Socialistas vencem, mas separatistas reivindicam governo na Catalunha | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Salvador IllaSalvador Illa chegou na frente, mas vai ter dificuldade para formar um governo

Os socialistas foram os mais votados nas eleições na Catalunha, mas o conjunto dos partidos independentistas obteve mais da metade dos votos, segundo os números oficiais desta segunda-feira (15/02).

Com 98% dos votos contabilizados, o Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC-PSOE) é o mais votado, com 22,9% e 33 deputados eleitos para o parlamento regional.

O segundo partido mais votado é a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), independentista, que tem 21,3% dos votos e 33 deputados, ficando desta vez à frente do Juntos pela Catalunha (JxC), também independentista, do antigo presidente do governo regional Carles Puigdemont, que obteve 20,1% e 32 lugares.

Juntos, os partidos independentistas passaram de 70 para 74 assentos no Parlamento regional de 135.

Formação de governo

Diante dos resultados, tanto o candidato dos socialistas, Salvador Illa, como o candidato da ERC, Pere Aragonès, reivindicaram a chefia do governo regional.

O candidato socialista, que foi ministro da Saúde do primeiro-ministro Pedro Sánchez, quer justamente tentar convencer a ERC, que é do mesmo campo político, a abandonar a lógica independentista que ela prometeu manter e embarcar numa eventual aliança.

A tarefa de Illa parece quase impossível, pois, na reta final da campanha eleitoral na Catalunha, os partidos independentistas assinaram um documento para que não houvesse pactos pós-eleitorais com o PSC.

Assim, Aragonès anunciou que via defender a sua investidura e que pretende um governo amplo com todas as forças pró-soberania, descartando na prática uma aliança com os socialistas.

Ele disse que pretende negociar um governo conjunto de todos os partidos a favor da autodeterminação e da anistia do que chamou de “presos políticos”, condenados por terem participado da tentativa de independência de 2017.

De Bruxelas, onde está exilado, Puigdemont enalteceu o “extraordinário resultado” das eleições de domingo para o parlamento regional, que “mostrou ao mundo que foi suplantada uma repressão duríssima de três anos e meio”.

Demais resultados

O Vox, da extrema direita espanhola, aparece em quarto lugar, com 7,7% e 11 deputados, seguido dos independentistas da Candidatura de Unidade Popular (CUP), de extrema esquerda, com 6,7% e nove deputados e do partido de extrema esquerda En Comú Podem (associado ao Podemos), com 6,9% e oito deputados.

O grande perdedor das eleições é o Cidadãos (direita-liberal), que nas eleições de 2017 concentrou o voto útil dos que defendem a união da Espanha e que agora fugiu para o PSC, e desceu de 25,3% para de 5,5% e de 36 para apenas seis deputados.

Por último, o Partido Popular (PP), de direita, obteve 3,8% e três lugares no novo parlamento regional.

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