Resumo dos jornais de terça (24/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça (24/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Boulos sobe a 45% e reduz vantagem de Covas, com 55%

CORREIO BRAZILIENSE: Vacinas avançam e imunização deve começar em março

O ESTADO DE S.PAULO: Vacina de Oxford é 90% eficaz; País pode imunizar 130 milhões

O GLOBO: Vacina da Oxford é eficaz e pode chegar ao país em janeiro

Valor Econômico: Governo recorre e posterga plano de vacinação anticovid

Resumo das manchetes

A manchete da Folha destaca mais uma rodada de pesquisa Datafolha para o 2º turno da eleição para prefeito de SP. O Globo, Correio e Estadão trazem manchetes exaltando a eficácia da vacina da Oxford. O Valor traz, também, manchete sobre a imunização só que sobre a crescente preocupação entre especialistas e técnicos do próprio governo sobre como o país deve se preparar e agir assim que os primeiros lotes da vacina estiverem disponíveis.

Destaques de segunda

Órgão do Amazonas suspende licenças de desmatamento ilegal – O órgão de proteção ambiental do Amazonas suspendeu nos últimos dias dezenas de autorizações para exploração florestal, após detecção de fraudes e irregularidades. A medida se deu a pedido do Ministério Público e da Polícia Federal, na Arquimedes —operação usada por Jair Bolsonaro para acusar europeus. Na maioria dos bloqueios, o desmatamento estava ocorrendo em terras da União, segundo as investigações. As documentações fundiárias questionadas foram emitidas pelo Incra. Cerca de 1.500 processos de planos de manejo foram apreendidos e estão sendo analisados por investigadores. Cerca de 125 deles estão ativos, ou seja, emitindo licenças para o transporte de madeira. Do total, 47 estão sendo acusados de irregulares (a análise ainda não finalizou). De acordo com a Arquimedes, as autorizações não poderiam ser emitidas porque estão dentro de terras da União. O Ipaam, que é quem concede as licenças, afirma que não tinha como ter conhecimento antes. “Quando recebemos um documento com anuência do Incra, a gente não questiona se houve uma fraude lá, a gente dá continuidade”, afirma Maria do Carmo Santos, diretora do órgão. A recomendação do MPF e da PF foi para cancelamento imediato. O Ipaam, porém, diz que é preciso esperar o Incra se manifestar sobre fraudes nos casos, o que não agradou investigadores. Segundo o procurador Leonardo de Faria Galiano, haverá em breve uma formalização mais definitiva sobre providências para as irregularidades constatadas.

Prefeitura de Macapá diz que Bolsonaro não ofereceu perigo em carro – Após Jair Bolsonaro ter trafegado pela cidade pendurado do lado de fora de um carro —atitude que envolve uma série de infrações de trânsito segundo especialistas—, a Prefeitura de Macapá diz ao Painel que o presidente estava em comboio oficial, com segurança planejada, e por isso não oferecia perigo. A prefeitura também diz que vídeos da infração não geram penalidades segundo o Código de Trânsito Brasileiro. Acrescenta que a infração só pode ser comprovada a partir de declaração de agente de trânsito ou aparelhos eletrônicos, como câmeras ou radares, e que não recebeu nenhuma notificação sobre o episódio até o momento. Ex-PT e PSOL, Clécio Luis deixou a Rede para apoiar Josiel Alcolumbre (DEM), irmão do presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM) como seu sucessor. Uma das possibilidades levantadas por políticos da região é a de que ele concorrerá ao governo do estado em 2022, e então contará com apoio dos irmãos Alcolumbre. No sábado (21), foi ao aeroporto recepcionar Bolsonaro.

Caciques do PTB deixam o partido – Divergências com Roberto Jefferson levaram três caciques do PTB a decidirem deixar a sigla: Armando Monteiro Neto (Pernambuco), Benito Gama (Bahia) e Campos Machado (São Paulo). A crise se estende, segundo relatos, a Paraná, Goiás e Alagoas. Um dos motivos é a decisão de Jefferson de forçar lideranças locais a se curvarem às suas escolhas. Em Salvador, por exemplo, ele rejeitou a decisão do partido de integrar o apoio a Bruno Reis (DEM) e pediu votos ao nome do PRTB, Cezar Leite. O mesmo ocorre em São Paulo. Jefferson se recusa a apoiar Bruno Covas (PSDB), como defende o PTB local.

Bolsonaro indica filiação a novo partido – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) indicou nesta segunda-feira (23) que pretende analisar em março do próximo ano sua filiação partidária. “Não é fácil formar um partido hoje em dia. A gente está tentando [formar a Aliança pelo Brasil] mas, se não conseguir, a gente em março vai ter uma nova opção”, disse ao chegar ao Palácio da Alvorada, em Brasília. A fala foi transmitida por um site bolsonarista. Bolsonaro respondeu a uma apoiadora, que disse estar trabalhando pela criação, no Paraná, da Aliança pelo Brasil —legenda que bolsonaristas tentam formalizar. O calendário apresentado por Bolsonaro nesta segunda-feira mostra que ele deve esperar a eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro, para tratar da sua filiação partidária. Bolsonaro deixou o PSL no ano passado após atritos com a direção do partido pelo qual se elegeu presidente. Depois, investiu na criação da Aliança, mas a legenda não saiu do papel até hoje. O PP, o Republicanos e o próprio PSL são opções. Entre os nanicos, o Patriota é uma possibilidade —Bolsonaro quase se filiou ao partido em 2018 para disputar a eleição presidencial. O presidente planeja sua filiação a uma agremiação de olho nas eleições de 2022, quando deve tentar a reeleição.

Aliança pelo Brasil só tem 10% de assinaturas – Lançado em novembro do ano passado para ser o partido de Jair Bolsonaro, o Aliança pelo Brasil ainda é uma incógnita e ninguém arrisca dizer se, de fato, o projeto sairá do papel para abrigar a candidatura à reeleição do presidente, em 2022. Nem ele próprio, que já admite a possibilidade de se filiar a outra sigla em março de 2021. Até agora, o Aliança conseguiu apenas 10% das assinaturas necessárias para impulsionar o projeto de Bolsonaro. O presidente deixou o PSL, legenda pela qual se elegeu, há um ano, após muitas disputas pelo controle da máquina partidária e de seus recursos. Não teve força, porém, para pôr de pé a nova legenda. “Não é fácil formar um partido hoje em dia. A gente está tentando, mas, se não conseguir, a gente em março vai ter uma nova opção”, afirmou Bolsonaro, ontem, ao chegar ao Palácio da Alvorada, e responder a perguntas de uma mulher que disse fazer parte do Aliança pelo Brasil em União da Vitória, no Paraná. No papel, Bolsonaro é o presidente do Aliança. O advogado Luís Felipe Belmonte, vice-presidente do partido, disse que continua trabalhando para deixar a legenda pronta e entregá-la a Bolsonaro a tempo da campanha por um novo mandato. Belmonte afirmou, no entanto, que ele pode optar por outro partido. “A única orientação que eu tenho dele (Bolsonaro) é para fazer o partido ficar pronto. Continuo com o mesmo propósito, mas, se depois de pronto ou até antes disso, tiver outra opção, eu não sei dizer porque é uma questão de conveniência política dele”, disse Belmonte ao Estadão. “A tendência é de que, ele tendo um partido próprio, esteja nesse partido”, emendou.

Boulos chega a 45% e reduz diferença para Covas, com 55% – A uma semana do segundo turno em São Paulo, candidato do PSOL, Guilherme Boulos, reduziu a distância do primeiro colocado na corrida eleitoral, o prefeito Bruno Covas (PSDB). Segundo o Datafolha, da pesquisa feita nos dias 17 e 18 para o levantamento desta segunda (23), Boulos passou de 42% para 45% dos votos válidos. Covas, o vencedor do primeiro turno, oscilou negativamente de 58% para 55%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto ouviu 1.260 pessoas. Encomendado pela Folha, o levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-0985/2020. A contagem por votos válidos, que excluem os brancos e nulos, é a forma com que o TRE contabiliza o resultado.

Campanha de Boulos arrecada R$ 5,3 milhões – Um dos principais nomes da esquerda no segundo turno das eleições municipais deste ano, Guilherme Boulos (PSOL) tem sua campanha a prefeito de São Paulo financiada pelo diretório do partido, por uma vaquinha de apoiadores e doações de artistas e até de uma herdeira de empreiteiro. Até agora, a candidatura de Boulos registrou R$ 5,3 milhões arrecadados para a campanha. A maior parte, R$ 3,7 milhões, vem do fundo eleitoral —dinheiro público a que os partidos têm direito em ano de eleição— e representa 70% do total que a candidatura tem para gastar. Outro R$ 1 milhão vem de financiamento coletivo, modalidade de doação em que um grupo se reúne e faz uma vaquinha para dar dinheiro à campanha. O financiamento coletivo do candidato do PSOL é 32 vezes maior do que a vaquinha feita para doação ao seu adversário Bruno Covas (PSDB), que arrecadou R$ 32 mil nesta modalidade. “Há um grande engajamento de pessoas que entram no site Doe Boulos para fazer doação para a campanha”, diz Josué Rocha, coordenador da campanha de Boulos. “Há doações também das pessoas que compraram ingressos pelo site da live feita pelo Caetano Veloso para arrecadar para a candidatura do Boulos. Já é o maior financiamento coletivo de candidatura a prefeito, comparado com outras eleições.” Todas as doações estão registradas na prestação de contas de Boulos e são legais. A terceira maior doação para a campanha do PSOL é de Marília Furtado de Andrade, herdeira de Gabriel Donato de Andrade, um dos fundadores da empreiteira Andrade Gutierrez. Ela doou R$ 80 mil.

Dinheiro privado nas eleições supera R$ 1 bilhão – O dinheiro privado nas eleições de 2020 já chegou a R$ 1,2 bilhão, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, superando o patamar de 2018, que ficou de R$ 1,1 bilhão, em valores já corrigidos. Na lista dos maiores financiadores da campanha, destacam-se os irmãos Mattar, da Localiza, Rubens Ometto, da Cosan, e o senador Eduardo Girão (Podemos-CE). Apesar da proibição de que empresas banquem os candidatos, decisão tomada há cinco anos, o poderio empresarial continua influente já que donos e executivos das empresas podem fazer doações, limitadas a 10% de seus rendimentos. Se até 2015 o mapa do financiamento eleitoral dos políticos era formado por grandes bancos, empreiteiras e outras gigantes nacionais, agora figuram no topo da lista fundadores e dirigentes de empresas de grande e médio porte, além de expoentes do meio agropecuário.

Tensa, disputa em Goiânia tem candidato intubado – A tensão entre as campanhas do segundo turno para a Prefeitura de Goiânia aumentou com um pedido para que a Polícia Federal investigue fake news sobre o estado de saúde do candidato e ex-governador Maguito Vilela (MDB), internado há um mês com Covid-19, e acusações do senador Vanderlan Cardoso (PSD) de que o grupo de seu adversário estaria praticando “estelionato eleitoral”. O resultado do primeiro turno das eleições surpreendeu as duas campanhas. Vilela ficou com 36,02%, e sua equipe não esperava alcançar uma vantagem de 68.455 votos. Vanderlan, que é apoiado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) e teve 24,67%, tinha expectativa de sair do primeiro embate das urnas com diferença muito menor em relação ao seu opositor. Ainda não foi divulgada uma pesquisa sobre intenção de voto no segundo turno. Segundo boletim médico divulgado neste domingo (23), pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado desde o dia 27 de outubro, o ex-governador segue com quadro clínico estável e com redução progressiva do suporte da ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea). O paciente mantém evolução satisfatória dos parâmetros respiratórios. O paciente encontra-se estável, com controle e estabilização das funções vitais. Não há previsão de alta. No último dia 15, Maguito voltou a ser intubado e sedado, após piora da infecção nos pulmões, motivo pelo qual ainda não soube do resultado do primeiro turno.

Facebook excluiu 140 mil conteúdos durante a campanha eleitoral no 1º turno – O Facebook divulgou nesta segunda-feira (23) que removeu mais de 140 mil conteúdos que violaram as regras da empresa sobre “interferência eleitoral” durante a campanha no primeiro turno no Brasil. Os posts foram deletados na rede social e no Instagram. As publicações excluídas continham informações que tentavam influenciar o rito eleitoral, como tentativas de supressão de votos, informações erradas sobre horários de votação e de abertura das urnas. Nestas eleições, as grandes empresas de tecnologia concentraram esforços para banir a desinformação relativa especialmente às regras eleitorais, priorizando informações oficiais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Enfrentar o bolsonarismo é o meu 1º compromisso – Desde que sua mulher não voltou para o jantar, a arquiteta Monica Benicio viaja o mundo lutando por respostas para uma pergunta que se repete há quase três anos: “Quem matou Marielle Franco?”. A partir de janeiro, o ringue será outro: a Câmara Municipal do Rio. Recém-curada da Covid-19, que a impediu de ir às ruas na reta final da campanha, Monica, 34, recebeu a Folha em seu apartamento, na zona sul do Rio. Eleita vereadora pelo PSOL com quase 23.000 votos, sendo a terceira mulher mais votada na cidade, a arquiteta afirma que seu primeiro compromisso será o enfrentamento ao bolsonarismo, ao qual atribui uma política de “ódio à vida das mulheres”. Monica afirma que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, mostraram desinteresse nas investigações do assassinato de Marielle até que o próprio presidente foi citado no inquérito –não há, até o momento, indícios de que Bolsonaro tenha tido envolvimento com o crime.

STF irá discutir prática da ‘rachadinha’ antes de julgar caso de Flávio – O STF (Supremo Tribunal Federal) irá discutir a gravidade do crime da “rachadinha” antes de julgar o caso do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sob acusação de ter arrecadado parte do salário dos servidores de seu gabinete quando era deputado estadual. O tema será analisado a partir de 27 de novembro na ação penal em que o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) é acusado de peculato por prática similar à do filho do presidente. O processo será julgado no plenário virtual e vai até 4 de dezembro. A análise da ação vai refletir a visão dos ministros sobre o delito e deve estabelecer balizas para julgamento de crimes desta natureza. O STF não tem nenhum precedente sólido sobre situações em que agentes públicos recolhem parte do vencimento de servidores.

Juiz inocenta Dario Messer por crime que doleiro confessou – No último dia 11, a Justiça Federal do Rio de Janeiro absolveu o doleiro Dario Messer por crimes que ele mesmo confessou ter cometido, em delação premiada. O doleiro foi julgado pelo juiz federal Carlos Adriano Miranda Bandeira, da 4ª Vara Federal do Rio. Messer havia sido denunciado por lavagem de dinheiro, evasão e associação criminosa, crimes investigados na Operação Sexta-Feira 13, de 2009. Em junho deste ano, o doleiro confessou à Lava Jato do Rio, em delação, que cometeu esses crimes. “Os fatos imputados na operação Sexta-Feira 13 em relação ao colaborador [Messer] são verdadeiros”, informa o anexo 1 do acordo de colaboração firmado com o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) e a PF (Polícia Federal). O UOL consultou cinco juristas sobre a absolvição de Messer. Todos disseram que o juiz Bandeira o julgou corretamente, já que levou em consideração o que estava no processo em sua vara. “O juiz não tinha como decidir citando uma delação se ela não tinha sido incluída na ação penal”, resumiu um advogado que não quis se identificar. Os mesmos juristas veem falha do MPF-RJ ao não levar a confissão de Messer ao processo. “É obrigação da Procuradoria avisar o juiz que obteve uma informação nova e relevante.” Um ex-membro da cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmou ao UOL que uma omissão do MPF poderia levar a punição de procuradores, na corregedoria ou CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Procurado, o MPF-RJ informou que só se pronunciará nos autos do processo. O órgão ainda alegou que a ação contra Messer é sigilosa, o que não procede já que a movimentação e decisão do processo estão disponíveis para consulta, conforme pôde constatar a reportagem. O juiz Bandeira informou o UOL de que não se pronunciará sobre sua sentença.

Briga pela Câmara compromete agenda – As promessas do ministro da Economia, Paulo Guedes, de acelerar as reformas e as privatizações, depois de encerrado o processo eleitoral, não são compartilhadas pelos congressistas. Ali, não há consenso sequer sobre se a tributária deve ser votada antes da administrativa, ou vice-versa. O texto, então, nem se fala. Quanto às privatizações, muitos consideram que é preciso esperar mais um pouco para vender as estatais, em especial, a Eletrobras, porque, em plena pandemia, o preço seria inferior ao que a empresa vale. E como pano de fundo de tudo isso está a disputa pela Presidência da Câmara, que já ganhou corpo e, se não for bem trabalhada, a abertura do Legislativo de 2021, em fevereiro, será marcada por um mar de mágoas e rusgas entre os partidos com os quais o governo espera contar para aprovar as propostas. Até aqui, o governo não ajudou a arrumar essa confusão. E, se entrar mal nessa onda de disputas, arrisca ver a sua agenda morrer na praia.

“Golpistas” não passarão – O PT resiste a apoiar o presidente do MDB e líder do partido, Baleia Rossi, para presidente da Câmara. Os emedebistas são considerados, entre os petistas, como os principais artífices do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Vale lembrar que, se os votos a favor do impeachment contarem na hora de escolher o candidato a presidente da Casa, Arthur Lira também votou a favor do afastamento da presidente, em 2016.

Cerco a Davi – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conseguiu levar o presidente Jair Bolsonaro ao Amapá, no sábado, mas continua dançando numa chapa quente. Além de ter de suar a camisa para reverter a queda de seu irmão Josiel nas pesquisas para a prefeitura de Macapá — a eleição está marcada para 6 de dezembro —, é alvo de pressões de todos os lados, sobretudo para manter a posição contrária à privatização do sistema elétrico. No mesmo dia em que Bolsonaro passeava pelo Amapá ao lado de Davi e do ministro Bento Albuquerque, o Coletivo Nacional dos Eletricitários publicou carta aberta de uma página em jornais do estado com duras críticas ao ministro e à direção da Eletrobras, acusando-os de “desleixo e vileza” pelo apagão. O documento cobra do presidente do Senado: “Pedimos seu apoio na luta pela manutenção a Eletrobras estatal. A companhia possui, hoje, R$ 12 bilhões em caixa e está absolutamente pronta para apoiar a retomada do crescimento do país após a superação deste momento tão terrível”.

Trump ainda não admite derrota, mas autoriza transição de governo – O presidente Donald Trump aceitou iniciar a transição de governo com a equipe de Joe Biden. Por 16 dias, a Casa Branca bloqueou os protocolos de transferência de poder, enquanto Trump travava uma batalha jurídica para contestar o resultado das urnas. Pelo Twitter, o presidente continuou sem admitir a derrota, mas disse ter concordado em iniciar a transição. Ontem, Emily Murphy, diretora da Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês), agência encarregada de franquear o início do processo de transição, autorizou que a equipe de Biden receba informações confidenciais – um reconhecimento de que o democrata foi eleito. Segundo Trump, Murphy estava sob “ameaça e assédio”. “Quero agradecer a Emily Murphy da GSA por sua dedicação e lealdade a nosso país. Ela foi assediada, ameaçada e abusada – e não quero ver isso acontecer com ela, sua família ou os funcionários da GSA”, escreveu o presidente. “Nosso caso continua fortemente, e vamos manter a boa luta, e acredito que vamos vencer. De toda forma, no melhor interesse do país, recomendo que Emily e sua equipe façam o que precisa ser feito sobre os protocolos iniciais, e pedi que minha equipe faça o mesmo.” Emily estava sob pressão de congressistas e da equipe de Biden, que argumentavam que a demora em iniciar a transição do presidente eleito representava uma ameaça à segurança nacional. Segundo o democrata, o atraso poderia causar problemas na distribuição de vacinas contra covid-19 nos EUA.

Modelo acusa senador de estupro em flat de SP – Um boletim de ocorrência por estupro foi registrado na madrugada de ontem, no 14.º Distrito Policial de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, contra o senador Irajá Silvestre Filho (PSD-TO). O parlamentar, que é filho da também senadora Kátia Abreu (PP-TO), nega. O documento aponta que a vítima é uma modelo de 22 anos que diz ter conhecido o senador durante um almoço no Jockey Club, na zona sul da capital paulista, no domingo. Na sequência, segundo o registro da ocorrência, os dois seguiram para a casa noturna Café de La Musique, também na zona sul, onde ela afirma ter sido dopada e perdido a consciência. Acordou, de acordo com o boletim, em um flat, no Itaim-bibi, já sendo abusada pelo parlamentar. No registro ainda consta que a modelo “recobrou a consciência” com Irajá sobre ela, “a penetrando”, e dizendo frases como: “Você é minha” e “Estou apaixonado”. Ela também relatou à polícia que ficou com medo de ser agredida e, por isso, não resistiu ao abuso, mas pediu “insistentemente para ir ao banheiro e tomar água, sem sucesso”. Quando conseguiu sair da cama, após dizer que estava passando mal, a vítima se trancou no banheiro e começou a pedir socorro aos amigos por meio de mensagens pelo celular, prossegue a ocorrência. Segundo o relato, ela só teria deixado o local após a chegada de uma amiga. Funcionários do hotel foram conduzidos à delegacia para depor como testemunhas. A polícia foi até o local, mas não encontrou o senador. O quarto foi preservado para perícia e a modelo passou por exames.

SP tem R$ 130 bi a receber, mas pouca perspectiva – A Prefeitura de SP tem R$ 130 bilhões a receber. Tratada como fonte de receita pelo candidato Guilherme Boulos (PSOL), a dívida ativa é composta por tributos não recolhidos, como IPTU e ISS. O problema é que, por motivos como falência de empresas ou morte de devedores, apenas R$ 54,9 bilhões são passíveis de recuperação. No papel, o estoque da dívida ativa de São Paulo equivale a quase dois orçamentos anuais da capital. São R$ 130 bilhões, divididos em 1,2 milhão de processos, que deixaram de ser pagos em impostos à Prefeitura ao longo dos anos. Uma fortuna que não só permitiria a realização de qualquer plano de governo, mas também a continuidade de programas de distribuição de renda e geração de empregos. O problema é que o ritmo de recuperação desses recursos, somado a fatores alheios à vontade municipal, como empresas falidas ou devedores que já morreram, permite que, hoje, 42% seja passível de recuperação, ou R$ 54,9 bilhões. Tratada como fonte de receita pelo candidato Guilherme Boulos (PSOL), a dívida ativa é composta por valores não recebidos em tributos, principalmente boletos de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS). A menos de uma semana do segundo turno, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição, é questionado por seu concorrente sobre demora nas cobranças e o uso de sistemas ainda analógicos para a realização do trabalho pelos procuradores do município.

Nuvens carregadas no horizonte de Pazuello – A revelação pelo ‘Estadão’ de que testes PCR (para detectar a covid-19) do Ministério da Saúde podem acabar no lixo fez procuradores e gestores da área da saúde nos Estados ouvidos pela Coluna enxergarem nuvens carregas no horizonte de Eduardo Pazuello. O ministro pode ser alvo de uma possível ação de improbidade administrativa, avaliam. Parlamentares acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) e, também o Tribunal de Contas da União (TCU). Querem se saber houve desperdício de recursos, negligência e inépcia do ministro. “O fato toma contornos ainda mais impressionantes ao se observar que o atual ministro da Saúde, que é um general de Exército, (…) foi efetivado no cargo justamente com o discurso de que teria experiência como gestor de logística”, argumenta o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em seu pedido. Deputados do PSOL enviaram ofício para Célia Regina Delgado, coordenadora na PGR, solicitando investigação civil e penal “das possíveis ilegalidades” e a responsabilidade de Jair Bolsonaro e de Eduardo Pazuello.

‘Toda esquerda foi vitimada pelo antipetismo’ – Presidente nacional do PSOL, o historiador gaúcho Juliano Medeiros, de 37 anos, afirmou que a aparição do partido no segundo turno de duas capitais faz a legenda se credenciar a influenciar na disputa presidencial de 2022, como oposição ao presidente Jair Bolsonaro. Em São Paulo, o candidato Guilherme Boulos apareceu com 35% das intenções de voto na pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo mais recente, atrás de Bruno Covas (PSDB), com 47%. Em Belém, Edmilson Rodrigues aparece com 45%, ante 43% de Delegado Eguchi (Patriota). Em entrevista ao Estadão, Medeiros disse que os partidos de esquerda no Brasil passam por um momento de transformação e de reequilíbrio de forças e que todos os políticos desse campo são atingidos pelo antipetismo. Segundo ele, o PSOL se beneficiou da chegada de novos atores, como Boulos e ativistas de causas identitárias, como o combate à homofobia e ao racismo. Na avaliação do dirigente, isso aproxima a legenda de um novo ciclo da esquerda mundial, conectada a movimentos como o Podemos, da Espanha, e a Frente Ampla, do Chile. Sobre a pecha de ser “radical”, Medeiros afirmou que o partido quer “ressignificar” a expressão, fazendo questão de se distanciar dos extremistas.

A despeito do avanço no desenvolvimento de diversos tipos de vacina contra a covid-19 e dos riscos de uma segunda onda da doença atingir o Brasil, o governo Jair Bolsonaro está resistindo a cumprir uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) e entregar um planejamento detalhado para a imunização da população. A determinação do órgão de controle foi aprovada pelo plenário no dia 12 de agosto, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu e até agora não há indicação de que o plano sequer exista e, muito menos, de que será apresentado. Não é a primeira vez que a AGU atua para postergar o compartilhamento de informações com o tribunal. Em junho, apresentou recurso contra um pedido para que o governo divulgasse as atas das reuniões do Centro de Coordenação de Operações do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da covid-19. Cresce a preocupação entre especialistas e técnicos do governo sobre como o país deve se preparar e agir assim que os primeiros lotes da vacina estiverem disponíveis. Pouco se sabe, por exemplo, como se dará a distribuição para Estados e municípios, se haverá agulhas e seringas suficientes e quantas salas de vacinação possuem os equipamentos necessários para o correto armazenamento das doses. Enquanto outros países já discutem se o ideal é vacinar primeiro os idosos ou os jovens, que poderiam acelerar a retomada da atividade econômica, no Brasil não se sabe ainda qual parcela da população será tratada com prioridade – além dos profissionais de saúde.

Bolsonaro não quer se envolver no 2º turno, após derrotas – Desmotivado com o resultado do primeiro turno das eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro pretende se manter longe da disputa nesta fase final. A cinco dias do segundo turno, ele admitiu a aliados ter se decepcionado com a postura de alguns candidatos durante a campanha eleitoral e afirmou já ter cumprido seu papel ao pedir votos nas transmissões ao vivo para 58 concorrentes na fase inicial do pleito. A aliados, o chefe do Executivo disse ter se desgastado apoiando candidatos que, na visão dele, pouco trabalharam para melhorar o desempenho pífio que vinham tendo durante a campanha. Bolsonaro sentiu que muitos dos apoiados acreditaram que bastava apenas ter seu respaldo para elevar suas intenções de votos nas cidades, o que não aconteceu. E a derrota deles foi interpretada, então, como fracasso do presidente. Interlocutores o haviam alertado de que o cenário de derrotas desgastaria sua imagem e poderia demonstrar fraqueza. Por outro lado, alguns aliados defendiam usar a campanha municipal como “termômetro” para 2022, quando Bolsonaro pretende se lançar à reeleição. Por isso, o chefe do Executivo decidiu se arriscar e ajudar candidatos que o ajudaram na campanha de 2018, além de outros indicados pelos seus assessores, secretários e ministros.

‘Fiz menos do que gostaria, pois herdei uma dívida colossal’ – Na segunda entrevista da série dos colunistas do GLOBO com candidatos que disputam o segundo turno em Rio e São Paulo, o prefeito do Rio e candidato à reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos), atribui os problemas em sua administração à herança deixada pelo antecessor e adversário nas urnas, Eduardo Paes (DEM). O atual prefeito reconhece a própria falta de experiência ao assumir a gestão do município, há quatro anos, mas defende que seria agora o nome mais preparado para continuar a enfrentar a pandemia da Covid-19 e cita realizações na Saúde.

Ciro diz que divergências com Lula não foram superadas – O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) disse ontem que a reunião que teve com o ex-presidente Lula, em setembro, não serviu para superar divergências, mas para que as conversas fossem retomadas. — Conversamos depois de quase dois anos de profundas desavenças. Não superamos as divergências, mas restauramos o diálogo. E eu convido você a conversar. E eu acho que o agente político fala, dialoga, mesmo que eu tenha vindo com as mesmas ideias e saído com as mesmas convicções. E ele certamente entrou com as mesmas convicções que deixou — disse Ciro, em entrevista à Rádio Jornal Pernambuco. O pedetista disse ainda que a conversa, revelada pelo GLOBO, tratou “as diferenças de forma franca, aberta, sincera, pensando na questão do Brasil”” O ex-ministro atacou o PT e principalmente a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. Para Ciro, Lula “impôs a Dilma para continuar comandando” e assim acabou criando as condições para Jair Bolsonaro ser eleito em 2018. – Dilma, sem nenhuma experiência, se apega à última economia… E corrupção generalizada, que infelizmente não pode ser escondida… (ex-ministro Antonio) Palocci era o braço direito de Lula. Isso criou as condições no Brasil para o povo, por desespero, por raiva, por frustração, que eu entendo com minha alma, para votar nesse absurdo que está provando ser Bolsonaro. Questionado sobre a opinião do letreiro João Santana, dada em entrevista ao programa “Roda Viva”, de que uma chapa com Ciro e Lula como vice seria imbatível, o pedetista descartou essa possibilidade: Isso não existe. A Lula é muito grande. Lula deveria, se tivesse um pouco de grandeza, mesmo em relação a si mesmo, manter o lugar certo que tem na história. Um presidente que fez muito pelo povo naquela época, masque errou profundamente na política, eu aponto que ele foi a maior vítima.

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