Tudo de todos o jornais desta quarta-feira (22)  | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Bolsonaro admite rever permissão para compra de fuzil

O Planalto admitiu ontem, pela primeira vez, alterar o decreto sobre armas diante da revelação de que o texto possibilita até a compra de fuzis por cidadãos comuns. “Este é um dos aspectos que estão sofrendo avaliação por parte do presidente”, disse o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, afirmou que o próprio governo deve rever os pontos mais polêmicos do decreto para preservar o direito às armas de algumas categorias, evitando que seja rejeitado na Casa. Vídeo de 2017 mostra Bolsonaro exaltando as qualidades do fuzil T4 numa feira de armas.

Um país mais armado não será mais seguro – “Nós, 14 governadores de diferentes partidos e estados do Brasil, nos unimos para pedir aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário a imediata revogação do decreto das armas. Não acreditamos que um país mais armado será um país mais seguro.”

Governo e Câmara se acertam para votar hoje MP – Após acordo entre o Planalto e líderes parlamentares, a Câmara deve votar hoje a MP da reforma administrativa, que reduziu o Ministério. Está descartado o desmembramento da pasta do Desenvolvimento Regional, mas há divergências sobre o destino do Coaf.

Estados buscam alternativa para obter R$ 9,5 bi – Enquanto o Plano de Equilíbrio Fiscal, o “Plano Mansueto” (nome do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida), não sai do papel, governadores querem R$ 9,5 bilhões (30%) dos R$ 31,5 bilhões dos fundos constitucionais, destinados ao desenvolvimento regional.

Outras notícias

Antes da reforma: ex-mulher de Bolsonaro está tentando se aposentar aos 59 anos – Rogéria Nantes Bolsonaro, ex-esposa do presidente e mãe do trio Flávio, Carlos e Eduardo, parece preocupada com a reforma da Previdência. Ela está tentando se aposentar, aos 59 anos e 19 dias de idade. Com a intenção do ex-marido de mudar as regras de aposentadoria dos brasileiros, Rogéria está requisitando as declarações de tempo de serviço para dar entrada no pedido, no INSS. Uma das solicitações foi feita à Prefeitura do Rio, para comprovar os sete anos em que trabalhou como comissionada, de janeiro de 2009 a agosto de 2016. O pedido de Rogéria para declaração do tempo de contribuição foi feito em 27 de fevereiro deste ano. Seus dados foram liberados no fim de março e estão à disposição da ex-comissionada. (Ancelmo Gois)

Em vídeo gravado em 2017, Bolsonaro promoveu fuzil T4 – O presidente Jair Bolsonaro gravou um vídeo, postado nas redes sociais em 2017, num estande da empresa Taurus , fabricante de armamento, em que aparece com o fuzil T4. O modelo teve a posse liberada para cidadãos comuns no decreto que flexibilizou o porte e a posse de armas. No vídeo, feito durante a feira LAAD (Defense and Security), no Rio, Bolsonaro diz que não é garoto propaganda, mas que está no lançamento do fuzil. E chama a arma de “o nosso T4”. E promete que, se chegar à Presidência, vai permitir que “cidadão de bem” use o armamento. Nesta terça-feira, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, informou que o governo avalia fazer mudanças no decreto que flexibilizou a posse e o porte de armas e munições. — Estou no estande da Taurus. Não sou garoto propaganda daTaurus, não, mas estou no lançamento de armamento aqui. Obviamente, visando a possibilidade de concorrência futura que pode acontecer. A Taurus está lançando aqui um fuzil. E repete o que o representante da Taurus acaba de falar. — O nosso T4 e a pistola TS. Bolsonaro também reinteirou uma promessa de campanha: — Não sou especialista. Há muito tempo, sai do Exército, mas continuo capitão. A paixão pelas armas não muda. Por isso, eu sempre digo: se eu chegar lá, você cidadão de bem vai ter isso aqui em casa (e mostra a pistola). Você produtor rural, no que depender de mim, vai ter isso aqui também (e mostra o fuzil). E diz o que deve ser um “cartão de visita” para invasores de terras: — Cartão de visita para invasor tem que ser cartucho 762, com excludente de ilicitude, obviamente, e mudando o nosso código penal. Que o mais importante que a sua vida, é a sua liberdade. Povo armado jamais será escravizado.

Quebras de sigilo atingem tesoureiras do PSL do Rio – Duas tesoureiras do diretório estadual do PSL no Rio de Janeiro, presidido pelo senador Flávio Bolsonaro , tiveram sigilo fiscal e bancário quebrado na investigação do Ministério Público (MP-RJ) para apurar indícios da prática de “rachadinha” — isto é, a devolução de parte do salário pago a assessores, no gabinete do então deputado estadual entre 2007 e 2018. Valdenice de Oliveira Meliga, tesoureira-geral do partido nas últimas eleições, e Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira, atual primeira-tesoureira, foram incluídas no pedido do MP por sua atuação como assessoras de Flávio na liderança do PSL na Alerj no último ano, período em que acumulavam ainda a responsabilidade pelas contas do partido. O PSL fluminense só entregou sua prestação de contas referente a 2018 nesta segunda-feira, 20 dias depois do esgotamento do prazo determinado por lei. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) havia notificado a legenda sobre o atraso na entrega, no último dia 13, e aberto novo prazo de 72h para “suprir a omissão apontada”. Val Meliga foi afastada do cargo de tesoureira-geral no diretório estadual do PSL em março. Dona da empresa Meliga Produções e Eventos, Val tinha procuração para assinar cheques da campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado. A prestação de contas do PSL aponta que o partido contratou, em setembro, Renan Meliga Soncini dos Santos, sobrinho do marido de Val, para serviços de locação de veículos, por R$ 7,5 mil. O documento aponta que um dos cheques enviados pelo partido a Renan retornou por “divergência de assinatura”. Val também é irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos na Operação Quarto Elemento do M-PRJ, em agosto passado, que mirou policiais acusados de extorsão. Alessandra segue como primeira-tesoureira do partido. Ela foi a responsável pela contabilidade do diretório estadual do PSL nas eleições de 2018 e prestou serviço durante a campanha, através da Ale Soluções e Eventos, para 41 candidatos, incluindo Flávio Bolsonaro. No caso de 26 dessas candidatas, todas mulheres, a arrecadação de campanha girou em torno de R$ 2,8 mil e R$ 5,8 mil, boa parte proveniente de doações do partido. Alessandra prestou serviços de contabilidade para todas elas por R$ 750 e recebeu, na prática, parte da verba disponibilizada pelo PSL às candidatas.

Deputado, líder do MBL critica governo por ‘demonizar’ a política – Líder do Movimento Brasil Livre (MBL) e deputado federal eleito pelo DEM em São Paulo, Kim Kataguiri diz que o presidente Jair Bolsonaro erra ao pregar discurso de demonização da política. Segundo ele, o presidente está adotando o mesmo tom radical que seu filho, o vereador Carlos, usa nas redes sociais. Kataguiri tem criticado as convocações para a manifestação de domingo a favor do presidente. Em entrevista ao GLOBO, ele fala sobre o fato de ser chamado de “comunista” nas redes sociais por apoiadores do governo. Avalia ainda que o público “radical” que decidiu ir às ruas é o mesmo que pediu intervenção militar à época da mobilização a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014. – É uma manifestação com tom autoritário, de fechamento de Congresso e Supremo, governista, uma coisa que, por mais que agora tentem diluir as pautas da manifestação, o mote principal é “nós apoiamos Bolsonaro e tudo o que ele fizer, incondicionalmente”, o que não é do nosso ideal defender esse tipo de adesismo, diz Kataguiri.

Witzel apresenta projeto de lei para escolher reitores – O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), encaminhou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj ) um projeto de lei para alterar o processo de escolha de reitores nas universidades estaduais. Witzel pretende instituir a escolha mediante apresentação de lista tríplice ao governador. É este o modelo adotado por universidades federais, que submetem suas listas ao presidente. Atualmente, as universidades estaduais não precisam submeter uma lista ao chefe do Executivo — cada uma tem seu mecanismo de consulta à comunidade acadêmica definido em seus estatutos. A medida é vista na área como uma tentativa do governador de intervir na escolha dos dirigentes. Apresentado em março deste ano e republicado no Diário Oficial do Estado em 7 de maio, com alguns ajustes, o PL 274/2019 já foi distribuído para a Comissão de Constituição e Justiça e para a Comissão de Educação , mas ainda não foi apreciado.

O Estado de S. Paulo – primeira página

Manchete: Câmara avança com reforma tributária própria

Aposta do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de líderes do Centrão para mostrar que o Congresso tem agenda econômica própria, a proposta de reforma tributária apresentada pelo líder do MDB, Baleia Rossi (SP), deve ser votada hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em conversas reservadas, Maia e os líderes partidários avaliam que Jair Bolsonaro quer colocar a população contra o Congresso e, dessa forma, articulam a reação, sem esperar pelo texto de reforma que está sendo elaborado pela equipe econômica. O presidente da Câmara, no entanto, tem acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para que a discussão só vá a plenário após a votação da reforma da Previdência. O projeto de Baleia Rossi é baseado em propostas do economista Bernard Appye tem como ideia central a unificação de cinco tributos: IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS em um imposto cobrado no local onde o produto é consumido. A proposta em elaboração pela equipe econômica inclui apenas a unificação dos tributos federais e deixa Estados e municípios para um segundo momento.

Sob pressão, Centrão abre mão de novos ministérios – O Centrão recuou e decidiu votar hoje, na Câmara, a MP da reforma administrativa. Sob pressão das redes sociais e às vésperas das manifestações pró-Jair Bolsonaro, o grupo de partidos abriu mão da recriação das pastas de Cidades e Integração Nacional. Os deputados, no entanto, ainda querem tirar o Coaf da alçada de Sérgio Moro.

Fila de multas está parada – No ICMBio, 354 autos de infração emitidos por agentes estão prontos, mas, sem assinatura do presidente do órgão, não podem ser cobrados.

Amazônia perde em média 19 hectares de mata por hora – Dados oficiais sobre o desmatamento na Amazônia mostram que os primeiros 15 dias de maio foram piores para o mês em uma década: 19 hectares/hora de desmate, em média, o dobro do registrado no mesmo período de 2018. Em uma quinzena, foi perdido o equivalente a 7 mil campos de futebol. A devastação ocorreu em unidades de conservação administradas por órgãos como Ibama e ICMBio.

Bolsonaro pode rever decreto das armas, diz Planalto – Ao ser questionada sobre a possibilidade de porte de fuzil pelo cidadão comum, a assessoria de Jair Bolsonaro informou que aspectos do decreto que flexibilizou o porte de armas estão sendo avaliados pelo presidente e pela Casa Civil. Ontem, 14 governadores e a Anistia Internacional se manifestaram contra o teor do decreto.

Caixa dará desconto de até 90% em dívidas – A Caixa espera recuperar até R$ 4 bilhões com a renegociação das dívidas de 3 milhões de clientes vencidas há mais de um ano. O banco também terá novo crédito imobiliário, com cobrança de juros conforme a variação da inflação.

Outras notícias 

Câmara aprova estrangeiros nas aéreas e retoma franquia mínima de bagagem – O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira, 21, a medida provisória que trata da abertura total do setor aéreo brasileiro para o capital estrangeiro. Os parlamentares derrubaram, contudo, a permissão para que companhias do setor cobrem por bagagens despachadas. Da forma como foi aprovada, a MP permite ao passageiro levar, sem cobrança adicional, uma bagagem de até 23 kg nas aeronaves acima de 31 assentos.

Esse dispositivo não fazia parte da proposta original enviada ao Congresso. Mas o relator da MP, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), incluiu a alteração. O texto aprovado no plenário da Câmara permite que empresas estrangeiras detenham 100% do capital de áreas que operam rotas domésticas no País. A medida provisória precisará ser votada pelo plenário do Senado nesta quarta-feira ou perderá a validade.

Marco Aurélio ironiza almoço: ‘Sem lagosta’ – O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, ironizou ontem convite do presidente do STF, Dias Toffoli, para almoço que será realizado hoje com os demais integrantes da Corte. Toffoli costuma convidá-los para um almoço no gabinete da presidência entre uma sessão e outra. “Há convite para almoço, sem lagosta”, disse Marco Aurélio ao ministro Luiz Fux, em referência ao edital do tribunal que incluiu a compra do crustáceo.

Maia rompe com líder do governo após mensagem em aplicativo – Após ter rompido publicamente com o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (PSL-GO), por críticas que teriam sido feitas por ele ao Congresso, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que não irá mais aceitar um tratamento desrespeitoso por parte de representantes do governo em relação ao Legislativo. Maia evitou responsabilizar o presidente Jair Bolsonaro pelo comportamento, mas disse que ele dá “sinais trocados”. Sobre o episódio com o líder do governo, Maia afirmou não ter ficado “zangado com ninguém”, mas voltou a dizer que uma charge compartilhada por Vitor Hugo há cerca de dois meses no grupo de Whatsapp do PSL, atacou a Câmara institucionalmente e foi “desrespeitosa”. A mensagem associava a negociação do governo com o Congresso a sacos de dinheiro. Maia teve acesso à sátira. “A publicação é desrespeitosa, mas não foi só ele. Tem secretários de alguns ministérios que também postaram e nós não vamos aceitar esse tipo de tratamento de alguns membros do poder Executivo e seus representantes em relação ao poder Legislativo”, disse.

Habeas corpus de Queiroz deve ser julgado por desembargador que já negou liminar – O pedido feito pela defesa de Fabrício Queiroz para anular a quebra de sigilo fiscal e bancário de 95 pessoas e empresas investigadas no suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro no gabinete do ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativo do Rio (Alerj) deve ser julgado pelo mesmo desembargador que indeferiu no mês passado a liminar impetrada pelo atual senador para suspender a investigação do Ministério Público fluminense. O habeas corpus ajuizado no dia 17 pelo advogado Paulo Klein, que defende a família de Queiroz, foi distribuído ao desembargador Flávio Horta Fernandes, da 2.ª Câmara Criminal, mas ele declinou da competência e o caso deve ir para o desembargador Antônio Carlos Amado, da 3ª Câmara Criminal, por prevenção, já que foi ele que analisou e indeferiu a liminar de Flávio Bolsonaro em abril.

‘Dissidentes’ à frente de atos pró-Bolsonaro – As manifestações em defesa do presidente Jair Bolsonaro marcadas para o próximo domingo estão sendo organizadas por grupos dissidentes das principais organizações que comandaram o movimento pelo impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff e apoiaram Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018. A esses movimentos, articulados majoritariamente pelo WhatsApp, se soma uma rede de influenciadores digitais alinhados com o clã Bolsonaro e com o núcleo ideológico do governo, que tem o escritor Olavo de Carvalho como principal referência. Enquanto os dois principais grupos anti-Dilma de 2015 – o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua – se afastaram de Bolsonaro e adotaram bandeiras institucionais como a reforma da Previdência, outros de matriz mais radical mantiveram o discurso antiesquerda que pautou a eleição presidencial e os discursos. Para evitar o isolamento, as pautas do dia 26 são difusas: defesa do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro (Justiça), CPI da Lava Toga e reforma da Previdência. O que prevalece, porém, é uma retórica contra a classe política, que é acusada de conspirar para derrubar o presidente.

Protestos do dia 15 motivaram ‘resposta’ – As imagens que convocam para as manifestações favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro, no próximo domingo, começaram a se destacar entre as mais circuladas do WhatsApp no dia 16, quinta-feira, logo após os atos contrários ao governo e aos cortes na Educação. Como forma de rebater os protestos, apoiadores de Bolsonaro se mobilizaram para ir às ruas e, desde então, o teor das mensagens tem sido direcionado para atacar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma análise feita pelo Estado no WhatsApp Monitor, ferramenta de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostra que foi no sábado passado, porém, que as imagens com convocatórias para o próximo domingo dominaram de vez os grupos públicos. Àquela altura, além de conter detalhes dos atos em cada cidade, as imagens passaram a atacar abertamente o Congresso e o Supremo. Uma delas chega a pedir o fechamento das duas instituições, enquanto outras buscam desmoralizá-las.

‘Olavistas fazem patrulha da direita nas redes’ – O engenheiro agrônomo Xico Graziano, de 66 anos, que deixou o PSDB para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, sentiu na pele a ira dos grupos ligados ao escritor Olavo de Carvalho. Ao defender no Twitter a necessidade de o presidente negociar com o Congresso para aprovar a reforma da Previdência e outras medidas de impacto, Graziano virou alvo da “patrulha ideológica” virtual dos olavistas, que enxergam em qualquer composição política o velho “toma lá, dá cá”. Nesta entrevista ao Estado, ele critica o que chama de “seita direitista” e diz que, apesar dos ataques que sofreu, continua a apoiar o governo. “Não estou arrependido de nada. A leitura não é essa. Estou procurando mostrar o meu desalinhamento de um grupo de radicais ligados ao escritor Olavo de Carvalho, que participou da campanha e está com Bolsonaro. Quis marcar uma posição porque começou a ficar uma coisa claramente fascista. A sensação é de que nós trocamos uma quadrilha vermelha por uma seita direitista, que está interessada em atacar o globalismo e em fazer uma revolução cultural ao contrário, para combater o que havia antes”, diz Graziano.

Partidos articulam carta para negar fisiologismo – Paulinho da Força (SD-SP) articula com outros presidentes de partidos uma “carta à população” para negar interesse em cargos e ministérios de Jair Bolsonaro. Seria uma reação ao texto compartilhado pelo presidente dizendo que o Brasil é ingovernável sem conchavos. O teor ainda não foi definido, mas outros dirigentes devem endossá-lo. Na mesma direção, Rodrigo Maia avisou aos colegas que vai tirar da MP da Esplanada a divisão do Desenvolvimento Regional em duas pastas. Se Bolsonaro quiser, terá de mandar outra medida, com sua digital. O plano é aprovar a MP 870 sem os Ministérios da Integração Nacional e das Cidades. Deputados não querem apanhar sozinhos nas manifestações do dia 26 por algo acertado com o governo. Defensores da retirada de Major Vitor Hugo da liderança de governo na Câmara esperam que o rompimento com Rodrigo Maia seja o empurrão que faltava para convencer o presidente Jair Bolsonaro. O grupo torce para Joice Hasselmann (PSL-SP) assumir o posto e, no lugar dela na liderança do Congresso, ser nomeado o deputado Claudio Cajado (PP-BA), que não tem apoio do partido. Além de anunciar o rompimento com Vitor Hugo, Rodrigo Maia disse no colégio de líderes que o Congresso derrubará todas as matérias do governo que exorbitarem suas prerrogativas. O contexto era decreto das armas. (Coluna do Estadão)

Folha de S.Paulo – primeira página 

Manchete: Congresso faz acordo para aprovar MP de Bolsonaro

Às vésperas de manifestações de rua que têm o Congresso como um dos focos de ataque, líderes do chamado centrão fecharam um acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para votar ainda nesta semana a medida provisória que reorganiza a estrutura do governo federal. A medida expira no dia 3 de junho caso não seja aprovada até lá nos plenários da Câmara e do Senado. Apesar da articulação, o presidente da Câmara rompeu com o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Os dois bateram boca durante reunião de líderes na tarde de ontem. Em nova derrota para o ministro da Justiça, Sergio Moro, a medida provisória passou por comissão mista do Congresso antes de chegar ao plenário da Câmara, e o projeto a ser votado prevê a transferência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Economia. O texto também devolve a Funai e o processo de demarcação de terras indígenas para a pasta da Justiça —algo que a gestão Jair Bolsonaro também não queria.

Bolsonaro desiste de ir a manifestação pró-governo – Em reunião ministerial, Jair Bolsonaro (PSL) pediu aos integrantes de sua equipe que não compareçam às manifestações em apoio ao governo marcadas para o próximo domingo (26). O presidente desistiu de participar dos atos. Seu partido, o PSL, em encontro sem os principais líderes, decidiu não apoiar institucionalmente a manifestação e liberar quem quiser ir.

Sob forte crítica, governo reanalisa texto sobre porte – A gestão Bolsonaro iniciou reanálise de pontos polêmicos do decreto sobre armas, como o que prevê efetiva necessidade a categorias profissionais. Ontem, 14 governadores publicaram carta aberta pedindo a revogação imediata da resolução.

Caixa vai abater até 90% em dívida para reaver R$ 4 bi – Programa de renegociação prevê deduções que podem chegar a 90% nas dívidas de 3 milhões de clientes —o desconto mínimo oferecido será de 40%. Medida tenta recuperar até R$ 4 bilhões de recursos que, hoje, são considerados prejuízo.

Outras notícias

Bandeirantes é condenada a indenizar delegado da Lava Jato – A Justiça determinou que a Rádio e Televisão Bandeirantes SA pague R$ 100 mil de indenização ao delegado da Polícia Federal Milton Fornazari, que foi um dos responsáveis pela Operação Lava Jato em São Paulo. O juiz Eduardo Tobias de Aguiar Moeller, da 2ª Vara Cível de São Paulo, fixou esse valor como reparação de danos morais em razão de comentário feito por Reinaldo Azevedo em um dos programas de rádio da emissora. Ainda cabe recurso contra a decisão. No dia 9 de abril de 2018, o comentarista Reinaldo Azevedo disse no programa “O É da Coisa” que o delegado pertencia a uma ala da PF identificada com o Partido dos Trabalhadores e que ele havia sido advogado do Sindicato dos Bancários, entidade historicamente ligada ao PT. Os comentários de Reinaldo Azevedo, que também é colunista da Folha, foram feitos após Milton Fornazari publicar em uma rede social a seguinte mensagem: “Agora é hora de serem investigados, processados e presos os outros líderes de viés ideológico diverso, que se beneficiaram dos mesmos esquemas ilícitos que sempre existiram no Brasil (Temer, Alckmin, Aécio etc)”. A publicação foi feita após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

MP de Contas pede rejeição de gastos de Alckmin e França – De forma inédita, o Ministério Público de Contas de São Paulo pediu a reprovação dos gastos do governo do estado. O parecer é relativo ao ano de 2018, cuja gestão foi dividida entre Geraldo Alckmin (PSDB), de janeiro a março, e Márcio França (PSB), de abril a dezembro. O documento, que agora será analisado pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), foi assinado nesta terça-feira (20) e obtido pela Folha. Nele, são apontadas irregularidades como benefícios fiscais concedidos por meio de decreto do governador, sem passar pelo Legislativo, e gastos insuficientes na educação. O parecer deve ser levado em conta no julgamento das contas de Alckmin e França pelo plenário do TCE, em junho. Em seguida, a decisão do tribunal será votada pela Assembleia Legislativa, onde o governo costuma formar maioria. Se as contas forem reprovadas, os ex-governadores podem ser alvo de multa e de ação por improbidade administrativa. Atualmente, Alckmin já tem bens bloqueados em uma ação de improbidade relativa à delação da Odebrecht.

Bolsonaro precisa se emendar, diz Janaina – Um dia após discutir com colegas por causa das manifestações de rua em defesa do presidente Jair Bolsonaro e falar em sair da bancada do PSL, a deputada estadual de São Paulo Janaina Paschoal disse nesta terça-feira (21) que ficará no partido. “Será que um comentário num grupo de WhatsApp é uma decisão? Foi uma conversa, era entre 15 deputados eleitos num grupo fechado. Se alguém vazou isso é porque quer me forçar a sair. Agora é que eu fico!”, afirma ela à Folha. Nesta segunda (20), a parlamentar sinalizou que deixaria a legenda depois de discordar, no grupo de mensagens, dos colegas de PSL na Assembleia de São Paulo. Eles defendem a convocação dos atos em defesa do governo, marcados para o domingo (26) e classificados por ela como sem racionalidade. A deputada diz ainda que mantém o apoio a Bolsonaro, mas pede que ele aprenda a ouvir críticas. “Qual é a nossa alternativa neste momento? Ele foi eleito, ele está na plenitude do cargo. Eu quero que ele se emende.”

Atos abrem fissura na aliança liberal-conservadora que elegeu Bolsonaro – Os protestos de domingo (26) são uma fissura no que o ministro da Economia, Paulo Guedes, chamava na campanha eleitoral de “junção da ordem com o progresso”. Ou seja, a união de interesses entre os conservadores comportamentais (ordem) e os liberais econômicos (progresso) que ajudou a empurrar Jair Bolsonaro para a Presidência. A questão agora é saber se é apenas um estranhamento ou o início de um divórcio. Os liberais decidiram se distanciar das manifestações, abraçadas com ânimo pelas mais diversas vertentes do conservadorismo: olavistas, ruralistas, armamentistas, evangélicos, saudosistas da ditadura e outros. Referências liberais, que têm em Guedes uma idolatria quase comparável à dos filhos de Bolsonaro por Olavo de Carvalho, ficarão longe da avenida Paulista e de outros pontos de manifestação pelo país.

‘O caminho é a política’, diz Flávio Bolsonaro – Depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) compartilhar mensagem sobre o Brasil ser “ingovernável” por causa de conchavos e de afirmar que o grande problema do país é a classe política, senadores reagiram com críticas ao governo nesta terça-feira (21). Já o filho mais velho do presidente, Flávio, que também é senador, defendeu o pai e afirmou que a política é o caminho para estancar a crise entre o governo e o Congresso. “Obviamente o caminho está na política, não há outro. O caminho é a política, o caminho é o diálogo”, disse o senador. Diversos parlamentares foram à tribuna reclamar de Bolsonaro e cobrar que ele aponte quem são os congressistas que o procuram para assuntos não-republicanos. “Fui questionado sobre conchavos no Congresso Nacional. São palavras fortes não utilizadas por qualquer um, mas pela maior autoridade brasileira. Quando o presidente da República fala, elas não ficam entre quatro paredes, no Palácio do Planalto. Essas palavras ecoam no Brasil todo e ecoam internacionalmente”, disse.

O último dos moicanos – Queimadas todas as pontes institucionais com a cúpula do Congresso, dirigentes de partidos foram avisados de que a Casa Civil vai tentar impulsionar as negociações com as bancadas por meio do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE). A proposta foi recebida com ceticismo. Acordos firmados pelo Planalto com os presidentes das duas Casas não foram honrados e a sensação, hoje, é a de que o “governo não tem palavra” e vai sempre ceder à ala que desdenha da política. Salve o que puder A nova tentativa da Casa Civil de aproximar o governo do Parlamento integra esforço para evitar que os altos e baixos da relação do presidente Jair Bolsonaro com o Congresso fira de morte a reforma da Previdência. (Painel)

Manda quem pode – O rompimento público de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, com o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo, apenas formaliza afastamento que já existia nos bastidores. Aliados de Hugo dizem que Joice Hasselmann (PSL-SP) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) já haviam pedido a cabeça dele a Bolsonaro, que nunca entregou. O gesto de Maia lança nova fonte de pressão nesse sentido. Hugo incorpora o bolsonarismo mais puro, pouco afeito à negociação política e com queda à crítica generalizada do Congresso. Por isso mesmo, apostam seus aliados, o presidente o mantém no cargo. Os dois pensariam da mesma maneira. Questionado recentemente por um colega sobre sua disposição de permanecer no posto, Vitor Hugo foi sucinto, mas incisivo: “Eu aguento mais pressão”. (Painel)

Araújo assinou documento para contratar funcionário sem diploma com salário de até R$ 34 mil – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, assinou documento em março que permitiria a contratação de pessoas sem curso superior para altos cargos da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Com a alteração no Plano de Cargos, Carreiras e Salários da agência, quem não tem diploma universitário poderia ser empregado em postos com salários de até R$ 34 mil. Pelas regras vigentes, as vagas para cargos de confiança — que não precisam de concurso público— só podem ser preenchidas por candidatos com “ensino superior completo, reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação).” Araújo estabeleceu no documento obtido pela Folha que o diploma universitário pode ser dispensado caso o indicado tenha “experiência comprovada de, no mínimo, quatro anos em atividades correlatas ao cargo”. Interlocutores que acompanharam o caso na Apex afirmaram à Folha, sob condição de anonimato por temerem represálias, que as mudanças das regras foram feitas para permitir a contratação do produtor agropecuário Paulo Vilela, que se candidatou a deputado federal pelo PSL em 2018, mas não conseguiu se eleger. Ao ser convidado para assumir a gerência de agronegócios da Apex, no começo do ano, Vilela não foi admitido por ter grau de escolaridade aquém do exigido para o posto. Segundo o sistema de candidaturas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Vilela tem ensino médio completo. A Folha tentou contato com Vilela nesta terça-feira (21), mas ele não respondeu às ligações. No início de abril, no entanto, o produtor afirmou, ao jornal Correio Braziliense, que havia sido convidado para ocupar a gerência da Apex pela ex-diretora de negócios Letícia Catelani.

Manifestação racha empresários pró-Bolsonaro – As manifestações convocadas para o domingo (26) racharam os empresários da linha de frente do bolsonarismo. Uma parte diz que elas são loucura. Já Luciano Hang, do grupo Havan, está convocando as pessoas para os protestos. “Empresários ficam em cima do muro, atrás do muro, atrás da moita. Eu não sou assim”, diz ele. Hang, no entanto, afirma que só decidiu aderir às manifestações depois que elas começaram a ter “foco”: a reforma da Previdência. “As manifestações não têm que ser ‘fora’ ninguém”, diz ele, referindo-se a grupos que pregam o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e até o fechamento do Congresso. “Não é a hora de brigarmos e sim de pedirmos, até implorarmos, pela aprovação da reforma”, afirma o empresário, que esteve recentemente com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). (Mônica Bergamo)

Emergência – A cúpula do DEM, que comanda a Câmara, com Rodrigo Maia, e o Senado, presidido por Davi Alcolumbre, se reúne nesta quarta (22) em Brasília para discutir as manifestações de apoio a Bolsonaro. Além de Maia e Alcolumbre, devem participar também o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM-GO), e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA). De acordo com uma das lideranças do DEM, se os protestos se virarem de fato contra Maia, Alcolumbre e o STF, o país pode parar — com novas derrotas do governo no parlamento. (Mônica Bergamo)

Correio Braziliense – primeira página

Manchete: Era uma vez… O reencontro de Lis e Mel

Enfim, o momento mágico, aguardado com ansiedade pelos pais e pela equipe do Hospital da Criança de Brasília: Mel recebeu alta da UTI e ficou cara a cara com a irmã, Lis, na primeira vez que se viram desde a histórica cirurgia de separação em 27 de abril. As duas são gêmeas e nasceram unidas pela cabeça. No início, ontem, elas se olharam por um instante, como se estivessem se reconhecendo e, depois, deram-se as mãos. “Foi a coisa mais linda”, contou a mãe, Camilla Vieira, 25 anos, ao Correio. Mas não demorou para que Mel, repetindo um hábito que tinha antes da operação, tentasse roubar a chupeta de Lis. O reencontro das irmãs emocionou a família, médicos, enfermeiros e demais funcionários do HCB.

Dengue atinge 20 mil e mata 16 – O número de casos e de óbitos pela doença explodiu no DF este ano. Em 2018, houve uma morte. Itapoã, Paranoá e São Sebastião lideram os registros.

Homem mata ex-namorada e mais três em Paracatu – A noite de violência aterrorizou a cidade mineira. Depois de assassinar a ex na casa dela, Rudson Guimarães, 39 anos, invadiu a Igreja Batista Shalon, que frequentava, e atirou na direção de várias pessoas, matando três. A chacina só parou depois que o assassino foi baleado pela PM. Ele está na UTI.

Um grito por Debora – Colegas de trabalho da professora Debora Correa protestaram ontem, na 511 Norte, contra a violência e cobraram medidas eficientes para a segurança das mulheres. Ela foi assassinada a tiros pelo policial civil e ex-namorado Sérgio Murilo, num prédio da Secretaria de Educação. Ele se matou. A docente foi sepultada ontem.

Guedes e Maia participam de debate no Correio – A importância da reforma da Previdência para o futuro do país é o tema em discussão hoje, das 9h às 13h30, no auditório do jornal. Também estarão presentes o deputado Marcelo Ramos (PR-AM), presidente da comissão especial da reforma na Câmara, e o relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP).

Toda a glória a Chico – Compositor, cantor e romancista, Chico Buarque foi agraciado ontem com o Prêmio Camões. A condecoração é uma das mais importantes da literatura em língua portuguesa. Só 13 brasileiros estão no seleto grupo de vencedores.

Outras notícias

Acordo para liberar pauta da Câmara – Mesmo com as manobras da esquerda para obstruir a votação da Medida Provisória nº 870, de 2019, também conhecida como reforma administrativa, a expectativa é de que o texto vá hoje à votação no plenário da Câmara dos Deputados. A MP, que reduziu para 22 o número de ministérios, perde a validade em 3 de junho e, se isso acontecer, a Esplanada ganhará outras sete pastas, chegando a 29, mesma quantidade da gestão de Michel Temer. Reunião de lideranças da Câmara, porém, acertou ontem os pormenores para a votação desta e de outras medidas provisórias que travam a pauta da Casa. Líder da minoria na Câmara, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que governo e Centrão, juntos, têm força para “atropelar a oposição”. Mas que, ainda assim, a intenção é obstruir o andamento das pautas. Para ela, a aprovação da MP nº 870, com o Coaf no Ministério da Economia, e a demarcação de terras indígenas fora da pasta da Agricultura, por exemplo, já representariam uma derrota para Bolsonaro. “O substitutivo não agrada ao governo. Ela (a reforma) sai com aspectos completamente diferentes”, avaliou.

Auditores protestam – Auditores-fiscais da Receita Federal fizeram ontem em várias cidades (Pelotas, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Manaus e Brasília) ato intitulado O Dia Contra a Mordaça, em repúdio a dispositivo da Medida Provisória nº 870/2019, que, afirmam, limita as competências do cargo e impede a cooperação, sem ordem judicial, com outras instituições no enfrentamento a crimes de colarinho branco. O Fisco ficou restrito à investigação de fraudes tributárias e aduaneiras e impedido de fiscalizar crimes de caixa dois, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros relacionados à corrupção. Em Brasília, os atos foram em frente ao Ministério da Economia, com a entrega de um manifesto ao secretário-executivo adjunto Miguel Ragone de Mattos. No início de maio, até a direção da Receita foi contra esse item da MP nº 870, que reformula a estrutura dos ministérios. Para analistas, essa é mais uma briga “do governo contra o governo”, uma vez que o item que incomoda os auditores foi apresentado pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado. Após o protesto, ontem à tarde, o parlamentar informou que a parte do texto que se refere aos auditores será votada em separado. Ele declarou ainda que viu “a manifestação com naturalidade”.

Senado paralisa Itamaraty – A relação do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com o Congresso, na linha de atuação do guru Olavo de Carvalho, está criando a maior dor de cabeça para o Itamaraty. Quinze novos embaixadores designados pelo ministro foram parar na geladeira da Comissão de Relações Exteriores do Senado, apesar da conversa entre o chanceler brasileiro e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que somente liberou a apreciação das indicações de três embaixadores até agora, todos por interferência de outras autoridades. O presidente da Comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), é aliado de primeira hora de Alcolumbre. Hoje, em reunião extraordinária da Comissão, segundo a pauta que estabeleceu, serão examinados os nomes dos embaixadores designados para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com sede em Lisboa, Pedro Fernandes Pretas, um pedido do ministro-chefe do Gabinete de segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno; para Santa Sé e Malta, Henrique da Silveira Sardinha Pinto, solicitação do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG); e da Itália, Hélio Vitor Ramos Filho, cujo padrinho é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A primeira indicação será relatada pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), a segunda pelo próprio Anastasia e a terceira, pelo senador Jarbas Vasconcelos(PMDB-PE). Todos são de oposição. (Nas entrelinhas)

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Centrão recua e votações são retomadas na Câmara

Pressionado, o Centrão, grupo informal de partidos composto por DEM, PP, PR, PRB, SD, PTB e MDB, recuou do bloqueio que fazia à medida provisória da reforma administrativa e decidiu votá-la hoje na Câmara. O argumento para antecipar a votação é de que o bloco não podia dar margem ao governo para acusá-lo de ser o responsável pela crise. Perspectiva de pressão sobre o Congresso com atos massivos de rua levaram grupo a ceder.

União espera receber de banco público R$ 20 bilhões – Os bancos públicos deverão devolver aos cofres da União neste ano ao menos R$ 20 bilhões, de um total de aproximadamente R$ 86 bilhões que receberam do governo federal como reforço de capital durante o mandato de Dilma Rousseff. O dinheiro devolvido será utilizado para abater a dívida pública.

O bloqueio à Huawei começou na Austrália – Australianos encabeçaram as pressões contra o 5G da Huawei e proibiram a atuação da empresa nessa área no país em 2018. Os EUA demoraram para agir, assim como os países europeus, porque estavam atraídos pelos preços competitivos da chinesa, líder global na instalação de redes 5G.

Santander adota cautela e busca se diferenciar de rivais – O Santander acelerou na oferta de crédito antes dos concorrentes e, agora, o presidente do banco, Sérgio Rial, decidiu que é hora de andar com mais cautela.

CSN antecipa vendas para reduzir dívida – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está em negociação com duas empresas chinesas, Citic e China Minmetals, para a venda antecipada do fluxo futuro de minério de ferro, como informou o serviço de informação em tempo real Valor PRO.

BRF procura um sócio no Oriente Médio – Em busca de um sócio estratégico para ingressar no mercado de carne de frango da Arábia Saudita, a BRF pode oferecer uma participação minoritária em alguns de seus ativos no Oriente Médio.

Outras notícias

Votação do marco legal do saneamento está travada na Câmara – Com o prazo apertado para votação, voto contrário da oposição e resistência dos governadores, a medida provisória (MP) que muda o marco legal do saneamento básico, com estímulo as privatizações, está travada na Câmara dos Deputados e pode perder a validade novamente (o que ocorrerá no dia 3 de junho). O governo já trabalha com a possibilidade de mandar um projeto de lei em regime de urgência.

Mourão: “Brasil não pode ser só uma loja onde a China compra itens” – “A relação que temos hoje não precisa das características da Nova Rota da Seda, mas isso não está fechado, pelo contrário, está em discussão”, afirmou o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, em Pequim, nesta terça-feira (21) em entrevista à CGTN, canal estatal de TV chinês, em espanhol. Ele falou por cerca de 30 minutos sobre as relações entre o Brasil e a China. A entrevista vai ao ar no dia 29 de maio. Sobre a relação Brasil-China, Mourão defendeu que é preciso “agregar valor” no que é exportado. “O Brasil não pode ser só uma loja que a China vai e compra itens. Tem que ser mais do que isso. As coisas que vem do Brasil têm que ter o mesmo valor que as que vem da China. Estamos na era do conhecimento. A economia do século 21 é a economia do conhecimento, esse é o passo adiante que temos que dar nessa relação.” “Temos uma visão de expectativa sobre quais são as intenções finais, quais as visões do governo chinês. Aguardamos as propostas que a China pode fazer”, disse Mourão sobre a Rota da Seda.

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