Sociedade Brasileira de Física (SBF) fulimina Bolsonaro em defesa de Ricardo Galvão | Claudio Tognolli

 Leia a íntegra da nota da SBF: 

A diretoria e o conselho da Sociedade Brasileira de Física (SBF) vêm a público se manifestar sobre o recente ataque do Presidente da República  ao Diretor-Presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais  (INPE), Professor Ricardo Galvão, a respeito dos dados de satélite  obtidos pelo INPE, que mostram aumento de 68% no desmatamento da  Amazônia em relação a julho/2018.

O Presidente colocou em dúvida, de  forma leviana, não apenas os dados científicos obtidos pelo INPE como  também a idoneidade do seu Diretor-Presidente, Prof. Ricardo Galvão.  O INPE surgiu no início dos anos 1960, motivado pelas expectativas que  se criaram em torno das primeiras conquistas espaciais. Em 1974, o INPE  passou a utilizar as imagens do satélite LANDSAT para mapear o  desmatamento na Amazônia. As atividades experimentais sempre foram um  ponto forte do INPE e o Instituto trabalha em colaboração com a NASA e  outras organizações nacionais e estrangeiras.

A história de grandes  iniciativas do INPE traduz a sua capacidade em dar respostas científicas  às demandas da sociedade e dos desafios científicos e tecnológicos.

O  INPE tem hoje competência adquirida e reconhecida internacionalmente nas  áreas de atividade de Ciências Espaciais e Atmosféricas, Ciências  Ambientais e Meteorológicas, e Engenharia e Tecnologias Espaciais.  Ricardo Galvão, atual Diretor-Presidente do INPE desde 2016, é Professor  Livre-docente do Instituto de Física da USP, membro da Academia  Brasileira de Ciências, ex-diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas  Físicas (CBPF), e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Física.  (SBF). O Prof. Galvão é reconhecido tanto no Brasil como no exterior por  sua qualificação acadêmico-científica bem como por sua competência e  seriedade como gestor.

Questionar sua postura ética é não apenas um  ataque a todos os pesquisadores altamente qualificados no INPE mas  também um ataque à ciência e tecnologia no Brasil. Somam-se a esta  declaração irresponsável do presidente os recentes ataques às  universidades públicas e os recentes cortes de recurso para educação,  ciência e tecnologia no Brasil.  De fato, o desmatamento da Amazônia traz um grande prejuízo para a  imagem do Brasil no exterior.

No entanto este desgaste não será  revertido com a omissão na divulgação de dados científicos, mas sim  através de políticas de desenvolvimento sustentável para a região, que  preservem a Amazônia para as futuras gerações de brasileiros. Atribuir  este problema internacional à obtenção e divulgação das informações pelo  INPE é como tentar curar a febre quebrando o termômetro.

A SBF assim conclama a sociedade brasileira a apoiar o INPE e o seu  Diretor-presidente, e a se mobilizar para que o governo não manipule nem  impeça a divulgação de dados de satélite sobre o desmatamento da  Amazônia.  Exigimos respeito pela seriedade do trabalho do INPE, que é  um patrimônio do país, e pela integridade dos cientistas que tanto  contribuem para a nação, a exemplo do Professor Ricardo Galvão.

São Paulo, 21 de julho de 2019  Conselho e Diretoria da Sociedade Brasileira de Física (SBF)

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