Resumo  dos jornais de terça-feira, 08 de março de 2022

Resumo de terça, 08 de março de 2022

Edição de Chico Bruno

Manchetes

O ESTADO DE S.PAULO – Governo avalia congelar preços da Petrobras para combustíveis

Valor Econômico – Governo estuda congelar os combustíveis durante a guerra

CORREIO BRAZILIENSE – A força que move o mundo

O GLOBO – Ucrânia repudia oferta de rota de fuga para a Rússia

FOLHA DE S.PAULO – Rússia faz exigências para encerrar guerra na Ucrânia

Destaques de primeiras páginas, fatos e bastidores mais importantes do dia

Proposta arriscada – A disparada do preço internacional de petróleo com o aumento da tensão com a guerra da Rússia contra a Ucrânia levou o governo do presidente Jair Bolsonaro a começar a discutir, inclusive com o Congresso, o congelamento temporário do preço de combustíveis pela Petrobras. O Estadão apurou que o custo de não repassar a alta do petróleo no mercado internacional seria bancado pela Petrobras e, em última instância, pelos seus acionistas. Um dos argumentos que ganha força no governo é o de que a empresa tem custo em real e pode segurar o reajuste nesse período de instabilidade da guerra depois do lucro elevado do ano passado, que recheou os bolsos dos acionistas minoritários. A sinalização foi dada pelo próprio presidente que hoje criticou política de preços da estatal, que alinha a variação dos combustíveis à cotação internacional do petróleo. O presidente tem sido um crítico dos ganhos dos acionistas da Petrobras com o lucro da empresa em 2021. Em um dia em que o barril de petróleo chegou próximo à casa dos US$ 140, uma alta que beneficia o caixa de qualquer petroleira mundo afora, a Petrobras registrou uma queda de mais de 7% na B3. A explicação, segundo analistas, é o debate político que vem sendo travado na busca de uma saída para conter a alta dos combustíveis. A Petrobras já perdeu R$ 29 bilhões de valor mercado desde a sexta, 4, em meio ao debate político para impedir a escalada dos preços de combustíveis.

Bolsonaro topa – A ideia de pedir aos acionistas da Petrobras uma “cota de contribuição” diante da guerra, com a suspensão temporária dos reajustes dos combustíveis apenas durante o conflito, ganha adeptos dentro do governo. A sugestão foi apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na manhã desta segunda-feira. Consta do Projeto de Lei 1.472/21, relatado pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN). Pressionado pela escalada nos preços do petróleo, o governo Bolsonaro busca saídas para o problema. A avaliação feita no Planalto é que seguir com a atual política de preços da estatal, que resultaria em reajuste da ordem de 30% nos preços dos combustíveis, sacrificaria o projeto de reeleição do presidente.

Elas venceram – Na guerra, nos tribunais, no campo de futebol, à espera do ônibus, no posto de gasolina, na feira ou à frente de um reino… Não importa o contexto, as mulheres têm travado batalhas imensas em todo o planeta. Sobretudo na luta por igualdade e respeito. Os desafios não são poucos. As desigualdades vão desde a base da pirâmide, como a peleja da dupla jornada, em casa e no trabalho, às mais altas esferas do Poder. No Dia Internacional da Mulher, uma pesquisa compara o Judiciário brasileiro com o de 50 países e comprova a baixa presença feminina nas cortes de Justiça locais. Entre os 11 integrantes do STF, por exemplo, há apenas duas mulheres: Cármen Lúcia e Rosa Weber. Mas a discrepância é geral. Repete-se no Congresso Nacional, no Executivo e na iniciativa privada. A boa notícia é que, por mérito próprio, elas têm avançado na luta por igualdade. E, todos sabemos, vão vencer essa guerra.

Impasse – O governo ucraniano considerou “imoral” e “inaceitável” a proposta do Kremlin de criar corredores humanitários para as vítimas do cerco militar às cidades ucranianas que levariam esses civis para dentro da Rússia e da Bielorrússia, país sátelite do regime de Wladimir Putin. Das sete rotas de fuga oferecidas, só duas não teriam território inimigo como destino. O presidente Zelensky divulgou vídeo para comprovar que continua em Kiev. O Ministério da Defesa da Rússia informou que reduzirá ataques para permitir a retirada de civis e exigiu garantias de segurança por escrito. Os chanceleres dos dois países em conflito se reunirão na quinta-feira na Turquia.

Exigência russa – A Rússia de Vladimir Putin listou pela primeira vez as condições que apresentou à Ucrânia para acabar com a guerra que devasta o país vizinho há 12 dias. Em uma entrevista à agência Reuters, por telefone, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a operação “acaba em um instante” se Kiev se render militarmente, mudar sua Constituição para garantir que nunca irá aderir à Otan (aliança militar ocidental) ou à União Europeia, reconhecer a Crimeia anexada em 2014 como russa e as ditas repúblicas separatistas do Donbass, no leste, como independentes. Segundo Peskov, os negociadores russos já informaram aos ucranianos seus termos na semana passada, quando fizeram duas reuniões na Belarus. Uma terceira rodada ocorreu nesta segunda (7), mas segundo os enviados de Kiev apenas resultou em pequenos avanços na coordenação para a criação de corredores humanitários. O negociador-chefe de Moscou, o ex-ministro da Cultura Vladimir Medinksi, foi mais direto e disse que a conversa “não está à altura das expectativas de Moscou”, um eufemismo para a rejeição dos termos. “Esperamos que na próxima vez tenhamos um avanço mais significativo”, disse. Na próxima quinta (10), os chanceleres dos dois países devem se encontrar na Turquia. Enquanto isso, os combates se intensificaram em torno de Kiev, levando a temores de que o esperado ataque direto à capital com tropas e blindados se materialize.

Conselho da Petrobras deve ser obstáculo para congelamento – Para congelar o preço dos combustíveis, o governo federal depende da aprovação do Conselho da Petrobras. A medida joga pressão no presidente da empresa, Joaquim Silva e Luna, que tem mandato no conselho até março e pode até ser trocado. A discussão interna sobre o congelamento coincide com a confirmação de Rodolfo Landim, presidente do Flamengo e engenheiro do setor de petróleo, para a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, que poderia conduzir a mudança. Se levar adiante a proposta, o governo, porém, terá dificuldade. Boa parte do colegiado é composta por representantes do mercado financeiro e por profissionais do segmento de petróleo que acreditam na necessidade de a Petrobras se manter isenta de ingerências políticas. No conselho, há três representantes do mercado financeiro, quatro independentes e três nomes ligados ao governo. O principal argumento contra a aprovação é de que o petróleo e os seus combustíveis são commodities e, “assim como os alimentos, têm de ter preços livres”. Um congelamento seria interpretado como uma intervenção política na estatal. “No ano passado tivemos vários episódios em que esses riscos (de ingerência política) ficaram mais latentes, com anúncios de trocas de executivos que foram feitos fora dos padrões exigidos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, diz o presidente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Fábio Coelho. Outro ponto desfavorável ao congelamento é a cláusula do estatuto social da companhia que prevê que os membros do colegiado podem ser pessoalmente penalizados caso tomem decisões prejudiciais à empresa.

Brasil fica fora da lista de países considerados hostis por Putin – O Kremlin divulgou nesta segunda-feira (7) uma lista de países considerados hostis à Rússia. O Brasil, cujo presidente Jair Bolsonaro visitou Vladimir Putin na semana anterior ao início da guerra na Ucrânia e tem pregado neutralidade no conflito, não está nela. A relação foi elaborada para normatizar um decreto assinado por Putin no sábado (5), que estabeleceu critérios de relações comerciais com outros países enquanto durar o conflito no vizinho. São considerados hostis Austrália, Albânia, Andorra, Reino Unido, os 27 países da União Europeia, Islândia, Canadá, Liechtenstein, Micronésia, Mônaco, Nova Zelândia, Noruega, Coreia do Sul, San Marino, Macedônia do Norte, Singapura, Estados Unidos, Taiwan, Ucrânia, Montenegro, Suíça e Japão. Todas essas nações aplicaram algum tipo de sanção contra o governo russo depois da invasão iniciada no dia 24 de fevereiro. O Brasil, como se sabe, nada fez na prática, embora tenha votado a favor da resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) condenando a guerra. Ao mesmo tempo, seu embaixador na entidade discursou condenando também as sanções, seguindo a tradição de busca de distanciamento do Itamaraty. Com o presidente, contudo, a situação é algo diferente. Quando se encontrou com Putin, em 16 de fevereiro, Bolsonaro disse que “o Brasil é solidário à Rússia” num momento em que Estados Unidos e a Otan, a aliança militar ocidental, diziam havia semanas que os exercícios militares russos em torno da Ucrânia prenunciavam uma invasão. Depois, com a guerra já em curso, no dia 27 Bolsonaro disse que manteria a neutralidade por temer retaliações no fornecimento de fertilizantes ao Brasil —23% dos insumos consumidos no Brasil em 2021 vieram da Rússia. “Para nós, a questão do fertilizante é sagrada”, afirmou.

Serra aceita convite – O senador José Serra (SP) aceitou o convite feito pelo PSDB e será candidato a deputado federal pelo partido em 2022. Como revelou o Painel, Bruno Araújo, presidente do PSDB, ofereceu ao ex-governador a estrutura de campanha que ele teria se fosse disputar uma cadeira no Senado, com inserções televisivas diárias e mais recursos financeiros. A ideia de Araújo é que Serra seja um puxador de votos e consiga eleger cinco ou seis outros candidatos tucanos na Câmara dos Deputados. Dessa forma, ele daria contribuição significativa para reverter em 2023 o encolhimento do partido na Casa previsto para os próximos meses. A atual bancada do PSDB conta com 32 deputados, e tucanos e parlamentares de partidos aliados dizem que a saída de representantes do PSDB nos próximos meses pode atingir mais de um terço do grupo. Nos últimos sete anos como senador, Serra apresentou, até o momento, 74 projetos. Desses, 29 foram aprovados no Senado e 13 convertidos em normas legais.

Tarcísio quer bater martelo em leilões – O ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) deixará para se desincompatibilizar da pasta para disputar o governo de São Paulo em 1º de abril, véspera da data limite para deixar o cargo, por razões práticas. O ministro quer bater ele próprio o martelo do máximo possível de concessões, que considera marcos de sua gestão. No dia 30 de março, por exemplo, haverá o leilão da Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo), que se trata da primeira desestatização de porto no Brasil, e de outros três terminais portuários.

Ação de combate à violência contra a mulher prendeu 2.500 – Desde 7 de fevereiro até às 16h desta segunda-feira (7), 2.502 pessoas já foram presas pela Operação Resguardo 2, de combate à violência contra a mulher, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O balanço da operação será divulgado nesta terça-feira (8) pelo ministro Anderson Torres, em cerimônia alusiva ao Dia Internacional da Mulher no Palácio do Planalto. Também nesta terça haverá o “dia D”, com intensificação das ações. A Operação Resguardo é implementada pelas polícias civis dos estados e do Distrito Federal, sob coordenação da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) da pasta. Elas atuam de forma conjunta na busca de suspeitos por ameaças, tentativas de feminicídio, lesão corporal, descumprimento de medidas protetivas, estupro, importunação, entre outros crimes. Ao todo, o esforço conta com 10 mil policiais. O eleitorado feminino é um dos que mais rejeita Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. No último Datafolha, realizado em dezembro, o presidente tem a preferência de 20% das mulheres, enquanto seu principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca 49%. A Folha revelou nesta segunda que a campanha do chefe do Executivo defende maior participação da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, para diminuir a rejeição das eleitoras.

Petista ameaça aliança de Kalil-Lula – A possibilidade de o líder do PT na Câmara dos Deputados, Reginaldo Lopes, ser candidato ao Senado por Minas Gerais na chapa de Alexandre Kalil (PSD) ao governo ameaça inviabilizar a aliança entre os dois partidos no estado. Atual prefeito de Belo Horizonte, Kalil deverá disputar o governo e vem conversando com o PT sobre uma aliança. No final de fevereiro, ele se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. Um dos empecilhos é que o PSD tem o nome do atual senador Alexandre Silveira para a candidatura à reeleição. Silveira assumiu o mandato no mês passado na vaga aberta com a ida de Antonio Anastasia para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Kalil afirma que não tratou com o PT sobre a possibilidade de Lopes disputar o Senado em sua chapa. “Estou prefeito de Belo Horizonte e nunca conversei com o deputado ou com o PT sobre o assunto”, afirmou.

Alckmin diz que deve levar cerca de dez aliados para o PSB – Na reunião em que sacramentou sua filiação ao PSB para ser vice de Lula (PT), o ex-governador Geraldo Alckmin disse que pretende levar consigo para o novo partido até dez aliados, não apenas de São Paulo. A maioria disputaria mandatos de deputado federal. Na conversa com os caciques socialistas, o ex-tucano quis saber a situação detalhada do PSB em todos os estados e expressou preocupação com os locais onde os palanques ainda estão indefinidos. O receio era de que isso pudesse de alguma forma atrapalhar a aliança nacional com o PT. Os dirigentes garantiram a Alckmin que os problemas pontuais pelo Brasil não ameaçam a decisão nacional de apoiar Lula, nem a sua própria entrada no partido. “Hoje, a filiação de Alckmin é uma unanimidade no partido”, diz o presidente estadual do PSB de São Paulo, Jonas Donizetti, um dos que participaram do encontro com Alckmin na manhã desta segunda (7). O prefeito do Recife, João Campos, afirmou que Alckmin demonstrou bastante animação com o projeto durante a reunião. “Foi dito a ele que sua filiação é importante para o partido não só em São Paulo, mas no país inteiro”. Alckmin encaminhou a filiação em uma reunião em hotel de São Paulo com a participação do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, do prefeito do Recife, João Campos, do ex-governador Márcio França (SP) e do ex-prefeito de Campinas Jonas Donizete. A cerimônia de filiação deverá acontecer até 20 de março. O mais provável é que aconteça em São Paulo. A ideia é que o ex-presidente Lula esteja presente. No ato de filiação, o PSB ainda quer ser o primeiro partido a anunciar oficialmente o apoio a Lula.

Máscara deixa de ser obrigatória no Rio – O Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Rio de Janeiro orientou nesta segunda-feira (7) a liberação do uso de máscaras em ambientes fechados na capital fluminense. A medida já passa a valer nesta segunda, com a publicação de um decreto no Diário Oficial. Com isso, a cidade se torna a primeira capital do país a abolir totalmente o uso do item. A flexibilização vale, inclusive, em escolas e no transporte público. As unidades escolares, no entanto, terão autonomia para decidir se os alunos devem ou não continuar usando máscara. ​Em ambientes abertos, a utilização do item de proteção já não era mais exigida desde outubro do ano passado. “Tanto as escolas quanto as empresas [terão liberdade]. Cada empresa poderá definir internamente se vai manter ou não o uso de máscara. Ela só não é mais um decreto obrigatório”, explica Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e membro do colegiado. De acordo com ele, é pouco provável que a liberação do item provoque uma nova onda da doença. “O cenário epidemiológico da cidade é muito bom. A gente tem uma taxa de reprodução [da doença] de 0,35. A gente nunca teve essa taxa durante toda a pandemia”, diz ele, acrescentando que a taxa de positividade está abaixo de 2%.

Uso de máscara na rua deixa de ser obrigatório em 5 estados e DF – Ao menos cinco estados, além do Distrito Federal, devem autorizar ou já deram aval para o fim da obrigatoriedade do uso de máscara nas ruas e em ambientes abertos. No Rio de Janeiro, o governo deixou a cargo das prefeituras a decisão até do uso em locais privados. O prefeito Eduardo Paes (PSD) retirou nesta segunda a obrigatoriedade em espaços fechados. Em São Paulo, andar sem máscara em locais abertos deve ser permitido a partir da próxima quarta-feira (9). No Distrito Federal, a autorização foi anunciada na semana passada e passou a valer nesta segunda (7) –o DF já havia flexibilizado a norma em novembro, mas teve de voltar atrás no começo deste ano devido ao avanço do coronavírus. Outros estados que permitem andar sem a proteção nas ruas são Mato Grosso do Sul e Maranhão. Como o Rio, o governo de Minas Gerais delegou a decisão para as prefeituras —Belo Horizonte já retirou a obrigatoriedade para espaços públicos, assim como passará a valer nesta terça-feira (8) para Boa Vista. No Rio Grande do Sul, em caráter liminar, a Justiça suspendeu neste sábado (5) um decreto do governo que desobrigava o uso de máscaras contra Covid-19 para crianças menores de 12 anos.

Maioria das minas de potássio fica fora de terras indígenas – Levantamento feito pelo Estadão mostra que, no Amazonas, a maioria das principais minas de potássio, substância usada em fertilizantes para o agronegócio, está localizada fora de terras indígenas. Os dados contrariam declarações do presidente Jair Bolsonaro, que tem defendido a aprovação de projeto de lei que libera a mineração em áreas demarcadas como forma de superar a dependência brasileira da Rússia no acesso a fertilizantes. Bolsonaro alega que os locais mais importantes para extração de potássio do Brasil estão bloqueados por estarem dentro de aldeias. “Como deputado, discursei sobre nossa dependência do potássio da Rússia. Citei três problemas: ambiental, indígena e a quem pertencia o direito exploratório na foz do Rio Madeira. Nosso Projeto de Lei 191 ‘permite a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em terras indígenas’. Uma vez aprovado, resolve-se um desses problemas”, disse o presidente na semana passada. Para pressionar o Congresso, o líder do governo pediu então urgência na votação do projeto de lei. Ontem, Bolsonaro voltou a dizer que a guerra entre Rússia e Ucrânia trouxe uma “boa oportunidade” para o Brasil aprovar a exploração de terras indígenas. Desde a foz do Rio Madeira, que deságua no Rio Amazonas, passando por municípios como Autazes, Nova Olinda do Norte e Borba, há dezenas de áreas, em diferentes etapas de pesquisa mineral, em nome da Petrobras e da companhia Potássio do Brasil, controlada pelo banco canadense Forbes & Manhattan. As duas empresas praticamente controlam os projetos de potássio na região, concentrando a maioria dos títulos minerários do insumo. Presidente da ABPM, Luís Maurício Ferraiuoli Azevedo afirmou que a questão indígena não tem sido entrave aos projetos. “O que nós vemos são essas áreas de amortecimento no entorno das minas, não impacto direto. A prova está aí, nos dados. O que é preciso é que haja uma análise técnica de cada empreendimento, apenas isso”, disse ele. Pelas regras do licenciamento ambiental, quando um empreendimento é instalado numa área próxima a terras indígenas e comunidades ribeirinhas, por exemplo, situações comuns ao longo do Rio Madeira, é preciso que o processo de autorização da obra contemple medidas para reduzir os impactos, já que são áreas que serão afetadas de alguma maneira pela exploração, com aumento de tráfego, poluição, ruídos etc. Para chegar a um acordo sobre compensações ambientais, realizam-se audiências públicas previamente à instalação do empreendimento. Isso não significa, portanto, que ele seja inviável. Basta que se cumpra a lei.

Para Lira, Câmara precisa debater mineração em terra indígena – Em meio à tensão entre governo e ambientalistas, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), acredita que o Congresso precisa colocar em debate o projeto que trata da exploração mineral em terras indígenas e não ignorar a pauta. “Esse assunto voltou ao tema porque somos dependentes de fertilizantes importados. Não vamos ter problema para essa safra, mas, dependendo de quanto tempo demorar o conflito (Rússia e Ucrânia), teremos problema para a próxima”, afirmou Lira à Coluna. “Não tem ninguém falando em mérito. Estão pedindo a urgência e vamos discutir”, disse. Lideranças da Câmara se reúnem hoje, 8, e devem decidir quando pautar a votação da urgência do texto. Parlamentares ligados ao meio ambiente são radicalmente contra o texto defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. “As maiores reservas de potássio do Brasil não estão na Amazônia, estão no Sudeste. O que eles querem é liberar garimpo”, disse o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP).

Presidente recebe ruralistas que atuam por arrecadação – O presidente Jair Bolsonaro recebeu ontem, fora da agenda, no Palácio do Planalto, o grupo do agronegócio que se mobilizou para financiar sua campanha à reeleição. A atuação deles nos bastidores e a organização do encontro foram reveladas pelo Estadão. Bolsonaro convidou os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Agricultura, Tereza Cristina, para a reunião numa sala do gabinete presidencial. Nela, também estava o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que traça a estratégia de arrecadação de dinheiro da futura campanha. O pecuarista de Ji-paraná (RO) Bruno Scheid, apoiador que tem sido mais incisivo nos pedidos de dinheiro, segundo relatos de empresários do setor, sentou-se na reunião ao lado do presidente. O compromisso político também não constava na agenda dos ministros. Além deles, Bolsonaro aparece em fotos ao lado do secretário da Pesca, Jorge Seif Jr., e do presidente do Sebrae, Carlos Melles. O encontro ocorreu à tarde. Bolsonaro só tinha compromissos agendados até o almoço. Os ministros tinham outros compromissos e foram chamados pelo presidente. As assessorias dos ministérios disseram que não tinham informações sobre a pauta do encontro. Na reunião, a ministra Tereza Cristina discursou aos produtores rurais, de Estados como Rondônia, São Paulo e Mato Grosso, entre outros.

Bolsonaro tenta se reaproximar de mulheres e evangélicos – O presidente Jair Bolsonaro fará ofensiva, hoje, para se reaproximar dos evangélicos e tentar obter apoio do público feminino, parcela do eleitorado na qual enfrenta grande rejeição. Candidato a novo mandato, Bolsonaro assinará decretos para instituir o programa Mães do Brasil e o “Brasil para Elas” no Dia Internacional da Mulher, com aumento da oferta de crédito para iniciativas de empreendedorismo. À tarde, no Palácio da Alvorada, o presidente receberá 100 líderes evangélicos, na tentativa de reaglutinar uma de suas principais bases de apoio, hoje dividida.

Banco digital europeu ensaia entrar no Brasil – Depois de adiar a chegada ao Brasil por quase três anos, o N26, um dos maiores bancos digitais da Europa, está operando em um sistema de testes com 2 mil usuários no País e planeja entrar por aqui de verdade até o fim do ano. Quem promete é o co-fundador e co-presidente, Maximilian Tayenthal, que aponta o Brasil como crucial meta do N26, que quer se tornar o primeiro banco de varejo global. Para Tayenthal, o País viveu muitos anos sob um oligopólio, o que ajuda a explicar por que as fintechs (que têm no Nubank seu maior expoente) se destacaram. Mesmo com a concorrência em alta, ele diz que o N26 será capaz de ganhar mercado com custos baixos, e, sobretudo, ao ajudar o cliente a controlar despesas – problema financeiro de muita gente.

Arthur do Val já é alvo de 12 representações na Assembleia – O deputado estadual Arthur do Val (Podemos) já é alvo de 12 representações no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). As petições pedem punição contra o MP após a divulgação de áudios nos quais ele diz que as mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”. A maioria sugere a anulação do mandato parlamentar. Do Val também enfrentará um processo interno do Podemos que pode levar à expulsão do partido, e anunciou ontem que estava se afastando do Movimento pelo Brasil Livre (MBL). Um dos pedidos apresentados ontem contém as assinaturas de 17 membros, de cinco partidos, da esquerda para a direita. Assim que todas as ações forem registradas no sistema da Alesp, Val será intimado. Ele terá então cinco dias corridos para apresentar uma defesa preliminar.

Os maiores adversários de Bolsonaro – Com palanques montados em praticamente todos os estados, o presidente Jair Bolsonaro não tem muito do que reclamar da vida do ponto de vista de sustentabilidade eleitoral. Porém, há dois fatores que aumentam o risco. O primeiro é a economia, com os preços em alta. O PT planeja estruturar toda a sua campanha a partir da premissa de que, nos tempos de Lula, as pessoas tinham uma situação econômica melhor, e, assim, tentar deixar no segundo plano o debate sobre corrupção, Petrobras, controle da mídia e outros tropeços passados do PT. O outro fator de risco, segundo próprios aliados do presidente, é ele mesmo e suas frases, muitas vezes mal interpretadas, que, num cenário difícil, podem comprometer a reeleição, tal e qual ocorreu com o emergente deputado estadual Arthur do Val, o “Mamãe, falei”, em São Paulo. Depois das atrocidades ditas num áudio sobre as mulheres ucranianas, nem o mandato atual está garantido, que dirá o futuro. Para os aliados de Bolsonaro, é preciso ficar muito atento para evitar frases mal colocadas, que possam atrapalhar a caminhada.

Usina de problemas – Pode vir mais um percalço no caminho da privatização da Eletrobras. A consultoria independente Deloitte recomendou à Santo Antonio Energia que ajuste o seu balanço de 2021, já publicado, para que sejam reportadas perdas em um processo de arbitragem em que a empresa foi derrotada. Trata-se da definição de responsabilidade de uma dívida com o consórcio construtor da usina. Sua inclusão no balanço representaria uma provisão em R$ 2 bilhões para a Santo Antonio pagar a dívida. O problema é que refazer o balanço afetaria diretamente o cronograma de publicação das contas de Furnas e da Eletrobras. A divulgação dos resultados é uma das principais referências para que a operação de privatização da Eletrobras ocorra até 13 de maio, data considerada limite pelo comando da empresa para aproveitar a “janela de oportunidade” na Bolsa de Nova York, onde também será feita a oferta de ações da companhia. Governo e Eletrobras pressionam a diretoria da Santo Antonio Energia para manter o balanço como está, e a privatização possa ir adiante. No entanto, de acordo com fontes que acompanham de perto esse processo, a Deloitte insiste na mudança da publicação do balanço. A queda de braço será grande.

PT deve ter candidato próprio na Bahia, diz Wagner – Depois de desistir de disputar o governo da Bahia, o senador Jaques Wagner (PT) afirmou ontem que os petistas terão candidato próprio no Estado e que o nome será anunciado nesta semana. Segundo Wagner, o senador Otto Alencar (PSD), que foi cogitado pelo PT para ser candidato ao governo baiano, prefere tentar mais um mandato no Senado. O senador petista disse ainda que o governador do Estado, Rui Costa (PT), ficará no cargo até o fim do mandato e o lançou como futuro ministro de um eventual governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à rádio Metrópole, Wagner disse que o PT deve escolher o candidato até amanhã e citou três nomes que estão sendo cotados: a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, e os secretários estaduais Jerônimo Rodrigues (Educação) e Luiz Carlos Caetano (Relações Institucionais). Segundo Wagner, o acerto da candidatura petista foi feito no sábado, em uma conversa entre ele, Rui Costa e Otto Alencar. O senador disse que ainda não conversou com o ex-presidente Lula sobre esse novo cenário na Bahia e afirmou que terá de negociar com o PSD e o PP. Wagner disse que depois de desistir da disputar o governo estadual, a ideia era lançar Otto Alencar como candidato, contemplando o PSD; Rui Costa deixaria o cargo no início do próximo mês para concorrer ao Senado e o vice-governador João Leão (PP) assumiria o governo por nove meses, beneficiando o PP. No entanto, o acordo não foi adiante porque Otto não quis concorrer. “Ele não demonstrava tesão para fazer campanha e campanha sem tesão não existe porque campanha é uma coisa difícil”, disse Wagner na entrevista. “Otto não demonstrou essa vontade. Realmente não era pedido dele.”

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