Resumo dos jornais de sexta-feira (18) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta-feira (18)

Editado por Chico Bruno

Manchete da FOLHA DE S.PAULO: Bolsonaro é derrotado por PSL, e crise afeta articulação

Jair Bolsonaro (PSL) sofreu duas derrotas na disputa que trava com o próprio partido. Uma foi a manutenção, como líder da sigla na Câmara, do deputado Delegado Waldir, que chegou a chamar o presidente de vagabundo e ameaçou implodir o governo, em conversa gravada na quarta (16). Em retaliação, Bolsonaro tirou a deputada Joice Hasselmann da liderança do governo no Congresso. O segundo revés partiu de Luciano Bivar, presidente do PSL. Ele decidiu destituir Eduardo e Flávio Bolsonaro do comando da legenda de São Paulo e Rio. Na Câmara e no Senado, a avaliação é a de que o racha tem potencial para respingar na agenda do governo no Legislativo. Com o afastamento de Joice, líderes partidários acreditam que o Planalto vá ter que reconstruir o diálogo com os congressistas.

Notícias

Se eu sair do PSL, maioria continua comigo – O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não pretende sair do PSL, mas que, caso saia, levará consigo a maioria do partido. “Não gostaria de sair mas se for necessário eu vou seguir a minha linha e tenho certeza que a maioria do partido continua comigo caso eu venha a sair do partido”, afirmou em entrevista à RICTV Record, de Santa Catarina, nesta quinta-feira (17). “A maioria honra o compromisso de campanha. Infelizmente uma minoria não, já se enveredou por outro caminho”, disse.

Se houve grampo é uma desonestidade – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tratou como “desonestidade” uma possível gravação de suas conversas com deputados do PSL. “Eu falei com meus parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com deputados, eu não trato publicamente deste assunto”, disse ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta quinta-feira (17). A declaração foi feita depois de Bolsonaro ser questionado sobre áudios divulgados por pessoas ligadas ao PSL e atribuídos por eles ao presidente. As conversas indicam o que seria a ação de Bolsonaro para convencer os deputados para a troca do líder do partido na Câmara. “Eu não trato publicamente sobre este assunto. Eu converso individualmente. Se alguém entrou, grampeou telefone, primeiro é uma desonestidade”, afirmou o presidente.

‘É que nem mulher traída, apanha, mas volta’ – O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), voltou atrás depois de ser gravado em reunião do partido dizendo que implodiria o presidente Jair Bolsonaro. “Isso já passou. Nós somos Bolsonaro. Somos que nem mulher traída, apanha, mesmo assim volta ao aconchego”, afirmou nesta quinta-feira (17). O parlamentar foi gravado na reunião do grupo ligado ao presidente da legenda, Luciano Bivar (PSL-PE), na Câmara, por Daniel Silveira (PSL-RJ). O encontro se deu nesta quarta (16). “Vou fazer o seguinte, eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele, eu tenho a gravação. Não tem conversa, eu implodo o presidente, cabô, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo, cara. Eu votei nessa porra, eu andei no sol 246 cidades, no sol gritando o nome desse vagabundo”, disse Waldir no áudio. Nesta quinta, ele contemporizou a fala, que disse vir de “momento de sentimentos”. “É uma fala de emoção”, afirmou.

Bolsonaristas tentam apoio para destituir líder – A confirmação do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) na liderança do partido da Câmara não desanimou a ala ligada ao presidente Jair Bolsonaro, que já começou a negociar com parlamentares que apoiaram o aliado do presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), para tentar convencê-los a trocar de lado. A estratégia foi anunciada no fim da tarde desta quinta-feira (17) pelo líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), que também afirmou que as listas para depor Waldir e substituí-lo por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, já estão disponíveis para quem quiser assinar.

Desembargador suspende novo inquérito contra ministro do Turismo – O desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais), suspendeu o novo inquérito instaurado para apurar a suspeita de caixa dois na campanha de 2018 do hoje ministro do Turismo de Jair Bolsonaro (PSL), Marcelo Álvaro Antônio. O magistrado concedeu liminar à defesa do ministro, que sustenta que investigações solicitadas recentemente pelo Ministério Público têm como foco os mesmos fatos já apurados no inquérito original sobre as candidatas laranjas do PSL de Minas. Alexandre Victor de Carvalho tomou posse em junho deste ano como vice-presidente e corregedor do TRE de Minas. Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele é investigado sob suspeita de negociar cargos para parentes com políticos e agentes públicos. Em interceptações telefônicas da Polícia Federal, Carvalho propõe que o filho e a mulher atuem como funcionários públicos fantasmas, sem cumprir as cargas horárias exigidas para as atividades, e sugere um esquema de “rachadinha” para dividir o salário a ser pago pelo erário à sogra.

Toffoli busca se afastar de Lula – O julgamento sobre a constitucionalidade da prisão de condenados em segunda instância começou nesta quinta-feira (17) com uma tentativa do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, de dissociar o debate do caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Supremo iniciou a análise de três ações que discutem, de forma abstrata, se é constitucional prender um condenado em segundo grau antes de esgotados todos os recursos nos tribunais superiores. O julgamento continua na próxima quarta-feira (23). “As ações definirão o alcance dessa norma constitucional [da presunção da inocência]. O entendimento que daqui emanará servirá de norte para a atuação de todos os magistrados do país e todo o sistema de Justiça. Que fique bem claro que este julgamento não se refere a nenhuma situação particular”, disse Toffoli, ao abrir a sessão plenária.

MPF pede a absolvição de Lula e Dilma – O Ministério Público Federal pediu a absolvição sumária dos ex-presidentes Lula e Dilma, além dos ex-ministros Antonio Palocci Filho, Guido Mantega e João Vaccari Neto, em ação referente ao chamado “quadrilhão do PT”. O texto, assinado pela procuradora Marcia Brandão Zollinger, diz que “não há o pretendido domínio por parte dos denunciados, especialmente os ex-presidentes da República, a respeito dos atos criminosos, que obviamente merecem apuração e responsabilização e são objeto de ações penais autônomas, cometidos no interior das Diretorias da Petrobras e de outras empresas públicas”.

Governo Bolsonaro é reacionário e antiquado – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chama, em entrevista à Folha, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) de atrasado, reacionário, antiquado e anacrônico. Ao mesmo tempo, afirma que é cedo para julgar seu desempenho e diz que as instituições brasileiras não sofreram abalo desde sua eleição, há um ano. Ao comparar a transição de poder com Lula em 2002, considerada exemplo de civilidade, ao clima atual de polarização no país, afirma que o presidente deveria agir para baixar a tensão, o oposto do que vem fazendo.

Planalto suspende indicação de Eduardo – A indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador do Brasil em Washington está em suspenso pelo Palácio do Planalto. Embora a intenção de indicar o deputado federal para a função tenha sido anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro em julho, até agora não houve o início do processo formal no Senado, que precisa aprovar a escolha. Inicialmente, o governo dizia esperar um momento oportuno para enviar o nome de Eduardo, um dos filhos do presidente. Membros do Planalto argumentavam que era necessário esperar a definição de pautas importantes para o governo, como a aprovação da reforma da Previdência. Agora, a possibilidade de Eduardo se tornar líder do PSL na Câmara passou a ser apontada como o principal motivo para o atraso. A informação de que o Planalto suspendeu a nomeação foi antecipada por Guilherme Amado, colunista da revista Época. Nos bastidores, a avaliação é que o filho do presidente tem acirrado disputas e se desgastado junto a parlamentares, inclusive de seu próprio partido, estando cada vez mais longe do número de votos necessários para ter a aprovação no Senado.

Brasil tem menor número de empresas ativas desde 2009 – O número de empresas ativas no Brasil apresentou seu menor registro desde 2009, de acordo com números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (17). Os dados são da Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo. Há 10 anos, o Brasil tinha 4.268.930 empresas ativas, no que foi o menor número até 2017, o último analisado pela pesquisa, quando registrou 4.458.678. No período, o saldo de empresas no mercado se manteve positivo até 2013, já que ia aumentando anualmente. No ano em questão, porém, após apresentar seu maior registro – 4.775.098 empresas ativas -, a estatística passou a cair. Em 2014, o Brasil tinha 4.557.411 empresas ativas, marca menos do que o registro anterior. E só diminuiu a partir daí. O principal ano de perda para as empresas foi também o do início da crise econômica no Brasil: 2014, quando 217.687 companhias fecharam as portas. Até 2017, outras 98.993 não sobreviveram. Cerca de 40% das 597,2 mil empresas criadas em 2012 estavam ativas em 2017. Ou seja: seis em cada dez companhias encerraram suas atividades ao longo desses cinco anos. Entre 2008 e 2013, a marca era de 47,8%. De acordo com o IBGE, a tendência é que a taxa de sobrevivência das empresas no Brasil se reduza com o passar dos anos.

Quase 40% da exploração madeireira em MT é ilegal – Exploração ilegal de madeira em Mato Grosso foi detectada em 60,4 mil hectares, o equivalente a 39% da área de exploração madeireira no estado do Mato Grosso. A maior parte dessa atividade ilegal (67%) está concentrada em propriedades privadas. Unidades de Conservação (UC), Terras Indígenas (TI) e assentamentos rurais foram os locais com menor porcentagem de exploração ilegal, representando respectivamente 7%, 5% e 5%. Os dados fazem parte do estudo do ICV (Instituto Centro de Vida), feito em parceria com a Sema-MT (Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso), e referente ao período de agosto de 2016 e julho de 2017. Mesmo com menores taxas de exploração, as UCs tiveram crescimento de 463% nas áreas exploradas ilegalmente. O Parque Estadual Tucumã foi a unidade mais afetada —a exploração na área representou 57% do total em UCs.

Bolsonaro não irá se opor – O presidente Jair Bolsonaro deixou claro a interlocutores do universo político, militar e da área jurídica que não vai se contrapor a eventual decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que vete a prisão depois de condenação em segunda instância. Está na Constituição que a presunção de inocência só acaba depois de exauridos todos os recursos na Justiça, disse Bolsonaro, segundo relatos. Para completar: se a corte voltar a esse entendimento, é aceitar o resultado. E ponto final. Bolsonaro não colocaria, portanto, o peso do governo para aprovar a proposta de emenda constitucional apresentada pelo PSL para ressuscitar a segunda instância no Congresso, como deseja o ministro da Justiça, Sergio Moro. Na quinta (17), Carlos Bolsonaro, filho do presidente, chegou a pedir desculpas publicamente por postar no Twitter do pai afirmação de que ele é favorável à prisão em segunda instância. (Mônica Bergamo)

Fica onde está – A defesa de Lula apresenta nesta sexta (18) sua resposta à possibilidade de progredir para o regime semiaberto. O ex-presidente não aceita nem mesmo sair da prisão para ficar em casa tendo horário para voltar, uma das medidas mais comuns para presos que estão em situação semelhante. (Mônica Bergamo)

O retorno – A saída do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) da direção do PSL no Rio abre as portas para o ex-ministro Gustavo Bebianno, desafeto da família Bolsonaro, voltar para a legenda. Questionado, ele diz: “Posso me filiar a qualquer partido, desde que [Jair] Bolsonaro não faça parte dele. Não gosto de conviver com quem trai os seus melhores amigos e aliados”. (Mônica Bergamo)

Saiu menor do que entrou – A briga intestina do PSL fragilizou a imagem do presidente e de seus aliados no Congresso. O fato de Jair Bolsonaro ter entrado em campo para fazer do filho Eduardo líder da sigla na Câmara e ter perdido a primeira batalha foi visto como erro crasso. “Se ele entra, tem que entrar para matar”, explica um dirigente da centro-direita. Já a sequência de gravações ocultas maculou a agremiação toda, classificada como um aglomerado de “gente inconfiável, sem palavra, sem ética nem lealdade”. Dois dos nomes mais proeminentes do PSL na Câmara foram afetados pelo tiroteio interno. Joice Hasselmann (SP), que perdeu a liderança do governo no Congresso, terá que “experimentar pela primeira vez a planície”, nas palavras de um colega, sem cargos de assessoria e regalias que tinha no posto. Já o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Felipe Francischini (PR), que agia para se projetar para o Planalto como uma opção para o comando da Casa, foi gravado falando mal de Jair Bolsonaro e rapidamente classificado como agente duplo. (Painel)

Retorno triunfal – A queda de Joice e a consequente ascensão do senador Eduardo Gomes (MDB-TO) ao posto de líder do governo no Congresso é o marco de uma era de maior dependência de Bolsonaro do partido que foi o fiel da balança para FHC, Lula e Dilma. Melhor: dependência do MDB do Senado, ala que congrega as figuras mais experientes da sigla, como Renan Calheiros (AL), Eduardo Braga (AM) e Jader Barbalho (PA). O líder do governo no Senado já é do partido, Fernando Bezerra (MDB-PE). (Painel)

Manchete do CORREIO BRAZILIENSE: PGR aponta risco de o STF provocar triplo retrocesso

Em memorial encaminhado a ministros do Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República afirma que o possível fim da prisão em segunda instância pode favorecer a impunidade, colocar em xeque a estabilidade jurídica e abalar a credibilidade da sociedade na Justiça e na Suprema Corte. O temor da PGR se justifica: se, no julgamento iniciado ontem, o STF decidir que ninguém poderá ser preso sem que se esgotem todos os infindáveis recursos jurídicos previstos na legislação, o Brasil entrará na contramão do mundo civilizado. Segundo fórum que reúne os juízes criminais brasileiros, o país será o único entre os 193 membros da ONU a não permitir que réus sejam presos após condenados em primeira ou segunda instância. O passo atrás fará com que o país se transforme numa espécie de paraíso para criminosos.

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Lava-Jato diz que 38 podem ser soltos – Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) mude o entendimento sobre o cumprimento imediato de prisão após condenação em segunda instância, pelo menos 38 condenados da Lava-Jato no Paraná — em regime fechado, semiaberto ou com o uso de tornozeleira eletrônica — podem ser beneficiados. O levantamento é do Ministério Público Federal no estado (MPF/PR). A lista inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro José Dirceu e vários envolvidos com o “petrolão”, o esquema de corrupção responsável por desvios bilionários de recursos da Petrobras. O julgamento teve início ontem, mas deve terminar apenas na semana que vem. Apesar do número indicado pelo MPF, nem todos os condenados citados devem deixar a prisão. O ex-deputado Eduardo Cunha, por exemplo, não poderia deixar a penitenciária porque está cumprindo regime de prisão preventiva. O mesmo vale para o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e para o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
“Uma prisão preventiva impediria que os réus sejam colocados em liberdade, mesmo aqueles condenados em segunda instância, por um ou mais processos”, explicou o advogado Yuri Sahione, especialista em processo penal. “Quem está preso preventivamente não pode ser colocado em liberdade”, resumiu. O nome de maior destaque que pode ser favorecido com a eventual derrubada da prisão em segunda instância é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) no ano passado. Isso quer dizer que, mesmo após condenação, a defesa poderia pedir a soltura do petista até que todos os recursos nas instâncias superiores sejam julgados. O ex-ministro José Dirceu, condenado a oito anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos da Petrobras também pode ser favorecido. Ele chegou a ser solto após um pedido da defesa, mas voltou à prisão em maio deste ano. O irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, preso desde o ano passado, também está na lista dos beneficiados. A relação inclui ainda executivos e empresários, como o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, políticos e ex-funcionários da Petrobras.

Marco Aurélio prevê mudança – O ministro Marco Aurélio Mello, relator das ações apresentadas ao STF contra a prisão em segunda instância, leu seu parecer sobre o caso, embora ainda não tenha votado. No entanto, antes da sessão se iniciar, o magistrado arriscou uma previsão sobre qual será o resultado do julgamento, que deve ser conhecido na próxima semana. Para ele, pelo menos sete integrantes do plenário apoiam a revisão do entendimento atual da Corte sobre o assunto. “Sete a quatro é o meu palpite”, disse. Embora não tenha declarado o voto, Marco Aurélio deve ser um dos ministros a apoiar o fim da prisão em segunda instância. “Eu costumo julgar os colegas por mim, às vezes sou otimista em excesso. É apenas a minha percepção, eu sempre acredito no melhor”, declarou. Ele acrescentou que seu voto tem entre sete e oito páginas e deve demorar cerca de 30 minutos para ser lido no plenário. Ao ler o relatório, Marco Aurélio chegou a criticar Toffoli por ter derrubado, no final do ano passado, uma decisão tomada por ele que determinava a soltura, em todo o país, de presos que cumprem pena por terem sido condenados na segunda instância. Na época, Toffoli argumentou que a liminar acarretaria a soltura de 169 mil presos, com efeitos negativos sobre a sociedade. Para Marco Aurélio, porém, Toffoli exorbitou do poder.

Perde & ganha – A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) sai das articulações do Planalto e fica livre, inclusive, para tomar conta do PSL paulista. Afinal, ela ficou ao lado do presidente Luciano Bivar e do líder, delegado Waldir. Não será surpresa se ganhar o controle do partido em São Paulo. Joice sabe que, hoje, tem mais espaço para ser candidata a prefeita de São Paulo pelo PSL do que pelo DEM, que tem um problema: o vice-governador Rodrigo Garcia joga com o PSDB de olho no apoio dos tucanos para concorrer ao governo do estado em 2022, quando João Dória deve deixar o posto para ser candidato a presidente da República. E Garcia não quer Joice fazendo marola nos seus planos. (Brasília-DF)

Caldo de galinha e água benta – Ao pedir desculpas ontem pelo post sobre a prisão em segunda instância publicado no perfil do presidente Jair Bolsonaro no Twitter, o vereador Carlos Bolsonaro (foto) confessa que escreve nas redes sociais do chefe da Nação. Os mais fiéis aliados já cansaram de avisar que o melhor é deixar o presidente cuidar de seu próprio Twitter. (Brasília-DF)

Frase – “Não subestime a nossa capacidade de criar problemas para nós mesmos” dizia o ex-ministro da Justiça e ex-deputado José Eduardo Cardozo, referindo-se ao PT ainda nos tempos do governo Dilma Rousseff. O PSL de hoje tem muita semelhança com o PT de ontem. (Brasília-DF)

“Retaliação” – A deputada federal Bia Kicis foi destituída do comando do PSL-DF. Não recebeu aviso e soube da notícia pela imprensa. O movimento ocorre em meio a uma briga ferrenha dentro do partido. De um lado, os apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro. Do outro, o grupo de Luciano Bivar, que dirige a sigla nacionalmente. Kicis é uma das principais aliadas de Bolsonaro e foi responsável por apresentá-lo ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Para a parlamentar, a mudança foi uma retaliação pelo apoio à posição de Bolsonaro. (Eixo capital)

Manchete do Valor Econômico: Crise se agrava e PSL tenta afastar filhos de Bolsonaro

A acirrada disputa pelo controle do partido também pode acabar provocando a destituição dos filhos do presidente do comando dos diretórios do Rio de Janeiro e de São Paulo.

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Justiça ainda pune quem faz terceirização – Mesmo após sua legalização pela reforma de 2017, a terceirização continua sendo questionada por trabalhadores e pelo Ministério Público do Trabalho.

Entre o meio e a mensagem – Fiamma Zarife, diretora-geral do Twitter, faz parte de uma minoria no Brasil, onde apenas 20% das vagas do mercado de tecnologia são ocupadas por mulheres. O número é menor ainda para posições de liderança no setor. “À Mesa como Valor”, a executiva de 47 anos afirma que a diversidade é essencial para uma empresa como a que comanda – e tornou-se a rede social favorita de poderosos como Trump e Bolsonaro. “Há muito respeito pela diferença na cultura do Twitter”, diz ela ao repórter João Luiz Rosa.

FMI vê economia precária e risco global – Segundo a nova diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, mesmo com as ações dos bancos centrais, a perspectiva de crescimento econômico em 2020 ainda é frágil.

País é reeleito para Conselho de Direitos Humanos da ONU – O Brasil foi reeleito em condições melhores do que o esperado para o Conselho de Direitos Humanos (CDH) na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O país obteve ontem 153 votos entre os 193 membros que votaram. A Venezuela ficou com a segunda vaga para a América Latina, com 105 votos apenas. Os países precisavam obter pelo menos 97 votos. A votação brasileira pode ser considerada uma vitória para a diplomacia do governo Jair Bolsonaro, considerando a intensa movimentação contrária de organizações não governamentais e de vários governos contra a reeleição do Brasil para o CDH. Contrariando as expectativas, a diplomacia do governo Bolsonaro obteve mais votos agora, para ser membro do CDH no período 2020-2022, do que na eleição de 2016, no governo de Michel Temer, quando o país conseguiu 137 votos.

Bolsonaro deve retirar indicação de Eduardo – Envolvido numa crise com parlamentares do próprio partido, o PSL, o presidente Jair Bolsonaro disse a aliados ontem que desistiu de indicar o filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O recuo se deve principalmente às dificuldades enfrentadas pelo Palácio do Planalto para contornar um levante de parte dos deputados da legenda, mas também por conta de obstáculos encontrados por Eduardo para conquistar os votos necessários no Senado. A informação foi confirmada ao Valor, por fontes do Palácio do Planalto, depois de três meses de campanha de Eduardo pela vaga de representação do governo brasileiro em Washington. Na prática, a desistência pode encurtar o período no qual o Brasil ficará sem um embaixador brasileiro definitivo na capital americana.

Novo líder é associado à ‘velha política’ do MDB e ligado a Renan Calheiros – Escolhido como novo líder do governo do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, o senador Eduardo Gomes (TO) é um legítimo filho do Centrão: até janeiro deste ano estava filiado ao Solidariedade, partido do deputado Paulinho da Força (SP). Gomes entrou no MDB pelas mãos de Renan Calheiros (AL). Bolsonaro passa, agora, a ter dois líderes de governo filiados ao MDB, um partido visto por seus apoiadores como a “velha política”, adepta de acordos de bastidores. Além de Gomes, há Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) à frente do Senado.

Manchete de O ESTADO DE S.PAULO: Veto a Eduardo e áudios com ameaças abrem guerra no PSL

A articulação do presidente Jair Bolsonaro para colocar o filho Eduardo na liderança do governo na Câmara fracassou e contribuiu para transformar em guerra a crise entre o grupo do presidente da República e a direção do PSL, comandado por Luciano Bivar. Mantido no cargo, o líder Delegado Waldir (GO) chamou Bolsonaro de “vagabundo” e ameaçou implodi-lo, em uma reunião que foi gravada por um aliado do presidente. Eduardo e o irmão Flávio devem deixar o comando do PSL em São Paulo e no Rio, respectivamente. Em resposta, Bolsonaro destituiu a deputada Joice Hasselmann (SP), da ala pró-Bivar, da liderança do governo no Congresso e a substituiu pelo senador Eduardo Gomes (MDBTO). Joice disse que esperava “mais respeito e gratidão”. A crise enfraqueceu a pretensão de Eduardo Bolsonaro de ser indicado embaixador do Brasil nos EUA.

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Governo faz pacote para cortar R$ 30 bi em despesas – O desenho de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial está sendo fechado para garantir o cumprimento do teto de gastos (mecanismo que limita o crescimento de despesas à inflação) nos próximos dois anos. Com dificuldade para articular uma ampla agenda de reformas até o fim do ano, agravada pelo racha no único partido que compõe oficialmente a base do governo, o PSL, a equipe econômica decidiu enxugar o pacote de medidas estruturais que será enviado ao Congresso após a aprovação da Previdência, prevista para a próxima terça-feira. Uma das principais apostas para destravar a economia, a simplificação dos impostos vai ficar para um segundo momento. E, mesmo assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve enviar a reforma tributária fatiada. A primeira fase vai focar na fusão do PIS e Cofins. Além da PEC Emergencial, a tributária foi ultrapassada na lista de prioridades pela reforma administrativa – mudanças nas carreiras e salários dos servidores. A ideia é flexibilizar a regra de estabilidade para permitir demitir com mais facilidade os novos servidores. O governo também vai disparar um conjunto de ações por medida provisória (MP). Como revelou o Estadão/Broadcast, a equipe econômica vai acabar com multa adicional de 10% sobre o FGTS em demissões sem justa causa.

Centenário de Orlando Drummond – Não é para qualquer um. Completar 100 anos esbanjando alegria e muito bom humor é para poucos. E Orlando Drummond pode se vangloriar de ter chegado a essa avançada idade cheio de energia e consagrado pelos fãs. Além de viver o icônico Seu Peru, na Escolinha do Professor Raimundo, o humorista e dublador deu voz a inúmeros personagens, como é o caso do Scooby-Doo. Aliás, no domingo vai ao ar o episódio da Escolinha com homenagem a ele.

‘Huck quer ser celebridade ou líder?’ – No momento que lança o quarto e último volume de seus Diários da Presidência, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) assiste com ceticismo as articulações de Luciano Huck para as eleições de 2022. Em entrevista ao Estado, FHC diz que o apresentador precisa ser líder, e não uma celebridade. “É preciso ver se Huck vai deixar de ser celebridade para ser líder”, afirmou. Em 2018, FHC mostrou simpatia pela ideia de que Huck saísse como candidato e quebrasse a polarização entre Bolsonaro e PT, mas o apresentador desistiu de disputar. Geraldo Alckmin, que contou com uma coalizão de centro, teve só 4,76% dos votos.

Espanha quer militar da FAB preso por 8 anos – A Promotoria da Espanha recomendou a pena de oito anos de prisão e uma multa de ¤ 4 milhões (cerca de R$ 18 milhões) para o sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, preso desde o dia 26 de julho na cidade espanhola de Sevilha, quando tentava desembarcar do avião reserva da comitiva presidencial com 39 kg de cocaína, segundo informações do jornal El País. No documento, a Promotoria afirma que a droga encontrada tinha 80% de pureza e, em seu entendimento, o objetivo era vendê-la a terceiros – os eventuais receptadores ainda não foram identificados.

Sentença reforça tese do ‘estardalhaço’ na PGR – A recente decisão da Justiça de absolver Michel Temer foi interpretada como mais um duro golpe no “legado” de Rodrigo Janot, autor da denúncia contra o ex-presidente. A sentença do juiz federal Marcus Vinicius Reis Bastos, do DF, corrobora tese dominante no meio jurídico: o ex-PGR preferiu o estardalhaço à investigação aprofundada, que poderia encontrar algo mais robusto ou poupar o País do colapso político. Não havia indício de obstrução de justiça, diz um importante advogado que não trabalha para Temer. (Coluna do Estadão)

‘Esperava mais respeito e gratidão’ – Destituída da posição de líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro usou a Presidência da República para interferir no Legislativo. “O próprio presidente estava ligando e pressionando deputados para assinar uma lista”, disse, em referência à tentativa do presidente de fazer seu filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), líder da bancada do PSL na Câmara. “Já esperava como retaliação, mas com um pouco mais de respeito, fidalguia e gratidão por todo esse tempo que eu me dediquei. Afinal de contas, carreguei muitas coisas nas costas, apaguei incêndios e atuei para construir pontes quando o governo atuou para implodir. Mas sabia que a gratidão não está entre as qualidades que cercam o presidente”, disse.

Manchete de O GLOBO: PSL reage, veta Eduardo e impõe derrota a Bolsonaro

A maioria dos deputados do PSL impôs ontem derrota ao presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo controle do partido ao vetar a troca do líder na Câmara, Delegado Waldir, por seu filho Eduardo. A ala ligada ao presidente da sigla, Luciano Bivar, destituiu ainda todos os cinco vice-líderes bolsonaristas e estuda retirar o senador Flávio Bolsonaro e Eduardo do comando dos diretórios do Rio e São Paulo. O racha do PSL enfraquece ainda mais a articulação política de Bolsonaro no Congresso e pode sepultar a indicação de Eduardo à embaixada nos EUA.

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Míriam Leitão: Crise põe em risco a governabilidade – A crise de vários megatons que explodiu no PSL é a prova mais clara da incapacidade política do presidente Jair Bolsonaro. A sucessão de conflitos foi detonada pelo próprio presidente de forma intempestiva e estabanada. E foi ele que a agravou. Todos os ingredientes seguem seu padrão de comportamento: palavras impensadas, falta de diálogo, privilégio para os filhos. O partido com o qual ele poderia começar a construir a governabilidade está implodindo. O que alguns analistas disseram logo após a eleição era que Bolsonaro conseguira, com a força da onda em seu favor, eleger a segunda maior bancada. A primeira é a do PT, com um deputado a mais. A partir daí, seria razoável supor que ele conduziria negociações para uma fusão com um ou vários partidos da direita e aumentaria a sua bancada. Que ele, por ter passado 27 anos no parlamento, saberia construir um diálogo com o Congresso, necessário para o seu projeto de governo.

Não deixa de ser pornografia, mas… – Uma das postagens de Joice Hasselman no Twitter, por causa da palavra “rachadinha”, traz um alerta de “conteúdo sensível”. O moderador deve ter achado que a palavra era para se referir a uma “vagina” e não, como foi o a intenção da deputada, no sentido político (quando o parlamentar se apropria de parte dos salários de funcionários do seu gabinete) — como teriam praticado o deputado Gil Diniz (SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Rio), ambos do PSL. Só que nos dois casos é… pornográfico. (Ancelmo Gois)

Pela Amazônia – O artista pop e multi-instrumentista francês Bera, um jovem albino de 24 anos, vai doar US$ 1,1 milhão para a causa da Amazônia. Embaixador da campanha #PovosDaFloresta, da ONG Instituto Socioambiental, Bera vem ao Brasil em novembro. Ele vem a ser o filho do ex-primeiro ministro da Geórgia Bidzina Ivanishvili. (Ancelmo Gois)

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