 para o posto, viajou com o 04.

Notícias de O GLOBO

MP reage a decisão de Toffoli; STF está dividido – A suspensão das investigações com dados compartilhados por órgãos de controle financeiro sem autorização judicial prévia, determinada na terça-feira pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, uniu em reação as diversas esferas do Ministério Público no país. Um dia depois da decisão monocrática de Toffoli, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge; o conselho nacional de procuradores-gerais dos estados; e as forças-tarefas da Lava-Jato e Greenfield se posicionaram contra o despacho. Eles afirmam que a suspensão põe em risco todas as investigações sobre lavagem de dinheiro no país, fundamental no combate à corrupção e ao crime organizado. O caso deverá chegar ao plenário do STF em 21 de novembro, mas alguns dos ministros já se posicionaram, em votos ou declarações, sobre o compartilhamento de dados pelos órgãos de controle em outras oportunidades. Levantamento do GLOBO mostra uma divisão na Corte a partir desses posicionamentos públicos. Quatro dos cinco ministros da Primeira Turma do Supremo, por exemplo, já votaram em dezembro de 2017 pela legalidade da medida. Por outro lado, quatro ministros, incluindo Toffoli, também já criticaram, em maior ou menor extensão, esse tipo de prática.

Decisão pode resultar em punição internacional – O Brasil pode ser punido internacionalmente em razão da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de suspender processos judiciais que utilizam dados bancários compartilhados sem autorização prévia da Justiça. É essa a interpretação de integrantes do Ministério Público Federal (MPF) que vêm acompanhando de perto os efeitos da decisão de Toffoli, proferida em resposta a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). A possibilidade de punição, inclusive, é discutida no gabinete da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e pode ser mencionada em eventual contestação da procuradora-geral à decisão do presidente do STF. O efeito negativo na economia é um dos principais riscos. O pesquisador Guilherme France, do Centro de Justiça e Sociedade do curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas Direito, no Rio de Janeiro explica que o compartilhamento dos dados sem prévia autorização judicial é uma norma editada pelo Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo (Gafi/FATF), que reúne 35 países. — O Gafi tem uma lista de países que não cumprem as normas. A inclusão nessa lista gera impactos graves para a economia desse país. Mas, antes mesmo, o Gafi faz pronunciamentos públicos dizendo que o país não está cumprindo e o mercado financeiro interpreta como uma nação que está com vulnerabilidade no sistema financeiro — analisa o pesquisador. A participação brasileira ocorre principalmente por meio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ), um órgão que existe há duas décadas exatamente para atuar no controle de lavagem de dinheiro. O Coaf foi diretamente impactado pela decisão de Toffoli. France acrescenta que as agências de classificação de risco como Standard & Poor’s (S&P), Fitch e Moody’s usam o cumprimento das normas editadas pelo Gafi para emitir as notas dos países. Os Estados Unidos e países da União Europeia não exigem autorização judicial para compartilhamento de informações entre agências de inteligência financeira e órgãos de investigação, segundo juristas ouvidos pelo GLOBO. O entendimento, amparado em convenções e tratados internacionais de combate à corrupção e ao crime organizado, vai na contramão do que determinou anteontem o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli .

Diretório de SP adia pedido de expulsão de Aécio – A decisão sobre um eventual pedido de expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG) e do ex-governador do Paraná Beto Richa do PSDB dominou metade da reunião do diretório estadual de São Paulo, na segunda-feira. Sem consenso sobre pressionar oficialmente pela saída dos filiados, integrantes da legenda decidiram empurrar a discussão para próxima reunião, prevista para segunda-feira, dia 22. O encontro de anteontem havia sido convocado para tratar do planejamento estratégico para as eleições municipais de 2020. Após uma hora de reunião, o presidente do diretório estadual, Marco Vinholi, pediu que assessores deixassem a sala para que fosse debatida em privado uma eventual representação do diretório estadual à Executiva Nacional pedindo a expulsão de Aécio e Richa.

Reforma política só será discutida após 2020 – Apesar de ter recebido há pouco mais de um mês do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma proposta de mudança do sistema eleitoral, coordenada pelo ministro Luís Roberto Barroso, chefe do grupo de trabalho que elaborou o documento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está concentrado na agenda econômica e não deve pautar uma reforma política de grande impacto antes do pleito de 2020. Para ele, as eleições municipais já enfrentarão alterações suficientes com o fim das coligações proporcionais, aprovado pelo Congresso em 2017. A proposta do TSE mudaria o sistema eleitoral já para a escolha, em 2020, dos vereadores nos municípios com mais de 200 mil habitantes. Seria uma espécie de teste para a implantação definitiva do sistema distrital misto — no qual o eleitor escolhe os deputados dando um voto para o partido e outro para um representante de sua região — na eleição de deputados federais e estaduais em 2022. Maia foi à Corte, em 10 de junho, para receber a proposta, elaborada por ministros e ex-ministros da Corte. Com o fim das coligações partidárias, no pleito municipal, as legendas não poderão mais se unir na disputa por vagas para vereadores. Ao aprovar a proposta, seus defensores alegaram que a intenção é acabar com o puxador de votos, o chamado efeito “Tiririca”, pelo qual a votação expressiva de um candidato ajuda a eleger outros da coligação. Em 2014, o deputado federal Tiririca (PR-SP) trouxe mais cinco candidatos para a Câmara. Na prática, a mudança pode ter um grande impacto nas estruturas, especialmente das pequenas legendas.

Bolsonaro quer incluir açúcar e carros em acordos do Mercosul – O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem, ao assumir a presidência do Mercosul, que o Brasil buscará modernizar regulamentos sobre produção e comercialização de bens. Para ele, o bloco precisa se renovar para evitar a perda de relevância. — Trabalharemos para finalmente incluir os automóveis e o açúcar na união aduaneira. A falta de acordo sobre esses setores fere a credibilidade do Mercosul. Com outros parceiros, temos cada vez mais acordos que incluem esses setores. É injustificável que ainda não haja entendimento entre nós — declarou. Brasil e Argentina começaram a discutir essas mudanças ainda no governo Michel Temer. O açúcar brasileiro não entra no mercado argentino, por exemplo, embora os vizinhos importem de outros países. O setor automotivo também não é parte integrante do comércio livre dentro do bloco. Há um acordo automotivo entre Brasil e Argentina, com limitações no comércio de veículos isentos de Imposto de Importação. O que não faz parte da cota negociada sofre tributação de 35%.

A ‘milícia’ virtual de Bolsonaro – A cada momento importante de Bolsonaro nas redes, logo aparecem as hashtags de apoio ao governo. A da vez é # Eduardo Embaixador ou # Eduardo Embaixador Sim. E veja como, mesmo depois da eleição, o “exército” virtual continua na ativa. Com a mobilização , # Eduardo Embaixador Sim chegou aos assuntos mais comentados do Twitter. Só que metade do número total de tuítes veio de apenas …10 “pessoas”. A que mais postou (35 vezes) escolheu um horário curioso para demonstrar apoio ao filho do presidente: entre 2 e 3 da manhã. (Ancelmo Gois)

No mais – O que pensam Paulo Guedes, Sergio Moro, Bento Albuquerque, Fernando Bezerra Coelho, Otávio do Rego Barros, Augusto Heleno, Salim Mattar, Roberto Campos Neto, Osmar Terra e outros integrantes da bancada não tosca do governo da cômica — se não fosse séria —ideia de Bolsonaro de nomear um filho embaixador em Washington? A turma que tem juízo se comporta que nem os nobres daquele conto de fadas de Hans Christian Andersen (1805-1875), que fingem, nesse caso, não ver que o rei está nu. Com todo o respeito. (Ancelmo Gois)

O ESTADO DE S.PAULO – primeira página

Manchete: Liberação do FGTS pode fazer economia crescer 1,1% em 2019

A liberação de até 35% do saldo das contas ativas (de contratos de trabalho atuais) do FGTS pode ajudar no crescimento de 1,1% do PIB neste primeiro ano de governo Bolsonaro. A estimativa anterior, sem considerar a medida, era de alta de 0,81%. Revelada pelo Estado, a proposta deve ser anunciada hoje e pode incluir também o saque das contas inativas (de contratos encerrados). O montante liberado, no entanto, deve cair dos R$ 42 bilhões inicialmente previstos para R$ 30 bilhões. Isso porque o ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou a sua equipe que os recursos do fundo destinados à habitação permaneçam intocados – o setor criticou ontem as medidas. Para analistas, o impacto sobre o consumo deve ser maior agora do que em 2017, quando o governo Temer liberou R$ 44 bilhões das contas inativas. Na ocasião, cerca de 40% dos recursos foram usados para o pagamento de dívidas.

Decisão de Toffoli já interfere em processos na Justiça – Relacionada ao caso de Flávio Bolsonaro, a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de condicionar o compartilhamento de dados de órgãos do governo a autorização judicial já interfere em casos na Justiça. Em SC, advogados apresentaram pedido para suspender processos. A defesa do médium João de Deus também vê margem para “questionamento”. Procuradores falam em prejuízo para investigações até de tráfico de drogas.

Planalto quer ‘Semana do Brasil’ com patriotismo e Black Friday – Comemorações estendidas pelo Sete de Setembro, promoções no comércio – numa “Black Friday brasileira” – e descontos em hotéis para estimular o turismo são ações para a “Semana do Brasil”, que o governo planeja para incentivar o patriotismo. Para atrair turistas estrangeiros, o slogan será“Brazil, visit and love us” (“Brasil, visite e nos ame”). Agências de propaganda trabalham no projeto, que pretende também melhorar imagem externa de Bolsonaro.

OAB reage a PEC que acaba com adesão obrigatória – Associações de classe, como a OAB, tentam barrar no Congresso a “PEC dos conselhos”. O texto prevê que não poderão ser estabelecidos limites ao exercício de atividades profissionais nem ser obrigatória a inscrição em conselhos.

MEC quer usar até Lei Rouanet em fundo de federais – Programa Future-se, do MEC, prevê fundo único, de R$ 102 bilhões, para universidades federais – incluindo captação de R$ 1,2 bilhão via Lei Rouanet. O projeto propõe captação de recursos via doações e até “namingrights”.

Aliados querem ‘blindar’ Eduardo – Troca de integrantes em comissão do Senado tentaria evitar ambiente hostil em sabatina e votação do nome de Eduardo Bolsonaro para embaixada nos EUA.

William Waack: “Ao decidir tornar o filho embaixador em Washington, Jair Bolsonaro ignora que países não têm amigos, têm interesses”.

Notícias do Estadão

Aliados querem ‘blindar’ Eduardo – Aliados do governo já discutem a possibilidade da troca de integrantes na Comissão de Relações Exteriores do Senado para tentar uma sabatina – e uma votação – menos hostil ao nome do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Escolhido pelo pai, presidente Jair Bolsonaro (PSL), para assumir a embaixada do Brasil em Washington, o parlamentar precisa do aval da maioria dos senadores para poder assumir a vaga. Os governistas avaliam que, com a mudança de dois nomes, a indicação de Eduardo teria “boa margem” para passar na comissão. A primeira alteração seria tornar o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), irmão de Eduardo, titular do colegiado. Para isso, o PSDB teria de abrir mão de uma de suas vagas, hoje ocupadas pelos senadores Antonio Anastasia (MG) e Mara Gabrilli (SP). A senadora já disse ser contrária à nomeação, enquanto Anastasia tem evitado se posicionar. A votação na comissão é secreta. O Estado apurou que interlocutores do governo já sondaram o líder do PSDB, Roberto Rocha (MA), sobre a possibilidade de troca. Uma opção seria Flávio substituir Mara no dia da votação da indicação na comissão, já que é seu suplente. A troca independe da vontade dela. A prerrogativa é do líder tucano. Conforme mostrou o Estado no sábado, dos atuais 17 titulares do colegiado, seis afirmaram ser contrários à indicação, sete se disseram favoráveis, três não quiseram comentar e apenas um não se manifestou. Outra estratégia dos aliados de Bolsonaro para aumentar os votos pró-Eduardo é ocupar a única cadeira vaga com um senador governista. Hoje, o bloco formado por MDB, PP e PRB indicou apenas quatro dos cinco assentos a que tem direito. O líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE), é cotado para o posto. Uma alternativa seria a indicação da senadora Mailza Gomes (PP-AC), que tem dado sinais de apoio público ao governo.

Deputada é tão governista quanto o próprio partido – Suspensa ontem pelo PDT após votar a favor da reforma da Previdência na Câmara, a deputada Tabata Amaral (SP) possui uma taxa de governismo muito próxima a de seu partido – apenas um ponto porcentual a mais. Isso é o que mostra o Basômetro, ferramenta do Estadão Dados que mede o governismo dos parlamentares e dos partidos na Câmara em relação à orientação do Executivo. De fevereiro a junho, Tabata votou em 41% das vezes em acordo com a orientação da liderança do governo Jair Bolsonaro na Câmara. O PDT (quando se faz uma média dos votos de todos os deputados da legenda), por sua vez, votou em 40% das vezes a favor do governo. Desde que engrossou os votos a favor da reforma da Previdência no primeiro turno da análise da proposta na Casa, a parlamentar tem sido criticada por eleitores nas redes sociais e por correligionários, dentre eles, o ex-candidato a presidente pelo PDT Ciro Gomes. Até ser apontada como “infiel”, Tabata era vista como uma das principais apostas de renovação do partido e cotada para disputar a Prefeitura de São Paulo nas eleições do ano que vem. O Basômetro não distingue pesos e diferenças entre as votações. O governismo é calculado quantitativamente em todas as votações que o governo orientou o voto. E compara a votação individual do deputado e do partido sempre em relação ao líder do governo. Nessas condições, Tabata Amaral deu a Jair Bolsonaro 14 votos a favor e 20 contra, até agora.

PDT estuda recorrer ao TSE contra movimentos – Depois de terem sido chamados de “partidos clandestinos” por Ciro Gomes, movimentos políticos se reuniram em Brasília para analisar a conjuntura. O balanço feito pelos dirigentes do Agora, Livres e Acredito (deste último, faz parte Tabata Amaral) é positivo: avaliam ter o apoio da opinião pública e acham que Ciro e Carlos Lupi tomaram o carimbo da velha política ao punir a parlamentar de 25 anos por ter votado pela reforma da Previdência. Na outra ponta, o PDT pensa em recorrer ao TSE questionando a atuação dos movimentos. Os movimentos querem aproveitar a onda para conseguir definir, via Congresso, novas regras nas estruturas dos partidos, como estabelecer mandatos para dirigentes. Não será fácil com apenas 15 representantes. “Nas redes sociais, esses movimentos anunciaram posição política dos eleitos vinculados a eles, como se fossem um partido dando orientação aos seus filiados”, diz Lupi, presidente do PDT. (Coluna do Estadão)

Linha do tempo – Em 2016, foi um relatório do ministro Dias Toffoli que abriu a possibilidade de o Coaf compartilhar dados globais com investigações. Até então, a troca de informações era vetada. (Coluna do Estadão)

Tudo como dantes – Os ministros do TCU se reuniram para avaliar a decisão do ministro Dias Toffoli de suspender as investigações que tenham usado dados do Coaf sem a prévia autorização judicial, como o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Chegaram à conclusão de que não afeta os trabalhos da Corte no que diz respeito ao combate à corrupção. Por lá, todas as informações são autorizadas antes pela Justiça. (Coluna do Estadão)

Mercado aquecido – Ministros dos tribunais superiores já realizaram pelo menos 165 palestras para instituições públicas e privadas em 2019. O número pode ser ainda maior porque os ministros não dão ampla divulgação à atividade de palestrantes. O levantamento foi feito com base em informações públicas, que não necessariamente revelam valores de cachês. Os recordistas são Luís Roberto Barroso, do STF, e Otávio Noronha, presidente do STJ. Ambos deram 12 dessas palestras (procurados, não quiseram comentar o levantamento). Em seguida aparece o presidente do Supremo, Dias Toffoli, com sete. No STF, só dois ministros não participaram de eventos de entidades privadas neste ano: Edson Fachin e Celso de Mello. (Coluna do Estadão)

Avante – A operação Hórus, de monitoramento da fronteira, será expandida até o fim do ano. O modelo-piloto do Ministério da Justiça empregado no Paraná chegará a Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As sucessivas apreensões da operação nas fronteiras fizeram até o mercado de cigarros contrabandeados inflacionar. O maço pirateado, que era comprado em municípios próximos à fronteira por R$ 5, já está custando R$ 9. (Coluna do Estadão)

‘Desafios são diários, mas é o momento mais grave’ – Integrante da força-tarefa da Lava Jato no Rio, o procurador Leonardo Cardoso de Freitas disse que a decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo, deixa a operação em seu momento mais grave. “É a primeira vez, pelo que lembro, que uma generalidade de casos nossos está em risco.” Ele ressaltou que a escolha de recorrer ou não da decisão cabe à Procuradoria-Geral da República, mas que, para a força-tarefa fluminense, esta é a opção acertada. Segundo Cardoso, a suspensão imposta por Toffoli dificulta o combate aos crimes de lavagem de dinheiro, que não se restringem a casos de corrupção praticada por políticos. “Qualquer crime que tenha efeito patrimonial obriga o criminoso a lavar.”

Procuradoria dá parecer contra anulação da ação do triplex do Guarujá – O Ministério Público Federal enviou ao Superior Tribunal de Justiça parecer em que se manifesta contra o pedido de anulação da ação penal do triplex do Guarujá, feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento é assinado pelo subprocurador-geral da República Nívio de Freitas, e foi remetido à Quinta Turma do STJ, em recurso na ação que culminou na condenação de Lula a 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Procuradoria reforça ‘o caráter ilegal das interceptações telemáticas divulgadas pela série de reportagens do portal de notícias The Intercept Brasil‘ – que indicariam parcialidade do então juiz titular da 13.ª Vara Federal do Paraná, Sérgio Moro, e suposto conluio com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Nívio de Freitas lembra que a nulidade de ato processual em matéria penal ‘exige demonstração concreta de prejuízo ao réu, o que em sua avaliação, não foi comprovado efetivamente pela defesa do ex-presidente’.

Após ameaças, evento em SC propõe debater ódio na internet – A organização da 13ª edição da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina, informou que após o cancelamento do convite à jornalista Miriam Leitão e ao sociólogo Sérgio Abranches irá propor uma mesa de debate sobre ódio em tempos de internet, informou Carlos Henrique Schroeder, coordenador artístico do evento. Os convites foram cancelados um dia após a programação ser anunciada, segundo a organização, por ameaças. “Começamos a receber mensagens, e mensagens pesadas, que não dá nem para repetir”, afirmou Schroeder. “Me senti envergonhado de ter que anunciar esse cancelamento mas, diante do conteúdo das ameaças, a prudência falou mais alto. Relutei, tive vontade de bancar a vinda deles, mas melhor assim do que ter um evento marcado por sangue. Estamos estudando uma substituição na programação e pensamos em fazer uma mesa para debater o ódio em tempos de internet”, afirmou.

Remédios: CGU vê problemas na Fiocruz – Relatórios de auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre oito Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) firmadas entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde apontam problemas que vão de precarização do trabalho a riscos de prejuízos aos cofres públicos de 2013 a 2018. Um dos relatórios da CGU, de 7 de abril de 2017, não verificou impacto positivo na política de parcerias e diz que todos os cronogramas de transferência de tecnologia, naquela época, estavam atrasados. O documento em questão investigava oito PDPs firmadas entre o ministério e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade técnico-científica da Fiocruz responsável por produzir medicamentos de base sintética, para o governo federal, distribuídos pelo SUS. Quanto à precarização do trabalho, a CGU constatou que a equipe da Farmanguinhos executora das PDPs é composta por terceirizados, contratados por intermédio de empresa de locação de mão de obra por, no máximo, 60 meses. “Dessa forma, a relação precária e temporária com essa força de trabalho diminui o potencial de qualificação do laboratório público.” A CGU fez, na época, várias recomendações à Fiocruz, incluindo possível suspensão de algumas das parcerias. A Fiocruz foi procurada, mas não se manifestou especificamente sobre as auditorias. A fundação esclarece que, entre as 19 parcerias suspensas esta semana, há quatro de Farmanguinhos e duas do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos). “Mais de 80% das PDPs da Fiocruz permanecem ativas. No caso das PDPs suspensas, uma avaliação criteriosa está sendo feita em conjunto com o Ministério da Saúde.”

FOLHA DE S.PAULO – primeira página 

Manchete: Moro interferiu em acordo com delatores da Lava Jato 

Mensagens privadas trocadas por procuradores da Lava Jato em 2015 mostram que o então juiz federal Sergio Moro interferiu nas negociações das delações de dois executivos da construtora Camargo Corrêa. As mensagens, obtidas pelo The Intercept Brasil e examinadas pela Folha e pelo site, revelam que Moro avisou aos procuradores que só homologaria as delações se a pena proposta aos executivos incluísse ao menos um ano de prisão em regime fechado. A interferência causou incômodo entre integrantes da força-tarefa em Curitiba. A Lei das Organizações Criminosas, de 2013, que definiu regras para os acordos de colaboração premiada, diz que juízes devem se manter distantes das negociações com delatores e têm como obrigação apenas a verificação de sua legalidade após a assinatura. “Enquanto juiz, não houve participação na negociação de qualquer acordo de colaboração”, afirmou em nota a assessoria de Moro, atual ministro da Justiça. A força-tarefa declarou não reconhecer a autenticidade do material. As defesas dos executivos não quiseram se manifestar.

Estado sem controle do Judiciário é ‘fascista e policialesco’, diz Toffoli – O presidente do STF, Dias Toffoli, defendeu ontem sua decisão de suspender investigações criminais que usem dados detalhados de órgãos de controle sem autorização judicial, atendendo a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). “Só não quer o controle do Judiciário quem quer Estado fascista e policialesco, que escolhe suas vítimas”, disse Toffoli a Thais Arbex. Ele negou que a decisão paralisará todas as apurações sobre lavagem de dinheiro, como afirmou o coordenador da Lava Jato no Rio, Eduardo El Hage. “Nenhuma investigação está proibida desde que haja prévia autorização da Justiça.” A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu um estudo do possível impacto da decisão e avalia recorrer dela.

Caixa deve reduzir juros imobiliários em até 31,5% – A Caixa Econômica Federal aguarda aval do BC para anunciar redução de até 31,5% dos juros dos financiamentos imobiliários. Hoje, os bancos costumam cobrar entre 8,5% e 9,5%, e a Caixa pretende reajustar os contratos para uma faixa entre 5,82% e 6,82%. Em outra medida de estímulo, o governo confirmou ontem que vai liberar o saque de até 35% do saldo de contas ativas do FGTS.

MEC quer custear universidades via Lei Rouanet – Plano do governo prevê incentivar o uso da Lei Rouanet — alvo de críticas de Jair Bolsonaro — para financiar museus e universidades federais. Também foi proposto um fundo imobiliário para vender imóveis ociosos que pertençam à União.

Notícias da Folha

Brasil está entre os que mais confiam na imprensa – A pesquisa Trust in the Media, confiança na mídia, realizada em 27 países pela Ipsos, mostra o Brasil empatado com a Alemanha como o terceiro país em que mais se confia na imprensa. Índia e China lideram. Dos 1.000 brasileiros adultos que participaram do levantamento, realizado em janeiro e fevereiro, 65% responderam confiar em jornais e revistas, o mesmo percentual para emissoras de televisão e rádio. Sites de notícias vieram a seguir, com 58%. Os indianos apresentam o maior percentual de confiança na imprensa (77%), seguidos dos chineses (67%). Depois de brasileiros e alemães, vêm sul-africanos (64%), malaios e canadenses (62% em cada um dos dois países). Na média dos 27 países, 47% confiam em jornais e revistas, 65% em televisão e rádio e 58% em sites. A margem de erro para a pesquisa no Brasil é de 3,1 pontos percentuais.

Assuntos de família superam os de política em grupos de WhatsApp – O brasileiro afirma discutir mais assuntos de família do que de política no WhatsApp, aponta pesquisa Datafolha sobre o uso de redes sociais e o comportamento dos usuários no aplicativo de mensagens. Considerando-se os 69% dos entrevistados que afirmam ter conta no WhatsApp, os assuntos citados por eles como os mais discutidos nos grupos são família (39%), trabalho (31%), política (30%), amigos (15%), futebol (14%), escola (13%) e religião (12%). A resposta era espontânea e múltipla, ou seja, um mesmo entrevistado poderia citar mais de um tema. O Datafolha ouviu 2.086 pessoas nos dias 4 e 5 de julho em 130 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

‘PT agride Tabata, mas seus governadores apoiaram reforma’, afirma Ciro – O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT) afirmou que os governadores do PT atuaram em favor da reforma da Previdência e disse que não há sentido nas críticas dos petistas à deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) e à bancada do PDT. “Uma turma do PT fica agredindo a Tabata e o PDT como se nós fôssemos pouco fiéis à luta do povo e o PT fosse o perfeito guia genial dos povos que não falha”, disse o pedetista. As declarações foram dadas na tarde desta quarta-feira (17) em Salvador, onde Ciro participou de um seminário de análise dos seis meses do governo Jair Bolsonaro (PSL). Ele citou como exemplo a bancada baiana, em que 25 dos 39 deputados federais votaram a favor da reforma, sendo 15 deles aliados do governador Rui Costa (PT).

Dodge estuda recorrer de decisão de Toffoli que suspende investigações – A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, avalia recorrer da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que paralisa inquéritos e ações penais que tenham usado dados pormenorizados de órgãos de controle —como Coaf, Receita e Banco Central— sem autorização judicial prévia. Em nota divulgada na noite desta quarta-feira (17), a PGR (Procuradoria-Geral da República) informou que Dodge “vê com preocupação” a determinação do ministro. A PGR tem discutido estratégias para o possível recurso em grupos de trabalho de procuradores e pediu aos colegas um levantamento de casos potencialmente afetados. Um dos dados buscados pelo órgão é quantos processos com réus presos poderão ser suspensos.

Investigação sobre Flávio teve 6 relatórios do Coaf antes de quebra de sigilo – A investigação sobre as movimentações financeiras no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contou com ao menos seis relatórios do Coaf antes da autorização judicial para quebras de sigilos fiscal e bancário dos investigados. Alguns desses documentos apresentam detalhes vedados em decisão desta segunda-feira (15) do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele determinou a suspensão de todos os inquéritos com esse tipo de informação sem supervisão judicial, após pedido do senador. O debate sobre o tema no plenário do STF está previsto para em 21 de novembro. O Ministério Público do Rio solicitou autorização para atuar no processo. Segundo a Folha apurou, as investigações sobre Flávio Bolsonaro, deputados e ex-deputados citados em relatórios do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) ficarão paralisadas até nova manifestação do Judiciário.

Somando esforços – O grupo que articula recorrer ao plenário do Conselho Nacional do Ministério Público contra o arquivamento de investigações sobre a atuação de Deltan Dallagnol e outros nomes da força-tarefa da Lava Jato começou a cotejar a impressão de colegas a respeito dos casos. As primeiras sinalizações indicam que há chances de o colegiado contrariar o corregedor do órgão e autorizar ações contra procuradores de Curitiba. Os integrantes mais otimistas falam em 8 a 6 pró-apurações. Quem pode mais Os integrantes do CNMP que são favoráveis à abertura de investigações com base nas mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil esboçam ceticismo diante da possibilidade de o corregedor do órgão, Orlando Rochadel, dar seguimento a ações deste tipo. Daí a articulação para submeter pedidos de apuração ao plenário. (Painel)

Por dentro – Dirigentes da Associação Nacional dos Procuradores da República, que tentam mapear os passos de Jair Bolsonaro no caminho que levará ao próximo comandante da PGR, se surpreenderam com o quanto os auxiliares do presidente estão inteirados de propostas e perfis dos nomes que estão na lista tríplice da categoria. Auxiliares de Bolsonaro, dizem procuradores, escrutinaram entrevistas e debates dos três nomes mais votados pelos categoria. Por isso, a cúpula da ANPR torce para que a surpresa que o presidente tem prometido no anúncio do próximo procurador-geral seja a escolha de um nome da lista. (Painel)

Para seu conhecimento – O PSB enviou nesta terça (17) aos 11 deputados que descumpriram orientação do partido e votaram a favor da reforma da Previdência um comunicado no qual informa que eles serão processados individualmente e que podem ser expulsos. Os parlamentares têm 10 dias para apresentar defesa. Dirigentes do partido avaliam que, deste grupo, ao menos seis deputados devem ser expulsos. A legenda vai aguardar o posicionamento dos parlamentares e a votação do segundo turno da reforma, mas tende a afastar em definitivo aqueles que descumpriram quase 100% de suas determinações, tanto no texto principal da Previdência como nos destaques. (Painel)

Bolsonaro diz que embaixadores brasileiros nos EUA ‘não fizeram nada de bom de 2003 para cá’ – O presidente Jair Bolsonaro, durante reunião do Mercosul, nesta quarta-feira (17), na Argentina, não poupou críticas a ex-embaixadores brasileiros nos EUA.

“Se vocês pegarem de 2003 para cá, o que os embaixadores nossos, do Brasil, nos Estados Unidos, fizeram de bom para nós? Nada!”, disse o presidente. “Eu, quando fui a Israel, há dois anos, o embaixador lá estava na Palestina. Não estava para servir as relações comerciais entre os nossos países.” Na última quinta-feira (11), Bolsonaro anunciou a decisão de indicar o filho Eduardo para ser embaixador do Brasil em Washington, o que gerou dúvidas sobre as qualificações do deputado federal para o cargo e acusações de nepotismo.

Bolsonaro leva filho mais novo a cúpula do Mercosul – O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, trouxe à Cúpula do Mercosul de Santa Fé seu filho Jair Renan Bolsonaro, 21, que desceu do avião logo atrás do pai. Com corte de cabelo moderno, raspado nas laterais, Jair Renan cumprimentou as autoridades que foram receber a comitiva brasileira, mas não participou da reunião dos presidentes. Após a plenária, quando Bolsonaro se aproximou dos jornalistas para dar uma entrevista, um dos repórteres perguntou se o filho que o acompanhava também seria um embaixador. Bolsonaro respondeu rindo: “Não. Este aqui está só aprendendo”. Jair Renan, conhecido como 04 ou “Bolsokid”, era até hoje o filho menos conhecido do presidente.

Para Mourão, imposto único teria dificuldade em ser aprovado pelo Congresso – O presidente em exercício, Hamilton Mourão, avaliou nesta quarta-feira (17) que dificilmente o Poder Legislativo aprovará a adoção de um imposto único no país no rastro da reforma tributária. A ideia foi defendida na terça-feira (16) por representantes do setor empresarial que compõem o Instituto Brasil 200, durante evento, em São Paulo, com a participação do general. A proposta é que os atuais tributos federais, estaduais e municipais sejam substituídos por um imposto único sobre transações financeiras, com alíquota de cerca de 2,5%, em formato semelhante ao da extinta CPMF. “Eu tenho estudado esse assunto e ainda não tenho uma opinião coerentemente formada, porque ela equilibra para algumas cadeias de valor e para outras desequilibra”, disse Mourão.

Salles faz visita a madeireiros em Rondônia após atos contra Ibama – O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou madeireiros de Espigão d’Oeste (RO) duas semanas após a queima de um caminhão-tanque a serviço do Ibama, em Boa Vista do Pacarana, distrito de Espigão. O veículo estava sendo usado para abastecer três helicópteros que apoiavam uma operação contra o rumo de madeira. Na região, as madeireiras dependem da extração ilegal de madeira de terras indígenas. Por causa do ataque, o Ibama teve de abortar a operação que estava sendo realizada na Terra Indígena Zoró. No mesmo dia, embargou todas as 47 madeireiras de Espigão, uma cidade de 32 mil habitantes a 540 km ao sul de Porto Velho. Aplaudido, Salles dirigiu seu discurso “às pessoas de bem que trabalham neste país que estão aqui representadas por todos vocês” e afirmou que sua visita era uma demonstração do respeito ao setor produtivo que o governo Bolsonaro tem e do diálogo que quer traçar com ele. Salles demonstrou estar aberto às reivindicações dos madeireiros.

Gustavo Bebianno quer se candidatar a prefeito no Rio – Gustavo Bebianno quer ser candidato a prefeito do Rio de Janeiro. O ex-ministro de Jair Bolsonaro já conversa com legendas de centro-direita sobre a possibilidade de colocar a campanha em pé. Demitido por Bolsonaro da Secretaria-Geral da Presidência, ele é hoje um dos maiores críticos do governo federal. Seria, portanto, candidato de oposição no berço político do presidente. Questionado, Bebianno confirma os planos. “Tenho grande preocupação com o Rio, onde nasci. O quadro é de deterioração e abandono”, afirma. “Falta um homem de verdade à frente do comando da cidade para fazer o que tem que ser feito”, finaliza o ex-ministro. (Mônica Bergamo)

Pedra no caminho – A indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil em Washington pode ser barrada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ministros já discutem entre si sobre a inconstitucionalidade da decisão de Jair Bolsonaro de escolher o próprio filho para o cargo. Um embaixador, na visão deles, representa o Brasil e não a pessoa do presidente. A súmula que permite à autoridade nomear parentes para o exercício de cargo de natureza política, portanto, não se aplicaria ao caso. Em duas decisões de 2018, por exemplo, um dos magistrados escreveu que mesmo escolhas de parentes para cargos políticos devem ser vetadas quando há “manifesta ausência de qualificação técnica” do indicado. Ou de idoneidade moral. O ministro Marco Aurélio Mello já se manifestou publicamente contra a decisão de Bolsonaro. Magistrados como Gilmar Mendes, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e Edson Fachin estariam entre os que tendem a examinar com rigor a decisão do presidente. (Mônica Bergamo)

Assim não dá – O presidente Jair Bolsonaro está insatisfeito com a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e pode ordenar mudanças radicais em seu desenho. Entre as possibilidades estariam a eliminação da agência, passando suas atribuições para outros órgãos, ou a transferência dela do Ministério da Cidadania para a Secom (Secretaria de Comunicação). Bolsonaro teria recebido relatos de projetos aprovados pela agência que consideraria absurdos como “Born to Fashion”, um reality para a revelação de modelos trans. Estaria também ressabiado com a disputa selvagem por cargos na área da cultura. O presidente deve se reunir nesta quinta (18) com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, para discutir o destino da Ancine. A reunião foi confirmada pela pasta. (Mônica Bergamo)

CORREIO BRAZILIENSE – primeira página

Manchete: Governo tenta aquecer consumo com FGTS e PIS

Numa estratégia semelhante à do governo Temer, Jair Bolsonaro tentará destravar a economia com a injeção de dinheiro das contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (R$ 42 bilhões) e do PIS/Pasep (R$ 21 bilhões). As regras ainda estão sendo elaboradas, mas está confirmado que trabalhadores com contas vinculadas a contratos vigentes serão beneficiados. No pacote, também está em estudo a restrição dos saques automáticos em caso de demissão sem justa causa. As medidas devem ser anunciadas nesta semana.

O lado cruel do frio – A temperatura deve cair mais nos próximos dias, segundo a meteorologia. Com os termômetros abaixo de 9ºC nas madrugadas, os moradores de rua são os que mais sofrem. Segundo o GDF, há mais de 3 mil espalhados por toda a cidade.

Busca de recursos para universidades – Ministério da Educação anuncia o programa Future-se para o financiamento privado do ensino superior.

Sem Coaf, procuradores temem pelas investigações – A decisão do STF de suspender os processos que usam dados do Conselho e da Receita prejudica o combate à corrupção, avaliam integrantes do Ministério Público. A chefe da PGR, Raquel Dodge, pediu um levantamento sobre o impacto nas ações que tramitam no Judiciário.

Guerra maior à corrupção – Em entrevista ao CB. Poder, o general Guilherme Theophilo e Wellington Porcino, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, mostraram a queda nos números da criminalidade no Brasil. O Ministério da Justiça mira agora o fortalecimento das polícias judiciárias e a implementação de delegacias de combate à corrupção no DF e nos estados. DF tem 10 carros roubados por dia. Samambaia, Ceilândia e Taguatinga lideram as estatísticas deste tipo de crime em 2019. Os números, no entanto, são menores que os do ano passado.

Fim da greve de 77 dias do metrô.

Roaming desativado – Cúpula do Mercosul, na Argentina, oficializa o fim da cobrança da tarifa entre os países do bloco; acordo entrará em vigor em 30 dias.

Reajuste no sonho – Fazer uma fé nas loterias deve ficar até 67% mais caro. Aposta na Mega-Sena pode chegar a R$ 4,50.

Notícias do Correio

Procuradores tensos com decisão de Toffoli – A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, de suspender investigações e processos, em todo o país, que utilizem informações compartilhadas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central e da Receita Federal causa preocupação entre procuradores. A tensão ficou tão elevada que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à sua equipe para fazer um levantamento sobre o impacto que a determinação vai provocar em ações em curso no Poder Judiciário em todas as unidades da Federação. “A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, vê com preocupação a decisão que suspendeu investigações e processos instaurados a partir do compartilhamento de informações fiscais e bancárias com o Ministério Público”, diz a nota da Procuradoria-Geral da República.

O preço de uma nomeação – O governo está ciente de que a nomeação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada brasileira em Washington, nos Estados Unidos, terá um custo político. A fatura está posta, dizem senadores e interlocutores, mas não há, ainda, como quantificá-la. De certo, envolverá a liberação de emendas parlamentares e cargos. O recado é que “indicar por indicar”, o presidente Jair Bolsonaro pode apresentar qualquer um, mas a aprovação é uma outra seara. Ao governo e a aliados, senadores afirmam que, atualmente, não há condições de aprovar o nome de Eduardo. Alguns acham até melhor o governo repensar a sugestão e recuar durante o recesso parlamentar, enquanto ainda é tempo. Ou conversar com o deputado e sugerir que ele abra mão de uma eventual indicação. “Não tem condições de aprovarmos isso: ou o governo recua, ou Eduardo desiste para não passar por essa saia justa”, declarou um senador.

Demissão na Embrapa – A demissão do agrônomo Sebastião Barbosa da Presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é um aceno à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não admite isso oficialmente, mas a exoneração atende à bancada ruralista — que pediu um choque de gestão rápido e urgente no agronegócio nacional — e ao presidente Jair Bolsonaro, defensor de uma “repotencialização” no órgão. A cúpula da FPA se reuniu com Tereza Cristina, Bolsonaro e o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, nas últimas duas semanas. A pauta não se referia a indicações políticas como contrapartida para apoiar o Planalto, mas, sim, em mudanças na gestão do agronegócio. Do Ministério da Agricultura à Embrapa. “A ministra foi avisada de que, ou ela começa a quebrar e expor os atuais problemas e as dificuldades no setor, ou ficará fragilizada e não nos atenderá. O recado, pelo visto, foi bem ouvido. A mudança na Embrapa nos atende”, declarou um parlamentar da bancada ruralista.

O governador boquirroto e a insatisfação na Justiça – Autor de frases e ações controversas para repercutir nas redes sociais — como aquela em que defendeu o “abate” de criminosos ou quando fez um sobrevoo rasante nas comunidades fluminenses —, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, desta vez desagradou o pessoal técnico responsável pelas políticas de segurança na Esplanada. Pegou mal uma declaração em que ele pede o fim do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão federal subordinado ao Ministério da Justiça. “Queremos construir 10 presídios verticais. Para aprovar, no Depen, me falaram que demora um ano. Aí eu pedi ao presidente para extinguir esse órgão. Ele falou que vai trabalhar”, disse na terça-feira. O Depen respondeu no mesmo dia, em nota aberta, citando repasses de verbas e pré-requisitos. Nos bastidores, entretanto, a bronca com a declaração sem base em dados e informações de Witzel foi geral na pasta da Justiça e da Segurança Pública. A questão é que, bem ou mal, o Depen tem uma memória de políticas e projetos sobre o sistema penitenciário. O fim do órgão a partir de uma declaração impensada — ou de pura marquetagem — de um governador de estado é algo que esbarra na burocracia mais forte e positiva de Brasília. (Brasília-DF)

Fora da lista tríplice – O presidente Jair Bolsonaro trabalha com um nome para o cargo de procurador-geral da República que é elogiado pelos integrantes do PSL, mas temido pelos setores mais progressistas do Ministério Público: Aílton Benedito Souza. Lotado em Goiás, Benedito, segundo parlamentares, é quem mais se aproxima das ideias do capitão reformado. O objetivo é que o anúncio ocorra na primeira quinzena de agosto. (Brasília-DF)

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Imposto sobre transações pode ter alíquota de 0,6%

O Ministério da Economia vai propor, na tramitação da reforma tributária, a recriação do imposto sobre transações financeiras (ITF), com alíquota de 0,60%. A ideia é que o novo imposto substitua todos os tributos federais, com exceção do Imposto de Renda. A alíquota proposta é bem superior ao 0,38% da CPMF, que também incidia sobre transações financeiras e foi cobrada até o fim de 2007, quando o Congresso rejeitou a prorrogação de sua vigência.

Governo estuda saque anual nas contas do FGTS – O presidente Jair Bolsonaro analisa duas possibilidades para o saque de recursos do FGTS. O acesso parcial ao dinheiro das contas ativas seria uma espécie de 14º salário e seria permanente, repetindo-se todos os anos. A outra contemplaria apenas a liberação das contas inativas.

O influente major Oliveira prevê batalha da Previdência – Alçado ao posto de ministro da Secretaria-Geral da Presidência há menos de um mês, mas com uma proximidade de anos com a família Bolsonaro, Jorge Oliveira admite a possibilidade de uma batalha jurídica em torno da reforma da Previdência.

Volta progressiva – Após a reforma da Previdência, o país não será inundado pelo capital externo. Os recursos voltarão devagar, à medida que a economia mostrar recuperação. “O Brasil vai começar a aparecer em pesquisas mais técnicas. Isso vai trazer o investidor global que não estava nem olhando para o país”, diz Will Landers.

As profissões que podem sumir com a automação – “Na era das máquinas, o emprego é de quem?” pergunta um trabalho da Universidade de Brasília (UnB) sobre o avanço da tecnologia no mercado de trabalho brasileiro. A resposta é complexa, mas em resumo diz que boa parte das ocupações conhecidas serão radicalmente transformadas, ou mesmo extintas.

Ataques racistas de Trump são autodestrutíveis – Na superfície, os ataques racistas feitos por Trump parecem autodestrutivos. A economia dos EUA está em alta. O objetivo de sua campanha à reeleição deveria ser ampliar sua base para incluir pessoas não brancas ou ao menos tranquilizar eleitores brancos moderados. Ainda assim, ele saiu espumando na direção oposta.

Vendas de moda íntima reagem em meio à crise – A moda íntima deve ser o primeiro setor da indústria têxtil a mostrar crescimento neste ano, segundo levantamento da consultoria Iemi – Inteligência de Mercado. As vendas no varejo previstas para o ano são de 1,588 bilhão de peças, alta de 2,1% em relação a 2018

Notícias do Valor

Relator defende IVA para unificar cinco tributos – Relator da reforma tributária na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) afirmou ao Valor, na primeira entrevista exclusiva desde que assumiu a função, que debaterá as várias propostas que estão sendo apresentadas sobre o tema, mas que o Brasil deve caminhar para um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e que terá como base o projeto elaborado pelo economista Bernard Appy, do Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), e protocolado pelo líder do MDB, Baleia Rossi (SP). Reforma tributária tem de ser mais ampla do que o governo propõe e deve englobar ICMS, diz Aguinaldo Ribeiro.

Liminar de Toffoli em favor de Flávio Bolsonaro pode barrar Brasil na OCDE – A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, de suspender todas as investigações com informações compartilhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e obtidas sem autorização judicial trará repercussão ao processo de entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pois organização deixará de ter acesso a informes do Coaf sobre lavagem. A avaliação é da coordenadora da Lava-Jato no Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, a procuradora da República Anamara Osório Silva.

Indicação de Eduardo não vai ‘furar fila’, diz presidente de comissão – O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), previu ontem que o trâmite para a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como embaixador do Brasil nos Estados Unidos deve levar ao menos 45 dias na Casa, prazo similiar ao da reforma da Previdência. A tramitação conjunta dos dois assuntos tem preocupado senadores por receio de que um assunto acabe por contaminar o outro.

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