Resumo dos jornais de terça-feira (26/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça-feira (26/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Atrás da vacinação, Bolsonaro agora faz afago a China

CORREIO BRAZILIENSE: GDF prevê vacinar idosos e professores até março

O ESTADO DE S.PAULO: Economia aceita volta de auxílio, mas pede corte de gastos

O GLOBO: Brasil deve ter mais de 15 milhões de doses em fevereiro

Valor Econômico: Mercado já não crê que governo vá vender Eletrobras

Resumo de manchetes

A manchete da Folha revela que “pressionado pelo atraso no início da vacinação no Brasil e pela queda em sua popularidade, o presidente Jair Bolsonaro afagou ontem o governo chinês —frequentemente atacado por uma ala do bolsonarismo— por ter dado sinal verde ao envio de um lote de insumos da Coronavac. O presidente ainda agradeceu a colaboração da China. Autoridades do país asiático autorizaram a exportação de 5.400 litros de insumos do imunizante da chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan”. O Correio informa em sua manchete que “a chegada de mais 150 mil doses de vacinas ao DF vai agilizar a imunização dos grupos previstos nas primeiras etapas da campanha contra a covid-19. A expectativa é de que todas as pessoas com mais de 80 anos e os 29 mil docentes da rede pública sejam vacinados até março, quando começa o ano letivo. A manchete do Estadão trata de uma nova rodada do auxílio emergencial, mas o ministro Paulo Guedes quer antes um acordo com o Congresso para aprovação rápida de medidas de corte de gastos. As negociações só devem avançar depois das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, em 1.º de fevereiro. O ministro quer aproveitar o momento de pressão de parlamentares, governadores e prefeitos para tentar aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) com medidas de ajuste como cortes em gastos com os servidores. O Globo anuncia em sua manchete que “de acordo com as estimativas da Fiocruz e do Instituto Butantan, o Brasil deverá ter, em fevereiro, mais 15 milhões de doses das vacinas aprovadas pela Anvisa contra a Covid-19. Com a chegada de 5.400 litros do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da Coronavac nos próximos dias, liberados pela China, o Butantan conseguirá fabricar 5 milhões de doses em 20 dias. A manchete do Valor traz a informação que a renúncia de Wilson Ferreira Junior à presidência da Eletrobras confirma as piores expectativas do mercado sobre a viabilidade de privatização da estatal, plano alardeado pela equipe econômica desde a posse de Jair Bolsonaro. Para o Valor, a saída de Wilson enterra as esperanças do mercado em relação a privatização da estatal.

Notícia do dia – Uma era no entretenimento da TV brasileira terminará no final deste ano. Assim que vencer seu contrato com a Globo, em dezembro, o apresentador Fausto Silva deixará de ocupar seu posto à frente do Domingão do Faustão, no ar desde 1989. Uma nova programação terá início em janeiro de 2022. A notícia foi confirmada pela própria Globo. “Nestes 32 anos de parceria, a TV Globo e o apresentador Fausto Silva sempre conversaram sobre novas oportunidades e inovações. Foi assim também nas últimas semanas, quando teve início o último ano do atual contrato. Mas, diante da decisão do apresentador de encerrar sua jornada à frente de programas semanais, só cabe à TV Globo respeitar e aplaudir a história que ele construiu”, afirmou, em nota, a emissora. Havia planos para o apresentador assumir um programa nas noites de quinta, mas ele não quis. Até o final do ano, no entanto, Fausto segue à frente de seu programa recebendo por ele um salário mensal estimado nas internas em R$ 5 milhões.

Notícias de primeira página

Políticos abrem disputa pelo comando da Eletrobrás – A escolha do substituto de Wilson Ferreira Júnior na Eletrobrás será definitiva para o futuro do projeto de privatização da companhia. Enquanto a área econômica do governo quer encontrar um executivo à altura de Ferreira Júnior, que acredite na capitalização da companhia, o mundo político aposta no ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que, deixaria a pasta para dar lugar ao senador Eduardo Braga (MDB-AM), ex-ministro de Minas e Energia e contrário à venda da estatal. Ferreira Jr., por sua vez, acredita em uma solução interna, que continue o trabalho de redução de custos e de melhoria da gestão que ele iniciou há quase cinco anos. Ontem, em entrevista, ele disse que a dificuldade em aprovar a privatização da estatal no Congresso motivou sua renúncia do cargo. No governo, a saída de Ferreira Jr. surpreendeu, principalmente pelo timing, uma semana antes das eleições para a presidência da Câmara e no Senado, que precisam dar aval à privatização. O Ministério da Economia sabe que a definição do novo presidente da Eletrobrás é o que vai dizer ao mercado se a privatização vai finalmente andar ou se vai naufragar de vez. Isso porque Ferreira Jr. anunciou que deixará a empresa três dias após o Estadão/Broadcast publicar uma entrevista com o candidato apoiado pelo governo Jair Bolsonaro para o Senado, Rodrigo Pacheco (DEMMG), em que ele disse claramente que a privatização da Eletrobrás não seria prioridade em sua gestão. Ele não se comprometeu com prazos e afirmou ser contra o “entreguismo sem critério”. Os investidores reagiram na mesma hora, e as ações da companhia despencaram no mercado. Chamou atenção o fato de que nem Bolsonaro, nem Albuquerque ou o ministro da Economia, Paulo Guedes, se pronunciaram após a declaração, reforçando a impressão de que a privatização só era prioridade para o próprio executivo. Foi a gota d’água.

Falta de apoio – Diante da dificuldade para aprovar a capitalização da Eletrobrás, o presidente da estatal, Wilson Ferreira Júnior, renunciou na noite de domingo ao cargo. Ontem, o executivo confirmou a sua ida para a presidência da BR Distribuidora, no lugar de Rafael Grisolia. Ferreira Júnior vai, porém, permanecer no Conselho de Administração da companhia de energia e se comprometeu a ficar no comando da empresa até 5 de março. A data da entrada na BR, porém, vai depender de se terá de cumprir quarentena, como ocorre com todo servidor público que vai para uma empresa privada. Em alguns casos, o período pode ser de até seis meses. “O que ficou faltando fazer na Eletrobrás foi aumentar a capacidade de investimentos. Se eu não consigo ter uma perspectiva para o processo acontecer, a minha função fica perdida”, disse a jornalistas em entrevista online, avaliando que o seu sucessor pode vir da própria empresa. Ferreira Júnior assumiu a presidência da Eletrobrás em 2016, com a missão de capitalizar a principal holding do setor elétrico. A companhia é responsável por 40% da geração de energia elétrica do País e quase metade das linhas de transmissão. Na época, a empresa registrava alto endividamento e sucessivos prejuízos, o que foi revertido pelo executivo. O quadro de empregados foi reduzido: saiu de 26 mil pessoas para 12 mil em 2020. O projeto de lei de capitalização da Eletrobrás enfrentou desde o início a resistência de parlamentares.

Defesa do multilateralismo – O presidente da China, Xi Jinping, apelou a todos os governos em defesa do multilateralismo e da cooperação global para a retomada do crescimento e do enfrentamento final da covid-19. “Apesar dos trilhões de dólares aplicados em pacotes de alívio em todo o mundo, a recuperação global é frágil e as perspectivas permanecem incertas. Precisamos focar nas prioridades de hoje e combinar a resposta à covid com o desenvolvimento econômico”, afirmou. A pandemia, enfatizou, está longe de ser superada. A fala de ontem, no Fórum Econômico Mundial, foi uma atualização do discurso de janeiro de 2017, apresentado poucos dias antes da posse do presidente Donald Trump. O recém-eleito presidente americano foi amplamente confrontado, naquela ocasião, por uma enfática defesa da globalização, do multilateralismo e do respeito a regras e instituições internacionais. Cada ponto valorizado naquele pronunciamento de Xi Jinping foi o oposto das políticas prometidas pelo candidato republicano, aplaudidas pelo presidente Jair Bolsonaro e por ele imitadas nos anos seguintes. Bolsonaro também seguiu a orientação de Trump votando contra interesses chineses na Organização Mundial do Comércio (OMC), acusando a China de ter produzido e espalhado o novo coronavírus e falando mal da vacina chinesa. A continuidade entre as duas falas de Xi Jinping, apesar do intervalo de quatro anos, foi ressaltada pelo fundador e presidente do Fórum, Klaus Schwab, ao dar a palavra ao presidente chinês. “Jogo de soma zero ou do tipo ‘o vencedor leva tudo’ não é a filosofia do povo chinês”, disse o presidente chinês: “Devemos manter-nos comprometidos com as leis e as normas internacionais, em vez de buscar cada um a própria supremacia.” A China, disse ele, mantém o compromisso de partilhar suas experiências com outros países, ajudar os menos preparados para responder à pandemia e trabalhar por maior acessibilidade às vacinas contra covid-19 nos países em desenvolvimento. O presidente chinês defendeu a expansão do trabalho da Organização Mundial da Saúde (OMS), a reforma da Organização Mundial do Comércio, a solução de diferenças por meio de consultas e o cumprimento dos pactos ambientais, citando o Acordo de Paris e a Agenda 2030. É preciso, disse também, abandonar os “preconceitos ideológicos” e respeitar as diferenças entre países. “A diferença, em si, não é causa de alarme.

STF determina investigação da atuação de Pazuello – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski determinou, ontem, abertura de um inquérito para apurar a atuação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no colapso da rede pública de hospitais em Manaus. O objetivo é investigar se houve omissão no enfrentamento da crise provocada pela falta de oxigênio para pacientes com covid-19 na capital do Amazonas. A abertura do inquérito, a pedido da Procuradoria-geral da República (PGR), aprofunda o desgaste de Pazuello, que viajou a Manaus no sábado passado, sem data para voltar. Sob pressão, Pazuello iria ficar em Manaus “o tempo que for necessário”, segundo informou o ministério. Procurada após a decisão de Lewandowski, a pasta informou que “aguarda a notificação oficial para posterior manifestação”. O pedido de Augusto Aras foi uma resposta à representação feita por partidos políticos, que acionaram a PGR sob a alegação de que Pazuello e seus auxiliares têm adotado uma “conduta omissiva”. Ao longo dos últimos dias, a pressão de parlamentares e da opinião pública cresceu sobre a PGR. Ao solicitar o pedido de abertura de inquérito, Aras considerou “possível intempestividade” nas ações de Pazuello, indicando que o ministro da Saúde pode ter demorado a reagir à crise em Manaus. O próprio governo já admitiu ao STF que a pasta sabia desde 8 de janeiro que havia escassez de oxigênio para os pacientes em Manaus, uma semana antes do colapso. Na decisão, Lewandowski também determinou que Pazuello preste depoimento à Polícia Federal em cinco dias e que a investigação seja concluída dentro de um prazo de dois meses. “A Constituição Federal prevê que compete a esta Suprema Corte ‘processar e julgar, originariamente’, os ministros de Estado, ‘nas infrações comuns e nos crimes de responsabilidade’”, afirmou Lewandowski no despacho.

Religiosos vão fazer pedido de impeachment – Líderes evangélicos e católicos vão aumentar a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro no Congresso. Em um movimento que será apresentado como uma “frente de fé”, um grupo de religiosos formalizará hoje, na Câmara dos Deputados, um pedido de afastamento de Bolsonaro, sob o argumento de que ele agiu com negligência na condução da pandemia de covid-19, agravando a crise. É a primeira vez que representantes desse segmento encaminham uma denúncia contra o presidente por crime de responsabilidade. O pedido de impeachment é assinado por religiosos críticos ao governo. Na lista estão padres católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e também pastores. Embora sem o apoio formal das igrejas, o grupo tem o respaldo de organizações como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a Comissão Brasileira Justiça e Paz da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e a Aliança de Batistas do Brasil. “Uma parcela da igreja deu um apoio acrítico e incondicional ao Bolsonaro independentemente do discurso que ele defendia. Queremos mostrar que a fé cristã precisa ser resgatada e que a igreja não é um bloco monolítico”, disse ao Estadão/broadcast o teólogo Tiago Santos, um dos autores do pedido de impeachment. As falhas do governo durante a crise do coronavírus, na esteira de idas e vindas sobre a importação de vacinas da China e da Índia, elevaram a temperatura política. Partidos de esquerda como PT, PDT, PSB, PSOL e PC do B, além da Rede, também vão protocolar na Câmara, amanhã, um outro pedido de afastamento de Bolsonaro, desta vez com o mote “Pelo impeachment, pela vacina e pela renda emergencial”. As siglas adiaram a formalização da denúncia, antes prevista para hoje, justamente a pedido dos religiosos, que temiam confusão entre os dois movimentos.

Vazamento de CPFS pode ser o mais lesivo – Na semana passada, a empresa de cibersegurança Psafe revelou um vazamento de dados gigantesco: são listados mais de 223 milhões de CPFS. Junto deles estão informações detalhadas de cidadãos brasileiros, incluindo foto e imposto de renda. Tudo está à venda em fóruns na internet. Ainda não é possível saber a origem do vazamento, mas há indícios, segundo especialistas, de que as informações pertençam à base de dados da Serasa Experian. Em nota, a empresa diz que investigou o caso e que os dados analisados não indicam que ela seja a fonte. “Os dados atribuídos à Serasa não correspondem aos dados em nossos arquivos”, diz. Na visão de Bruno Bioni, fundador do Data Privacy Brasil, instituição de pesquisa e ensino sobre privacidade e proteção de dados, esse pode não ser apenas o maior, mas também o mais lesivo vazamento de dados do Brasil.

Biden veta entrada de brasileiros nos EUA – O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou ontem uma ordem executiva que restabelece a restrição de entrada no país de passageiros do Brasil. A medida suspende o efeito da decisão tomada por seu antecessor, Donald Trump, que dois dias antes de deixar o cargo derrubou a proibição de entrada de viajantes do País. A medida assinada por Biden passa a valer hoje, no mesmo dia em que a ordem assinada por Trump com a liberação de entrada estava prevista para entrar em vigor. Não há prazo para a proibição ser revogada. A ordem assinada por Biden cita a variante brasileira de coronavírus. “Com base nos acontecimentos em relação às variantes e à propagação contínua da doença, o CDC (Centro de Controle de Doenças) reexaminou suas políticas sobre viagens internacionais e, após revisar as situações de saúde pública dentro do Espaço Schengen, o Reino Unido (excluindo territórios ultramarinos fora da Europa), a Irlanda, Brasil e África do Sul concluiu que medidas contínuas e adicionais são necessárias para proteger a saúde pública”, diz o texto da medida. A ordem recoloca a proibição de entrada a passageiros do Reino Unido, Irlanda, de 26 países europeus, além de Brasil e África do Sul.

Apesar de vacina, tropeços de Doria preocupam tucanos – A recente vitória política sobre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à vacina fortaleceu o governador João Doria dentro do PSDB em seu plano de disputar a Presidência da República e desviou o foco da série de reveses do tucano nas últimas semanas —da viagem a Miami a desentendimentos com prefeitos, passando por aumento na tributação e corte de verbas. Apesar de minimizados por aliados diante do êxito da Coronavac, os recentes erros e tropeços do governador estão no radar dos tucanos e podem cobrar seu preço em 2022. Se a vacina do Butantan é um ativo de longo prazo para Doria, os setores afetados por seu ajuste fiscal promovido também prometem não esquecer tão cedo o aumento no ICMS. Com a justificativa de equilibrar o caixa na crise econômica provocada pela Covid-19, o governo Doria comprou briga com setores produtivos ao cortar benefícios fiscais. Pressionado, voltou atrás em relação a alimentos e medicamentos genéricos, mas ainda trava batalha, inclusive na Justiça, com agronegócio, hospitais, farmacêuticas e revendedores de automóveis, entre outros. Outros dois recuos acabaram expondo a gestão Doria. O governador teve que repor o corte de R$ 454 milhões na verba da Fapesp (fundação de apoio a pesquisas) e pediu desculpas pela viagem aos Estados Unidos em meio à pandemia após voltar às pressas. As medidas não caíram bem para um político que adotou o discurso de defender a ciência e o isolamento social. Doria ainda comprou briga com idosos pela retirada da gratuidade no metrô para quem tem de 60 a 64 anos, com prefeitos pela fase vermelha decretada no fim do ano e com pessoas com deficiência pelo corte nas isenções de IPVA —insatisfação revelada pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) em entrevista à Folha. O governador também foi alvo de protestos neste mês. Produtores rurais organizaram um tratoraço contra a cobrança de ICMS em insumos em dezenas de cidades do interior, e a doação de cestas básicas na Ceagesp, reduto bolsonarista, também se tornou palco de manifestação contra a tributação. Comerciantes de automóveis também saíram em carreata contra o governador. O setor afirma que há 300 mil empregos em jogo. Apesar dos reveses, a avaliação geral, mesmo entre opositores de Doria, é a de que o saldo político é positivo para o governador. Ou seja, ficou claro para a população que o governo federal está a reboque do tucano na vacinação.

Rejeição ao governo é ‘ruído’ da crise na Saúde – O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) atribuiu a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a “bastante ruído” envolvendo os problemas na vacinação contra Covid-19 no Brasil e à crise de falta de oxigênio em Manaus. “Está havendo um momento aí, vamos dizer assim, de bastante ruído por dois aspectos. Um aspecto é a questão da vacina, da vacinação que, no momento que for esclarecido que o governo está fazendo o possível e o impossível para ter um fluxo contínuo. E também a questão de Manaus, no momento que isso for esclarecido, acho que diminui este ruído.” “E, óbvio, tem as eleições das duas Casas do Legislativo que influi. Então, semana que vem, acho que baixa um pouco as tensões”, disse Mourão a jornalistas ao chegar à Vice-Presidência nesta segunda (22). Nesta sexta-feira (22), pesquisa Datafolha trouxe o diagnóstico do momento, mostrando a elevação de oito pontos percentuais na reprovação ao governo Bolsonaro, que chegou a 40% e superou novamente a aprovação (que recuou de 37% para 31%).

Bolsonaros lideram ranking de ataques contra a imprensa – Balanço feito pela organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras mostra que, em 2020, o presidente Jair Bolsonaro e pessoas do seu entorno promoveram 580 ofensas a profissionais e empresas de comunicação. Bolsonaro e seus filhos Eduardo e Carlos estão no topo do ranking de “predadores da liberdade de imprensa”, feito pelos Repórteres Sem Fronteira. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) é o líder com 208 ataques a jornalistas. O presidente Jair Bolsonaro vem em seguida, com 103 ataques, e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), vereador no Rio de Janeiro, é o terceiro com 89 ataques. Bolsonaro e seus filhos respondem por 85% das ofensas promovidas por autoridades à imprensa em 2020 compiladas pela organização não governamental. O balanço do Repórter Sem Fronteiras aponta que as redes sociais foram o meio preferido de Bolsonaro, seus filhos e ministros para declarações desse tipo. Pelo Twitter, foram publicadas 489 mensagens com hostilidade a profissionais da imprensa. Metade dos ministros de Bolsonaro contribuiu com os ataques a jornalistas aferidos no levantamento. Dos 22 ministros, 11 deles promoveram alguma ofensa a jornalistas. Damares Alves, titular da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, foi quem mais atacou, protagonizando 19 episódios de hostilidade. O relatório traz uma análise em que aponta que o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, se tornou “palco de humilhações públicas de jornalistas”.

Receita registra menor arrecadação em dez anos – A Receita Federal encerrou 2020 com uma arrecadação de R$ 1,526 trilhão em impostos e contribuições, uma queda real de 6,91% em relação ao ano anterior. Afetado principalmente pelos efeitos da Covid-19 na economia, o resultado é o mais baixo em dez anos (já considerando a série histórica atualizada pela inflação). A menor arrecadação agrava o cenário de desequilíbrio fiscal impulsionado pela pandemia do coronavírus e pelas despesas anticrise criadas em 2020 (como o auxílio emergencial), aumentando a dívida pública brasileira. O principal fator para a queda foi o desempenho da atividade econômica, segundo a Receita. Houve retração em indicadores decisivos para a arrecadação — como a produção industrial, a venda de bens e serviços e as importações. Na análise por setor, os números foram impactados em 2020 principalmente pelo desempenho da arrecadação nos mercados de combustíveis (retração de 55%), entidades financeiras (queda de 21%), fabricação de veículos (diminuição de 23%) e eletricidade (menos 19%). As principais quedas foram observadas no recolhimento de PIS/Cofins, aplicados ao faturamento obtido pelas empresas (menos R$ 40 bilhões no ano, ou queda de 11% em relação a 2019); e de receita previdenciária, obtida a partir de salários (menos R$ 33 bilhões, ou queda de 7%).

Os sem outra fonte – Pesquisa Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de janeiro mostra que 69% dos brasileiros que receberam o auxílio emergencial não encontraram outra fonte de renda para substituir o benefício. De acordo com o levantamento, 40% da população solicitou o auxílio. Entre aqueles que tiveram direito a ele, 89% já receberam a última parcela. Afirmaram ter economizado recursos para quando o auxílio terminasse 38% dos beneficiados. Na média, foram pagas 4,5 parcelas do auxílio a cada beneficiado. O instituto ouviu, por telefone devido às restrições sanitárias da pandemia, 2.030 pessoas em todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Com o fim do pagamento do benefício para a maioria das pessoas, aumentou o percentual de famílias que tiveram queda na renda por causa do coronavírus, segundo a pesquisa.

Milton Ribeiro afirma que responde inquérito por defender a Bíblia – Em um culto neste domingo (24), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse não ter “vergonha de pregar o Evangelho” a qualquer momento e que, por defender o que a Bíblia diz, responde a um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). “A Bíblia diz que chegaria um momento em que as pessoas confundiriam o certo e o errado. O inquérito que eu enfrento no STF tem a ver com isso, com algo que Jesus não teve receio de dizer que não é o caminho certo”, disse o reverendo Milton, como é chamado pelos fiéis da Igreja Jardim de Oração, em Santos (SP). “Meu coração está tranquilo porque não fui chamado no STF para responder por desvio de dinheiro ou corrupção, mas por que eu disse o que a Bíblia diz”, completou o pastor, dizendo que estava “apenas fazendo um desabafo” com sua igreja.

Arthur Lira prevê vitória no 1º turno; Maia aposta em virada final – Faltando menos de uma semana para a eleição da Mesa Diretora do Legislativo, aliados do deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato à presidência da Câmara, apostam na vitória no primeiro turno. A eleição ocorre em 1º de fevereiro e, para vencer, o postulante precisa reunir no mínimo 257 votos entre os 513 parlamentares. O grupo do candidato do Progressistas e líder do Centrão estima ter 300 votos no primeiro turno. O bloco de Lira é composto por 11 partidos, que, juntos, somam 230 deputados. Seus aliados apostam nas “traições” contra Baleia Rossi (MDB-SP), principal adversário na disputa. A maioria dessas dissidências, segundo apoiadores do deputado alagoano, deverá ocorrer na bancada do Democratas, partido do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), padrinho da campanha de Rossi. Dos 29 deputados do DEM, cerca de 18 já teriam sinalizado apoio a Lira. Entre eles, os deputados Elmar Nascimento (BA) e Luís Miranda (DF). O presidente do DEM, ACM Neto, e a bancada de cinco deputados da sigla na Bahia estiveram, ontem, reunidos com Lira. Os parlamentares baianos sinalizaram que pretendem apoiar o nome do Centrão, o que foi visto como um atrito entre o ex-prefeito de Salvador e Maia dentro da cúpula do partido. Enquanto os aliados do deputado Arthur Lira (PP-AL) estão otimistas com a vitória no primeiro turno, o grupo de Baleia Rossi (MDB-SP) acredita na vitória no segundo turno. O bloco do emedebista conta com 11 partidos, que somam 238 votos, mas estima-se que ele deverá receber cerca de 220 votos. Mesmo sem o número mínimo para vencer a disputa, a pulverização de candidatos –– nove nomes estão na disputa até o momento –– deverá fragmentar as escolhas no primeiro turno, fazendo com que Lira não alcance os 257 votos necessários. Com isso, os aliados afirmam que será possível virar contra o deputado do PP. O PSol, que lançou Luiza Erundina (SP) na disputa, se juntaria às demais legendas da oposição na campanha por Baleia. Segundo aliados de Rossi, muitos deputados que estão no bloco partidário de Lira pretendem votar em Baleia, no entanto, não pretendem declarar voto por medo de represálias por parte do governo. Durante a campanha, a articulação do Palácio Planalto sinalizou liberação de emendas e distribuição de cargos para os parlamentares que embarcassem na candidatura de Lira.

Câmara: Aliados de Baleia perdem postos do governo – Na reta final da campanha para a presidência da Câmara, o governo federal deu início a retaliações e retirou cargos de deputados aliados a Baleia Rossi (MDB-SP), candidato com discurso de independência do Planalto. A ideia é pressionar para que parlamentares votem em Arthur Lira (PP-AL), aliado do presidente Jair Bolsonaro. Deputados relataram ao GLOBO terem sido informados que indicados seus em postos na administração federal foram exonerados nos últimos dias. Até há poucas semanas, o governo vinha adiando a tática de tirar cargos de aliados de Baleia Rossi para evitar um confronto direto. Um levantamento chegou a ser feito sobre quantos cargos tinham deputados de cada grupo, mas o plano era deixar essa relação de nomes em banho-maria até a eleição. Nas últimas duas semanas, porém, com a polarização da disputa, integrantes da Secretaria de Governo mudaram de ideia e as exonerações começaram. A votação na Câmara está marcada para a noite da próxima segunda-feira e deve invadir a madrugada. Flaviano Melo (MDB-AC) perdeu dois indicados no estado que mantinha desde o governo Temer. Foram exonerados neste mês Jorge Mardini Sobrinho, superintendente do Iphan, e Luciana Videl de Moura, da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Luciana é esposa do deputado. — São da época do Temer. Ninguém mexeu neles e eles ficaram lá. Nem perguntei o motivo, porque eu sou do MDB e o MDB da Câmara não é da base do Bolsonaro, mas também não ia mandar (os indicados) saírem. Me disseram só que foi ordem do Palácio — diz Flaviano. Também foi exonerado o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Sergipe, Victor Sande. Ele era indicado de Fabio Reis (MDB-SE). Procurado, o deputado não quis comentar: — Quem pode responder sobre isso é o governo. O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) também sofreu uma retaliação. Seu indicado na superintendência da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) no Maranhão, João Francisco Jones Fortes Braga, foi demitido neste mês. Ele acabou reassumindo o cargo a pedido dos deputados do Maranhão com voto declarado em Lira, segundo Rocha. — Ele tem experiência na área, como exige a Lei das Estatais. Então a bancada, pelo coordenador Junior Marreca (PATRI-MA), pegou a assinatura dos que votam com Arthur Lira para que ele permanecesse. Agora não é mais meu, não tenho mais ingerência — disse o deputado. Na semana passada, como revelou o GLOBO, o deputado Áureo Ribeiro (SD-RJ) foi retaliado após anunciar seu apoio a Baleia. A superintendente do Ministério da Agricultura no Rio, Renata Briata da Conceição, indicada por ele, foi exonerada, além de outros dois apadrinhados no estado. Ele disse ter sido comunicado de que o motivo era a eleição na Câmara. O Ministério da Agricultura exonerou também Paulo Emílio Landulfo Medrado de Vinhaes Torres, superintendente da Bahia. Ele havia sido indicado pelo presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins. Em seu lugar, foi nomeado Nilo Ferreira de Azevedo, indicado de José Rocha (PL-BA), aliado de Lira.

Saúde aprova compra de vacinas pelo setor privado – O governo brasileiro enviou um ofício à AstraZeneca aprovando uma possível aquisição de 33 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca pelo setor privado, metade das quais seriam destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do Plano Nacional de Imunizações (PNI). O gabinete ao qual o Globo teve acesso indicou que o governo não tinha objeção à compra, desde que pelo menos metade das doses fosse dada “imediatamente” ao SUS e desde que a vacina fosse utilizada para a vacinação de funcionários dessas empresas, e não para comercialização. O documento é assinado pelo secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, pelo procurador-geral da União, José Levi, e pelo chefe da controladoria-geral da União, Wagner Rosio.

Outros destaques

Aliados de Arthur Lira no DEM tentam fazer partido mudar de lado – Aliados do deputado Arthur Lira (PP-AL) no DEM dizem ter maioria suficiente para que o partido migre do bloco do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) para o liderado pelo candidato que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro na disputa pela presidência da Câmara. Partido do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (RJ), o DEM é visto como uma das bases de sustentação da candidatura de Baleia. Ontem, Lira se reuniu na Bahia com os cinco deputados do DEM no estado: Paulo Azi, Leur Lomanto Júnior, Igor Kannário, Elmar Nascimento e Arthur Maia. Eles tiraram uma foto com o candidato do PP. O gesto incomodou Maia e a cúpula do DEM, que vêm fazendo campanha por Baleia. Além disso, Lira se encontrou também com o presidente do DEM, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Eles se reuniram brevemente após um almoço do candidato com os deputados da Bahia. Aliados de Rodrigo Maia tentaram impedir o encontro, por verem um simbolismo na reunião. O presidente da Câmara pediu a ACM Neto que usasse sua influência para evitar o crescimento de dissidências no partido. O presidente da legenda, porém, disse a interlocutores estar dividido, pelo fato de a bancada do partido em seu estado apoiar Lira. Aliados de Maia reclamam que ACM Neto não agiu com veemência para evitar se indispor com parte da legenda. Procurado sobre a possibilidade de seu partido migrar para o outro bloco, Rodrigo Maia reafirmou que os aliados de Lira não têm maioria. — Não existe isso — disse ao GLOBO. Integrantes do grupo dissidente, porém, fazem outra conta: — Acredito que o DEM terá ampla maioria e não participará da chapa do PT. A cada dia que passa, com o fortalecimento da campanha de Arthur Lira, esse sentimento fica mais claro — disse Arthur Maia.

Para Maia, ministro ‘já cometeu crime’ – Numa escalada das críticas à postura do governo na pandemia de covid-19, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), disse não ter dúvidas de que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, cometeu crime na condução do enfrentamento da doença. Um inquérito foi aberto por determinação do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar se houve omissão de Pazuello na crise provocada pela falta de oxigênio para pacientes com covid-19 em Manaus (AM), onde dezenas de pacientes morreram por asfixia. “Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu crime, eu não tenho dúvida nenhuma. A irresponsabilidade dele (ao falar) de tratamento precoce, a irresponsabilidade de não ter respondido a Pfizer, a irresponsabilidade de não ter, como ministro da Saúde, se aliado ao Instituto Butantan para acelerar a produção daquela vacina, e não apenas a vacina da Fiocruz. Tudo isso caracteriza crime”, disse Maia ontem. A declaração de Maia faz também referência a uma carta enviada pelo laboratório americano ao presidente Jair Bolsonaro e ao Ministério da Saúde ainda em setembro com apelo para que o Brasil fechasse acordo para a compra de vacinas. O acordo possibilitaria ao País ter iniciado a imunização no País antecipadamente. A correspondência foi revelada na semana passada pela CNN Brasil e o Ministério da Saúde confirmou ter recebido. Para Maia, se a pasta não respondeu à carta, isso pode ser configurado como ato criminoso. Ele defendeu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). “Os crimes precisam ser investigados, por isso, defendo uma CPI.”

Tebet expõe compromisso para gestão do Senado – Os candidatos à Presidência do Senado Simone Tebet (MDB-MS) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) aprofundaram as articulações para atrair apoios. Ela protocolou, ontem, uma carta-compromisso dirigida aos colegas em que prega a união de forças no apoio ao plano nacional de vacinação contra a covid-19 e defende a aprovação de reformas importantes para o país enfrentar a crise. A parlamentar também se comprometeu a “assegurar a soberania do plenário, com a participação democrática de cada uma das senadoras e dos senadores” e “democratizar a deliberação das pautas, com implantação efetiva e representativa do Colégio de Líderes”. Até o momento, Pacheco, que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, é apontado como favorito na disputa, contando com o apoio de nove partidos (DEM, PSD, PP, PL, PT, PDT, Republicanos, Pros e PSC), que reúnem 41 parlamentares. Tebet, por sua vez, conta com apoios do MDB, Podemos, Cidadania e PSB, que somam 28 senadores.

Pouca chance para impeachment – O deputado federal Professor Israel (PV-DF) defendeu, ontem, que há motivos jurídicos concretos para a abertura do processo de impeachment de Jair Bolsonaro e que isso será suficiente para causar um crescimento do movimento pelo impedimento junto à sociedade. Em entrevista à jornalista Denise Rothenburg no programa CB.Poder — uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília ––, ele disse que caso o deputado Arthur Lira (PP-AL) vença Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pela Presidência da Câmara, seriam remotas as chances de ele acatar e fazer andar algum dos pedidos de impeachment de Bolsonaro. “Acredito que simplesmente arquivaria esses pedidos de impeachment. Lira é um deputado que tem muitas relações no Congresso Nacional e negocia a sua eleição apoiado pela máquina da Presidência da República e dos ministérios. Ele tem negociado cargos, está comprometido com o governo. E quem se compromete com esse governo, se compromete com o erro”, definiu Israel. “Instalou-se, no Brasil, o governo do absurdo. Bolsonaro, além de todos os seus erros na condução da pandemia, é o único chefe de Estado a dizer que as eleições nos Estados Unidos foram fraudadas e os impactos disso já são sentidos”, analisou Israel, salientando o isolamento do país e as dificuldades de negociação com a China para a chegada de vacinas e insumos para a produção de imunizantes. Segundo o parlamentar, a insatisfação crescente –– manifestada pelos panelaços que vêm acontecendo e as carreatas a favor do impeachment –– vai se fazer presente na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados, no dia 1º de fevereiro. “Nós não queremos que essa eleição seja contaminada por um tema que precisa ser analisado com muito cuidado, mas é claro que precisamos dizer ao Palácio do Planalto que o Congresso está vigilante. O Legislativo ainda está cauteloso quanto a uma posição sobre o impeachment”, salientou.

Bolsonaro desdenha manifestações – Apesar dos 61 processos de pedidos de impeachment contra ele, na Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro ironizou as carreatas que, no último final de semana, pediram sua saída da Presidência da República. Apesar de terem sido realizadas em várias cidades, aos apoiadores ele citou apenas a ocorrida em Campo Grande. Segundo ele, havia uns “10 carros” protestando a favor de sua saída do cargo. “Vi uma carreata monstro contra mim, de uns 10 carros”, desprezou, em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada. Em Brasília, com gritos de “Fora Bolsonaro” e buzinaço, centenas de carros saíram às ruas. A mobilização ocorreu no Eixo Monumental e na Esplanada dos Ministérios. No Rio de Janeiro, também houve carreata pedindo o afastamento do presidente, assim como em Porto Velho (RO), Cuiabá (MT) e Minas Gerais (MG). No domingo, Bolsonaro passeou de moto e não respondeu sobre a queda de popularidade do governo, segundo a pesquisa do Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. A sondagem, divulgada no último dia 22, mostrou aumento na reprovação do governo, que passou de 32% para 40%. A aprovação também caiu, indo para 37% para 31% em dezembro. A redução de apoio a Bolsonaro se manifesta, inclusive, na Câmara dos Deputados. Levantamento do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), produzido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mostra que ele contou com uma base de votos menor do que a de antecessores nos dois primeiros anos de mandato. Mesmo com o apoio de partidos do Centrão e o alinhamento maior de deputados desse bloco ao Palácio do Planalto, a adesão supera apenas a observada durante o governo de Dilma Rousseff pouco antes do impeachment, em 2016.

Auxílio emergencial: Bolsonaro não quer perder para o Congresso – As pesquisas internas do governo detectaram que o suporte a Jair Bolsonaro está caindo paulatinamente e, por isso, todo o esforço, agora, será no sentido de tentar estancar essa queda. Nesse esforço, entram as vacinas, o envio do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a Manaus e, de quebra, estudos no Planalto para ver o que é possível fazer em relação ao auxílio emergencial. O presidente está convencido de que os congressistas tentarão aprovar um benefício, a fim de ficarem com o discurso de que as pessoas só foram atendidas por causa do Parlamento. Assim, há quem diga, dentro da base, que Bolsonaro deve se antecipar a esse movimento. Obviamente, não há meios de fazer como em 2020, quando o governo queria pagar R$ 200, o Congresso elevou para R$ 500 e Palácio do Planalto deu a última palavra, fechando em R$ 600. Em 2021, não há espaço no Orçamento para esse valor, mas o governo deverá propor alguma coisa.

Vai que é tua, Pazuello – As investigações contra Pazuello são vistas entre aliados do presidente como a ação precursora de um movimento maior em prol do impeachment. Se houver alguma culpabilidade do ministro da Saúde pelos atropelos em relação à condução do plano de combate à pandemia, a ordem é afastá-lo a fim de evitar que o presidente termine responsabilizado. Os militares não estão nada confortáveis com essa história de a bomba estourar no colo de Pazuello. Afinal, o ministro estava ali para uma “missão” que dois civis não quiseram levar adiante. Luiz Henrique Mandetta foi demitido por discordar da posição de Bolsonaro em relação ao distanciamento social. E Nelson Teich não quis colocar a hidroxicloroquina nos protocolos do Ministério da Saúde. Entre os congressistas, há quem se recorde que Pazuello foi o único a declarar com todas as letras “é simples assim, um manda e outro obedece”. A frase foi dita em 22 de outubro, logo depois de Bolsonaro desautorizar o ministro sobre o protocolo para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, acertada na véspera com o Instituto Butantan.

Apex publica lista de livros de “desafetos” de Bolsonaro – A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) publicou, em seu site, lista com indicações de livros de autoras consideradas por bolsonaristas como “desafetos” de Jair Bolsonaro. Foram sugeridas obras da jornalista Patrícia Campos Mello (A Máquina do Ódio) e da cientista política Ilona Szabó (A Defesa do Espaço Físico). A lista foi formulada pela agente literária Lucia Riff. À Coluna, ela disse ter sido convidada pela Brazilian Publishers para indicar cerca de cinco livros de autores brasileiros que pudessem interessar a editores estrangeiros. “A escolha foi feita na agência. Mandei a lista, junto com uma apresentação sobre cada livro, e assim foi publicado”, disse. À noite, após contato da Coluna, a lista foi retirada do site da Apex. A agência explicou que suprimiu a publicação para averiguar seu conteúdo e que ela é de responsabilidade da Câmara Brasileira do Livro e da autora. O conteúdo, segundo a agência, foi inserido no portal pelo sistema de publicação automático do site. No início do ano passado, Jair Bolsonaro proferiu ofensas de cunho sexual contra Campos Mello em referência ao depoimento de um ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por Whatsapp prestado à CPMI das Fake News no Congresso. Ela escreveu série de reportagens sobre o assunto. Já Szabó foi demitida do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, após ter sido convidada pelo ex-ministro Sérgio Moro, a pedido do presidente.

Estados ainda negociam vacinas com laboratórios – Diante das incertezas na busca pelas vacinas, governadores mantém conversas diretamente com fabricantes. “Estamos apostando tudo na estratégia nacional, mas não paramos as conversas com os laboratórios”, disse à Coluna Renato Casagrande (PSB-ES). Ele avalia que uma eventual compra possa ser feita em cerca de dois meses, quando haverá mais doses disponíveis de diferentes imunizantes. Em São Paulo, Eduardo Leite (PSDB-RS) fará nesta terça, 26, rodada de conversas com os representantes de duas vacinas, a da Pfizer e a da Sputnik V. Há o temor de que o governo federal “requisite” as doses compradas pelos Estados. O marqueteiro de Eduardo Pazuello, Marquinhos Show, está marcando reuniões com a equipe de comunicação das secretarias de saúde estaduais para acompanhar o andamento da campanha de vacinação e alinhar estratégias.

Robôs tentam reverter declínio na aprovação do presidente – A queda no índice de popularidade do governo de Jair Bolsonaro no último mês, atingindo 40% de rejeição segundo a pesquisa Datafolha, gerou dezenas de milhares de mensagens de contas inautênticas no Twitter desde a última quinta-feira. Contas automatizadas têm trabalhado nos últimos dias para estimular hashtags em apoio à reeleição do presidente, contra o governador de São Paulo João Doria, e em oposição aos protestos contra Bolsonaro registrados no último fim de semana. De acordo com a plataforma Bot — Sentinel, um serviço que identifica o comportamento das contas gerenciadas por robôs, foi só em 20 de janeiro que mais de 15.000 tweets foram puxados por bots para colocar a hashtag #querobolsonaroate2026 — e outras pequenas variações da lista do termo no Twitter dos tópicos mais comentados. Na mesma data, mais de 150 publicações citaram o #estadodedefesaja a rejeitar um possível pedido de impeachment contra Bolsonaro. A campanha liderada por robôs foi lançada após um memorando publicado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, no qual citou o decreto de estado de calamidade pública para combater a pandemia como “antessala do estado de Defensa”, que pode ser decretada pelo Presidente para restaurar, em locais restritos e determinados, a ordem pública. No último domingo, o principal alvo dos robôs foi João Doria, adversário político do presidente Bolsonaro. Naquele dia, as hashtags Bolsonarotemrazao e #Foradoria marcaram presença no topo da lista dos assuntos mais comentados no Twitter e, segundo BotSentinel, mais de 5.300 tweets foram enviados por contas inautênticas. Essas publicações se espalharam no mesmo dia em que o Datafolha publicou outra pesquisa apontando que 46% dos brasileiros acreditam que o governador tucano fez mais contra a pandemia Covid-19 do que o presidente.

<!– Composite Start –>
<div id=”M665700ScriptRootC1048891″>
</div>
<!– Composite End –>
error: