Resumo dos jornais de terça (15/09/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de terça (15/09/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Governo quer decreto para cortar R$ 10 bi de carentes

CORREIO BRAZILIENSE: Ibaneis exonera secretário preso. CPI perde força

O ESTADO DE S.PAULO: Economia propõe congelar aposentadoria para criar Renda Brasil

Valor Econômico: Ser e Yduqs disputam operação da Laureate

O GLOBO: Empresário confessa esquema e revela propina a Witzel

Destaques de hoje

Pacote de maldades – Preocupado com o teto de gastos, o governo Jair Bolsonaro planeja endurecer regulamentos e revisar quase 2 milhões de benefícios destinados a idosos e pessoas carentes com deficiência. Com as medidas, por decreto, a tentativa é buscar economizar R$ 10 bilhões por ano. A iniciativa está sendo preparada em conjunto pelos Ministérios da Cidadania e da Economia, conforme relatos ouvidos pela Folha. O objetivo, segundo membros do Executivo, é restringir as regras de avaliação dos critérios do BPC (Benefício de Prestação Continuada). A intenção é começar a nova análise alguns meses após a reabertura das agências do INSS, fechadas por causa da pandemia. O auxílio, R$ 1.045, é pago dentro de um limite de renda familiar per capita de até R$ 261,25. Na visão dos técnicos, há muitas brechas no sistema. Espera-se também que normas mais rígidas reduzam concessões obtidas na Justiça, responsáveis por mais de um terço dos novos pagamentos.

Exonerado secretário preso – Denunciados pelo Ministério Público do Distrito Federal por suspeita de fraude na compra de testes rápidos para detecção de covid-19, o secretário de Saúde, Francisco Araújo Filho, e demais integrantes da cúpula da pasta no DF foram demitidos ontem. Preso em 25 de agosto, ele estava afastado do cargo desde então. Com a exoneração, perde a prerrogativa de foro. Araújo era o único cujo processo tramitava em segunda instância. Agora, todos responderão à ação em primeiro grau. Dos setes integrantes da cúpula da Saúde que tiveram prisão preventiva decretada, cinco seguem detidos. Em nota oficial, o advogado de Francisco Araújo, Cleber Lopes, afirmou que a denúncia é uma peça insubsistente. “A acusação padece da falta de provas”, disse. No fim de semana, articulações levaram o distrital Daniel Donizet (PL) a retirar a assinatura de requerimento para a criação de CPI com objetivo de investigar o caso. Sem esse apoio, o pedido de abertura da comissão fica prejudicado.

Pacote de maldades II – Para obter recursos para o programa Renda Brasil no Orçamento de 2021, a equipe econômica do governo avalia propor a desvinculação do salário mínimo dos benefícios previdenciários e o congelamento, por dois anos, de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. A medida atingiria tanto quem ganha um salário mínimo (hoje, em R$ 1.045) como quem recebe acima desse valor e permitiria benefícios menores que o piso, o que é proibido atualmente. A proposta, que ainda não recebeu aval do presidente Jair Bolsonaro, teria de ser aprovada pelo Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ser favorável ao não reajuste por dois anos, mas apenas para quem ganha aposentadoria, pensão ou benefício acima do salário mínimo. Segundo Maia, seria muito difícil aprovar a desvinculação para quem ganha o piso. De acordo com o presidente da Câmara, congelar os benefícios previdenciários para quem ganha acima do mínimo abriria espaço de aproximadamente R$ 20 bilhões em 2021 e R$ 40 bilhões em 2022.

A disputa – Um dia depois de o grupo Ser Educacional anunciar oferta de R$ 4 bilhões pela operação da americana Laureate no Brasil, a Yduqs, segunda maior rede privada de ensino superior do país, informou que entrará na disputa. Em nota, a empresa (ex-Estácio) disse que “acredita ter condições de apresentar proposta concorrente mais atraente dentro do prazo estabelecido para o ‘go shop’” – proposta aberta a terceiros, no jargão do mercado em inglês. A Yduqs tem até 13 de outubro para apresentar sua oferta pela Laureate, dona de faculdades como Anhembi Morumbi e FMU. O dispositivo de “right to match” (direito de igualar, em inglês), previsto nos termos da transação anunciada ontem, permite que, caso surja proposta mais vantajosa pela Laureate, a Ser Educacional tenha preferência de apresentar o mesmo valor e selar a compra. Se a Laureate, por sua vez, fechar negócio com a Yduqs ou qualquer outra empresa, terá que pagar multa de R$ 180 milhões à Ser.

Empresário confessa esquema – A candidatura de Wilson Witzel ao governo do Rio de Janeiro teria contado com a ajuda financeira de um grupo empresarial acusado de posteriormente aparelhar o estado e desviar cerca de R$ 50 milhões em propinas, de acordo com novo depoimento do empresário Edson Torres, apontado como operador financeiro do grupo de Pastor Everaldo. O empresário compareceu de forma voluntária ao Ministério Público Federal (MPF), após a deflagração da Operação Tris in Idem, que culminou no afastamento do governador, para explicar como funcionava o esquema de corrupção que teria usado a máquina pública em proveito próprio. Nesta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou, pela segunda vez, Witzel ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O governador afastado foi apontado como líder de uma organizaçao criminosa que teria montado um esquema para desviar dinheiro público. O depoimento faz parte dessa nova denúncia. De acordo com o depoimento do empresário Edson Torres, Witzel teria recebido R$ 980 mil quando ainda era juiz federal e mais R$ 1,8 milhão do grupo, até o fim do segundo turno, no intuito de garantir a atuação ilícita da organização criminosa caso ele vencesse. Após as eleições, o grupo teria estruturado um esquema de corrupção na Saúde, na Cedae e no Detran, e criado uma “caixinha da propina” que seria irrigada com um percentual entre 3% e 7% dos contratos. Witzel já havia sido denunciado, no último dia 28, por corrupção (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro. Na nova denúncia, a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo aponta o governador afastado Wilson Witzel como “chefe de uma organização criminosa” que teria praticado os crimes de corrupção ativa e passiva, fraude a licitações e peculato em detrimento do estado do Rio de Janeiro. Também foram denunciados Helena Witzel e outras dez pessoas.

Economia quer aposentados sem aumento em 2 anos – O secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, disse que a equipe econômica do governo federal defende que benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, sejam desvinculadas do salário mínimo. A informação consta em entrevista do secretário ao G1. Na prática, isso congelaria os benefícios, deixando-os sem reajustes. Esse congelamento abriria espaço no Orçamento para financiar o programa Renda Brasil, que o governo planeja lançar no lugar do Bolsa Família. Rodrigues explicou que seriam congeladas tanto as aposentadorias no valor de um salário mínimo quanto as mais altas, por um período de dois anos. “A desindexação que apoiamos diretamente é a dos benefícios previdenciários para quem ganha um salário mínimo e acima de um salário mínimo, não havendo uma regra simples e direta [de correção]. O benefício hoje sendo de R$ 1.300, no ano que vem, ao invés de ser corrigido pelo INPC, ele seria mantido em R$ 1.300. Não haveria redução, haveria manutenção”, disse. O secretário confirmou que a ideia está sendo debatida com os ministérios da Casa Civil e da Cidadania, mas disse que o governo ainda não fechou nenhuma decisão sobre o tema.

Câmara planeja corte de gastos – A reforma administrativa da Câmara dos Deputados prevê uma economia de R$ 440 milhões por ano, segundo cálculos obtidos pelo ‘Estadão’. A proposta, que será apresentada pela mesa diretora, estabelece um corte de 1 mil cargos efetivos e 500 comissionados que atendem às lideranças e seus gabinetes. A reforma da Câmara corta também o salário de ingresso do analista legislativo de R$ 24,7 mil para R$ 13,8 mil. O salário inicial do técnico legislativo cairá de R$ 16,4 mil para R$ 9,2 mil. Hoje, o salário bruto (antes dos descontos) médio dos servidores da Câmara é de R$ 28 mil. A ideia é implementar um sistema de avaliação de desempenho dos servidores e aumentar o tempo para os servidores subirem na carreira, de 10 para no mínimo 25 etapas. Ao Estadão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse esperar começar a aprovar os projetos da reforma da Casa a partir de outubro para a modernização dos serviços prestados para a sociedade e o exercício dos mandatos dos deputados.

Maioria dos partidos diz ser a favor do fim da reeleição – Prometido pelo presidente Jair Bolsonaro ainda na campanha de 2018, o fim da reeleição para cargos no Executivo tem o apoio de líderes de 15 dos 24 partidos representados na Câmara e no Senado, segundo levantamento do Estadão/broadcast. O assunto, esquecido por Bolsonaro após eleito, voltou a ganhar força depois que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, em artigo no Estadão, ter errado ao dar aval à medida, que lhe permitiu ficar oito anos no poder. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para proibir a recondução de presidentes, governadores e prefeitos foi apresentada na semana passada pelo deputado Alessandro Molon (RJ), líder do PSB. Para ser aprovada, uma PEC precisa de 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Embora em maioria, as bancadas dos líderes de 15 partidos que apoiam a medida não atingem esse patamar. Ao todo, representam 302 deputados e 40 senadores. Alguns líderes ponderam também que, apesar de pessoalmente favoráveis ao fim da reeleição, a questão não está fechada e ainda precisa ser discutida internamente nos partidos.

Governo vai propor isenção total de tributo para igrejas – Apesar das críticas, a imunidade total às igrejas, como defendeu o presidente Jair Bolsonaro ao vetar parte do perdão de dívidas dos templos, deve ser enviada numa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) própria ou incluída em um texto já em tramitação, segundo apurou o ‘Estadão/broadcast’. O Palácio do Planalto está definindo o melhor instrumento para encaminhamento da proposta, mas a meta é encontrar a solução antes da votação do veto, prevista para outubro. Hoje, as igrejas têm imunidade constitucional contra a cobrança de impostos, mas a proteção não alcança as contribuições, como a CSLL (sobre o lucro líquido) e a previdenciária. Nos últimos anos, a Receita Federal identificou manobras dos templos para distribuir lucros e remuneração variável de acordo com o número de fiéis sem o devido pagamento desses tributos – ou seja, burlando as normas tributárias. O assunto é delicado porque a Receita Federal e integrantes da equipe econômica são contrários, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa do apoio da bancada evangélica para a aprovação dos projetos de interesse da agenda econômica.

Bolsonaro decide efetivar Pazuello na pasta da Saúde – O general Eduardo Pazuello será oficializado como ministro da Saúde, após quatro meses de interinidade. A cerimônia de posse ocorrerá amanhã. Pazuello substituiu o médico Nelson Teich, que ficou apenas um mês no cargo.

Servidor candidato pode custar R$ 1 bi, diz estudo – Servidores públicos que tiram licença remunerada para concorrer nas eleições podem custar até R$ 1 bilhão para os cofres públicos, segundo estudo. Para chegar ao número, o professor-doutor Fernando Botelho, da Faculdade de Economia da USP, e o cientista político Humberto Dantas levantaram quanto o Estado gastou com funcionários públicos que se candidataram em 2016 e traçaram uma projeção para este ano. Todo servidor que tem intenção de concorrer à eleição deve se afastar do cargo três, quatro ou seis meses antes do pleito (o prazo depende da função que exerce e do cargo a que está disputando). No período, segundo a legislação, ele continua recebendo os vencimentos de forma integral. A ideia da licença para atividade política, prevista na Lei da Inelegibilidade, é evitar que o emprego público dê alguma vantagem ao candidato. O estudo revela que, em 2016, a prática custou R$ 700 milhões para o erário. Os pesquisadores avaliam que, para este ano, o montante deve ficar, pelo menos, R$ 300 milhões maior em razão da probabilidade de que mais candidatos a vereador sejam lançados devido ao fim das coligações proporcionais. Até 2018, a distribuição das cadeiras no Legislativo levava em conta votos obtidos pela coligação de que o partido fazia parte. Agora, o cálculo é feito a partir da votação recebida por partido, de forma isolada.

Líderes da América Latina alertam para riscos à democracia na região – Ex-presidentes e líderes políticos da América Latina lançam hoje carta para alertar para os riscos que a crise do coronavírus traz às democracias da região. O documento é assinado pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, a Fundação para a Democracia e Desenvolvimento (Fundación Democracia y Desarrollo, instituição chilena criada, em 2006, no fim do mandato presidencial do social-democrata Ricardo Lagos) e o Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral – organização intergovernamental com sede em Estocolmo, na Suécia, e que possui 33 países membros, incluindo Brasil. Com o título “Cuidemos da democracia para que ela não seja vítima da pandemia”, o texto diz ser necessário garantir que as medidas de emergência adotadas pelos governos para tentar diminuir o efeito da crise mundial não sirvam “como um cheque em branco” aos interessados em enfraquecer controles, prestação de contas e práticas anticorrupção. A carta ainda prega que organizações de Estado e da sociedade civil devem garantir mecanismos de controle nos países que se viram obrigados a adiar eleições. O texto, no entanto, não cita nações específicas.

Legado de Ruth Cardoso pauta debates – Ela faria 90 anos no próximo dia 19. A antropóloga Ruth Corrêa Leite Cardoso morreu em 24 de junho de 2008, aos 77 anos, deixando como legado principal a criação do chamado terceiro setor, uma prática política por meio da sociedade civil. Organizada em ONGS, a ação se somou às medidas de governo e das empresas na busca pela melhoria das condições de vida para a população. Para marcar a data, a Fundação FHC programou três eventos ao longo do mês de setembro: um webinário (seminário transmitido pela internet), hoje, uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 22, e uma exposição virtual. “Quando fui presidente, Ruth cooperava, mas com independência crítica. Jamais foi apenas ‘primeira-dama’, aliás não gostava de ser assim qualificada”, disse Fernando Henrique, hoje com 89 anos. “Ela criou o Comunidade Solidária e se dedicou não ao ‘assistencialismo’: queria que as pessoas exercessem seus papéis na sociedade com autonomia e reivindicando seus direitos.” A obra de Ruth Cardoso no terceiro setor – o Comunidade Solidária é o programa mais conhecido – será abordada no webinário, realizado a partir das 17h30 com transmissão pela plataforma Zoom e pelo Facebook. Participam o economista Ricardo Paes de Barros, do Insper, e o sociólogo e escritor Augusto de Franco, com mediação de Simone Coelho, do Ideca.

Contrabando evangélico – Insatisfeito com o veto de Jair Bolsonaro a projeto de lei que perdoava dívidas de instituições religiosas com o fisco, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) afirma que três dias antes o presidente disse a ele ser favorável à proposta. Segundo o parlamentar, às 8h30 de quinta-feira (10), no Rio, Bolsonaro contou que havia acordado Paulo Guedes às 5h da manhã pedindo informações, e que o ministro havia consentido com o projeto que interessa às igrejas. “Fomos surpreendidos com a decisão de domingo. Esse veto é de uma infantilidade jurídica… Desde quando instituição religiosa tem fins lucrativos?”, questiona Sóstenes, que é ligado ao pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, estava na conversa. Segundo Sóstenes, nem André Mendonça (Justiça) nem José Levi do Amaral (Advocacia-Geral da União) viram ilegalidade na proposta. Segundo relatos ao Painel, Guedes advogou pelo veto por uma tecnicalidade jurídica, não pelo custo econômico da proposta. O ministro da Economia argumentou que a reforma da Previdência criou uma trava para a concessão de benefícios, só permitida quando definida fonte de receita alternativa. Bolsonaro disse nas redes que pretende se retratar com religiosos por meio de uma PEC.

Em prol do Trump – O senador Jaques Wagner (PT-BA) fez uma representação ao TCU pedindo para suspender a decisão do governo de prorrogar, por mais 90 dias, a cota de importação de etanol dos EUA com tarifa zero. Ele quer que a Economia apresente estudos que justifiquem a medida.

Alívio com efetivação de Pazuello – Secretários de Saúde não chegaram a comemorar a decisão do presidente de efetivar o general Eduardo Pazuello na pasta, mas disseram ter ficado aliviados. Eles diziam ter receio de que Bolsonaro escolhesse um dos defensores fervorosos do uso da cloroquina. Em julho, o Painel mostrou que o militar tinha apoio da maioria dos gestores.

Isolados por Lula – Em uma espécie de laboratório para as eleições presidenciais de 2022, o PDT e o PSB firmaram alianças em 45 cidades com mais de 100 mil habitantes, incluindo dobradinhas em ao menos oito capitais. Depois de fechar parcerias em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Rio Branco, os dois partidos firmaram apoios mútuos nesta semana em Fortaleza, Recife, Goiânia e Maceió. Ainda há conversas em andamento para uma possível aliança em João Pessoa. As parcerias fazem parte da estratégia de fortalecimento dos dois partidos para um projeto único na eleição presidencial de 2022. “É claro que cada eleição é uma eleição, mas a intenção é fortalecer a parceria. Estamos preparando a terra, adubando e regando para mais tarde colhermos os frutos”, diz o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

Impeachment de Witzel inicia reta decisiva – A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro dá mais um passo para o impeachment de Wilson Witzel (PSC) na próxima quinta-feira (17), quando será votado, em comissão especial, parecer pela admissibilidade da denúncia por crime de responsabilidade contra o governador afastado, na gestão de recursos destinados ao combate à pandemia. O deputado estadual Rodrigo Bacellar (Solidariedade) apresentou nesta segunda-feira (14) relatório em que defende “autorização para prosseguimento do processo pela comissão mista com vistas a julgar Wilson Witzel pela prática de crime de responsabilidade”. No parecer de 77 páginas, o relator afirma que “os fortes indícios de proximidade entre os empresários que se locupletaram do dinheiro público e o denunciado [Witzel]; aliado ao fato de que grande parte dos danos ao erário somente foram possíveis ante à direta intervenção do denunciado, denotam a necessidade de prosseguimento do processo”.

Investigação contra Paes vira denúncia em 48 dias, após ficar três anos parada no STF – Praticamente parada havia três anos no STF (Supremo Tribunal Federal), a investigação eleitoral contra o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (à época no MDB, hoje no DEM) pela prática de caixa dois levou 48 dias para se transformar numa denúncia sob acusação de corrupção e falsidade ideológica eleitoral. No intervalo entre 1º de julho, data da instauração do procedimento no Ministério Público, e o oferecimento da denúncia, em 17 de agosto, foram ouvidas 12 testemunhas, além da obtenção de provas de corroboração compartilhadas por outros órgãos. Parte das diligências realizadas foi solicitada “em regime de urgência” pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Paes foi denunciado pela prática de caixa dois sob acusação dos crimes de corrupção e falsidade ideológica eleitoral. Os promotores afirmam que o ex-prefeito recebeu R$ 10,8 milhões não declarados na campanha de 2012 da Odebrecht. A Justiça Eleitoral aceitou a acusação e transformou o ex-prefeito em réu. Ele classificou a acusação e a busca e apreensão realizada em sua casa no último dia 8 como uma tentativa de interferência na eleição municipal.

Lula é denunciado de novo pela Lava Jato – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi denunciado nesta segunda-feira (14) pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná pela quarta vez. O Ministério Público Federal acusa o petista de lavagem de dinheiro da Odebrecht por meio de doações para o Instituto Lula. A Procuradoria afirma que foram pagos para o instituto de 2013 a 2014 R$ 4 milhões debitados de uma espécie de “conta-corrente” de propina com origem em obras na Petrobras na época dos governos petistas. Tese similar já tinha sido apresentada nos demais processos em que Lula virou réu no Paraná. A acusação cita como prova a planilha de pagamentos “Italiano”, que menciona o repasse de R$ 4 milhões em uma subconta nomeada “amigo”, que para a acusação era um apelido referente ao ex-presidente. Diz ainda que, em email, Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo, afirmou que o dinheiro deveria ser debitado do saldo da conta “amigo”. Foram incluídos na denúncia o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e o ex-ministro Antonio Palocci, atualmente delator.

Fux recebe diagnóstico de coronavírus – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, recebeu o diagnóstico de coronavírus nesta segunda-feira (14). Segundo a assessoria do tribunal, o ministro passa bem. Ele foi submetido a exame no Rio de Janeiro após apresentar aumento da temperatura corporal. A comunicação do STF afirmou que Fux pretende conduzir a sessão desta quarta-feira (16). Este será o primeiro encontro de todos os ministros após ele ter assumido a presidência da corte, na última quinta-feira (10). As sessões do tribunal têm sido realizadas por videoconferência, com a presença apenas do presidente no plenário físico, em Brasília. Na posse de Fux, porém, foram reservados 48 lugares para integrantes do tribunal e amigos e familiares do ministro. Segundo a assessoria, “a suspeita é de que possa ter contraído o novo coronavírus em almoço de confraternização familiar no último sábado (12)”.

Evangélicos divididos em relação ao veto – O veto do presidente Jair Bolsonaro ao perdão das dívidas de igrejas e templos não unirá a bancada evangélica. Há uma ala que prefere manter o veto agora e discutir, com calma, uma proposta de emenda constitucional mais à frente. “Derrubando o veto, corremos o risco de consertar um erro com outro erro. Não há clima para derrubada do veto. Sou favorável à manutenção do veto e que o assunto seja discutido dentro de uma PEC”, disse à coluna o deputado Roberto de Lucena (PV-SP), escritor e pastor da Igreja Brasil em Cristo. A posição de Lucena começa a ganhar corpo na Câmara. Entre os deputados de um modo geral, há o receio de que as igrejas terminem confundidas com a Universal do Reino de Deus, que nos últimos dias apareceu citada nos malfeitos em apuração no Rio de Janeiro. Em tempo: Bolsonaro, dizem seus aliados mais fiéis, terminou por se meter numa enrascada. Se vetou por causa das contas públicas, não poderia jamais pedir que fosse derrubado. Agiu como quem deseja acender uma vela à responsabilidade fiscal e outra à irresponsabilidade. No popular, uma para Deus e outra para o Diabo.

TCU reprova 7 mil gestores – O Tribunal de Contas da União enviou, ontem, ao Tribunal Superior Eleitoral, uma lista de 7.354 gestores que tiveram as contas reprovadas pela Corte e cujos dados devem ser utilizados na avaliação das candidaturas para as eleições de novembro. O levantamento foi entregue pelo presidente do TCU, José Múcio Monteiro, ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. A rejeição dos dados financeiros não gera impedimento automático para concorrer no pleito municipal, mas as informações avaliadas pela Corte eleitoral podem resultar no impedimento da candidatura.
Para que um cidadão esteja apto a concorrer, um juiz eleitoral analisa se ele está em dia com as obrigações legais e se não está enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Um dos documentos avaliados é justamente a lista do TCU. O Ministério Público Eleitoral, partidos e demais candidatos podem solicitar análise do pedido de registro de candidatura. A Corte eleitoral também é informada sobre gestores que não enviaram a prestação de contas. De acordo com o TCU, a lista pode ser ampliada no decorrer do processo eleitoral. Entre as contas rejeitadas, a região Nordeste lidera a lista e aparece com 2.924 nomes, seguida pelo Sudeste, com 1.685 gestores. O Norte tem 1.317 registros e o Centro-Oeste, 826 nomes. O Sul aparece com 582 pessoas.

Coronel presidirá a fundação das artes – O governo federal exonerou, ontem, o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Luciano da Silva Barbosa Querido, e nomeou em seu lugar o coronel do Exército Lamartine Barbosa Holanda. Será mais um posto ocupado por um militar no governo Bolsonaro. Querido já foi assessor do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente. Ele foi nomeado para a Funarte em junho, mas já estava na posição interinamente desde maio deste ano, depois de Mário Frias substituir Regina Duarte na Secretaria da Cultura, em julho. O Ministério Público Federal (MPF) tentou, inclusive, suspender a nomeação de Querido. A experiência de Holanda no universo das artes se restringe à área do audiovisual do Exército. Entre seus trabalhos consta que foi diretor e roteirista de vídeo institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel). Ele também já foi editor de conteúdo e diretor na Câmara do Comércio do Mercosul e Américas, entre 2009 e 2012. A Funarte, criada em 1975, é hoje vinculada ao Ministério do Turismo. O primeiro presidente da Funarte, durante a ditadura militar, foi José Cândido de Carvalho, escritor, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras, entre 1976 e 1981 — autor do clássico O Coronel e o Lobisomem.

Celso Russomanno e a agenda de Bolsonaro – Jair Bolsonaro apresentou uma agenda básica a Celso Russomanno para a eleição na capital paulista. O presidente gostaria de ver o deputado do Republicanos, se ele mantiver a decisão da candidatura (antecipada pela Coluna), defendendo bandeiras do “bolsonarismo 2.0” na campanha. A receita eleitoral inclui discurso forte na segurança, na linha “bandido bom é bandido morto”, nos costumes, na defesa da “família” (contra o aborto, por exemplo) e pancada na “esquerda”, com o centro, claro, incluído, nos “comunistas” e nos “traidores do Bolsonaro”. Estrategistas de Bolsonaro têm dito a Russomanno que, se adotar essa agenda, ele pode se considerar no segundo turno. Ah, também tem sido aconselhado a atacar a imprensa profissional e focar a campanha nas redes sociais. Se Russomanno topar, centrará fogo em Boulos, Jilmar Tatto, Márcio França e Bruno Covas pela esquerda e em Joice Hasselmann, ex-aliada do presidente, pela direita. A prioridade do Republicanos é oferecer a vice de Russomanno para uma composição com outro partido. Chapa pura, só se não tiver acordo mesmo. O problema é que há poucas opções disponíveis na praça nesta reta final das convenções partidárias. A confirmação de mais uma candidatura Russomanno complica a vida de Covas no primeiro turno. A tendência é de que ele seja alvo de quase todos os candidatos, incluindo Andrea Matarazzo (PSD) e Filipe Sabará (Novo), críticos da administração do tucano na capital. Por falar em Bruno Covas, o prefeito tem apanhado (de mata-mosquitos) nas redes sociais da zona oeste paulistana, tradicional reduto do PSDB. A região sofre com a infestação dos pernilongos oriundos do Rio Pinheiros.

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