Tóquio 2020 é edição com mais atletas abertamente LGBTQ | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Marta, estrela do futebol, e Douglas Souza, jogador de vôleiMarta e Douglas Souza estão entre os atletas brasileiros abertamente homossexuais em Tóquio

Os Jogos de Tóquio são a edição olímpica com o maior número de atletas que se declararam publicamente LGBTQs, segundo um levantamento do site Outsports.

O portal, especializado em notícias esportivas voltadas ao público LGBTQ, listou neste domingo (25/07) ao menos 166 atletas abertamente gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, transgêneros e/ou não binários competindo na capital japonesa.

O número, segundo o site, é quase o triplo do registrado nos Jogos do Rio em 2016 e faz de Tóquio 2020 a edição olímpica com a maior representatividade da história. Há quatro anos, o Outsports contou 56 atletas que haviam se declarado publicamente LGBTQs à época do torneio, enquanto nos Jogos de Londres, em 2012, foram 23.

“O grande aumento no número de atletas ‘fora do armário’ reflete a crescente aceitação das pessoas LGBTQ nos esportes e na sociedade. O surgimento das mídias sociais, especialmente o Instagram, deu aos atletas um fórum onde eles podem viver suas vidas abertamente e se identificar diretamente com seus seguidores”, afirma o portal.

Ao menos 27 países estão representados por pelo menos um competidor abertamente LGBTQ em Tóquio, que é também a primeira edição olímpica a contar com atletas transgêneros. Ao todo, os 166 atletas competem em 30  modalidades.

Os Estados Unidos são o país com o maior número de atletas abertamente homossexuais, bissexuais, transexuais, transgêneros e/ou não binários da lista, com 30 competidores. Em seguida vêm Canadá (17), Reino Unido (16), Holanda (16), Brasil (14), Austrália (12) e Nova Zelândia (10).

Entre os brasileiros aparecem a estrela de futebol Marta, cuja foto estampa o artigo do Outsports, e suas colegas de time Andressa Alves, Bárbara Barbosa, Formiga, Letícia Izidoro e Aline Reis. Marta vem dedicando seus gols em Tóquio à sua noiva, a também jogadora de futebol Toni Deion Pressley, e falou abertamente sobre a homenagem em entrevistas na televisão.

Formiga, por sua vez, em entrevista coletiva na última sexta-feira, falou sobre a importância de se trazer a homossexualidade a público. “A gente representa milhões de pessoas, e é importante sair do armário e quebrar barreiras”, afirmou a jogadora. “Fico feliz que minha esposa [Erica Jesus] fale na TV, que a Marta se posicione e que a Cristiane [Rozeira], com seu filhão, faça o mesmo. Dessa forma a gente vai conquistando respeito. Respeito é tudo, não só como atleta, mas como ser humano.”

O único homem na lista brasileira é o jogador de vôlei Douglas Souza, que se tornou sensação nas redes sociais ao mostrar com bom humor os bastidores dos Jogos e o cotidiano da equipe olímpica.

O Outsports lista ainda as brasileiras Ana Carolina (vôlei), Babi Arenhart (handebol), Silvana Lima (surfe), Ana Marcela Cunha (natação), Izabela da Silva (atletismo) e Isadora Cerullo (rugby). Nos Jogos do Rio em 2016, Cerullo foi pedida em casamento durante a cerimônia de entrega de medalhas por Marjorie Enya, que trabalhava no comitê organizador do torneio. Elas estão casadas há quatro anos.

A nível mundial, as mulheres também superam os homens na lista de atletas abertamente LGBTQ por uma proporção de oito para um. Somente o futebol feminino soma mais de 40 jogadoras.

O site inclui em sua contagem os atletas que já se manifestaram sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero à imprensa, ou fizeram postagens públicas nas redes sociais.

O Outsports frisa, contudo, que o número de atletas LGBTQ nos Jogos Olímpicos deve ser ainda maior, especialmente entre os não americanos, uma vez que o site é baseado nos EUA. A contagem também não inclui atletas paralímpicos, que serão contabilizados separadamente, e demais membros das delegações, como técnicos e treinadores.

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