Resumo dos jornais e revistas de sábado (24/10/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (24/10/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes e capas

FOLHA DE S.PAULO: Para Fux, vacinação contra coronavírus será judicializada

CORREIO BRAZILIENSE: Justiça determina volta às aulas na rede pública

O ESTADO DE S.PAULO: PCC movimentou R$ 1,2 bi com tráfico internacional de drogas

O GLOBO: Após tensão, Anvisa libera importação da vacina chinesa

VEJA: Efeito colateral

O Brasil, que já chocou o mundo pela tragédia humanitária de mortes por coronavírus, virou também a única nação no planeta em que autoridades batem boca diante dos avanços significativos de uma vacina. As notícias relacionadas à CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac, atearam fogo de vez na guerra declarada entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, que se colocaram de lados opostos desde o início da pandemia. A polêmica mostra que o país não aprendeu nada com os prejuízos já provocados pela politização do combate à Covid-19. Há tempo ainda para corrigir os rumos e planejar um sistema rápido e eficiente de imunização para que ele entre em funcionamento assim que uma vacina for aprovada. Com estudos a todo vapor mundialmente, a ciência está fazendo o seu papel. Só a política pode agora criar obstáculos nessa reta final.

ISTOÉ: Aqui, mando eu!

Jair Bolsonaro cancela a aquisição de vacina chinesa por motivos políticos e frita mais um ministro da Saúde — o terceiro em plena pandemia. Também afirma que a vacinação não será obrigatória. Mais uma vez coloca seu interesse eleitoral acima da necessidade dos brasileiros, que pagam o preço da irresponsabilidade com suas vidas. Para o País, a politização da doença e o avanço negacionista é uma regressão de mais de cem anos no debate sobre a saúde pública. Voltamos à época da revolta da vacina, quando oportunistas exploravam rivalidades e atacavam os agentes públicos alegando a defesa das liberdades individuais. Governadores se mobilizam e defendem que o Ministério da Saúde disponibilize a Coronavac, produzida no Instituto Butantan e defendida pelo governador João Doria. A briga pode chegar ao STF

ÉPOCA: A guerra da vacina

As disputas políticas entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, ambos de olho nas eleições de 2022, podem atrapalhar o desenvolvimento das vacinas que estão sendo testadas no país, como ficou claro nos tristes episódios registrados na penúltima semana de outubro. O foco da briga é a vacina chinesa CoronaVac, que está avançada na fase de testes. Na terça-feira 20, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia se comprometido numa reunião virtual com governadores a comprar as doses da vacina chinesa, caso o imunizante receba a aprovação final da Anvisa. A negociação entre o estado de São Paulo e o ministério parecia ter vencido uma etapa importante, Doria respirou aliviado e foi para as redes sociais divulgar a novidade.

CartaCapital: A fé em um clique

Os novos pregadores evangélicos trocam a tevê pela internet e expandem sua influência, inclusive na política.

Crusoé: Os caminhos que levam a Gilmar

Por que, afinal, muitos dos habeas corpus de investigados na Lava Jato vão parar nas mãos do ministro Gilmar Mendes?

Destaques de hoje

Lewandowski acelera discussão – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, afirmou ver com bons olhos a Justiça entrar na discussão sobre a vacina do novo coronavírus e tomar uma decisão a respeito. “Podem escrever, haverá uma judicialização, que eu acho que é necessária, que é essa questão da vacinação. Não só a liberdade individual, como também os pré-requisitos para se adotar uma vacina”. Também ontem, Ricardo Lewandowski, relator de ações em curso na corte acerca do tema, aplicou o rito abreviado aos julgamentos, o que indica a intenção de dar celeridade ao debate. Nesse sentido, o ministro já requereu as manifestações do presidente Jair Bolsonaro, da AGU (Advocacia-Geral da União) e da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o assunto. Na quinta (22), a Rede acionou o Supremo para obrigar o governo federal a comprar 46 milhões de doses da Coronavac, produzida pela chinesa Sinovac em convênio com o Instituto Butantan, objeto de embate entre Bolsonaro e o governador paulista João Doria (PSDB). Também tramita processo que discute se o Estado pode obrigar pais a imunizarem seus filhos.

Em até 20 dias – A pedido do Ministério Público, juiz da Vara da Infância e da Juventude ordena que o GDF apresente plano para a retomada, em até 20 dias, das atividades presenciais nas escolas.

PCC movimentou R$ 1,2 bilhão – O Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentou R$ 1,2 bilhão com o tráfico internacional de drogas por ano – a quantia não inclui os negócios particulares feitos por seus membros e associados. Os dados constam dos documentos apreendidos na Operação Sharks, que investigou a lavagem de dinheiro da facção entre junho de 2018 e setembro de 2020. A Justiça de São Paulo decretou nesta sexta-feira, 23, a prisão de 18 acusados de pertencer à cúpula da estrutura de tráfico de drogas e de lavagem de dinheiro e de comandar as ações da organização criminosa nas ruas. “Creio que essa será a primeira fase da Lava Jato do PCC”, disse o promotor Lincoln Gakiya, um dos seis que assinam a denúncia contra o grupo. Entre os acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE) estão Marcelo Moreira Prado, o Sem Querer; Eduardo Aparecido de Almeida, o Pisca; e Marcos Roberto de Almeida, o Tuta. Este permanece em liberdade e é apontado como o atual chefe da facção nas ruas. Só uma parte do dinheiro detectado pelos promotores foi movimentado no sistema financeiro – cerca de R$ 200 milhões – por meio de contas bancárias em nomes de laranjas e de empresas fantasmas. O restante foi mantido em casas-cofre e transportado em carros até ser entregue a doleiros, que remetiam os recursos para o exterior a fim de a facção pagar seus fornecedores de drogas no Paraguai, na Bolívia e no Peru. Esta á primeira vez que o MPE se aproxima da decisão de qualificar o PCC como organização de tipo mafioso, pois esclarece os esquemas de lavagem de dinheiro do grupo, última etapa para que o grupo pudesse ser considerado uma máfia. “Mostramos que o dinheiro do PCC não fica no Brasil. Ele vai para o exterior”, afirmou o promotor Gakiya.

Criticada, Anvisa libera importação de imunizante – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou sexta-feira (23) a importação excepcional, pelo Instituto Butantan, de 6 milhões de doses da vacina Coronavac, produzida pela empresa chinesa Sinovac. O aval, porém, não indica que as doses poderão ser aplicadas. Isso ainda dependerá do resultado dos testes clínicos e do registro da vacina no país. A decisão ocorre um dia após o diretor-geral do instituto, Dimas Covas, afirmar que a Anvisa estaria retardando a autorização para a importação excepcional de matéria-prima da Sinovac que possibilitará a fabricação da vacina no Brasil. O pedido, feito em 23 de setembro, incluía também o recebimento de 6 milhões de doses de vacinas já prontas pela empresa chinesa. O plano original do Butantan era receber essas doses em outubro e fabricar no Brasil, até dezembro, as outras 40 milhões de doses a partir da matéria-prima que chegaria da China.

Ramos vira alvo dos filhos de Bolsonaro e da ala ideológica – As críticas públicas feitas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, são amparadas pelos filhos de Jair Bolsonaro e fazem parte de estratégia do núcleo ideológico para convencer o presidente a trocar o responsável pela articulação política do governo. A pressão, que ocorre nos bastidores desde agosto e até agora vinha sendo refutada pelo presidente, tornou-se pública nesta sexta-feira (23), após Salles ter citado nominalmente Ramos nas redes sociais e pedido ao militar para parar com uma postura de “maria fofoca”. A decisão de Salles de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, busca tentar acelerar o desgaste de Ramos para que seja possível convencer Bolsonaro a incluir o general na minirreforma ministerial programada para fevereiro. A ideia é repetir a fritura realizada no ano passado com o general Carlos dos Santos Cruz, que também comandava a Secretaria de Governo e foi criticado pelo núcleo ideológico por sua postura moderada. Bolsonaro foi influenciado a substituí-lo no posto. O vice-presidente Hamilton Mourão foi questionado por repórteres nesta sexta sobre as divergências entre os ministros. “Isso não passa por mim, os ministros são do presidente e eu não me meto nessa guerra”, afirmou.

Folha obtém vitória em ação de Eduardo Bolsonaro – A Justiça do Distrito Federal negou o pedido do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para que a Folha e o UOL fossem condenados a lhe pagar indenização por danos morais em razão da publicação de reportagens sobre a evolução patrimonial da família Bolsonaro. Segundo a decisão da 18ª Vara Cível de Brasília, a publicação dos textos “não extrapolou os limites do dever de informar” e teve “respaldo em declarações de bens ao Tribunal Superior Eleitoral, dos quais o próprio autor [Eduardo Bolsonaro] tinha conhecimento, e pesquisas realizadas junto aos cartórios e corretores”. A juíza autora da sentença, Tatiana Dias da Silva Medina, afirmou que, “por se tratar de uma pessoa pública, é natural que as informações sobre a vida do autor concernentes a sua evolução patrimonial tenham maior interesse da população e sejam divulgadas nos meios de comunicação”. O deputado ainda pode recorrer contra a decisão, que é de primeira instância. A reportagem da Folha considerada ofensiva por Eduardo foi veiculada em janeiro de 2018 com o título “Patrimônio de Jair Bolsonaro e filhos se multiplica na política”.

É moda guardar dinheiro na cueca – Um candidato a vereador da cidade de Carira, no interior de Sergipe, foi preso na tarde desta quarta-feira (21) com R$ 15.300 escondidos na cueca. Edilvan Messias dos Santos (PSD), mais conhecido como Vanzinho de Altos Verdes, recebeu voz de prisão de policiais militares que investigavam denúncia anônima sobre suposta compra de votos no município. Durante a abordagem realizada em Sergipe, os policiais encontraram material de campanha eleitoral no interior de um dos veículos, ocupado por um casal. O PSD local afirmou que o caso será investigado. Logo após pararem os veículos considerados suspeitos, os policiais iniciaram o procedimento de revista, e localizaram o dinheiro. As cédulas, colocadas dentro da roupa íntima, estavam numa sacola plástica. Vanzinho de Altos Verdes foi liberado logo após prestar depoimento. A Polícia Civil de Sergipe instaurou inquérito para apurar o caso.

Defesa de Flávio acionou estrutura do governo – Os advogados do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) acionaram o Gabinete de Segurança Institucional e outros órgãos do governo federal com autorização do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para obter provas que possam anular as investigações sobre as supostas “rachadinhas”. O acionamento do GSI foi confirmado pela defesa do próprio senador, que afirmou se tratar de “suspeitas de irregularidades das informações” nos relatórios do Coaf, órgão de inteligência financeira, que originaram a investigação contra o filho do presidente. A mobilização da estrutura do governo federal na causa foi revelada pela revista Época nesta sexta-feira (23) e confirmada pela defesa de Flávio. A revista afirma que o presidente também se envolveu na mobilização dos órgãos federais, ao acionar o secretário da Receita, José Barroso Tostes Neto, a fim de auxiliar na apuração em favor do senador. “A defesa do senador Bolsonaro esclarece que levou ao conhecimento do GSI as suspeitas de irregularidades das informações constantes dos Relatórios de Investigação Fiscal lavradas em seu nome, já que diferiam, em muito, das características, do conteúdo e da forma dos mesmos relatórios elaborados em outros casos, ressaltando-se, ainda, que os relatórios anteriores do mesmo órgão não apontavam qualquer indício de atividade atípica por parte do senador”, diz a nota.

Martha Rocha ameaça polarização entre Paes e Crivella – O nome de urna tem “delegada” e seu material de campanha emula um distintivo. As propostas, porém, vão no sentido oposto da agenda de “lei e ordem” associada às candidaturas de policiais. A deputada estadual Martha Rocha (PDT), ex-chefe da Polícia Civil na gestão Sérgio Cabral, se tornou a principal preocupação dos dois principais candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro no início da campanha: Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos). Martha foi escolhida candidata na esteira da tentativa de Ciro Gomes (PDT) se aproximar do setor de segurança pública com vistas às eleições presidenciais de 2022, em que deve enfrentar o presidente Jair Bolsonaro, associado à pauta. Ela aparece empatada com Crivella, com 13% das intenções de voto, segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22). Também está em empate técnico com a deputada Benedita da Silva (PT), com 10%. Todos atrás de Paes, com 28%. A ela, porém, foi a única candidata a subir para além da margem de erro na pesquisa espontânea —quatro pontos percentuais— em comparação ao levantamento do dia 8.

Lula vira réu pela quarta vez na Lava Jato – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou réu pela quarta vez na Operação Lava Jato no Paraná. O juiz Luiz Antonio Bonat recebeu nesta sexta-feira (23) a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) contra o petista e mais quatro pessoas por lavagem de dinheiro na Petrobras. A denúncia foi protocolada em setembro. O ex-presidente é acusado de usar o Instituto Lula para lavar R$ 4 milhões doados pela Odebrecht entre dezembro de 2013 e março de 2014. Segundo a denúncia, os valores —feitos formalmente por doações legais— foram repassados em quatro operações de R$ 1 milhão cada uma e tiveram como origem contratos fraudados da Petrobras. Segundo o documento, Lula era “comandante e principal beneficiário do esquema de corrupção que também favorecia as empreiteiras cartelizadas”, como a Odebrecht. Os outros réus no processo são o ex-ministro Antonio Palocci, Paulo Okamotto, do Instituto Lula, e dois ex-executivos da Odebrecht, Alexandrino Ramos de Alencar e Hilberto Mascarenhas da Silva Filho. Ao UOL, a defesa do ex-presidente disse que a ação é “mais um ato de perseguição contra o ex-presidente Lula porque aceitou processar mais uma ação penal descabida”. “A mesma decisão desconsidera que Lula já foi definitivamente absolvido pela Justiça Federal de Brasília da absurda acusação de integrar uma organização criminosa, assim como desconsidera decisão do Supremo Tribunal Federal que retirou da Justiça Federal de Curitiba a competência para analisar o assunto”, afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins.

Voluntário de testes da vacina de Oxford que morreu não recebeu a imunização – O voluntário brasileiro que participava dos estudos da vacina contra o coronavírus em desenvolvimento pela Universidade de Oxford (Reino Unido) morreu por complicações da Covid-19 e não recebeu a imunização em teste. A informação foi confirmada à Folha por fontes ligadas ao governo britânico, em Londres, e que acompanham os testes. Em nota divulgada nesta quarta (21), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) confirmou ter sido comunicada sobre a morte do voluntário, mas não deu detalhes do caso. A agência, porém, disse ter recebido dados de um comitê internacional de avaliação de segurança que recomendou a continuidade dos estudos, sem prejuízos à segurança, o que já sugeria que o voluntário fizesse parte do chamado grupo controle, que recebe outro medicamento, imunização ou substância placebo, sem efeito nenhum, para comparação de eficácia e efeitos colaterais. No caso do teste da vacina de Oxford, os voluntários recebem a vacina contra a Covid-19 ou a vacina meningocócica.

Comissão do impeachment afasta governador de SC – A comissão mista formada por deputados estaduais e desembargadores aprovou nesta sexta-feira, por seis votos a quatro, o afastamento do governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, em razão do aumento salarial dado a procuradores do Estado em 2019. Votaram a favor do prosseguimento do processo os deputados Kennedy Nunes (PSD), relator do caso, Maurício Eskudlark (PL), Sargento Lima (PSL), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Laércio Schister (PSB), além do desembargador Luis Felipe Schuch. Pelo arquivamento, posicionaram-se os desembargadores Carlos Alberto Civinski, Sérgio Antônio Rizelo, Cláudia Lambert e Rubens Schulz. Moisés e e sua vice, Daniela Reinehr, respondem por um suposto crime de responsabilidade por causa de um aumento salarial dado a procuradores do Estado em 2019. Como a vice teve cinco votos a seu favor e cinco contra, caberia ao presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Roesler. Por volta das 2h da madrugada deste sábado, ele decidiu rejeitar a abertura de processo de impeachment contra a vice, que agora assume o cargo no lugar de Moisés. A Alesc, nos próximos 180 dias, decidirá se Moisés é culpado ou não pelo caso. Se condenado, ele perde definitivamente o mandato.

Candidatos que se vinculam a Bolsonaro patinam nas pesquisas – Sem produzir crescimento de candidaturas nas pesquisas eleitorais, a estratégia de alinhamento ao presidente Jair Bolsonaro passa a ser revista por campanhas a prefeituras de capitais. Enquanto o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), dobrou a aposta no apoio de Bolsonaro, seu colega de partido Celso Russomanno, candidato em São Paulo, se descolou da retórica antivacina do presidente um dia depois de ser ultrapassado numericamente pelo atual prefeito, Bruno Covas (PSDB). Para especialistas, ouvidos pelo Globo, o aumento da rejeição a lideranças políticas e também da “desorganização partidária”, combinados ao cálculo do próprio Bolsonaro para evitar perda de popularidade, tendem a afastar o presidente da campanha municipal. Em Belo Horizonte, onde Bolsonaro gravou um vídeo em apoio a Bruno Engler (PRTB) há duas semanas, o atual prefeito Alexandre Kalil (PSD) caminha para uma reeleição em primeiro turno, segundo o Datafolha. Em Recife, a candidata Delegada Patrícia (Podemos), que tenta se viabilizar como alternativa à direita, cresceu seis pontos na pesquisa desta semana evitando se associar a Bolsonaro.

Bolsonaro: “FAs prontas para garantir liberdade” – O presidente Jair Bolsonaro participou, ontem, das celebrações do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira, na Base Aérea de Brasília, em uma cerimônia que marcou a apresentação da primeira unidade do novo caça da Aeronáutica, o F-39 Gripen, aeronave produzida pela empresa sueca Saab e que terá a tecnologia transferida para o Brasil. O F-39 Gripen deve entrar em operação no fim de 2021. Serão fabricados, pelo menos, mais 35 modelos da aeronave em solo brasileiro. De acordo com o governo, os caças serão usados para a proteção do país e realizarão missões de controle e reconhecimento do espaço aéreo, além de operações de ataque. Bolsonaro disse que “2020 será um ano marcante na vida da Força Aérea Brasileira”. “Fomos capazes de colocar no ar dois vetores que podem transformar, de forma irreversível, nossa operacionalidade, nossa capacidade logística e de afirmar nossa superioridade nos 22 milhões de quilômetros quadrados de espaço aéreo, indispensáveis à nossa soberania”, afirmou. Ele comentou a importância das FAs. “Quando tudo se diz parecer incerto, lembre-se das Forças Armadas. Como bem diz a história, elas sempre estarão prontas para defender a pátria e para garantir a nossa liberdade”, frisou o presidente, que também homenageou Alberto Santos Dumont, pai da aviação, pelos 114 anos do primeiro voo do 14 Bis.

O tempo é o senhor da razão – O Senado encerra a semana sem convocar o suplente de Chico Rodrigues (DEM-RR), no caso, Pedro Arthur Rodrigues, filho do parlamentar flagrado com dinheiro na cueca. A ideia é deixar passar mais uns dias, a fim de ver se o furacão do escândalo perde força. Enquanto o Senado não convocar o filho do senador, fica suspenso o prazo de 30 dias corridos para que ele decida se assume ou não o mandato. A solução de atrasar a convocação do suplente permitirá, ainda, que os senadores tenham tempo de avaliar melhor o teor do inquérito sobre o desvio de recursos da saúde em Roraima. Até aqui, há um grupo expressivo no Senado dizendo que, politicamente, não há defesa que dê jeito.

Justiça marca audiência de conciliação entre Ibaneis e Sara Winter – O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, líder do grupo bolsonarista 300 do Brasil, vão ficar cara a cara em audiência virtual designada pela Justiça do DF. O governador do DF entrou com ação pedindo indenização de R$ 50 mil por danos morais após a extremista emitir ofensas ao líder do Executivo local em vídeo. Na gravação, ela diz: “Eu, pelo menos, e todo mundo aqui dos 300, concordamos que Ibaneis é um p* de um bandido e o STF é uma ditadura comunista”. Logo depois, um coro, puxado por ela, grita: “Ibaneis bandido! STF comunista”. O governador pode aceitar ou não a conciliação.

‘Infelizmente, a Anvisa está a serviço do governo’, diz William Dib – Cresce a cada semana o temor entre gestores de saúde de que a Anvisa venha a sofrer interferência, mesmo indireta, do governo: cinco de diretores indicados por Jair Bolsonaro foram aprovados no Senado nesta semana. Até o fim de dezembro, estarão todos empossados. William Dib, ex-presidente da Anvisa, reforça a suspeita: “Os secretários da Saúde têm de ter vários senões. Porque, infelizmente, a agência hoje está a serviço do governo.” Ele, contudo, faz uma ressalva: os servidores da Anvisa seguem fazendo um trabalho excepcional e técnico. Dib criticou ainda a politização da discussão em torno das vacinas: “prematura”. “Não pode haver esse pedido (dos governadores) de produção em massa de um produto que ainda não foi sequer registrado”, afirmou. Segundo o ex-presidente da Anvisa, a “politização” das discussões tende a ser inócua, porque a palavra final será sempre do Ministério da Saúde. A maioria dos insumos para produção de medicamentos e vacinas no Brasil vem da Índia e da China. Segundo o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), o País importa 95% desses insumos.

Centrão chega ao Senado e faz articulação pró-governo – O Senado tem agora um Centrão para chamar de seu. A formação do grupo envolve negociações para a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), filiação de senadores e tratativas para a distribuição de cargos e verbas no governo do presidente Jair Bolsonaro. Em busca da recondução ao cargo, em fevereiro de 2021, Alcolumbre está montando uma trincheira de articulação política no Salão Azul do Congresso em um jogo combinado com o Palácio do Planalto. A expansão dos domínios do Centrão para o Senado ganha relevância em um momento no qual o presidente também precisa de apoio na Casa que abriga seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), alvo de investigações. Conhecido pelo pragmatismo do “é dando que se recebe”, o grupo de partidos de centro e de direita só atuava até agora na Câmara. Foi criado ali durante a Assembleia Constituinte, em 1988, dissolveu-se em seguida, mas ressurgiu nos últimos anos, com nova configuração. Na Câmara, o Centrão tem aproximadamente 180 integrantes e age como uma espécie de fiel da balança para que propostas importantes, como a que modificou regras da Previdência, sejam aprovadas. No Senado, o sinal verde para projetos de interesse do governo também depende agora desse grupo.

Alimentos devem continuar em alta até o fim do ano – Pelo menos até o final do ano, o brasileiro vai ter de conviver com a alta dos preços dos alimentos básicos, como arroz, carnes, óleo de soja e feijão. Dólar em alta, oferta ainda escassa desses produtos por causa da entressafra e o auxílio emergencial, mesmo pela metade, garantindo o consumo dos mais pobres, são fatores apontados por economistas e varejistas para que os preços dos alimentos continuem subindo. Mais uma vez, a comida apareceu como vilã: em outubro, a inflação ao consumidor subiu 0,94%, pela prévia do índice oficial, o IPCA-15, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior alta do indicador para o mês desde 1995 e o resultado ficou acima do esperado pelo mercado. Alimentos e bebidas ficaram 2,24% mais caros e responderam por 50% da alta. A inflação de supermercados, onde estão concentradas as vendas sobretudo de alimentos, confirma a pressão. Em setembro, a inflação dos supermercados no Estado de São Paulo, apurada pela Fipe, atingiu 2,2%. Foi a maior variação para o mês em 26 anos e equivale ao acumulado no passado até setembro, segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas). Tanto no IPCA-15 como no índice dos supermercados, óleo de soja, arroz e carnes lideraram os aumentos, com altas de 22,34%, 18,48% e 4,83%, respectivamente na prévia da inflação deste mês.

Campanhas já gastaram R$ 12,8 milhões para ‘bombar’ anúncios – Seja em repasses diretos ou por meio de subcontratadas, o Facebook foi a empresa que mais faturou com as eleições municipais nestas três primeiras semanas de campanha, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até ontem, 5.096 candidatos de todo o País haviam declarado gasto de R$ 12,8 milhões com impulsionamento de propaganda na internet para a rede social norte-americana. No topo da lista está o candidato à prefeitura de Fortaleza José Sarto (PDT), com gasto de R$ 420 mil. Em São Paulo, a maior declaração de gasto é de Bruno Covas (PSDB). O tucano declarou à Justiça Eleitoral gasto de R$ 200 mil para que a rede social exibisse suas mensagens para mais pessoas. A campanha confirma ter feito tal compra, mas afirma que nem todas as despesas foram executadas e que parte desse valor poderá não ser utilizado. O Facebook permite que anunciantes modulem os anúncios que querem espalhar para grupos específicos. É possível escolher se o objetivo é que mais homens ou mais mulheres vejam a mensagem, de qual faixa etária específica, ou de determinados gostos. Um usuário da rede que, por exemplo, passa mais tempo vendo fotos dos cães e curte páginas de proteção ao animal é mais propenso a receber anúncios de pessoas que escolheram atingir amantes de cachorros. Foi o que fez a candidata a vereadora que mais gastou (R$ 180,4 mil) com o impulsionamento na campanha, Andreza Romero (PP), do Recife. “Nossas propostas ressaltam a importância da causa animal, e grande parte das pessoas sensíveis ao nosso trabalho com os animais está nas redes sociais”, afirmou sua campanha.

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