Rússia inicia vacinação em massa contra o coronavírus | Claudio Tognolli

Deutsche Welle

Pessoas usando máscara caminham em frente à loja Gum, na Praça Vermelha, em MoscouPessoas usando máscara caminham em frente à loja Gum, na Praça Vermelha, em Moscou

A Rússia iniciou nesta segunda-feira (18/01) a vacinação em massa contra o novo coronavírus com o uso da vacina Sputnik V, produzida no país.

A vacinação é voluntária e não é necessário marcar horário — basta procurar um dos locais de vacinação. Em Moscou, eles foram instalados em vários centros comerciais, incluindo a famosa loja de departamentos Gum, na Praça Vermelha, ou na Ópera Helikon.

A vacinação na Rússia começou em dezembro, com grupos de risco. Segundo os números oficiais já foram vacinadas 1,5 milhão de pessoas, mas especialistas dizem que o número real é menor.

Na mais recente pesquisa feita, apenas 38% dos russos disseram que desejam se vacinar. O país tem 146 milhões de habitantes.

A Rússia é o quarto país mais afetado pela pandemia, com mais de 3,5 milhões de casos, e não impôs um lockdown nacional. O número oficial de mortos é de mais de 65 mil, mas também essa estatística é contestada.

Dúvidas quanto à vacina

A Sputnik V é aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias. A imunidade é alcançada 42 dias após a primeira aplicação, segundo o fabricante.

As autoridades russas disseram que a eficácia da Sputnik V é de 92%, mas não há estudos independentes que confirmem esse percentual.

A Rússia foi o primeiro país a aprovar o uso de uma vacina, em agosto. A aprovação ocorreu antes mesmo da conclusão da terceira fase de testes clínicos, o que foi criticado por especialistas internacionais.

“Os conhecimentos sobre a eficácia e a segurança são provisórios e se baseiam no comunicado de imprensa do fabricante”, afirmou o epidemiologista Wassili Wlassow, da Academia de Ciências da Rússia, ao jornal televisivo alemão Tagesschau.

A vacina russa também é exportada. Entre os países que a estão utilizando está a Argentina, que já vacinou mais de 200 mil pessoas.

No Brasil, a Anvisa rejeitou no último sábado o pedido de uso emergencial da Sputnik V. Segundo a Anvisa, o laboratório responsável não apresentou os requisitos mínimos para que o pedido de uso emergencial pudesse ser analisado pela agência.

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