Resumo dos jornais de sexta-feira (22/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta-feira (22/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Crise sanitária amplia base jurídica para impeachment

CORREIO BRAZILIENSE: Brasil aguarda para hoje lote de vacina da Índia

O ESTADO DE S.PAULO: Índia envia ao País 2 milhões de doses da vacina de Oxford

O GLOBO: Pressão por novo auxílio gera temor de crise fiscal

Valor Econômico: Fisco já pode pedir falência de empresa em dificuldade

Resumo de manchetes

A manchete da Folha versa sobre o embasamento de um pedido de impedimento de Bolsonaro. “A morte de pacientes por falta de oxigênio em Manaus e os fracassos em série do planejamento federal para aquisição e distribuição de vacinas contra a Covid-19 deram mais solidez ao embasamento jurídico passível de ser usado para abertura de um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. A Folha compilou ao menos 23 situações em que Bolsonaro, em seus dois anos de governo até aqui, promoveu atitudes que podem ser enquadradas como crime de responsabilidade, e que vão da publicação de um vídeo pornográfico em suas redes sociais no Carnaval de 2019 aos reiterados apoios a manifestações de cunho antidemocrático. No caso da pandemia, dos oito especialistas ouvidos pela reportagem, sete apontam a garantia social da saúde da população como a principal regra violada pelo governo. A Folha enviou perguntas ao Palácio do Planalto, mas não obteve resposta. Em recente entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro minimizou a possibilidade de impeachment. “Só Deus me tira daqui. Não existe nada de concreto contra mim.” O Correio e o Estadão trazem manchetes sobre a chegada de dois milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca provenientes da Índia. A remessa deve chegar a São Paulo no fim da tarde de hoje. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, o lote deve ser liberado para o Ministério da Saúde no sábado, como parte do Programa Nacional de Imunização. O Globo dedica sua manchete a ameaça de uma crise fiscal, por conta das declarações de candidatos apoiados pelo governo Bolsonaro às presidências do Senado e da Câmara em defesa de novos auxílios emergenciais para os afetados pela crise do Covid-19. O senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) disse que será necessário “sacrificar premissas econômicas” para ajudar os mais pobres. O deputado Arthur Lira (PP-AL) já afirmou que um novo programa seria desenhado “para que o mercado possa suportar”. O mercado, entretanto, reagiu mal as sugestões de Pacheco e Lira. O Valor traz uma manchete que revela que a partir de amanhã (24), a União ganha “superpoderes”, como têm sido chamados por advogados, para cobrar dívidas de empresas em recuperação judicial, por conta da Lei nº14.112 ou nova Lei de Falências que entra em vigor amanhã.

Notícia do dia –

Notícias de primeira página

Índia começara a exportar vacinas para o Brasil hoje – O governo da Índia deu sinal verde para a exportação comercial de vacinas contra a Covid-19, e as primeiras remessas serão envidas ao Brasil e ao Marrocos, segundo o ministro de Relações Exteriores indiano disse à Reuters. O Palácio do Planalto informou que o carregamento de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca deve chegar ao Brasil no fim da tarde de sexta, por volta das 18h, em um voo comercial da companhia Emirates. A aeronave pousará em Guarulhos (SP) e, após os trâmites alfandegários, seguirá em aeronave da Azul para o aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. As doses desenvolvidas pela Universidade de Oxford e a AstraZeneca estão sendo fabricadas no Instituto Serum, o maior produtor mundial de vacinas e que recebeu pedidos de diversos países.

Apesar de sinal verde indiano, presidente faz cobrança a Ernesto e já avalia saída honrosa – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exige mudança de atitude do ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) na relação com a China. A ideia é resolver o impasse na importação de insumos da vacina contra a Covid-19. Ernesto tenta agora retomar o diálogo com o país asiático. Bolsonaro soube em reunião na quarta-feira (20) que o chanceler estava sem conversar com a embaixada da China desde o ano passado. As conversações foram suspensas em março de 2020, quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou duras críticas, nas redes sociais, ao embaixador chinês no país, Yang Wanming. O diplomata respondeu ao filho do presidente, que havia comparado a pandemia ao acidente nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, em 1986. As autoridades, à época submetidas a Moscou, ocultaram a dimensão dos danos. Amigo de Eduardo, Ernesto considerou grave o comportamento do embaixador chinês. A avaliação no governo era a que Wanming deveria seguir o protocolo e procurar o Itamaraty em vez de responder de forma agressiva. Mesmo assim, na reunião de quarta, Bolsonaro reclamou da postura refratária do chanceler em relação à China. Segundo assessores, apesar da posição ideológica, o presidente considerou que o Ministério das Relações Exteriores não poderia ter rompido o diálogo com o fornecedor dos insumos para a fabricação das vacinas contra a Covid-19.

Ministério retira do ar aplicativo que indicava remédios sem eficácia contra vírus – O Ministério da Saúde retirou do ar nesta quinta-feira (21) um aplicativo indicado a profissionais de saúde e que recomendava remédios sem eficácia contra a Covid, como a cloroquina. A justificativa da pasta para a retirada é que o sistema havia sido ativado “indevidamente”. A partir do preenchimento de um formulário eletrônico com os sintomas do paciente, o aplicativo TrateCOV sugeria a prescrição de medicamentos como hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, azitromicina e doxiciclina em qualquer idade, inclusive para bebês, e em situações diversas, não só para Covid-19. Estudos, no entanto, já descartaram que o remédio tenha eficácia contra a doença. A medida gerou reação de entidades médicas, inclusive de algumas que até então vinham adotando posições mais alinhadas ao governo ou evitando manifestações sobre o tema. Em nota divulgada nesta quarta (21), o Conselho Federal de Medicina disse que alertou ao Ministério da Saúde sobre “inconsistências” na ferramenta e pediu que fosse retirada do ar. A posição ocorreu após análise feita por conselheiros e assessores técnicos e jurídicos.

Lula teve diagnóstico de Covid-19 e fez quarentena em Cuba – O ex-presidente Lula foi diagnosticado com Covid-19 no dia 26 de dezembro em Cuba e precisou ficar 14 dias de quarentena no país. O escritor Fernando Morais, que foi com ele à ilha, chegou a ficar internado, mas já está curado. Eles desembarcaram na quarta (20) no Brasil. Lula viajou a Cuba para participar de um documentário sobre a América Latina dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. O petista estava sem sintomas, mas a doença foi detectada pelos exames que ele fez seguindo os protocolos cubanos para viajantes estrangeiros que chegam ao país. Três dias antes de embarcar, Lula e a comitiva, de mais oito pessoas, fizeram exames de RT-PCR, em que a coleta é feita com cotonete pelo nariz. Um dia depois da chegada, todo o grupo repetiu o teste, que voltou a dar negativo. Cuba, no entanto, exige que o exame seja refeito depois de cinco dias, já que existe a possibilidade de o RT-PCR não detectar o vírus logo depois da infecção, devido ao período de incubação. Foi então que se descobriu que, dos nove viajantes, oito estavam contaminados: Lula, a noiva dele, Rosangela da Silva, a Janja, Fernando Morais, o fotógrafo Ricardo Stuckert e mais quatro assessores.

Saúde se nega a passar dados sobre testes e medicações – O Ministério da Saúde se recusa a passar informações sobre a quantidade de testes de Covid-19 e de qualquer medicação de seu estoque. Em resposta a pedido via Lei de Acesso, a pasta de Eduardo Pazuello afirma que as “informações referentes ao estoque de medicamentos sob guarda deste ministério se encontram em status de reservado”. Eles embasam o sigilo, em meio à pandemia, com um documento classificado em 2018, mas especialistas dizem que a justificativa é descabida. Marina Atoji, gerente de projetos da Transparência Brasil, diz que “colocar o estoque inteiro de medicamentos em grau reservado é contrariar totalmente o princípio de que o sigilo tem que ser exceção, que está bem claro na LAI (Lei de Acesso à Informação). Certamente teria que ser um sigilo restrito a alguns medicamentos e insumos —e, ainda assim, forçando bastante a barra”. Além disso, ela aponta que os testes para Covid-19 não se encaixam na classificação de 2018, dado que naquele ano eles nem existiam. O ministério argumenta, na resposta ao pedido via Lei de Acesso, feito pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que essas informações podem “pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população” ou “oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do país”. Atoji diz que isso não faz sentido e pergunta de que forma isso se daria.

Por insumo chinês, governo baixará tom contra Huawei – O governo Jair Bolsonaro irá adotar um tom mais amigável em relação à participação da chinesa Huawei na tecnologia 5G. A intenção é agilizar a importação da China de insumos para vacinas contra a Covid-19. Os imunizantes serão produzidos no Brasil pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em acordo com a Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca. Nos dois casos, os insumos sairão da China, com quem o governo Bolsonaro mantém uma relação conflituosa. A entrega dos produtos está atrasada e tem afetado o cronograma de produção das vacinas no país. A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil. Porém, o país asiático é atacado pela ala ideológica do governo em alinhamento com o ex-presidente dos EUA Donald Trump. Joe Biden assumiu nesta quarta (20) a Casa Branca. A Huawei se tornou um dos alvos na gestão Bolsonaro. A gigante chinesa tem pleiteado ser fornecedora de equipamentos para as futuras redes de tecnologia 5G no Brasil. Assessores no Palácio do Planalto afirmam que, por enquanto, o governo vai baixar o tom dos ataques, embora haja desconforto no embate travado via redes sociais entre o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o embaixador Yang Wanming.

Debandada pró-Lira no PSL mina apoio a Baleia – A adesão do PSL ao bloco de apoio a Arthur Lira (PP-AL) na disputa pela presidência da Câmara fez dirigentes da legenda intensificarem movimento para tentar reconquistar dissidentes. A cúpula do partido apoia Baleia Rossi (MDB-SP). Lira é o candidato à presidência da Casa apoiado por Jair Bolsonaro (sem partido). Baleia lidera um grupo de partidos, incluindo da oposição, que faz frente ao ocupante do Palácio do Planalto. Diante dos embates no PSL, a campanha de Lira torce para que a demonstração de força do líder do centrão nesta semana provoque mais defecções. São esperadas traições em siglas de centro a ponto de elas também aderirem formalmente a Lira.

A dura missão de evitar o isolamento internacional – O início de 2021 mostrou ao governo federal que a política externa precisa de mudanças pontuais para evitar a retaliação de outras nações e o isolamento do Brasil diante da comunidade internacional. A demora do país em concluir a importação de doses das vacinas contra a covid-19 e de insumos para a produção dos imunizantes em solo nacional, além da saída de Donald Trump da Presidência dos Estados Unidos, forçou o Palácio do Planalto a rever posturas, na tentativa de poupar o Brasil de mais represálias. Nesta semana, Bolsonaro deu indícios de que deve alterar a conduta em relação a Biden. Na última quarta-feira, ele enviou uma carta ao norte-americano poucas horas após a posse e disse acreditar em um “excelente futuro para a parceria Brasil-EUA”. Entre as promessas feitas ao democrata, o chefe do Planalto afirmou que “estamos prontos a continuar nossa parceria em prol do desenvolvimento sustentável e da proteção do meio ambiente, em especial a Amazônia”. Num momento em que voltou a ser bastante criticado pelo comportamento diante da pandemia, Bolsonaro entendeu, também, que é preciso adaptar o discurso e baixar as armas, seja para preservar a própria imagem, seja para não penalizar o país. A prova disso é de que ele está disposto a conversar com o presidente da China, Xi Jinping, de olho na importação da matéria-prima necessária para a produção, em solo nacional, da vacina da Oxford, a Covishield; e a da farmacêutica chinesa Sinovac, a CoronaVac.

Teto de gasto não pode ser intocável, diz Pacheco – Candidato à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEMMG) afirmou que o teto de gastos não pode ficar “intocado”. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ele defendeu uma discussão sobre a retomada do auxílio emergencial ou um aumento do Bolsa Família a partir de fevereiro. Pacheco é apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo presidente Jair Bolsonaro. Fechou uma aliança com nove partidos, entre os quais o PT, que reúnem 41 senadores, sem contar dissidências. Na disputa, terá como principal adversária a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que até agora conquistou a adesão de quatro legendas (28 senadores) à sua campanha. Diante das críticas e da pressão que Bolsonaro vem sofrendo, Pacheco disse que o impeachment não pode ser banalizado e considerou que a conduta do presidente não representa uma ameaça à democracia.

Empresários cobram vacina e criticam o governo – Com dois manifestos publicados em menos de uma semana, o setor empresarial começa a mostrar a cara neste momento de demora da vacinação e agravamento da pandemia da covid-19 no País. Eles cobram do presidente Bolsonaro pressa na imunização, criticam a politização por causa das eleições de 2022, se colocam à disposição para ajudar e pedem ação do governo e do Congresso com medidas para a retomada econômica. O Estadão ouviu empresários e presidentes das principais confederações do Brasil e num ponto eles são unânimes: é urgente a imunização em massa, com todos os tipos necessários de vacinas, para tranquilizar a população e acelerar a retomada econômica. Além de críticas à atuação do governo federal e de seus ministros, sobretudo o chanceler Ernesto Araújo, governadores e parlamentares não escapam da pressão. No primeiro manifesto, assinado por 14 entidades, o movimento Coalizão Indústria pede “reformas já” e afirma que a segunda onda da pandemia é mais forte do que se imaginava e ocorre em desafiador cenário social, fiscal e de saúde. No segundo texto, “Prioridades aos Brasileiros”, empresários alertam que os poderes devem fazer política de Estado, e não de governo. “Entendemos que nada irá acontecer nesse País enquanto a população não estiver vacinada. Até porque muita gente não compreendeu a gravidade: há aglomeração em todo canto e desprezo à máscara”, diz o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), José Roberto Tadros. A entidade ofereceu instalações e equipes do Sesc e Senac para ajudar e evitar filas na vacinação. Tadros defende ainda a prorrogação do auxílio emergencial por 90 dias.

Europa vê alto risco em mutação brasileira – As três mutações do novo coronavírus, descobertas no Reino Unido, Brasil e África do Sul, representam um elevado risco do aumento do número de infecções na Europa que podem ter como consequência um aumento significativo nas internações e mortes, informou ontem o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) – uma agência ligada à União Europeia. Cientistas que analisaram o problema afirmam que essas mutações são mais transmissíveis e já foram detectadas em diversos países europeus. “Estamos vendo a deterioração epidemiológica em áreas onde já há a transmissão das variantes do Sars-Cov-2”, advertiu a diretora do centro, Andrea Ammon. Segundo ela, “a elevação do número de infecções vai levar ao aumento de internações e taxas de mortes em pessoas de todas as idades”. A diretora ressaltou ainda que todos os países integrantes da União Europeia devem “preparar seus sistemas de saúde para a escalada da demanda”. O Reino Unido e depois dele vários outros países europeus já fecharam as suas fronteiras ou estão cogitando adotar essa medida para evitar a propagação, em seus territórios das variantes mais transmissíveis. Atenta a essas iniciativas, a Comissão Europeia já afirmou que tais barreiras só prejudicarão seus mercados. O ECDC alertou para que sejam feitas somente viagens essenciais e insistiu para que os governos europeus acelerem o ritmo de vacinação de suas populações contra a covid-19 para os grupos de risco, como os idosos e os profissionais da área de saúde. Em seu comunicado, Ammon disse ainda que o distanciamento social, a vigilância, o sequenciamento genético, o rastreamento rigoroso e a quarentena são medidas ainda mais necessárias para que seja efetivamente freada a transmissão das novas mutações no continente europeu. O chanceler austríac, Sebastian Kurz, um político conservador, pediu que se organize uma forte coordenação na União Europeia para evitar a transmissão das mutações do coronavírus. “É preciso fazer o possível para evitar que mais mutações, como a do Brasil, entrem na Europa”, advertiu.

Biden centraliza medidas de combate à covid – Em seu primeiro dia de trabalho como presidente dos Estados Unidos, Joe Biden assinou dez medidas de um plano de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, o qual ele que classificou como um “esforço de guerra de larga escala”. Entre as iniciativas, o presidente estabeleceu quarentena obrigatória para viajantes que chegam aos EUA e a obrigatoriedade do uso de máscaras em ônibus, trens e aviões. Com tom sóbrio, Biden afirmou que a “verdade brutal” é que os EUA levarão meses até vacinar a maioria dos cidadãos e a homenagem às mais de 400 mil vítimas da covid-19 feita por ele na posse infelizmente não será o último momento de luto no país. “Deixe-me ser claro: as coisas vão continuar a piorar antes de melhorarem”, declarou. O tom vai na contramão do discurso adotado pelo ex-presidente Donald Trump, que costumava minimizar a gravidade do vírus ao dizer que a pandemia estava sob controle. A mudança não é só na narrativa. O novo presidente apresentou um plano de cerca de 200 páginas em que o governo federal centraliza a resposta ao vírus, algo que a gestão Trump evitou fazer. O ex-presidente transferiu em muitos momentos a responsabilidade a governadores – como a decisão de reabrir o comércio e as fábricas durante o primeiro pico da pandemia.

Brasil baixa tom com a China para garantir insumos – Para garantir a importação de insumos farmacêuticos fundamentais para a fabricação de vacinas Covid-19, o governo brasileiro decidiu baixar o tom nos diálogos com a China sobre a tecnologia 5G. A ideia é evitar debates públicos sobre a possibilidade de a Huawei ser barrada como fornecedora de infraestrutura do leilão que o Brasil fará, mesmo que não haja decisão se permitirá ou não que a empresa chinesa participe da disputa.

Ao mesmo tempo, a confirmação da chegada, hoje, de um avião da Índia com as 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca serviu para aplacar os rumores do governo de que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, estava perdendo espaço e ameaçado no posto. No caso do 5G, a ideia é evitar polêmicas sobre o assunto, após o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), em novembro de 2020, relacionar o uso de equipamentos da Huawei para “espionagem chinesa” em uma rede social. O embaixador chinês Yang Wanming respondeu em termos severos, e o deputado foi apoiado na luta por Araújo.

Na contramão de Aras, MPF investiga governo – Na contramão do procurador-geral da República, Augusto Aras, integrantes do Ministério Público que atuam na primeira instância abriram ao menos duas investigações para apurar responsabilidades do governo federal na condução das ações de combate à pandemia do novo coronavírus. Eles também têm tentado exercer pressão por meio de recomendações e ofícios solicitando informações ao Ministério da Saúde. Há queixas de que a falta de uma coordenação da PGR tem feito com que as ações sejam dispersas. Aras vem sendo criticado por colegas em razão da sua suposta omissão em relação ao governo federal nas ações de combate à Covid-19. Nesta semana, a PGR divulgou uma nota dizendo que a responsabilidade por apurar “eventuais ilícitos” de agentes da cúpula dos Poderes da República seria de competência do Congresso. A nota veio três dias depois de a PGR ter pedido abertura de inquérito para investigar a suposta omissão do governo do Amazonas no colapso do sistema de saúde no estado, quando faltou oxigênio em hospitais. Na visão de procuradores, o pedido poupou o Ministério da Saúde. O GLOBO identificou pelo menos duas investigações sobre a atuação do governo federal na pandemia tramitando na primeira instância. Uma delas é de junho do ano passado e foi instaurada pela Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) para apurar a execução orçamentária das verbas federais destinadas ao enfrentamento à epidemia, após ter se apontado lentidão na utilização das verbas. A mais recente foi instaurada na semana passada pela Procuradoria da República no Amazonas (PR-AM), dias após o colapso do sistema de saúde no estado. O inquérito, que tramita na esfera cível (e não é o mesmo pedido pela PGR), apura as responsabilidades dos governos estadual e federal pela falta de oxigênio hospitalar que, segundo investigações, teria matado pelo menos 29 pessoas.

Outros destaques

Briga Bolsonaro x Doria afeta obras no Estado – A escalada da disputa política e da retórica de ataques entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria (PSDB) chegou ao ápice após o início da vacinação contra a covid-19 em São Paulo, no domingo passado. Autoridades do Estado atribuem à tensão política entre os dois as dificuldades que têm afetado o andamento de obras no Estado que dependem de aval ou financiamento da União. Os entraves nas negociações de obras e programas paulistas não são inéditos, mas, na avaliação de integrantes do governo Doria, desentendimentos antes tidos como pontuais já são definidos como uma ação coordenada da gestão Bolsonaro. O objetivo, segundo eles, seria inviabilizar projetos desejados pela administração paulista que beneficiariam o Estado. Há atraso em pelo menos duas obras que dependem diretamente da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Infraestrutura, além de outros projetos atingidos. Segundo interlocutores do presidente, Bolsonaro teria proibido integrantes do governo de atender a qualquer demanda do governador, a quem classificou de “moleque” após ser chamado de “facínora” por Doria. São Paulo se queixa de um recuo da gestão Bolsonaro na construção do Piscinão Jaboticabal, obra tida como a solução para evitar as enchentes do Rio Tamanduateí e dos ribeirões dos Couros e dos Meninos, que ocorrem nas divisas da capital paulista com as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. A obra está orçada em R$ 300 milhões e seria financiada pela Caixa, segundo acordo que o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente paulista, Marcos Penido, disse ter firmado com o banco. Mas, depois de todas as tratativas, a linha de crédito ficou congelada e, quando liberada, atendeu a um volume de recursos menor, de R$ 100 milhões. “Teremos agora de buscar, dentro do Tesouro do Estado, os recursos para a construção”, disse Penido. Outra obra atrasada é a Ponte Santos-Guarujá. As atuais conversas técnicas sobre a construção de uma ponte ou um túnel conectando as duas cidades da Baixada Santista ocorrem desde 2012 e, em 2019, a Secretaria Estadual de Logística e Transportes definiu a ponte como a solução mais viável, dados os custos. A vantagem, alega o governo paulista, é que ela seria construída sem dinheiro público: a Ecovias, concessionária das Rodovias Anchieta e Imigrantes, deve fazer a obra em troca da renovação dos atuais contratos de concessão. O entrave é que a ponte precisa ocupar trecho do Porto de Santos e limita as possibilidades de expansão da zona portuária, de responsabilidade federal. Sem a autorização da gestão Bolsonaro, a obra não sai.

Bolsonaro proíbe ministros de atender Doria – O presidente Jair Bolsonaro proibiu ministros de atender qualquer pedido do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário político. Quem conversar e fizer “graça” para o governador também está sujeito a receber cartão vermelho. A ordem foi reforçada depois que Doria deu a largada para a vacinação contra a covid-19, no último domingo, 17, tirando o protagonismo do governo federal. Bolsonaro está convencido de que o tucano trabalha em sintonia com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para desgastar cada vez mais o governo e articular o impeachment. “Não vão conseguir me derrubar”, disse ele, em recente conversa com aliados, segundo relatos obtidos pelo Estadão. Candidato a novo mandato, o presidente afirmou que Doria fez da vacina Coronavac uma jogada de marketing para ter os holofotes porque quer sua cadeira, em 2022. Em mais de uma ocasião, Bolsonaro chamou Doria de “calcinha apertada” e “gravatinha”. As expressões também são usadas por ele, em reuniões com ministros, para se referir ao governador.

Pará quer lista pública com os vacinados – Diante dos crescentes casos de fura-fila na imunização País afora, o governador Helder Barbalho (MDB-PA) pediu para sua equipe viabilizar a divulgação dos nomes de quem já foi vacinado, junto a outros dados no “vacinômetro” do Pará. “É questão de transparência, apenas”, diz ele. O presidente do Conass e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, vai na mesma linha: “Defendo que o Ministério da Saúde abra os dados. Não viola nada, é público. Todo mundo fiscaliza. Não divulga salário? Por que não divulgar cartão de vacinação?”. Abrir os nomes dos vacinados não é consenso. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o “vacinômetro” entrará no ar sem eles, apenas com os números diários. A avaliação é de que isso não seria possível por envolver questões de sigilo médico e ética profissional. Do presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), Jonas Donizette: “Esses casos (fura-fila) que fogem ao padrão devem ser corrigidos e até punidos porque é uma questão de saúde pública. Mas sou contra divulgar a lista com os nomes”.

Inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional duplicam – O número de investigações abertas com base na Lei de Segurança Nacional quase dobrou em 2020 em relação a 2019. No segundo ano do mandato de Bolsonaro, foram 51 inquéritos instaurados, batendo novo recorde, agora dos últimos seis anos (2015). Criada na ditadura militar, a polêmica legislação já foi invocada no passado para perseguir políticos e incriminar ocupações de sem-terra. Hoje tem sido usada contra críticos do presidente e militantes bolsonaristas que fizeram atos pedindo fechamento do Congresso e do STF. Em 2019, o número já tinha sido o maior dos últimos anos, 26 investigações abertas, como mostrou o Painel. Nos anos anteriores foram 19 (2018), 5 (2017), 7 (2016) e 13 (2015). Um dos 51 inquéritos de 2020 é o do advogado Marcelo Feller, como mostrou a coluna da Mônica Bergamo, por causa de uma declaração na CNN contra o presidente Jair Bolsonaro.

Justiça condena Eduardo Bolsonaro a indenizar repórter da Folha – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi condenado a indenizar a jornalista Patrícia Campos Mello, repórter da Folha, em R$ 30 mil por danos morais. A decisão desta quarta-feira (20) é do juiz Luiz Gustavo Esteves, da 11ª Vara Cível de São Paulo. Ele ainda determinou o pagamento de custas processuais e honorários advocatícios no valor de 15% da condenação. Cabe recurso. A repórter acionou a Justiça após ataque, com ofensa de cunho sexual, feito numa live e em publicação em rede social. Em transmissão ao vivo, Eduardo afirmou que a jornalista “tentava seduzir” para obter informações que fossem prejudiciais ao seu pai. A live foi ao ar pelo canal do YouTube Terça Livre TV em 27 de maio do ano passado. Na sentença, Esteves afirma que Eduardo Bolsonaro, “ocupando cargo tal importante no cenário nacional –sendo o deputado mais votado na história do país, conforme declarado na contestação– e sendo filho do atual presidente da República, por óbvio, deve ter maior cautela nas suas manifestações, o que se espera de todos aqueles com algum senso de responsabilidade para com a nação”.

Na esteira de Trump – Com diversos convites para se filiar a partidos políticos, o presidente Jair Bolsonaro deixou transparecer a aliados que pretende seguir para o Patriotas. Esse é, inclusive, o nome do partido que, conforme publicou o Wall Street Journal, o ex-presidente Donald Trump pretende criar para tentar se manter em evidência na política. Hoje, o Patriotas tem cinco deputados federais. Subiria, conforme cálculos de aliados do presidente, para 25. Embora o presidente só vá tomar essa decisão em março, depois da eleição à Presidência da Câmara, há quem diga que uma filiação ao seu antigo partido, o PP de Ciro Nogueira e Arthur Lira; ao PL, de Valdemar Costa Neto; ou ao PTB, de Roberto Jefferson, deixaria o presidente na mesma situação que viveu no PSL, ou seja, filiado a legendas que têm donos. De quebra, ainda teria de explicar que as siglas tiveram problemas no mensalão e coisa e tal. Para completar, o fato de Trump criar um Patriot Party nos Estados Unidos, avaliam os bolsonaristas, daria um braço internacional ao projeto.

Em live, Bolsonaro proíbe resposta de Araújo sobre Biden – O presidente Jair Bolsonaro proibiu ontem o chanceler Ernesto Araújo de responder a uma pergunta sobre a mudança de postura dos Estados Unidos sobre o aborto na Organização Mundial da Saúde (OMS). E, referindo-se a possíveis atritos com os americanos na área ambiental, ele afirmou que também há incêndios florestais na Califórnia. A pergunta a Araújo foi feita por um jornalista da Jovem Pan na live semanal do presidente nas redes sociais. O jornalista se referiu à revogação pelo americano Joe Biden de uma lei que corta doações a entidades que defendam a legalização do aborto. O presidente, entretanto, antecipou-se ao auxiliar. “Acho que não é o caso de entrar na política interna de outros países. Fala alguma coisa, mas sem interferir.” Apesar da ordem para que Araújo não comentasse “a política interna de outros países”, Bolsonaro criticou abertamente a Argentina, que em dezembro aprovou via Congresso a legalização do aborto no país. Araújo, que assim como Bolsonaro insinuou ter havido fraude das eleições americanas, disse então que “tem tudo para ser uma boa relação com os EUA”, agora presididos por Joe Biden. “Temos interesses na segurança, na promoção da democracia aqui na América do Sul, econômico, trabalhar juntos no meio ambiente. Por que não?”, afirmou. “Assinamos um memorando de cooperação ambiental em novembro, esperamos manter.”

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