Resumo dos jornais e revistas de sábado (11/07/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais e revistas de sábado (11/07/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Doria relaxa quarentena para 83% dos paulistas

CORREIO BRAZILIENSE: Depois da naja, os tubarões

O ESTADO DE S.PAULO: Bolsonaro nomeia especialista em religião para a Educação

O GLOBO: Bolsonaro nomeia pastor Milton Ribeiro para o MEC

Capas

VEJA: Falta pouco

Cerca de 14.000 voluntários brasileiros fazem parte da mais fascinante movimentação científica do nosso tempo – a busca por uma vacina contra a Covid-19, que pode ser anunciada ainda em 2020.

ISTOÉ: O delírio da cloroquina, a droga do presidente

Desacreditada no mundo inteiro, abandonada pela OMS, banida nos EUA, a hidrocloroquina vira o grande problema de Jair Bolsonaro, que mandou o Exército produzir em larga escala, importou ainda dois milhões de doses americanas e está com estoque de 18 anos para escoar. O gasto desnecessário, a mobilização e a falta de conhecimento científico para estimular e incentivar o uso na marra desse remédio vão se transformando no maior escândalo do governo, que já demitiu dois ministros da Saúde por não concordarem com o método. Agora contaminado pela Covid, Jair Bolsonaro tenta se converter no garoto propaganda daquilo que ele julga ser a panaceia.

CartaCapital: Infiltrados

Como a máquina bolsonarista domina as polícias. E o cerco às milícias cariocas após a prisão de Queiroz.

ÉPOCA: Os neobolsonaristas

O impacto do auxílio emergencial do governo nos antigos bastiões do petismo

Crusoé: A prova

Uma investigação do Facebook comprova o que uma reportagem publicada por Crusoé há nove meses mostrava: o gabinete do presidente da República está ligada a uma azeitada rede de difamação e fake News.

Destaques de hoje

Relaxa – O governo João Doria (PSDB) anunciou ontem a renovação da quarentena para conter a disseminação do novo coronavírus no estado de São Paulo até dia 30 de julho e a melhora da classificação do litoral e do interior. “Iniciamos uma nova fase na luta contra a pandemia, que marca gradualmente de forma segura o retorno à normalidade. Uma fase que resgata a nossa esperança”, disse Doria. Ele reafirmou que vê o estado entrando no “platô”. A Baixada Santista passou à fase amarela, assim como Registro e duas áreas da Grande SP (oste e leste). Agora, esses locais poderão também abrir bares e restaurantes. A maior parte do interior também está agora na fase laranja. É o maior relaxamento promovido desde o início da fase de flexibilização. Apenas Campinas, Ribeirão Preto, Franca e Araçatuba permanecem com as restrições mais severas, no ponto vermelho – estão com níveis superiores a 80% de ocupação das UTIs ou tiverem fortes aumentos. Segundo o governo, 83% da população está nas fases amarela e laranja —portanto, apenas 17% na fase vermelha.

Cobras e tubarões – A descoberta de três tubarões em aquários de uma chácara em Taguatinga, ontem, reforçou a tese da polícia de que existe uma rede de tráfico de animais exóticos na capital federal. As investigações começaram desde o ataque de uma naja, espécie venenosa da Ásia, ao estudante Paulo Henrique Lehmkuhl. Ele deve ter alta hoje da UTI. O incidente deu início a uma série de denúncias e investigações que levou a 16 serpentes num haras de Planaltina, na quinta-feira, e a grande apreensão desta sexta-feira, na Colônia Agrícola de Samambaia. Além dos tubarões, a casa guardava mais sete cobras, um teiú (lagarto) e uma moreia. A suspeita é que todos os casos estão interligados – e que os animais são comercializados ou usados em pesquisas científicas não autorizadas.

Especialista em religião – O advogado, teólogo e pastor presbiteriano Milton Ribeiro será o quarto ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro. A indicação do especialista em calvinismo e Antigo Testamento e ex-vice-reitor da Universidade Mackenzie foi atribuída aos ministros Jorge Oliveira (Secretaria geral da Presidência) e André Mendonça (Justiça), também presbiteriano. Apesar de religioso, ele não foi indicado pela bancada evangélica do Congresso e não é conhecido como um especialista em políticas de educação. Em mensagem a amigos, Ribeiro, que, segundo integrantes do governo, foi escolhido pelo “apreço à família e aos valores”, afirmou que acreditava ser a “hora de darmos atenção especial à educação básica, fundamental e ao ensino profissionalizante” e de “incrementar o ensino superior e a pesquisa científica”. Ele ainda disse que trabalhará em articulação com os Estados, municípios e seus gestores. Falou em tom de conciliação, dizendo que é hora de “um verdadeiro pacto nacional pela qualidade da educação”.

Empresários pressionam Mourão para conter desmate – Em reunião com executivos de grupos como Suzano, Shell, Natura e Itaú, o vice Hamilton Mourão foi pressionado e assumiu compromissos para tentar conter o desmatamento na Amazônia. Empresas de agronegócio relataram que a soja já enfrenta boicote externo. Segundo o Inpe, o desmatamento na região cresceu 10,65% em junho ante junho de 2019.

Em casa, brasileiro descobre o vinho – Sommelier Cibele Siqueira já fez 22 lives durante a quarentena; vendas de vinhos e espumantes cresceram 12% no País de janeiro a maio, a maior alta entre as bebidas alcoólicas. Expansão foi liderada pelos produtos nacionais.

Presidente do STJ já negou a doentes prisão em casa – O juiz João Otávio de Noronha tem negado a idosos e doentes a prisão domiciliar que concedeu a Fabrício Queiroz e à mulher dele.

Rede da direita cresce com clã sob pressão – Após os recentes reveses nas plataformas digitais já consagradas, o clã Bolsonaro tem ajudado no crescimento no Brasil do Parler, rede social da direita mundial. De acordo com levantamento da consultoria Bites, somente em junho passado os brasileiros fizeram 33 mil downloads do aplicativo no Google Store. Nos meses anteriores, esse número não passava de mil. Outro impulsionador da rede foi o ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB. Ele divulgou a plataforma em três mensagens no Twitter, que obtiveram mais de 7 mil compartilhamentos. Em março, o Twitter apagou publicações de Jair Bolsonaro. Nesta semana, o Facebook derrubou páginas ligadas ao presidente. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) publicou em 1.º de julho em seu Twitter mensagem incentivando seus seguidores a migrarem para o Parler. “A rede social que tem como prioridade a liberdade de expressão”, escreveu. Além de Flávio, Jair Bolsonaro, Carlos e Eduardo possuem perfis no Parler. Ah, Olavo de Carvalho também. A adesão à rede, porém, ainda é relativamente baixa: cerca de 1,5 milhão de usuários no mundo todo, segundo podcast do Estadão Notícias sobre o Parler. Pela análise da Bites, por enquanto o clã Bolsonaro vem usando o Parler para replicar o conteúdo publicado em outras redes, ainda não tem uma estratégia específica para a nova rede nem discurso diferente. O Parler foi criado em 2018 e funciona de modo parecido com o Twitter, mas promete proteger os direitos dos seus usuários com menos regulação sobre o conteúdo postado. No Brasil, o pico de adesão à nova rede ocorreu em 22 de junho passado e outros dois foram percebidos nos dias 28 e 30. De acordo com o levantamento da Bites, também em junho foram registradas 100 mil menções ao Parler no Twitter, feitas por 25 mil perfis.

Quem ganha com a cloroquina no Brasil – A campanha do presidente Jair Bolsonaro a favor da cloroquina ajudou a empurrar os negócios de cinco empresas autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a produzir o medicamento no País. Eles não informam quanto o faturamento aumentou, mas dados do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) mostram que o consumo de cloroquina pelos brasileiros cresceu 358% durante a pandemia. A alta acompanha o crescimento nas vendas de máscaras e álcool em gel, cujo uso é recomendado no mundo todo. A cloroquina, ao contrário, coleciona mais críticas do que apoio na comunidade científica. Recomendada para tratar malária, artrite e lúpus, ela passou a ser utilizada por pacientes com coronavírus após relatos de resultados positivos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma, contudo, que a substância é ineficaz no tratamento da covid-19. O laboratório Aspen, do empresário Renato Spallicci, triplicou em abril a produção de Reuquinol, à base da substância, aproveitando a onda criada por Bolsonaro. Em 26 de março, a caixinha do produto apareceu no mundo todo ao ser exibida pelo presidente num encontro virtual com líderes do G-20. Militante bolsonarista, daqueles que gostam de compartilhar na internet o que o presidente faz, Spallicci aproveitou as redes para divulgar as imagens do presidente exibindo seu remédio. Anteontem, já com diagnóstico positivo da covid-19, Bolsonaro voltou a exibir uma caixinha de hidroxicloroquina durante sua live semanal, assistida por 1,6 milhão de pessoas. Desta vez, o remédio exibido era a versão genérica do medicamento, produzida pela EMS. A empresa faz parte do grupo controlado por Carlos Sanchez, também dono do laboratório Germed, outro autorizado a vender a cloroquina no País. Sanchez participou de duas reuniões com Bolsonaro desde o início da pandemia. O último encontro, virtual, ocorreu em 14 de maio. Antes, em 20 de março, Bolsonaro já havia se reunido com o dono da EMS. Outro fabricante de cloroquina, o empresário Ogari de Castro Pacheco viu o laboratório Cristália, do qual é cofundador, ser prestigiado pessoalmente pelo presidente no ano passado. Filiado ao DEM, Pacheco é segundo-suplente do líder do governo no Senado, Eduardo Gomes (MDB-TO), e eleitor de Bolsonaro. O único laboratório estrangeiro autorizado a vender cloroquina no País é o francês Sanofi-Aventis, que tem o presidente dos EUA, Donald Trump, como acionista. Procurados pela reportagem, os empresários autorizados a produzir cloroquina no País afirmaram manter contato institucional com o governo.

Bolsonaro nomeia indicados por Weintraub – Antes da nomeação do pastor Milton Ribeiro como novo ministro da Educação, o presidente Jair Bolsonaro aprovou a lista dos novos membros do Conselho Nacional de Educação (CNE), com vários nomes indicados por Abraham Weintraub antes de deixar a pasta. A maioria da lista é formada por perfis conservadores. Dos 12 novos membros, sete foram indicados por Weintraub e nenhum representa o Conselho de Secretários Estaduais de Educação (Consed) ou a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). A nomeação provocou revolta nessas organizações, que, até esta nova formação, tinham vaga no CNE. “Ignorar as indicações das instituições responsáveis pela gestão dos sistemas públicos de educação e desconsiderar as representações de 27 redes estaduais e 5.568 redes municipais vai na contramão da instituição do Sistema Nacional de Educação”, publicaram as duas entidades, em nota conjunta de repúdio aos critérios utilizados pelo governo para composição do conselho.

Suposta ligação com MBL – O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a Polícia Civil e a Receita Federal deflagraram, ontem, a Operação Juno Moneta para investigar suposta sonegação fiscal de mais de R$ 400 milhões e também apurar “confusão empresarial” entre o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Movimento Renovação Liberal (MRL). Segundo a Promotoria, duas pessoas com “estreitas ligações” com os movimentos foram presas — Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso, vulgo Luciano Ayan. “As evidências já obtidas indicam que estes envolvidos, entre outros, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas”, indicou o MP-SP em nota. O MBL afirmou que nenhum dos presos na operação são do movimento. Em nota, informou que “não existe confusão empresarial entre Movimento Brasil Livre e Movimento Renovação Liberal, haja vista que o MBL não é uma empresa, mas, sim, uma marca, sob gestão e responsabilidade do Movimento Renovação Liberal”. “Chega a ser risível o apontamento de ocultação por doações na plataforma Google Pagamentos, haja vista que todas as doações recebidas na plataforma são públicas, oriundas do YouTube e vulgarmente conhecidas como ‘superchats’, significando quantias irrisórias, feitas por uma vasta gama de indivíduos de forma espontânea”, diz o comunicado.

GLO prorrogada – O governo prorrogou até novembro deste ano o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na faixa de fronteira, nas terras indígenas, nas unidades federais de conservação ambiental e em outras áreas federais nos estados da Amazônia Legal. A decisão consta de decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União (DOU). A autorização original valia para o período de 11 de maio a 10 de junho deste ano. Agora, estende-se até 6 de novembro.

MP apreende mais de R$ 6 milhões em dinheiro – Ao efetuar a prisão do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, os promotores do Ministério Público do Rio apreenderam na manhã desta sexta-feira um total de mais de R$ 6 milhões em dinheiro nos endereços relacionados a ele que também foram alvo de busca e apreensão. O ex-secretário de Saúde do Rio Edmar Santos foi preso na manhã desta sexta-feira, dia 10, em sua casa, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Ao efetuar a prisão do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, os promotores do Ministério Público do Rio apreenderam na manhã desta sexta-feira um total de mais de R$ 6 milhões em dinheiro nos endereços relacionados a ele que também foram alvo de busca e apreensão. O ex-secretário de Saúde do Rio Edmar Santos foi preso na manhã desta sexta-feira, dia 10, em sua casa, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

Recalculando – A área jurídica da Presidência pediu que a Economia refaça os cálculos sobre os gastos que o governo deve ter com a prorrogação da medida que autoriza a suspensão dos contratos de trabalho. Lançado em abril para preservar empregos, o programa depende de decreto para ser estendido. A Presidência quer saber se, com os vetos feitos por Jair Bolsonaro em outras partes do texto, as estimativas de gastos não se alteraram. A demora na publicação fez empresários acionarem plano B. A Economia estava com a minuta de decreto pronta desde antes da sanção presidencial e a expectativa do setor privado era que, tão logo Bolsonaro assinasse, a prorrogação fosse autorizada. Mas até esta sexta (10), três dias após a sanção, o decreto não tinha saído. Empresários que já vinham migrando da suspensão dos contratos para o lay off (que também congela o vínculo de trabalho) intensificaram a conversão.

Apex interrompe contrato com órgão americano que ajudou Facebook – A Apex (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) pediu nesta quinta (9) o encerramento, antes do prazo, do contrato com o Atlantic Council.

O instituto americano tem um programa de investigação de desinformação na internet, o DFR (Digital Forensic Research Lab), que participou da ação do Facebook que cancelou perfis falsos de assessores do presidente Jair Bolsonaro. A parceria da Apex com o Atlantic Council terminaria em outubro, mas foi solicitado o desligamento precoce. A agência nega que tenha havido pressão do governo, mas o vínculo foi alvo de postagem crítica de Olavo de Carvalho nas redes sociais. O ideólogo de parte dos bolsonaristas, como o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), à qual a Apex é vinculada, atacou o contrato e insinuou que se tratava de uma ação de militares para minar Bolsonaro. As alas olavistas e militares disputam espaço no governo. “A ala militar do governo trabalha para financiar (com dinheiro público da Apex) uma organização internacional de esquerda que trabalha para censurar conteúdos de apoio ao presidente.” (Kim Paim) Se isso é verdade, esses generais têm de ir para a CADEIA.”, escreveu Olavo, em suas redes sociais. A Apex é comandada pelo contra-almirante da Marinha Sergio Segóvia, que assumiu a agência após olavistas gerarem uma crise no órgão e serem afastados.

Companheirismo – Advogados ouvidos pela coluna afirmam que, além de ser praticamente inédita a concessão de prisão domiciliar para uma pessoa foragida, caso de Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, não há previsão na lei sobre esposa cuidar do marido, ou vice-versa, argumento usado por João Otávio de Noronha para conceder o habeas corpus nesta quinta (9). O Código do Processo Penal diz que o juiz pode substituir a prisão por domiciliar quando for “mulher com filho de até 12 anos” ou “homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 anos.

Homem tem que impor o caminho no lar – Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como novo ministro da Educação, o pastor e professor universitário Milton Ribeiro defendeu em culto que é o homem que tem de apontar os rumos da família. Segundo sua argumentação, quando o homem não assume esse papel, a família é atacada por inimigos. “Quando o pai é ausente dentro da casa, o inimigo ataca. Quando o pai não impõe —impõe, essa é a palavra, me desculpe, é a palavra usada— a direção que a família vai tomar… Não é que ele é o mandatário que sabe tudo, não. Mas ele, o pai, o homem, dentro da casa, segundo a Bíblia é o cabeça do lar, ele aponta o caminho que a família vai tomar”, disse Ribeiro. “Quando os cônjuges não vigiam e caminham na direção do perigo, vivem flertando com o pecado, dedicam mais tempo para as coisas que para o relacionamento, a família é atacada”, completou.

Fissurado por comunismo – A Funag (Fundação Alexandre de Gusmão), órgão de pesquisa e divulgação do Itamaraty, está divulgando uma conferência virtual sobre o comunismo. O título do evento remete à pandemia do novo coronavírus: “Memória do comunismo e atualidade do vírus da mentira”. Marcada para terça-feira (14), ela contará com a presença do escritor e jornalista espanhol Federico Jiménez Santos, que é autor do livro “Memoria del Comunismo: de Lenin a Podemos”. Na gestão do chanceler Ernesto Araújo, a Funag tem convidado palestrantes disseminadores de ideias doutrinárias e ideológicas para seus eventos. Recentemente, promoveu evento chamado “Castro-Chavismo: crime organizado nas Américas”. Em abril, Araújo foi alvo de críticas ao escrever sobre o que chamou de “comunavírus” e ao traçar analogia entre o isolamento social para conter o coronavírus e os campos de concentração nazistas que mataram milhões de judeus.

Resposta a declaração “leviana e mentirosa” A secretaria de Saúde de São Paulo reagiu à publicação feita nas redes sociais por Mayra Pinheiro, s- ecretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do governo Bolsonaro. Como mostrou a coluna, ela escreveu que os governadores e prefeitos de São Paulo, Rio e Ceará são os responsáveis pelas mortes por coronavírus que aconteceram em suas regiões. Por meio de nota, a gestão Doria classificou como “leviana e mentirosa” a afirmação da médica. “[A declaração] Tem o claro objetivo de camuflar a responsabilidade que deveria ter a União no combate à pandemia. Em vez de atacar o Governo de SP, a médica deveria coordenar uma força conjunta para diminuir o impacto da doença no país”, diz a gestão João Doria (PSDB-SP).

TCU proíbe governo Bolsonaro de anunciar em sites ilegais – O ministro Vital do Rêgo, do TCU (Tribunal de Contas da União), determinou nesta sexta-feira (10) que o governo Jair Bolsonaro cesse imediatamente a destinação de recursos de publicidade para sites e canais que promovem atividades ilegais ou cujo conteúdo não tenha relação com o público-alvo de suas campanhas. A decisão, de caráter cautelar (preventivo), foi tomada após a Folha revelar em maio que a verba oficial da propaganda da reforma da Previdência irrigou sites e canais na internet de jogo do bicho, em russo e infantis. As informações constam de planilhas da antiga Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), agora abrigada no recriado Ministério das Comunicações.

Ação do Facebook contra rede ligada aos Bolsonaros também atingiu esquerda latina – A operação do Facebook que derrubou uma rede de comportamento enganoso com 73 contas ligadas a integrantes do gabinete do presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados também mirou figuras ligadas à esquerda na América Latina. Pesquisadores do Laboratório Forense Digital do Atlantic Council, que analisam as redes eliminadas pelo Facebook, identificaram perfis e páginas operados durante campanhas presidenciais para promover a esquerda na América do Sul. Entre os alvos da ação, realizada na quarta-feira (8) e tratada por grupos bolsonaristas como uma ofensiva contra conservadores, estiveram pessoas ligadas a Rafael Correa (ex-presidente do Equador) e Lenín Moreno (presidente do Equador) e contas apoiadoras do ditador venezuelano Nicolás Maduro e do presidente da Argentina, Alberto Fernández. O presidente Jair Bolsonaro disse na quinta (9) que a ação do Facebook era uma perseguição a seus apoiadores. “No Brasil sobrou para quem? Para quem está do meu lado, para quem é simpático à minha pessoa. E a esquerda fica aí posando de moralista, de propagadores da verdade etc.”, disse em sua live semanal.

Trocas fortalecem líder do governo e miram trégua – A troca de vice-líderes do governo na Câmara, publicada em Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira, fortaleceu o líder do governo na Casa, Vitor Hugo (PSL-GO). Dos quatro nomes que passam a fazer a defesa do governo, três são alinhados com o deputado federal. Recém-nomeados, Diego Garcia (Podemos-PR), Aluísio Mendes (PSC-MG) e Carla Zambelli (PSL-SP) mantém relação estreita com Vitor Hugo na Câmara. Já a indicação de Maurício Dziedricki (PTB-PR) agrada ao presidente do PTB, Roberto Jefferson, que tem se aproximado do governo do presidente Jair Bolsonaro. O movimento para a substituição dos vice-líderes começou no início desta semana e, segundo integrantes do Palácio do Planalto, é parte da estratégia para pacificar a relação com do Executivo com Judiciário e Legislativo, além de tentar evitar distensionamentos com o Supremo Tribunal Federal (STF). Dois dos quatro deputados que perderam o cargo de vice-líderes na Câmara já criticaram ministros do Supremo, como é o de Otoni de Paula (PSC-RJ), que nesta semana ameaçou Alexandre de Moraes em vídeo postado nas redes sociais. Já Daniel Silveira (PSL-RJ) está na mira das investigações do STF que apuram a divulgação de fake news também das manifestações antidemocráticas. A justifica do governo para a saída dos deputados Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO) e José Rocha (PL-BA) é de que buscavam perfis mais empenhados em buscar votos para o governo na Câmara. A escolha dos quatro nomes passou pela chancela do presidente Jair Bolsonaro, do líder Vitor Hugo e também do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

PGR terá acesso a dados do Coaf sobre 38 mil pessoas e empresas – Com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) de obrigar o repasse de todos bancos de dados das forças-tarefas da Lava-Jato para a Procuradoria-Geral da República (PGR), o procurador-geral da República, Augusto Aras, vai ter acesso a relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) feitos para a Lava-Jato de Curitiba sobre 38 mil pessoas físicas e jurídicas, que apontam transações financeiras suspeitas. O banco de dados de informações financeiras da operação em Curitiba inclui mais de 750 relatórios do Coaf, sobre transações financeiras de R$ 850 bilhões. A partir dessas suspeitas iniciais, também houve quebras de sigilo bancário que rastreiam transações financeiras totalizando R$ 3,9 trilhões. Os dados foram obtidos pelas investigações desde o início da operação, em 2014, e focam em alvos sem foro privilegiado. Em meio a um embate com a Lava-Jato, Aras terá acesso a todo esse material após a ordem de Toffoli. O conflito veio a público depois que a subprocuradora Lindora Araújo, auxiliar de Aras, foi a Curitiba tentar obter cópia do material. Com isso, a força-tarefa enviou um ofício à Corregedoria do Ministério Público Federal apontando que Lindora realizou uma manobra ilegal para tentar obter os dados de maneira informal.

Morre Alfredo Sirkis – Um dos veteranos da resistência armada ao regime militar e precursor do ambientalismo no País, o jornalista, escritor e Alfredo Sirkis morreu nesta sexta-feira, 10, em acidente automobilístico em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O carro em que estava, um VW Polo, desgovernou-se, perto do Arco Metropolitano, bateu em um poste e capotou, no início da tarde. O ativista ambiental, que foi fundador do Partido Verde, vereador e deputado federal, morreu no local, aos 69 anos. Escrevera recentemente um novo livro: Descarbonário, um trocadilho com o título de outra obra de sua autoria, Os Carbonários – Memórias da Guerrilha Perdida. Nesta, relatou, nos anos 80, sua experiência na guerrilha urbana e na clandestinidade, na década anterior. O título do último livro do escritor diz muito da sua trajetória política, que alternou posições políticas. Alfredo Hélio Sirkis, filho brasileiro de pais poloneses, foi da Geração 68 brasileira, mas, curiosamente, começou a se politizar no lacerdismo, aos 14 anos. No golpe de 64, quis “defender o (Carlos) Lacerda”, governador udenista pró-golpe, que se entrincheirara no Palácio Guanabara. Aderiu à esquerda um pouco mais tarde, no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se tornou militante estudantil. Participou de passeatas, caiu na clandestinidade e, com menos de 20 anos, participou de ações armadas, inclusive dois sequestros de diplomatas. Sirkis integrou os comandos da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) que sequestraram em 1970 os embaixadores Ehrenfried von Holleben (Alemanha Ocidental) e Giovanni Enrico Bucher (Suíça) – este chefiado pelo ex-capitão Carlos Lamarca. Em troca, foram libertados 110 presos políticos, banidos do Brasil. Em 1971, diante do fracasso da luta armada, destroçada pela repressão que levava a sucessivas quedas de guerrilheiros, Sirkis desistiu das armas e deixou o País. Rigoroso com regras de segurança, nunca fora preso, durante a clandestinidade, embora tenha ficado perto disso.

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