Resumo dos jornais e revistas de sábado (23/05/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (23/05/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Vídeo registra insultos, ameaças e a intervenção de Bolsonaro na PF

CORREIO BRAZILIENSE: Um dia de vídeo, rato e ataques a Brasília

O ESTADO DE S.PAULO: Heleno reage com ameaça a pedido de apreensão de celular de Bolsonaro

O GLOBO: Em reunião, Bolsonaro e ministros atacam políticos e instituições

Capas

VEJA: Ninguém está imune

Profissionais de saúde, especialmente psicólogos e psiquiatras, estão atentos às mudanças de rotina provocadas pela quarentena para as crianças — que incluem o afastamento de avós, amigos e professores, além de aulas on-line e extinção dos passeios ao ar livre. Desenha-se o que poderia ser apelidado de “geração pandemia”, marcada pelo medo alimentado pela incerteza e pela insegurança. Um par de perguntas se impõe: quando as escolas reabrirem, como os jovens reagirão e o que podem fazer as instituições de ensino? Aos educadores e pais caberá aplainar as expectativas da nova vida. “É crucial manter os garotos a par de tudo, mas sem assustá-los”, diz a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo.

ÉPOCA: Desgoverno na saúde

O caos no ministério que deveria comandar o combate a pandemia atrasa a abertura de UTIs, agrava a falta de equipamentos e afeta o destino de milhares de brasileiros.

ISTOÉ: Que país é esse?

Brasileiros desobedecem ao isolamento. Bolsonaro sabota a quarentena, propaga medicamentos ineficazes e perigosos e deixa a saúde à deriva. Com essas ações irresponsáveis, o Brasil passa a marca de mil mortes diárias, perde a credibilidade internacional e ruma para se tornar o epicentro da pandemia. O tombo na economia será monumental. Uma tragédia anunciada.

CartaCapital: Impeachment

Políticos e personalidades explicam seu apoio à destituição de Jair Bolsonaro

Crusoé: Bolsonaro mandou investigar Witzel

Sim, é preciso averiguar a fundo os contratos emergenciais milionários do governo Wilson Witzel para combater o coronavírus. Mas na investigação sobre o governador aberta pela PGR de Augusto Aras há uma coincidência estranha: tudo bate com um dossiê que passou pelo gabinete de Jair Bolsonaro. O Planalto mandou investigar o governador que virou inimigo do presidente?

Destaques do dia

Vídeo acirra ânimos – Divulgado nesta sexta-feira (22), o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril mostrou grande preocupação de Jair Bolsonaro em ser destituído, tendo o presidente da República revelado, ainda, contar com um sistema de informação particular, alheio aos órgãos oficiais, reforçando as indicações de interferência política na Polícia Federal. O encontro, recheado de palavrões, ameaças de prisão, morte, rupturas institucionais, xingamentos e ataques a governadores e integrantes do Supremo Tribunal Federal, foi tornado público em quase sua integralidade pelo ministro do STF Celso de Mello. A gravação na reunião foi entregue pelo governo ao STF no inquérito que apura as acusações do ex-ministro Sergio Moro (Justiça), que deixou o governo acusando o chefe de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. No encontro, em que participaram Bolsonaro, ministros (incluindo Moro) e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, entre outros, o presideBolsonaro também cobra de forma veemente lealdade de ministros, citando por diversas vezes as ameaças de que sofra impeachment, ameaça rupturas institucionais em relação a eventuais decisões de ministros do STF e defende que toda a população se arme para reagir a eventuais decisões de autoridades locais que ele considera serem ditatoriais.nte da República diz que tem um sistema “particular” de informação que funciona bem, diferentemente dos órgãos oficiais, reforça bastante os indicativos de interferência na Polícia Federal para proteger familiares e amigos e usa reiteradas vezes a palavra “bosta” e congêneres para se referir a políticos como os governadores João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ) —foram ao menos 37 palavrões, 27 deles proferidos pelo presidente.

Desprezo por Brasília – O ministro da Educação, Abraham Weintraub, defendeu ser preciso “acabar com essa porcaria que é Brasília”, ao participar da reunião ministerial de 22 de abril, cujo vídeo foi divulgado, ontem, pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Weintraub também chamou a capital federal de “cancro de corrupção e privilégio”. “Tem três anos que, através (sic) do Onyx (Lorenzoni, ministro da Cidadania), eu conheci o presidente. Nesses três anos, eu não pedi um único conselho, não tentei promover minha carreira. Eu me ferrei, na física, ameaça de morte na universidade, e o que me fez, naquele momento, embarcar junto era a luta pela liberdade. Eu não quero ser escravo neste país. E acabar com essa porcaria que é Brasília. Isso daqui é um cancro de corrupção, de privilégio”, disparou o ministro. Weintraub disse ter uma “visão extremamente negativa” da capital federal. “Brasília é muito pior do que eu podia imaginar. As pessoas aqui perdem a percepção, a empatia, a relação com o povo, se sentem inexpugnáveis”, continuou ele, emendando também ofensas ao Supremo Tribunal Federal (STF). “A gente está perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo está gritando. Não está gritando para ter mais Estado, para ter mais projetos, o povo está gritando por liberdade. Ponto. Eu acho que é isso que a gente está perdendo, mesmo. O povo está querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF.”

Subiu o tom – Em nota assinada pelo ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), o governo respondeu em tom de ameaça à decisão do ministro Celso de Mello, do STF, de encaminhar para análise da Procuradoria-Geral da República pedido de apreensão dos celulares do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos. O pedido de apreensão dos aparelhos foi feito por PDT, PSB e PV no inquérito que apura denúncia do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro de suposta interferência de Bolsonaro na PF. Também ontem, Celso de Mello liberou a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. No comunicado com o título “Nota à Nação Brasileira” – divulgado com autorização de Bolsonaro –, Heleno classifica o pedido de apreensão do celular como algo “inconcebível” e “inacreditável” e “uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os Poderes” que “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. À noite, Bolsonaro afirmou não ser “rato” para entregar seu telefone.

Bolsonaro reage a vídeo – Em reação à divulgação de vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a revelação da gravação é “mais um tiro n’água” e que não há nela qualquer menção à interferência na Polícia Federal. “Cadê a parte do vídeo onde eu falo em [mudar] superintendência da Polícia Federal ou diretoria-geral que deve ser substituído? Não existe, eu falo da minha segurança pessoal”, declarou Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan no final da tarde desta sexta-feira (22). “[É] mais um tiro n’água, mais uma farsa desmontada, como tantas outras”, declarou. Bolsonaro também comentou a divulgação da gravação em suas redes sociais. Ele publicou um trecho do vídeo com a mensagem “mais uma farsa desmontada”. “Nenhum indício de interferência na Polícia Federal”, escreveu.

Bolsonaro chama Folha de ‘bosta’ – Na reunião ministerial do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro chamou a Folha de “bosta” e disse que seria demitido o integrante de sua equipe que recebesse elogios no jornal. Nos primeiros minutos da reunião, o presidente reclamou de reportagem da Folha, publicada em abril, segundo a qual Renato Bolsonaro, irmão do presidente, foi barrado em um açougue por se recusar a cumprir medidas de segurança determinadas pela Prefeitura de Registro (SP) para prevenir o contágio do coronavírus. “Aí a bosta da Folha de S.Paulo diz que meu irmão foi expulso de um açougue em Registro, que estava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, estava em São Paulo esse dia. O dono do açougue falou que ele não estava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família”, disse. O episódio foi confirmado à Folha por duas pessoas, segundo as quais o irmão do presidente tentou burlar a regra, e pela própria dona do açougue, Andréia Brites, em depoimento gravado pela reportagem. Um dia depois, Andréia mudou de versão, admitiu ter feito o relato à Folha, mas disse ter sido levada a erro por funcionários que teriam confundido Renato com outro cliente. No decorrer da reunião, o presidente citou novamente a Folha. Ele disse que “perde o ministério” o auxiliar presidencial que for elogiado pela publicação. Ele fez a mesma referência ao jornal O Globo e ao site O Antagonista. “Aqui eu já falei: perde o ministério quem for elogiado pela Folha ou pelo Globo. Pelo Antagonista, né? Então, tem certos blogs aí que só tem notícia boa de ministro. Eu não sei como. O presidente leva porrada, mas o ministro é elogiado. A gente vê por aí. ‘O ministério está indo bem, apesar do presidente’. Vai pra puta que o pariu, porra. Eu que escalei o time, porra. Trocamos cinco. Espero trocar mais”, disse.

Bolsonaro chama Doria de ‘bosta’ e Witzel de ‘estrume’ – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de “bosta” e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de “estrume”. Os ataques do mandatário aos chefes dos governos estaduais constam em vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto, tornado público nesta sexta-feira (22) por decisão do ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal). “Que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade. O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo [Doria], esse estrume do Rio de Janeiro [Witzel], entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus [Arthur Virgílio] agora, abrindo covas coletivas. Um bosta. Que quem não conhece a história dele, procura conhecer, que eu conheci dentro da Câmara, com ele do meu lado!”, diz o mandatário na gravação. Em outro trecho, Bolsonaro diz que os ministros precisam abraçar suas bandeiras, como “família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado”. “Quem não aceitar isso, está no governo errado”, disse. Esperem pra 2022, né? O seu Álvaro Dias. Espere o [Geraldo] Alckmin. Espere o [Fernando] Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles, pô! No meu governo tá errado!”, completou.

‘Nosso barco pode estar indo em direção a um iceberg, pro fundo’ – Em uma defesa inflamada de seu governo, Jair Bolsonaro (sem partido) cobrou lealdade de seus ministros na reunião do dia 22 de abril, afirmando que sua gestão pode estar indo na direção de um iceberg. Ao dizer que não sofrerá impeachment por “frescura” ou “babaquice”, deixou claro que pode haver uma crise institucional caso seja alvo de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de forma isolada. “O nosso barco tá indo, mas não sabemos ainda […] esse vírus, pra onde tá indo nosso barco. Pode tá indo em direção a um iceberg. A gente vai pro fundo. Então vamos se ligar, vamos se preocupar. Quem de direito, se manifesta, com altivez, com palavras polidas, tá? Mas coloca uma posição! Porque não pode tudo, tudo, veio pra minha retaguarda, tudo tá? E vocês têm que apanhar junto comigo, logicamente quando tiver motivo pra apanhar, ou motivo pra bater”, afirmou o presidente aos ministros. Essas palavras foram ditas logo após ele se referir à suposta libertação de estupradores em decorrência da Covid-19, indicando que cobrava uma postura mais firme de Sergio Moro. Em vários momentos, Bolsonaro fala da ameaça de sofrer impeachment e, ao mesmo tempo, cobra ação efetiva de seus ministros em sua defesa. “Acordem para a política e se exponham, afinal de contas o governo é um só. E, se eu cair, cai todo mundo”. Ele ainda insinua rupturas institucionais ao afirmar que pode não aceitar eventual decisão desfavorável vinda do STF.

Bolsonaro diz ter sistema de informações ‘particular’ – Na reunião ministerial de 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro disse contar com um sistema de informações particular, alheio aos oficiais, geridos por órgãos como a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A declaração consta da transcrição do vídeo do encontro, feita pela Polícia Federal e divulgada nesta sexta (22), após autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello. “Se reunindo de madrugada pra lá, pra cá. Sistemas de informações: o meu funciona”, afirmou Bolsonaro. “O meu, particular, funciona. Os ofi… que tem oficialmente, desinforma [sic]. Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”, continuou o presidente. No trecho, o mandatário não é claro sobre o que seria esse sistema privado. Segundo interlocutores do ex-ministro Sergio Moro, a queixa de Bolsonaro era um ataque direto ao então titular da pasta da Justiça, presente à agenda no Planalto. O presidente havia requerido à equipe de Moro que levantasse dados de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia se reunido com outras autoridades numa madrugada para tramar um processo de impeachment. Dois dias antes, o próprio Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo na internet, na qual o presidente nacional do PTB, o ex-deputado Robertto Jefferson, denunciava a suposta conspiração. Bolsonaro teria solicitado a Moro informações sobre a reunião e o então ministro disse que o encontro não existiu. Diante disso, o presidente se irritou e disse que sua rede de informações privada era mais eficiente.

‘Por mim colocava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF’ – Na reunião ministerial do dia 22 de abril, o ministro da Educação, Abraham Weintraub afirmou que, se dependesse dele, colocaria “esses vagabundos todos na cadeia”, começando no STF (Supremo Tribunal Federal). A fala consta em gravação tornada pública nesta sexta-feira (22) por decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo, no âmbito do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. “Eu por mim colocava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”, disse Weintraub. Também naquela reunião, Weintraub defendeu “acabar com essa porcaria que é Brasília”. “É muito pior do que eu imaginava. As pessoas aqui perdem a percepção, empatia, a relação com o povo”, afirmou o ministro na ocasião. Weintraub disse ainda que odeia o termo povos indígenas. “Só tem um povo nesse Brasil, é o povo brasileiro.” Ele defendeu ainda “acabar com esse negócio de povos e privilégios”. Na decisão, Celso de Mello cita “aparente crime contra a honra dos ministros do STF, supostamente perpetradas pelo ministro da Educação”, Abraham Weintraub.

Vamos pedir a prisão de governadores e prefeitos – Na reunião ministerial de 22 de abril, tornada pública nesta sexta-feira (22), a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) fez críticas à ação de governadores e prefeitos favoráveis à manutenção do distanciamento social durante a pandemia do novo coronavírus e, sem dar detalhes, disse que a sua pasta já estava pedindo a prisão de alguns governadores. Segundo a ministra, idosos estariam sendo algemados e jogados dentro de camburões, mulheres estariam sendo jogadas no chão e padres estariam sendo multados em R$ 90 mil por estarem dentro das igrejas com fiéis. “A maior violação de direitos humanos da história do Brasil nos últimos 30 anos está acontecendo neste momento, mas nós estamos tomando providências”, diz Damares. “A pandemia vai passar, mas governadores e prefeitos responderão processos e nós vamos pedir inclusive a prisão de governadores e prefeitos. E nós tamo subindo o tom e discursos tão chegando. Nosso ministério vai começar a pegar pesado com governadores e prefeitos”, acrescenta. Em seguida, a ministra passa a se referir ao governador do Piauí, Wellington Dias (PT). “O governador Wellington, agora, ontem, determinou que a polícia poderá entrar nas casas. Vocês não imaginam o que ele vai fazer! Poderá entrar na casa.” Nesse momento, Bolsonaro pergunta: “Ele assina?”.

“Assinou”, responde Damares. “A polícia poderá entrar na casa sem mandato. Então, assim, as maiores violações estão acontecendo nesses dias. Então, nós estamos fazendo um enfrentamento, mais de cinco procedimentos o nosso ministério já tomou iniciativa e nós estamos pedindo inclusive a prisão de alguns governadores”, afirmou, acrescentando, sem detalhes, que “governadores e prefeitos responderão processos.” Damares também reclamou que recebeu um governo sem dados, sem saber o número exatos dos ciganos e dos ucranianos que vivem no Brasil. E criticou o STF por, segundo ela, ter trazido a questão do aborto de volta. “Neste momento de pandemia a gente tá vendo aí a palhaçada do STF trazer o aborto de novo para a pauta”, diz. “Será que vão querer liberar que todos que tiveram coronavírus poderão abortar no Brasil? Vão liberar geral?” Em seguida, ela se dirige ao então ministro da Saúde, Nelson Teich, que acabou saindo do governo por discordar da diretriz de Bolsonaro sobre o protocolo do uso da cloroquina no combate ao coronavírus. “O seu ministério tá lotado de feminista que tem uma pauta única que é a liberação de aborto. Quero te lembrar ministro, que tá chegando agora, este governo é um governo pró-vida, um governo pró-família. Então, por favor. E aí quando a gente fala de valores, ministro, eu quero dizer que nós estávamos, sim, no caminho certo. ”

‘Jamais eu entregaria um telefone meu’ – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (22) que, mesmo se houver uma determinação para entregar seu aparelho celular, não pretende cumpri-la.
Mais cedo, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedidos de partidos e parlamentares de oposição para que o telefone do presidente seja apreendido e periciado. Segundo o ministro, cabe à PGR a analisar as acusações que constam nas representações. O encaminhamento ao Ministério Público Federal é praxe em casos de casos do tipo. “Eu não sou diferente de ninguém. A lei me atinge, mas eu sou o presidente da República. Jamais eu entregaria um telefone meu”, afirmou. “Só se fosse um rato para entregar o telefone.” Bolsonaro também disse que uma decisão judicial nesse sentido seria “uma afronta”.

General Heleno fala em ‘consequências imprevisíveis’ – O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, disse que uma eventual apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) poderá ter “consequências imprevisíveis”. Em nota divulgada na tarde desta sexta-feira (22), Heleno criticou o ato do ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), que encaminhou à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedidos de partidos e parlamentares de oposição para que o celular do presidente fosse apreendido e periciado. Segundo Celso de Mello, cabe à PGR a analisar as acusações que constam nas representações. O decano do STF afirmou que é dever do Estado apurar a “autoria e a materialidade dos fatos delituosos narrados por qualquer pessoa do povo”.

Tem que vender essa porra logo, diz Guedes – Em reunião ministerial, o ministro Paulo Guedes (Economia) defendeu que o governo privatize o Banco do Brasil, instituição que julgou estar pronta para ser vendida para a iniciativa privada. A defesa sofreu resistência por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que defendeu que só se fale em venda da instituição após 2023, ou seja, depois das próximas eleições presidenciais. “É um caso pronto e a gente não tá dando esse passo. Senhor já notou que o BNDES e a Caixa que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo”, afirmou Guedes em reunião ministerial do dia 22 de abril. A fala consta em vídeo gravado pelo Palácio do Planalto e tornado público nesta sexta-feira (22).

Militares já ocupam 21 cargos na Saúde – Em meio à crise pelo novo coronavírus e sob comando interino de um general, o Ministério da Saúde tem ampliado o número de militares em postos-chave. O processo já atinge até mesmo cargos estratégicos em áreas especializadas de assistência em saúde. Ao longo do último mês, ao menos 21 militares foram nomeados, de acordo com levantamento feito pela Folha em publicações do Diário Oficial da União. A maioria é ligada ao Exército e veio de unidades ligadas a setores de pagamento e pessoal, finanças e logística. Sem experiência prévia na área da saúde, parte expressiva foi colocada em cargos de direção e coordenação na Secretaria-Executiva.

Organizações evangélicas repudiam Bolsonaro – Uma carta assinada por 34 organizações e movimentos evangélicos pede afastamento de Jair Bolsonaro (sem partido) da presidência, defende o isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus, apoia a ciência e pede que igrejas fiquem com as portas fechadas. O presidente foi eleito com amplo apoio de fiéis e líderes do segmento religioso. Mas parte dos evangélicos afirma que Bolsonaro tem se comportado de forma antiética e “dado provas de que não está à altura do cargo”. O documento intitulado “O governante sem discernimento aumenta as opressões – Um clamor de fé pelo Brasil” afirma que o governo federal “atenta contra a vida humana ao invés de praticar a justiça e compaixão pelos pobres”, se referindo a uma passagem bíblica. Entre os que assinam estão a Aliança de Batistas do Brasil, Cristãos Contra o Fascimo, Comunidade Cristã da Lapa, Congrega, Cristãos pela Justiça, Evangélicos pela Justiça, Evangélicos Trabalhistas (ligados ao PDT), Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Instituto Guarani, Liberta, Missão Aliança, Nossa Igreja Brasileira, Movimento Negro Evangélico e Núcleo de Evangélicas e Evangélicos do PT.

Casos de Covid-19 e mortes crescem mais onde comércio foi reaberto – Um mês após cidades do interior e do litoral de São Paulo flexibilizarem a quarentena decretada pela pandemia do novo coronavírus, os casos de Covid-19 cresceram mais nelas do que na média do estado. Entre os dias 22 e 23 de abril, 19 cidades paulistas abriram parcialmente seu comércio, cada uma a seu modo. Enquanto houve locais em que apenas óticas e estacionamentos perto de unidades de saúde tiveram o funcionamento permitidos, em outras o afrouxamento de medidas incluiu o funcionamento do comércio com portas entreabertas ou serviços como salões de beleza. Somadas, elas passaram de 574 casos confirmados da doença para 3.424 em um mês, alta de 496,51%, enquanto no estado o crescimento foi de 338,97% —de 15.914 casos para 69.859. As mortes também avançaram mais nessas localidades, passando de 41, em 22 de abril, para 196, ou 378,04% a mais. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo tinha 1.134 óbitos naquela data, enquanto nesta quinta-feira (21) chegou a 5.363, 372,92% a mais.

TCU vai apurar interferência de Carlos Bolsonaro no BB – O subprocurador Lucas Furtado, que atua junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), apresentou representação pedindo que o órgão investigue e tome medidas contra a interferência indevida da família do presidente Jair Bolsonaro e do chefe da Secom, Fabio Wajngarten, na publicidade do Banco do Brasil (BB). O BB anunciou, na semana passada, que estava vetando anúncios no site Jornal da Cidade Online, já condenado pela publicação de fake news. Carlos Bolsonaro, filho do presidente, reclamou —a página é alinhada ao governo. Wajngarten disse, nas redes sociais, que estava “contornando” a situação. E os anúncios voltaram. Furtado pede que o TCU intervenha para que o banco “abstenha-se de retroceder” dos vetos de anúncios no Jornal da Cidade Online, “bem como em qualquer outro que seja notoriamente divulgador de fake news”. E sugere multa e até o afastamento de Wajngarten do cargo. O BB afirma que tanto a suspensão da veiculação do anúncio quanto a sua retomada foram decisões internas do banco, que não sofreram ingerência externa. E que, por isso, não contraria nenhuma norma do TCU. Wajngarten disse em seu Twitter que “os jornais independentes são muito importantes e devem ser valorizados no exercício da liberdade de expressão”. Afirmou ainda que as denúncias contra o Jornal da Cidade Online têm “viés ideológico”.

A delação que coloca Wilson Witzel no centro de um novo escândalo – VEJA apurou que, além de investigar Bolsonaro, Augusto Aras tem sobre sua mesa uma bomba que pode abalar a carreira do governador, apontado como chefe de esquema para extorquir prestadoras de serviço.

Moro: “Não entrei no governo para servir a um mestre. Entrei para servir ao País” – Em entrevista concedida à revista Time divulgada na quinta-feira 21, o ex-ministro Sérgio Moro declarou: “Eu não entrei no governo para servir a um mestre. Eu entrei para servir ao país”. A informação também foi publicada em sua conta pessoal no Twitter. À reportagem, Moro também disse que se sentiu desconfortável em fazer parte de um governo cuja liderança não levou a sério a pandemia do novo coronavírus. “Mas o meu foco está no estado de direito”, afirmou. O ex-ministro falou sobre a necessidade do País fortalecer os pilares da democracia, mas ressaltou o funcionamento das instituições. “O Brasil é uma democracia firme. Suas instituições às vezes sofrem alguns ataques, mas estão funcionando. E há uma percepção crescente na opinião pública de que nós precisamos fortalecer os pilares da nossa democracia, incluindo o estado de direito. Esses desejos continuam, apesar das circunstâncias do momento”. Moro também voltou a afirmar que sua intenção não era prejudicar o governo, “mas eu não me sentiria confortável com minha consciência sem explicar por que estava saindo”, emendou.

Bolsonaro exonera diretor-geral da PRF depois de nota de falecimento – O Palácio do Planalto trocou nesta sexta-feira o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Adriano Marcos Furtado. Diz a Crusoé: “A troca já era esperada nos bastidores, após o presidente Jair Bolsonaro reclamar de nota oficial emitida pela PRF lamentando a morte de um policial rodoviário federal por coronavírus no dia 21 de abril.” No universo bolsonarista, ninguém pode lamentar as mortes por Covid-19.

Bolsonaro deturpa fatos sobre Iphan – Jair Bolsonaro deturpou fatos na reunião do dia 22 de abril ao criticar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O presidente afirmou que o Iphan decidiu parar uma obra de Luciano Hang, seu amigo, por ter encontrado “cocozinho petrificado de índio”. Mas nunca houve interrupção da obra e foi uma consultoria contratada pelo próprio Hang que encontrou um item considerado arqueológico. Em maio de 2019, quando a Havan protocolou no Iphan o documento para receber autorização para começar a execução da obra, a empresa recebeu a anuência do instituto em relação à viabilidade do empreendimento e da obra. Assinou, em seguida, um documento chamado Termo de Compromisso do Empreendedor, que determina a contratação de profissional de arqueologia para o devido monitoramento dos trabalhos. Por meio deste documento, a empresa assumiu a responsabilidade de se autolicenciar junto ao Iphan, o que significa suspender, por livre inciativa, as atividades da obra, caso fossem identificados sítios arqueológicos. Caso isto ocorresse, o fato deveria ser reportado imediatamente ao Iphan. O documento também já dizia que não seria necessário o embargo total da obra, caso algo fosse encontrado.

Crítica é vista como ameaça à democracia – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, por ter divulgado nota contra a possibilidade de apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi feito por partidos de oposição ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu a opinião da Procuradoria-Geral da República sobre o caso. “A nota do ministro Heleno é muito ruim, ameaçando. Se achou que o encaminhamento do Celso de Mello é tão grave assim, peça uma audiência, mas essas agressões que confrontam, que ameaçam, nada disso”, disse Maia em entrevista à Record News. Para o deputado, a iniciativa de Heleno cria um ambiente de insegurança para investimentos estrangeiros no Brasil. “O investidor pensa que não pode investir neste país. É a sinalização que a gente passa no exterior”, argumentou ele, para quem a nota “só afasta o Supremo do governo e cria mais instabilidade”. O texto tem sido criticado pela oposição, que vê ameaça de Augusto Heleno às instituições. A nota fala em “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional” caso haja apreensão do celular do presidente da República. “Não vamos aceitar ameaça alguma contra a democracia! O sr. Augusto Heleno não só deve explicações, mas deve desculpas por ameaçar as instituições. Os motivos para impeachment desse governo absurdo só aumentam!”, escreveu no Twitter. “O sr. General Heleno infringiu a Lei de Segurança Nacional e cometeu crime de responsabilidade. Vamos apresentar representação contra Heleno. Esses ataques à nossa democracia não podem existir, muito menos se tornar rotina. Que o General responda no rigor da lei!”

Resposta de Celso a Heleno – “A propósito de manifestações criticando, precipitadamente, uma suposta decisão judicial emanada do Supremo Tribunal Federal, que teria ordenado, em sede de produção antecipada de prova, diligência policial de busca e apreensão dos celulares (…), cabe esclarecer que o relator do Inquérito 4.831/DF, ministro Celso de Mello, não determinou referida medida cautelar, pois limitou-se a meramente encaminhar ao senhor procurador-geral da República, que é o órgão da acusação, a ‘notitia criminis’, com esse pleito de apreensão (Pet 8.813/DF), formulada por 03 (três) agremiações partidárias (PDT, PSB e PV)”. O ato de Celso de Mello, também, foi criticado por Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente. “Meu celular? Enquanto isso os do ex-piçóu Adélio protegidos há mais de um ano, processos contra Botafogo, Calheiros e outros sentados em cima há anos. Que crime teria cometido para tamanha velocidade e abuso? Nenhum. A narrativa do sistema continua em pleno vapor!”, tuitou o vereador.

Braga: economia parada trará caos social – Ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, alertou ontem para o risco de desabastecimento e “caos social” no Brasil, como consequência da crise econômica gerada pela pandemia. Segundo ele, no momento, a população “está tranquila” devido ao auxílio emergencial de R$ 600 concedido pelo governo federal. Ele traçou esse panorama na reunião da comissão mista que acompanha as ações de enfrentamento ao coronavírus, ontem, no Senado. O general enfatizou que o país precisa se preparar para a retomada econômica, pois os recursos públicos “são finitos”. “Se a economia não voltar, vamos ter gente morrendo de fome e vamos ter caos social, desabastecimento e tudo mais”, alertou. Segundo Braga Netto, o governo está se desdobrando para manter o nível de emprego e abastecimento.

Primeiro a PF, depois a ajuda – À espera da aprovação, pelo Congresso, de medidas que beneficiam policiais federais, Jair Bolsonaro ainda não sancionou o projeto que garante o repasse de R$ 60 bilhões aos estados e municípios, para reduzir as perdas arrecadatórias durante a pandemia do novo coronavírus. Antes de liberar o dinheiro, o presidente cobra a aprovação da Medida Provisória (MP) 918, que reestrutura as funções de chefia na Polícia Federal e prevê gratificações ao topo da carreira. Como o projeto que garante o socorro aos estados também congela salários do funcionalismo público até 31 de dezembro de 2021, vantagens já negociadas, como as previstas para os policiais, devem ser garantidas antes de que o texto comece a valer. Os parlamentares incluíram algumas exceções ao congelamento, inclusive para profissionais da segurança pública, mas Bolsonaro pretende vetá-las ao sancionar o texto, devido ao alto impacto orçamentário.

O canhão e o mosquito – A oposição pediu a apreensão do celular de Jair Bolsonaro na linha do “se colar, colou”, apostando que a resposta da Justiça será um “não”. A jogada, porém, rendeu mais do que o previsto, na visão de parlamentares de esquerda. É que, ao soltar uma nota referindo-se ao pedido como uma atitude de “consequências imprevisíveis” para a estabilidade nacional, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, jogou, sem necessidade, a política na zona da desconfiança em relação a atos extremos por parte dos apoiadores do presidente. A remessa do pedido, à Procuradoria-Geral da República, para que emita seu parecer, faz parte do processo normal. A tendência é de que o parecer seja contrário e o caso termine mesmo com um “não” da Justiça. A desconfiança gerada a partir da nota de Augusto Heleno, porém, continuará no ar. “Ele usou um canhão para atirar num mosquito e criou mais problema num pedido que não terá sucesso”, aposta o senador Major Olímpio (PSL-SP).

Salles defende aproveitar crise do coronavírus para ‘passar a boiada’ – O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu em reunião ministerial no final de abril que o governo federal aproveite a crise sanitária do novo coronavírus para aprovar reformas infralegais, incluindo alterações ambientais. Em seu discurso, Salles ressalta que é hora da edição de medidas de desregulamentação e simplificação, uma vez que os veículos de imprensa estão, neste momento, concentrados no combate à pandemia de Covid-19. “Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”, disse. O ministro disse que também é uma oportunidade para fazer mudanças no Ministério da Agricultura e no Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Segundo ele, é hora de unir esforços para “dar de baciada”. “O Meio Ambiente é o mais difícil de passar qualquer mudança infralegal em termos de instrução normativa e portaria, porque tudo que a gente faz é pau no Judiciário no dia seguinte”, afirmou. No encontro, Salles ressaltou ainda que as mudanças pretendidas não precisam ser editadas em formato de projeto de lei, evitando, assim, que passem pelo Poder Legislativo. “Não precisamos de Congresso, porque coisa que precisa de Congresso também, nesse fuzuê que está aí, nós não vamos conseguir aprovar. Agora, tem um monte de coisa que é só parecer e caneta”, afirmou.

Pulga atrás da orelha – A citação de Bolsonaro de que tem um “sistema de informações particular que funciona” deixou os políticos com a desconfiança de que 02, o vereador Carlos Bolsonaro, montou o sistema de informações paralelo que o ex-presidente do PSL Gustavo Bebianno, que morreu de infarto em março, havia se referido, em entrevista ao Roda Viva. Embora Bolsonaro tenha dito, em entrevista à Jovem Pan, que recebe as informações de policiais amigos, como um “sargento do Bope”, não está descartado um chamamento de Carlos ao Congresso para, depois da fala do presidente, explicar a acusação de Bebianno.

Brasilienses reagem a Weintraub – Políticos brasilienses reagiram às declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre a cidade. Como a Eixo Capital antecipou nesta semana, Weintraub esculhambou Brasília na famosa reunião com presidente Jair Bolsonaro em 22 de abril. Disse que a capital é uma “porcaria”, um “cancro de corrupção e privilégio”, com olhos de quem só enxerga a Esplanada e a Praça dos Três Poderes. O deputado Professor Israel (PV-DF) rebateu: “Weintraub não é só um ministro ruim. O pior da história. É um ser humano desprezível. Suas declarações no vídeo só confirmam o que já sabíamos, trata-se de um sujeito repugnante e vil”. A senadora Leila Barros comentou: “As palavras de Abraham Weintraub demonstram o desconhecimento dele sobre o que é Brasilia. Temos o céu mais belo do país, lindos parques, cachoeiras e um povo honesto e trabalhador. Se Brasília incomoda tanto, o ministro poderia deixar a cidade e o cargo”.

Brasileiro frauda sistema e recebe R$ 600 no exterior – Brasileiros que moram no exterior em situação ilegal encontraram brechas para receber o auxílio emergencial de R$ 600 mensais. A Controladoria-Geral da União (CGU) está apurando as denúncias, confirmou o órgão ao Estadão/Broadcast, mas ainda não tem ideia da quantidade de pessoas que fraudaram o sistema para se inscrever no programa. Quem for identificado será obrigado a devolver os valores e poderá sofrer sanções civis e penais – não explicitadas pelo órgão, no entanto. Mais de dez milhões de pessoas enquadradas nos requisitos do auxílio emergencial ainda aguardam o processamento de seus pedidos. Enquanto isso, entre as fraudes já apuradas, o Estadão revelou que militares – recrutas que prestam serviço obrigatório e pensionistas – receberam o benefício de forma irregular. Já o jornal O Globo mostrou que estudantes universitários, mulheres de empresários, servidores aposentados e seus dependentes também conseguiram obter o benefício. O auxílio é pago pela União para ajudar trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados com renda per capita de até R$ 522,50 mensais ou renda familiar de até R$ 3.135, o equivalente a três salários mínimos.

Agronegócio sustenta alta nas exportações – Em pouco mais de três meses da crise global provocada pelo novo coronavírus, o agronegócio é o setor que apresenta os melhores resultados no Brasil, sustentando boa parte das vendas de mercadorias para outros países. De fevereiro a abril, as exportações de produtos em geral somaram US$ 52,822 bilhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. Somente as vendas de soja e derivados e de carnes – dois dos principais itens da pauta brasileira – somaram US$ 16,438 bilhões no período, cerca de um terço do total. As vendas de soja e derivados e de carnes no intervalo de fevereiro – quando os efeitos da covid-19 sobre o comércio global se intensificaram – a abril mostram um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Em comparação, as exportações em geral subiram apenas 0,7% no período. Para o economista Simão Davi Silber, doutor em Economia Internacional e professor da Universidade de São Paulo (USP), o desempenho positivo do agronegócio, mesmo na crise global, tem uma explicação simples. “A primeira necessidade é ‘comer’. E, para proteicos, o Brasil é fundamental”, afirma. Os países da Ásia são os principais clientes do Brasil. Com uma população superior a 1,4 bilhão de pessoas, China, Hong Kong e Macau compraram de fevereiro a abril o equivalente a US$ 17,734 bilhões em mercadorias brasileiras – a maior parte do setor agrícola. De cada US$ 100 em vendas feitas pelo País, um terço (US$ 33,57) foi para a região.

PSDB e DEM se unem na Câmara – A aliança do Centrão com o presidente Jair Bolsonaro criou um desenho político na Câmara dos Deputados. Sem se assumir como base aliada do governo e distantes da oposição, partidos como DEM e PSDB se uniram para defender uma agenda em comum e, também discutem um nome de consenso para a sucessão do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Casa. Chamado internamente de “núcleo independente”, o grupo informal tem, ainda, a participação do MDB e do Cidadania e da parte do PSL, legenda que abrigou Bolsonaro, mas que atualmente está rompida com o presidente. No total, esses partidos reúnem 102 deputados, embora existam entre eles representantes governistas. “Esse grupo independente acabou se formando de uma maneira muito natural”, disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP). “Dos dez grandes partidos, o PT é oposição, o PSL está dividido e quatro foram para o governo”, afirmou o tucano. As legendas citadas por Sampaio que estão na base do governo Bolsonaro são o Republicanos, o Progressistas (antigo PP), o PL (antigo PR) e o PSD, que, juntos, reúnem 146 parlamentares. “Passamos a conversar mais agora por conta de que existe o bloco da oposição, o do Centrão e um bloco que tem independência das suas posições”, declarou Sampaio.

Bolsonaro diz que serviço secreto chinês está infiltrado no governo brasileiro – O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o serviço secreto chinês tem agentes infiltrados em ministério brasileiros. A afirmação foi feita pelo presidente na reunião ministerial do dia 22. “É uma realidade. Não adianta esconder mais, tapar o sol com a peneira, né? Tem, não é… em vá… em alguns ministérios têm gente deles plantando aqui dentro, né? Então não queremos brigar com os chineses, zero briga com a China. Precisamos deles para vender? Sim. Eles precisam também de nós.” Bolsonaro disse ainda afirma ainda que no fim de semana anterior estava estudando como é que “o serviço chinês trabalha nos estados Unidos”. “Qual a preocupação nossa aqui?” perguntou. O trecho seguinte da fala do presidente estava coberto por uma tarja preta no laudo da Polícia federal divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas é claro o sentido da frase de que Bolsonaro se refere ao país asiático. “Tá todo mundo vendo o que tá acontecendo.” O presidente não deixa claro o que o leva a acreditar que o serviço secreto chinês infiltrou o governo brasileiro bem como não diz quem seriam os espiões a serviço daquela nação. “Devemos nos aliar com quem tem umas afinidades conosco. Pra gente poder fazer valer a nossa vontade.” Além de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é o primeiro a citar a China na reunião a ter sua fala coberta por tarja no laudo divulgado. A tarja é colocada no momento em que Guedes defende que o país asiático devia financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido pela pandemia de coronavírus. A China é o principal parceiro comercial do País.

Embates preocupam o ministro da Defesa – Interlocutores do ministro da Defesa, Fernando Azevêdo e Silva, dizem que ele está muito “preocupado” e “pensativo” com o momento. Nos bastidores, a crítica dele seria direcionada especialmente ao Judiciário. Foi nesse contexto que o comandante das Forças Armadas teria concordado com a nota do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, de que há uma “evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes” e que a apreensão do celular do presidente, Jair Bolsonaro, pode ter “consequências imprevisíveis”. Apesar de a fala de Heleno ter sido interpretada no mundo político como ameaça, interlocutores do ministro da Defesa rechaçam qualquer possibilidade de ruptura institucional. Militares de alta patente de fora do governo até concordam com Heleno, mas criticaram a divulgação da nota. Oficiais das unidades de pronta resposta, que ficam nas bases militares e quartéis, sumiram. O silêncio é significativo: costumam sempre apoiar o general em tudo. O ministro do STF Celso de Mello enviou à Procuradoria-Geral da República o pedido de apreensão dos celulares do presidente e de seu filho, Carlos. O procedimento é praxe.

Bolsonaro defende armar população para evitar ditadura – O presidente Jair Bolsonaro disse na reunião ministerial do dia 22 de abril que quer que a população se arme para “impedir uma ditadura no País”. Ele exigiu que o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, tomassem providências. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.” “Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz uma bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se estivesse armado, ia para a rua”, disse o presidente. Na fala, ele não cita explicitamente as medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para manter a população em casa durante a pandemia do coronavírus. O presidente, porém, faz críticas frequentes à medida. Bolsonaro diz ainda que, se ele fosse ditador, ia querer desarmar a população. “E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assinem essa portaria hoje e que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não dá pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais.”

Pimentel é indiciado por peculato e desvio – O ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) e seu ex-secretário da Fazenda, José Afonso Bicalho Beltrão da Silva, foram indiciados por peculato e desvio pela Polícia Civil do Estado. Eles são acusados de não repassar descontos de crédito consignado na folha de pagamento de servidores públicos às instituições financeiras. Pimentel governou o Minas de 2015 a 2018. Segundo as investigações, o valor total não repassado foi de R$ 924 milhões, em operações envolvendo pelo menos 280 mil servidores. As denúncias sobre a retenção dos recursos começaram a surgir no final de 2017, por parte de sindicatos. Servidores tiveram os nomes enviados ao serviço de proteção ao crédito. O governo Pimentel foi marcado por grave crise econômica. O delegado responsável pelo inquérito, Gabriel Ciriaco Fonseca, afirmou ter ficado constatado que o governador e o secretário imputaram a falta do repasse dos recursos à crise financeira. “Mas temos em decisões judiciais que essa questão envolvendo empréstimos consignados não se trata de verba pública, que pode ser afetada por crise financeira.” Segundo ele, do total não repassado, cerca de R$ 500 milhões só foram pagos pelo atual governo.

Partidos aliados ignoram covid nas redes sociais – Os partidos aliados do presidente Jair Bolsonaro e as siglas do bloco informal conhecido como Centrão têm evitado se posicionar a respeito de propostas de combate ao coronavírus em suas redes sociais e priorizam o foco na agenda econômica. Enquanto isso, legendas de oposição têm usado a pandemia para, de forma coordenada, defender o impeachment de Bolsonaro. Essas são algumas das conclusões de estudo da Transparência Partidária e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) sobre como os 33 partidos políticos e o Aliança pelo Brasil, sigla que Bolsonaro pretende criar, estão se posicionando na internet com relação à pandemia de covid-19. Foram coletadas 3.234 publicações das siglas no Facebook até o dia 17. O estudo leva em conta posicionamentos das legendas, sem considerar postagens como reproduções de notícias, enquetes e divulgação de medidas adotadas por filiados que exercem mandatos. Entre os partidos do Centrão, o PL deixou o assunto de lado, enquanto Progressistas e Solidariedade priorizaram o impacto da pandemia na economia. O PTB publicou que “precisamos de empregos e do funcionamento de empresas”.

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