Resumo dos jornais e revistas de sábado (23/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (23/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Crise derruba popularidade de Bolsonaro, aponta Datafolha

CORREIO BRAZILIENSE: Com 6,9 milhões de doses, Saúde amplia prioritários

O ESTADO DE S.PAULO: São Paulo revoga presença obrigatória de alunos nas aulas

O GLOBO: Reprovação a Bolsonaro cresce após fim do auxílio

VEJA: A vitória da vacina

ISTOÉ: Chegou a vacina brasileira pela persistência de um homem: João Doria

ÉPOCA: A vida pós-vacina

CartaCapital: Em guerra contra o Brasil

Crusoé: O impeachment entra na agenda

Resumo de manchetes e capas

As manchetes da Folha e O Globo repercutem pesquisa Datafolha que aponta que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro despencou devido à crise sanitária. Segundo o Datafolha, o presidente é avaliado como ruim ou péssimo por 40% da população, ante 32% que assim o consideravam na rodada anterior da pesquisa, no começo de dezembro. Já quem acha o presidente ótimo ou bom passou de 37% para 31% no novo levantamento, feito nos dias 20 e 21 de janeiro. É a maior queda nominal de aprovação de Bolsonaro desde o começo de seu governo. Bolsonaro segue assim sendo o presidente com pior avaliação para o estágio atual de seu governo, considerando aqui apenas os eleitos para um primeiro mandato depois de 1989. O Correio estampa manchete saudando o reforço de 6,8 milhões de doses das vacinas Coronavac e da Oxford. A manchete do Estadão revela a decisão do governo paulista em desobrigar a presença de alunos nas aulas de escolas públicas ou particulares em pelo menos um terço. As reportagens de capa de Veja e de IstoÉ versam sobre o início da vacinação que muda o jogo político e eleva pressão sobre Bolsonaro. A conquista da ciência sobre o negacionismo, imunização no Brasil traz promessa de alento para a economia, influencia a opinião pública e provoca arranhões na imagem do presidente. A IstoÉ credita o feito ao governador João Doria. A matéria de capa de Época relata como é a vida dos brasileiros imunizados pelo mundo e o desafio para que a vacinação não entre em colapso no país. A reportagem de capa da CartaCapital acusa o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de sabotarem a saúde pública do país. A matéria de capa da Crusoé trata da condução, segundo a revista digital, desastrosa do combate à pandemia por Jair Bolsonaro e revela que nos bastidores lideranças do Congresso, ex-presidentes da República e até membros do STF já vislumbram a possibilidade de um impeachment.

Notícia do dia – Com a piora dos indicadores da covid19 no Estado, o governo de São Paulo revogou a obrigatoriedade da presença de estudantes nas escolas – públicas ou privadas – em pelo menos um terço das aulas durante as fases laranja e vermelha, as mais restritivas do plano para a quarentena. O governo também decidiu adiar para 8 de fevereiro o início do ano letivo – presencial ou remoto – na rede estadual. Ainda ontem, o governo paulista anunciou que o Estado vai entrar na fase vermelha entre as oito da noite e as seis da manhã de segunda a sexta-feira, e durante todos os finais de semana. Somente atividades essenciais serão autorizadas nesse período. Com o recrudescimento da pandemia, 756 leitos extras, de UTI e enfermaria, serão abertos. O hospital de campanha de Heliópolis, desativado em setembro, voltará a funcionar. Cirurgias eletivas estão sendo canceladas.

Notícias de primeira página

Impeachment de Bolsonaro é rejeitado por 53% e defendido por 42% – Apesar da piora na avaliação de Jair Bolsonaro em meio ao recrudescimento da pandemia da Covid-19, o brasileiro não quer, em sua maioria, que o presidente sofra um processo de impeachment ou renuncie. Para 53% dos entrevistados, a Câmara dos Deputados não deveria abrir um processo por crime de responsabilidade contra o presidente. O número indica uma estabilidade ante o levantamento anterior, de 8 e 10 de dezembro, quando 50% descartavam a medida. Já aqueles que defendem o impeachment oscilaram negativamente, de 46% para 42%, enquanto quem não sabia responder passou de 6% para 4%. É o que revela pesquisa do Datafolha feita nos dias 20 e 21 de janeiro com 2.030 pessoas, ouvidas por telefone para respeitar regras sanitárias. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Avião chega ao Rio com 2 milhões de doses de vacina – A vacina de Oxford/AstraZeneca seguiu o caminho planejado e chegou por volta das 22h desta sexta (22) no aeroporto do Galeão, na zona norte do Rio de Janeiro, depois de sair da Índia e passar pelo aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. As 2 milhões de doses aguardadas desde a semana passada no país foram escoltadas pela Polícia Federal para um depósito da Fiocruz, onde técnicos do instituto farão a checagem dos produtos e rotulagem dos frascos com informações em português. A previsão é de que esse trabalho dure cerca de 15 horas e aconteça na madrugada e na manhã deste sábado (23), para que à tarde a vacina comece a ser distribuída aos estados. Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, todos receberão os imunizantes até 24 horas após o início da distribuição, ou seja, até domingo (24).

Após lobby, caminhoneiros serão vacinados antes – Apesar de minimizar as chances de greve dos caminhoneiros no início de fevereiro, o governo federal cedeu a uma série de itens da pauta de reivindicações dos profissionais de transporte. Uma das promessas é, por exemplo, a inclusão da categoria no grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19. Excluídos do primeiro plano de vacinação do Ministério da Saúde apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal), trabalhadores do transporte coletivo e transportadores rodoviários de carga foram incluídos na segunda versão, apresentada em 16 de dezembro. Nesta semana, um novo informe técnico especificou que fazem parte do transporte coletivo rodoviário motoristas e cobradores, incluídos os profissionais que percorrem um longo trajeto. Além disso, a pasta acrescentou trabalhadores portuários —até mesmo da área administrativa—, funcionários de companhias aéreas nacionais, funcionários de empresas metro-ferroviárias de passageiros e de cargas e funcionários de empresas brasileiras de navegação. A Folha apurou que têm ocorrido intensas negociações do setor com o Ministério da Saúde desde dezembro. O Ministério da Infraestrutura também tem colaborado com as tratativas. Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), a intenção é vacinar 2 milhões de pessoas do setor na fase quatro do grupo prioritário. Entretanto, a categoria aguarda confirmação e o cronograma de vacinação. Ao serem incluídos no grupo prioritário, eles serão vacinados antes de pelo menos 100 milhões de brasileiros, que não constam de qualquer grupo prioritário.

Variante do vírus pode ser mais letal, diz Boris Johnson – O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou ontem que a nova variante inglesa do coronavírus pode ser mais letal. Ele ressaltou, porém, que evidências mostraram que as vacinas em uso no país (Pfizer e Oxford/AstraZeneca) são eficazes contra a variante. “Fomos informados de que, além de se disseminar mais rapidamente, agora também parece que há alguma evidência de que a nova variante – que foi descoberta pela primeira vez em Londres e no sudeste (da Inglaterra) – pode estar associada a um maior grau de mortalidade”, disse ele em entrevista coletiva. O impacto dessa e de outras variantes sobre a ação das vacinas ainda é incerto, segundo cientistas brasileiros ouvidos pelo Estadão. Como o surgimento dessas cepas é recente, não foi possível realizar ainda grandes estudos para assegurar de que forma essas mutações resistem aos imunizantes. Além da variante britânica, preocupa o avanço de cepas identificadas na África do Sul e em Manaus. Todas elas compartilham a mutação N501Y, na proteína spike do vírus, que possibilita entrar nas células humanas. Estudos preliminares feitos pela Pfizer mostraram que o imunizante da empresa foi capaz de neutralizar a nova variante britânica. As variantes sul-africana e brasileira, porém, têm outra mutação (E484K), também na proteína spike, associada a um escape de anticorpos. Uma pesquisa da Universidade Rockfeller (EUA) publicada na terçafeira (ainda sem revisão de pares) mostrou que as vacinas da Pfizer e da Moderna podem ter sua eficácia reduzida por essas variantes, mas não a ponto de invalidar o produto. “Apesar da ação neutralizante dos anticorpos ter diminuído, ele ficou acima do necessário para proteger alguém da doença. Mas fica o alerta: já temos variantes capazes de diminuir a capacidade das vacinas. Não podemos deixar o vírus circular livremente”, diz a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19.

Critérios diferentes para o uso de vacinas podem afetar a eficácia – Alguns estados optaram por usar todo o estoque recebido de CoronaVac logo na primeira aplicação, confiando que terão mais doses para a segunda no intervalo recomendado de 28 dias você receberá mais doses, mesmo em meio a incerteza sobre a importação de insumos. Não há risco para aqueles que tomaram a primeira dose se a segunda dose for adiada. O imunizante da AstraZeneca não pode complementar o CoronaVac, que teve aprovadas novas 4,8 milhões de doses pela Anvisa.

Biden eleva salários e ajuda financeira a famílias nos EUA – O presidente dos EUA, Joe Biden, assinou ontem duas ordens executivas para fornecer ajuda financeira a famílias carentes e aumentar os salários de trabalhadores federais, em um esforço para ajudar na recuperação econômica do país em meio à crise causada pelo novo coronavírus. O presidente estimou que a pandemia deixará muito mais vítimas no país. “Estamos com 400 mil mortos, espera-se que cheguemos a muito mais de 600 mil”, disse o presidente. “A crise está se aprofundando”, disse Biden, chamando a ajuda aos desempregados e incapazes de pagar por comida de “imperativo econômico”. “Temos as ferramentas para ajudar as pessoas. Então, vamos auxiliar todas elas. Agora.” Com a assinatura das medidas, Biden pretende dar algum alívio econômico aos americanos enquanto o Congresso negocia o destino do pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão (cerca de R$ 10,4 trilhões) proposto neste mês. “Há um consenso econômico crescente de que devemos agir com decisão e ousadia”, disse. “Isso não pode ser o que somos como país. Não podemos e não vamos deixar as pessoas passarem fome. Não podemos ver as pessoas perderem seus empregos e temos de agir.”

Governo estuda liberar novo saque do FGTS – O recrudescimento da pandemia de Covid-19 forçou a equipe econômica a planejar a adoção de estímulos para a economia neste ano. Além do adiantamento do 13º salário de aposentados e do abono salarial, que já havia sido aventado, está em estudo a liberação de uma nova rodada de saque do FGTS. As negociações ocorrem em meio a pressão pela prorrogação do auxílio emergencial. As medidas em estudo quase não têm impacto fiscal, mas conseguem dar fôlego à economia. Os técnicos do Ministério da Economia têm receio de conceder ajuda aos mais vulneráveis e para a manutenção de empregos antes do que julga necessário e ficar sem margem de manobra para o futuro. No caso do FGTS, a ideia é distribuir entre os trabalhadores os R$ 12 bilhões que não foram sacados em 2020 e retornaram para as contas do Fundo. Para preservar a sua sustentabilidade, o valor das novas retiradas deverá ficar inferior a um salário-mínimo (hoje em R$ 1.100), como foi no ano passado, quando o piso era de R$ 1.045. O valor poderá ficar na casa dos R$ 500 por trabalhador e não mais por conta. O valor poderia ser sacado de contas ativas ou inativas, começando por aquelas que estão sem receber novos depósitos. Segundo fontes, os cálculos sobre impacto nas contas do FGTS ainda precisam ser fechados. Na última rodada, a Caixa creditou um total de R$ 36,5 milhões em contas virtuais a serem sacados de acordo com o cronograma, mas 19 milhões de trabalhadores optaram por não fazer a retirada e os valores foram devolvidos.

Planalto faz investida contra pressão por impeachment – O Palácio do Planalto montou uma ofensiva de comunicação para reagir à pressão pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Após pesquisas indicarem queda de popularidade do presidente associada à forma como ele tem enfrentado a pandemia do coronavírus, o governo colocou na praça uma campanha publicitária dizendo que, com a união de todas as forças, “as vacinas aprovadas pela Anvisa” já estão sendo distribuídas em todo o Brasil. Embora auxiliares de Bolsonaro sustentem que não há apoio popular nem político para a abertura de um processo de impeachment, aliados do governo avaliam que o presidente paga o preço de suas idas e vindas sobre a vacinação e que é preciso mostrar todas as medidas tomadas para o combate à pandemia. Bolsonaro tenta se desvencilhar do colapso da saúde no Amazonas e voltou a dar entrevistas. Ainda ontem, escalou três ministros para ir pessoalmente a São Paulo receber a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca e fabricada na Índia. Além do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e do chanceler Ernesto Araújo, lá estava também o titular das Comunicações, Fabio Faria. A nova campanha publicitária do governo para TV, rádio, meios digitais e impressos destoa da versão anterior, em que a vacina era sugerida para quem quisesse “exercer o direito” de vacinar se tivesse “indicação”. Sob o mote “Brasil Imunizado – Somos uma só Nação”, o comercial exibe pessoas com máscaras de proteção e não fala em vacina facultativa, algo que Bolsonaro insiste em repetir. Diz apenas que a vacinação é uma questão “humana e econômica”.

CNJ vai investigar supersalários em MT – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai investigar se há irregularidades nos vencimentos pagos a desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), em dezembro do ano passado. O colegiado informou que não recebeu qualquer solicitação da Corte para realizar o pagamento de verbas extras, como prevê a lei. Os 29 desembargadores do TJ de Mato Grosso receberam em suas contas, em dezembro, uma média de R$ 262,8 mil. O valor foi adicionado ao salário de cada magistrado, num contracheque à parte, e é referente ao pagamento de “penduricalhos” e a vantagens extras previstas nas normas do tribunal, como mostrou o Estadão. Eventuais irregularidades serão apuradas pela Corregedoria Nacional de Justiça, vinculada ao CNJ. Após a publicação da reportagem, na quarta-feira, o CNJ disse que o pagamento de verbas remuneratórias ou indenizatórias nos tribunais depende de autorização prévia do conselho, mas que “não foi submetida, apreciada ou deferida autorização formulada pelo TJ-MT ao CNJ nos meses que antecederam a folha de dezembro”.

Outros destaques

Placar mostra Pacheco à frente no Senado – O candidato do DEM à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), lidera a disputa na Casa em votos declarados, segundo o placar do Estadão. De acordo com o levantamento, 33 parlamentares manifestaram apoio a Pacheco; sua principal adversária na eleição marcada para fevereiro, Simone Tebet (MDB-MS) tem 27 votos declarados. Para se eleger são necessários 41 votos dos 81 senadores. Pacheco é apoiado pelo atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro. O número de parlamentares que não quiseram responder (18) à reportagem – a eleição é secreta – pode definir a disputa para qualquer um dos lados. Major Olímpio (PSL-SP) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) também se colocaram como candidatos. Cada um aparece com um voto. O placar, no entanto, mostra que no quesito fidelidade partidária Simone tem vantagem: a emedebista reúne o apoio de 23 dos 28 senadores que compõem os partidos fechados oficialmente com ela, uma taxa de 82%. Pacheco alcança 73% no mesmo critério, com 30 dos 41 parlamentares cujas bancadas anunciaram apoio afirmando que votarão nele – número que, se confirmado, pode lhe dar a vitória. A Rede e o PSDB não sustentam formalmente nenhuma das candidaturas. Assim como os deputados, muitos senadores têm aberto voto nas redes sociais a fim de incentivar dissidências, especialmente daqueles parlamentares que possam estar incomodados por seus partidos apoiarem candidato defendido pelo governo Bolsonaro. Segundo o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), “o voto aberto pode mudar o rumo do desfecho (a favor de Pacheco) e fortalecer o Brasil sob todos os aspectos”. Vice-líder do governo na Casa, Jorginho Mello (PL-SC) afirmou que os três senadores da sigla vão votar em Pacheco, conforme decisão da bancada. No placar, um deles não respondeu: Wellington Fagundes (MT). “Foi uma decisão da bancada. Nós fizemos um acordo e vamos votar no Pacheco, que está preparado para o cargo, assim como a Simone, aliás. O Senado estará em boas mãos com qualquer um dos dois”, disse.

Oposição comemora – A queda de popularidade de Jair Bolsonaro captada pelo Datafolha nesta sexta (22) foi uma lufada de ânimo para partidos e movimentos de oposição que têm se mobilizado pelo impeachment. O acúmulo da crise em Manaus, o imbróglio na vacinação e o fim do auxílio jogaram Bolsonaro nas cordas, avaliam, e agora é o momento de ampliar alianças e intensificar ações para derrubá-lo. Do outro lado, auxiliares do presidente tentam emplacar o discurso de que a pesquisa não foi ruim. “Essa ação criminosa de Bolsonaro vai cobrar o preço do Congresso na abertura do impeachment”, diz Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT. “Agora é só ladeira abaixo”, diz Alessandro Molon (RJ), líder do PSB na Câmara. A pesquisa, no entanto, mostra que 53% dos entrevistados disseram que a Câmara não deveria abrir processo de impeachment. A oposição comemora porque vê na queda de popularidade o primeiro passo para aumentar tal vontade na população. Governistas tentam sustentar o discurso de que a pesquisa foi boa porque o aumento de rejeição não foi tão grande, diante do fato de, segundo eles, estarem no pior momento do governo. Eles falam em “apenas” 6%.

Lira vai à Bahia buscar votos – Arthur Lira (PP-AL) tem um encontro marcado na segunda-feira (25) com o presidente do DEM, ACM Neto. Publicamente, a legenda diz apoiar o concorrente Baleia Rossi (MDB-SP). O partido, porém, está rachado. Aliados do líder do centrão calculam que podem conseguir até 20 votos na sigla. Pessoas próximas de Lira dizem ver a Bahia como estado decisivo para a eleição da Câmara. O candidato que ganhar lá, segundo essa tese, leva o pleito.

Erundina pede a Maia realização de debate ‘democrático’ – A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) encaminhou um ofício a Rodrigo Maia (DEM-RJ) solicitando a realização de um debate “plural e democrático”, organizado pela Mesa Diretora, entre os candidatos que estão na disputa da Presidência da Câmara.

Abin adquire peça de decoração por R$ 34 mil – A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contratou por R$ 34 mil a aquisição de uma peça de decoração em pedra ágata azul no formato de mapa do Brasil e embalagem em caixa rígida. A compra do objeto decorativo foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (22).

Impeachment de Trump será analisado a partir do dia 8 – Os líderes dos partidos Democrata e Republicano no Senado chegaram a um acordo nesta sexta (22) para adiar a segunda fase do processo de impeachment do ex-presidente Donald Trump, dando ao recém-empossado Joe Biden tempo para completar seu gabinete e avançar com sua agenda legislativa. A Câmara dos Deputados ainda planeja enviar a ação ao Senado na segunda à noite, como havia anunciado a presidente da Casa, Nancy Pelosi. Mas, segundo o líder democrata do Senado, senador Chuck Schumer, haverá uma pausa até a semana de 8 de fevereiro, para dar tempo para que defesa e acusação se preparem.

Rosa Weber mantém eleição presencial – A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, negou um pedido do PDT para que a eleição ao comando da Câmara ocorresse de forma remota. Com a decisão, os deputados que quiserem participar do pleito terão de comparecer ao Congresso no dia da eleição, marcada para 1º de fevereiro. O partido requereu que fosse realizada votação por meio de um sistema híbrido, em que os votos seriam computados tanto de forma presencial quanto a distância. A escolha da maneira como registrar o voto seria de cada deputado. No entanto, o despacho manteve a decisão tomada, no dia 18, pela Mesa Diretora da Câmara em favor do voto, exclusivamente, presencial. Na ação, o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o deputado federal Mário Heringer (MG) alegaram que a medida seria necessária em razão da pandemia do novo coronavírus, que “atinge níveis alarmantes no Brasil e em todos os outros países”.

Lira elogia – Candidato à Presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) elogiou a decisão da ministra Rosa Weber. Segundo o parlamentar, a possibilidade de influência dos governadores seria o principal problema da votação virtual. “Olha que risco. Você imagina se chega em um estado e centraliza a sua bancada. O governador bota os deputados em uma sala, abre o telefone ‘vamos votar aí’. Isso é pressão, isso é instigação, isso é quebra de voto, quebra de sigilo. Então, a ministra Rosa Weber entendeu não atender à liminar. O voto será presencial”, disse.

O embate Baleia x Lira – A pouco mais de uma semana da eleição para a Presidência da Câmara — em 1º de fevereiro —, os dois principais candidatos, Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL), subiram o tom na troca de ataques pelas redes sociais. Ontem, o emedebista, que é apoiado pelo atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou o adversário de “metamorfose ambulante”, por, segundo ele, adotar um discurso de campanha que não corresponde à sua atuação política. A menção refere-se a uma música de Raul Seixas. Em uma das publicações, Rossi acusa Lira — que tem o respaldo do presidente Jair Bolsonaro para a disputa do cargo — de omitir que tenha pedido urgência para a votação do Projeto de Lei Complementar 34/20 na Câmara. De autoria do deputado Wellington Roberto (PL-PB), a proposta institui o empréstimo compulsório para atender às despesas urgentes causadas pela situação de calamidade pública relacionada ao novo coronavírus. Esse tipo de empréstimo consiste na tomada compulsória, pelo Estado, de certa quantidade de dinheiro do contribuinte, com o resgate dos valores em determinado prazo estabelecido por lei. “No ano passado, meu adversário pediu urgência no PLP 34/20, que autoriza o confisco de empresas pelo governo. Gravou vídeos defendendo a proposta. Agora, mantém silêncio sobre o assunto. Mudou a velha opinião? Ou é casuísmo? Metamorfose ambulante”, tuitou Rossi, ao compartilhar uma reportagem sobre o pedido de urgência apresentado pelo Centrão, bloco parlamentar liderado por Lira e que dá sustentação ao governo.

Pedido de investigação contra Aras – Três senadores ingressaram, ontem, com uma representação no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitando abertura de processo administrativo contra ele. Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) acusam o PGR de infração disciplinar em razão de uma nota na qual cita que o estado de calamidade pública é uma “antessala do estado de defesa”. Os congressistas também mencionam omissão de Aras por querer empurrar para o Parlamento a análise de crimes envolvendo autoridades, como consta da nota do PGR: “Eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo”. No pedido ao CSMPF, os senadores afirmam que o chefe do Ministério Público não tem atuado contra falhas e supostos crimes do presidente Jair Bolsonaro relacionados ao cargo.

Na Saúde, um militar radical – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nomeou, ontem, o general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes como assessor do Departamento de Logística em Saúde. O militar é defensor de intervenção federal, além da decretação de estado de defesa e de sítio para enfrentar a crise, como fica claro em publicações feitas por ele nas redes sociais. Em textos publicados no Facebook, Fernandes diz ser favorável a “ferramentas constitucionais para ajudar a enfrentar a crise”, mencionando, especificamente, o estado de defesa e o de sítio, assim como intervenção federal em estados, a serem utilizados no combate à covid-19. “São, aliás, muito adequadas e deixam as rédeas nas mãos de quem, realmente, tem que conduzir a carruagem. São ferramentas democráticas que dão poderes ao presidente da República, supervisionado pelo Legislativo, para agir. Leia, informe-se. Governo forte, crise controlada, vidas salvas!”, postou. Em outra publicação, ele disse: “Vamos intervir, presidente?”. “Tem gente por aí que diz que eu sou um arauto do apocalipse, pregando decretação de estado de sítio e outras medidas extremas. Mas, na verdade, estou é mostrando que existe um modo certo e um modo errado de agir”, escreveu.

Simbólico e perigoso – A forma como o presidente Jair Bolsonaro está agindo na campanha de Arthur Lira para o comando da Câmara mexeu com os brios do MDB e ultrapassou as fronteiras do salão verde. Isso porque o candidato Baleia Rossi não é um deputado qualquer, é o presidente do partido e, como tal, esperava-se uma postura menos beligerante por parte do Planalto. Senadores da sigla, por exemplo, não esperavam que o governo partisse com tudo para cima dos deputados emedebistas, cortando cargos, emendas de relator e por aí vai. Diante dessa constatação, a avaliação geral é de que Bolsonaro exagerou na dose num ano em que o governo deveria estar mais preocupado em montar uma base forte para fazer as “entregas” de projetos à população. A conta do Planalto, entretanto, é de que essa base será garantida depois da eleição de Lira. Os ministros estão convencidos de que só o alagoano evitará que o processo de impeachment caminhe, caso a oposição insista na abertura de processo. Só tem um probleminha: se a popularidade presidencial continuar a baixar, como demonstram as últimas pesquisas, vai ser difícil Bolsonaro conseguir fechar esses apoios, ou mesmo manter o Centrão como aliado. O governo, porém, já caminhou muito para recuar na sua estratégia de eleger Lira.

Doria vê ‘afronta’ de Bolsonaro com SP – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou ser “afrontoso” o modo como a gestão Jair Bolsonaro vem atuando para paralisar ou atrasar obras de infraestrutura planejadas pelo Estado de São Paulo e que dependem de aval ou recursos do governo federal. Doria disse que vai “agir” diante do cenário, sem dar detalhes. “É afrontoso um presidente da República romper o pacto federativo e assumir publicamente que orientou ministros do seu governo a boicotarem São Paulo. Nós não ficaremos emudecidos nem intimidados com isso. Vamos agir”, afirmou o governador, ao término da entrevista coletiva em que deu detalhes sobre o endurecimento das regras de quarentena no Estado contra o coronavírus. Como mostrou o Estadão, obras de mobilidade e saneamento traçadas por São Paulo, que dependiam de acordo com Brasília para serem viabilizadas, estão no papel, como a ponte entre Santos e Guarujá e o piscinão de Jaboticabal, entre a capital e as cidades do ABC. O Estadão revelou também que Bolsonaro deu ordem para que os ministros não atendam a nenhum pedido do tucano. Doria não detalhou como seria essa “ação” contra Bolsonaro, mas auxiliares não descartam até medidas judiciais.

São Paulo acerta na restrição, mas demora preocupa – É consenso entre a comunidade médica e científica que a iniciativa do governo paulista de apertar as regras de isolamento social foram acertadas, mas desceu quadrada a decisão de última hora de adiar para segunda-feira, 25, a obrigatoriedade da fase vermelha no Estado. Epidemiologistas ouvidos pela Coluna dizem que não é possível perder mais um minuto na adoção de medidas duras de restrição social. Muitas vidas estão sob risco. Um deles, de um grande hospital particular da capital, questionou: se a medida é necessária, por que esperar? Em privado, membros do próprio governo paulista admitem que marcar o início das restrições para o último dia do feriadão prolongado (dia 25 é aniversário da capital) pode comprometer a eficácia da medida restritiva. Pipocam indícios e suspeitas de que gente de fora do grupo prioritário foi vacinada contra a covid-19 no HC paulistano. Um experiente membro do Ministério Público tem diagnóstico preciso: o governo mandou doses demais da Coronavac para o hospital. É na fartura que se dão bem os oportunistas.

Em crise, o presidente tem programas típicos de candidatos – No auge da crise de saúde que ajudou a reverter sua popularidade, o presidente Jair Bolsonaro tem incluído nos últimos dias algumas fugas da rotina do Palácio do Planalto. Algumas agendas são típicas dos candidatos.

Ontem à tarde, por exemplo, ele fechou o gabinete antes das 16h e foi para um treino do Flamengo, que jogou em Brasília anteontem e estendeu a estadia na capital federal. Durante a visita ao centro de treinamento brasiliense, Bolsonaro voltou a ignorar as medidas de proteção contra o Covid-19: nem ele nem ninguém da sua equipe usava máscara, assim como os jogadores rubro-negros. O presidente também assumiu a estratégia de viajar pelo país para eventos festivos. Anteontem, foi Coribe, na Bahia, para “cerimônia alusiva na entrega da obra de adequação do Lote 4 da BR-135”. Como sempre, isso causou multidões nas ruas. É na região Nordeste que o presidente tem as maiores taxas de rejeição. Sempre que fala sobre seu comportamento — ao contrário do que as autoridades de saúde recomendam — o presidente diz que gosta de estar entre as pessoas e que seus críticos no mundo político não têm coragem de se expor à opinião pública. Fotos da passagem pelo município baiano mostram Bolsonaro, ainda sem máscara, cumprimentando os moradores, tirando “selfies” com um homem a cavalo e montando um animal identificado como vaqueiro Roxo. Em um deles, ele posa para a câmera com chapéu de cangaceiro.

Governo ‘está coagindo e perseguindo deputados’ – ara o candidato a presidente da Câmara dos Deputados Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado pelo atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governo federal age “de forma ostensiva” contra sua candidatura, oferecendo cargos e emendas e efetuando retaliações a seus apoiadores. O presidente Jair Bolsonaro apoia Arthur Lira (PP-AL), adversário de Rossi. Evitando se posicionar sobre a abertura de um processo de impeachment, como pede a oposição, Baleia Rossi diz que irá analisar os casos individualmente se for eleito e que não quer antecipar juízo de valor sobre a atuação de Jair Bolsonaro à frente da pandemia.

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