Resumo dos jornais de sexta-feira (19/02/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta-feira (19/02/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Folha completa hoje 100 anos

CORREIO BRAZILIENSE: Governo retira impostos de diesel e gás e indica mudanças na Petrobras

O ESTADO DE S.PAULO: Brasil pede aos EUA dinheiro para combate ao desmatamento

O GLOBO: Sem apoio de Lira nem do Planalto, deputado deve ser mantido preso

Valor Econômico: Bolsonaro fala em mudança na Petrobras após reajuste

Resumo de manchetes

A Folha saúda em sua manchete o centenário do jornal fundado em 19 de fevereiro de 1921. Afinal, em qualquer atividade, são poucas as organizações, públicas ou privadas, que chegam à marca. Menos ainda as que têm como atividade o jornalismo profissional, em sua vertente crítica. O Correio e o Valor tratam em suas manchetes das declarações de Bolsonaro, induzindo que haverá mudanças na Petrobras por conta do aumento dos combustíveis, ao falar que ‘alguma coisa’ vai acontecer na estatal. O Globo revela em manchete que o plenário da Câmara dos Deputados deve manter a prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ)

Notícia do dia – Após um novo reajuste de combustíveis pela Petrobrás, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira, 18, durante live semanal no Facebook, que a partir de 1.° de março não haverá qualquer imposto federal sobre o preço do óleo diesel. Bolsonaro considerou o aumento anunciado pela Petrobrás, o quarto do ano, “fora da curva” e “excessivo”. Ele reforçou que não pode interferir na estatal, mas ressaltou que a medida “vai ter consequência”. Os impostos federais que incidem sobre o diesel são PIS, Cofins e Cide. Com o anúncio da estatal, óleo diesel vai ficar 15,2% mais caro a partir de hoje, e a gasolina, 10,2%. Em 2021, diesel e a gasolina já acumulam alta de 27,5% e 34,8%, respectivamente. O presidente sugeriu, sem entrar em detalhes, que “alguma coisa” acontecerá na petrolífera nos próximos dias. “Não posso interferir e nem iria interferir (na empresa). Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobrás nos próximos dias, tem de mudar alguma coisa”, disse. A Petrobrás afirmou ontem que não comentaria as declarações sobre a empresa e seu presidente, Roberto Castello Branco. A redução do PIS/Cofins no óleo diesel anunciada por Bolsonaro atende a uma demanda de caminhoneiros, base de apoio do presidente que tem pressionado o governo por causa do aumento do combustível. Em ameaça indireta a Castello Branco, o presidente citou que o comandante da estatal chegou a dizer, há alguns dias, que não tinha “nada a ver com os caminhoneiros”.

Primeiras páginas

Sob Bolsonaro, Brasil continua perdendo disputas por cargos internacionais – O Brasil continua perdendo disputas por cargos internacionais, o que fontes atribuem à imagem tóxica do presidente Jair Bolsonaro na cena global e que limita o poder de atração de votos para brasileiros. Desta vez, a derrota é para a presidência da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês), que se diz a mais importante instituição mundial de ajuda ao desenvolvimento com atividades exclusivamente focadas no setor privado dos países em desenvolvimento. O governo brasileiro tinha, segundo apurou o Valor, o nome de Rodrigo Xavier como possível substituto do francês Philippe Le Houérou. O presidente do Banco Mundial, David Malpass, teria gostado do perfil do brasileiro, um executivo do mercado financeiro e que tem experiência em bancos internacionais. Os europeus, no entanto, pressionaram para ter, primeiro, um europeu. No entanto, esse não era um ponto de consenso entre eles. Fecharam então apoio ao senegalês Maktar Diop, vice-presidente do Banco Mundial para infraestrutura. Sua escolha foi anunciada ontem pelo próprio Banco Mundial, em Washington. No fim do ano passado, o Brasil já tinha amargado uma dura derrota no Tribunal Penal Internacional na escolha de juiz. A brasileira Monica Jacqueline Sifuentes, juíza do Tribunal Regional da Primeira Região, em Brasília, era candidata a uma das seis vagas de juiz. Mas foi derrotada por candidatos de Costa Rica, México, Trinidad e Tobago, Geórgia, Serra Leoa e, também do Reino Unido. Em novembro do ano passado, o governo de Jair Bolsonaro já tinha sofrido outra derrota, na Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Apesar de fricções com a China, que tinha candidato a diretor-geral, o Brasil escolheu o candidato apoiado pelos EUA, Daren Teg, de Cingapura, com a expectativa de obter um dos cargos de diretor-adjunto. Daren, porém, escolheu um representante da Colômbia em vez de um do Brasil. Em outra disputa por cargo internacional, o governo Bolsonaro teve que retirar seu candidato Rodrigo Xavier para a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) quando o governo de Donald Trump resolveu apresentar a candidatura de Mauricio Claver-Carone.

O que dizia a Primeira Página da Folha de 100 anos atrás – Blocos compactos de letras espremidas, como era usual, dominam a capa de estreia da Folha, em 19 de fevereiro de 1921, um sábado. O cardápio editorial da então Folha da Noite é enxuto: há uma espécie de carta ao leitor, anunciando o “programa” do novo jornal, uma manchete sobre as eleições legislativas do dia seguinte, uma reportagem sobre reivindicações de servidores públicos e uma nota a respeito da indenização a ser paga pela Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Cem anos depois, os textos, claros para o leitor da época, demandam contextualização.

Sociedade não espera que deputado preso tenha ‘carta de alforria’, diz Fux – O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, afirmou que manifestações como as do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), com ataques e ameaças a ministros da corte, serão “repugnadas” de maneira coesa pelo plenário do tribunal. “Venham de onde vierem”, disse. Fux recebeu a Folha, nesta quinta-feira (18), em seu gabinete, um dia depois da sessão do Supremo que manteve, por 11 votos a 0, a prisão de Silveira decretada em flagrante na terça (16) pelo ministro Alexandre de Moraes. O presidente do STF contou detalhes dos bastidores da decisão que levou o parlamentar bolsonarista à prisão e também do julgamento que vetou a reeleição no Congresso Nacional, em dezembro passado. Segundo o ministro, ele mesmo havia decidido prender Silveira, mas optou por consultar Moraes, relator dos inquéritos contra os atos antidemocráticos e das fakenews. Fux disse que a sociedade não espera “uma carta de alforria” da Câmara a favor do parlamentar bolsonarista. Os deputados marcaram para as 17h desta sexta (19) a votação para manter ou revogar a prisão. O presidente do STF ainda revelou que recebeu uma mensagem do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, dando explicações sobre a recente revelação de que o general Eduardo Villas Bôas articulou com a cúpula do Exército um tuíte de alerta ao Supremo antes do julgamento de um habeas corpus que poderia beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018. “O ministro Fernando me disse para não deixar criar uma crise nisso”, disse Fux.

Me dá um dinheiro aí – Os governos do Brasil e dos EUA fizeram a primeira reunião na gestão de Joe Biden para discutir meio ambiente. Por meio dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), o governo Jair Bolsonaro sinalizou que mudou de postura e passou a associar o compromisso do País com as metas de redução de desmatamento e queimadas ao recebimento de aporte financeiro de países ricos. Durante os pouco mais de 40 minutos de reunião com Araújo e Salles, o enviado especial presidencial do clima do governo americano, John Kerry, ouviu os argumentos dos ministros brasileiros e teria dito que reconhece a legitimidade e a soberania do Brasil para cuidar de seus temas e que não há restrições para entendimentos com o governo de Jair Bolsonaro. Os EUA teriam concordado com a ideia do acordo financeiro para apoiar ações relacionadas ao ambiente, mas não foram discutidos prazos, valores e meios de repasse dos recursos para o Brasil. Uma minuta da agenda ambiental será elaborada. A primeira reunião entre o governo brasileiro e o governo dos Estados Unidos para tratar do meio ambiente foi marcada por um recado claro enviado pelo presidente Jair Bolsonaro: o Brasil vai se comprometer com metas de redução de desmatamento e queimadas se houver a injeção direta de dinheiro estrangeiro no País. Sem recursos dos Estados Unidos e demais países ricos, não há como proteger o meio ambiente como previsto em acordos internacionais. A ideia agora é mostrar claramente que houve uma mudança de postura sobre o assunto.

Governo quer antecipar 13º e abono para injetar R$ 57 bi – O governo quer garantir uma injeção de R$ 57 bilhões na economia brasileira com a antecipação do 13.º de aposentados e pensionistas do INSS e do abono salarial, uma espécie de 14.º salário a trabalhadores com carteira que ganham até dois salários-mínimos. As duas medidas não têm impacto nas contas porque só alteram o calendário de um pagamento já previsto para o ano, mas devem ajudar a segurar os efeitos negativos do recrudescimento da pandemia de covid-19 sobre a atividade econômica. A antecipação do abono é a única medida que já saiu do papel, com repasses que podem chegar a R$ 7,33 bilhões. Já o pagamento adiantado do 13.º dos beneficiários da Previdência ainda depende de uma definição sobre o calendário. Cada parcela representa uma injeção de cerca de R$ 25 bilhões, segundo apurou o Estadão/Broadcast. A proposta em estudo é repetir a antecipação das duas parcelas, já realizada no ano passado. O recurso já foi utilizado em 2020, quando o 13.º dos aposentados e pensionistas foi pago nos meses de março e maio. A divisão em 2021 ainda está indefinida e depende da disponibilidade de caixa do Tesouro Nacional, que já precisa administrar mais de R$ 700 bilhões em compromissos com investidores da dívida pública do País nos primeiros quatro meses do ano.

Menos taxas sobre bicicletas – O governo Bolsonaro decidiu reduzir a tarifa de importação de bicicletas, o que gerou uma crise imediata com a bancada do Amazonas, preocupada com o impacto sobre a produção nacional. A medida foi anunciada na quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais e está publicada no Diário Oficial da União de ontem. O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu reduzir o Imposto de Importação de bicicletas, atualmente cobrado sob a alíquota de 35%. A resolução do órgão determina que a taxa deverá cair gradativamente, passando para 30% a partir de 1.º de março, depois para 25% a partir de 1.º de julho, e, por fim, para 20% a partir de dezembro deste ano. Com a decisão, o imposto sobre a importação de bicicletas voltará ao patamar previsto na Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), de 20%. O Brasil havia incluído as bicicletas na lista de exceções à TEC em 2011, quando elevou a tarifa para 35%. “A alíquota de 35% é simplesmente indefensável para uma economia global como a do Brasil”, considerou a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), em extenso documento enviado à Camex, em que pede o retorno da taxa menor, de 20%. A bancada de parlamentares do Amazonas, no entanto, reagiu duramente à decisão do governo de reduzir as alíquotas de importação de bicicletas. Como o Polo Industrial de Manaus concentra a produção nacional de bicicletas, deputados e senadores do Estado reclamam que as fábricas e os empregos locais serão afetados. Integrantes da bancada estão, agora, tentando convencer o ministro da Economia, Paulo Guedes, a reverter a medida. “Seguiremos incansáveis na luta pela manutenção das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus (ZFM), que sofreu um revés no polo de duas rodas”, diz o senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Câmara indica que deputado continuará preso – A Câmara vai decidir hoje o destino do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) e tudo indica que manterá a prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, na noite de terça-feira, depois que o parlamentar divulgou um vídeo com ameaças e ofensas aos integrantes da Corte. Líderes de pelo menos 11 partidos, até mesmo do Centrão, grupo aliado ao presidente Jair Bolsonaro, confirmaram a orientação às bancadas para votar contra Silveira e enviar o caso ao Conselho de Ética. O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), se reuniu com Bolsonaro, no Palácio do Alvorada, e o avisou que a tendência da Casa será rifar Silveira porque a maioria não quer comprar briga com o Supremo. Alvo de outros dois inquéritos, como o que investiga a disseminação de fake news e os atos antidemocráticos, o aliado bolsonarista pode ser cassado. “Reputo esse caso como absolutamente fora da curva e espero que tenha tratamento correto”, disse Lira, na noite de ontem, após se reunir com o presidente do Supremo, Luiz Fux, ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). “Há um ambiente de paz e de busca de consenso”, emendou Pacheco. Ministros do STF receberam sinais de que a Câmara manterá Silveira na cadeia. A sessão de hoje está marcada para as 17h e a votação deve ser nominal. Para que a prisão do deputado seja confirmada pela Casa são necessários 257 votos (maioria absoluta dos 513 deputados). O revés para o aliado de Bolsonaro ficou claro na longa reunião de líderes partidários com Lira, na tarde de ontem. “Nossa bancada terá ampla maioria para manter a prisão”, disse o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), aliado de Lira e Bolsonaro. A própria Mesa Diretora da Câmara protocolou representação contra Silveira no Conselho de Ética, na qual pede a perda de mandato do deputado, sob o argumento de que ele quebrou o decoro ao publicar vídeo nas redes sociais atacando a honra dos ministros do STF e fazendo apologia do AI-5, o mais duro ato da ditadura militar.

Aéreas vetam uso de máscara com válvula – A companhia aérea Latam decidiu proibir alguns tipos de máscaras faciais em seus voos, seguindo recomendações de entidades como a International Air Transport Association (Iata) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Fica vetado o uso de máscaras com válvulas, protetores bucais, lenços e bandanas de pano em todos os voos da companhia, que diz que esses modelos têm baixa eficiência contra a propagação da covid-19. A medida vale a partir de 1.º de março, segundo divulgou a companhia em comunicado neste mês. Os modelos aceitos pela Latam são: máscaras cirúrgicas, FFP2 (KN95) sem válvulas; FFP3 (N95) sem válvulas; e máscaras de pano (sem válvulas). A empresa lembra que a responsabilidade de providenciar a proteção é dos passageiros. “Os passageiros que comparecerem ao embarque com máscara fora do padrão não poderão embarcar se não a possuírem ou substituírem por uma das alternativas permitidas”, informa a Latam. A companhia destaca ainda que os viajantes devem observar todos os requisitos exigidos pelos países de chegada, em caso de embarques internacionais. Antes do anúncio da Latam, Lufthansa, Air France e Alitalia também apresentaram restrições semelhantes. Desde 1.º de fevereiro, a companhia aérea alemã proíbe o uso de máscaras de pano e similares e passou a exigir que todos os passageiros e membros da tripulação usem máscara médica nos seus voos de ida e volta entre Brasil e Alemanha. Outros tipos de máscaras, mesmo com filtro externo e panos, não são aceitos pela companhia. “Os passageiros devem usar máscara cirúrgica ou máscara padrão KN95/N95 durante o embarque, voo e na saída da aeronave. Máscaras diárias não são mais permitidas”, disse a empresa em comunicado.

Outros destaques

“Pessoa com poder não pode ficar vociferando coisas assim”, diz conselheiro da Petrobras – As declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a Petrobras em sua live de hoje causaram reações negativas e reforçaram a apreensão do mercado. Para Marcelo Mesquita, sócio-fundador da Leblon Equities e conselheiro eleito pelos minoritários na Petrobras, é o “fim da picada” ver essa discussão pública com “frases enigmáticas que só geram volatilidade e tensão no mercado, e aumentam o risco Brasil e o dólar”. Ele explica que hoje existem uma série de restrições a tentativas de interferência política na estatal, mas esse tipo de ruído pesa em toda a gestão pública das empresas estatais listadas em bolsa. “Não adianta se eleger e dizer que vai fazer diferente do PT, mas fazer tudo igual. Isso é estelionato eleitoral”, afirma o profissional. Para ele, esse tipo de debate relembra interferências políticas na Petrobras em gestões anteriores, algo que trava o desenvolvimento do país. “Não conseguimos avançar se discutimos os mesmos temas depois de ter aprendido lições do passado. É o fim da picada ver essa discussão pública”, diz o profissional. Para o executivo, a declaração de Bolsonaro é “enigmática e desnecessária”, já que o presidente deveria estar tentando reduzir impostos e diminuir o tamanho do Estado. “São comentários que dificultam a gestão da política econômica, da Petrobras e de todas as estatais”, diz.

Juiz mantém prisão de deputado – Em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (18), o juiz Aírton Vieira, que atua em auxílio ao ministro Alexandre de Moraes (STF), manteve a prisão em flagrante do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ). O parlamentar está preso desde a noite de terça-feira (16), por ordem de Moraes, relator do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal, após divulgar um vídeo com ataques verbais e ameaças a ministros da corte. O plenário do STF ratificou a decisão de Moraes por unanimidade, nesta quarta-feira (17). De acordo com a decisão do juiz Airton Vieira, o deputado será transferido da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro para a carceragem de um batalhão da Polícia Militar, por oferecer mais condições para que o parlamentar prossiga sob custódia.

Chico Rodrigues reassume mandato no Senado – O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro em sua cueca, reassumiu o seu mantado parlamentar nesta quinta-feira (18), após mais de quatro meses afastado. Ele pediu licença para interesses pessoais, de 121 dias, após ter sido flagrado com maços de notas durante operação da Polícia Federal, em Boa Vista, em outubro do ano passado. O senador é suspeito de desviar recursos destinados para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus —Rodrigues nega. Na quarta-feira (17), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso havia autorizado o retorno do parlamentar a suas atividades, com o término da licença, mas determinou seu afastamento de comissões que tratem do enfrentamento à Covid-19. Aliados do senador defendiam um novo afastamento, para evitar um início tumultuado de gestão para o novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Os dois são correligionários. Rodrigues também era vice-líder do governo Bolsonaro no Senado, quando foi flagrado com o dinheiro.

Lula afirma que Fachin se acovardou – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o ministro Edson Fachin (STF) se acovardou três anos atrás diante do tuíte do general Eduardo Villas Bôas no qual pressionava o Supremo a derrotar o petista em um julgamento na corte às vésperas da campanha eleitoral. Em entrevista a UOL, ex-presidente disse que não é direito constitucional do Alto Comando do Exército dar um “pito” no Supremo. “Por que o Fachin veio falar agora três anos depois? Por que se acovardou na hora?” Na última segunda-feira (15), Fachin afirmou ser “intolerável e inaceitável qualquer tipo de pressão injurídica sobre o Poder Judiciário”. A declaração foi uma resposta à revelação de que a cúpula do Exército, então comandado pelo general Villas Bôas, articulou um tuíte de alerta ao Supremo antes do julgamento de um habeas corpus que poderia beneficiar Lula em 2018.

Ratinho Júnior silencia sobre pedido do pai por intervenção militar – O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), mantém silêncio sobre a fala do apresentador Ratinho em defesa de uma intervenção militar para “consertar” o país. Procurado pelo Painel, o filho não quis se manifestar sobre a declaração do pai, dada a uma rádio de sua propriedade na quarta (16). Por causa de sua declaração, o apresentador foi desafiado pelo vereador paulistano Eduardo Suplicy (SP) para um debate. “Quero defender as instituições, a boa educação para todos e a renda básica universal. Se Ratinho quiser ter um bom diálogo no seu programa eu aceito”.

Lira alerta Bolsonaro que caso Silveira pode atrasar pauta econômica – Em encontro com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quinta-feira (18), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), alertou que o caso Daniel Silveira (PSL-RJ) pode atrasar a tramitação de projetos da pauta econômica no Legislativo. Para evitar a paralisação das votações na casa legislativa, Lira sinalizou ao governo que o assunto envolvendo o deputado bolsonarista se encerrará ainda nesta semana. A Câmara marcou para esta sexta-feira (19) a sessão para analisar a prisão de Silveira. Em conversa com o ministro Paulo Guedes (Economia) mais cedo, Lira tranquilizou a equipe econômica e garantiu que na próxima semana a pauta estará livre para votações, como as propostas relacionadas a uma nova rodada do auxílio emergencial e medidas de corte de despesas.

Supremo barra cobrança que deixaria 5G mais caro no país – O STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu nesta quinta-feira (17) a cobrança pelo uso de vias públicas para instalação de infraestrutura e rede de telecomunicações. Com a decisão, os ministros evitaram o encarecimento da telefonia 5G, que terá início com o leilão deste ano e exigirá a construção de dez vezes mais antenas de celular do que hoje. A implantação da tecnologia de quinta geração exigirá investimentos muito maiores e a construção de uma rede exclusiva para o novo serviço. Para garantir a entrega de velocidades até cem vezes maiores que as da telefonia 4G, será preciso instalar ao menos dez vezes mais antenas. Antes, para cada antena, era preciso fazer um pedido para cada prefeitura. Caso a isenção da cobrança pelo direito de passagem não fosse mantida pelo Supremo, não seria possível implantar o novo serviço sem repassar os custos pesados desse investimento para os pacotes dos clientes. Para as teles, os preços seriam tão elevados que praticamente inviabilizariam a oferta do serviço.

Mãe de Bolsonaro é vacinada – A mãe do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Olinda Bolsonaro, 93, foi vacinada contra a Covid-19 no último dia 12 no município paulista de Eldorado, onde reside. A informação foi adiantada pelo R7 e confirmada pela Folha. O coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, chegou a parabenizar, em rede social, o presidente da República, atribuindo a ele a decisão de vacinar sua mãe. “Agora ajude a vacinar todos os idosos”, disse. O comentário remete a declarações diversas de Bolsonaro, que minimizou a periculosidade da Covid-19 e muitas vezes se opôs à vacinação.

Parlamentares alvo de inquérito atacam Supremo – A prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) por apologia ao Ato Institucional 5 (AI-5), o mais violento ato da ditadura militar, e discurso de ódio contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal, não inibiu parlamentares investigados no mesmo inquérito de manter ataques à Corte. Dos demais nove alvos, ao menos cinco saíram em defesa do colega com críticas aos magistrados. Todos eles são fiéis aliados ao governo de Jair Bolsonaro. Um dos mais exaltados tem sido o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que desde a prisão de Silveira, na noite de terça-feira, 16, tem feito ataques ao ministro Alexandre de Moraes, autor da ordem de prisão, a quem chama de “déspota”. Ele chegou a convocar “movimentos populares de direita” para irem às ruas contra a “ditadura da toga”. A mobilização não empolgou seus 133 mil seguidores. Apenas dez haviam reproduzido a hashtag lançada pelo parlamentar até a tarde desta quinta-feira. Conhecida por seu estilo beligerante na Câmara, a deputada Alê Silva (PSL-MG) foi irônica ao criticar o presidente do Supremo, Luiz Fux, por não saber o sobrenome de Silveira ao proferir a decisão do plenário que confirmou a prisão na sessão de ontem. Alguns dos parlamentares investigados, no entanto, adotaram um tom mais moderado ao tratar do caso. Foi o caso de Carla Zambelli (PSL-SP), que optou por reproduzir comentários com críticas à decisão de Moraes. Já a deputada Bia Kicis (PSL-DF), indicada para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a principal da Câmara, manteve o silêncio sobre a prisão do aliado. Presença constante em manifestações contra o Supremo, ela tem sofrido resistência de líderes de partidos pelo seu estilo radical. No clã Bolsonaro, o único a sair em defesa de Silveira foi o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “Zero Três” do presidente. “Dentre outros fatores, amanhã votarei pela libertação”, escreveu ontem no Twitter. Ele justificou a decisão “em nome das garantias da imunidade parlamentar, liberdade de expressão, devido processo legal, ampla defesa e contraditório”. Eduardo não é investigado no inquérito dos atos antidemocráticos.

Bolsonaro ignora apelos por apoio a Silveira – Quase dois dias após a prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o presidente Jair Bolsonaro ignorou a situação do aliado, ontem à noite, durante uma transmissão ao vivo da internet que durou quase uma hora. O silêncio foi mantido apesar da crescente pressão de apoiadores nas redes sociais e de comentários de uma manifestação do presidente contra a decisão do Tribunal de Justiça (STF).

Telefones na cela – A Polícia Federal apreendeu dois celulares na cela onde estava o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). Conforme a corporação, os telefones foram localizados durante a execução dos protocolos de segurança, realizados em local de custódia, no início da tarde de ontem, na Superintendência da PF no Rio de Janeiro. A corporação anunciou que vai abrir investigação para apurar as circunstâncias dos fatos. Os aparelhos serão periciados para o inquérito das fake news.

Lira dá baile em radicais, mas deve gerar mágoa – Qualquer que seja o desfecho do caso Daniel Silveira, Arthur Lira até agora vem dando um baile nos bolsonaristas. O presidente da Câmara está usando a trucada deles em cima do STF para se desvencilhar do radicalismo tóxico da turma de Jair Bolsonaro, que o apoiou na disputa com o grupo de Rodrigo Maia. Lira tem procurado, com gestos, esclarecer sempre ter sido “Centrão raiz”. Essa postura, porém, deve deixar mágoas: os bolsonaristas vestiram a camisa na eleição da Casa, contrariaram bandeiras e apoiadores para abraçar o Centrão. Lira procurou bolsonaristas e pediu moderação no discurso contra o STF. Um deles foi Carlos Jordy (PSL-RJ). O deputado acatou o pedido, mas disse esperar dele uma “postura de presidente da Câmara para reverter a situação”. “Acatei o pedido para não haver tensionamento, esperando que a harmonia institucional possa ser restabelecida através da defesa firme da Câmara pelo presidente e demais deputados”, afirmou Jordy à Coluna. Outro parlamentar procurado por Lira admite, reservadamente, que Silveira passou do ponto, mas afirma manter os ataques aos ministros porque sabe qual linha não deve ultrapassar: a defesa de fechamento do STF e o AI-5. Crítica e xingamento, disse o deputado, não devem provocar novas prisões.

A Hora do Pazuello – Pegou o apelido “Eduardo Pesadelo”. O ministro da Saúde, à Freddy Krueger, tem aterrorizado a vida de muita gente no Brasil.

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