Resumo dos jornais e revistas de sábado (20/06/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (20/06/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Queiroz era monitorado por advogado, indicam áudios

CORREIO BRAZILIENSE: 1.000.000

O ESTADO DE S.PAULO: País passa de 1 milhão de infectados e a covid-19 já está em 85% das cidades

O GLOBO: MP investiga se Queiroz pagou R$ 286 mil de despesas de Flávio

Capas

VEJA: Acharam. E perto demais

A prisão do ex-policial Fabrício Queiroz numa casa do advogado do presidente Bolsonaro leva o escândalo das rachadinhas à rampa do Palácio do Planalto.

ÉPOCA: Terra arrasada

Fundos de trilhões de dólares começam a tirar dinheiro do Brasil por causa da tragédia ambiental.

ISTOÉ: Terroristas de direita

Ataques ao STF. Intervenção militar. Armas para todos. Volta do AI-5. Fechamento do Congresso. Sara Winter, líder do grupo dos 300, presa por atos antidemocráticos.

CartaCapital: O cerco se fecha

Acharam o Queiroz: a prisão do ex-PM em São Paulo aumenta a pressão sobre Bolsonaro e seus filhos. A rachadinha é só um ponto da investigação. O golpe no golpismo: o STF resolve dar um basta nas constantes ameaças das milícias bolsonaristas, estridentes, mas cada vez menos representativas. Cronistas da tragicomédia: Aroeira, Adnet, Duvivier, Laerte e outros falam do papel do humor em tempos sombrios.

Crusoé: O ‘anjo’ radioativo

Por que o advogado Frederick Wassef, que escondia Fabrício Queiroz, pode ajudar a derrubar o presidente

Destaques do dia

Proteção monitorada – O policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro preso nesta quinta-feira (18), era monitorado e sofria restrições de movimentação impostas pelo advogado Frederick Wassef. É o que indicam mensagens apreendidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo os promotores, o ex-assessor buscava omitir as saídas que fazia do imóvel onde morou nos últimos meses em Atibaia. O MP-RJ diz ainda que o ex-assessor e seus familiares desligavam seus telefones quando se aproximavam da casa, de propriedade de Wassef, também advogado do presidente Jair Bolsonaro. A presença de Queiroz na residência contrariou todo o discurso do advogado e da família Bolsonaro ao longo de um ano e meio, segundo o qual não havia ocorrido mais contato entre eles e o ex-assessor do atual senador. Queiroz é apontado como operador financeiro da suposta “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia do Rio, onde exerceu mandato de deputado estadual entre fevereiro de 2003 e janeiro 2019.

Um milhão – Depois de ultrapassar a marca de 1 milhão de infectados pelo novo coronavírus, o Brasil deve superar hoje o patamar de 50 mil mortos pela covid-19. Ontem, o país registrou mais de 1,2 mil óbitos pelo quarto dia seguido, elevando para 48.954 o total de pessoas que perderam a vida. E houve recorde na quantidade de casos confirmados da doença nas últimas 24 horas: 54.771. A OMS alertou que a pandemia continua em estágio de gravidade, destacando que, apenas na quinta-feira, foram reportados 159 mil novos infectados, um recorde diário. No Distrito Federal, foram diagnosticados 2.381 novos casos da doença, o maior número em um dia. Além disso, o vírus matou 17 pessoas, aumentando para 361 o total de mortes no DF.

Covid-19 está em 85% dos municípios – O Brasil superou ontem a marca de 1 milhão de infectados com o novo coronavírus. Passados 114 dias desde o primeiro caso, hoje praticamente toda a população brasileira está em risco de exposição ao vírus. Somente o Estado de São Paulo soma mais de 200 mil casos. A covid-19 já chegou a 85% dos municípios do País (4.742), que respondem por 98% de toda a população, de acordo com levantamento do projeto de transparência de dados Brasil.io. Desde 26 de fevereiro, o País já somou 1.038.568 contaminações (55.209 nas últimas 24 horas) e 49.090 mortes (1.221 relatadas ontem), conforme o levantamento do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL com as Secretarias Estaduais de Saúde. O consórcio surgiu quando o governo sugeriu mudara sistemática de divulgação de dados – ontem, o ministério também relatou 1 milhão de infectados. O número, porém, é inferior ao real, por subnotificação. O vírus avança pelo interior do País. Até quarta-feira, 70,51% dos municípios com até 10 mil habitantes já tinham casos de covid-19. “Nós já passamos de 1 milhão de casos, mas em algumas cidades a epidemia está chegando só agora – como no Centro-Oeste”, afirma Diego Xavier, epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz.

Queiroz, o ‘operador financeiro’ do senador – O Ministério Público do Rio (MP-RJ) apontou indícios, no pedido de prisão preventiva de Fabrício Queiroz na quinta-feira, de que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) pode ter sido o responsável por até R$ 286,6 mil pagamentos e transferências em espécie para cobrir despesas do então deputado estadual e de sua mulher, Fernanda Antunes. Os valores se referem a repasses em 2011 e, principalmente, a pagamentos de mensalidades escolares e do plano de saúde da família de Flávio, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2018. O senador nega irregularidades. A partir do cruzamento de dados bancários com imagens de câmeras de segurança de uma agência na própria Alerj, o MP apontou que Queiroz pagou as mensalidades escolares das duas filhas de Flávio e Fernanda no dia 1º de outubro de 2018, no valor total de R$ 6,9 mil. O pagamento foi feito em espécie. Ainda segundo o MP, Flávio e Fernanda não haviam feito nenhum saque nos 15 meses anteriores a este pagamento, “de forma que não haveria lastro financeiro lícito de dinheiro em espécie para efetuar a operação bancária”, segundo os investigadores. Os promotores investigam outros 114 boletos bancários das escolas das filhas e do plano de saúde da família de Flávio Bolsonaro cujos valores não foram debitados das contas do então deputado nem de sua mulher. O valor total desses boletos chega a R$ 261,6 mil. O MP suspeita que o próprio Queiroz possa ter feito parte ou todos esses pagamentos.

Deputada da rachadinha manteve servidora que acumulava três cargos – A deputada federal Iracema Portella, do PP do Piauí, manteve em seu gabinete durante oito meses uma servidora que acumulou outros dois cargos públicos, nos governos do Piauí e do Distrito Federal informa Helena Mader, na Crusoé. A prática é vedada pela Constituição e caracteriza improbidade administrativa. Neste mês, Portella foi denunciada pela PGR por participação em um suposto esquema de rachadinha. A deputada do Centrão nomeou a psicóloga Emanuela Dourado Rabelo Ferraz para o seu gabinete em outubro do ano passado. Ela ficou lotada na Câmara dos Deputados até a última sexta-feira, quando foi exonerada — ganhava R$ 5,5 mil, entre funções e auxílios.

Moraes prorroga prisão de Sara – O ministro Alexandre de Moraes, relator no STF (Supremo Tribunal Federal) do inquérito dos atos antidemocráticos, determinou nesta sexta-feira (19) a prorrogação da prisão temporária de Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, por mais cinco dias. Winter está entre os líderes do grupo de extrema direita 300 do Brasil, um dos responsáveis pelas manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas em Brasília e de ataques a integrantes do Congresso Nacional e do STF. A decisão de Alexandres de Moraes, tomada a partir de um pedido d do vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques, renova também os mandados de prisão temporária contra outros cinco integrantes grupo.

Relator propõe multa de até R$ 10 milhões a candidato que disseminar fake news – O relatório final do projeto de lei sobre fake news propõe multa de até R$ 10 milhões a candidatos que se beneficiarem com propaganda com conteúdo manipulado para atacar os adversários durante as eleições. O texto final apresentado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News, proíbe a veiculação de conteúdos e propagandas falsas durante a campanha e pune quem impulsionar conteúdos e publicidades irregulares na internet. No parecer, o relator propõe que, além da multa, o candidato que souber ou participar de distribuição de fake news também tenha o registro ou o diploma cassado, caso tenha sua participação comprovada.

PGR envia intimação para Flávio Bolsonaro depor – O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro decidiu pedir a intimação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para prestar depoimento no procedimento investigatório criminal que apura suposto vazamento na Polícia Federal de relatório do Coaf que cita seu ex-assessor Fabrício Queiroz. A investigação foi aberta após entrevista do empresário Paulo Marinho à Folha na qual relatou ter ouvido do senador que ele fora avisado em outubro de 2018 sobre as investigações da Operação Furna da Onça, deflagrada no mês seguinte, e a menção a Queiroz nos documentos. A intimação foi enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que seja dirigida ao senador, em razão do foro especial em razão do cargo. Flávio terá um mês desde o recebimento da notificação para marcar o depoimento. Serão ouvidos ainda os advogados Christiano Fragoso e Ralph Hage Vianna. O primeiro, de acordo com Marinho, participou da reunião na qual o vazamento foi relatado. O segundo foi indicado para atender Queiroz.

Pedido de cassação de Flávio Bolsonaro parado no Senado – O presidente do Conselho de Ética do Senado, Jayme Campos (DEM-MT), afirmou que o pedido de cassação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) precisa de uma “análise melhor” antes de ser aceito. O filho 01 do presidente Jair Bolsonaro acumula duas representações feitas no colegiado, ambas pedindo a cassação do mandato. A primeira, de fevereiro, feita pela Rede, foi incorporada a uma segunda, de maio, protocolada por PSOL e PT. Esta última foi feita após a Folha publicar entrevista com o suplente de Flávio, o empresário Paulo Marinho. O ex-aliado da família Bolsonaro disse que o senador foi informado com antecedência, em outubro de 2018, sobre a deflagração de uma operação da Polícia Federal na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde Flávio exerceu mandato de deputado estadual até janeiro de 2018. “Eu li, preliminarmente, a denúncia feita pelos partidos contra o Flávio Bolsonaro e considero que ela está bem apurada, mas precisa de uma avaliação melhor”, afirmou Jayme Campos à Folha nesta quinta-feira (18). “Estou aguardando o parecer [da advocacia do Senado].”

Ala militar do governo incomodada com Queiroz – Incomodada com os desdobramentos imprevisíveis da prisão de Fabrício Queiroz, a ala militar do governo Bolsonaro começou a discutir a oportunidade de montar um “ministério de notáveis”. A expressão remonta a 1992, quando Fernando Collor encarava denúncias de corrupção que levaram à abertura do processo de seu impeachment e à sua renúncia naquele ano. O então presidente, acossado politicamente, adotou uma ideia do aliado Paulo Octávio do tempo de sua campanha: colocar figuras de proa em áreas estratégicas, com suporte de partidos do que hoje seria chamado centrão. O líder do processo foi o mandachuva do PFL, Jorge Bornhausen, que assumiu a Secretaria de Governo. O grupo incluía Marcílio Marques Moreira (Fazenda) e Célio Borja (Justiça). Não deu certo, como se sabe, e mesmo Collor viria a dizer em 2005 que era um “ministério de traidores”. Agora, a situação seria diferente, disseram a interlocutores integrantes fardados do governo. A gestão Bolsonaro tem seus dois principais ministérios sociais, Saúde e Educação, ocupados por interinos, por exemplo. Logo, haveria uma janela de oportunidade para dar um “reset” no governo, na opinião dos generais palacianos.

Bolsonaro tenta construir diálogo com Fux – Após fazer crítica pública ao ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu estender a bandeira branca na tentativa de construir um canal de diálogo e evitar uma fissura permanente com o futuro presidente da corte. Desgastado após uma série de decisões judiciais que atingiram aliados, Bolsonaro também diminuiu o tom dos ataques ao STF e, por meio de emissários, enviou recado de que é hora de distender o clima tenso entre Executivo e Judiciário. Nesta sexta-feira (19), o presidente também enviou ministros do governo para se reunirem com Alexandre de Moraes, integrante do Supremo criticado por Bolsonaro pela condução do inquérito das fake news e do que investiga atos antidemocráticos. Além de operações contra apoiadores e da quebra de sigilo de deputados bolsonaristas, a prisão na quinta-feira (18) de Fabrício Queiroz, amigo de Bolsonaro e ex-assessor de seu filho Flávio, escalou as preocupações dentro do Palácio do Planalto. Segundo deputados bolsonaristas, o presidente da República não deve começar com o pé esquerdo na relação institucional com Fux, substituto do ministro Dias Toffoli, que sai da presidência do STF daqui a três meses. O movimento de aproximação de Bolsonaro com Fux tem como principais interlocutores os ministros da Defesa, Fernando Azevedo, da Justiça, André Mendonça, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

MP do Flamengo – A medida provisória de Bolsonaro que mudou regras dos diretos de transmissão foi bem recebida por integrantes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em uma primeira análise. A avaliação é que o ato dá mais poder de negociação para os clubes e menos para as emissoras de televisão, tendo impacto positivo para a concorrência. O órgão já teve investigações no passado sobre os direitos de transmissão, de eventual abuso da Globo. No entanto, as apurações não chegaram a nenhuma conclusão sobre irregularidades.

Ibama deixa de fornecer dados sobre multas – O Ibama não está mais fornecendo informações sobre autuações, multas e apreensões feitas contra desmatadores na região da Amazônia. Segundo o órgão, a responsabilidade da divulgação de qualquer dado sobre a Amazônia Legal agora cabe à vice-presidência da República, comandada por Hamilton Mourão.

Sirene – Aliados de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) dizem que está sacramentada a saída de Frederick Wassef da defesa do senador. Outros advogados que estão no caso alertaram o filho do presidente Jair Bolsonaro de que o Ministério Público pode pedir a prisão de Wassef a qualquer momento e que, por isso, é necessário o afastamento imediato. O advogado, que abrigava Fabrício Queiroz em sua casa, ainda precisa assinar documentos renunciando à defesa ou substabelecendo poderes. A advogada Luciana Pires, que já cuida atualmente da defesa do senador, é a mais cotada para assumir os processos do Rio. Aliados dizem que o assunto deve ser resolvido no fim de semana. Com o avanço das investigações, o plano de Flávio é ainda de ter um advogado renomado para ser uma espécie de coordenador jurídico e, também para atuar nas cortes em Brasília.

Time de Guedes festeja saída de Weintraub e teme estragos no BM – A saída de Abraham Weintraub do Ministério da Educação foi celebrada, nos bastidores, por membros do Ministério da Economia. A demissão é vista como uma chance de aproximação e redução de atritos entre os Poderes, especialmente em um momento em que a pasta busca articular reformas econômicas e reestruturação de programas sociais no Congresso. Por outro lado, representantes da pasta e negociadores brasileiros afirmam que a indicação do ex-ministro ao posto no Banco Mundial, em Washington, tem grande potencial de dano ao país, a depender do comportamento do ocupante da cadeira. A avaliação na área econômica é de que o ex-ministro terá de se abster do tom de confronto e das rotineiras falas polêmicas, já que, a partir de agora, suas declarações serão interpretadas internacionalmente como posições do governo brasileiro.

Carta contra Weintraub no Banco Mundial – Um grupo de organizações da sociedade civil, empresários, ex-ministros, economistas, artistas e intelectuais endereçou na tarde desta sexta-feira (19) uma carta à atual diretoria do Banco Mundial e aos embaixadores dos países que fazem parte do grupo do Brasil no organismo multilateral, recomendando voto contrário à nomeação de Abraham Weintraub ao cargo de diretor-executivo do banco. O documento foi assinado por 15 organizações da sociedade civil e personalidades como o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, o cantor Chico Buarque, o ator Paulo Betti, os economistas Laura Carvalho e Octavio de Barros, num total de 255 pessoas. A iniciativa foi capitaneada pela ONG de direitos humanos Conectas.

Estou saindo do Brasil o mais rápido possível – Demitido do Ministério da Educação após pressão do STF (Supremo Tribunal Federal), Abraham Weintraub disse nesta sexta-feira (19) que deixará o país o mais rápido possível. Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a um cargo no Banco Mundial, Weintraub pediu em uma rede social que o deixem em paz e cobrou que não o provoquem. “Aviso à tigrada e aos gatos angorás (gov bem docinho). Estou saindo do Brasil o mais rápido possível (poucos dias). Não quero brigar! Quero ficar quieto, me deixem em paz, porém, não me provoquem!”, escreveu Weintraub numa rede social. A exoneração de Abraham Weintraub ainda não foi oficializada no “Diário Oficial”. Nesta manhã, ele também foi à rede social rebater comentário do governador de São Paulo João Doria (PSDB), que disse que Weintraub foi o pior ministro da Educação, que mais se preocupou em ofender que em educar, num misto de incompetência e ideologia, no que significou anos de atraso em uma das áreas mais sensíveis do governo. “Gov Dória [sic], docinho, que delícia!Pegue as compras dos hospitais de SP e compare com os preços dos hospitais universitários do MEC. Respirador, máscara, álcool gel, pode escolher. Caso tenha um item seu mais barato, uso sapato sem meia e calça apertada sem cueca, para não marcar”, escreveu Weintraub.

Ex-ministros do Meio Ambiente pedem à PGR que investigue Salles – Nove ex-ministros do Meio Ambiente brasileiros pedem, em carta, para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) investigue o atual ministro da Pasta, Ricardo Salles, por crimes de responsabilidade. Os ex-ministros formalizaram o pedido por meio do Fórum de Ex-Ministros do Meio Ambiente do Brasil em Defesa da Democracia & Sustentabilidade. “Responsáveis durante décadas pela política ambiental desde a redemocratização do país, criamos este Fórum para demonstrar que a polarização e radicalização promovidas pelo governo podem e devem ser respondidas com a união e colaboração entre pessoas de partidos e orientações diferentes fiéis aos valores e princípios da Constituição”, diz a carta. Assinam o documento os ex-ministros Carlos Minc, Edson Duarte, Gustavo Krause, José Carlos Carvalho, Izabella Teixeira, Marina Silva, Rubens Ricupero, Sarney Filho e José Goldemberg.

Apoiado pelos filhos – Em sua quinta escolha para a Cultura, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou nesta sexta-feira (19) a escolha do ator Mário Frias, ex-galã de “Malhação”, numa nova tentativa de acertar o comando da Secretaria Especial da Cultura. A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O secretário-adjunto de Frias é Pedro José Vilar Godoy Horta. Desde que Bolsonaro chegou ao governo, em janeiro de 2019, a área cultural passa por uma sequência de turbulências e já teve demissões com acusação de censura, paródias ao nazismo e mais recentemente, um “chilique ao vivo” da atriz Regina Duarte durante entrevista a uma emissora de TV. Bolsonaro vinha se queixando que a ex-atriz global não estava atendendo às suas expectativas de manter a militância aguerrida na “guerra cultural”. Frias, escolhido com apoio dos filhos do presidente, deu sinais de que vai topar a missão de discurso ideológico. Ele, porém, não deve ter muita liberdade para comandar a pasta, como sua antecessora. A novidade agora, dizem pessoas ligadas à pasta, é que Frias terá uma gestão tutelada pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Foi ela a responsável por levar o nome do ex-galã de Malhação para o Planalto.

Verbas para ações contra a Covid-19 paradas – O Ministério da Saúde segue com dificuldade de desembolsar recursos para o combate à Covid-19. De um total de R$ 39 bilhões reservados para ações na epidemia, 66% seguem parados, sem previsão de quando poderão ser desembolsados. Do total, R$ 11,4 bi deveriam ser destinados para ações diretas do ministério, como aquisição de respiradores, máscaras e outros itens essenciais. Mas 75% dos recursos estão no cofre e sequer se transformaram em pedidos de compra. O dinheiro já empenhado em contratos e pago chega a apenas R$ 1,3 bilhão, ou cerca de 11% do total. A situação melhora na parte reservada para transferência a estados. Ainda assim, 59% dos R$ 10 bilhões destinados às unidades da federação seguem parados. Dos R$ 16,9 bilhões destinados aos municípios para o combate à Covid-19, 66% estão parados. Os dados são do mais recente boletim da comissão financeira que acompanha a execução do orçamento para o CNS (Conselho Nacional de Saúde). “Num período em que a doença avança, seria necessário gastar mais. Uma grande quantidade de recursos, porém, segue parada. Falta planejamento”, diz o economista Francisco Funcia, da comissão de finanças do CNS.

Plano de fuga com ajuda de miliciano – O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ressaltou, no pedido de prisão do policial militar aposentado Fabrício Queiroz e da esposa dele, Márcia de Oliveira Aguiar, que mensagens no celular da mulher mostravam haver “um plano de fuga organizado para toda a família do operador financeiro que contaria com a atuação do então foragido Adriano Magalhães da Costa Nóbrega”. O pedido foi obtido pelo jornal O Globo. Adriano da Nóbrega era um ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio, apontado como líder de um grupo miliciano. Ele foi morto, em fevereiro deste ano, numa ação registrada como confronto contra a polícia, na Bahia, onde estava escondido. Na decisão, o juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, cita trechos da investigação do MP. Segundo documento, mensagens no celular de Márcia, que foi obtido em diligência anterior, mostraram que ela foi a Minas Gerais se encontrar com Raimunda Magalhães Vera, mãe de Adriano. O encontro, em dezembro do ano passado, teve a presença de Luís Gustavo Botto Maia, apontado como advogado do senador Flávio Bolsonaro. Márcia, inclusive, enviou a Queiroz uma foto dos três juntos tomando cerveja.

Alívio no crédito consignado – O Senado aprovou a suspensão de pagamento, por 120 dias, de empréstimos consignados durante pandemia provocada pelo novo coronavírus. A medida é de interesse de servidores públicos, trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas. As prestações serão adiadas para data posterior à última parcela prevista do financiamento. Sobre os valores rescalonados, não poderão ser cobrados multa ou juros. O Projeto de Lei nº 1.328/20 também proíbe a inscrição em cadastros de inadimplentes ou a busca e apreensão de veículos financiados por causa da suspensão das parcelas. Resolvida essa primeira etapa, servidores estão em busca da confirmação do projeto pela Câmara dos Deputados. O Sindicato dos Trabalhadores no Combate às Endemias e Saúde Preventiva (SintsaúdeRJ) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS) começaram as articulações com as lideranças dos partidos políticos em favor da aprovação da matéria, tendo em vista que, durante o debate da Medida Provisória 936 (que permite a suspensão de contratos e redução de jornadas de trabalho), texto semelhante foi chancelado pelos parlamentares da Casa. Sandro Alex de Oliveira Cezar, presidente do SintsaúdeRJ e da CNTSS, explicou que, durante a votação da MP, foi apresentada uma emenda de redação que permitia a suspensão do pagamento dos consignados durante a pandemia. “A emenda foi aprovada na Câmara. Entretanto, foi rejeitada no Senado, por não guardar pertinência temática com o texto original da MP. Agora, o Senado aprovou um projeto específico propondo a suspensão da cobrança. Por isso, a Câmara será a casa revisora, e é importante que mantenha a regra”, disse Cezar.

Justiça nega pedido de prisão domiciliar para Queiroz – A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido para substituir a prisão preventiva de Fabricio Queiroz por prisão domiciliar, segundo informou na madrugada deste sábado, 20, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). O pedido havia sido apresentado na sexta-feira (19) pelo advogado Paulo Emílio Catta Preta, defensor de Queiroz, ex-assessor parlamentar do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) preso desde quinta-feira, 18, no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu (zona oeste do Rio). O advogado alegou que Queiroz se recupera de um câncer e, devido ao seu estado de saúde, deveria cumprir prisão domiciliar. O pedido foi distribuído à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e coube à desembargadora Suimei Meira Cavalieri julgá-lo. Ela negou o pedido, segundo informou às 2h deste sábado a assessoria de imprensa do TJ-RJ, em nota. “A íntegra da decisão que negou a concessão de liminar pedida pela defesa de Queiroz não está disponível em razão da decretação do segredo de justiça”, afirma mensagem da assessoria, que também discorre sobre o julgamento do mérito do pedido: “O mérito do habeas corpus será julgado futuramente pelo colegiado da 3ª Câmara Criminal, após o cumprimento de diligências e a manifestação das outras partes envolvidas no processo”.

Moraes mantém delegada – A delegada da Polícia Federal Denisse Dias Rosas Ribeiro, que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão ou o adiamento de uma operação contra aliados do presidente Jair Bolsonaro, seguirá no comando da investigação sobre a organização de atos antidemocráticos. O Estadão apurou que um pedido de afastamento da delegada, feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), não será aceito pelo ministro relator, Alexandre de Moraes. A controvérsia começou quando Denisse Ribeiro enviou a Moraes, no último dia 4, um ofício no qual pedia mais tempo para se manifestar sobre quais diligências deveriam ser feitas no caso. A delegada alegou, na ocasião, que o cumprimento das ordens representaria “risco desnecessário para as vítimas em potencial e para a própria estabilidade das instituições”. Moraes não aceitou, mas a delegada da PF ganhou mais dez dias para realizar a operação. A manifestação da PF causou estranheza na Procuradoria-Geral da República e foi vista como o motivo do atraso na realização da operação, que, apesar de autorizada em 27 de maio, só foi realizada na terça-feira, 16.

Para bolsonaristas, Weintraub tem de ‘fugir’ do País – Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro indicam nas redes sociais que a nomeação de Abraham Weintraub para o Banco Mundial não se trata de um prêmio de consolação, mas de uma estratégia do presidente para tirar o ex-ministro do País e evitar sua prisão pelo Supremo Tribunal Federal. Weintraub é investigado no inquérito das fake news, que tramita na Corte e já determinou a ações de vários alvos. Procurado para comentar qual o objetivo do presidente com a indicação de Weintraub, o Palácio do Planalto ainda não respondeu até a publicação deste texto. Nas suas redes sociais, o ex-ministro informou nesta sexta-feira, 18, que precisa sair do País “o quanto antes”. Em entrevista à CNN Brasil, revelou o motivo. “A prioridade total é que eu saia do Brasil o quanto antes. Agora é evitar que me prendam, cadeião, e me matem”, disse ele. O youtuber Bernardo Küster, um dos alvos do inquérito das fake news, foi o mais explícito, em um vídeo, afirmou que Weintraub vai exercer um cargo no exterior para “fugir” de ser preso pelo Supremo. O empresário Leandro Ruschel, que também integra a rede bolsonarista, é outro que relacionou a saída do ex-ministro do País ao processo no Supremo. “Vivemos em pleno regime de exceção. Quando um ministro precisa se exilar por algo que ele falou, imagine o que resta ao cidadão comum”, disse a seus 410 mil seguidores no Twitter. “Agora o Brasil tem um ministro do governo que precisa buscar exílio para não ser preso por falar o que pensa”, afirmou o deputado Luis Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), um dos mais próximos do presidente. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) protocolou hoje no Supremo um pedido para que o passaporte do ex-ministro seja apreendido para evitar que ele saia do país enquanto é investigado.

Weintraub produz mais uma cortina de fumaça – Mesmo fora da Esplanada, Abraham Weintraub continua prestando serviços a Jair Bolsonaro: no dia em que o Brasil bateu 1 milhão de casos confirmados/oficiais de covid-19, o ex-ministro da Educação agitou as redes sociais e mobilizou atenções com o lançamento de uma “candidatura” ao governo de São Paulo. Rapidamente, a isca foi mordida pelos adversários do presidente e o balão de ensaio provocativo virou um palanque digital para Weintraub ajudar Bolsonaro a tentar se esquivar, por mais um dia, dessa nova triste marca do País na crise. Na quinta-feira passada, a demissão de Weintraub por Bolsonaro não foi suficiente para virar o jogo midiático diante da relevância da prisão de Fabrício Queiroz. Passado o susto, no entanto, a tag #weintraubgovernador se manteve em alta o dia todo no Twitter. Para quem ainda tem dificuldade de entender o bolsonarismo e a importância de sua guerrilha cultural, o episódio é ilustrativo. Na explicação de um especialista em mídias eletrônicas, a “candidatura” de Weintraub tem nariz de fake news, boca de fake news, corpo de fake news, mas não pode ser chamada de fake news. Weintraub pode até vir a disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2022, claro. Levar a sério a candidatura neste momento, porém, é desviar o foco. Ah, as críticas à (fraca) gestão dele na Educação também ficaram em segundo plano.

Ex-assessor não era paciente, dizem hospitais de Atibaia – O Hospital Novo Atibaia afirmou, em nota, que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), não realizava tratamento contínuo no hospital. A informação foi primeiramente publicada pelo portal G1 e confirmada pelo Estadão. Entretanto, segundo a nota, Queiroz esteve no hospital para consultas em janeiro e abril deste ano, bem como para exames laboratoriais em maio. Outro hospital de Atibaia, o Albert Sabin, declarou que Fabrício Queiroz não é um paciente do hospital. Pessoas que tiveram contato com Queiroz disseram que ele fez duas cirurgias na Santa Casa de Bragança Paulista, porém, o hospital não quis dizer se Queiroz realizava tratamento de câncer nele. Em 2019, a revista Veja revelou que Queiroz tratava do seu câncer no intestino no hospital Albert Einstein. Segundo a publicação, à época, o ex-assessor morava no bairro do Morumbi, em São Paulo. Em uma transmissão nas redes sociais realizada na quinta-feira, 18, o presidente Jair Bolsonaro disse que Fabrício Queiroz estava na região de Atibaia por causa da proximidade com o hospital em que fazia tratamento de câncer: “E por que estava naquela região de São Paulo? Porque é perto do hospital onde faz tratamento de câncer. Então esse é o quadro. Da minha parte, está encerrado aí o caso Queiroz.”, disse Bolsonaro.

TJ mantém censura prévia a reportagem da RBS TV – A segunda instância da Justiça do Rio Grande do Sul manteve nesta sexta-feira, 19, a proibição à veiculação de uma reportagem da RBS TV, afiliada da TV Globo no Estado. A matéria jornalística investiga eventual recebimento indevido do auxílio emergencial do governo federal por algumas pessoas no Rio Grande do Sul. A RBS TV informou que avalia quais medidas deve tomar agora. Entidades que representam a imprensa repudiaram a tentativa de censura prévia. A proibição foi determinada em 15 de junho, quando o juiz Daniel da Silva Luz, da comarca de Espumoso (RS), concedeu liminar para impedir a veiculação da reportagem. Ao atender ao pedido de uma mulher, que seria citada na matéria, ele impediu a televisão de “publicar”, “vincular” ou trazer à tona reportagens que envolvam a autora da ação. Nesta sexta-feira, 19, desembargadora Maria Isabel de Azevedo Souza, da 19.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, indeferiu efeito suspensivo pedido pela rede de TV e manteve a liminar do juiz de Espumoso. Ainda falta o julgamento do mérito do recurso pelo órgão colegiado do TJ.

Aumento da covid-19 no DF preocupa Senado – Com poucas UTIs disponíveis no Distrito Federal em hospitais frequentados por senadores e o aumento de casos da covid-19, a cúpula do Congresso começa a cogitar a hipótese de só retomar as sessões presidenciais em agosto. A data inicial era 15 de julho, porém, com o crescimento no número de casos da doença, a administração da Casa está com receio de retornar com os trabalhos no plenário e nas comissões. O problema é, de repente, um senador correr o risco de precisar de UTI e não encontrar um leito disponível. Na seara política, quem conversou com o governador Ibaneis Rocha, sempre atento aos números, disse que ele também está preocupado e não descarta voltar com medidas de maior restrição de circulação.

Receita vai investigar dados de parlamentares suspeitos – Além de determinar a quebra do sigilo bancário de 11 parlamentares bolsonaristas, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou que a Receita Federal analise a movimentação bancária e os dados financeiros desses alvos e produza relatórios para auxiliar na investigação que apura a organização de atos antidemocráticos. A medida significa que mais um órgão irá auxiliar a investigação, que atinge aliados próximos do presidente Jair Bolsonaro. O pedido de compartilhamento dos dados com a Receita foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em conjunto com a solicitação das quebras de sigilo. A autorização foi dada por Moraes em decisão do dia 27 de maio, que também determinou a busca e apreensão contra bolsonaristas. A Polícia Federal deflagrou a operação na última terça-feira. Moraes determinou que os dados bancários dos alvos da investigação sejam compartilhados com a Receita Federal para a produção de relatórios de inteligência a partir da comparação com os rendimentos declarados oficialmente por eles e análise de dados econômicos, financeiros e fiscais. Com isso, a Receita Federal poderá analisar transações financeiras suspeitas e a evolução patrimonial dos bolsonaristas sob investigação no caso. De antemão, Moraes autorizou a Receita Federal a abrir novas investigações sobre o patrimônio dos investigados caso sejam encontrados indícios de irregularidades envolvendo outros temas. A autorização amplia o escopo da investigação contra o núcleo bolsonarista e pode trazer novas complicações jurídicas para eles. A parceria do Ministério Público e da Polícia Federal com a Receita Federal é comum em diversas investigações. Na Lava-Jato, por exemplo, a Receita foi um parceiro importante para o avanço das investigações.

error: