Resumo dos jornais e revistas de sábado (17/10/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (17/10/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes e capas

FOLHA DE S.PAULO: Congressistas defendem auxílio por mais 3 meses

CORREIO BRAZILIENSE: Dinheiro na cueca provoca tensão entre Senado e STF

O ESTADO DE S.PAULO: Decisão de Fux mira manobra para escolher relator no STF

O GLOBO: Narcomilícia expande domínio e polícia do Rio vê elo com política

VEJA: Universidade do crime

A reportagem de capa traz a sequência de erros que permitiu a libertação de bandidos como André do Rap. Agora, novamente, foragido, o traficante é o exemplo das trapalhadas jurídicas do país. Aconteceu quase de tudo na lamentável comédia de erros que culminou na saída pela porta da frente da cadeia de um dos chefões do Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção criminosa mais poderosa do país.

ISTOÉ: A Justiça no banco dos réus

Ministro do STF coloca nas ruas um comandante do PCC, contrariando o bom senso e chocando o País. Não foi a única falha. Essa nova vitória da criminalidade resultou de uma cadeia de erros no Executivo, no Legislativo e na PGR. Novo presidente da corte, Luiz Fux tem a oportunidade de enfrentar os problemas do sistema judiciário, a começar do excesso de decisões monocráticas.

ÉPOCA: Um sonho possível

Em março, o desânimo tomou conta do mercado imobiliário. Manifestantes favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro faziam ataques ao Judiciário e ao Legislativo. Alguns falavam em golpe. O país, assustado, vivia os primeiros tempos de quarentena para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. O futuro parecia muito mais incerto do que de costume. Nesse clima, as buscas por imóveis cessaram e os estandes dos lançamentos fecharam. Pior: quem tentava olhar para a frente só via um cenário de terra arrasada. Nas contas da Fundação Getulio Vargas, a construção civil poderia encolher 11% até dezembro, uma péssima previsão para um setor que tinha tirado a cabeça da água em 2019 com um crescimento tímido de 1,6% após cinco anos de retração. Quatro meses depois começaram a surgir sinais positivos. Em julho, houve um aumento de 58% nas vendas de novas unidades por todo o país na comparação com o mesmo mês de 2019, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que reúne as principais incorporadoras do país. Em agosto, mais boas notícias. O acumulado das vendas dos oito primeiros meses de 2020 teve um crescimento de quase 17% em relação ao mesmo período do ano passado. De uma hora para outra, famílias de todas as regiões do país começaram a se perguntar, por diferentes razões, se 2020, este ano totalmente fora do normal, não seria o momento certo para comprar um imóvel. Para muita gente, o confinamento tem sido um fator decisivo.

CartaCapital: Fome

O Brasil parecia ter superado esse drama. Mas a longa crise e a pandemia produziram milhões de novos famintos. O aumento da insegurança alimentar no Brasil, traz o risco de o país voltar ao Mapa da Fome.

Crusoé: ‘Aqui não tem corrupção’

O flagrante no vice-líder do governo no Senado com dinheiro nas nádegas revelado por Crusoé, desafia o discurso de Bolsonaro e expõe os subterrâneos da aliança com o Centrão.

Destaques do dia

Treta no Congresso – Com a dificuldade do governo em cortar recursos para acomodar o Renda Cidadã no Orçamento, congressistas têm defendido a extensão por mais três meses do decreto de calamidade pública. O prazo vence em 31 de dezembro. A prorrogação serviria para alongar o auxílio emergencial de R$ 300, além de dar mais tempo para a criação do Renda Cidadã —possível substituto do Bolsa Família. O ministro Paulo Guedes (Economia) disse ser contrário à proposta. Entre os congressistas, no entanto, o plano se fortaleceu neste mês, mesmo com a resistência do governo. No início da pandemia, Guedes defendia um auxílio de R$ 200, mas o Congresso aprovou cinco parcelas de R$ 600. O vice-líder do PSD no Senado, Vanderlan Cardoso (GO), que também integra a base aliada e a comissão da reforma tributária, corrobora com a ideia da prorrogação. Ele, contudo, destaca que ainda há resistência do governo. “Essa pandemia até o fim do ano não vai diminuir assim, e o decreto é o caminho”, disse o senador. Ontem, o ministro defendeu a ideia de deixar uma brecha para acionar uma espécie de novo Orçamento de guerra apenas se houver novas ondas de coronavírus. “Se a Covid voltar em 2021, é diferente. Mas é totalmente indesculpável usar uma doença para pedir estímulo artificial.” Na Câmara, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já disse ser contra a prorrogação. No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não se manifestou.

Grana no cofrinho – A determinação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, para que o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) seja afastado do mandato por 90 dias, abriu uma crise com o Legislativo. Parlamentares inconformados com a decisão monocrática reagiram com duras críticas e até ameaças de retaliação, ao citarem artigo da Constituição que atribui ao Senado a competência para julgar integrantes da Corte. Também houve apoio à deliberação do magistrado. Flagrado pela Polícia Federal com R$ 33 mil escondidos na cueca, em operação que investiga o desvio de dinheiro destinado a combater a covid-19 em Roraima, Rodrigues viu-se obrigado a deixar o cargo de vice-líder do governo na Casa e agora corre o risco de perder o mandato. O presidente do STF, Luiz Fux, vai levar o caso para apreciação do plenário do tribunal na quarta-feira.

Fux age – A libertação do traficante André do Rap pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não serviu apenas para expor a falta de entendimento dos ministros sobre a manutenção da prisão preventiva de criminosos já condenados. O caso jogou luz em outra prática que vinha sendo adotada por advogados de defesa de alguns condenados: a apresentação de diversos habeas corpus, até conseguir que a ação caísse nas mãos do ministro que mais lhes agradasse. A manobra já era de conhecimento dos ministros, mas somente agora foi questionada publicamente. No fim da sessão de quinta-feira, 15, que definiu, por nove votos a um, que a prisão do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) deveria ser mantida, o presidente da Corte, Luiz Fux, publicou uma resolução sobre o assunto, com o objetivo de evitar tentativas de transformar o processo de escolha em uma “ciranda” de relatores do STF.

Senador da cueca é aconselhado a pedir licença – O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado pela Polícia Federal com dinheiro entre as nádegas, foi aconselhado por aliados de Davi Alcolumbre (DEM-AP) a se licenciar do cargo. A medida evitaria um desgaste ainda maior do Parlamento com o episódio. Caso o senador opte por este caminho, quem assume é seu filho, Pedro Arthur Ferreira Rodrigues, que é seu suplente. A cúpula do centrão vai além, avalia que Chico está “morto politicamente” com o episódio e que o único caminho é a sua renúncia. Além do constrangimento com o flagrante, parlamentares adotaram o espírito de corpo para se defender e evitar que o caso respingue neles, além de não criar precedentes para que outros investigados possam ter mandatos cassados pela Justiça no futuro.

Senadores pressionam Alcolumbre – Senadores têm articulado um movimento para analisar no conselho de ética o caso de Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro escondido na cueca. A intenção é retardar a votação em plenário do afastamento por 90 dias do colega. Os congressistas falam em mandar um recado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para limitar a ação do Judiciário sobre o Congresso. Na quinta-feira (15), o ministro Luís Roberto Barroso determinou o afastamento de Rodrigues. O silêncio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em relação ao caso tem irritado senadores, que dizem esperar uma resposta ao que consideram uma interferência da corte no Senado e sobre levar o caso ao colegiado. Cabe à Casa a palavra final sobre manter ou não o congressista no cargo. Enquanto isso, Rodrigues segue com mandato. Nesta sexta-feira (16), Barroso enviou sua decisão para análise do plenário do Supremo. Ao falar do caso, ele disse que o afastamento era “a solução natural e óbvia”. Luiz Fux, presidente do STF, marcou o julgamento para quarta-feira (21).

Carimbadora de nomes em sabatinas – Integrantes da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado têm questionado o poder de arguição do colegiado mais importante da Casa. O hábito de carimbar nomes de indicados pelo presidente da República, em especial para vagas de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), causa desconforto. Única comissão com poder de questionar o indicado antes de o nome ser levado à votação em plenário, a sabatina da CCJ não tem representado receio de negativa aos escolhidos. “A gente percebe que se perdeu uma condução de institucionalidade na CCJ, a gente perdeu o ato concreto [da sabatina]. Sabatina não é uma coisa que se resolve tomando tubaína e comendo churrasco”, disse o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Na próxima quarta-feira (21), Vieira será um dos 27 membros titulares do colegiado que terá a missão de sabatinar o juiz federal Kassio Nunes, 48, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria de Celso de Mello.

Gilmar cita ‘telhado de vidro’ e chama de ‘demagogia’ movimento de Fux – Após o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, prometer uma atuação contra as decisões individuais na corte, Gilmar Mendes reagiu e cobrou coerência do colega. “Respeitem um pouco a inteligência alheia, não façam muita demagogia e olhem para os próprios telhados de vidro”, disse o ministro. Os dois participaram nesta sexta-feira (16) de um evento virtual realizado pelo site Conjur. Fux afirmou que irá “democratizar o STF”, que só terá decisões colegiadas, mas Gilmar respondeu o colega. Ambos pertencem a alas opostas do tribunal, principalmente em julgamentos criminais. Enquanto Gilmar integra o grupo que impõe derrotas à Lava Jato por considerar que muitas investigações não respeitam garantias dos réus, Fux atua para manter viva a operação. O presidente do Supremo fez a abertura do evento e, logo depois, Gilmar usou a palavra. Ele recordou decisões monocráticas de Fux e do ministro Luís Roberto Barroso, que também defende a ideia de mudar o regimento interno para obrigar que despachos individuais sejam remetidos ao plenário automaticamente. “Eu vejo agora muita gente entusiasmada: ‘vamos proibir a liminar, não se pode’. A liminar mais longa que eu conheço na história do Supremo Tribunal Federal, ao menos que tenho lembrança, é aquela do auxílio-moradia, por que não vem no plenário de imediato?”, questionou Gilmar. Ele fez referência ao despacho individual de Fux em 2014 que estendeu a todos os juízes do Brasil o auxílio-moradia. A medida valeu por mais de quatro anos até perder os efeitos no fim de 2018.

Se demitiu do Facebook por conta de Bolsonaro – A edição desta semana da revista The New Yorker (imagem abaixo) relata como um especialista em segurança digital do Facebook, em Menlo Park, na Califórnia, se revoltou contra a empresa, por manter no ar um discurso de Jair Bolsonaro que desumanizava indígenas, e acabou se demitindo. “Bolsonaro, o autocrático político brasileiro, no início deste ano, disse: ‘O índio mudou. Ele está evoluindo e se tornando, cada vez mais, um ser humano como nós’. O racismo de Bolsonaro não foi exatamente surpresa, mas seus comentários causaram alvoroço mesmo assim. O Facebook não removeu o vídeo, embora suas diretrizes proíbam qualquer insinuação de ‘subumanidade’.” “David Thiel ficou chocado ao descobrir que o discurso ainda estava ativo [no Facebook]. Escreveu no Workplace [versão da plataforma só para funcionários]: ‘Presumo que iremos remover?’. Sua pergunta foi encaminhada a especialistas, incluindo um em Brasília, que decidiram que o vídeo não violou as diretrizes.” Thiel não se satisfez, segundo a revista, em parte porque o brasileiro, “que trabalhou para pelo menos um político pró-Bolsonaro, não lhe pareceu fonte objetiva”. Recorreu então, sem sucesso, e se demitiu no mês seguinte, março. Thiel, para a New Yorker: “O Facebook está cada vez mais se alinhando aos ricos e poderosos, permitindo que joguem de acordo com regras diferentes. A virada para a direita tem sido decepcionante e não é algo com que me sinta mais confortável.” Procurado para comentar, o Facebook Brasil respondeu: “Proibimos discurso de ódio e aplicamos nossas regras de conteúdo globalmente, independentemente da posição ou afiliação política de quem publicou. Sabemos que temos mais a fazer, mas estamos progredindo na forma como aplicamos nossas regras, e auditamos nossos processos com frequência para garantir precisão e imparcialidade.” E lembrou ações recentes da plataforma no país, como a remoção de contas falsas ligadas à família Bolsonaro e ao gabinete da Presidência e de post do próprio presidente.

Desemprego cresce no Norte e Nordeste – O número de brasileiros sem trabalho em busca de uma vaga aumentou em 700 mil entre a terceira e quarta semanas de setembro, totalizando 14 milhões de desempregados no país. Esse aumento coincide com o período em que teve início a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 e foi puxada pelas regiões Norte e Nordeste, justamente onde há um maior número de beneficiários do auxílio. Os dados são da Pnad Covid e foram divulgados nesta sexta-feira (16). Somadas, houve um aumento de 12,3% no contingente de desempregados nessas regiões Norte e Nordeste —quase sete vezes o observado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No conjunto, essas três regiões registraram um aumento de 1,8% na taxa de desemprego.

‘Enquanto não vierem com solução melhor, prefiro esse imposto de merda’ – O ministro Paulo Guedes (Economia) confirmou nesta sexta-feira (16) que não abandonou a ideia de criar um imposto sobre transações. Ele disse que, enquanto não houver solução para desonerar a folha, prefere “esse imposto de merda”. “Temos que desonerar o custo do trabalho. Enquanto as pessoas não vierem com uma solução melhor, eu prefiro esse imposto de merda”, afirmou em evento virtual promovido pela XP. Segundo ele, só está sendo planejado esse imposto para substituir aqueles aplicados sobre os salários que as empresas pagam a empregados. “Você acha que sou um homem de desistir fácil das coisas? De forma alguma”, disse. “Por que você acha que estamos pensando nessa coisa de merda? Você acha que liberais gostam de criar impostos? De maneira alguma. Só tem uma maneira razoável de pensar, é porque existe um pior funcionando hoje”, afirmou.

Guedes diz ser melhor manter o Bolsa Família do que fazer ‘uma loucura insustentável’ – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira que o governo vai honrar o compromisso de limitar os gastos públicos ao teto, mesmo que seja necessário abandonar o novo programa social, que vem sendo chamado de Renda Cidadã. Ao participar de transmissão ao vivo para o mercado financeiro, o ministro também afirmou ser melhor manter o Bolsa Família como está, do que realizar algum movimento que não tenha sustentabilidade fiscal. Segundo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro concorda com essa decisão. — Se você não consegue espaço fiscal para um programa melhor, nós voltamos para o Bolsa Família. É melhor nós voltarmos para o Bolsa Família do que tentarmos fazer uma loucura, uma coisa insustentável fiscalmente — disse Guedes. O governo desenha um programa social para substituir o Bolsa Família, com mais beneficiários e com um valor maior. O programa também seria usado para atender a famílias que hoje recebem o auxílio emergencial, concedido por conta da pandemia de covid-19 até dezembro, mas que não são atendidas por nenhum outro benefício do governo.

Robinho se diz perseguido pela Globo como Bolsonaro – Em áudios enviados pelo aplicativo WhatsApp a amigos, o jogador Robinho, 36, se diz perseguido pela Rede Globo e se compara ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que, segundo ele, teria sido atacado pela emissora durante as eleições presidenciais de 2018. A autenticidade dos áudios foi confirmada pela advogada do jogador, Marisa Alija. Após intensa pressão de patrocinadores e torcedores, o Santos anunciou que o acordo que havia fechado com Robinho foi suspenso em comum acordo nesta sexta-feira (16). Reportagem do site globoesporte.com (GE), do grupo Globo, revelou interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça italiana tidas como fundamentais para a condenação em primeira instância de Robinho por violência sexual de grupo. Em novembro de 2017, o Tribunal de Milão julgou como procedente a acusação do Ministério Público italiano de que Robinho participou, com outros cinco homens, de violência sexual coletiva contra uma albanesa de 23 anos em uma discoteca de Milão. O episódio ocorreu em janeiro de 2013, quando ele tinha 28 anos e jogava no Milan.

Casa de “R$ 150 mil” no Lago Sul – Alvo da Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) declarou o valor de apenas R$ 150 mil para uma casa localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília e que alguns dos terrenos mais caros da capital. A informação foi repassada por Chico Rodrigues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante as eleições de 2018. O imóvel está localizado na QL 25 do Lago Sul. O valor declarado é bem inferior ao comumente negociado no mercado imobiliário. O valor médio de uma casa com três dormitórios na localidade é de R$ 1,99 milhão, de acordo com o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis. A residência foi vendida pelo parlamentar no ano passado. No entanto, mesmo tendo outros endereços em seu nome, em Brasília, ele ocupa imóvel funcional no DF. Na mesma declaração, foram relacionados dois escritórios no Setor Hoteleiro Norte, sendo o primeiro no valor de R$ 18.165 e o segundo, de R$ 34.270.

Filho é suplente do senador – Afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do cargo de senador, Chico Rodrigues (DEM/RR) tem o filho, Pedro Arthur Rodrigues, como suplente. Filiado ao mesmo partido do pai, o administrador, de 41 anos, não conta com uma carreira política de longa data, tendo solicitado o registro da candidatura a suplente em 2018. Ele não chegou a concorrer a nenhuma eleição anterior. Ainda que o vínculo carregue um tom de nepotismo, a medida não é considerada ilegal. Na ação de busca e apreensão da qual Chico Rodrigues foi alvo — no âmbito da Operação Desvid19, que apura desvios na casa de R$ 20 milhões em emendas parlamentares —, agentes da Polícia Federal chegaram a fazer revista, também, na casa de Pedro Arthur, mas nenhum indício de irregularidade foi encontrado. Para que Pedro Arthur assuma a vaga, no entanto, será necessário que Chico Rodrigues seja afastado por mais de 120 dias, de acordo com as regras do regimento interno do Senado. Por enquanto, a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) é de afastamento do parlamentar por 90 dias e, portanto, durante esse período, a cadeira ficará vaga, até que haja uma nova decisão.

PF faz outra operação em Roraima – A Polícia Federal deflagrou, ontem, a segunda fase da Operação Godfather, que apura supostas fraudes de mais de R$ 14 milhões em contratos da Secretaria de Saúde de Roraima entre agosto de 2017 e abril de 2019. Entre os alvos da ofensiva está o ex-deputado Abel Mesquita Jr., presidente do DEM no estado — mesmo partido do senador Chico Rodrigues, flagrado pela PF com dinheiro na cueca. Abel Jr. é suspeito de “exercer ingerências” na Secretaria de Saúde, “condicionando pagamentos que deveriam ser feitos pelo órgão à empresa do esquema ao recebimento de propinas”. Agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Boa Vista. As ordens foram expedidas pela 4ª Vara Federal de Roraima. Segundo a PF, um procurador do estado, que receberia valores do esquema, também é alvo das medidas.

Doria dá alfinetada em Marco Aurélio – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou o habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a libertação do traficante André de Oliveira, o André do Rap. A decisão do magistrado foi suspensa pelo presidente da Corte, Luiz Fux, mas o criminoso, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), já tinha deixado a cadeia e está foragido. O tucano reclamou da necessidade de novas investigações para a captura do bandido e dos custos milionários que serão empregados nessa tarefa. “Me dá vontade de mandar a conta para o ministro”, disparou Doria, em relação a Marco Aurélio. Segundo o governador, as estimativas são de gastos milionários a cada 120 dias de investigações. Os valores bancam operação, pessoal e equipamentos. “A despesa para recuperar o fugitivo André do Rap representa para os cofres públicos de São Paulo R$ 2 milhões”, enfatizou.

Irados com o STF, senadores partem para ameaças – Em conversas reservadas, alguns senadores citavam, ontem, o artigo 52, inciso II da Constituição, em que está escrito que compete ao Senado julgar ministros do Supremo Tribunal Federal. As citações deixaram outros parlamentares muito preocupados com a perspectiva de um grupo pressionar a votação de pedidos de impeachment de magistrados da Suprema Corte. Daí o silêncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai aguardar a volta dos senadores para Brasília, na semana que vem, a fim de traçar a estratégia em conversas presenciais. Davi está entre a ira dos que desejam partir para cima dos ministros do STF e aqueles que não veem a hora de afastar Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro na cueca, caso que fez do Brasil e do Senado motivo de chacota internacional. No fim do dia, a decisão do presidente Luiz Fux de colocar o afastamento de Chico Rodrigues na pauta do plenário do STF, na próxima semana, exaltou mais os ânimos da ala que deseja reagir ao STF. Ou a turma do deixa disso entra em campo, ou o risco de crise institucional estará posto.

Pressão política contra a privatização da CEB – Cresce a pressão para o governador Ibaneis Rocha ampliar o debate sobre a privatização da CEB. Seis integrantes da bancada do DF no Congresso enviaram uma carta ao chefe do Executivo local com pedido de adiamento da decisão. “Acreditamos que um amplo debate com o Ministério Público, o Tribunal de Contas do DF, a Câmara Legislativa e com a sociedade civil deve anteceder qualquer providência de alienação de um patrimônio construído em 60 anos, por diferentes governos, que souberam preservá-lo”, reforçam os senadores Leila Barros (PSB-DF), Izalci Lucas (PSDB-DF), José Antônio Reguffe (Podemos-DF) e os deputados federais Professor Israel Batista (PV-DF), Érika Kokay (PT-DF) e Paula Belmonte (Cidadania-DF). No ofício, eles dizem que não se trata de uma questão ideológica e sim de uma escolha que envolveria outros caminhos, como a privatização das geradoras de energia e do patrimônio da empresa.

Heleno admite que Abin monitorou ‘maus brasileiros’ – O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, admitiu nesta sexta-feira, dia 16, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitorou participantes da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP 25), realizada em Madri, em dezembro passado. Em sua conta no Twitter, ele escreveu que o órgão deve acompanhar campanhas internacionais apoiadas por “maus brasileiros”, que o governo Jair Bolsonaro entende como prejudiciais ao Brasil. Ele afirmou que a Abin tem competência legal para atuar na COP e continuará a agir em “eventos no Brasil e no exterior”. “Temas estratégicos devem ser acompanhados por servidores qualificados, sobretudo quando envolvem campanhas internacionais sórdidas e mentirosas, apoiadas por maus brasileiros, com objetivo de prejudicar o Brasil”, escreveu o ministro. “A Abin é instituição de Estado e continuará cumprindo seu dever em eventos, no Brasil e no exterior.”

Doria, Randolfe e a ‘vaquinha’ pela vacina – O governador João Doria (PSDB) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) articulam uma espécie de “vaquinha” entre entes da Federação para garantir a aquisição em massa da vacina chinesa (coronavac) contra a covid-19, caso não haja ajuda federal. A ideia é passar o chapéu via consórcios de governadores da região amazônica, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste e, também entidades de municípios, sem ajuda de Jair Bolsonaro. Doria, Randolfe e o secretário da Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, terão audiências em Brasília na próxima semana. O temor é de que Eduardo Pazuello insista em um calendário de vacinação considerando apenas o imunizante de Oxford (governo federal). O conselho de secretários reagiu, como a Coluna antecipou, e pediu inclusão da Sinovac (governo de São Paulo). Elcio Franco, secretário executivo do ministério, recuou: não descarta a compra da chinesa. Mas, mesmo assim, para os envolvidos nas negociações, nada ainda é certo. Enquanto isso, a epidemia de “fake news” sobre as vacinas, principalmente a chinesa, rola solta.

Bolsonaro rebate Doria e diz que governo federal não vai obrigar vacinação – Após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmar que a vacina contra o novo coronavírus será compulsória no estado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (16) que essa medida só poderia ser tomada com a anuência do governo federal o que, segundo ele, não vai ocorrer. Mais cedo, Doria afirmou durante entrevista coletiva que em São Paulo “a vacinação será obrigatória, exceto se o cidadão tiver uma orientação ou atestado médico de que não possa tomar a vacina”. Sem citar Doria ou São Paulo diretamente, Bolsonaro destacou trechos de duas leis em suas redes sociais. A lei 13.979, proposta e sancionada pelo próprio presidente neste ano, determina que poderá ser realizada a vacinação compulsória. Bolsonaro, no entanto, ressaltou o termo “poderão”, na condicional. A outra lei citada pelo presidente é a lei 6.259, de 1975, que trata sobre o Programa Nacional de Imunizações. Bolsonaro destacou um trecho que estabelece que o programa é de responsabilidade do Ministério da Saúde e que os governos estaduais “poderão propor medidas legislativas complementares”, mas apenas com a “anuência prévia do Ministério da Saúde”. O presidente, então, escreveu que, apesar da autorização que a lei de 2020 prevê, o governo federal não vê necessidade de estabelecer a obrigatoriedade da vacinação e que não recomendará a adoção dessa medida pelos governos estaduais.

Kassio causa perplexidade em Portugal – O reitor da Universidade Autônoma de Lisboa, José Amado da Silva, disse à Crusoé que se preocupa com a “qualidade científica” e “real originalidade” da dissertação de mestrado apresentada por Kassio Marques. “A UAL, face às informações disponíveis, está a acompanhar o assunto, tendo em atenção apenas a preocupação pela qualidade científica da dissertação e a sua real originalidade”, declarou o reitor, por e-mail.

Guerra da vacina – A pressão sobre o Ministério da Saúde para firmar o compromisso público de comprar a vacina para coronavírus que ficar pronta antes vai ganhar reforço de senadores e deputados da comissão externa da Covid-19. Parlamentares participarão da reunião de João Doria (PSDB-SP) com Eduardo Pazuello, na quarta (21). O ministro marcou encontro com governadores na terça (20). O tucano sugeriu, porém, reagendar para quinta (22), apostando que a conversa do dia anterior seja proveitosa. A ideia é que, se houver acerto do governo federal com a vacina chinesa, desenvolvida pelo Instituto Butantan, o anúncio poderia ser feito na quinta, com todos os estados presentes

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