Resumo dos jornais e revistas de sábado (26/09/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (26/09/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes e capas

FOLHA DE S.PAULO: Celso de Mello antecipa saída e acelera debate da sucessão

CORREIO BRAZILIENSE: DF alcançou imunidade de rebanho, diz Ibaneis

O ESTADO DE S.PAULO: Prefeitura vai submeter aluno e professor a teste antes da volta

O GLOBO: Celso de Mello antecipa saída do STF e abre corrida por sua vaga

VEJA: O inimigo das redes

Reportagem de capa
Como a assustadora engrenagem das redes sociais ameaça à saúde – e a democracia. Com depoimentos reveladores, documentário da Netflix que se tornou sensação no Brasil mostra os riscos viciantes a que os gigantes da tecnologia sujeitam bilhões, todos os dias, na internet.

Entrevista exclusiva
‘Se você puder sair das redes, saia’, diz Tristan Harris, ex-executivo do Google

ISTOÉ: O Brasil que passa fome

Ela voltou com força em alguns rincões da miséria, o dado acaba de sair e alarmou o país, mais de dez milhões de brasileiros estão no momento famintos. Em estado de carência alimentar extrema. É um contingente que não para de crescer. Quem vai fazer alguma coisa para reparar esse absurdo?

ÉPOCA: Poder paralelo

Como o ex-tucano Rogério Marinho se tornou o aliado mais influente de Jair Bolsonaro na política e na economia.

CartaCapital: Desligado do mundo

Em um ano e nove meses, a única estratégia do Itamaraty de Bolsonaro foi a subserviência a Trump. Resultado: o Brasil torna-se inconfiável na diplomacia e perde relevância e dinheiro.

Crusoé: Um lobista no Planalto

Frederick Wassef usou sua proximidade com o presidente da República para ganhar milhões de reais de empresários interessados em resolver problemas no governo.

Destaques dos jornais

Mello antecipa saída – O ministro Celso de Mello anunciou ontem que vai antecipar em três semanas sua aposentadoria do STF (Supremo Tribunal Federal). A despedida do decano da corte seria em 1º de novembro, quando completa 75 anos, idade da aposentadoria compulsória. A decisão de Celso, que agora sairá em 13 de outubro, acelera a discussão do presidente Jair Bolsonaro com aliados sobre quem será seu indicado para o Supremo. O ministro da Secretaria-Geral de Governo, Jorge Oliveira, é o favorito até o momento. O titular da Justiça, André Mendonça, também está no páreo. Líderes evangélicos, Silas Malafaia, e o filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), tentam emplacar o nome do juiz federal William Douglas. Igualmente, também ganhará força a discussão sobre quem herdará os processos sob relatoria do ministro, principalmente o inquérito que apura a veracidade das acusações do ex-ministro Sergio Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Depois da indicação, é necessária a aprovação do Senado, o que exigirá articulação política do presidente. Na visão de integrantes do Planalto, dificilmente a relatoria da investigação será repassada a alguém mais rigoroso que Celso.

Imunidade de rebanho – Isso significa que o número de pessoas imunes ao coronavírus chegou a tal ponto que a taxa de novas infecções tende a cair cada vez mais no Distrito Federal. Diante do novo quadro, o governador Ibaneis Rocha (MDB) afirma que unidades de saúde já podem liberar parte dos leitos de internação e de UTIs hoje destinados exclusivamente a doentes com covid-19 e retomar atendimentos suspensos por causa da pandemia. Apesar do novo quadro, especialistas alertam a população para não relaxar nas medidas sanitárias, como isolamento social, uso de máscaras e higienização das mãos com álcool em gel.

Medo de contaminação – A Prefeitura de SP pretende submeter ao teste de covid, 670 mil alunos e 102 mil professores da rede municipal de ensino antes da volta às aulas presenciais, prevista para 3 de novembro. A primeira fase de exames sorológicos começa em 1º de outubro com alunos do 3º e do 9º ano, além dos docentes. Eles serão testados nas próprias escolas. A Prefeitura diz ter à disposição 180 mil testes para a primeira fase, que deve durar 15 dias. A Secretaria de Educação quer dar prioridade na volta a professores e estudantes que já tenham anticorpos para o coronavírus. A estimativa é de que cerca de 20% dos alunos já tenham anticorpos. A medida pode ajudar a acalmar os ânimos principalmente de sindicatos de docentes, que defendem a volta às aulas apenas após a vacina e ameaçam fazer greve. Pais de alunos também estão reticentes quanto ao retorno, com medo de contaminação.

Sai em outubro – O ministro Celso de Mello, que tinha aposentadoria agendada para novembro, comunicou à presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) que antecipará a data para 13 de outubro. Em novembro, ele completa 75 anos e, pela regra, é obrigado a deixar a Corte. A aposentadoria do mais antigo integrante do Supremo é rodeada de expectativa, porque ele é o relator do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir indevidamente nas atividades da Polícia Federal. Pelo Regimento Interno do STF, o novo ministro a ser indicado para substituir o aposentado herda todo o acervo do gabinete vago. Ou seja: alguém nomeado pelo próprio Bolsonaro seria o relator do inquérito. No entanto, com a aposentadoria antecipada, o presidente do Supremo, Luiz Fux, deverá determinar o sorteio da relatoria do inquérito contra Bolsonaro entre os integrantes da Corte, antes da nomeação do novato. Essa providência pode ser tomada se houver medidas urgentes a serem tomadas na investigação – como, por exemplo, a tomada de depoimentos ou o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Há um precedente semelhante nesse sentido. Em janeiro de 2017, quando o ministro Teori Zavascki morreu em um acidente aéreo, a então presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, determinou o sorteio de outro relator para a Lava-Jato.

Paraguai ganha concorrentes no mercado ilegal de cigarros – O mercado de cigarros contrabandeados no Brasil não é mais dominado apenas pelas marcas paraguaias. Levantamento do Ibope aponta aumento no consumo de produtos do Reino Unido, EUA e Coreia do Sul, sobretudo no Norte e no Nordeste. A marca americana Bellois já é a terceira ilegal mais consumida pelos nordestinos, com 8% do mercado em 2019. Em estados como RN, SE, AL e PB, a sul-coreana Pine tem 26% do mercado, segundo estimativas da indústria tabagista. Já na região Norte, 11% dos cigarros contrabandeados são britânicos. Atualmente, 57% do mercado brasileiro é de cigarros ilegais, segundo o Ibope. Apesar da concorrência, marcas paraguaias como Eight e Gift ainda lideram.

Bolsonaro é rejeitado por 46% dos moradores de São Paulo – Duas das principais figuras nacionais envolvidas na eleição municipal de São Paulo registram rejeição significativa por parte do eleitorado. Segundo pesquisa do Datafolha, 46% dos paulistanos consideram o trabalho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ruim ou péssimo. Já o governo estadual paulista sob João Doria (PSDB) é reprovado por 39% dos ouvidos. O instituto entrevistou 1.092 pessoas em 21 e 22 de setembro, de forma presencial. A margem de erro é de três pontos percentuais. O mesmo levantamento já havia mostrado que ambos os políticos não são padrinhos muito eficientes para os candidatos associados a eles na capital, o prefeito Bruno Covas (PSDB) no caso de Doria e o deputado Celso Russomanno (Republicanos), no de Bolsonaro.

Seis partidos pedem que STF barre troca da cor declarada – Em carta enviada nesta sexta-feira (25) aos ministros do Supremo Tribunal Federal, setoriais afros de seis partidos políticos sugerem aos ministros da corte a adoção de regulamentação da cota racial eleitoral com o objetivo de evitar fraudes e um possível efeito reverso de dificultar a participação de negros na política. Entre as três medidas objetivas sugeridas pelos núcleos afros de Cidadania, PSDB, PDT, PSB, MDB e DEM está a de que haja fiscalização e rejeição da mudança de autodeclaração da cor por parte de candidatos em relação ao que informaram nos últimos pleitos. “Pensamos que outro meio de coibir atos fraudulentos é a checagem da declaração de campanhas anteriores daqueles que já disputaram cargos eletivos, tendo estes que manter a declaração das campanhas passadas”, diz o documento, afirmando ainda vislumbrarem “o perigo de candidaturas ‘laranjas’ onde negros sirvam de repassadores de recursos como ocorreu com a cota de 30% das mulheres em algumas situações.”

Wal do Açaí agora é Wal Bolsonaro – Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí, ex-assessora de Jair Bolsonaro, registrou sua candidatura a vereadora de Angra dos Reis (RJ) com o sobrenome da família presidencial. Alvo de uma investigação aberta há dois anos pelo Ministério Público Federal de Brasília sob suspeita de ser funcionária-fantasma, Wal tem forte apoio da família Bolsonaro e de seus aliados mais fiéis no Rio de Janeiro. Em sua página no Facebook —criada com o nome Wal do Açaí, mas alterado para Wal Bolsonaro—, tem fotos com o senador Flávio Bolsonaro, os deputados Eduardo Bolsonaro, Hélio Lopes, Alana Passos e Anderson Moraes.

Médicos retiram cálculo da bexiga de Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro, 65, foi submetido nesta sexta-feira (25) a uma cirurgia para a retirada de um cálculo na bexiga. A cirurgia, realizada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, teve duração de uma hora e meia. Em boletim divulgado no final da tarde desta sexta, o hospital disse que o presidente usava uma sonda vesical, “apresenta ótima evolução clínica” e “segue sem intercorrências”. Bolsonaro iniciou dieta oral e caminhou pelo quarto. No início da manhã, o hospital havia informado que o “procedimento foi realizado sem intercorrências”, com duração de uma hora e meia, e o cálculo foi totalmente removido. A previsão é que Bolsonaro volte a Brasília já neste sábado (26).

Lava Jato denuncia Wassef – O advogado Frederick Wassef, que já representou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi denunciado hoje pelo MPF (Ministério Público Federal) sob suspeita de lavagem de dinheiro e peculato. A denúncia é um desdobramento da Operação E$quema S, que apura desvios de entidades do Sistema S do Rio de Janeiro. Além dele, outras quatro pessoas foram denunciadas: Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio-RJ; o empresário Marcelo Cazzo e as advogadas Luiza Nagib Eluf e Marcia Carina Castelo Branco Zampiron. O grupo é acusado de crimes cometidos a partir do desvio de R$ 4,6 milhões das seções fluminenses do Sesc, do Senac e da Fecomércio. De acordo com os procuradores, os desvios ocorreram de dezembro de 2016 a maio de 2017 sob pretexto de prestação de serviços advocatícios à Fecomércio-RJ. Desse valor, R$ 2,68 milhões teriam ficado com Wassef, segundo a denúncia. O contrato foi assinado com o escritório de Luiza Eluf. Wassef disse que prestou os serviços e recolheu impostos, mas destacou que sua cliente era Luiza Eluf, e não a Fecomércio. Ex-procuradora do Ministério Público, Luiza Eluf negou crimes e disse que prestou os serviços para os quais foi contratada. A defesa de Cazzo disse que apresentará provas de sua inocência numa denúncia “descabida”.

Acordo entre famílias Odebrecht e Gradin encerra briga de 10 anos – As famílias Odebrecht e Gradin chegaram nesta semana a um acordo que encerra uma das disputas societárias mais antigas e ruidosas do país. A disputa envolvia fatia de 20% detida pelos Gradin na Odbinv (Odebrecht Investimentos), holding controladora do grupo Odebrecht. “Esta pacificação é significativa e fundamental, por encerrar conflitos de muitos anos e por permitir que essas empresas possam se concentrar nos seus negócios e operações”, escreveu o presidente da Odebrecht S.A., Ruy Sampaio, em mensagem enviada por e-mail às diretorias das companhias do grupo na quinta-feira (24), logo após a assinatura do acordo. A disputa começou em 2010, quando a Odebrecht, então sob o comando de Marcelo Odebrecht, exerceu uma opção de compra da fatia de 20% detida pela Graal Participações, da família Gradin, na Odbvin. Os Gradin não concordaram com os termos oferecidos e teve início uma disputa de uma década, que passou por câmaras de arbitragem e diversas instâncias do judiciário. Na disputa, os Gradin chegaram a pedir R$ 12 bilhões pela sua participação. A Folha apurou, porém, que o acordo foi fechado por um valor próximo a R$ 6 bilhões, que deverão ser pagos no âmbito da recuperação judicial da Odebrecht, através de uma debênture de participação nos lucros com prazo de até 40 anos, como todos os demais créditos que fazem parte do processo de recuperação. A transferência das ações dos Gradin à Odebrecht acontece imediatamente.

Reeleição divide Senado – Parlamentares contrários à reeleição do presidente do Senado travam uma queda de braço com Davi Alcolumbre (DEM-AP) após um parecer jurídico, produzido na Casa, afirmar em nota informativa que a manobra seria inconstitucional. Alcolumbre e apoiadores apostam em uma decisão interna, que drible o Judiciário — o Supremo Tribunal Federal julga um questionamento do PTB sobre o tema, mas não chegou a um veredito. A brecha para que o demista concorra novamente ao cargo, porém, parece cada vez mais estreita com a demora dos ministros em resolver a querela. A nota, por outro lado, fornece munição aos adversários. A Nota Informativa nº 5.128/2020, emitida a pedido do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), é objetiva em suas conclusões. Destaca que o texto constitucional é “inequívoco”, e que, “dentro da mesma legislatura, é vedada a reeleição para os mesmos cargos”. Ao Correio, Vieira destacou a fala do ministro Marco Aurélio sobre o tema, que afirmou que a Carta Magna “proíbe”, e “proíbe desde 1988”. “E o presidente Davi tentou atropelar a Constituição. Isso não dá para permitir. Se aprovar uma PEC, ele pode. Mas, duvido que qualquer consultor jurídico sério vá dar parecer favorável (à reeleição)”, afirmou o parlamentar. Na quinta-feira, Davi Alcolumbre procurou desconsiderar o parecer jurídico contrário à reeleição. Disse que o documento não reflete a posição oficial do Senado e que ele, como chefe, tem como dever defender as prerrogativas da Casa Legislativa. Alcolumbre informou que o Senado tem limitado a discussão no âmbito do STF, em resposta à ação apresentada pelo PTB, e ressaltou “o compromisso de zelar pela independência do Senado Federal, evitando-se que a opinião defendida por um partido ou por um grupo de 10 senadores seja imposta aos demais 71 senadores, privando-os de exercer sua missão constitucional nesta ou em outras matérias.”

Polícia à procura de ex-secretário foragido – A Polícia Civil de Minas Gerais negocia a entrega do secretário de Obras da cidade de Patrocínio, Jorge Marra, suspeito de assassinar, na quinta-feira, o candidato a vereador na cidade Cássio Remis, de 37 anos. A negociação ocorre com integrantes da família. A polícia pediu a prisão preventiva de Marra, que é irmão do prefeito de Patrocínio, Deiró Marra, e é considerado foragido. A arma do crime foi encontrada ontem, em Perdizes, cidade a 62 quilômetros de Patrocínio. Estava no carro utilizado na fuga pelo suspeito. O veículo estava dentro da casa de um político local, que não teve o nome revelado, e que deverá ser investigado para apurar se ele ajudou na fuga do secretário. O candidato a vereador foi morto no início da tarde de quinta-feira. Cássio Remis fazia uma live próximo a obras realizadas pela prefeitura na avenida em que fica o imóvel em que passaria a funcionar o comitê do prefeito pela reeleição. O candidato a vereador afirmava que as obras estariam sendo feitas porque o comitê estaria localizado na região, e que se tratava de uso de equipamentos e servidores públicos a favor da candidatura do prefeito.

Lula não quer se associar a derrotas – O ex-presidente Lula aproveita a campanha municipal para, em causa própria, tentar buscar apoios para o PT. A ordem agora é manter distância da candidatura de Jilmar Tatto a prefeito de São Paulo. Não quer ser sócio da derrota de Tatto e trabalha na linha de aglutinar simpatias para si mesmo rumo a 2022. Por essas e outras, o ex-presidente tem elogiado Guilherme Boulos, Ciro Gomes e não abre mão de aproveitar essas eleições para lançar a campanha em prol da anulação da sentença que o condenou à prisão e a ficar fora da corrida eleitoral. A cúpula petista tem obrigado os integrantes do partido que concorrem nas capitais a dedicarem parte da campanha à defesa do ex-presidente. Só tem um probleminha: muitos estão mais interessados em cuidar dos assuntos municipais e da própria sobrevivência política do que dos problemas de Lula. Há quem diga que o clima no partido está tão tenso quanto no período do mensalão/petrolão.

Tranquila – A deputada Bia Kicis (PSL-DF) prestou depoimento ontem à Polícia Federal no inquérito que trata de atos antidemocráticos, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A parlamentar sempre foi muito crítica com a atuação de ministros do Supremo. Chamou o decano, Celso de Mello, de “juiz de merda”. Ontem deixou a PF tranquila: “Saindo do depoimento da PF. Foi tranquilo, mas fica aquela sensação de que a valorosa Polícia Federal deveria estar empregando seu tempo e o dinheiro dos contribuintes na investigação de bandidos”.

‘Não tem nada a ver comigo’, diz candidato – A filha e o genro do candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Republicanos, Celso Russomanno, respondem a pelo menos 18 processos na Justiça por uma prática descrita nas ações como um “esquema da pirâmide”, tipo de golpe em que pessoas investem dinheiro em uma empresa em troca de lucros que não se realizam. Em seis ações, a Justiça já julgou procedente a reclamação das vítimas, que cobram ao todo um prejuízo de R$ 4,5 milhões. Líder nas pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, Russomanno entrou na política após se tornar conhecido como apresentador de TV e ativista em defesa do consumidor. A reportagem procurou tanto a campanha do candidato do Republicanos, como os três advogados que representam sua filha e genro na Justiça. O candidato respondeu com um vídeo em que diz ser alvo de “ataque pessoal” e diz que o genro tem “problemas financeiros assim como milhares de outros brasileiros”. Os advogados não responderam. Nas ações, vítimas afirmaram que confiaram no casal especialmente pelo fato de Luara Torres Queiroz Russomanno ser filha do candidato. “Não imaginava que o autor (da ação) teria maiores problemas, pois o réu sempre foi solícito no início dos investimentos, além de que é genro de um famoso político paulista, que trabalha em defesa do consumidor”, diz trecho de um dos processos, movido por um engenheiro de 30 anos que cobra R$ 23 mil do casal. Em outra ação há cópias de mensagens de corretores de investimentos atestando que o negócio era legítimo por causa do parentesco do casal com o deputado. “O dono é genro do Celso Russomanno, sabe? Ele não vai querer um escândalo desse pra cima dele e manchar o nome da família”, disse uma corretora, por WhatsApp, a uma vendedora de cosméticos de 29 anos, – moradora da zona sul, que perdeu R$ 20 mil – quando ela questionava o começo dos atrasos nos pagamentos.

A resposta de Russomanno – Depois da troca de mensagens via Whatsapp com a reportagem, o candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno (Republicanos) enviou um vídeo em que se refere às ações das quais sua filha e seu genro são alvo. Na gravação, Russomanno afirma que “já começaram os ataques”. “Já se iniciaram os ataques. Ataques contra minha pessoa e a minha família. Isso já aconteceu em 2012 e em 2016, na tentativa de desconstruir a minha imagem para diminuir a intenção de voto em minha pessoa”, afirmou o candidato, no vídeo. “Meu genro tem problemas financeiros, assim como milhares de outros brasileiros, e vai responder pelos seus problemas, até porque isso não tem nada a ver comigo”, complementou o candidato, sem citar sua filha ou comentar o uso de seu nome para dar segurança ao esquema denunciado nos processos judiciais. “Não sou sócio da empresa e não conheço os negócios do meu genro”, continuou Russomanno, no vídeo. “Agora, trazer isso para a minha campanha e tirar o foco da discussão, que é a cidade de São Paulo, é uma atitude covarde, para não dizer outra coisa”, afirmou. O candidato disse ainda que pretende discutir os problemas da cidade. A reportagem havia questionado Russomanno sobre a avaliação dele em relaçao ao caso envolvendo a filha e o genro, e que preocupação esse problema pessoal trazia para o deputado, que tenta a eleição. No mesmo dia, Russomanno disse que iria checar as informações com o genro e que daria uma resposta. E enviou o vídeo dois dias depois. Os advogados de Luara e Queiroz, filha e genro do candidato, não retornaram o contato feito pela reportagem com seu escritório.

No Rio, metade declara ter menos dinheiro – Entre os 12 candidatos à prefeitura do Rio, seis declararam ter menos dinheiro hoje do que na última eleição que disputaram – em 2016 ou 2018. A deputada estadual Renata Souza (PSOL), por exemplo, informou à Justiça Eleitoral possuir, atualmente, 43% a menos do que em 2018. Seu patrimônio declarado caiu de R$ 73,9 mil, há dois anos, para R$ 42 mil agora – em valores nominais, sem correção pela inflação. Assim como em São Paulo, o Novo apresentou o candidato carioca mais rico: o engenheiro Fred Luz, ex-presidente do Flamengo. Os bens mais valiosos em sua declaração são dois apartamentos na Barra da Tijuca, que equivalem a mais da metade do patrimônio de R$ 4,7 milhões. Ele também declara guardar R$ 250 mil em espécie. Na lista de mais ricos, é seguido pelo deputado Luiz Lima (PSL) e pela ex-juíza Glória Heloiza (PSC) – ambos declararam cerca de R$ 1,5 milhão. Candidato ao sexto mandato na Câmara Municipal do Rio, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) perdeu patrimônio entre 2016 e 2020, conforme mostrou ontem o BR Político. Segundo declarações de bens apresentadas por Carlos em 2016 e neste ano, ficou R$ 17.145,87 mais “pobre”. Na declaração de 2016, Carlos informou um patrimônio de R$ 608.805,33, composto por sete itens, entre imóveis, veículos, poupança e dinheiro guardado em espécie. Neste ano, ele afirmou à Justiça ter R$ 591.659,46: três apartamentos, que somam R$ 470 mil, um carro, poupança, participação em uma empresa e R$ 20 mil que guarda em espécie.

Candidaturas já pagam posts nas redes sociais – Ao menos sete dos 14 candidatos a prefeito de São Paulo já começaram a impulsionar postagens pagas no Facebook e no Instagram para divulgar seus nomes. A maioria gastou algumas centenas de reais com a medida. Jilmar Tatto (PT) empregou mais de R$ 41 mil. Segundo a campanha, o gasto foi necessário porque Tatto ainda tem poucos seguidores nas redes sociais. O impulsionamento de propaganda não é vedado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde que não haja pedido explícito de voto.

Bolsonaro deve forçar polarização em SP – A cada vez mais iminente entrada de Jair Bolsonaro em cena nas eleições municipais faz estrategistas dos principais candidatos a prefeito de São Paulo estudarem como o fenômeno da polarização, que divide (e apaixona) os brasileiros, deve influenciar o voto do eleitor paulistano. Na largada, existe a percepção de que “polarizar” com Celso Russomanno (Republicanos), o líder nas pesquisas, poderá ser uma boa para candidaturas do campo contrário ao presidente, como Bruno Covas (PSDB), Márcio França (PSB ) e Guilherme Boulos (PSOL). De olho na polarização, Covas pretende dar toques progressistas a seus programas na TV. Mostrará, por exemplo, os CEUs da atual gestão, todos com nomes de personalidades negras. A ideia também é engajar a ex-petista Marta Suplicy na campanha. Forçar uma polarização com Russomanno (apoiado por Bolsonaro), porém, embute riscos: o revide poderá ser na mesma moeda, o que aumentaria ainda mais a rejeição de Covas, por exemplo. No caso de Boulos, a polarização com Russomanno será inevitável, ainda mais porque, se ele não assumir esse espaço, Jilmar Tatto (PT) assumirá.

Flávio declarou ‘doações em espécie’ de R$ 733 mil para a mãe – Em sua declaração de Imposto de Renda do ano de 2010, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) informou à Receita Federal a realização de “doações em espécie” no valor de R$ 733 mil para a mãe dele, Rogéria Nantes Bolsonaro. O valor equivale, corrigido pela inflação do período, a R$ 1.229.427,93. Apesar do alto valor, a doação foi feita em um ano no qual o “01”, como é chamado pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, declarou uma redução de patrimônio de 30% e uma dívida de R$ 285 mil. Parte dessa dívida é proveniente de empréstimos obtidos com dois assessores de Jair Bolsonaro, à época deputado federal. Já na evolução patrimonial, Flávio tinha informado possuir bens que totalizavam R$ 690,9 mil em 2009, mas o valor caiu para R$ 485,4 mil no ano seguinte. Procurado, o senador disse, por meio da defesa, que estava impedido de comentar questões sigilosas sobre sua vida financeira e negou irregularidades. Em 2010, Flávio já era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O período é investigado pelo Ministério Público estadual sob suspeita da existência de um esquema de “rachadinha” (devolução de salários) em seu gabinete na Alerj. O repasse feito à sua mãe é mais do que quatro vezes os rendimentos recebidos por Flávio de seu salário da Alerj naquele ano, declarados no valor de R$ 173 mil. Nesse mesmo ano, ele declarou ter vendido um conjunto de salas comerciais por um valor nominal de R$ 854 mil. Essas transações imobiliárias, que também incluíram dinheiro em espécie, estão sob investigação do MP do Rio sob suspeita de serem uma estratégia para lavagem de dinheiro.

Filho de Marcelo Crivella movimentou R$ 2 milhões – O filho do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que aponta movimentações consideradas atípicas. Segundo o documento, Marcelo Hodge Crivella movimentou R$ 2 milhões entre maio de 2017 e julho de 2018, com parte das transações feitas em dinheiro vivo. A informação foi revelada pelos repórteres Marcelo Gomes e Mariana Queiroz, da Globonews, em matéria veiculada RJTV 2ª edição desta sexta-feira (25). O relatório foi anexado à investigação sobre o esquema de corrupção na Prefeitura do Rio, conhecido como “QG da Propina”, no qual empresários pagavam valores em troca de contratos com o município e do recebimento de dívidas da prefeitura com fornecedores. Em pouco mais de um ano, segundo a reportagem, cerca de R$ 1 milhão entrou na conta do filho do prefeito, sendo R$ 153 mil em espécie. Os débitos na conta somaram o mesmo valor que foi depositado. Do total transferido, R$ 245 mil foram enviados para a Igreja Universal do Reino de Deus, do qual o prefeito Marcelo Crivella é bispo licenciado. As movimentações atípicas não são necessariamente operações ilegais. Segundo o documento do Coaf, a conta de Marcelo Hodge Crivella foi usada para o recebimento de recursos com envio imediato de valores expressivos sem causa aparente.

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