Resumo dos jornais de terça-feira (16/02/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça-feira (16/02/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Manaus tem o quíntuplo de mortes das capitais

CORREIO BRAZILIENSE: MPDF: descaso de jovens prejudica combate à covid

O ESTADO DE S.PAULO: Com apoio do BC, cooperativas de crédito ganham mercado

O GLOBO: Falhas na lei dificultam punições de crimes digitais

Resumo de manchetes

A manchete da Folha revela que Manaus apresenta o quíntuplo de óbitos por milhão de habitantes da média das capitais brasileiras em 2021. Neste ano, foram 1.486 óbitos por milhão em Manaus ante 263 nas capitais. A manchete do Correio traz um alerta da força-tarefa do Ministério Público do Distrito Federal sobre a irresponsabilidade dos jovens, o que dificulta o combate ao coronavírus no DF. Segundo levantamento do MPDF, a maior parte do público transgressor está na faixa etária entre 20 e 30 anos. O Estadão traz uma manchete que mostra que em movimento contrário ao dos grandes bancos, que estão fechando agências, as cooperativas de crédito ampliaram a presença física no País durante a pandemia, com o apoio do Banco Central. O BC estabeleceu como meta o aumento da participação das cooperativas no Sistema Financeiro Nacional dos atuais 10% para 20% até 2022. Hoje, há 827 cooperativas de crédito no País, com ativos totais de R$ 310 bilhões e uma carteira de empréstimos de R$ 156 bilhões. Maior instituição do segmento, o Sicoob abriu 197 agências em 2020, um crescimento de 6% da sua base. O Sicredi, segunda maior cooperativa, aumentou sua rede em mais 150 pontos na pandemia. A manchete de O Globo traz um alerta sobre os registros de crimes digitais como vazamentos de dados, clonagens de cartões e acesso indevido a dados pessoais que estão ficando cada vez mais comuns no Brasil. Nas últimas semanas, dois grandes incidentes chamaram a atenção: a exposição de dados de mais de 223 milhões de pessoas, incluindo já falecidas, e a descoberta de um banco de dados com informações detalhadas de mais de cem milhões de números de celular. Segundo especialistas, a impunidade incentiva ataques e está ligada a brechas na legislação, que não caracteriza muitos crimes virtuais e prevê penas brandas para crimes como invadir sistemas: de três meses a um ano de prisão. Nos Estados Unidos, são 20 anos de detenção. Na Coreia do Sul, dez. Na Europa, três a cinco.

Notícia do dia – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou nesta segunda-feira (15) o Facebook e defendeu o aumento da tributação das redes sociais no Brasil. Em mais uma reclamação contra as políticas das mídias sociais contra a disseminação de notícias falsas, o mandatário disse que “o certo é tirar de circulação” veículos como a Folha, O Globo, O Estado de S. Paulo e o site O Antagonista. “Com todo respeito […] eu sou qualquer um do povo: proibir anexar imagens a título de proteger fake news. O certo é tirar de circulação —não vou fazer isso, porque sou democrata— tirar de circulação Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, [O] Antagonista, [que] são fábricas de fake news”, disse o presidente. “Agora deixa o povo se libertar, porque tem liberdade. Logicamente que se alguém extrapolar alguma coisa, tem a Justiça para recorrer. Agora o Facebook bloquear a mim e a população é inacreditável […] E não há uma reação da própria mídia, ela se cala. Falam tanto da liberdade de expressão para eles em grande parte mentir com matérias. Agora para a população é uma censura que não se admite”, completou, em vídeo transmitido numa rede social de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (Republicanos-SP).

Primeiras páginas

Pressionar Judiciário é intolerável, diz Fachin – O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta segunda-feira (15) ser “intolerável e inaceitável qualquer tipo de pressão injurídica sobre o Poder Judiciário”. A declaração é uma resposta à revelação de que a cúpula do Exército, então comandado pelo general Eduardo Villas Bôas, articulou um tuíte de alerta ao Supremo antes do julgamento de um habeas corpus que poderia beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. Lula acabou tendo o pedido negado pelo plenário do Supremo e, no dia 7 de abril, foi preso e levado para Curitiba. Deixou a cadeia 580 dias depois, após o STF derrubar a regra que permitia prisão a partir da condenação em segunda instância.

Candidatos declararam R$ 200 mi de locomoção – Em pleno ano de pandemia da Covid-19, com medidas de distanciamento em vigor, candidatos a prefeito e a vereador gastaram no ano passado quase R$ 200 milhões em combustíveis, locação de veículos, além de transporte, hospedagem e passagens aéreas. Esses recursos saíram especialmente do fundo público de financiamento de campanha. Segundo levantamento da Folha com ferramenta do Transparência Partidária, desenvolvida pelo Volt Data Lab, e usando dados da prestação de contas dos candidatos, o campeão de gastos com combustíveis e lubrificantes foi o deputado Nicoletti (PSL-RR), candidato derrotado do PSL à Prefeitura de Boa Vista. Nicoletti declarou ter gastado R$ 385 mil em combustíveis e lubrificantes com recursos do fundo especial de financiamento de campanhas, sendo R$ 380 mil pagos a um mesmo CNPJ. Com esse dinheiro, levando-se em conta o preço médio da gasolina e do diesel em Boa Vista, é possível rodar 1.097.886 km de Uno Mille, o que equivale a dar a volta no globo terrestre 27 vezes. Questionado pela Folha, o deputado informou que foram utilizados carros alugados “durante toda a campanha, em um total de 88 veículos por um prazo de 45 dias, com uma média de consumo de 15 litros diários”.

Oposição troca impeachment, por desgaste até 2022 – Apesar dos tuitaços, panelaços e carreatas, congressistas da oposição admitem nos bastidores que lhes interessa mais a manutenção de “clima de impeachment” e sangria de Jair Bolsonaro (sem partido) até as portas de 2022 do que a efetivação real de um processo para a saída do presidente do cargo. O cálculo se baseia na avaliação principal de que o presidente tem hoje amparo do centrão para derrotar qualquer pedido. Ou seja, na hipótese de ser deflagrado na Câmara, o impeachment seria derrotado por Bolsonaro, que sairia fortalecido politicamente. Mesmo em um improvável cenário de sucesso, assumiria o governo o general Hamilton Mourão (PRTB), que, embora seja visto como mais sensato e eficiente em relação a Bolsonaro, está longe de ser do agrado da esquerda. Ele teria um tempo relativamente longo para arregimentar apoio e estrutura, podendo vir a se tornar, inclusive, um real adversário da oposição em 2022.

Almirante ’02 do Itamaraty’ vira opção a Ernesto – Com o aumento da resistência no exterior ao chanceler Ernesto Araújo, um assessor direto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem participado de missões diplomáticas a países cujas relações com o Brasil enfrentam dificuldades. Sem status de ministro, mas considerado o auxiliar mais próximo do presidente, o secretário especial da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), almirante Flávio Rocha, viajou recentemente a países com os quais o chanceler perdeu a capacidade de interlocução por causa de posições ideológicas, como China e Argentina. A atuação do militar, que é chamado de “os olhos e ouvidos” do presidente, rendeu-lhe no Palácio do Planalto o apelido de “02 do Itamaraty”. A alcunha, no entanto, é refutada pelo almirante, que já disse a integrantes do governo que não tem ambições políticas. Apesar da resistência do militar, que não tem pretensão de deixar o atual cargo, o nome dele entrou, em janeiro, na bolsa de apostas para substituir o chanceler, quando a queda dele era dada como certa por causa das negociações para trazer ao Brasil insumos farmacêuticos da China e vacinas contra o coronavírus da Índia. Último seguidor do ideólogo Olavo de Carvalho na Esplanada dos Ministérios, o atual chanceler, no entanto, ganhou sobrevida na pasta com a solução dos problemas, o que contou com a atuação nos bastidores dos ministros da Agricultura, Tereza Cristina, e das Comunicações, Fábio Faria.

Viajante do Brasil paga R$ 13 mil por quarentena em hotel na Inglaterra – Passageiros que chegam ao Reino Unido partindo do Brasil a partir desta segunda (15) precisam ter reservado dez dias de hotel para a quarentena obrigatória, ao preço de 1.750 libras (pouco mais de R$ 13 mil) —mais 650 libras por adulto adicional e 325 libras por criança de 5 a 12 anos. Um casal com um filho, portanto, pagará o equivalente a R$ 20.353. As reservas precisam ser feitas antecipadamente por um portal do governo britânico. A regra vale para viajantes de 33 países que integram uma “lista vermelha”, por apresentarem alta circulação de variantes mais contagiosas (na Escócia, todos os ingressantes, independentemente da origem, terão que se confinar em hotéis por dez dias). Os passageiros serão levados diretamente da chegada para os hotéis onde ficarão confinados. Quem for pego tentando escapar da quarentena pode ser multado em até 10 mil libras (R$ 74,7 mil) e mentir ao preencher o formulário de localização é punível com até 10 anos de prisão, segundo o governo britânico.

Lewandowski pede dados de gastos da Saúde com cloroquina – O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (15) o levantamento de informações sobre gastos do governo federal com aquisição e distribuição de cloroquina. Ele ordenou também que sejam identificados os responsáveis pelo TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde que sugeria o medicamento para o tratamento da Covid-19. Cloroquina e hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra a nova doença. A determinação do ministro atende a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) no inquérito que apura a responsabilidade do ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello, no agravamento da crise sanitária do Amazonas. Lewandowski é o relator do caso.

Presidente defende spray sem eficácia comprovada contra coronavírus – O spray nasal EXO-CD24, originalmente desenvolvido para combater câncer de ovário, deverá ser testado no Brasil contra Covid-19, segundo anunciou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em sua rede social nesta segunda-feira (15). Mais tarde, em São Francisco do Sul (SC), o presidente afirmou que deve enviar uma equipe a Israel para tratar do spray e negociar sua adoção no Brasil. A droga, no entanto, ainda não possui eficácia comprovada para o combate ao coronavírus. “EXO-CD24 é um spray nasal desenvolvido pelo Centro Médico de Ichilov, em Israel, com eficácia próxima de 100% (29/30), em casos graves, contra a Covid”, escreveu Bolsonaro em suas redes sociais. “Brevemente será enviado à Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] o pedido de análise para uso emergencial do medicamento.

Parte da cúpula do Congresso é investigada pela Justiça – A articulação do Palácio do Planalto com o Centrão para controlar o Congresso levou à cúpula da Câmara e do Senado parlamentares com extensa folha de pendências com a Justiça. Dos 14 integrantes das Mesas Diretoras de ambas as Casas (presidente, vices e secretários), oito respondem ou são investigados por crimes diversos que vão de estupro e recebimento de propina até contratação de funcionários fantasmas e fraude em licitação. Todos foram alçados às funções pelos colegas parlamentares e com uma ajuda extra do presidente Jair Bolsonaro. Como o Estadão revelou, o governo liberou ao menos R$ 3 bilhões em recursos extras para captar parte dos votos que elegeram Arthur Lira (Progressistas-AL) presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o comando do Senado e a consolidar uma maioria governista em postos-chave do Congresso. As demandas judiciais, no entanto, passaram ao largo das discussões para a formação das respectivas Mesas. O único que sofreu algum desgaste por figurar no banco dos réus foi Lira, alvo da Lava Jato e de outros inquéritos. Mas, apesar do discurso anticorrupção repetido a exaustão na campanha eleitoral de 2018, o histórico do líder do Centrão não impediu Bolsonaro de abraçá-lo. Lira é réu no chamado caso do “quadrilhão do PP”, formado por parlamentares que se articularam para desviar dinheiro da Petrobrás, segundo a Procuradoria-geral da República. Também é acusado de corrupção por indícios de ter recebido R$ 106 mil em propina para emprestar apoio político ao então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos. Um assessor de Lira, de acordo com a denúncia, foi escalado para levar o dinheiro de São Paulo a Brasília. Foi descoberto ao camuflar cédulas pelo corpo. Nos escaninhos do Judiciário de Alagoas, o nome de Lira também se repete. Além de órgãos de fiscalização, há litígios com pessoas comuns. Um deles se arrasta desde 2018. Fazendeiro, o deputado arrendou uma propriedade para criar 400 cabeças de gado. Pouco depois, disse que a terra só estava em condições de receber 50 e deixou de pagar o valor contratado. O proprietário faleceu e a família segue sem receber. “Ele se recuperava de um câncer e nem isso amoleceu o coração do deputado. Recuperamos a terra e continua o processo de cobrança dos débitos”, contou o advogado Igor Manoel de Barros Bezerra, que representa a família. A 2.ª Secretaria da Câmara é da deputada Marília Arraes (PT-PE). Aliada de Lira, ela impôs uma derrota ao próprio partido ao vencer a disputa interna e ficar com o cargo. O Ministério Público de Pernambuco ajuizou ação que pede a devolução de R$ 156 mil gastos, segundo o órgão, para pagar quatro assessores que não davam expediente na Câmara do Recife. O caso é de quando ela era vereadora na capital pernambucana. Em novembro de 2020, a carreira política do senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO) sofreu um abalo. Uma modelo de 22 anos acusou o parlamentar, de 38, de a ter estuprado em um hotel, em São Paulo. O caso teve grande repercussão. Menos de três meses depois, antes de qualquer desfecho na investigação aberta pela polícia paulista, ele foi eleito pelos pares 1.º secretário do Senado, função com elevado poder político e administrativo. Além de Irajá e Romário, os outros quatro senadores são alvo de ações resultantes de atos praticados ainda como gestores, quando eram do Poder Executivo em seus respectivos Estados. São casos que se arrastam há anos na Justiça e passam pelo chamado “elevador processual”, um vaivém de instâncias e esferas competentes para cuidar dos processos. É o caso de Rogério Carvalho (PT-SE), condenado em primeira instância, em 2019, por irregularidades em contratos assinados quando foi secretário de Saúde de Sergipe. Já o 4º secretário, Weverton Rocha (PDT-MA), comandou a pasta de Esportes do Maranhão e ainda responde a ação por indícios de fraudes em um contrato de 2008. O 1º vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), e o 2º Secretário, Elmano Ferrer (Progressistaspi), têm pendências relacionadas aos períodos em que foram prefeitos de suas cidades, Campina Grande (PB) e Teresina (PI), respectivamente.

Economista da Nigéria será a 1ª mulher a dirigir OMC – A ex-ministra das Finanças nigeriana Ngozi Okonjo-iweala, de 66 anos, será a primeira mulher e a primeira africana a se tornar diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ela foi anunciada como a nova representante da instituição ontem, durante uma reunião virtual. Como diretora-geral da organização, uma posição que tem poder formal limitado, a nigeriana precisará intermediar as negociações comerciais internacionais, em face da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Ela também terá o desafio de responder à pressão para reformar as regras comerciais e combater o protecionismo intensificado pela pandemia de covid19. Ela deve começar em 1.º de março seu mandato, que vai até agosto de 2025, mas ainda pode ser renovado. A nigeriana, que foi ministra das Finanças de seu país por duas vezes, vai substituir o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, que estava no posto desde 2013, mas deixou a OMC e hoje é vice-presidente executivo e diretor de relações corporativas da empresa de alimentos e bebidas Pepsico. O conselho da organização, que inclui 164 países-membros, considerava oito candidatos para o cargo. Em seu discurso, a ex-ministra nigeriana disse que conseguir um acordo comercial na próxima reunião será a “prioridade máxima” e também pediu aos membros da organização que rejeitassem uma postura nacionalista na gestão da vacina contra a covid-19. A economista também disse que ficou honrada por ter sido selecionada e trabalhará com os países-membros para tratar de questões de saúde causadas pela pandemia e “fazer a economia global funcionar novamente”.

OMS aprova vacina de Oxford e AstraZeneca – A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou ontem o uso emergencial da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica Astrazeneca em parceria com a Universidade de Oxford. O anúncio foi feito poucos dias depois que seus assessores concluíram que o imunizante era recomendável para idosos. A vacina é a principal aposta do governo federal para a imunização da população brasileira. Por meio da Covax Facility, aliança da OMS para a distribuição igualitária de vacinas contra a covid-19 entre os países, o Brasil deve receber 1,6 milhão de doses no primeiro trimestre deste ano e 4,4 milhões a 6 milhões no segundo trimestre. Até o fim de 2021, o acordo do Brasil com a Covax Facility estima que sejam enviadas 42,5 milhões de doses ao País, o que daria para imunizar 21,25 milhões de brasileiros. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem parceria com a farmacêutica e com a universidade para desenvolvimento do imunizante no Brasil.

Decreto das armas divide Centrão – Duas semanas após ajudar a eleger Arthur Lira (PP-AL) como novo presidente da Câmara negociando emendas e cargos com partidos políticos, o presidente Jair Bolsonaro enfrenta o primeiro teste de fogo de sua aliança com o Centrão para sua agenda pessoal. Os quatro decretos editados na última sexta-feira para flexibilizar regras para compra e uso de armas no país sem passar pelo Congresso são questionados tanto por parlamentares de oposição como por deputados de siglas que compõem a nova base do governo. A reação aos decretos das armas, segundo parlamentares ouvidos pelo GLOBO, vai dar a dimensão ao presidente de que, apesar de ter saído vitorioso na eleição no Congresso, não terá apoio irrestrito, mesmo do Centrão, em suas pautas. E sinaliza ao governo que a cada nova pauta a negociação deverá ser retomada do zero, principalmente nos projetos que tratam de costumes. Lideranças de siglas como PL e PSD, duas das maiores do Centrão, e do MDB, já se manifestaram de forma contrária aos decretos. O Cidadania apresentou ontem um decreto legislativo para derrubar as novas normas, sob alegação de que o ato do presidente usurpa poderes do Congresso de legislar. Em sua primeira manifestação, Lira afirmou discordar dessa avaliação. O posicionamento mais emblemático até o momento é o do vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), eleito na chapa de Lira com o apoio do Planalto. No Twitter, o parlamentar criticou o conteúdo dos decretos e afirmou que que Bolsonaro exacerbou sua competência.

Outros destaques

Barroso libera julgamento sobre isenção a revólveres e pistolas importados – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, liberou nesta segunda, 15, o julgamento sobre resolução do governo Jair Bolsonaro que busca zerar a alíquota de importação de revólveres e pistolas. O processo começou a ser discutido no plenário virtual da Corte no último dia 5, mas foi suspenso após Barroso pedir vista (mais tempo de análise) na última terça, 9. O julgamento o será retomado no dia 26 no plenário virtual e na esteira de novos decretos do governo para facilitar acesso a armas e munições. Na sexta, 12, Bolsonaro alterou quatro decretos de 2019 para ampliar os limites de aquisição de armas e munições por agentes de segurança e grupos de Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs). A resolução questionada no Supremo foi assinada em dezembro pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) e zerava a alíquota sobre armas importadas hoje fixada em 20%. A medida entraria em vigor no mês passado, foi suspensa por liminar do ministro Edson Fachin, em uma ação movida pelo PSB.

Desgaste de Moro começou em 2019 – Na avaliação de especialistas, a imagem de Sergio Moro está arranhada politicamente desde o momento em que ele aceitou assumir um cargo no governo recém-eleito do presidente Jair Bolsonaro. O analista Melillo Dinis, do portal Inteligência Política, afirma que, apesar de enfraquecido, ainda não é possível prever como o ex-ministro estará em 2022. “Ele vem numa descendência grande. E o primeiro movimento descendente dele foi quando deixou de ser juiz e virou ministro. Agora, virou agente privado”, destaca. Professor de direito administrativo na Universidade de São Paulo (USP) e no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Gustavo Justino de Oliveira, estudioso da Lava-Jato, acredita que o ex-juiz terá um futuro político de “ostracismo total”. “Uma coisa é o Moro como magistrado. Acho que ele fez um trabalho muito consistente. Mas, a partir do momento em que deixa a magistratura e, imediatamente, entra no governo, ele mesmo se coloca em suspeição. É como se tivesse neutralizado o legado como magistrado”, enfatiza. A situação se agrava, de acordo Oliveira, quando ele sai do governo da forma como fez — acusando Bolsonaro de interferência na Polícia Federal para fins pessoais — e ingressa em uma empresa que presta serviço a outras companhias investigadas pela Lava-Jato. Para o especialista, no entanto, Moro pode até ter um futuro político, pontuando que o voto do brasileiro é muito “passional”, mas não vê espaço para o ex-juiz na política. Se antes o ex-ministro era um nome forte para a Presidência, com os desgastes que vem sofrendo, somado a decisões desfavoráveis a ele no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ser que pense duas vezes antes de se arriscar em um pleito, segundo o cientista político Ricardo Ismael, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). O analista ressalta que Moro não tem apoio na classe política. Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, aponta que o quadro para Moro é de dificuldade, mas que ele não pode, nem de longe, ser visto como uma carta fora do baralho. Para Justino de Oliveira, o Supremo Tribunal Federal ainda deve dar uma série de decisões que podem colocar em xeque não só a Lava-Jato, mas a postura de Moro como juiz. “É saber se isso vai dar força à candidatura, ou é a pá de cal que se esperava”, diz.

O limite do Centrão – As críticas do vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos, ao decreto de ampliação das armas editado pelo presidente Jair Bolsonaro representam a marca no chão feita pela maioria do bloco que elegeu Arthur Lira para o comando da Casa. A ordem é trabalhar as reformas que permitam “vacina no braço e comida na mesa”, conforme o próprio Ramos respondeu aos bolsonaristas que o atacaram nas redes sociais por causa da avaliação sobre o decreto “adentrar numa competência exclusiva do Poder Legislativo”. Nos bastidores, muitos integrantes do Centrão consideram que o recado está dado: Bolsonaro não contará com todo o bloco que elegeu Lira, se houver proposta de suspensão do decreto das armas e, de quebra, terá dificuldades em fazer valer no plenário a chamada pauta ideológica.

A hora da verdade – Passada a audiência do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no Senado, aliados do Planalto vão apelar ao presidente do Senado que não instale a CPI para investigar as responsabilidades do governo federal sobre a pandemia e o colapso em Manaus. Os líderes do governo temem que uma investigação tumultue o ambiente político para a votação das reformas e do auxílio emergencial.

Santo de casa – A iminente suspensão da aplicação de vacinas no Rio de Janeiro por falta de doses vai respingar no governo federal. Afinal, é onde o presidente Jair Bolsonaro tem seu berço político. Para a oposição, será um prato cheio. Bolsonaro, porém, não ficará com essa batata quente no colo. Quem está no olho do furacão na saga das vacinas e no inquérito que apura o caso de Manaus é o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Pressionado até pelo Centrão, que deseja o cargo. Nesse quadro, a CPI é o único flanco que pode tentar levar a crise para o lado de Bolsonaro. Daí, a preocupação do governo.

Sem doses, vacinação pode parar no DF – A Secretaria de Saúde trabalha com a possibilidade de ter que pausar, nas próximas semanas, a vacinação contra covid-19 no DF, como aconteceu na cidade do Rio de Janeiro. Isso porque não há doses para ampliar o público e novas remessas estão previstas para chegar em 23 de fevereiro. Até o dia 22, a expectativa é de que a população com 79 anos ou mais esteja toda imunizada com as primeiras doses. O problema é que a chegada de novas vacinas é instável e técnicos da pasta temem que o Ministério da Saúde não consiga cumprir o prazo e só informe um possível atraso às vésperas da data. Ao caldeirão de preocupações da pasta, ainda se adiciona a provável circulação da variante britânica da covid-19 no DF.

Região Norte deve ter reforço na vacinação – Na reunião com governadores na próxima quarta-feira, 17, o Ministério da Saúde deve anunciar o envio extra de vacinas para o Pará e o Amazonas. Os porcentuais ainda estão sendo acordados com os Estados, mas o objetivo é tentar conter o avanço da nova cepa do coronavírus. O reforço de imunizantes deve ocorrer, em seguida, para os demais Estados da região amazônica, segundo a Coluna apurou. O ministério de Eduardo Pazuello, como mostrou o Estadão, já contabiliza ao menos 170 casos da variante no País. A maioria na região Norte: 128. O governador Helder Barbalho (MDB-PA) diz já haver transmissão comunitária da nova cepa no Pará. Em ofício à Saúde, ele se queixou de ter sido o Estado com menor número de doses recebidas per capita, cerca de 2% da população. Barbalho pediu à Saúde uma barreira imunológica e sanitária na região para impedir o avanço do vírus. “Tenho que deixar o sistema colapsar para poder ser tratado na proporção?”, disse à Coluna. “Muito provavelmente em todos os Estados já deve haver esta variante, até porque continua a circulação aérea e outros meios de transporte. Temos que trabalhar com esse cenário”, afirmou o governador do Pará. O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), também está na expectativa de receber um reforço de vacinas. Disse que, quando houve acordo para enviar mais doses ao Amazonas, foi feita uma promessa de compensação aos demais Estados do Norte num segundo momento. Na reunião da Saúde com os governadores, também deve haver o anúncio de novas aquisições de vacinas.

Sinal amarelo – Os recentes ataques hackers a sites oficiais, como o que ocorreu na página do Ministério da Saúde, têm alarmado o setor de Tecnologia da Informação do governo federal. De acordo com a Associação Nacional dos Analistas em Tecnologia da Informação (Anati), a falta de pessoal da área tem deixado a segurança digital do governo exposta. São hoje 450 servidores para todo o Executivo federal e 389 vagas estão desocupadas, segundo a associação. A entidade também ofereceu ajuda à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para apurar o caso do vazamento de dados de mais de 100 milhões de cidadãos.

Barroso: há “operação abafa” contra lava jato – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que “eventuais excessos” da Operação Lava-Jato, revelados nos supostos diálogos entre procuradores obtidos após um ataque hacker, não podem desviar o foco do combate a uma “corrupção sistêmica” que existe no Brasil. Em uma entrevista ao historiador Marco Antonio Villa, exibida no último sábado, Barroso citou existir em curso uma “operação abafa” por meio da aliança de todos os setores para enterrar as ações de combate à corrupção. — Não é esse o ponto, alguém ter dito uma frase inconveniente ou não. É que estão usando esse fundamento pra tentar destruir tudo que foi feito, como se não tivesse havido corrupção. O problema do Brasil foi a Lava-Jato e os seus eventuais excessos, não foi a corrupção — ironizou o ministro. Barroso citou que um ex-gerente da Petrobras devolveu mais de R$ 100 milhões de propina desviada dos cofres da estatal e lembrou a apreensão de R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), dentre outros casos apurados na Lava-Jato. Citou também a existência de agentes públicos desviando recursos da saúde que deveriam ser usados no combate à pandemia. —Então é claro que se tiver um excesso, ele deve ser objeto de atenção. Mas é preciso não perder o foco. O problema não é ter tido exagero aqui ou ali. O problema é esta corrupção estrutural, sistêmica, institucionalizada, que não começou com uma pessoa ou um partido, vem de um processo acumulativo que um dia transbordou. E o que a gente assiste hoje é a tentativa de sequestrar a narrativa como se isso não tivesse acontecido — afirmou o ministro. — E um dos problemas é que no andar de cima no Brasil quase todo mundo tem um parente, um amigo, um parceiro que esteve envolvido com alguma coisa errada. E aí se forma um arco de alianças. O Brasil está polarizado de norte a sul, só há um consenso: varrer a corrupção para baixo do tapete — concluiu.

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