Resumo dos jornais de terça-feira (02/02/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça-feira (02/02/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Nomes de Bolsonaro vencem e vão comandar o Congresso

CORREIO BRAZILIENSE: Congresso governista quer pauta emergencial

O ESTADO DE S.PAULO: Bancados pelo Planalto, Pacheco e Lira vencem com folga no Congresso

O GLOBO: Apoiados por Bolsonaro, Lira e Pacheco vencem com folga

Valor Econômico: Candidatos de Bolsonaro são eleitos para a Câmara e Senado

Resumo de manchetes

As manchetes da Folha, Correio, Estadão e Valor abordam o resultado das eleições no Congresso, onde em uma campanha marcada por interferência do Palácio do Planalto, com a promessa de emendas e oferta de cargos no governo em troca de votos, o deputado Arthur Lira (PP-AL), 51, líder do centrão, foi eleito nesta segunda-feira (1º) presidente da Câmara para um mandato de dois anos. Lira recebeu 302 votos, o que foi suficiente para vencer a eleição já no primeiro turno —eram necessários a maioria dos deputados presentes. O adversário de Lira, Baleia Rossi (MDB-SP) teve 145 votos. No Senado, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), 44, venceu a eleição para a presidência do Senado, casa legislativa que vai comandar pelos próximos dois anos. O senador mineiro obteve um total de 57 votos na disputa, acima dos 41 necessários para se tornar presidente da Casa —o que corresponde à maioria absoluta dos votos. Sua concorrente mais direta na disputa, Simone Tebet (MDB-MS) perdeu força na reta final da campanha, principalmente após o racha em sua bancada o MDB. Terminou a eleição com 21 votos. Os vencedores tiveram o apoio explicito do presidente da República, Jair Bolsonaro. A manchete do Correio acrescenta, que tanto Lira como Pacheco, em seus discursos, ressaltaram a urgência de se definir ações para enfrentar o agravamento da pandemia e propor uma agenda econômica para 2021.

Notícia do dia – Em cerimônia de abertura do ano Judiciário nesta segunda-feira (1), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, afirmou que a corte tomou decisões corretas no “caos insondável” da pandemia da Covid-19. Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, que participou da solenidade no Supremo, Fux também ressaltou que a ciência vencerá o coronavírus e que a “racionalidade vencerá o obscurantismo”. Em sua fala, o ministro do Supremo também criticou o discurso recente do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), desembargador Eduardo Contar, que minimizou a pandemia ao tomar posse no comando do tribunal estadual. O discurso do chefe do TJ-MS foi compartilhado por Bolsonaro em suas redes sociais. “Confesso que fiquei estarrecido com o pronunciamento de um presidente de tribunal de Justiça minimizando as dores desse flagelo”, afirmou Fux, que se virou para Bolsonaro em alguns momentos de seu discurso. Ao tomar posse no tribunal estadual, o magistrado de MS afirmou que servidores públicos devem retornar ao trabalho, “pondo fim à esquizofrenia e à palhaçada midiática fúnebre”, além de ter pregado “o desprezo ao picareta da ocasião que afirma ‘fiquem em casa’”, em referência ao isolamento social. Após mandar recados a Bolsonaro, porém, Fux pregou a união e disse que a pandemia demonstrou “o quão apequenadas são nossas divergências e o quão pontuais são nossas discordâncias” quando comparadas com a grandeza da missão de zelar pela Constituição.

Notícias de primeira página

Coalizão Brasil Clima ganha reforços de peso – A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que se define como “o maior exercício multissetorial que existe hoje no Brasil” no enfrentamento à crise climática, ganhou o reforço do grupo Pão de Açúcar, da Abiove – entidade da indústria da soja – e da Precious Wood, referência global no manejo de madeira. O movimento reúne 275 membros do agronegócio, setor financeiro, sociedade civil e academia. Em outubro, ganhou a adesão dos três maiores bancos privados do país: Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

Ministro libera conversas com procuradores – O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o sigilo das conversas entre procuradores da Operação Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro. O conteúdo de novos diálogos foi incluído nesta segunda (1º) no processo pela defesa do ex-presidente Lula. O material tem, ao todo, 50 páginas. Parte dele é inédita. Uma outra parte dos diálogos já tinha vindo a público na semana passada e revelava Moro orientando os procuradores sobre como apresentar a denúncia contra o petista no caso do tríplex do Guarujá. Os diálogos foram obtidos pelos advogados de Lula depois que o próprio Lewandowski decidiu que eles poderiam ter amplo acesso ao material apreendido na Operação Spoofing. Ela teve como alvo os hackers que conseguiram rastrear os celulares de autoridades de Brasília, entre elas o próprio Moro. Uma parte substancial do arquivo dos aparelhos foi entregue ao site The Intercept Brasil, que, em parceria com outros veículos, publicou diálogos no que ficou conhecido como o escândalo da Vaza Jato. As mensagens obtidas pelo Intercept e divulgadas pelo site e por outros órgãos de imprensa, como a Folha, expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato e colocaram em dúvida a imparcialidade como juiz do ex-ministro da Justiça no julgamento dos processos da operação. Em resumo, no contato com os procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre o ex-presidente Lula, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial. Nas mensagens, Moro ainda sugeriu recusar a delação do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB) e se posicionou contra investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Caso haja entendimento de que Moro estava comprometido com a Procuradoria (ou seja, era suspeito), as sentenças proferidas por ele poderão ser anuladas. Isso inclui o processo contra Lula no caso do tríplex de Guarujá, que levou o petistas à prisão em 2018, está sendo avaliado pelo STF e deve ser julgado neste ano.

Portugal perde controle da pandemia – Apontado como um bom exemplo de gestão nos primeiros meses da pandemia, Portugal viu a situação sair totalmente de controle em janeiro. Com alta generalizada de novos casos, internações e mortes, além de um sistema de saúde próximo do limite, o mês acabou com um pedido de ajuda a outros países da União Europeia. O descontrole do último mês se traduz em números. Janeiro concentrou mais de 42% dos contágios e quase 45% de todos os mortos por Covid-19 no país, que tem cerca de 10,1 milhões de habitantes. Foram 5.576 óbitos em 31 dias, contra 6.906 entre março e dezembro. Nos últimos sete dias, o país tem o maior número mundial de novos casos diários por milhão de habitantes e está na vice-liderança das novas mortes por milhão de habitantes, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. “É evidente que nós estamos no pior período da pandemia. Desde a mortalidade, até o número de internações e de novos casos. Não há nenhum indicador que não esteja, nestes últimos dias, nas suas piores condições”, avalia o epidemiologista Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública. Com o aumento da demanda, o SNS (Sistema Nacional de Saúde), o sistema público de saúde, está próximo do limite. Cirurgias e consultas não urgentes foram suspensas, hospitais de campanha foram inaugurados e profissionais de outras áreas foram mobilizados para o combate à Covid-19. Mesmo assim, a situação em várias regiões é crítica.

Apesar de insatisfações, greve dos caminhoneiros não decola – A insatisfação dos caminhoneiros, sobretudo com o alto preço do diesel e o não cumprimento da tabela do frete, não se concretizou em mobilização na greve programada por entidades da categoria para esta segunda-feira (1) como tentativa de pressionar o governo federal por mudanças. A Folha percorreu 871 km de carro no estado de São Paulo entre o início da manhã e o começo da tarde desta segunda. Viajou até Taubaté, Atibaia e Santos, por exemplo, e circulou por trechos das rodovias Presidente Dutra, Régis Bittencourt, Castello Branco, Bandeirantes, Anchieta, Fernão Dias e o pelo Rodoanel. Nenhum bloqueio de via foi encontrado ao longo do percurso. A reportagem também não encontrou manifestações e nem motoristas parados.

Efeito GameStop faz preço da prata ter maior alta em oito anos – Depois das ações da cadeia de varejo GameStop, a prata virou a bola da vez dos investidores de fóruns de internet. O metal disparou nesta segunda-feira (1º) e chegou a subir 12,43% para US$ 30,10 por onça-troy em Londres, a maior alta percentual diária desde 2008 e marca mais elevada desde 2013 . No fechamento, a prata perdeu força e era cotada a US$ 28,98, alta de 8,26%. Na semana passada, havia se valorizado em 6%. O maior fundo de investimento em prata com cotas negociadas em bolsa do planeta, o iShares Silver Trust, registrou um influxo de capital da ordem de US$ 1 bilhão na sexta-feira (26), de acordo com dados da BlackRock, a mantenedora do fundo. O surto de investimentos surgiu depois que o assunto começou a circular no fórum r/WallStreetBets do Reddit, no final da semana passada. Uma mensagem instava as pessoas a adquirir ações e opções a fim de colocar pressão sobre os bancos.

Pagamento de emendas bate recorde em janeiro – O presidente Jair Bolsonaro atuou para ter o controle da Câmara e do Senado com receio de sofrer um processo de impeachment no Congresso e de ver seu mandato abreviado. Após passar quase dois anos criticando a “velha política”, Bolsonaro deu uma guinada no discurso de campanha e atropelou adversários ao distribuir recursos e cargos para beneficiar seus candidatos. A ofensiva incluiu o pagamento de volume recorde de emendas parlamentares, em janeiro. Como parte da mesma tática, o gabinete do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, foi transformado, nos últimos dias, em quartel-general das negociações. O “tratoraço” deu certo, com a eleição de Arthur Lira (PPAL) na Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no Senado. Até 26 de janeiro, às vésperas da eleição, o governo destinou outros R$ 504 milhões de emendas parlamentares para deputados e senadores. O volume é inédito na comparação com o mesmo mês de anos anteriores.

PSDB se divide e põe em dúvida articulação pró-Doria – As articulações em torno das eleições para a Mesa Diretora da Câmara e do Senado colocaram em xeque o futuro do projeto que vinha sendo traçado por setores do PSDB para viabilizar a candidatura à Presidência do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por meio de uma aliança da legenda com o DEM e o MDB. A ofensiva do Palácio do Planalto para eleger o deputado Arthur Lira (Progressistas-al) presidente da Câmara fez a bancada federal do PSDB hesitar no apoio formal a Baleia Rossi (MDB-SP), candidato que reunia a oposição a Bolsonaro. Oficialmente, integrantes do PSDB refutam a palavra “racha” para descrever a situação do partido. Entretanto, nos bastidores, dirigentes tucanos falam em “bagunça” e “falta de direção” para descrever o momento, embora considerem que há tempo para reorganizar a casa. Tucanos mais próximos do governador avaliam que Doria tem ganhado espaço com DEM e MDB ao agir para manter o alinhamento do PSDB com as siglas. “O governador João Doria sai fortalecido”, disse o presidente estadual do PSDB, Marcos Vinholi. Para ele, Doria deu “apoio claro à construção do centro democrático fundamental para o futuro do país”.

Maia quer articular frente contra Bolsonaro em 2022 – O fim da era Rodrigo Maia (RJ) no comando da Câmara ocorre em um momento de dilema vivido pelo deputado. A dúvida é se ele deve sair do DEM, partido agora dominado por lideranças cooptadas pelo governo. Nos últimos dias, ele e o presidente Jair Bolsonaro travaram queda de braço na disputa pelo controle da Casa. A legenda decidiu abandonar a campanha de Baleia Rossi (MDB-SP) e apoiar o líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL), candidato apoiado pelo Palácio do Planalto que venceu a disputa ontem. Se permanecer na legenda, o parlamentar de 50 anos, quase cinco deles no comando da Câmara, será mais um congressista, avaliam aliados. Fora, Maia será cobiçado por outras legendas e terá condições de se tornar um player influente do campo oposicionista no processo sucessório de 2022. Os mesmos aliados observam que, ao ser eleito para chefiar a Casa, segundo posto na linha de sucessão da Presidência, em 2016, o parlamentar tomou de Eduardo Cunha (MDB-RJ), deputado cassado e preso, o Centrão, bloco dos partidos fisiológicos. Na reta final da campanha deste ano na Câmara, o grupo governista se apossou do DEM. Uns veem Maia como malabarista. Foi assim num tempo de impeachment de Dilma Rousseff, de processo de afastamento interrompido do sucessor dela, Michel Temer, e de cobranças nas redes para considerar crime a gestão de Bolsonaro na pandemia que matou até o momento 224 mil brasileiros. Outros o enxergam como um político que apenas soube ocupar o vácuo na interlocução entre setores moderados de direita e esquerda, grupos empresariais e o mercado financeiro.

Outros destaques

Em 1ª decisão, Lira rebaixa PT e tira tucanos e Rede do comando da Câmara – Apesar do discurso inicial conciliatório e de respeito a todas as forças políticas que o deputado Arthur Lira (PP-AL) adotou na noite desta segunda-feira (1º) assim que foi eleito à presidência da Câmara, seu primeiro ato no posto exclui praticamente todos os adversários de cargos do comando da Casa, trocando-os por aliados. Além do cargo de presidente, a cúpula da Câmara é formada por outros seis postos —1ª e 2ª vices-presidências, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª secretarias. Esse colegiado de sete deputados é responsável por todas as decisões administrativas da Câmara e também por algumas políticas, como o encaminhamento de representações contra deputados. Em sua decisão, Lira adotou entendimento que, se mantido, rebaixa o PT do terceiro posto mais importante, a primeira-secretaria, para o último, a quarta-secretaria. Já PSDB e Rede, que também integravam bloco adversário a Lira, perdem os postos a que teriam direito (segunda e quarta secretarias). “Primeiro ato de Arthur Lira foi dar um golpe na oposição para mandar na Mesa da Câmara. Violência contra a democracia. Mostrou que será um ditador a serviço de Bolsonaro”, escreveu em suas redes sociais a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. A retirada de adversários em prol de partidos aliados se deu porque Lira indeferiu o registro de candidatura do bloco adversário, de Baleia Rossi (MDB-SP), sob alegação de que o PT perdeu por seis minutos o prazo estipulado para registrar no sistema seu apoio a Baleia. Líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL) afirmou que Lira fez um discurso exaltando a voz do Parlamento e, “em um ato autoritário”, anulou um bloco parlamentar e parte de uma eleição que foi acordada e discutida pelo colégio de líderes. “Isso é inadmissível.”

Deputados veem DEM como novo PP – Pivô da crise que detonou a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), o DEM termina as eleições da Câmara e do Senado sob duras críticas. A principal impressão consolidada entre políticos de lados diferentes é a de que a sigla escolheu o caminho do pragmatismo pelo poder. Para líderes partidários, o DEM vai ficar esperando de longe a articulação para 2022 e só se movimentará quando souber com qual lado terá mais chance de ganhar. Virou o PP, afirmam dois caciques experientes. Virar PP significa, em termos políticos, a representação máxima do centrão, do fisiologismo. Integrantes do DEM refutam a comparação, dizem que se tratou de inteligência política e que não se venderam por cargo algum. Além de ser chamado de traidor por integrantes do bloco de Baleia, como mostrou o Painel nesta segunda-feira (1°), o presidente do DEM, ACM Neto (BA), ouviu de deputados no domingo (31) que não mais terá a confiança de antes. Entre amigos de Neto, a opinião é a de que Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi quem se afundou sozinho. De acordo com essas pessoas, o agora ex-presidente não teve capacidade de articular sua base, mesmo sentado na cadeira.

ACM Neto não terá mais a confiança – Além de ser chamado de traidor por integrantes do bloco de Baleia, como mostrou o Painel nesta segunda-feira (1°), o presidente do DEM, ACM Neto (BA), ouviu de deputados no domingo (31) que não mais terá a confiança de antes. No final, no entanto, os mais próximos do presidente do DEM assumiram a narrativa do sacrifício feito pelo cacique. Mesmo com parlamentares contra Maia, ele garantiu que seu partido não fechasse com o bloco de Arthur Lira (PP-AL). O partido foi o pivô da crise que detonou a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) e terminou as eleições da Câmara e do Senado sob duras críticas.

‘Quando se trata do centrão, sempre há risco de chantagem’ – Às vésperas da eleição no Congresso, o empresário Winston Ling, conhecido como o homem que apresentou Paulo Guedes a Bolsonaro, calibrava com cautela a expectativa de triunfo dos aliados do governo. Para ele, com placar favorável ao Planalto, a chance de as reformas econômicas andarem seria maior, e o impeachment, página virada. “Mesmo assim, já que se trata do centrão, sempre existe risco de mais chantagem logo adiante, pois esse pessoal é difícil de saciar”, diz. Ling acredita que, em troca do apoio do Executivo, os líderes do Congresso pautariam a agenda econômica. “Esta é a esperança da ‘torcida’, pois aqui nas arquibancadas tudo é especulação. Espera-se que o ‘dá cá’ sejam efetivamente as reformas, e rápido”, afirmou o empresário ao Painel S.A. Ele considera, no entanto, que essas negociações políticas fazem parte da democracia.

Merreca – O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começa a pagar, nesta segunda-feira (1º), aposentados e pensionistas que recebem acima do piso (R$ 1.100, em 2021). A correção, para este grupo, foi calculada com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) fechado em 2020, que foi de 5,45%.

O impasse do leilão 5G – Divergências na política de investimento nas redes 5G determinadas pelo Ministério das Comunicações levaram o presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a pedir, nesta segunda-feira (1), o adiamento da votação que definiria as regras do leilão previsto para junho. Leonardo de Moraes paralisou o processo até o final de fevereiro com um pedido de vista. Ele considerou a existência de “pontos que ainda exigiam debate”. Mesmo assim, três dos cinco conselheiros declararam voto favorável à proposta do relator, Carlos Baigorri –o que levantou suspeitas de um racha na Anatel em relação às regras do 5G. Os três votos sinalizam que existe maioria em torno da proposta do relator. Embora haja pontos divergentes entre os conselheiros, o que pesou foi um impasse surgido no final de semana entre o ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN), e as operadoras de telefonia, que disputarão o certame. Pessoas no governo que participaram das discussões no final de semana afirmam que, no centro das controvérsias, está a portaria publicada na última sexta-feira (29) em edição extraordinária do Diário Oficial que definiu como parte das obrigações a cobertura de celular nas estradas federais e a construção de uma rede pública e fechada para o governo de Jair Bolsonaro. Inicialmente, as operadoras não se opuseram a esse investimento que entrou no edital como uma das contrapartidas. No arranjo acordado com o Palácio do Planalto, seria uma forma de viabilizar a participação da chinesa Huawei na construção das redes privadas de 5G. O governo ficaria com sua própria rede (fixa e móvel) sem equipamentos da gigante chinesa. Essa infraestrutura seria construída com dinheiro das teles para atender órgãos públicos federais em Brasília. No entanto, a portaria foi publicada incluindo outros órgãos de segurança e fiscalização nos estados, o que tornaria essa rede muito mais abrangente. Além disso, as teles reclamaram ao ministro que, apesar de aceitarem a cobertura de celular em estradas federais, não esperavam que tantas rodovias fossem incluídas como contrapartida. A portaria contempla quase 50 mil quilômetros de estradas, mais que o dobro do combinado anteriormente. A portaria também incomodou o ministro da Economia, Paulo Guedes, que viu nas contrapartidas exigidas das teles uma tentativa do governo de impedir a privatização da Telebras.

Bolsonaro ironiza ida de Bruno Covas ao Maracanã – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ironizou nesta segunda-feira (1º) a presença do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), no Maracanã em meio à pandemia de Covid-19. Apesar das restrições na capital paulista, Covas foi ao estádio no Rio para acompanhar o jogo entre Palmeiras e Santos, no sábado (30), pela final da Copa Libertadores da América. “Fique em casa para uns, para outros é Miami e Maracanã”, disse Bolsonaro fazendo referência também ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que, em dezembro do ano passado, foi a Miami logo após endurecer medidas restritivas no estado. “Cada vez mais se comprova que a política do ‘fique em casa’ destrói a economia, inunda o Brasil de desempregados, vem inflação, aumento de preço, e não pode continuar culpando o presidente por esta política porque ela não é minha. O ‘fique em casa’ nunca foi e nunca será política minha”, disse Bolsonaro a apoiadores no Palácio da Alvorada. A declaração foi transmitida por um canal simpático ao presidente na internet. No domingo (31), Covas rebateu as críticas que recebeu por, de licença médica, ter ido ao Rio de Janeiro assistir à final. Santista, o tucano assistiu seu time ser derrotado no Maracanã por 1 a 0 pelo rival Palmeiras. Ele chamou as críticas de “lacração da internet” e “hipocrisia generalizada”. O prefeito trata um câncer na cárdia, localizado na transição entre o estômago e o esôfago, se afastou da prefeitura em 19 de janeiro. Ele retomou a função nesta segunda.

Maracanã pode ter novo nome: Estádio Edson Arantes do Nascimento Pelé – O deputado André Ceciliano (PT), o poderoso presidente da Alerj, vai propor amanhã que o estádio do Maracanã passe a se chamar Pelé, em homenagem ao nosso maior atleta. O campo de futebol mais conhecido do mundo foi palco, por exemplo, do milésimo gol do maior jogador de todos os tempos, em 1969, em partida contra o Vasco da Gama. O jornalista Mario Filho (1908-1966), nesse caso, continuaria dando nome a todo o complexo esportivo do Maracanã – que inclui, além do estádio de futebol, outros espaços como o ginásio do Maracanãzinho e o estádio de atletismo Célio de Barros.

BNDES vai devolver R$ 38 bi ao Tesouro – O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) anunciou nesta segunda-feira que fará a devolução antecipada de R$ 38 bilhões ao Tesouro Nacional. O pagamento ainda não tem data para ser feito. Fontes avaliam que isso só será definido no fim de março, enquanto são feitos os trâmites legais necessários. Em comunicado, o BNDES diz que a decisão mantém a sequência de amortizações antecipadas de dívidas com a União que vêm sendo feitas, “levando em consideração o planejamento financeiro e a governança do banco, fundamentada em análises de liquidez, fluxo de caixa, riscos e jurídica”. A antecipação tem como objetivo ajudar o governo a reduzir a dívida pública, que disparou com a pandemia e terminou o ano perto de 90% do PIB, e não amplia os recursos disponíveis para gastos do Tesouro. Por isso, a operação divide especialistas.

Planalto terá de pagar por lealdade do Centrão – As eleições às Presidências da Câmara e do Senado, realizadas ontem, mostraram um novo tabuleiro para ser jogado no Congresso, a partir de hoje, com o deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) no comando das duas Casas. Os dois eleitos tiveram o apoio declarado do presidente Jair Bolsonaro, o que não significa uma vitória do chefe do Executivo, porque ele não está com as duas mãos na taça. Ao aliar-se ao Centrão, o mandatário ainda vai pagar preço alto pelo apoio, como cargos e liberação de emendas e, mesmo assim, pode ser traído a qualquer momento. Além de ir na contramão das promessas de campanha com essa aliança, Bolsonaro não deve garantir o destravamento da pauta da agenda liberal, com reformas estruturais, que são impopulares em um período pré-eleitoral, mesmo com seus candidatos comandando as duas Casas do Congresso, conforme destacaram analistas. O que está certo, que vai andar, segundo eles, é o Orçamento de 2021, porque é inevitável e precisará ser votado o quanto antes. O resto, pouco deve avançar. Logo, Bolsonaro não terá uma vida fácil com o Centrão dando as cartas na Câmara nos próximos dois anos. “Só o tempo dirá se ele dominará o Centrão ou se o Centrão o dominará. O importante é saber que, ao contrário do que seus apoiadores têm cantado em verso e prosa, nada está dado. Não é jogo jogado”, afirmou Carlos Melo, cientista político e professor do Insper. No Senado, não deverá ser diferente, pois Pacheco já sinalizou ser contrário, por exemplo, à privatização da Eletrobras.

Partidos esperam reforma ministerial para depois do carnaval – A expectativa de poder foi crucial para ajudar Arthur Lira (PP-AL) a acomodar seus aliados nos últimos dias, a começar pelo Republicanos, que abriu mão de um cargo na Mesa Diretora da Câmara e, agora, aguarda um ministério. O mesmo vale para o DEM, que, ao sair do bloco de Baleia Rossi, deu ao presidente Jair Bolsonaro o que o capitão mais desejava: derrotar Rodrigo Maia, antes mesmo de anunciado o resultado. Nos bastidores, os deputados afirmam que o presidente terá de cumprir os compromissos e acomodar os novos aliados ao seu lado. Embora o presidente tenha dito que há “apenas uma vaga” em sua equipe, a Secretaria-Geral da Presidência, ele não tem uma situação tão confortável, do ponto de vista político, que lhe permita deixar ao relento a turma que, agora, assume o poder no Congresso. Afinal, se a economia não responder rapidamente, o presidente terá dificuldades de manter o eleitorado e, por tabela, os novos amigos da velha política.

Benefícios para país rico – O Ministério Economia apresentou, ontem, um relatório no qual mostra todos os benefícios bancados pelas estatais. A publicação detalha salários e benefícios, como abonos, adicionais, ausências autorizadas, auxílios e estabilidade, entre outros. De acordo com o levantamento, algumas das empresas sob controle direto da União pagam adicionais de férias, “acima da previsão legal”, de 33%. Algumas garantem 100% do benefício aos trabalhadores. No quesito salário, a Petrobras se destaca pelos altos valores. A remuneração máxima chega a R$ 106,1 mil –– 6.932% maior que a mais baixa da empresa, de R$ 1.510. O vencimento mensal médio da petroleira, segundo o Ministério da Economia, é de R$ 18.930 e tem 52 benefícios diferentes. Entre eles, chama a atenção a gratificação de férias, que corresponde ao valor integral do salário –– contra um terço nas empresas privadas, que pagam o mínimo previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 33,3%. A estatal gastou ainda R$ 4,4 bilhões em planos de previdência complementar, em 2019, de acordo com a Secretaria Especial de Desestatização. A assistência alimentar da Petrobras também está entre as maiores da lista: são R$ 1.254,48 mensais e os empregados têm direito a mais R$ 192 de vale-refeição. O benefício só não é maior que o pago pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 1.521,80 mensais, com 12 auxílios por ano. Além disso, os funcionários recebem cesta-alimentação no valor de R$ 654,88 mensais, com 13 cestas por ano. O BNDES tem o segundo maior salário mensal entre as empresas públicas, de R$ 75.650 — a remuneração média, segundo o ministério, era de R$ 29,230 em 2019. O Programa de Assistência Educacional do BNDES pode chegar a R$ 1.261,65 ao mês por dependente com até 17 anos e 11 meses de idade. Em terceiro lugar, aparece a Eletrobras, com remuneração que varia de R$ 1,9 mil a R$ 71,1 mil. O auxílio-refeição é de R$ 1,2 mil por mês, sendo 13 por ano. Auxílio-creche e pré-escola (para crianças de seis meses a seis anos) chega a R$ 863,83 por mês. Assim como a Petrobras, a empresa do setor elétrico também paga gratificação de férias acima do mínimo previsto (de 75% da remuneração). Os gastos com plano de previdência em 2019 ultrapassaram os R$ 555 milhões.

‘Discurso de paz e harmonia de Arthur Lira durou dez minutos’, diz Doria – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse na noite desta segunda-feira, 1, que o discurso “de paz e harmonia” do recém-eleito presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), “durou dez minutos”. “O discurso de paz e harmonia do deputado Arthur Lira durou 10 minutos. Foi sucedido por um outro discurso revanchista e odioso. E mostrou o tom de como vai conduzir a Câmara Federal”, afirmou. Na disputa, Doria apoiava o adversário de Lira, Baleia Rossi (MDB-SP). Em seu primeiro discurso como presidente da Casa, Lira fez um gesto ao emedebista disse que governará olhando ao centro, à direita e à esquerda, em referência a deputados de todo o espectro político. Mas, em seguida, anunciou já o seu primeiro ato administrativo, desmanchando o bloco de Baleia Rossi (MDB-SP), inscrito com alguns minutos de atraso nesta segunda-feira, com a aceitação de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

DEM reforça imagem de partido pouco confiável – O DEM, que cresceu em 2020 por se colocar como partido da direita “ponderada”, “democrática”, civilizada” e “liberal” em contraponto ao bolsonarismo, pode até construir narrativas para disfarçar, mas o fato é: sua direção, personificada em ACM Neto, abraçou Jair Bolsonaro no Congresso, em disputa marcada por fisiologismo desvairado e pródiga em emendas, mesmo durante forte restrição orçamentária. Para Luciano Huck, convidado a ingressar no DEM, e João Doria, esperançoso de uma aliança, fica a dica: não há confiabilidade na sigla. O entorno de Luciano Huck, porém, avalia que a briga interna não inviabiliza as conversas avançadas dele com o DEM. Com cautela, como é de praxe no grupo do apresentador de TV, a avaliação é de que há muita água para correr embaixo da ponte. Um interlocutor de Huck vai além: o futuro será importante para separar o joio do trigo, quem é fisiologista e quem é mais oposicionista no DEM. Para esse interlocutor, ACM Neto priorizou garantir o Senado, com o Rodrigo Pacheco (MG), e não deve embarcar de cabeça no governo. Outro amigo de Huck tem leitura diferente: no mínimo, o racha mostrou que o DEM tem múltiplos caciques e uma ala governista muito forte. Como ser coerente com discurso de crítica a Bolsonaro em 2022 num partido que tem ministros no governo e que não negou apoio aos nomes dele no Congresso? Do governador Flávio Dino (PCdoB-MA): “Se a esquerda estivesse isolada e a direita unida, nem disputa teria havido na Câmara. Sobre eleição de 2022, está definido que Bolsonaro não unificará toda a direita e o ‘centro’. Isso é o mais importante.”

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