Resumo dos jornais e revistas de sábado (16/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (16/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes e capas

FOLHA DE S.PAULO: Após fracasso de Bolsonaro, país depende da Coronavac

CORREIO BRAZILIENSE: Agonia de Manaus põe autoridades sob pressão

O ESTADO DE S.PAULO: Sem vacina da Índia, Planalto acelera busca por Coronavac

O GLOBO: Falta de oxigênio coloca em risco a vida de 61 bebês

VEJA: Liberdade vigiada

ISTOÉ: O general do caos

ÉPOCA: Democracia sitiada

CartaCapital: O destino de Trump

Crusoé: Os farsantes da pandemia

Resumo de manchetes e capas

As manchetes da Folha e do Estadão revelam o passo a passo do drama que o país vive. Diz o jornal : “O governo da Índia negou a entrega imediata de um lote de imunizantes contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca ao Brasil, o que frustrou uma operação montada para buscar o material no país asiático ainda neste fim de semana e deve resultar numa derrota política para o Palácio do Planalto. Com o veto da Índia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) corre o risco de assistir o início da vacinação no Brasil com a Coronavac, que tem sido utilizada como trunfo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O Ministério da Saúde então pediu 6 milhões de doses de Coronavac ao Butantan, que requisitou o plano de uso para separar a parte de São Paulo. A pasta negou. O caso deve acabar na Justiça”. O Correio usa sua manchete para mostrar a agonia dos manauaras, que “levou o Brasil a ser assunto na Organização Mundial da Saúde (OMS), políticos se revezaram em desculpas e planos para conter o avanço aterrador do novo coronavírus”. A manchete de O Globo revela que além dos pacientes de covid-19, 61 bebês prematuros correm o risco de morrer por falta de oxigênio. A reportagem de capa de Veja versa sobre “os banimentos de Donald Trump e de vários de seus apoiadores do Twitter, Facebook e Instagram o que colocou as redes sociais no centro de um polêmico debate: quais são os limites da liberdade de expressão? Evocado de forma leviana por quem normalmente sofre sanções após postagens falaciosas ou odiosas, o conceito de livre exposição de ideias está ligado ao bem-estar coletivo, e não à celebração da individualidade. Faz parte indissociável do processo civilizatório e da manutenção da democracia — contudo, não pode ser utilizado como desculpa para a prática ou a incitação de crimes”. A reportagem de capa de IstoÉ acusa o governo federal “de seguidas mostras de falta de compaixão e de responsabilidade”. A revista diz que “mortes se acumulam e já chegam perto de 210 mil no País, mas o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, continuam brincando com a vida das pessoas e boicotando a vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan. Todos os passos do governo são para trás e as manobras de Pazuello visam, até agora, retardar o processo e tentam dinamitar a promissora iniciativa”. A matéria de capa de Época analisa a situação dos EUA depois do ataque ao Capitólio e como Joe Binden vai lidar com a herança maldita deixada por Trump. A reportagem é assinada por Larry Rohter, aquele correspondente americano que Lula queria expulsar do Brasil, por ter revelado que o ex-presidente é chegado a uma pinguinha. A CartaCapital também analisa em sua reportagem de capa a situação americana. A revista pergunta: “Com a aprovação do segundo processo de impeachment de Trump, qual será o destino da democracia americana?”. A capa desta semana analisa este cenário e aborda também o impacto da saída da Ford para a indústria brasileira. A reportagem de capa da digital Crusoé critica o presidente e o governador de São Paulo pela disputa sobre a paternidade do início da vacinação e diz a revista em sua capa que “enquanto Jair Bolsonaro continua a negar o perigo do vírus e sabota a vacinação em massa, João Doria municia a loucura antivacina ao tentar maquiar dados e faturar eleitoralmente”. E conclui: “A nossa miséria política é mortal”.

Notícia do dia – O colapso do sistema de saúde de Manaus e a morte de pessoas por asfixia pela falta de oxigênio foram mencionados ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um chamado para que países não descuidem da prevenção à covid-19. “O que está acontecendo em Manaus é um alerta a muitos países. Não deixem que uma falsa sensação de segurança baixe a guarda de vocês. Se vocês construíram uma infraestrutura, com leitos de UTI, oxigênio, não desativem, a pandemia não acabou ainda”, afirmou a diretora-geral assistente da OMS, Mariangela Simão.

O diretor executivo da entidade, Mike Ryan, disse que a situação na cidade se deteriorou significativamente e que todo o sistema parece estar implodindo. Ele ressaltou que essa não é uma condição somente de Manaus, mas também de outros Estados, como Amapá e Rondônia. E apontou que a maior parcela de responsabilidade ainda é do relaxamento da população. Nós precisamos ser capazes de aceitar, como indivíduos, como comunidades e governos, nossa parte da responsabilidade para o vírus sair do controle”, enfatizou.

Principais notícias da primeira página e capas

Amazonas sabia do risco – Pelo menos desde o dia 23 de novembro, a Secretaria de Saúde do Amazonas sabia que a quantidade de oxigênio hospitalar disponível seria insuficiente para atender a alta demanda provocada pela pandemia de covid-19. A informação consta de projeto básico, que foi elaborado pela própria pasta, para a última compra extra do insumo, realizada no fim do ano passado. Nesta semana, o estoque de oxigênio chegou a acabar nos hospitais de Manaus e pacientes morreram asfixiados, segundo o relato de médicos. O contrato original para aquisição de gases medicinais do sistema de saúde é de 2016 e foi assinado com a White Martins, a principal fornecedora no Amazonas, com valor mensal informado de R$ 1,3 milhão. Inicialmente, o acordo previa o atendimento de até dois mil pacientes respiratórios. Em 2018, ainda antes da pandemia, a secretaria chegou a assinar dois aditivos que, juntos, representavam acréscimo de 3,1% do valor. Como o teto permitido é de até 25% (acumulado) em cada contrato, o Estado ainda tinha uma margem de 21,9% para adquirir insumos em 2020, sem a necessidade de abrir um novo processo de contratação. Toda essa cota, no entanto, foi usada na última compra extra em novembro. Na ocasião, a pasta ainda informa a inclusão “com urgência” do Hospital Geraldo da Rocha, em Manaus, na lista de unidades atendidas.

Governo federal recua após taxar cilindros – Após o próprio governo federal ter elevado o imposto de importação sobre itens necessários para combater a covid-19, entre eles os cilindros de oxigênio, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia, decidiu ontem à noite reverter o aumento. Com a resolução, adotada em reunião extraordinária convocada às pressas, os produtos vindos do exterior ficam novamente isentos do pagamento do tributo a partir de amanhã. Os benefícios valem até 30 de junho próximo. A medida foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Facebook, após um dia de silêncio sobre a medida anterior da Camex – na qual o governo havia elevado o tributo sobre os insumos médicos. A postagem foi feita antes mesmo de qualquer comunicado oficial da Camex sobre a nova resolução.

Bolsonaro é alvo de panelaço – Jair Bolsonaro foi alvo de panelaços nas principais cidades do País na noite de ontem. O ato contra o presidente foi convocado por movimentos sociais em meio ao agravamento da situação da covid-19 em Manaus – na capital do Amazonas o estoque de oxigênio para pacientes vítimas do coronavírus se esgotou. Além da capital paulista – onde foram projetadas mensagens de protesto, houve mobilização no Rio, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Luís e Florianópolis.

Placar mede fidelidade partidária na Câmara – Dois anos depois de o comando da Câmara dos Deputados ser definido em uma votação folgada para Rodrigo Maia (DEM-RJ), a eleição que definirá seu sucessor segue imprevisível. Segundo placar do Estadão, a disputa indica potencial risco de infidelidade de parlamentares aos partidos que já formalizaram os apoios de suas bancadas na disputa. O número de parlamentares que não aceitaram declarar posição supera qualquer um dos concorrentes – a votação, marcada para fevereiro, é secreta. Entre os parlamentares que declararam voto, Arthur Lira (PP-AL), candidato defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, aparece em vantagem sobre Baleia Rossi (MDB-SP), que representa Maia e parte da oposição. A enquete feita com cada um dos 513 parlamentares nas últimas duas semanas aponta Lira com 170 votos e Baleia, com 107. Outros candidatos somam 23 votos. No entanto, 190 deputados não quiseram responder – 37% da Casa – usando o argumento de que a eleição é secreta ou que ainda não definiu voto. O restante (23) não foi localizado pela reportagem, seja por meio de assessores, e-mail ou telefone celular até a conclusão desta edição. Para se eleger, o candidato tem que somar ao menos 257 votos em primeiro ou segundo turnos. Lira e Baleia têm histórico de votos alinhados ao governo ao longo da atual legislatura, como informou o Estadão. O compromisso de barrar a chamada pauta de costumes e de não descartar previamente a abertura de um processo de impeachment de Bolsonaro aproximaram o candidato do MDB de siglas da oposição a ponto de obter, mesmo sem unanimidade, o apoio da bancada do PT, que reúne 52 deputados. No PSL, partido que abrigou Bolsonaro em 2018, rompeu com o presidente e hoje defende a candidatura de Baleia, o racha é evidente. O placar mostra que, dos 53 deputados da legenda, 28 indicaram apoiar Lira, e quatro o emedebista – 21 não declararam voto. Em tese, se considerados os parlamentares filiados aos partidos que apoiam cada um dos candidatos, o bloco de Baleia reúne 278 deputados e o de Lira, 195.

Bolsonaro não deve barrar a Huawei – Sob pressão, o governo Jair Bolsonaro não deve barrar a Huawei do leilão do 5G do Brasil. Segundo fontes do Palácio do Planalto e do setor de telecomunicações, o banimento da empresa chinesa provocaria um custo bilionário com a troca dos equipamentos, e ficou ainda mais improvável com a saída do aliado Donald Trump da Casa Branca neste mês. Um auxiliar do presidente disse que o discurso ideológico contra a empresa chinesa deve ser frustrado na prática. Assim como foi no caso da vacina Coronavac, feita pela chinesa Sinovac, com o Butantã, ligado ao governo de São Paulo, chefiado por João Doria, principal adversário político do presidente. Depois de idas e vindas, o Ministério da Saúde incluiu o imunizante no programa nacional. A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G e permite consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. O leilão está previsto para o fim do 1.º semestre, e o edital deve ser aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em fevereiro. Apenas empresas de telecomunicações poderão adquirir as frequências – como se fossem rodovias no ar em que o sinal será transmitido. A infraestrutura, no entanto, é fornecida primordialmente pela Huawei, pela sueca Ericsson e pela finlandesa Nokia. Só um decreto presidencial poderia banir qualquer empresa.

Bolsonaro mente sobre Covid no Brasil – Na quinta-feira (14), enquanto Manaus vivia crise com a falta de oxigênio nos hospitais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realizou uma transmissão ao vivo junto com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Na live, os dois repetiram informações falsas sobre a doença, como a existência de um “tratamento precoce” contra a Covid-19. Bolsonaro também chegou a dizer que há três vacinas em análise pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas foi corrigido pelo ministro. A agência vai se pronunciar no domingo (17) sobre dois imunizantes, produzidos pela Fiocruz e pelo Butantan. A Lupa analisou algumas das declarações de Bolsonaro e do ministro, que foram procurados para comentar as checagens, mas não responderam até a publicação.

Em meio à crise, Brasil envia maior avião de carga para treino militar nos EUA – Em meio ao agravamento da pandemia, com a falta de oxigênio em Manaus, e às vésperas da campanha de vacinação contra a Covid-19, o Brasil perdeu uma das suas parcas estrelas do combate logístico à crise sanitária. Trata-se de um avião de transporte Embraer KC-390 Millennium da FAB (Força Aérea Brasileira), um dos quatro em operação no país. É a aeronave com maior capacidade de carga em serviço, podendo levar até 26 toneladas. O avião chegou na terça (12) a Alexandria, Louisiana (EUA), e ficará até 5 de fevereiro participando de um treinamento militar conjunto com os americanos, chamado Culminating (culminando, em inglês).

O modelo, cuja primeira unidade entrou em serviço em setembro de 2019 e a mais recente, em dezembro passado, está sendo usado intensamente em missões de apoio ao longo do ano. Na quarta (13), um deles levou 8 toneladas de equipamentos justamente para Manaus. Em nota à Folha, a Força afirmou que o “deslocamento não afeta o transporte logístico já realizado pela FAB, além de possibilitar o desenvolvimento doutrinário para a utilização segura da aeronave”. Segundo a nota, a FAB trabalha 24 horas por dia no apoio logístico da crise. A Força tem nominalmente 20 modelos antigos Lockheed-Martin C-130 Hércules, que levam até 19 toneladas de carga, e 11 C-105 Amazonas, que leva 7 toneladas.

Com Manaus sem oxigênio, Pazuello montou e financiou força-tarefa para disseminar cloroquina – Em meio à falta de leitos e de oxigênio para pacientes com Covid-19 em Manaus, o Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro montou e financiou força-tarefa de médicos defensores do que chamam de “tratamento precoce” da Covid-19 para visitarem Unidades Básicas de Saúde na capital amazônica. Essa abordagem prega o uso de remédios incensados pelo governo federal, mas que estudos científicos dizem não ter eficácia contra o coronavírus, como cloroquina e ivermectina. Segundo alguns dos envolvidos, eles não receberam pela participação, mas tiveram diárias de hotel e alimentação pagas pelo governo federal. O Painel enviou três e-mails sobre o tema para o Ministério da Saúde ao longo de três dias, mas não obteve qualquer resposta. Entre outras questões, a coluna perguntou sobre o critério de escolha dos médicos, o valor gasto para realizar a empreitada e se há outras similares previstas. A força-tarefa agiu na segunda-feira (11), um dia após o governador Wilson Lima (PSC) pedir socorro ao governo federal e a outros estados devido à falta de oxigênio no estado.

Outros destaques

Do banho de mar ao panelaço: em 15 dias, um presidente asfixiado – O banho de mar em Praia Grande (SP) no primeiro dia deste 2021 parece não ter trazido bons fluidos para Jair Bolsonaro. As últimas horas foram de reveses: colapso em Manaus, curva ascendente de mortes por covid-19, freio da Índia no envio de vacinas ao País, possibilidade de convocação extraordinária do Congresso, volta dos panelaços e aumento da pressão pelo impeachment: governadores e prefeitos, por exemplo, já colocam em dúvida, em privado, a capacidade do presidente e de seu time de controlar a pandemia e vacinar os brasileiros. Vale lembrar: Bolsonaro zombou da covid-19 e das medidas de isolamento ao mergulhar no mar e causar aglomeração. Deu azar.

De olho – A possibilidade de convocação do Congresso no recesso deixou bolsonaristas em alerta total. Acham que Rodrigo Maia (DEM-RJ) pode ter algum arroubo na reta final de seu mandato na presidência da Câmara. A conferir. Em público, Maia tem negado que poderá dar início ao processo de impeachment, mas nos bastidores seus adversários consideram que a chance existe, e não é pequena. O fato é que a 15 dias do término de seu mandato na presidência da Câmara e sob pressão dos governadores, Maia parece ter acordado para a fraca atuação do Legislativo no aspecto essencialmente sanitário da pandemia da covid-19. O sonho de Maia de deixar como legado um ajuste das contas públicas e a modernização da economia pode dar lugar ao pesadelo da omissão: a Câmara liberou a dupla Pazuello-Bolsonaro para deitar e rolar na cloroquina. Coincidência trágica: o naufrágio da agenda econômica e liberal também levou a pique o barquinho do ministro Paulo Guedes, ex-aliado e hoje um grande desafeto de Maia. Sentado sobre uma montanha de pedidos de impeachment de Bolsonaro, Maia também legará outra batata quente? “O que mais você precisa, Rodrigo Maia, quantos mais precisam morrer? Impeachment já!”, pediu o ator e humorista Fábio Porchat no Twitter.

Bolsonaro minimiza pandemia – Enquanto pacientes infectados com a Covid-19 morrem por falta de oxigênio em Manaus, o presidente Jair Bolsonaro minimizou nesta sexta-feira as mortes decorrentes do novo coronavírus e declarou que “não tem por que ter esse trauma todo apenas preocupado com a Covid”. O argumento de Bolsonaro foi que medidas de isolamento social com o lockdown causam “muito mais morte” que a pandemia, por diversas razões. Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa, o Brasil tem 208.291 óbitos pela Covid-19, além de 8.394.253 casos da doença. — Esse lockdown, esse isolamento causa muito mais morte, por depressão, por suicídio, por falta de emprego lá na frente do que a própria pandemia em si. Eu não tenho aqui os dados, o número de mortes por tipo de doença. A Covid tá mais lá embaixo. Então não tem por que ter esse trauma todo apenas preocupado com a Covid — declarou o presidente, em entrevista de aproximadamente uma hora ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, no início da noite.

Alvo de tentativa de interferência de Bolsonaro, delegado da Receita perde poderes e pede demissão – Responsável pelo significativo aumento de apreensões numa área de forte atuação de milícias, José Alex Nóbrega de Oliveira pediu demissão do cargo de delegado da alfândega do porto de Itaguaí (RJ). Em meados de 2019, no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, a Receita Federal foi pressionada a substituir Oliveira. A tentativa de interferência política partiu do Palácio do Planalto e gerou uma crise na época. O então número 2 da Receita, o ex-subsecretário-geral João Paulo Ramos Fachada, foi demitido por rejeitar as trocas na unidade do Rio de Janeiro e passar a imagem de que Bolsonaro tinha controle do órgão. Mesmo após a notoriedade do caso, Oliveira continuou sofrendo pressões no cargo, ameaças e chegou a ser escoltado. Até que, no ano passado, ele perdeu poderes sobre a fiscalização no porto. Em outubro e novembro, portarias da Receita tiraram parte de suas tarefas. Algumas atribuições, como decidir quais importações serão inspecionadas fisicamente, passaram a ser compartilhadas com a alfândega do porto de Vitória. Além disso, a equipe do fisco em Itaguaí ficou mais enxuta nos três anos em que Oliveira esteve à frente da delegacia do porto. O número de auditores fiscais, por exemplo, recuou um terço —de 21 para 14 entre o início de 2018 (quando ele assumiu a função) e hoje.

Partidos de oposição anunciam pedido coletivo de impeachment de Bolsonaro – Partidos de oposição da Câmara dos Deputados vão protocolar, nos próximos dias, um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, sob o argumento de que ele cometeu “crimes de responsabilidade em série” na condução da pandemia do coronavírus. Assinado por Rede, PSB, PT, PCdoB e PDT, que reúnem 119 deputados, o pedido cita o colapso da saúde em Manaus e diz já ter passado a hora de o Congresso reagir. “O presidente da República deve ser política e criminalmente responsabilizado por deixar sem oxigênio o Amazonas, por sabotar pesquisas e campanhas de vacinação, por desincentivar o uso de máscaras e incentivar o uso de medicamentos ineficazes, por difundir desinformação, além de violar o pacto constitucional entre União, Estados e Municípios”, diz nota conjunta dos partidos, que defendem a volta imediata dos trabalhos do Congresso. O pedido irá se somar a outros mais de 50 que foram entregues à Câmara desde o início do mandato de Bolsonaro, em janeiro de 2019, por diversos motivos. Cabe ao presidente da Casa analisar e dar início aos processos que podem tirar Bolsonaro do poder. Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comentou que essa decisão não caberia mais a ele e, sim, ao próximo presidente, a ser eleito no início de fevereiro. “Disse que esse assunto vai ser discutido no futuro, porque tem parte da sociedade que cobra. Não sou eu mais que vou tratar desse assunto. Eu foquei o meu trabalho no último ano na pandemia”, afirmou Maia. “Achei que era a prioridade, e foi isso que fiz. Acho que o Parlamento tem que voltar a funcionar independentemente de qualquer decisão sobre esse tema no futuro.”

Insultos – Enquanto Manaus vive um cenário de terror, com centenas de pacientes agonizando pela falta de oxigênio e de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a classe política troca insultos e acusações sobre responsabilidades pelo caos. O embate principal, porém, envolveu o presidente e João Doria, desafetos desde o início da crise sanitária. O governador referiu-se ao chefe do Planalto como um “facínora”. “Li uma manifestação do presidente Jair Bolsonaro dizendo: ‘Fiz tudo o que estava ao meu alcance, o problema agora é do estado do Amazonas e da Prefeitura de Manaus’. Inacreditável. Em outro país, isso, talvez, fosse classificado como genocídio. É um abandono dos brasileiros”, disparou o gestor de São Paulo. Bolsonaro rebateu as críticas: “Vem esse moleque, governador de São Paulo, me acusar de facínora. Seja homem, cara. É duro mexer com quem tem um comportamento como esse cara. Em São Paulo, (existe) um governador medíocre, que não sai na rua. Se sair, vai ser linchado”, irritou-se. O chefe do Executivo também reclamou do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, suas ações contra a pandemia foram “tolhidas” pela Corte. O mandatário também comentou sobre eventual abertura de processo de impeachment. “Qual moral têm João Doria e Rodrigo Maia em falar de impeachment ou me acusar de tudo isso que está acontecendo aí se eu fui impedido pelo STF de fazer qualquer ação em combate ao coronavírus em estados e municípios?”, afirmou à TV Bandeirantes. “Eu tinha de estar na praia uma hora dessas. Pelo STF, eu tinha que estar na praia agora, tomando uma cerveja. O Supremo falou isso para mim. O erro meu, agora, foi não atender ao STF e estar interferindo, ajudando quem está morrendo em Manaus”.

Procurador defende punição por mortes por asfixia – O procurador Igor Spindola, que está à frente das ações do Ministério Público Federal (MPF) no combate à pandemia no Amazonas, afirmou que serão investigadas as mortes provocadas pela falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. A suspeita é de improbidade administrativa. A capital amazonense enfrenta uma grave crise devido à disparada de internações por causa da covid-19, ao mesmo tempo em que a quantidade de oxigênio enviado ao estado não foi reforçada. “Foram registradas mortes, e eu informei isso para outros colegas. É preciso ter uma investigação de improbidade”, destacou Spindola, ao Correio. A empresa White Martins, fornecedora do produto, disse que o governo federal foi informado, com um mês de antecedência, do risco de ausência de oxigênio em leitos de UTI e de emergência em razão do aumento de internações. No entanto, não ocorreram ações suficientes para impedir o problema. “O terror que foi aqui, ontem (quinta-feira), não deve se repetir. As ações judiciais já deram algum efeito. A União está se movimentando, a logística, que não existia, apareceu da noite por dia, sendo que deveria ter aparecido antes”, frisou. “Mas, o leite derramado, a gente só consegue compensar punindo mesmo. Nesse caso, precisa de uma investigação e, daí, demora um pouco mais.”

No TCU, Oliveira se declara impedido de relatar processo – Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira disse estar impedido de assumir o relatório do processo que avalia a privatização do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). Na explicação apresentada ao TCU na última quarta-feira, Oliveira cita sua passagem pelo subsecretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) e pela Secretaria-Geral da Presidência da República e diz que, quando esteve nesses cargos, participou do processo de privatização da empresa a ser analisada pelos ministros. Na semana passada, a Associação de Funcionários do Ceitec fez um pedido de suspeita de D’Oliveira. Segundo o porta-voz da entidade, Julio Leo Junior, o agora ministro do TCU seria amigo do presidente e deu pareceres a favor da privatização da Ceitec, única empresa brasileira capaz de produzir chips. “Não seria apropriado que alguém com esse nível de envolvimento no caso fosse responsável por relatar e se posicionar sobre o caso. Que independência ele teria que ir contra um ato que ele mesmo já defendeu lá? – disse o porta-voz na época. Quando assumiu o cargo na Corte, Oliveira herdou os processos da atual presidente do TCU, Ana Arraes, e será responsável por casos envolvendo privatizações de interesse público do ex-chefe no Executivo, bem como investigações sobre o papel do governo federal em casos como a queda de energia no Amapá. Além do processo envolvendo a Ceitec, Oliveira herdou o relatório de outro caso sobre a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na desestabilização da companhia ferroviária urbana de Porto Alegre (Trensurb).

Sem lançar pontes – O governo do presidente Jair Bolsonaro, um dos maiores apoiadores de Donald Trump e seus ideais, quer que o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, saiba que Brasília não tem intenção de mudar de posição após a troca de poder em Washington. Por outro lado, espera que o democrata perceba que o Brasil e os Estados Unidos têm muitos interesses comuns, incluindo a promoção da democracia e da segurança na América Latina. Segundo o chanceler Ernesto Araújo, os países não estão em lados opostos quando se trata de preservação ambiental, apesar das críticas maciças de Biden e sua equipe contra as políticas ambientais do governo Bolsonaro. “Esperamos que o novo governo dos EUA perceba nosso governo pelo que realmente é, pelo que o povo brasileiro quer”, disse Araújo na quinta-feira em entrevista em seu gabinete em Brasília. – Ambas as partes devem fazer um esforço para se entenderem. O ar fluiu facilmente com o governo Trump, disse Araújo, não apenas por causa da amizade do líder americano com Bolsonaro, mas porque Trump entendeu que os brasileiros haviam tomado uma decisão ao eleger seu presidente.

 

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