Resumo dos jornais de terça-feira (19/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça-feira (19/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Vacinação fica sob ameaça por falta de insumo da China

CORREIO BRAZILIENSE: DF começa a vacinar hoje em 15 hospitais

O ESTADO DE S.PAULO: Falta de insumos pode parar programa de vacinação no País

O GLOBO: Início da vacinação tem incerteza sobre doses

Valor Econômico: Falta de insumo da China trava produção de vacina

Resumo de manchetes

As manchetes dos jornais, aqui resumidos, trazem em suas manchetes a notícia do dia, que é a preocupação com a falta de insumos provenientes da China para a produção das vacinas do Butantan e Fiocruz. Apenas o Correio em sua manchete prioriza o início da vacinação hoje, mas também repercute na primeira página a incerteza sobre a produção de doses.

Notícia do dia – Depois da festa da aprovação das vacinas, a ressaca da realidade cobra seu preço no Instituto Butantan e na Fundação Oswaldo Cruz. Os centros de imunizantes contra Covid-19 do Brasil estão em alerta pelo represamento de insumos para os fármacos promovido pelo governo da China. Em São Paulo, o estoque de IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), o princípio ativo da chinesa Coronavac, só permitirá a formulação e o envase até o fim de janeiro. No Rio de Janeiro, a situação é pior em relação à vacina da britânica AstraZeneca/Universidade de Oxford: a entrega do produto nem começou, apesar de ser esperada desde o final do ano passado. Pelo acertado, mais 11 mil litros do IFA chegariam ao Brasil neste mês. Isso é suficiente para algo mais que 18,3 milhões de doses formuladas aqui, mas a carga está parada no aeroporto de Pequim.

A negociação para liberá-la envolve diplomatas e o escritório de São Paulo em Xangai, e a expectativa agora é de que ela seja ao menos dividida em dois para acelerar os trâmites. Na Fiocruz, a situação é desalentadora. A fundação também tem um contrato, para a aquisição de 100,4 milhões de doses e com transferência de tecnologia do IFA, da vacina de Oxford. O governo federal se comprometeu a pagar R$ 1,9 bilhão. A primeira carga de insumos para 1 milhão de doses da fabricante WuXi era esperada para dezembro e, depois, 12 de janeiro. Não chegou. A responsabilidade pela encomenda é da AstraZeneca. Procurada, a farmacêutica informou que está “trabalhando para liberar os lotes planejados de IFA o mais rápido possível”.

Principais notícias da primeira página

Militar decide se povo viverá na democracia, diz Bolsonaro – A derrota do governo Jair Bolsonaro (sem partido) na queda de braço pelo início da vacinação contra a Covid-19 aumentou o apoio de militares da atual gestão para que o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, se afaste do comando da pasta responsável pelo combate à pandemia. Para integrantes das Forças Armadas de alta patente, a vitória do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que conseguiu sair na frente do presidente na imunização, vinculou ao general da ativa uma imagem de negligência com a saúde da população, colocando em risco a aprovação das Forças Armadas. Em meio a essa queda de braço, Bolsonaro voltou a acenar para sua base ideológica, como em outros momentos de desgaste do governo, ao dizer nesta segunda-feira (18) que “quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas”. “Por que sucatearam as Forças Armadas ao longo de 20 anos? Porque nós, militares, somos o último obstáculo para o socialismo. Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam”, disse. Em momentos de pressão, como a derrota em relação à vacina, o presidente costuma radicalizar o discurso na tentativa de fidelizar a sua base de apoio mais radical. A frase sobre as Forças Armadas já havia sido usada por Bolsonaro no início de seu mandato, em março de 2019. “A missão será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia. E isso, democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”, afirmou naquele ano, durante um evento no Rio de Janeiro.

Presidente cai em popularidade digital após vacina – Com a aprovação do uso emergencial da Coronavac e da vacina Oxford/AstraZeneca neste domingo (17), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perdeu popularidade nas redes, ao passo que o governador paulista, João Doria (PSDB), viu sua fama crescer.
No último fim de semana, Bolsonaro teve a pior pontuação do mês de janeiro no ranking do Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest. A métrica avalia o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. Bolsonaro ainda é o primeiro colocado dentre uma lista de nove nomes que devem influenciar as eleições presidenciais de 2022, mas perdeu quase 20 pontos desde o início do mês —o IPD é medido em uma escala de 0 a 100, em que o maior valor representa o máximo de popularidade. Já Doria, que chegou a ocupar a quinta posição no início deste ano, ganhou 18,7 pontos apenas entre o sábado (16) e o domingo, quando sua foto com Monica Calazans, enfermeira negra que foi a primeira brasileira vacinada, circulou nas redes sociais. Com a escalada proporcionada pela Coronavac, o tucano bateu Lula (PT), Rodrigo Maia (DEM) e Ciro Gomes (PDT) e encostou em Luciano Huck (sem partido), em segundo lugar. A diferença entre eles é de apenas 0,3 ponto, com vantagem para o apresentador.

Opositores intensificam ação pró-impeachment – Opositores do governo Jair Bolsonaro (sem partido) intensificaram campanhas pelo impeachment do presidente e afirmam que a mobilização social ganhou corpo nos últimos dias, impulsionada pelo colapso da saúde em Manaus e pela reação negativa em relação ao início da vacinação no país. Movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL (Movimento Brasil Livre), que encabeçaram as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), agora exercem pressão pela saída de Bolsonaro. Nomes da política à direita e à esquerda, como João Amoêdo (Novo) e Fernando Haddad (PT), também aderiram à campanha pelo impeachment nas redes sociais. Em entrevista à Folha publicada nesta segunda (18), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ayres Britto defendeu o afastamento de Bolsonaro. Juristas e ativistas ouvidos pela reportagem admitem a dificuldade de mobilização pelo impeachment em meio ao distanciamento social imposto pela pandemia, mas veem possibilidade de que, ainda assim, haja movimentação suficiente na sociedade civil para deflagrar o processo. Outro empecilho é o alinhamento dos deputados do centrão a Bolsonaro, suficiente para barrar o impeachment na Câmara. Nesse sentido, a avaliação dos opositores é a de que o grupo não manterá a fidelidade ao presidente caso o barco esteja afundando. Apesar do desgaste, ainda há chances de que Bolsonaro mantenha sustentação no Congresso.

Chefe do BB fica no cargo e mantém reestruturação – Ameaçado de demissão pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última semana, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, permanecerá no cargo, de acordo com membros do governo. Foco do atrito com o Planalto, a reestruturação do banco será mantida, sem mudanças no plano de demissão voluntária —que continua disponível no sistema interno dos funcionários. A principal justificativa para a manutenção do programa é que ele traz incentivos e tem adesão voluntária. Ajustes devem ser feitos apenas na parte do pacote que prevê o fechamento de agências. Segundo relatos, é possível que haja uma revisão de parte das unidades que seriam fechadas, com substituição por outras. Auxiliares do ministro Paulo Guedes (Economia) afirmam que o desfecho do caso é um sinal positivo para uma eventual privatização do banco, plano desejado pela equipe econômica, mas que sofre com resistência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A avaliação é que manter o BB competitivo, rentável, com as contas ajustadas e sem interferência política pode abrir caminho para uma oportunidade de venda da instituição no futuro.

Logística do governo federal falha, e imunização atrasa nos estados – Após problemas na logística do governo federal no envio de vacinas aos estados, com alterações repentinas dos horários dos voos e atropelos na comunicação, pelo menos 19 estados que aguardavam a chegada de lotes da Coronavac na tarde desta segunda (18) ficaram sem receber as doses. Onze deles, a exemplo da Bahia, Amazonas e Rio Grande do Norte, tiveram que alterar o cronograma e só vão iniciar a imunização nesta terça-feira (19). O atropelo na operacionalização de entregas, conforme adiantado pelo Painel, provocou críticas de governadores e autoridades de saúde locais. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e governadores tinham acordado em antecipar a data de quarta (20) para terça (19). Mas, na manhã desta segunda, no evento em São Paulo no qual o ministro anunciou que os estados estavam liberados para começar a vacinação a partir das 17h do mesmo dia, equipes de governadores tiveram a impressão de improviso. Os problemas foram grandes. Em alguns casos, autoridades estaduais já estavam aguardando nos aeroportos, quando foram surpreendidas pelas mudanças.

Pais tenta mostrar força na Amazônia diante de Biden – A eleição do democrata Joe Biden para a Presidência dos EUA fez o governo de Jair Bolsonaro adotar o discurso de ocupação militar da Amazônia como demonstração de força a outros países. A estratégia, porém, pode ficar só na retórica: o governo brasileiro deve ter uma menor presença de militares na região nos próximos dois anos. A posição sobre mostrar ao mundo que a Amazônia não está abandonada foi externada pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. Em um ofício enviado em 9 de dezembro à Câmara dos Deputados, para explicar a maior operação de simulação de guerra já realizada na região, em 2020, o ministro defendeu a estratégia. “As operações militares realizadas na Amazônia evidenciam ao mundo que o Brasil tem se preocupado em estar presente nessa estratégica porção do território nacional”, disse o titular da Defesa, pasta à qual estão ligados Exército, Aeronáutica e Marinha. Naquele momento, Biden já havia sido eleito presidente dos EUA. Cinco dias depois, o Colégio Eleitoral confirmou a vitória do democrata na disputa presidencial norte-americana. A posição do ministro da Defesa pode não encontrar eco na realidade. A Folha apurou que duas das principais frentes de ocupação militar de espaços amazônicos devem refluir em 2021 e em 2022. A Vice-Presidência da República informou à reportagem que a militarização da fiscalização de crimes ambientais na Amazônia não deve ser prorrogada, o que significa que ela deve ser encerrada em 30 de abril deste ano. O vice-presidente, general Hamilton Mourão, preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, que é responsável pela execução da GLO (garantia da lei e ordem) decretada para a região amazônica.

Trump suspende restrição de viagem do Brasil – Às vésperas de deixar o cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu as restrições de viagem a passageiros não-americanos vindos do Brasil e da Europa. O anúncio foi publicado nesta segunda-feira (18) para que a medida comece a valer em 26 de janeiro, mesmo dia em que entra em vigor a exigência de teste negativo para Covid-19 aos estrangeiros que quiserem entrar em território americano. A decisão, porém, pode ser revertida pelo democrata Joe Biden, que toma posse nesta quarta-feira (20) e tem dito que sua preocupação primordial é o combate à pandemia do coronavírus, que já matou quase 400 mil americanos.

STF rebate presidente e afirma que não vetou atuação do governo – O STF (Supremo Tribunal Federal) rebateu as declarações do presidente Jair Bolsonaro e afirmou, nesta segunda-feira (18), que a corte não proibiu o governo federal de agir no enfrentamento à Covid-19. Por meio de nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social do órgão, o tribunal ressalta que suas decisões estabeleceram a competência concorrente de estados, municípios e União para atuar contra a pandemia, sem excluir nenhuma esfera administrativa dessa responsabilidade. O texto não cita Bolsonaro, mas é uma resposta ao chefe do Executivo, que afirmou que não pode agir no combate à doença por decisão do Supremo.

Pazuello admite ter sido avisado sobre problemas com oxigênio em Manaus no dia 8 – O general Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, admitiu nesta segunda-feira (18) que soube da possibilidade de falta de oxigênio no Amazonas no dia 8 de janeiro, uma semana antes do dia mais grave de mortes por asfixia em leitos do estado. “No dia 8 de janeiro, nós tivemos a compreensão, a partir de uma carta da White Martins, de que poderia haver falta de oxigênio se não houvesse ações para que a gente mitigasse este problema”, disse Pazuello em uma entrevista coletiva em que respondeu perguntas de apenas quatro jornalistas. “Mas aquela foi uma surpresa tanto para o governo do estado como para nós. Até então, o assunto oxigênio estava equilibrado pela própria empresa”, afirmou o general. Pazuello disse que a velocidade de internações aumentou muito e que “o consumo triplicou, quadriplicou, quintuplicou”, e a empresa não deu conta da demanda.

Documento contradiz Pazuello, que nega ter recomendado cloroquina – Documento do Ministério da Saúde contradiz afirmação do ministro Eduardo Pazuello desta segunda-feira (18) de que a pasta não tem protocolo sobre uso de medicamentos como a hidroxicloquina contra a Covid-19. Ao contrário do que afirmou Pazuello, o ministério tem um guia oficial orientando a administração da hidroxicloroquina e de outras substâncias que não têm eficácia comprovada contra o vírus. “Nós defendemos, incentivamos e orientamos que a pessoa doente procure imediatamente o posto de saúde, procure o médico. E o médico faça o diagnóstico clínico do paciente. Este é o atendimento precoce. Que remédios o médico vai prescrever, isso foro íntimo do médico com seu paciente. O ministério [da Saúde] não tem protocolos sobre isso, nem poderia ter. Não é missão do ministério definir protocolo para o tratamento. Tratamento é uma coisa, atendimento é outra”, declarou Pazuello, em coletiva de imprensa ao lado do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Apesar da fala do ministro, a Saúde tem em seu site um guia com orientação para “manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19”. Na semana passada, o próprio Pazuello lançou em Manaus um aplicativo, restrito a profissionais de saúde, que estimula a prescrição de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus. O TrateCOV sugere a prescrição de hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina, a partir de uma pontuação definida pelos sintomas do paciente após o diagnóstico de Covid.

Denúncia cita R$ 1 milhão entregue a irmão de Baleia – Uma das principais pendências judiciais do entorno de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da Câmara, envolve pagamentos em espécie em benefício de uma empresa que tinha a mulher dele como sócia e que pertence ao irmão do deputado. Paulo Luciano Tenuto Rossi é réu desde o ano passado em ação penal eleitoral em São Paulo acusado de receber da Odebrecht R$ 1 milhão em dinheiro vivo pago durante a campanha de 2014 por trabalhos da produtora Ilha Produção Ltda, que pertencia também a Vanessa da Cunha Rossi, esposa de Baleia. O irmão, conhecido como Palu, também está com parte de seus bens bloqueados em decorrência desse processo, juntamente com o ex-candidato a governador Paulo Skaf (MDB), que é presidente da Fiesp (federação das indústrias de São Paulo). Skaf e Paulo Luciano são acusados no processo, aberto em maio pelo juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois. De acordo com a denúncia da Promotoria Eleitoral de São Paulo, a Odebrecht se comprometeu com o MDB a destinar R$ 6 milhões à campanha de Skaf naquele ano por meio do Departamento de Operações Estruturadas, divisão responsável por pagamentos dissimulados apelidada de “departamento de propinas”.

Famílias improvisam UTI em casa no Amazonas – O avô da servidora pública Priscila Vasques Castro Dantas, o aposentado Francisco José Casal Castro, de 82 anos, está em casa por falta de vaga em hospitais no Amazonas, que viveram colapso na semana passada diante do agravamento da pandemia da covid19 e da falta de oxigênio e outros insumos. “Minha avó, infelizmente, piorou e foi entubada no hospital, mas vovô a gente se cotizou para comprar oxigênio, bipap e todo o equipamento necessário para montar quase uma UTI para ele”, contou ela. Cuidado também em casa da covid-19, o empresário Ruberval Santana comprou um cilindro de oxigênio para seu tratamento. “Infelizmente a ineficiência dos hospitais públicos e privados nos leva a tomar atitudes assim”, conta o bancário Jhones Santana, filho de Ruberval. Para utilizar o equipamento a família precisou de ajuda profissional. “Contratamos um enfermeiro, que adicionou a válvula de instalação. Nos primeiros dias a fisioterapeuta manuseava; depois nós passamos a fazer isso ”. Desde o dia 12, a família já gastou mais de 8 mil reais com o home care. Além do cilindro, o empresário faz todo dia exames e fisioterapia. A realização de exames é vital. “Com o quadro agravando, não é só a questão de ofertar pressão e oxigênio”, explica a enfermeira intensivista Maria Cristina. “Esse paciente tem que ser monitorado também com exames de sangue – entre eles gasometria, hemograma, PCR e dímero-d”, acrescenta. “A falta de exames com resultados em tempo hábil, a visão de que o paciente precisa de tratamento intensivo hospitalar, pode ser o momento ‘ouro’ para alguns”, finaliza. A corrida para a compra de oxigênio, para quem está sendo tratado em casa é uma batalha diária. Nos grupos de Whatsapp é avisado quando chegam novos carregamentos em empresas particulares e longas filas se formam.

Guedes aposta em Lira para obter nova CPMF – A proximidade das eleições para o comando da Câmara e do Senado, marcadas para 1.º de fevereiro, recolocou de novo a proposta de criação de um tributo sobre transações financeiras, nos moldes da antiga CPMF, na agenda da equipe econômica. Desta vez, com uma alíquota mais baixa. A expectativa é grande porque o candidato apoiado pelo Palácio do Planalto na Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) – que até agora aparece à frente das intenções de voto, segundo placar do Estadão –, já se manifestou no ano passado favorável ao tributo, com a condicionante de que fosse aprovado com uma alíquota menor. Nos últimos dois anos, a proposta já entrou e saiu diversas vezes da agenda do governo, mas a avaliação da equipe econômica é que o cenário do mercado de trabalho pós-pandemia vai abrir o caminho para que ela ganhe força. Isso porque a promessa é que o novo tributo, que seria cobrado de todas as transações, poderá compensar uma redução nos encargos cobrados das empresas sobre os salários dos funcionários. Na teoria, a redução estimularia a abertura de mais vagas de trabalho, com custo menor. O ministro da Economia, Paulo Guedes, deu sinais, nas últimas duas semanas, que pode voltar com a proposta após as eleições do Congresso. Como mostrou reportagem do Estadão na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro já sinalizou para caciques do Congresso que aceitaria uma alíquota de 0,10% para o novo tributo. Esse porcentual seria cobrado tanto no débito como no crédito, na retirada e no depósito de recursos, ou seja, nas duas pontas.

FBI investiga agentes da Guarda Nacional – Após a descoberta da participação de integrantes de forças de segurança na invasão do Capitólio, investigadores procuram descobrir se entre os 25 mil soldados haveria algum que poderia facilitar a prática de atentados por extremistas quando Biden assumir a presidência amanhã. Integrantes do Departamento de Defesa dos EUA estão preocupados com a possibilidade de um ataque interno durante a posse de Joe Biden, amanhã. Segundo as autoridades, teme-se que algum envolvido na proteção do evento possa comprometer a segurança da transmissão do cargo ao democrata, o que fez com que o FBI examinasse a ficha dos cerca de 25 mil homens da Guarda Nacional enviados a Washington para a cerimônia. O enorme esforço reflete a preocupação com a segurança que tomou Washington após a invasão do Capitólio por extremistas partidários de Donald Trump. E ressalta o temor de que algumas das próprias pessoas designadas para proteger a cidade nos próximos dias possam representar uma ameaça para o novo presidente e outras autoridades presentes. A precaução extra foi tomada depois que se descobriu que vários dos invasores do Capitólio tinham laços militares, levantando questões sobre o sentimento extremista dentro das Forças Armadas. Descobriu-se também que dezenas de pessoas que estão em uma lista de suspeitos de ligação com o terrorismo estavam em Washington no dia da invasão, que deixou cinco mortos.

Empresários estão mais pessimistas – O acirramento da disputa entre o governador de São Paulo, João Dória, e o presidente Jair Bolsonaro, que deixou sua marca no início da vacinação no país, contribuiu para azedar ainda mais o humor dos empresários. Lideranças ouvidas pelo Valor temem que o clima de antecipação do embate eleitoral de 2022 emperre de vez a discussão de uma agenda de crescimento para o Brasil.

Sputnik V feita no Brasil pode ir para Argentina – A farmacêutica brasileira União Química e o fundo soberano da Rússia devem reunir-se nesta semana com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar dos documentos necessários à aprovação do uso emergencial da vacina Sputnik V no país. Na sexta-feira, a companhia apresentou pedido para o uso de 10 milhões de doses. Fernando de Castro Marques, presidente da empresa, disse que tem capacidade de produção para 8 milhões de doses por mês, já está produzindo e, se não obtiver aprovação da Anvisa, venderá para outros países. A Argentina já está usando a Sputnik V na campanha de imunização que iniciou em dezembro.

Bolsonaro tenta reagir a derrota política – Derrotado politicamente após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), dar início à vacinação contra o novo coronavírus, no último domingo, o presidente Jair Bolsonaro tentou reagir na segunda-feira e sair do isolamento. Ele se encontrou com o embaixador da Índia, Suresh K. Reddy, em uma tentativa por ora frustrada de agilizar a importação de doses da vacina Oxford/AztraZeneca; convocou ministros para uma reunião de emergência; e após meses de críticas à CoronaVac, mudou o tom e disse que a “vacina é do Brasil, não é de nenhum governador”. Integrantes do governo que evitavam se manifestar sobre a vacinação passaram a publicar em suas redes sociais a imagem de brasileiros que começaram a ser imunizados. Auxiliares de Bolsonaro reconhecem que o presidente errou ao minimizar a gravidade da pandemia, bem como ao colocar em xeque a ciência. Reservadamente, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que Bolsonaro, ao insistir no tratamento precoce, com medicamentos sem eficácia comprovada, e ao adotar uma postura contra a vacina, cedeu espaço para que o governador de São Paulo faturasse com a viabilização do início da imunização no país. Em um esforço para tentar evitar o aumento do desgaste da imagem do presidente, o governo tenta minimizar a participação de Doria no processo. Auxiliares do Planalto atribuem a responsabilidade pelas falhas ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Potencial candidato a presidente em 2022, Doria é visto como adversário de Bolsonaro em seu projeto de reeleição. A imagem do governador de São Paulo ao lado da enfermeira Monica Calazans, a primeira pessoa a receber a dose da vacina no país, irritou o presidente e seus aliados. Enquanto o tucano lucrava com a exposição, concedendo entrevista coletiva e sendo um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, Bolsonaro permaneceu em silêncio após a aprovação da Anvisa. Militares também voltaram a demonstrar insatisfação com com atuação de Pazuello, que foi mantido no cargo justamente com o argumento de que, embora não seja médico, entende de logística. Na avaliação de integrantes das Forças Armadas com cargos no governo, a atuação dele afeta a imagem do Exército não apenas pelos erros na distribuição da vacina, mas também pelo colapso da saúde pública em Manaus, onde há falta de oxigênio.

Sem imunidade, Trump pode virar réu em 10 processos – futuro de Donald Trump ainda é uma incógnita. Ele diz que pretende disputar a Presidência novamente em 2024, mas nem todos apostam nessa possibilidade. Uma outra previsão parece mais certeira: ele terá de enfrentar os tribunais por muitas acusações, várias delas apurando fatos do período anterior à sua chegada à Casa Branca. — É muito claro que o presidente se aproveitou da imunidade quando estava no cargo. Agora, é possível que ele se torne réu já no dia 21 de janeiro — afirmou Danya Perry, ex-promotora estadual e federal em Nova York à NPR, agência pública de notícias dos EUA. O republicano deverá ser alvo de processos judiciais em dez acusações diferentes. Há desde briga de família e questões tributárias a incitação à tomada do Capitólio e acusações de abuso sexual. Além de inéditas, essas ações podem ser mais danosas para Trump do que o segundo caso de impeachment, questão a ser avaliada pelo Senado. — Trump enfrentará mais riscos legais após deixar o cargo do que todos os presidentes anteriores juntos. E por uma razão simples: antes de se tornar presidente e no mandato, ele pode ter se envolvido em um volume fora do normal de comportamentos ilegais — afirmou ao GLOBO Richard Primus, professor de Direito da Universidade do Michigan.

Impulsionados pela pandemia, grupos hospitalares vivem onda de fusões – Impulsionado pela pandemia, o setor de saúde vive nova onda de consolidação. O objetivo é ganhar escala para fazer frente a uma revolução tecnológica antecipada pela crise do coronavírus, com expansão do atendimento por telemedicina e foco em procedimentos que buscam detectar o risco de o paciente desenvolver doenças graves — e, com isso, tratá-las antecipadamente. Em um setor ainda fragmentado, multiplicam-se as operações de fusões e aquisições, que buscam enfrentar a pressão de custos no setor. Uma única consultoria relatou estar envolvida em nove operações do tipo. Na avaliação de empresários e economistas, há espaço para ganhar mercado. Em um país com mais de 200 milhões de habitantes, apenas 47 milhões contam com a cobertura da saúde suplementar. Segundo Marco Novais, superintendente executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), é possível alcançar 70 milhões. Outro foco é melhorar os serviços hospitalares em cidades médias, mercado nem sempre contemplado por grandes grupos.

Outros destaques

PTB decide apoiar Arthur Lira à presidência da Câmara – O PTB decidiu apoiar, nesta segunda-feira, a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara dos Deputados. De acordo com o deputado Paulo Bengtson (PTB-PA), a decisão foi tomada pela bancada por “unanimidade”. Com 11 deputados, o PTB se junta a outras oito siglas no bloco que apoia Lira: PP, PSD, Republicanos, PL, PROS, PSC, Avante e Patriota. A legenda já indicava que faria parte do grupo do deputado do PP. O presidente do partido, Roberto Jefferson, é fiel aliado de Jair Bolsonaro que, por sua vez, é grande incentivador da candidatura de Lira. O anúncio do PTB vem no mesmo dia em que Lira teve uma má notícia. O Solidariedade anunciou que apoiará a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência. A legenda chegou a negociar e fechar uma acordo com o deputado do PP. Porém, após nova rodada de conversas com Rodrigo Maia (DEM-RJ), aliado de Rossi, houve uma mudança de posição.

Reprovação a Bolsonaro sobe a 40% – O percentual de quem avalia o governo Jair Bolsonaro como ruim ou péssimo subiu de 35% em dezembro do ano passado, para 40% em janeiro deste ano, segundo pesquisa XP/Ipespe divulgada ontem. O percentual registrado em janeiro é similar ao do início da pandemia do coronavírus, de abril de 2020. Já o percentual dos que veem a gestão Bolsonaro como ótima ou boa caiu de 38% para 32%. É a primeira vez, desde maio de 2020, em que há aumento no percentual dos críticos ao governo e redução no de apoiadores. Trata-se também da primeira vez, desde julho do ano passado, em que a avaliação negativa supera a positiva. De acordo com o levantamento, o movimento coincide com uma piora na percepção da atuação de Bolsonaro para enfrentar a crise sanitária provocada pela covid-19. São 52% os que consideram a gestão ruim ou péssima, registrando 4 pontos a mais do que em dezembro.

Sob Bolsonaro, mulher do secretário da Pesca tem cargo de gerente na Embratur – Catiane dos Santos Monteiro Seif, casada com o secretário da Pesca, Jorge Seif Júnior, ocupa cargo de confiança na Embratur, em Brasília. Ela é gerente na agência, a mais alta categoria das indicações de confiança, com salário de R$ 25.767,50, segundo dados oficiais. Seif é mais conhecido como o “06” de Bolsonaro e ganhou notoriedade no ano passado, quando, no derramamento de óleo nas praias do Nordeste, disse que peixe não morria porque era inteligente. Para advogados consultados pela Coluna, o caso pode ser enquadrado como nepotismo. Antonio Rodrigo Machado, professor de direito no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), afirma que o caso dela se encaixa na súmula vinculante 13 do Supremo, que define a prática de nepotismo. “Embora a Embratur não seja considerada entidade da administração pública direta nos moldes tradicionais, o formato é de maior influência do Poder Executivo e exige maior controle. Podemos concluir que há irregularidade nessa nomeação”, diz ele. O Turismo e a Embratur negam haver nepotismo. Segundo ambos, as regras excluem qualquer possibilidade de interferência de qualquer agente público na contratação de seus funcionários, selecionados em razão de suas competências”. A Coluna não conseguiu fazer contato com Catiane. Para André Rosilho, do Direito Administrativo da FGV, o caso ainda assim se configura como nepotismo, porque a Embratur presta contas ao TCU e tem dirigentes nomeados pelo presidente da República, entre outros exemplos que estabelecem uma “relação muito estreita com o Poder Executivo”. “Apesar da classificação jurídica da lei, a Embratur é praticamente uma ‘longa manus’ do Executivo, uma extensão. Mas mesmo que se considerasse que a Embratur não integra a administração para fins do decreto sobre nepotismo, a própria lei de instituição da agência vedou práticas de nepotismo e que pudessem configurar conflito de interesse”, conclui Rosilho. A nomeação de Catiane não consta no Diário Oficial da União porque ela é celetista, segundo a Embratur. De acordo com a agência, ela foi contratada em 22 de janeiro do ano passado para o cargo de coordenadora de ouvidoria. Menos de um ano depois, em 4 de novembro de 2020, ela foi promovida a gerente. Os dois movimentos aconteceram na gestão de Gilson Machado no Turismo, da ala ideológica do governo.

Feitiço contra o feiticeiro – Após a derrota na “guerra da vacina”, Jair Bolsonaro lançou mão de velho expediente: sempre quando acuado, o presidente lança um petardo que cria cortina de fumaça capaz de embaçar a vista da opinião pública. Desta vez, porém, o timing complicou ainda mais o presidente, afinal, a declaração de que a democracia depende da boa vontade dos militares ocorre em péssima hora: começa a se formar uma onda pró-impeachment em setores da sociedade e dos mundos político e jurídico. Integrantes do STF já brincam que, na guerra contra a covid-19, tem muito general batendo cabeça, e quem está botando ordem na casa é o “marechal” Ricardo Lewandowski, o ministro relator do tema na Corte.

Este assunto não deve ser politizado, diz Lira – Candidato à presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) disse nesta segunda-feira (18) que “não há contemporaneidade nem verdade” nas acusações feitas à Folha por sua ex-mulher Jullyene Lins. O líder do centrão, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na disputa pela sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda avaliou que o assunto “não deve ser politizado”. Em entrevista publicada na semana passada, Jullyene afirmou que Lira a agrediu fisicamente e depois a ameaçou para que mudasse um depoimento sobre acusações que ela havia feito contra ele. Lira afirma que foi inocentado na Justiça das acusações da ex-mulher. “Você, a Folha e o Brasil sabem que aquele assunto foi julgado e arquivado por improcedência e [eu fui] inocentado por unanimidade. Esse assunto é requentado a cada eleição e não é um assunto que eu fique à vontade porque este assunto não deve ser politizado por uma pessoa exposta, como é qualquer político num momento desse”, afirmou após ser questionado pela Folha em entrevista coletiva. “Todo jogo baixo, todo jogo vil, nesse momento eleitoral, é rechaçado por homens e mulheres”, afirmou. “Notícias requentadas nesse momento, no jogo baixo, não é para se tratar aqui. Tudo isso já foi resolvido há anos.”

Câmara decide que eleição com 513 deputados será presencial – Após pressão do bloco do centrão, a Câmara dos Deputados decidiu nesta segunda-feira (18) que a eleição para a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) será no dia 1º de fevereiro, em uma votação presencial. A decisão foi tomada em reunião da Mesa Diretora da Casa. A definição contraria Maia, que defendia uma votação no dia 2 de forma eletrônica. A Câmara tem 513 deputados, e nas últimas eleições a votação ocorreu dentro do plenário da Casa, que é um ambiente fechado a ventilação externa, sem janelas, propício para transmissão do novo coronavírus.

FBI indicia filho de brasileiros envolvido no ataque ao Capitólio – No âmbito das investigações de centenas de pessoas que invadiram e vandalizaram o Congresso dos Estados Unidos, Samuel Camargo, 26, foi indiciado pelo FBI, a polícia federal americana, por ter se envolvido nos atos de insurreição insuflados por Donald Trump. Filho de brasileiros, Camargo nasceu em Boston, no estado de Massachusetts, e hoje mora em Fort Myers, na Flórida. Segundo pessoas próximas ouvidas pela Folha, ele é um apoiador do republicano e participou dos comícios em Washington e dos atos contra o Capitólio para “defender aquilo em que acredita”. De acordo com uma pessoa que preferiu não ser identificada, ele não é um terrorista, não tem armas nem arriscaria sujar sua ficha criminal. No entendimento do FBI, entretanto, Camargo cometeu ao menos quatro crimes durante os protestos. Segundo a denúncia da agência federal, Camargo responderá por obstruir o trabalho de agentes das forças de segurança; por entrar em local restrito sem autoridade para fazê-lo; por envolver-se conscientemente em ato de violência física contra pessoas ou propriedades em locais restritos; e por usar conduta desordenada ou perturbadora para interromper uma sessão do Congresso —no caso, a certificação da vitória do presidente eleito dos EUA, Joe Biden. A forma como as autoridades identificaram Camargo como um dos invasores do Capitólio ilustra uma das principais estratégias de investigação do FBI para responsabilizar criminalmente os envolvidos no ataque ao Congresso: denúncias por meio de imagens publicadas nas redes sociais.

Bolsonaro insiste em tratamento precoce e volta a lançar desconfiança sobre Coronavac – Ignorando o que dizem autoridades de saúde em todo o mundo, inclusive a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a insistir nesta segunda-feira (18) no “tratamento precoce” contra a Covid-19. “Não desistam do tratamento precoce. Não desistam, tá? A vacina é para quem não pegou ainda. E esta vacina que está aí é 50% de eficácia. Ou seja, se jogar uma moedinha para cima, é 50% de eficácia. Então, está liberada a aplicação no Brasil”, disse Bolsonaro a apoiadores em vídeo compartilhado pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) em seu canal no Telegram, aplicativo de mensagens que virou queridinho da direita nos últimos dias. O canal bolsonarista que grava e publica uma versão editada da conversa de Bolsonaro com os apoiadores havia deixado este trecho de fora. No sábado (16), o Twitter marcou como enganosa e potencialmente prejudicial uma publicação do Ministério da Saúde que colocava o “tratamento precoce” como estratégia de combate ao coronavírus. Tal como compreendido e recomendado pela pasta do general Eduardo Pazuello, o tratamento precoce é composto por medicamentos como cloroquina e ivermectina, incensados por Bolsonaro, mas que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19. Em seus votos na reunião que liberou o uso emergencial da Coronavac e da vacina Oxford/AstraZeneca, neste domingo (17), diretores da Anvisa também negaram a existência de um tratamento precoce.

Bolsonaro: “É a vacina do Brasil” – Após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), dar início à vacinação no estado, no fim de semana, antecipando-se ao governo federal, o presidente Jair Bolsonaro quebrou o silêncio e afirmou que a CoronaVac, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é a “vacina do Brasil” e “não de nenhum governador”. A crítica foi uma indireta ao tucano, o principal opositor político dele. Mesmo assim, Bolsonaro já havia chamado a CoronaVac de “vacina chinesa de João Doria”, tendo criticado o imunizante ao longo de toda a pandemia. Ele chegou a dizer que não ia adquirir o produto, em dezembro do ano passado, quando o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou o protocolo de aquisição de 46 milhões de doses. Apesar da aprovação de uso emergencial da vacina, Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a eficácia do imunizante. A apoiadores, na saída do Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo disse que “se jogar uma moedinha para cima, é 50% de eficácia” e que a vacina “é para quem não pegou covid-19 ainda”. “No que depender de mim, não será obrigatória. É uma vacina emergencial, 50% de eficácia, algo que ninguém sabe ainda se teremos efeitos colaterais ou não”, disparou.

Solidariedade troca Lira por Rossi – Na reta final da corrida pela Presidência da Câmara dos Deputados, o candidato Baleia Rossi (MDB-SP) conseguiu, ontem, atrair o Solidariedade para o seu bloco partidário. A sigla, que conta com 14 parlamentares, estava oficialmente no grupo do principal adversário do emedebista, o deputado Arthur Lira (PP-AL). De acordo com integrantes da legenda, a proximidade de Arthur Lira com o presidente Jair Bolsonaro pesou na decisão da comitiva do partido. Além disso, integrantes da sigla afirmam que a candidatura do emedebista representa a manutenção da independência do Legislativo. “O que mais pesou dentro do partido foi a proximidade do candidato Lira com o presidente Jair Bolsonaro. Além disso, pesou na nossa decisão o conjunto de forças que vem apoiando o Baleia, a centro-esquerda e a centro-direita. Isso pode criar um movimento para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou o deputado Paulinho da Força (SP), presidente nacional do Solidariedade. Questionado se todos os integrantes do partido votarão com Rossi, Paulinho argumentou que, a partir de agora, conversará com todos os deputados para que a orientação seja seguida. Já o candidato emedebista afirmou que não apostará na “exposição” de parlamentares.

O café frio de Maia e o medo de Lira – A decisão da Mesa Diretora da Câmara, de fazer a eleição para a Presidência da Casa de forma presencial, é vista nos bastidores como um sinal forte de que o atual comandante, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não tem mais tanto poder de mando de campo. Porém, não significa que a situação não está ganha para o líder do PP, Arthur Lira (AL), na disputa para suceder a Maia. A pressão do Centrão pela votação presencial, avaliam aliados de Lira, é uma demonstração de que o PP teme as traições e quer a segurança da disputa olho no olho, pois alguns ficam constrangidos em trair o partido. A menos de duas semanas do pleito, qualquer deslize pode atrapalhar a estratégia de definição no primeiro turno.

 

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