Resumo dos jornais e revistas de sábado (28/03/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (28/03/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Pequenas e médias terão R$ 40 bi para pagar salários

O governo Jair Bolsonaro anunciou que vai abrir uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas financiarem a folha de salários. O programa demandará R$ 40 bilhões e será custeado em maior parte pelo Tesouro Nacional. Segundo o presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, o pacote vai ser destinado exclusivamente a negócios que faturam entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano. Deve contemplar cerca de 12 milhões de pessoas e 1,4 milhão de empresas. A decisão de fazer o anúncio ontem, mesmo sem a iniciativa estar pronta para ser enviada ao Congresso, foi política. O Executivo tenta conter críticas crescentes sobre o ritmo lento de medidas econômicas contra a crise do novo coronavírus. O projeto vai financiar até dois salários mínimos por empregado, e estes não poderão ser demitidos por dois meses. “O dinheiro vai direto para o funcionário. Então, se ele for demitido, a empresa terá de arcar com os custos e não receberá o recurso”. A exemplo do Fed dos EUA, o BC também quer comprar dívidas diretamente de empresas, iniciativa condicionada a uma PEC.

CORREIO BRAZILIENSE: “Ninguém se salva sozinho”

A frase proferida pelo papa Francisco, em cena inédita no Vaticano, é emblemática. “Ninguém se salva sozinho”, ressaltou, em menção especial a médicos, enfermeiros e outros profissionais que trabalham para ajudar a quem precisa, enquanto outros cumprem isolamento obrigatório em casa, reflexo destes sombrios dias de coronavírus. Diante da imagem do Cristo Milagroso, que voltou à Praça de São Pedro pela primeira vez desde 1522 – época em que teria posto fim a peste que dizimava Roma – , o pontífice penitenciou-se por todos nós. “Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo”, disse. Ele concluiu a celebração, transmitida ao vivo para todo o mundo, com a bênção que emocionou fiéis. “Desta colunata que abraça Roma e o mundo, desça sobre vocês, como um abraço consolador, a bênção de Deus”, disse.

O ESTADO DE S.PAULO: ‘Infelizmente algumas mortes terão. Paciência’, diz Bolsonaro

No dia seguinte ao lançamento da campanha do governo intitulada “O Brasil não pode parar”, o presidente Jair Bolsonaro cobrou o fim da quarentena para deter o coronavírus, mesmo admitindo que o País contabilizará mortes por causa da doença. “Vamos enfrentar o vírus. Vai chegar, vai passar. Infelizmente algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco. As consequências, depois dessas medidas equivocadas, vão ser muito mais danosas do que o próprio vírus”, disse Bolsonaro em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, no programa Brasil Urgente da TV Band. Segundo ele, a solução para o Brasil é deixar “os velhinhos em casa” e retomar o trabalho. Durante o programa de TV, Bolsonaro colocou em dúvida o uso de estatísticas mundiais para se proteger contra o avanço da covid-19, ao dizer que “não tem que procurar números de fora do Brasil para justificar medidas aqui dentro”.

O GLOBO: Governo financia R$ 40 bilhões para folha de pequenas e médias empresas

Para amenizar os efeitos do novo coronavírus na economia, o Banco Central anunciou a criação de uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para pequenas e médias empresas pagarem dois meses de folha salarial. A medida contempla companhias que faturam entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões anuais, com limite de dois salários mínimos para cada funcionário, cabendo à empresa arcar ou não com o complemento. Como forma de garantir o emprego, durante a vigência do financiamento não poderá haver demissões. A taxa de juros será de 3,75% ao ano, com seis meses de carência e três anos para a quitação da dívida. O governo enviará uma MP ao Congresso para acelerar o processo. Iniciativa foi bem recebida por empresários e economistas, mas especialistas alertam para a necessidade de o dinheiro chegar logo a quem está com o caixa vazio. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chamou a medida de “tímida”. O ministro Paulo Guedes disse que o governo deve botar R$ 700 bilhões na economia em três meses.

Capas

VEJA: A salvação pela ciência

A bilionária corrida dos melhores laboratórios do mundo em busca da vacina e de tratamentos adequados para combater o coronavírus. As experiências bem-sucedidas de outros países para que a vida e a economia voltem o mais rapidamente possível à normalidade.

CartaCapital: A ameaça Bolsonaro

O ex-capitão perde a batalha, fica isolado em sua irresponsabilidade, mas ainda representa um perigo ao combate à pandemia.

ISTOÉ: A era do home office

Como o trabalho em casa está impactando a vida das empresas e das pessoas. Por conta da pandemia, as videoconferências se tornam a principal forma de comunicação do mundo corporativo e até da política, permitindo a superação do isolamento social.

Crusoé: Até quando aguentaremos?

O Brasil e o mundo tentam se equilibrar entre o combate eficiente à pandemia e o desafio de evitar uma quebradeira geral na economia.

Destaques do dia

Decisões seguirão critérios técnicos, afirma Mandetta – Na primeira reunião com gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) após o presidente Jair Bolsonaro cobrar regras mais brandas de isolamento social contra o novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), adotou um tom diferente e prometeu a secretários de Estados e municípios que tomará apenas decisões técnicas, baseadas em evidências científicas. Segundo pessoas que acompanharam a reunião, realizada ontem por videoconferência, o ministro modulou o discurso ao de Bolsonaro, mas sem aderir a teses como do isolamento vertical, que atingiria apenas idosos e doentes crônicos. Mandetta, no entanto, defendeu a abertura de igrejas para cultos e orações, argumentando que não se pode proibir que pessoas busquem conforto. Na reunião, o ministro não defendeu o uso da cloroquina, medicamento usado para o tratamento de doenças como malária e que, em pesquisas preliminares, também se mostrou eficiente no combate à covid-19. Mesmo sem resultados conclusivos, Bolsonaro tem feito propaganda da substância e determinou o aumento da produção em laboratórios públicos. Quem esteve na reunião entre os secretários de Saúde notou uma sutil mudança no discurso de Mandetta, mas afirmou sentir “alívio” porque o ministro não endossou plenamente a fala de Bolsonaro, que atacou governadores, chamou a covid-19 de “gripezinha” e repetiu que há muita “histeria”.
Mandetta pediu atenção e cautela nas medidas de restrição de circulação, mas não pediu retomada de serviços. Segundo presentes, em nenhum momento ele citou o isolamento vertical, a nova bandeira de Bolsonaro. Também não se falou em abrir escolas, como pede o presidente. Na leitura dos presentes, a estratégia é evitar o conflito com o presidente para não desmoronar a ação de combate à covid-19 feita até aqui.

Governo federal usa trabalho de Drauzio Varella – O“conhecido médico, daquela conhecida televisão” ajudou o governo federal a ganhar uma ação na Justiça envolvendo o novo coronavírus. Alvo de ataques nas redes sociais e de comentários depreciativos do presidente Jair Bolsonaro, o médico e escritor Drauzio Varella teve seus conhecimentos usados pelo governo em ação popular movida em Minas Gerais que pretendia obrigar a União e a Anvisa a realizar triagens e medição de temperaturas dos viajantes nos aeroportos brasileiros. Num recurso de 25 páginas enviado à Justiça mineira, a Anvisa lançou mão de um artigo do médico publicado em 21 de março. Nele, Drauzio defende a tese de que medir a temperatura na testa, “com termômetros que parecem revólveres”, é um método impreciso porque os aparelhos medem a temperatura da pele, eventualmente diversa daquela do resto do corpo. Além disso, o passageiro sem febre pode estar sob efeito de antitérmicos ou no período assintomático de incubação. Drauzio ressalta ainda que o número de diagnósticos feitos nos aeroportos do mundo é insignificante. “Os Estados Unidos, que obrigam a passar pela triagem em 11 aeroportos todos os cidadãos e residentes que estiveram na China nos últimos 14 dias, identificaram apenas um caso”, diz o médico no artigo. Em 20 de março, o juiz federal Osmar Vaz de Mello, da 3.ª Vara Federal de Minas Gerais, mandou União e Anvisa explicarem, em 72 horas, por que estavam impedindo que bombeiros e governos estaduais realizassem a inspeção em aeroportos. Foi no contexto deste recurso que os “conhecimentos científicos” de Drauzio foram usadas. No recurso, a Anvisa destaca, com base nos dados do médico, que medidas como a “implantação de barreiras sanitárias nos aeroportos para realização de inspeção de passageiros” podem contribuir para o aumento da contaminação em razão do natural aumento da aglomeração que ações como essa geram. O recurso foi acatado pelo juiz Osmar Vaz de Mello – ele entendeu que, “com base nas informações científicas colacionadas aos autos”, a competência de medidas nos aeroportos do País é da Anvisa e da União, não dos Estados.

Comércio é reaberto em Mato Grosso, Rondônia e Roraima – Os governadores de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), de Rondônia, Marcos Rocha (PSL), e de Roraima, Antonio Denarium (PSL), seguiram a recomendação do presidente Jair Bolsonaro e autorizaram a reabertura do comércio em seus Estados. As atividades estavam restritas por causa da pandemia do novo coronavírus. As três unidades da Federação têm casos registrados da doença. Em Mato Grosso, o governador baixou um decreto que permite o funcionamento de estabelecimentos comerciais e do transporte coletivo, serviço que também havia sofrido restrições. Outras medidas de isolamento social foram mantidas apenas para idosos e pessoas do grupos de risco – o chamado isolamento vertical, defendido por Bolsonaro. O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), no entanto, criticou a decisão do governador e disse que, na capital, o isolamento social não será abrandado. Também por decreto, o governo de Rondônia liberou o funcionamento parcial do comércio em todo o Estado. Voltam a funcionar ainda indústrias, obras e serviços de engenharia, oficinas mecânicas, autopeças, hotéis e hospedarias. “Segmentos do setor produtivo não podem parar”, disse o governador Marcos Rocha. Em Roraima, foi autorizada a reabertura do comércio em todo o Estado em sistema de delivery ou “pegue e leve”. Denarium também suspendeu a proibição do transporte coletivo municipal.

Doria registra ameaças e acusa ‘gabinete do ódio’ do Planalto – Durante a madrugada desta sexta-feira, 27, o governador de São Paulo, João Doria registrou um boletim de ocorrência após receber telefonema com ameaças de morte, segundo informou o Palácio dos Bandeirantes. A segurança do governador foi reforçada e a Polícia Civil apura a origem da ameaça. O governador paulista acusou o chamado “gabinete do ódio”, grupo de assessores que trabalha no Palácio do Planalto, de orquestrar a série de ameaças que disse ter recebido na noite de sexta-feira. Ele afirmou também “não ter medo” de Bolsonaro, citando pelos apelidos os filhos do presidente Flávio, Eduardo e Carlos. Com tom de voz ríspido, Doria afirmou que a administração federal é formada por dois governos: um que acertava as ações de saúde e outro que não. “O Brasil precisa de união, não de ódio, não é hora fazer política, fazer campanha, propagar ideologismos.”

Contradições e ‘guerra cultural’ do presidente – Quando o País ainda buscava assimilar as medidas anunciadas por Paulo Guedes, Jair Bolsonaro minimizava mortes pela covid-19 e deixava atônitos os mundos político e jurídico. Em contraste com a atuação da Economia e da Saúde (diligentes quanto à importância e ao efeito da quarentena), o presidente confirmou para governadores e parlamentares ouvidos pela Coluna que há método na cacofonia: manter fãs mobilizados na “guerra cultural” enquanto ministros atuam. Ontem, porém, cresceu a sensação de que ele rompeu todos os limites. Marco Aurélio Mello, ministro do STF, vocalizou sua preocupação: “O momento é de serenidade, temperança, compaixão, compaixão. Não podemos acirrar os ânimos. Isso é muito ruim”. “A sociedade está sofrendo. Vamos esperar que a ficha caia e ele perceba, compreenda o contexto que nós estamos atravessando, uma crise muito forte, é o que esperamos do presidente da República”, disse o ministro. Sobre as regras de isolamento, Marco Aurélio acha que elas são “a única forma de se conter o vírus”. “No contato direto, não sei o que haverá”, completou. Em grupos privados de políticos, foi intensa a troca de mensagens sobre a necessidade de se estabelecer um limite à escalada do presidente, não apenas retórica, mas, agora, também, prática.

Campanha do Planalto contra isolamento eleva tensão política no País – O governo federal divulgou uma campanha publicitária chamada “O Brasil não pode parar” para estimular que pessoas deixem as suas casas em meio à pandemia de coronavírus e voltem a trabalhar. A iniciativa faz parte da estratégia do Palácio do Planalto para reforçar a narrativa do presidente Jair Bolsonaro de que é preciso retomar as atividades para reduzir os impactos na economia. A orientação vai na contramão das recomendações de organismos de saúde mundo afora, que defendem a quarentena como forma mais eficaz de evitar a propagação da doença. Parlamentares e prefeitos ameaçam ir à Justiça contra a publicidade oficial. A campanha também contraria restrições impostas – em maior ou menor escala – nos 27 Estados e ao menos 23 capitais do País, como fechamento de escolas, lojas e igrejas. Segundo reportagem da rede britânica BBC, cerca de 70 países no mundo decretaram algum tipo de medida de isolamento. De acordo com a agência France Presse, as restrições atingem pelo menos 2,8 bilhões de pessoas, o que representa mais de 1/3 da população mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não tem um levantamento oficial. A propaganda do governo federal se assemelha a uma campanha feita em fevereiro pela prefeitura de Milão, na Itália. O prefeito da cidade, Giuseppe Sala, reconheceu que errou ao ter divulgado o slogan “Milão não para”. A cidade é uma das mais afetadas pela pandemia no país europeu, que ontem ultrapassou a marca dos 5 mil mortos pela doença. Um grupo de parlamentares, que inclui o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e a deputada Tabata Amaral (PDT-SP), afirmou ontem que vai entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a campanha. O argumento é que a peça contraria especialistas e é um crime por prejudicar a saúde dos brasileiros. Em ofício encaminhado ao presidente, a Frente Nacional de Prefeitos também cobrou explicações e ameaça ir à Justiça.

Auxílio será votado 2ª feira – O Senado votará, por sessão remota, na próxima segunda-feira, o projeto de renda básica para os trabalhadores informais. O texto é um substitutivo do Projeto de Lei 9.236/17, de autoria do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), e prevê um auxílio de R$ 600 por três meses. Na prática, ajuda atingirá R$ 1,2 mil para grande parte dos beneficiados, pois estipula que mães solteiras recebam em dobro. Além disso, no caso de famílias em que mais de um membro preencha os requisitos para solicitar o benefício, o valor também será dobrado. A sessão está marcada para as 16h e é pouco provável que senadores modifiquem ou rejeitem a medida, tida como fundamental para auxiliar o estrato mais carente da população, durante o período de isolamento para conter o alastramento do coronavírus no país. De licença dos trabalhos, após ter sido testado positivamente para o coronavírus, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), garantiu, pelo seu perfil oficial no Twitter, a votação.

MPs terão tramitação mais rápida – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a tramitação simplificada, no Congresso Nacional, de medidas provisórias (MPs) editadas pelo presidente da República, enquanto permanecer a crise da disseminação do novo coronavírus. O magistrado atendeu a um pedido da Câmara e do Senado, e entendeu que esse tipo de ação vai dar celeridade aos processos do Executivo e do Legislativo para proteger a população da pandemia. No entanto, negou pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para que as MPs que não forem analisadas pelo Parlamento no período extraordinário continuem valendo. De acordo com a Constituição Federal, as medidas provisórias começam a valer imediatamente, após publicação no Diário Oficial. No entanto, para que não sejam anuladas, precisam ser aprovadas pelo Congresso em até 120 dias. Pelas regras atuais, caso deputados e senadores não votem a MP no prazo, deixam de valer imediatamente. Antes de serem apreciadas pelo plenário das duas casas, as medidas precisam passar por uma comissão especial, e a discussão muitas vezes atrasa a tramitação e faz com que caduquem.

Justiça do Rio suspende decreto – Uma decisão do juiz federal Márcio Santoro Rocha, da 1ª Vara Federal de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, suspendeu a validade do decreto do presidente Jair Bolsonaro que incluiu igrejas e casas lotéricas nas atividades essenciais, que não podem parar mesmo diante da crise causada pela pandemia de coronavírus. O magistrado também determinou que Bolsonaro se abstenha de tomar medidas contrárias ao isolamento social, utilizado na prevenção da Covid-19. Ele atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), em caráter de urgência. Rocha declarou que o presidente não deve editar novos decretos que definam como essenciais serviços não previstos na Lei 7.783, que trata do assunto. “O acesso a igrejas, templos religiosos e lotéricas estimula a aglomeração e a circulação de pessoas”, argumentou o juiz em um trecho da decisão. Ainda de acordo com o magistrado, as ações de isolamento social ocorrem para preservar a sociedade e combater a epidemia.

Governadores do Nordeste reagem – Ontem, em carta conjunta, os governadores do Nordeste acusaram Bolsonaro de estimular “um verdadeiro atentado à vida” ao pedir que a população volte às ruas. “Manifestamos nossa profunda indignação com a postura do governo federal, que contraria a orientação de entidades de reconhecida respeitabilidade, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) — que indicam o isolamento social como melhor forma de conter o avanço do coronavírus — e promove campanha de comunicação no sentido contrário, estimulando, inclusive, carreatas por todo o país contra a quarentena”, escreveram os chefes de Executivos dos nove estados da região. Eles também exigiram respeito por parte de Bolsonaro e esperam que as agressões contra os governadores sejam cessadas “imediatamente”. Para os nordestinos, o presidente deve assumir “um posicionamento institucional, com seriedade, sobre medidas preventivas”. “A omissão em padronizar normas nacionais e a insistência em provocar conflitos impedem a unidade em favor da saúde pública. Assim agindo, expõe-se a vida da população, além de assumir graves riscos no tocante à responsabilidade política, administrativa e jurídica”, ressaltaram.

Bolsonaro escalou Doria como adversário em 2022 – A obsessão de Jair Bolsonaro em confrontar João Doria deixou na classe política a certeza de que o presidente já escalou o tucano paulista como o adversário a enfrentar, daqui a dois anos, dentro da sua fatia do eleitorado. “Bolsonaro já escalou o adversário de 2022, isso parece claro”, diz o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), referindo-se ao governador de São Paulo. A avaliação de Braga é compartilhada com parte dos bolsonaristas que, entretanto, fazem um reparo à análise do senador. A ordem entre os aliados do presidente é evitar que o governador paulista cresça e ocupe espaço agora. A expectativa é, lá na frente, deixar em campo a tradicional polarização com o PT, partido que Bolsonaro considera mais fácil derrotar. Até aqui, a estratégia de tirar aliados do páreo deu certo. Sérgio Moro, por exemplo, está mais recuado. Aos seus mais fiéis escudeiros, o presidente chega a dizer que o governo de São Paulo está inflando o número de casos de mortes apenas para dizer que ele está errado ao pedir a flexibilização do isolamento. Acha que tudo é feito para prejudicá-lo no comando do país. Em todo o país, como relatou ontem a coluna, um dos problemas é a subnotificação –– inclusive em São Paulo. Em conversas reservadas, técnicos do Ministério da Saúde dizem ter certeza de que o número de casos de pessoas doentes e mortes no Brasil é superior ao informado até o momento.

Estados ignoram Bolsonaro e Mandetta – Em mais uma iniciativa para coordenar esforços à margem do governo federal, inoperante na visão dos governadores, os estados articulam dar respostas unificadas ao coronavírus a partir de estudos de uma câmara técnica formada por secretários estaduais de saúde, médicos e pesquisadores. O órgão terá a missão de analisar a evolução da doença estado a estado e, a partir daí, projetar as necessidades de cada um e responder às demandas por abrandamento do isolamento. Os governadores esperam receber informações a partir da semana que vem, quando o prazo de decretos de fechamento do comércio começa a vencer em muitos estados. A ideia é ter dados científicos para projetar a necessidade de leitos e também para avaliar se é possível aplicar medidas restritivas seletivas estado a estado. Abrir o isolamento sem critério, como sugere Jair Bolsonaro, não é opção na mesa. Os gestores agem por conta própria a partir do diagnóstico de que o governo federal está imerso em contradições internas, com Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Paulo Guedes (Economia) e o vice-presidente, Hamilton Mourão, apontando para direções diferentes.

Governo Bolsonaro admite a estados não ter estudo que embase isolamento parcial – O governo Jair Bolsonaro considera o isolamento parcial um princípio, e não possui nenhum estudo técnico para embasar a defesa que vem fazendo da medida no combate ao contágio do novo coronavírus. Isolamento parcial, ou vertical como vem sendo chamado, consiste em retirar do convívio social apenas os grupos mais suscetíveis a mortalidade pela Covid-19, como pessoas acima de 60 anos e portadores de doenças como hipertensão e diabetes sem controle. A defesa da medida está na base do discurso de Bolsonaro, que vem insuflando atos em favor da volta ao trabalho para evitar maiores danos à economia com períodos de quarentena. São Paulo, mais populoso estado e centro da pandemia no país, ficará até 7 de abril com os serviços não essenciais fechados. Em reuniões com secretários estaduais de diversas áreas, autoridades federais admitem que não há um estudo para justificar a medida. Nesta manhã, por exemplo, o secretário especial de Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, foi confrontado por autoridades estaduais sobre o tema. Segundo ele, o isolamento parcial é “um princípio” do governo federal ao qual os estados deveriam se ajustar. Em vez de uma minuta técnica, ele apresentou um slide com o que o governo considera necessário para o isolamento parcial na área econômica: manter abertos serviços essenciais e garantir a cadeia de suprimentos, exatamente o que estados como São Paulo têm feito.

Sem sair de seus carros, manifestantes pelo país atendem apelo de Bolsonaro – Carreatas e buzinaços pela reabertura do comércio, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, ocorreram nesta sexta-feira (27) e estão previstas para acontecer neste final de semana e na segunda-feira em capitais e cidades do interior do país. Uma marca dos atos é a presença dos manifestantes dentro de seus carros, em meio à pandemia. O presidente Jair Bolsonaro participou virtualmente da carreata realizada em Manaus. O mandatário acompanhou parte da manifestação a partir do celular do superintendente da Zona Franca de Manaus, o coronel do Exército Alfredo Menezes. Um dia antes, a defesa de uma política leniente com a propagação do novo coronavírus no país virou objeto de um vídeo de divulgação institucional da Presidência de Jair Bolsonaro. Nele, a volta ao trabalho de regimes de confinamento é estimulada, contrariando orientações globais sobre o tema. A peça foi distribuída, em forma de teste, para as redes bolsonaristas. Nela, categorias como a dos autônomos e mesmo a dos profissionais da saúde são mostradas como desejosas de voltar ao regime normal de trabalho. Além disso, o próprio presidente postou em sua conta em rede social o vídeo de uma carreata realizada em Balneário Camboriú (SC) contrária ao isolamento social recomendado pela maioria dos governos que lidam com a pandemia e pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Maia defende isolamento – Na contramão do que defende o governo federal, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (27) que o fim precoce do isolamento social pode colocar o Brasil no caminho dos países que tomaram decisões erradas na crise do coronavírus e, com isso, provocaram tragédias. Maia participou por videoconferência de uma transmissão ao vivo da Lide, associação que reúne empresários e que foi fundada pelo atual governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Na live, o deputado afirmou que uma onda de abertura de empresas e comércios antes do tempo pode provocar uma tragédia maior na perda de vidas pelo colapso do sistema de saúde.

Aliado de Bolsonaro convoca ato para ‘encher o Palácio do Planalto’ – Em meio à pandemia do novo coronavírus, o secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, convocou por WhatsApp uma reunião para “encher o Palácio do Planalto” de produtores rurais na próxima semana. A mensagem de áudio foi encaminhada na quinta-feira (26) a um grupo de lideranças do agronegócio. Nele, Nabhan, um dos mais próximos auxiliares de Bolsonaro, diz que acabou de falar com o presidente, que quer receber os produtores “de braços abertos”. “As portas do Palácio [do Planalto] estão abertas para quem trabalha, produz e carrega o Brasil nas costas. E é para semana que vem já”, diz o secretário no áudio.

CNBB e entidades de cientistas, advogados e imprensa pedem respeito a isolamento – Entidades que representam a Igreja Católica, a comunidade científica, a imprensa e os advogados divulgaram nota nesta sexta-feira (27) pedindo que a população fique em casa em meio à crise do coronavírus. Elas afirmam que a campanha do presidente Jair Bolsonaro, contrária ao confinamento diante da pandemia, é uma grave ameaça à saúde. A nota é assinada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); José Carlos Dias, presidente da Comissão Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns); Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC); Paulo Jeronimo de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Os representantes se reuniram de forma virtual para discutir a pandemia de coronavírus e alertam a população para manter o isolamento “respeitando as recomendações da ciência, dos profissionais de saúde e da experiência internacional”. A nota critica a campanha lançada pelo governo Bolsonaro pela reabertura das atividades econômicas. “A campanha de desinformação desenvolvida pelo presidente da República, conclamando a população a ir para a rua, é uma grave ameaça à saúde de todos os brasileiros. A hora é de enfrentamento desta pandemia com lucidez, responsabilidade e solidariedade. Não deixemos que nos roubem a esperança”, afirma o texto.

Filhos de Bolsonaro, Flávio e Carlos se filiam ao Republicanos – O senador Flávio Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro e Rogéria Nantes, filhos e ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), se filiaram ao Republicanos, partido ligado à Igreja Universal cujo principal nome é o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella. O prefeito, que busca o apoio do presidente na reeleição deste ano, comemorou a adesão da família presidencial ao seu partido. “É uma honra receber o senador @FlavioBolsonaro e o vereador @CarlosBolsonaro no Republicanos. Tenho certeza de que eles chegam no nosso partido para somar. Parabéns e sejam bem-vindos. @jairbolsonaro”, escreveu Crivella em sua rede social. Ainda não há informações sobre a possibilidade do presidente também embarcar no Republicanos, bem como seu terceiro filho político, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, ainda no PSL.

Contra coronavírus, Francisco reza em frente a crucifixo da peste negra – Em uma cerimônia cercada de simbolismo, o papa Francisco conduziu sozinho nesta sexta-feira (27) uma bênção pela luta contra o coronavírus diante de uma praça de São Pedro completamente vazia. Para completar o cenário, o Vaticano levou ao local uma peça conhecida como crucifixo milagroso, que, diz a tradição, salvou Roma da peste negra há quase 500 anos. Segundo a lenda, a epidemia que atingiu a cidade em 1522 acabou após uma procissão de 16 dias com o crucifixo pelas ruas. No último dia 15, o pontífice já tinha ido até a igreja onde o crucifixo costuma ficar na capital italiana para rezar pelo fim da crise sanitária. A Itália é um dos países mais atingidos pela pandemia atual, com 86.498 casos confirmados e 9.134 mortes —nesta sexta, quase mil pessoas morreram no país em decorrência do vírus. Já o Vaticano teve quatro casos confirmados até o momento. Durante a cerimônia desta sexta, Francisco rezou em frente ao crucifixo considerado milagroso. Ele também deu a bênção conhecida como “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), uma das mais importantes do catolicismo, e que em geral é apenas reservada para ocasiões especiais, como o Natal e a Páscoa —desta vez, ela foi dada exatamente por causa do coronavírus.

Bolsonaro diz que emprestou Granja do Torto para Guedes morar – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (27) que ofereceu a Granja do Torto para o ministro Paulo Guedes (Economia) morar temporariamente, durante o período da crise do coronavírus. “Eu não sei se [Guedes] já voltou para cá [Brasília]. Ele vai morar no Torto, eu espero que não sofra crítica de vocês [imprensa]. Problema de hotel aqui, hotel fechado. Eu ofereci para ele morar no Torto. Ele falou que topa, não tem nenhum impedimento”, disse o presidente, na chegada do Palácio da Alvorada. Desde o início do governo, o ministro mora em um hotel em Brasília. A última vez que Guedes despachou de Brasília foi no dia 19 de março, uma quinta-feira. Desde então, ele tem trabalhado de sua residência no Rio de Janeiro. O ministério da Economia informou que, em 18 de março, o chefe da equipe econômica realizou o exame para o Covid-19. O resultado deu negativo. Embora o vírus não tenha sido detectado, o ministro passou a despachar por videoconferência por cautela. A decisão foi tomada porque ele tem 70 anos e, portanto, está no grupo de risco da doença.

Brasil fecha fronteiras aéreas a estrangeiros de todas as nacionalidades – Ao mesmo tempo em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem minimizando a crise do novo coronavírus, o governo brasileiro decidiu ampliar a todas nacionalidades a restrição à entrada de estrangeiros por via aérea. O ingresso de não brasileiros por via aérea já estava proibido por 30 dias para aqueles que viajavam ao Brasil de todos países membro da União Europeia e de alguns locais da Ásia. A medida agora é estendida a todos os países. Uma portaria foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União desta sexta-feira (27), a segunda do dia com medidas restritivas para o ingresso de não brasileiros em território nacional. Mais cedo, o Ministério da Justiça publicou uma norma proibindo a entrada de estrangeiros no Brasil para os casos em que o ingresso em território nacional se dá apenas em caráter temporário, como em uma conexão.

Revista científica inglesa afirma que Bolsonaro dá resposta fraca à Covid-19 – A revista científica britânica The Lancet criticou em editorial publicado na edição desta semana os líderes governamentais que não tratam com seriedade a ameaça que a Covid-19 representa. O presidente Jair Bolsonaro é o único que tem o nome citado no texto.

O periódico, publicado desde 1823, é um dos mais prestigiosos na área médica e serve de vitrine para pesquisas científicas relevantes da atualidade. “Muitos governos nacionais responderam rapidamente, mas muitos ainda precisam tratar com seriedade a ameaça da Covid-19”, diz o editorial, dando destaque para os governantes que ignoram a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para evitar aglomerações de pessoas. “O presidente do Brasil Jair Bolsonaro tem sido fortemente criticado por especialistas em saúde e enfrenta uma crescente reação do público pelo que é visto como uma resposta fraca”, continua o texto. De acordo com o editorial, os confinamentos que pareceram exagerados quando adotados por Wuhan, na China, há dois meses, agora se tornam normais, e a resposta inicial lenta de países como Reino Unido, Estados Unidos e Suécia parecem decisões mal tomadas.

Cético de início, Boris Johnson é nova vítima do vírus – O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, informou em vídeo que testou positivo para a Covid-19 e vai trabalhar de casa. No início da epidemia no país, ele resistiu a anunciar medidas de isolamento. Seu ministro da Saúde também está infectado. Quando venceu as eleições gerais em dezembro, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, sabia que o governo conservador que inaugurava ali não seria fácil. Tinha os desafios de romper o casamento de mais de 40 anos coma União Europeia( UE) e amortecer o tranco bilionário que a separação causaria à economia já a partir deste ano. Nas últimas semanas, porém, ficou claro que o Brexit —do qual mal se fala —está longe do pesadelo da pandemia do coronavírus, que tem matado e contaminado cada vez mais cidadãos britânicos. Johnson, seu ministro da Saúde, Matt Hancock, e Chris Witty, principal assessor do governo britânico para assuntos médicos, são as mais novas vítimas do vírus, que também infectou o príncipe Charles, o segundo na linha de sucessão à coroa. Segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins, o Reino Unido é hoje o oitavo país do mundo com mais casos da Covid-19 —já superam os 14,5 mil. Essa semana, o governo anunciou a abertura de um hospital de campanha temporário com 4 mil leitos em um centro de convenções de Londres.

Acusado de fraude e corrupção passiva, Paes vira réu – A 3ª Vara Federal Criminal do Rio acolheu denúncia movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou réu sob acusação de corrupção passiva, fraude à licitação e falsidade ideológica o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM) e outras 23 alvos. O caso envolve irregularidades nas obras do Complexo Esportivo de Deodoro, equipamento construído pela prefeitura do Rio para as Olimpíadas de 2016. Com a decisão pelo recebimento da ação penal, proferida ontem, Paes e os outros acusados passarão a responder por esses crimes e terão que apresentar defesa. O caso tramitará sob os cuidados da juíza federal Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio. Dentre os outros alvos estão membros da Empresa Municipal de Urbanização do Rio (RioUrbe) à época, incluindo o então presidente Armando Queiroga Júnior, e empreiteiros de Queiroz Galvão e OAS, envolvidas na obra. A denúncia, movida pelo procurador Fernando Aguiar, do M PF do Rio, apresenta relatório de auditoria que detectou desvios de pelo menos R$ 119 milhões na obra, cujo valor total era R$ 647 milhões. Segundo a acusação, Paes teria atuado diretamente para fraudar a licitação e direcioná-la à empresa Queiroz Galvão. Os fatos investigados chegaram a ser alvo de uma operação da Polícia Federal em 2016, batizada de Operação Bota-Fora. Em sua delação premiada, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro relatou que foi chamado por Paes a uma reunião na qual o ex-prefeito pediu que a empreiteira formasse um consórcio com a Queiroz Galvão para vencer a licitação.

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