Resumo dos jornais e revistas de sábado (21/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (21/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Homem negro morre espancado por seguranças do Carrefour no RS

CORREIO BRAZILIENSE: A morte da consciência

O ESTADO DE S.PAULO: Assassinato de homem negro provoca protestos pelo País

O GLOBO: Barbárie no mercado

Resumo das manchetes – Correio, Estadão, Globo e Folha estampam manchetes sobre o brutal assassinato de um homem negro nas instalações de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. O crime gerou uma onda de protestos em Brasília, São Paulo, BH e Rio, além da capital gaúcha, contra a rede francesa de supermercados que se vê envolvida pela segunda vez em crime de racismo.

Capas

VEJA: As repostas da ciência

ISTOÉ: Flávio, chefe de uma quadrilha criminosa

ÉPOCA: A extrema-direita em choque

CartaCapital: Renovação

Crusoé: Um fenômeno no filhotismo

Resumo das capas – A reportagem de capa de Veja revela os mitos e as verdades sobre o que a ciência já sabe sobre a pandemia. Quando a vacina ficará pronta, os tratamentos mais eficazes, a possibilidade de uma segunda onda no Brasil e as respostas de pesquisadores e profissionais de saúde, um ano depois da eclosão do primeiro caso de Covid-19. A reportagem de capa da ISTOÉ revela que Flávio Bolsonaro era o chefe de uma organização criminosa que praticou lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita, segundo denúncia do MP-RJ. O esquema desviou R$ 6 milhões. O uso suspeito de dinheiro vivo é frequente na família do presidente desde os anos 1990. Para proteger o clã, o mandatário interfere em órgãos de Estado e tenta desarmar o combate à corrupção. A capa da CartaCapital aborda os desafios para a renovação política nas eleições municipais do País. A Crusoé denuncia em sua reportagem de capa como funciona o filhotismo de Eduardo Martins, filho do presidente do STJ, Humberto Martins, cujo escritório em Brasília fatura milhões. A reportagem de capa da ÉPOCA aponta os possíveis caminhos que serão percorridos pelo bolsonarismo depois da fragorosa derrota nas eleições municipais.

Destaques de sábado

João Alberto, negro, espancado até a morte – O Dia da Consciência Negra foi marcado pela dor da luta diária, pelas insistentes perdas. Ontem, João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, representou a triste realidade da população preta no Brasil. O assassinato dele, por dois homens brancos, numa unidade do Carrefour, em Porto Alegre, causou comoção e revolta no país. Beto, como era conhecido, foi brutalmente espancado, na quinta-feira à noite. Um dos agressores o imobilizou apertando o joelho contra as costas dele. O laudo médico aponta morte por asfixia. Os dois estão presos. Os suspeitos do assassinato são Magno Braz Borges, 30, e o policial militar temporário Giovani Gaspar da Silva, 24, que faziam a segurança do estabelecimento. “Agredido bruscamente por facínoras. Chamar aquilo de segurança é desmerecer os verdadeiros seguranças”, lamentou o pai da vítima, João Batista Rodrigues Freitas, 65. “As únicas coisas que podemos esperar é por Deus e pela Justiça. Não há mais o que fazer. Meu filho não vai mais voltar”, afirmou ele, classificando o crime como tendo motivação racista. As investigações preliminares apontam que João Alberto se desentendeu com uma funcionária, e a segurança foi chamada. O soldador foi levado para a entrada da loja e teria dado um soco no PM. Passou, então, a ser espancado. Ao sogro, a esposa de Beto, Milena Borges Alves, 43, relatou o episódio. “Ela me contou que o segurança apertou o meu filho contra o chão, e ele já estava roxo. Fazia sinal com a mão para ela fazer alguma coisa, tirar o cara de cima, mas um outro segurança empurrou a Milena”, contou João Batista. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Milena reiterou a versão. Nas imagens, é possível ver pessoas gritando para que as agressões ao soldador cessem. “Vamos chamar a Brigada (Militar)”, disse alguém, ao fundo. Em uma das gravações, o homem é derrubado e atingido por, ao menos, 12 socos. “Tentamos intervir, mas não conseguimos. A gente gritava ‘tão matando o cara’, mas continuaram até ele parar de respirar. Fizeram a imobilização com o joelho no pescoço do Beto, tipo como foi com o americano (George Floyd, morto por policiais, neste ano, nos Estados Unidos)”, relatou um vizinho da vítima, Paulão Paquetá, que estava no local. João Alberto deixa quatro filhos e uma enteada. Segundo a polícia, ele tinha antecedentes criminais por violência doméstica, ameaça e porte ilegal de arma. O Carrefour manifestou-se por nota. Considerou o episódio “inexplicável”, classificou a morte como “brutal” e disse que “adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos”. Segundo o comunicado, o contrato com a empresa responsável pelos seguranças foi interrompido, e o funcionário que estava no comando da loja durante o crime, desligado. O Carrefour afirmou, ainda, que doará o lucro de todas as lojas do Brasil, obtido ontem, a entidades que combatem o racismo.

Ministros do STF repudiam – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram às redes sociais declarar indignação com o assassinato de João Alberto Silveira Freitas. Para Alexandre de Moraes, “o bárbaro homicídio praticado no Carrefour escancara a obrigação de sermos implacáveis no combate ao racismo estrutural”. Na mesma linha, Gilmar Mendes publicou: “O episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbárie está longe de acabar”. O presidente do STF, Luiz Fux, afirmou que “toda violência é desmedida e deve ser banida da sociedade”. “É triste episódio.”

Governo diz que não há racismo no Brasil – Membros do governo negaram, nesta sexta-feira, que o assassinato de um homem negro em um supermercado em Porto Alegre tenha sido motivado por racismo, afirmando, inclusive, que não há esse preconceito no país. As declarações foram dadas pelo vice-presidente Hamilton Mourão e pelo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. O vice-presidente Hamilton Mourão classificou como “lamentável” a morte de João Alberto Silveira Freitas, que foi brutalmente espancado até a morte por dois seguranças brancos, porém disse não ver racismo no caso, porque, de acordo com ele, não há racismo no Brasil. Inicialmente, Mourão afirmou que a equipe de segurança do local estava “totalmente despreparada”: — Lamentável. A princípio, a segurança (estava) totalmente despreparada para a atividade que tem que fazer — disse o vice-presidente, ao chegar no Palácio do Planalto no início da tarde desta sexta-feira. Questionado se via racismo no caso, respondeu que isso é algo que tentam “importar” para o Brasil: — Não. Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil, não existe aqui. Em seguida, reforçou que não vê racismo no Brasil e fez uma comparação com os Estados Unidos. — Eu digo para você com toda tranquilidade: não tem racismo. Eu digo isso para vocês porque eu morei nos Estados Unidos. Racismo tem lá. Eu morei dois anos nos Estados Unidos. Na minha escola, que eu morei lá, o pessoal de cor, ele andava separado. Eu nunca tinha visto isso aqui no Brasil. Saí do Brasil, fui morar lá, adolescente, e fiquei impressionado. Isso no final da década de 60. Mais ainda: o pessoal de cor sentava atrás no ônibus, não sentava na frente. Então, isso é racismo. Aqui não existe isso. Mourão alegou que o que existe no Brasil é a desigualdade social: — Aqui o que você pode pegar e dizer é o seguinte: existe desigualdade. Isso é uma coisa que existe no nosso país. Nós temos uma brutal desigualdade aqui, fruto de uma série de problemas, e grande parte das pessoas, vamos colocar assim, de nível mais pobre, que tem menos acesso aos bens e às necessidades da sociedade moderna, são gente de cor. O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, não se manifestou sobre a morte de João Alberto Silveira Freitas. Ontem, Dia da Consciência Negra, o chefe do Executivo postou, logo cedo, nas redes sociais, uma foto em que Pelé o homenageia com uma camisa autografada do Santos. “Obrigado, Pelé. Bom dia a todos”, escreveu o mandatário. Na camiseta, o atleta do século autografou: “Ao presidente Bolsonaro, com abraço, Edson Pelé”. Na mesma postagem, internautas cobraram manifestação do chefe do Planalto sobre a morte de João Alberto. Ao contrário do presidente, Davi Alcolumbre, presidente do Senado afirmou que “no Dia da Consciência Negra, o assassinato brutal de João Alberto Freitas, espancado até a morte por seguranças de um supermercado, em Porto Alegre, estarrece e escancara a necessidade de lutar contra o terrível racismo estrutural que corrói nossa sociedade”. Quem também se pronunciou foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – “Em nome da Câmara dos Deputados, envio meus sentimentos à família e aos amigos do João Alberto Silveira Freitas. A cultura do ódio e do racismo deve ser combatida na origem, e todo peso da lei deve ser usado para punir quem promove o ódio e o racismo”. Já, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul solidarizou-se com a família de Beto – “Aos familiares e amigos da vítima, o João Freitas, toda nossa solidariedade e a certeza de que a investigação será rigorosa para que haja consequência deste ato lamentável”

Camargo é denunciado ao MP – Líderes de mais de 50 instituições ligadas ao movimento negro foram, ontem, ao Ministério Público contra o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. O grupo entregou uma representação por improbidade administrativa à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. No documento, divulgado pelo Congresso em Foco, as entidades ressaltam que Camargo “vem desafiando os limites da ordem jurídica e o real compromisso do Estado Brasileiro com a promoção da igualdade racial”. Os representantes questionam a falta de uso de verba da fundação. De acordo com o documento, até setembro deste ano, a pasta usou 47,52% do dinheiro destinado à fundação, a menor porcentagem desde 2012. Camargo, que é negro, também nega a existência de racismo no país. Em postagem, ontem, ironizou o Dia da Consciência Negra: “A partir de amanhã (hoje), os negros do Brasil perdem a consciência”.

Bolsonaro no Amapá – O presidente Jair Bolsonaro, enfim, visitará o Amapá. A viagem, hoje, foi um convite feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), na quinta-feira. Na ocasião, o parlamentar cobrou do chefe do Executivo medidas para solucionar o apagão que assola o estado há quase três semanas. A expectativa é de que o mandatário visite a subestação de energia de Santana, às 15h30. Já às 17h, a previsão é de que faça um pronunciamento oficial, no Aeroporto Internacional de Macapá.

A mãe do ex-capitão Adriano – A silenciosa cidade de Astolfo Dutra, no interior montanhoso de Minas Gerais, guarda um segredo com alto potencial de causar estrondo. Entre seus 13 000 habitantes, consta uma senhora aposentada que teria desembarcado naquelas paragens vinda do Rio de Janeiro atrás de vida mais sossegada. Ali, ela mora com a mãe, que sofre de Alzheimer, e com uma neta cadeirante. Até uns meses atrás, ninguém imaginaria que Dona Vera, como a chamam, é Raimunda Veras Magalhães, 70 anos, envolvida no esquema de “rachadinha” implantado no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando o hoje senador era deputado estadual. Pois bem: Dona Vera aparece entre os dezessete recém-denunciados pela bandalha, rol que abrange o filho do próprio presidente. Ela vem a ser ainda mãe de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope acusado de chefiar uma quadrilha de matadores milicianos conhecida como Escritório do Crime, morto em fevereiro deste ano. Por suas ligações mais do que perigosas, a discreta residente de Astolfo Dutra é considerada pelos promotores testemunha-chave da engrenagem que teria irrigado por mais de uma década a conta de funcionários fantasmas, como ela mesma — verba que ia parar em outros bolsos, segundo o Ministério Público do Rio. Seu paradeiro permaneceu envolto em mistério durante mais de um ano de investigação. O MP chegou a tentar notificar Raimunda batendo à porta de uma filha, que não revelou onde estava a mãe. Os promotores só viriam a saber onde ela havia submergido ao rastrear o celular de Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, o ex-assessor faz-tudo de Flávio, que orquestrava a rachadinha.

Loucos por dinheiro – O descarte da prorrogação do auxílio emergencial, por parte do secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, faz parte da estratégia do governo para tentar convencer o Congresso a aprovar o imposto sobre transações eletrônicas. Se disser, desde já, que vai estudar a prorrogação, fica subentendido que é possível haver recursos para tal, dentro da situação fiscal vigente e, no momento, está claro que não há. O governo aceita, até mesmo, trocar alguns impostos por esse novo, considerado difícil de sonegar e que ainda permite conhecer melhor a situação de cada contribuinte. E vai montar o discurso para conseguir convencer os congressistas dessa necessidade de verbas.

O que já estava ruim vai ficar pior – A notícia de que o Palácio do Planalto monitorou as redes sociais de deputados e senadores, publicada pela revista Época, ajudou a azedar, ainda mais, o clima entre parlamentares e o governo. Fazer esse monitoramento com dinheiro público foi considerado um absurdo e vai influenciar no comportamento dos políticos em relação ao governo.

Claudio Couto, professor de ciência política na FGV-Eaesp e coordenador e produtor do canal do YouTube e podcast ‘Fora da Política Não há Salvação’ mostra que “Jair Bolsonaro tentou tomar de assalto o partido pelo qual se elegeu, o PSL, em vez de com ele construir boa relação —o que teria sido útil, considerando que a sigla teve a maior fatia do fundo eleitoral neste ano. Fracassou em seu intento, e a organização seguiu sob controle de seu velho cacique, Luciano Bivar. Depois, ensaiou construir seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil. Novamente fracassou e, ao notar que não teria como viabilizá-lo em tempo para as eleições municipais, desistiu. Com isso, Bolsonaro não teve um partido para chamar de seu durante as disputas locais, perdendo a oportunidade que seus antecessores —FHC e Lula— aproveitaram muito bem: fazer crescer sua agremiação pelo país, enraizando-se e criando uma rede de apoio político crucial para as eleições proporcionais vindouras (Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas), mas também para a Presidência da República. Só por isso (obra exclusivamente sua), já sai derrotado das eleições de 2020”.

Frente contra bolsonaristas avança em Fortaleza e no Rio, mas empaca em Belém – A construção de frentes amplas para enfrentar candidatos ligados ao presidente Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições municipais avançou em capitais como Fortaleza e Rio de Janeiro, mas empacou em Belém. Nestas três capitais, o segundo turno terá candidatos apoiados publicamente por Bolsonaro. Os candidatos Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, e Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza, receberam o apoio do presidente ainda no primeiro turno. Nesta semana, Bolsonaro estendeu seu apoio ao candidato Eguchi (Patriota), delegado da Polícia Federal que superou nomes tradicionais da política paraense e, também chegou à fase final da disputa.

Crivella radicaliza com ofensas e acusações sem provas – Atrás nas pesquisas de intenção de voto, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), radicalizou seu discurso no segundo turno com ofensas e acusações sem provas contra o adversário, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). O objetivo de Crivella é consolidar o voto evangélico e conservador a seu favor. Para isso, tenta vincular o adversário a partidos de esquerda que decidiram apoiá-lo no segundo turno para evitar a reeleição do atual prefeito. Crivella disse que o PSOL, que declarou “apoio crítico” a Paes, vai indicar o futuro secretário de Educação —o que tanto o candidato como a sigla negam. O atual prefeito associou sem provas o suposto acordo à “pedofilia nas escolas”. “O PSOL, dizem, vai tomar conta da Secretaria de Educação. Agora você imagina em pedofilia nas escolas. Eu fico imaginando um irmão meu, evangélico, batista, metodista, assembleiano, alguém da Universal. Jesus disse pra nós que o Reino de Deus é das crianças. ‘Quem recebe uma criança, recebe a mim’. Jesus se comparou às crianças. E nós vamos aceitar pedofilia na escola no ensino infantil?”, afirmou ele. A declaração foi dada num vídeo divulgado pelo deputado federal Otoni de Paulo (PSC) em Brasília, antes de Crivella encontrar o presidente Jair Bolsonaro para a gravação de um novo vídeo para sua campanha. O material também foi publicado nas redes do prefeito. A presidente do PSOL no Rio de Janeiro, Isabel Lessa, disse que a declaração de Crivella é “atitude de um homem desesperado, que claramente sabe que vai perder as eleições”. A sigla pediu à Justiça Eleitoral para que o prefeito seja obrigado a publicar um direito de resposta em suas redes sociais. Paes afirmou, em nota, que “esta atitude reflete o desespero dele com a crescente perspectiva de derrota nas urnas”. “Não imaginava que seria capaz de ir tão longe na baixeza e na mentira. Ele será processado eleitoral, cível e criminalmente por essa gravíssima e mentirosa acusação”, disse o ex-prefeito.

Tensão aumenta na eleição em Porto Alegre – Integrantes das linhas de frente das campanhas de Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB) acreditam que o brutal assassinato de um homem negro num supermercado de Porto Alegre deve acabar contaminando a reta final da disputa pela prefeitura da capital gaúcha. Os candidatos correram para declarar repúdio à morte de João Alberto Freitas. Apesar de o efeito ainda ser incerto na eleição, ambos veem com cautela o episódio que tomou proporções nacionais. Pesquisas recentes mostram Melo à frente de Manuela. Há temor entre apoiadores de Sebastião Melo (MDB) de que Manuela D’Ávila (PCdoB) aborde politicamente o episódio. Em especial, por conta do apoio recebido pelo emedebista do candidato derrotado no primeiro turno Valter Nagelstein (PSD). Nagelstein foi muito criticado por ter dito: “Basta a gente ver a composição da Câmara, cinco vereadores do PSOL. Muitos deles, jovens, negros. (…) Sem nenhuma tradição política (…) e com pouquíssima qualificação”. A campanha de Melo tenta afastá-lo ao máximo de Nagelstein. No perfil do emedebista nas redes sociais, internautas cobram a falta de reprimenda dele à fala do candidato derrotado. Apesar de não ser bolsonarista, Melo tornou-se o nome da direita na capital gaúcha. A campanha do PCdoB, contudo, vê a tragédia com muita cautela e não planeja explorar eleitoralmente o episódio, porém não deixou de se manifestar. Manuela e Melo lamentaram publicamente a morte de João Freitas. Manuela participou de uma reunião com a bancada negra de Porto Alegre. Melo cancelou suas agendas públicas em sinal de “luto” ontem. Porém, neste último final de semana antes do segundo turno, Melo promete atuar como um político “das antigas” do MDB, partido ao qual está filiado desde os anos 80. O candidato quer gastar a sola do sapato nas ruas de Porto Alegre pedindo votos, sem economizar nas agendas.

Indícios de irregularidades na campanha de 2020 – Os indícios de irregularidades no primeiro turno das eleições municipais deste ano alcançaram a marca de R$ 60,4 milhões, entre doações e pagamentos de serviços, aponta o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre as inconsistências identificadas estão quinze pessoas que, mesmo mortas – com nome incluído no Sistema de Controle de Óbitos -, doaram um total de R$ 19.587,40 para candidatos de todo o País. Segundo o levantamento feito pelo TSE, foram registradas 9.068 doações de pessoas sem emprego formal, que somaram a elevada cifra de R$ 33,7 milhões. O levantamento ainda encontrou 1.981 doadores que possuem renda incompatível com a quantia repassada – essas pessoas teriam doado um valor total superior a R$ 17 milhões. O relatório do TSE também identificou um total de 1.227 pessoas que efetuaram doações de R$ 573 mil, mesmo estando inscritas em programas sociais. Um universo de 1.502 fornecedores sem registro na Receita Federal ou na junta comercial ganharam R$ 2,7 milhões por serviços prestados a candidatos. Os técnicos ainda constaram que 925 fornecedores de campanha possuem relação de parentesco com o candidato ou o vice, recebendo mais de R$ 1,6 milhão. Além disso, 1.289 fornecedores de campanhas eleitorais possuem em seu quadro de sócios beneficiários do programa Bolsa Família. O tribunal mapeou os dados a partir de informações coletadas pela Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Tribunal de Contas da União (TCU), Defensoria Pública Federal e o Ministério da Cidadania. De acordo com o TSE, os números levantados foram encaminhados a tribunais e cartórios eleitorais como “informação de inteligência e direcionamento da fiscalização de contas”.

Bolsonaro recebe no Planalto corregedor de tribunal que julgará caso de Flávio – O presidente Jair Bolsonaro conversou por cerca de duas horas nesta sexta-feira, 20, com o corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Bernardo Moreira Garcez Neto. O magistrado é integrante do Órgão Especial do tribunal, o mesmo que vai decidir se aceita ou não a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). O filho “Zero Um” do presidente é acusado de comandar um esquema de “rachadinha” em seu gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando era deputado estadual. O desembargador deixou o Palácio do Planalto por voltas das 16h e não respondeu às perguntas da imprensa. Na saída da sede do governo, Garcez chegou a se esconder atrás de uma pilastra para não ser abordado por jornalistas. Em nota divulgada por volta das 18h20, o Tribunal de Justiça informou que “não foram tratados assuntos relacionados a processos judiciais.” Oficialmente, o motivo do encontro foi o convite da Presidência, por meio da Secretaria Especial de Modernização do Estado (SEME), para que a Corregedoria do TJ-RJ participe do Comitê de Modernização de Ambiente e Negócios, que tem o objetivo de melhorar os indicadores do Brasil para atrair investimentos. Na versão oficial, Garcez foi chamado ao Planalto para participar de discussões sobre “registros de propriedades”. O tribunal acrescentou que no encontro também foi discutida a “importância da Declaração de Nascimento e Declaração de Óbito Eletrônicas (e-DNV/ e-DO) para impedir fraudes”. “O Corregedor e o Presidente trataram ainda de assuntos gerais de interesse da Administração Pública, como os desafios enfrentados pela Primeira Instância do Judiciário durante o período da pandemia. Não foram tratados assuntos relacionados a processos judiciais”, informou a nota.

Salário médio em estatais chega a R$ 31,3 mil, sem contar diretorias – As estatais brasileiras pagam salário médio mensal de até R$ 31,3 mil – isso sem contar as remunerações das diretorias executivas, que chegam a ganhar até R$ 2,9 milhões por ano. O dado faz parte de um levantamento inédito do governo federal. Para efeito de comparação, no ano passado a renda média de todos os brasileiros (considerando serviço público e setor privado) ficou abaixo de R$ 2,5 mil. Produzido pelo Ministério da Economia, o Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais reúne dados das 46 companhias de controle direto da União e consolida informações contábeis, de gastos com pessoal a reajustes salariais, entre outros números. O levantamento também mostra que a União precisou aportar no ano passado R$ 17 bilhões em 18 dessas estatais, que são dependentes do Tesouro. A distância entre a remuneração nas estatais e no setor privado já havia aparecido, ano passado, em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). Por esse estudo, 86% dos cargos em empresas estatais pagavam salário superior ao de postos semelhantes no setor privado. Ainda segundo o levantamento, os salários em 43% dos cargos nas estatais chegavam a superar o dobro do valor pago em funções semelhantes na iniciativa privada. A pesquisa analisou as remunerações pagas a 376 ocupações em 104 estatais não dependentes do Tesouro, entre as quais Banco do Brasil, Correios, Furnas e Petrobrás.

6,3 mil mulheres tiveram um ou zero voto nas eleições – Das 173 mil mulheres aptas a disputar o cargo de vereador no domingo passado, 6.372 tiveram apenas um ou nenhum voto, segundo levantamento do Estadão. A ausência de votos e o fato de nem a candidata ter votado nela mesma provocaram suspeitas de que essas mulheres tenham sido usadas como “laranjas” para que partidos pudessem driblar a lei e cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas. Parte delas recebeu R$ 877 mil do fundo eleitoral, dinheiro público usado para financiar gastos de campanha. A verba na conta de mais de 500 candidatas causa estranheza, já que todas tiveram desempenho pífio nas urnas, e pode ser mais um indício do “laranjal partidário”, com o lançamento de concorrentes “de fachada”. Desde 2018, partidos devem destinar, no mínimo, 30% do fundo eleitoral para campanhas femininas. Quem não cumprir a regra pode ter as contas rejeitadas, os repasses suspensos e ser obrigado a devolver o dinheiro.

Mulher de Queiroz ajudou no desvio de R$ 1,1 mi, diz MP – A mulher do ex-assessor Fabrício Queiroz, Márcia Aguiar, ajudou a desviar R$ 1,1 milhão da Assembleia Legislativa do Rio, por meio do esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), apontou o Ministério Público do Rio em denúncia apresentada à Justiça. A Promotoria estima ainda que, deste total, R$ 868 mil tenham abastecido a suposta organização criminosa liderada pelo filho do presidente Jair Bolsonaro. Márcia foi alvo de prisão preventiva em julho, mas, diferentemente do marido, não foi encontrada pela polícia e ficou foragida por 22 dias até ser beneficiada por liminar do ministro João Otávio de Noronha, então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida garantiu prisão domiciliar ao casal, que está em um apartamento na zona oeste do Rio. Foram nas contas de Márcia que a investigação também descobriu seis cheques depositados em favor da primeira-dama Michelle Bolsonaro. As transações totalizam R$ 17 mil e ocorreram em 2011 – a denúncia oferecida contra Márcia, porém, não menciona os repasses à mulher do presidente. O Ministério Público coloca Márcia no chamado “núcleo executivo” do esquema, composto por servidores “fantasmas” do gabinete de Flávio que recebiam o salário sem bater ponto na Assembleia do Rio. Ao todo, o “núcleo executivo” desviou R$ 6,1 milhões da Assembleia Legislativa, dos quais R$ 2,079 milhões foram repassados diretamente a Queiroz, afirmam os investigadores.

Em Recife, Ciro e Marina de um lado; Lula de outro – As campanhas de João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) vão explorar, no curto espaço da disputa pelo segundo turno à prefeitura do Recife, o apoio de políticos de relevância nacional. Ciro Gomes, candidato à Presidência do PDT em 2018, desembarca amanhã na capital pernambucana para pedir votos do candidato do PSB, que tem como vice-presidente a pedetista Isabella de Roldão. Também ex-candidata ao Palácio do Planalto, Marina Silva (Verde) já registrou depoimento em nome do filho do ex-governador Eduardo Campos. Enquanto isso, a petista continuará exaltando o ex-presidente Lula. Presidente do PDT, Carlos Lupi confirmou a agenda de Ciro. A abordagem é importante para uma articulação bem sucedida entre as duas siglas em 2022.

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