Resumo dos jornais de terça-feira (12/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça-feira (12/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Ford fechará suas fábricas no Brasil

CORREIO BRAZILIENSE: Cresce a pressão pelo início da vacinação

O ESTADO DE S.PAULO: Após um século, Ford encerra produção de veículos no País

O GLOBO: Ford sai do país culpando mau ambiente econômico

Valor Econômico: Ford fecha no Brasil e Bahia já busca montadora chinesa

Resumo das manchetes

As manchetes da Folha, do Estadão, do Globo e Valor anunciam que a Ford, depois de um século em atividade no país, comunicou ontem que vai encerrar todas as atividades fabris no Brasil neste ano, em virtude do mau ambiente econômico. A empresa começou o ano de 2020 com 8.000 funcionários no Brasil. De lá para cá, a companhia foi realizando desligamentos. Hoje, conta com 6.171 contratados. A Ford anunciou que serão demitidos 5.000 trabalhadores no Brasil e na Argentina, sem dar detalhes. O grupo remanescente no mercado brasileiro vai manter algumas operações locais. A sede da montadora na América do Sul continuará sendo no Brasil, e o campo de provas de Tatuí, bem como o centro de desenvolvimento da Bahia continuam operando. O Valor acrescenta que a Bahia já procura uma montadora chinesa para ocupar a planta da americana em Camaçari. O Correio traz manchete sobre a indefinição do início do programa nacional de vacinação e pressão avassaladora da covid-19 no Brasil, governadores esperavam uma definição do ministério da Saúde para esta terça-feira. Mas, a pedido do ministro Eduardo Pazuello, o encontro foi adiado para a próxima semana. O motivo alegado foi a ausência da análise dos imunizantes por parte da Anvisa, que ainda aguarda informações para dar o veredicto.

Notícia do dia – O fim da produção de veículos Ford no Brasil é um movimento estudado pela montadora desde muito antes da pandemia de Covid-19. Se dependesse da matriz americana, o encerramento já teria ocorrido. A instabilidade começou na crise de 2014 e seguiu até se tornar incontornável, não sem seguidos sinais de que era mais vantajoso apostar na Argentina e no México para abastecer os principais mercados da América Latina. Os motivos são conhecidos. Os custos de produção no Brasil e sua complexa carga tributária só justificam a manufatura local de veículos diante de um grande volume de vendas conciliado à estabilidade monetária. Sem isso, a indústria segue um ciclo contínuo de planos de incentivo pontuais que não têm desfecho nem transição. Nessa lógica, as perdas de alguns anos eram compensadas nos seguintes, com maior ou menor prejuízo para indústria e consumidores. Mas esse ciclo se quebrou.

Principais notícias da primeira página

Ford ganhou bastante e poderia ter retardado saída, declara Mourão – O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou estar surpreso com a decisão da Ford de fechar suas fábricas no Brasil, disse que a empresa “ganhou bastante dinheiro” no Brasil e que ela poderia ter retardado a saída do país. A montadora americana anunciou nesta segunda-feira (11) que vai encerrar todas as atividades fabris no Brasil neste ano. “Não é uma notícia boa. Acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Me surpreende essa decisão que foi tomada pela empresa. Uma empresa que está no Brasil há praticamente 100 anos. Acho que ela poderia ter retardado isso aí e aguardado, até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros”, declarou o vice-presidente. As declarações foram transmitidas pela rede CNN Brasil.

Democratas iniciam 2º impeachment contra Trump – A Câmara dos Deputados dos EUA deu início nesta segunda (11) ao segundo processo de impeachment de Donald Trump, presidente com apenas mais nove dias de mandato. Os democratas apresentaram uma resolução que pede o afastamento do presidente por incitação à insurreição e à violência, depois de ele ter estimulado uma multidão a sabotar um dos processos previstos na Constituição —a certificação dos resultados da eleição presidencial, feita pelo Congresso. Antes, os democratas apresentaram uma resolução para pedir ao vice Mike Pence que invoque a 25ª Emenda, dispositivo constitucional segundo o qual Trump poderia ser removido sob a justificativa de incapacidade. No entanto, a proposta foi barrada pelos republicanos e, assim, terá de ser votada no plenário nesta terça (12). O processo de impeachment dificilmente deve conseguir tirá-lo do cargo antes do fim de seu mandato, em 20 de janeiro. O objetivo, no entanto, é outro: impedir que Trump concorra novamente à Presidência. Nos EUA, o processo de impeachment prevê duas penas: a perda de mandato e a proibição de que o réu volte a ocupar cargos federais, este último a depender de uma votação por maioria simples após a condenação. Trump também poderia perder os benefícios dados a ex-presidentes, como aposentadoria, plano de saúde e segurança particular. O processo pode seguir mesmo após o republicano deixar a Casa Branca, uma vez que a Constituição do país não estabelece prazos para que o afastamento seja feito.

Acordo proíbe divulgar dados completos da Coronavac – As lacunas no anúncio no último dia 7 dos resultados da Coronavac, vacina desenvolvida pela parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, chamaram a atenção de especialistas. O responsável pela ausência é o contrato do Butantan com a empresa chinesa, que já impediu anteriormente a divulgação dos resultados no país. O grande número do anúncio do último dia 7 foram os 78% de prevenção de casos leves (que necessitam de algum auxílio médico), mas a eficácia, que engloba também aqueles que não precisaram de assistência, mas que foram infectados, não foi divulgada. O Butantan e o governador João Doria (PSDB) agora prometem para esta terça-feira (12) divulgar a totalidade dos dados da vacina. A razão disso, segundo a Folha apurou com pessoas ligadas à pesquisa da vacina, é a proibição, pelo contrato que tem com a Sinovac, de o Butantan anunciar ao público qual é a taxa sem autorização da empresa chinesa.

Com PT, candidato de Bolsonaro se fortalece no Senado – A bancada do PT no Senado anunciou nesta segunda-feira (11) que vai apoiar Rodrigo Pacheco (DEM-MG) na eleição para a presidência da Casa, que será realizada em fevereiro. Também no mesmo dia a bancada do PSC aderiu à campanha de Pacheco. O senador mineiro agora conta com o apoio de seis partidos —DEM, PROS, PSC, PSD, PT e Republicanos— que contabilizam 29 senadores. Também podem seguir o mesmo caminho nesta semana PDT (3 senadores), PL (3) e PP (7). São necessários 41 votos para vencer a disputa, caso todos os parlamentares compareçam para votar. A votação, no entanto, é secreta e há chances de traições. Pacheco é o candidato do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que se engajou na disputa e vem negociando pessoalmente os apoios. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também comunicou que o senador mineiro era seu escolhido, em reunião com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), na sexta-feira (8). Bolsonaro, no entanto, ainda não anunciou publicamente sua preferência.

Vacinação começa no dia D e na hora H, afirma Pazuello – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta segunda-feira (11) que os estados receberão as vacinas “três ou quatro dias” após autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o início da imunização contra a Covid-19. A declaração foi dada em Manaus. “A vacina vai começar no dia D, na hora H no Brasil. No primeiro dia que chegar a vacina, ou que a autorização for feita [pela Anvisa], a partir do terceiro ou quarto dia já estará nos estados e municípios para começar a vacinação no Brasil. A prioridade está dada, é o Brasil todo. Vamos fazer como exemplo para o mundo”, afirmou. No último sábado (9), o Ministério da Saúde já havia informado que todas as doses de vacina contra Covid-19 serão distribuídas exclusivamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) para todos os estados de maneira simultânea. Ele voltou a afirmar que a vacinação não será obrigatória, como defende o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Diretor responsável pelo Enem morre de Covid – O diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), general Carlos Roberto Pinto de Souza, 59, morreu nesta segunda-feira (11) por complicações da Covid-19. A diretoria comandada pelo general é responsável pela elaboração do Enem. Souza morreu em Curitiba (PR), onde se tratava da Covid desde dezembro do ano passado, segundo relatos colhidos pela Folha. O militar da reserva havia assumido a Daeb (Diretoria de Avaliação da Educação Básica) do Inep em agosto de 2019. Antes, ocupou, entre outros cargos, o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército e o Centro de Defesa Cibernética do Exército.

Denúncias da PGR aguardam STF há mais de três anos – O STF (Supremo Tribunal Federal) leva, em alguns casos, mais de três anos para julgar se aceita uma denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República). Atualmente, entre os 82 inquéritos públicos e em segredo de Justiça que tramitam na corte, 12 casos estão na fila aguardando decisão dos ministros. Ao julgar uma denúncia, os ministros podem recebê-la ou rejeitá-la. Receber significa tornar réu quem, até então, tinha a condição de investigado. Se a fase de investigação costuma se arrastar por anos, como mostra o acervo de inquéritos do STF, o recebimento da denúncia não tem sido diferente. No domingo (10), a Folha mostrou que a decisão do STF de 2018 de restringir o foro especial não tornou a corte mais célere para realizar seu trabalho.

Serviço de ex-sócio de Lulinha teve sobrepreço – Um serviço realizado pela empresa de Jonas Suassuna, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, para a Prefeitura do Rio de Janeiro teve um sobrepreço de R$ 4,7 milhões, aponta relatório do Tribunal de Contas do Município. O serviço de disparo de mensagens de Central 1746, feito por três anos das duas primeiras gestões do prefeito Eduardo Paes (DEM) —que voltou ao comando da cidade em 2021—, é um dos alvos de investigação da Operação Mapa da Mina, deflagrada há cerca de um ano. Depoimentos apontam que o acordo com o município foi obtido por meio de influência do ex-presidente. O contrato foi fechado em 2011 entre a Secretaria Municipal da Casa Civil e a Oi, que subcontratou a Gol Mobile, de Suassuna, para executar todo o serviço. Planilhas das duas empresas obtidas pela Folha indicam que a firma do empresário recebeu 51,3% do total pago pelo município e 76% do líquido recebido pela Oi –após o desconto de impostos. A suspeita da PF é de que o dinheiro pago pela tele à Gol Mobile era direcionado à família do ex-presidente Lula, por meio de Suassuna. Uma parte teria sido usada na compra do sítio de Atibaia (SP), cuja reforma gerou condenação do ex-presidente.

Está pouco ainda, diz Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (11) que deve assinar novos decretos voltados para colecionadores, atiradores esportivos e caçadores (conhecidos pela siga CAC) e defendeu o aumento da venda de armas no país. “Têm três decretos para sair, eu acho que sai esta semana. Dois ou três decretos. Eu não posso ir além da lei, agora vai facilitar mais coisas para vocês aí [CACs]”, disse o presidente a apoiadores, ao chegar no Palácio da Alvorada, em Brasília. A declaração foi transmitida por um site bolsonarista. Em seguida, Bolsonaro comentou o aumento da venda de armas registrado em 2020. O ano passado bateu o recorde de quase 180 mil novas armas registradas na Polícia Federal, um resultado influenciado pela política do governo Bolsonaro de facilitar o acesso a armamentos. Levantamento da BBC Brasil mostrou que houve incremento de 91% nesses registros em relação a 2019, quando já havia sido contabilizado um forte incremento em relação ao ano anterior. “Nós batendo o recorde no ano passado em relação a 2019, mais acho que 90% na venda de armas. Está pouco ainda, tem que aumentar mais. O cidadão de bem muito tempo foi desarmado”, disse o presidente. Bolsonaro também argumentou que, com a mudança na presidência da Câmara em fevereiro, espera que avance no Legislativo um projeto sobre a flexibilização do acesso a armas de fogo.

Banco do Brasil quer encerrar, com PDV, 361 unidades – O Banco do Brasil aprovou um conjunto de medidas que diminuem sua estrutura organizacional com fechamento de pontos de atendimento e programas de demissão voluntária. Serão encerradas 361 unidades, sendo 112 agências. As medidas foram anunciadas nesta segunda-feira (11) ao mercado. O banco estima que a economia anual com as medidas alcance R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025. A discussão sobre um enxugamento da estrutura do BB existia desde meados do ano passado, mas ganhou força e profundidade com a chegada de André Brandão, presidente do BB que tomou posse em setembro de 2020. A cúpula do banco já tinha visões sobre a necessidade das mudanças, mas o desenvolvimento do plano só foi adiante após a posse do executivo vindo do HSBC.As mudanças anunciadas já estavam em grande parte acertadas com o Ministério da Economia, principalmente as que envolvem desligamento de pessoal. A estratégia é rever a necessidade de atendimento físico e fortalecer os canais digitais, que já representam a maior parte das operações. De acordo com o banco, a Covid-19 acelerou esse movimento. A quantidade de transações em guichês de caixa no BB caiu 42% desde 2016, enquanto o uso digital dobrou no mesmo período e já responde por 86% das transações.

Governadores reagem a plano para as polícias – Governadores já se mobilizam contra dois projetos de lei orgânica das polícias civil e militar que restringem o poder político dos Estados sobre as tropas armadas e os bombeiros em todo o País. Parte dos chefes dos Executivos estaduais apontou inconstitucionalidade e interferência do Palácio do Planalto nas polícias, uma das bases de apoio do presidente Jair Bolsonaro. A reação mais forte partiu do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que acusou Bolsonaro de querer “intimidar governadores através de força policial militar”. Como revelou o Estadão, os projetos preveem mudanças significativas na estrutura das polícias. Estabelecem, por exemplo, mandatos de dois anos para os comandantes-gerais da PM, dos Bombeiros e delegados-gerais de Polícia Civil, além de condicionantes para que sejam demitidos. As propostas são alvo de lobby classista e foram discutidas com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sem que tenham sido ainda formalmente submetidas à Câmara dos Deputados. O projeto que trata da PM é antigo e foi apresentado pelo Executivo em 2001, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. O texto em discussão, porém, é uma proposta de substitutivo preparada pelo deputado Capitão Augusto (PL-SP), ouvindo associações e comandantes. Ele também é o relator do projeto. No caso da Polícia Civil, a proposta foi enviada pelo governo em 2007, mas acabou totalmente reformulada por entidades como a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) e a Confederação Brasileira de Policiais Civis (Cobrapol).

Inep contraria recomendações e mantém Enem – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), previsto para começar no próximo domingo, ocorrerá presencialmente, em meio a um novo pico do Covid-19 no Brasil, apesar da pressão de infectologistas, associações científicas e estudantes para um novo adiamento da prova, que ocorreria em novembro do ano passado. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (PE) não pretende alterar as datas dos exames — que ocorrem presencialmente nos próximos dois domingos, e praticamente nos próximos dois domingos — mesmo após perder um diretor para a doença. Morreu ontem, aos 59 anos, em Curitiba, Carlos Roberto Pinto de Souza, diretor de avaliação da Educação Básica, responsável pela realização do Enem. O globo confirmou com fontes ligadas ao diretor que ele morreu após contrair o coronavírus. O Inep não informou a causa. Na avaliação do médico Ricardo Schnekenberg, pesquisador da Universidade de Oxford que fez parte do grupo de resposta do Imperial College analisando dados do Brasil no ano passado, a manutenção dada à TA é um “absurdo do ponto de vista sanitário”.

Diplomatas repudiam papel de Ernesto Araújo na crise dos EUA – A invasão do Capitólio por apoiadores do presidente Donald Trump no dia 6 não gerou uma crise política apenas nos EUA: tem espirrado no Itamaraty. Dentro da diplomacia brasileira, o movimento crítico é forte e o posicionamento do chanceler Ernesto Araújo no episódio, considerado por muitos ideológicos e contraproducentes aos interesses nacionais. A divulgação de um novo posicionamento da Associação e União dos Diplomatas Brasileiros (ADB), na sexta-feira, tornou público o mal-estar dentro da instituição. A percepção é de que a posição do chanceler pode prejudicar a relação entre Brasil e EUA no governo de Joe Biden. — Esse foi um movimento de repúdio do ministro, feito por aqueles que atuam no Itamaraty. Grande parte das manifestações dos ex-chanceleres “ou oradores”, nos últimos tempos, foi uma forma de superar uma dificuldade para diplomatas ativos, que não podem se manifestar por causa da hierarquia. Muitos têm medo de se expor. Mas a situação está chegando a um ponto inimaginável, não há precedentes na história — disse o embaixador e ex-chanceler Rubens Ricupero. Ele afirma que nunca houve um ministro tão dissociado dos postulados básicos da diplomacia, o que gera essa manifestação sem precedentes. — Uma pessoa decente deve apresentar sua demissão antes disso — afirmou. Procurados, nem o Itamaraty nem a ADB quiseram comentar o caso. Mas fontes ligadas aos dois grupos, assim como vários outros diplomatas, disseram, sob sigilo, que o clima dentro da diplomacia brasileira nunca foi tão ruim.

Outros destaques

Anúncio da Ford pegou de surpresa governadores – O anúncio da Ford de interromper a fabricação de veículos no Brasil pegou de surpresa os governos de Ceará e Bahia. Aos cearenses, a empresa deu sinais em dezembro de que os negócios não iam bem, mas não falava nada de fechamento. Além dos danos aos empregos, governadores anteveem problemas também de arrecadação. Na Bahia, a Ford pagou cerca de R$ 200 milhões em impostos em 2019, valor que caiu quase à metade no ano passado, em razão da pandemia. O governador Camilo Santana (PT-CE) tem dito que, como a previsão de fechamento da unidade que fabrica a Troller no estado é só no fim do ano, tentará reverter a situação. Rui Costa (PT-BA) culpou o governo federal em vídeo gravado na noite desta segunda (11). Disse que enquanto alguns só fazem “politicagem”, dia após dia fábricas estão fechando no país, por falta de competência do governo, que não avançou na reforma tributária e gera um clima de insegurança institucional. Para técnicos do governo federal, no entanto, o fechamento das atividades da Ford no Brasil era uma tragédia anunciada. A operação já não dava resultado e a montadora alegava ter mais de R$ 1 bilhão em créditos de ICMS acumulados não utilizados.

Presidente de Portugal recebe diagnóstico de Covid-19 – O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, 72, recebeu diagnóstico de Covid-19 nesta segunda-feira (11). Assintomático, ele vai comandar o país de sua residência oficial no bairro de Belém, em Lisboa, e ficará em isolamento, segundo um comunicado oficial. Marcelo Rebelo de Sousa tem feito testes de dois em dois dias. Na última segunda-feira (4), segundo o jornal Público, ele esteve em contato com um assessor que recebeu o diagnóstico dois dias depois do encontro, na quarta-feira. Por ter sido um contato de baixo risco, o presidente manteve sua atividade normal após recomendações das autoridades de saúde. Desde então, participou de três debates com outros candidatos à Presidência —o país vai às urnas em 24 de janeiro e Rebelo de Sousa está na disputa pela reeleição.

Gilmar arquiva inquéritos contra André Esteves – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu pelo encerramento de dois inquéritos policiais que investigaram suspeitas de corrupção contra o banqueiro André Esteves. As investigações foram abertas a partir da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci. A decisão foi tomada em 17 de dezembro do ano passado, mas publicada apenas na última quinta-feira. Na avaliação do ministro, os inquéritos foram baseados “nas simples declarações” de Palocci”, que não formariam ” indícios mínimos ” da prática de crimes. Mendes lembrou ainda que a delação de Palocci foi rejeitada pelo Ministério Público Federal do Paraná, citando uma manifestação da Procuradoria-Geral da República. O ex-ministro fechou acordo de cooperação com a Polícia Federal. As investigações agora encerradas tinham oito linhas de investigação. Entre elas, um “possível pagamento de propina” para influenciar decisões no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), doações eleitorais para a campanha nacional do PT em 2006 ligadas a essas decisões, e articulações com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para atuar no mercado financeiro com informações privilegiadas do Banco Central.

MP-RJ: procurador-geral não vai delegar ações do caso Queiroz – O procurador-geral de Justiça do Rio, Luciano Mattos, que tomará posse na próxima sexta-feira como chefe do Ministério Público do Rio (MP-RJ), decidiu que cuidará diretamente do caso da rachadinha no antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro na Alerj. A decisão marca uma diferença em seu antecessor, Eduardo Gussem, que delegou investigações como essa a promotores e promotores de órgãos auxiliares do MP-RJ. A denúncia contra Flávio e outras 16 pessoas foi apresentada pelo MPRJ em novembro ao órgão especial do Tribunal de Justiça do Rio, que pode voltar ao processo em primeira instância. Relator da denúncia, o juiz Milton Fernandes disse às autoridades judiciais que não está convencido da cessão do órgão especial, razão pela qual pretende levantar competência antes de apresentar ao colegiado a denúncia oferecida pelo MP-RJ. Durante sua gestão, Gussem distribuiu achados para órgãos do MPRJ, como o Subprocuradoria-geral de Asuntos Criminales e de Derechos Humanos ou o Grupo de Attribución Originária Criminal (Gaocrim). No caso de suspeita de rachadinha no gabinete de Flávio, as investigações foram conduzidas pelo advogado Ricardo Martins, subprocurador-geral de Assuntos Criminais e Direitos Humanos.

Governo paulista: ‘in Lewandowski we trust’ – O pedido da Anvisa de esclarecimentos sobre a Coronavac não é lido como medida isolada por integrantes do governo paulista. A avaliação, por ora, é de que a agência questionará filigranas para garantir que o registro da vacina bancada por João Doria não saia antes da vacina de Oxford, de Jair Bolsonaro. A esperança do Estado, porém, se resume em uma expressão: “in Ricardo Lewandowski we trust”, ou seja, o relator das ações relativas ao tema no Supremo tem tido atuação de enfrentamento ao negacionismo e, portanto, favorável à ciência. Para o governo paulista, a ação protocolada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no STF, pedindo que a Anvisa dê o registro à Coronavac em 72 horas, foi a mais importante até o momento. Deverá pôr em xeque a atuação da agência porque, mesmo que não conceda o registro, terá de dar uma justificativa tão detalhada capaz de escancarar qualquer eventual tentativa de politização do tema. Os laboratórios brasileiros esperam um aumento significativo da busca por testes de covid-19 neste mês em todo o País. De acordo com o presidente da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, Carlos Gouvêa, ainda não é possível quantificar a demanda, mas ele afirma que o setor já sentiu uma maior procura e a tendência é de que ela aumente nos próximos dias. Representantes de laboratórios afirmam que a maior demanda pelos testes tem como justificativa as viagens de fim de ano e as férias de verão. Para Gouvêa, o Ministério da Saúde deve estimular uma política de incentivo para que os Estados realizem uma testagem em massa. Para ele, o governo pode tornar disponíveis os testes guardados desde o ano passado, como mostrou o Estadão.

Rede aciona STF para apressar Anvisa – Em uma ação protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF), a Rede Sustentabilidade pediu, ontem, que a Corte fixe prazo de 72 horas para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove o uso emergencial da CoronaVac. O imunizante está sendo desenvolvido pelo Instituto Butantan e pela chinesa Sinovac. No pedido feito ao STF, o partido direciona a solicitação ao ministro Ricardo Lewandowski, que tem decidido sobre outras demandas relacionadas à vacinação. Na semana passada, o magistrado proibiu o governo federal de confiscar agulhas e seringas compradas pelo governo de São Paulo. Os insumos são destinados ao uso na imunização contra a covid-19. Lewandowski deixou claro que o governo paulista se organizou com antecedência para adquirir as doses e combater a pandemia, o que não foi feito pela União. Na ação apresentada ontem, a Rede afirma que, embora o Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tenham apresentado pedidos no mesmo dia para uso emergencial de diferentes vacinas, apenas o Butantan foi chamado a apresentar mais dados sobre os resultados dos testes. A sigla sustenta que o governo federal “vem demonstrando aparente predileção ideológica em detrimento de decisões com embasamento científico”, o que poderia prejudicar a aprovação do imunizante.

Pronto falou – Marcelo Rubens Paiva, escritor: “Ruy Castro fez uma referência ao gesto de Getúlio ‘passar para a história’ e ser perdoado por ela ao se matar. Mas quem não consegue interpretar um texto vê uma agressão transloucada”.

Lira tenta se descolar do Planalto – Na corrida pela Presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) tem afirmado que não é nem será “tutelado”. A resposta foi dada, ontem, pelo deputado ao ser questionado sobre a influência do Planalto na pauta do Congresso, caso ele chegue ao comando da Casa. O político alagoano tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo cargo. Segundo Lira, o principal adversário dele na disputa, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), também é da base governista. No entanto, apenas ele vem sendo cobrado por isso. “O outro candidato é tão base do governo quanto eu. As duas (candidaturas) são da base do governo. O que me diferencia é que sou exclamação, sou franco e direto”, destacou. “A minha candidatura independe de apoio externo. Ela é construída na base, com os deputados (…). Então, que fique bem claro: eu não tenho dono, eu não tenho chefe, eu não tenho tutor, eu não tenho patrocinador.” Questionado sobre a chamada pauta de costumes do governo Bolsonaro, Lira enfatizou que não tem compromisso com o conteúdo das matérias e, sim, com a discussão na Câmara. “Eu não tenho preconceito com nenhuma pauta. Como parlamentar, posso pensar o que eu quiser, como presidente da Câmara, não. Qualquer assunto que tenha o amadurecimento da população e maioria no colégio de líderes será discutido. O plenário é soberano, ele que vai decidir”, defendeu.

Mourão critica ataques de Maia – O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) está extrapolando nas críticas ao governo. O general caracterizou como uma “briga de rua” as rusgas trocadas entre o comandante da Casa e o presidente Jair Bolsonaro. “Eu tenho apreço pelo deputado Rodrigo Maia, pela trajetória política dele, mas, nitidamente, ele está perdendo a mão. Parece que esse final de período dele aí, de cinco anos como presidente da Câmara, está mexendo com a cabeça dele, em consequência das declarações que são totalmente fora de propósito, que não contribuem e não constroem nada em termos de política no nosso país. É pura e simplesmente uma briga de rua”, afirmou Mourão, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Uma conversa tensa – A reunião entre governadores e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, marcada para hoje, mas adiada para a próxima semana, será a primeira de 2021, após 10 meses de pandemia no Brasil. Assim como ocorreu em boa parte de 2020, o encontro será sob tensão, desta vez, no contexto do plano de imunização e do repique avassalador da pandemia nas últimas semanas. Desde o início da pandemia, a relação entre a União e os estados é marcada pelo confronto, muito, em parte, pela postura do Palácio do Planalto. O presidente Bolsonaro, reiteradamente, atribui a governadores e prefeitos a responsabilidade pelas intempéries econômicas e sanitárias ocorridas nos estados — quando, na verdade, não há qualquer impedimento para o governo federal cooperar com os entes federativos no enfrentamento ao vírus. O desgaste entre Brasília e os estados também se repetiu — e continua — em relação à CoronaVac, uma das opções para o programa de vacinação. Desde a entrega à Anvisa da documentação relativa ao imunizante, o governador João Doria tem cobrado urgência na liberação do fármaco. Após idas e vindas, bate-bocas e troca de farpas, o governo federal encomendou 100 milhões de doses do imunizante produzido pelo Butantan. Mas não há certeza de quando a imunização terá início. Enquanto isso, a covid-19 avança, impiedosamente, em estados já extremamente atingidos pela doença, como Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Ford no manicômio – O encerramento das operações da montadora Ford no Brasil, após 100 anos de atividade, oferece uma ampla variedade de leituras. Do ponto de vista político, de imediato, recrudesceu o embate entre Rodrigo Maia e o governo Bolsonaro. A decisão da Ford serviu de combustível para o presidente da Câmara insistir na urgência de uma reforma tributária, a fim de sanar o “manicômio” que se tornou o sistema de impostos no Brasil. O secretário de Comunicação Social do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, rebateu o presidente da Câmara. “A Ford mundial fechou fábricas no mundo porque vai focar sua produção em SUVs e picapes, mais rentáveis. Não tem nada a ver com a situação política, econômica e jurídica do Brasil. Quem falar o contrário mente e quer holofotes”, disse. O desembarque da Ford envolve, sim, questões relativas à empresa. Os problemas da montadora são antigos, em razão da dificuldade em acompanhar a concorrência internacional. Mas a decisão da multinacional também revela sinais da economia brasileira, que permitem um debate sobre a atratividade do país para companhias multinacionais que atuam em um mercado altamente competitivo. O uso de mão de obra barata em países em desenvolvimento, como o Brasil, e os incentivos fiscais largamente utilizados por sucessivos governos mostraram-se insuficientes para a Ford se manter no mercado brasileiro. Por outro lado, é consenso entre especialistas que a baixa produtividade do trabalhador brasileiro e a altíssima carga tributária constituem importantes obstáculos para manter uma indústria de peso e alta qualificação no Brasil. Com tantas dificuldades, é compreensível a decisão de multinacionais. Em dezembro, a Mercedes-Benz também anunciou a suspensão das operações no Brasil. A Audi é outra que ameaça desembarcar. Não se pode desconsiderar, naturalmente, o efeito da pandemia. Como ocorre em outras situações, a chegada do novo coronavírus agravou os problemas econômicos do Brasil. Desigualdade social, desemprego em massa, baixo crescimento econômico, paralisia nas reformas são alguns dos problemas de 2020 que chegam a 2021 com toda a força. A racionalidade econômica também se impôs ao Banco do Brasil. Ante a concorrência do mercado, a instituição se viu obrigada a reduzir custos. A questão é saber se o plano terá condições de dispensar cinco mil funcionários.

 

 

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