Resumo dos jornais de sexta-feira (15/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta-feira (15/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Sem oxigênio e disparada de casos, Manaus mergulha no caos

CORREIO BRAZILIENSE: Sem oxigênio, Manaus tem caos e mortes pela covid-19

O ESTADO DE S.PAULO: Pacientes morrem por falta de oxigênio em hospitais de Manaus

O GLOBO: Sem oxigênio, Manaus vê mortes por asfixia nos hospitais

Valor Econômico: João Doria acusa Bolsonaro de ação ‘desumana’

Resumo das manchetes

As manchetes da Folha, Correio, Estadão e O Globo mostram que a situação em Manaus voltou a se agravar nas últimas horas pela falta de oxigênio, segundo relato de administradores de hospitais e de profissionais que atuam no atendimento de pacientes de Covid-19. Doentes estão sendo transferidos para o Piauí e outros estados. Ministério da Saúde pede ajuda aos EUA para o envio de cilindros de oxigênio. “Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia”, diz o pesquisador Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia. Venezuela coloca à disposição o oxigênio necessário para atender o serviço de saúde de Manaus. Amazonas tem toque de recolher em todo o estado entre 19:00h e 06:00h. A manchete do Valor revela que o governador de São Paulo, João Doria, acusa o presidente Jair Bolsonaro de ‘desumano’ pela negligência do governo federal no caso especifico da covd-19.

Notícia do dia – Manaus enfrenta um cenário caótico no combate à covid-19, com hospitais e postos de saúde superlotados e sem cilindros de oxigênio para atendimento. Médicos relatam que têm de escolher quais pacientes serão atendidos e as mortes por falta de oxigênio se acumulam. Os cemitérios estão lotados e tiveram de instalar câmaras frigoríficas. Vale lembrar um tuíte da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), publicado no mês passado, resgatado por internautas nesta quinta-feira. Na mensagem postada no dia 27 de dezembro de 2020, a parlamentar bolsonarista comemorou o fim do lockdown em Manaus na semana do Natal e Ano Novo. Hoje, o munícipio vive um colapso no sistema de saúde com hospitais sem oxigênio. “A pressão do povo funcionou também em Manaus. O governador do Amazonas, voltou atrás em seu decreto de lockdown. Parabéns, povo amazonense, vocês fizeram valer seu poder!”, escreveu Bia Kicis, que ficou entre os assuntos mais comentados da rede social nesta quinta-feira. Ontem, no entanto, a parlamentar publicou: “Manaus hoje sem oxigênio para os doentes. Não fosse a providência do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Pazuello, muitas pessoas teriam morrido asfixiadas. Governo do Estado e da capital não cuidaram da saúde da população”. Quem também teve o tweet resgatado foi o ex-ministro da Cidadania do governo Bolsonaro Osmar Terra. No dia quatro de janeiro, ele publicou que apesar do “noticiário alarmista”, Manaus presenciava uma “queda importante de óbitos”. Os deputados federais Eduardo Bolsonaro, Daniel Silveira e Carla Zambelli, ambos do PSL, também comemoraram o fim do do lockdown em Manaus na última semana de 2020. ‘Todo poder emana do povo’, celebraram.

Principais notícias da primeira página

Manaus tenta importar oxigênio da Venezuela – Com um novo pico de casos da Covid-19, o governo do Amazonas informou que está com uma demanda por oxigênio quase três vezes superior ao que seus fornecedores são capazes de entregar para abastecer as unidades de saúde da rede estadual. As empresas aumentaram a produção ao limite e buscam soluções de importação do insumo. A White Martins, principal fornecedora de oxigênio para o governo do Amazonas, informou que atua para viabilizar a importação do produto da Venezuela para suprir a alta demanda. O país vizinho seria uma das opções mais viáveis para a importação do oxigênio pela proximidade geográfica e pela disponibilidade do insumo. O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, afirmou nesta quinta-feira que conversou com o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) e colocou à disposição o oxigênio necessário para atender o serviço de saúde de Manaus. Em uma rede social, o chanceler disse que seguiu as instruções do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para oferecer o produto ao governo do Amazonas. “Por instruções do presidente Nicolás Maduro conversamos com o governador do estado do Amazonas, Brasil, Wilson Lima para colocar imediatamente à sua disposição o oxigênio necessário para atender a contingência sanitária em Manaus. Solidariedade latino-americana antes de tudo!” Em seguida, o governador Wilson Lima agradeceu à disposição da Venezuela e foi respondido pelo chanceler, que afirmou ser “sempre uma honra” poder estender uma mão para “o povo irmão do Brasil”.

Assim como Coronavac, vacina de Oxford tem falhas na divulgação – A vacina Coronavac não foi a única a enfrentar problemas na divulgação de seus dados no Brasil. Falhas na comunicação também causaram confusão sobre o outro imunizante que deve começar a ser aplicado no país na próxima semana, o desenvolvido pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca, apesar de os dois produtos serem eficientes e seguros. Desde o primeiro anúncio internacional, em novembro, a AstraZeneca foi criticada por cientistas e profissionais da área. Começou com um comunicado à imprensa que citava três eficácias diferentes para o imunizante (todas acima dos 50% considerados necessários). A eficácia de 90% se refere a um grupo do estudo que tomou meia dose e depois uma dose inteira. A de 62%, a outro grupo maior que tomou duas doses inteiras. E, por fim, o índice de 70% corresponde à soma dos dois grupos.

Pazuello diz que vacinação começará dia 20 – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta quinta-feira (14) a prefeitos que a vacinação contra a Covid começará no dia 20 de janeiro, quarta-feira, às 10h. O início da estratégia, no entanto, depende de aprovação das vacinas na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A declaração foi dada em encontro virtual com a Frente Nacional de Prefeitos. Ao todo, cerca de 130 prefeitos participaram da reunião. No encontro, Pazuello disse ainda que a previsão da pasta é ter 8 milhões de doses ainda neste mês. O montante equivale às doses importadas pelo Butantan e Fiocruz, e cuja liberação para uso emergencial deve ser decidida pela Anvisa no domingo (17). Nos últimos dias, o ministro vinha evitando dar datas para o início da vacinação, chegando a dizer, em declaração que foi alvo de críticas, que a estratégia começaria “no dia D” e “na hora H”.

No Butantan, mulheres dominam inspeção – Quem domina a fase de inspeção da Coronavac são as mulheres. Segundo o instituto, há homens também na equipe, mas elas são maioria. “É um processo bem crítico, requer muita habilidade e elas [as mulheres] são mais criteriosas.”

Reino Unido proíbe entrada de viajantes do Brasil – O Reino Unido proibiu a entrada a partir desta sexta (15) de pessoas vindas do Brasil e de outros 14 países, além da Guiana Francesa, como precaução contra a transmissão de uma nova variante do coronavírus. Em “decisão urgente”, foram proibidas também chegadas ao Reino Unido de Argentina, Bolívia, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. As viagens de Portugal também foram suspensas, “devido às suas fortes ligações com o Brasil”, afirmou o ministro dos Transportes do Reino Unido, Grant Shapps. A proibição não se aplica a cidadãos britânicos e irlandeses e nacionais de países terceiros com direitos de residência, mas passageiros que retornam desses destinos deverão se isolar por dez dias.

Lira me esganou e me usou como laranja, diz ex-mulher – Ex-mulher do deputado Arthur Lira (PP-AL), Jullyene Lins, 45, afirma, em entrevista à Folha, que o parlamentar, candidato à presidência da Câmara, a agrediu fisicamente e depois a ameaçou para que mudasse um depoimento sobre acusações que ela havia feito contra ele. Jullyene foi casada por dez anos e tem dois filhos com Lira. Ela recebeu a reportagem nesta quarta-feira (13) e pediu para que o local não fosse revelado. Em outubro passado, ela solicitou à Justiça de Alagoas medidas protetivas contra o deputado. Conforme mostrou a Folha, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu enviar à Vara de Violência Doméstica do Distrito Federal acusações feitas por ela sobre Lira em uma ação de injúria e difamação de 2020. Em nota assinada por seu advogado, Lira afirma que o conteúdo das declarações de sua ex-mulher é “requentado” e que ele foi absolvido das acusações dela pelo STF. “O resultado deste processo é de conhecimento público, inclusive, por parte deste veículo de comunicação, de forma que, a repetição e veiculação da falsa acusação, atrai a responsabilidade penal e cível não só de quem a pratica, mas também de quem a reproduz, ante a inequívoca ciência da sua falsidade”, disse a nota assinada pelo advogado Fábio Ferrario. Jullyene pede o enquadramento de Lira na Lei Maria da Penha e necessidade de proteção urgente. Ele recorre da decisão de Barroso, baseada em pedido da Procuradoria-Geral da República para que o caso fosse enviado a um juizado de Violência Doméstica. Na entrevista, ela chorou quatro vezes e disse que Lira, hoje candidato ao comando da Câmara com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, a fez mudar o seu depoimento no processo em que afirmou ter sido agredida pelo deputado, em 2006. Após esse recuo, Lira foi absolvido em 2015. “Me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou”, disse. “Ele me disse que onde não há corpo, não há crime, que ‘eu posso fazer qualquer coisa com você’”, afirmou. “Aquilo era o machismo puro, o sentimento de posse.” Ela afirmou ainda ter sido usada como laranja. “Ele abriu uma empresa com meu nome e até hoje não tenho vida fiscal.”

Intervenção de Bolsonaro no BB abre crise na Economia – Assessores do Palácio do Planalto confirmaram que, insatisfeito com a repercussão negativa do plano de reestruturação do Banco do Brasil (BB), o presidente Jair Bolsonaro avalia demitir o presidente da instituição, André Brandão. O executivo, no entanto, vai se segurando no cargo, pois o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenta reverter a demissão, como ocorreu, no ano passado, quando o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, também se viu ameaçado pelo mau humor presidencial. A permanência de Brandão no posto, no entanto, pode custar a revisão do plano de reestruturação do banco, que, como lembram analistas de mercado, foi o primeiro grande anúncio do executivo após assumir o comando do Banco do Brasil. Brandão, por sinal, nunca foi o nome dos sonhos de Bolsonaro para o BB. E mais: o presidente ficou muito irritado com a contratação do cantor Seu Jorge, apontado como integrante de esquerda, para fazer um show de fim de ano aos funcionários do banco. Além de Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, trabalha para que Bolsonaro mude de ideia. A equipe econômica argumenta que o mercado financeiro vê o desligamento de Brandão como uma forte ingerência política no Banco do Brasil, com repercussões negativas no meio econômico. Segundo analistas, a intenção de Bolsonaro pode ser comparada às ingerências realizadas pelo governo do PT na Petrobras, que foram criticadas pelo próprio presidente durante a campanha eleitoral. Além disso, contraria a política liberal defendida pelo chefe da equipe econômica, que ajudou a eleger o capitão reformado.

Esquenta corrida por alianças no Senado – A bancada do PDT no Senado anunciou, ontem, apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à Presidência da Casa, em decisão unânime de seus três senadores. Seguindo o mesmo posicionamento adotado pelo PT, no início da semana, é a segunda sigla de esquerda a aderir ao nome do político mineiro, apadrinhado do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e respaldado pelo Palácio do Planalto. Em nota, a bancada pedetista enfatizou, porém, que o aval “não representa um alinhamento automático” às pautas defendidas por todas as outras legendas que aderiram à campanha do parlamentar. O PDT acrescentou que o país “vive um momento difícil” e tem pela frente a tarefa “complicada” de “garantir a estabilidade institucional e democrática e preparar um clima saudável e equilibrado para as eleições de 2022”. Mesmo com o apoio do presidente Jair Bolsonaro ao nome de Pacheco, a bancada pedetista considera que o candidato “tem as melhores condições de liderança para exercer o papel de presidir a Casa”. Pacheco tem como principal adversária a senadora Simone Tebet (MDB-MS). A adesão de partidos de oposição ao parlamentar apoiado pelo Planalto é um dos fatores que mais têm chamado a atenção na corrida eleitoral. O que ajuda, em parte, a explicar essa situação inusitada é o fato de a aliança do PT e do PDT com Pacheco ficar restrita à sucessão na Casa, não se estendendo a outros tipos de entendimento. Estão em jogo, por exemplo, o compromisso com a votação de propostas legislativas e assentos na Mesa Diretora e em comissões importantes.

Reduzir poder de governador é ‘inaceitável’ – O ex-decano do Supremo abriu mão do silêncio que marca sua postura desde a aposentadoria, em outubro do ano passado, para criticar a proposta que prevê mandato de dois anos para os comandantes-gerais e delegados-gerais e impõe condições para que eles sejam exonerados antes do fim do prazo. “A padronização nacional dos organismos policiais estaduais, com expressiva redução do poder e competência dos Estados-membros, se implementada, traduzirá um ato de inaceitável transgressão ao princípio federativo”, disse Celso de Mello à reportagem. “Não se pode ignorar que a autonomia dos Estados-membros representa, em nosso sistema constitucional, uma das pedras angulares do modelo institucional da Federação”, afirmou o ministro aposentado. “Qualquer proposição legislativa que tenda à centralização em torno da União Federal, com a consequente minimização da autonomia estadual, significará um retrocesso inaceitável em termos de organização federativa.” Como revelou o Estadão na segunda-feira, o Congresso se prepara para votar dois projetos de lei orgânica das polícias civil e militar que sugerem mudanças na estrutura das polícias, como a criação da patente de general, hoje exclusiva das Forças Armadas, para PMs, e de um Conselho Nacional de Polícia Civil ligado à União.

‘Ainda vale a pena investir no Brasil’ – Na semana em que um dos assuntos mais comentados foi o fim da produção de carros da Ford no Brasil e o risco de outras empresas tomarem o mesmo rumo, o presidente da General Motors América do Sul, Carlos Zarlenga, que há dois anos também ameaçou fechar operações, afirma que o tamanho do mercado brasileiro ainda é atrativo para investimentos no setor. “Acredito que ainda vale a pena investir no Brasil”, diz. A GM retomou, no início do mês, o plano de aplicar R$ 10 bilhões ao longo de cinco anos anunciado em 2019 e que estava suspenso desde março, no início da pandemia da covid-19. Crítico do sistema tributário, que encarece o produto nacional e as exportações, o executivo ressalta que reformas precisam continuar, especialmente a tributária. Com cinco fábricas e líder de vendas no País, o grupo mudou sua estratégia de precificação em plena crise e vendas em queda acentuada, ação também adotada por outras montadoras. “Aumentamos os preços acompanhando a desvalorização do real, algo que não fazíamos há muito tempo”, diz. “Acho que é uma forma de voltar à rentabilidade.”

País precisa de ‘espírito empreendedor’ – Poucos dias após completar 90 anos e 51 anos depois de criar uma das empresas mais tecnológicas do Brasil, o fundador da Embraer, Ozires Silva, defende que “a sociedade produza constantemente profissionais capacitados, corajosos e com espírito empreendedor” para que novas companhias com potencial inovador surjam no País. Para isso, diz ele, é necessário investimento em educação. Hoje presidente do conselho de inovação da Ânima Educação – empresa que reúne instituições de ensino superior como São Judas e Unisul, entre outras –, Silva diz que a Embraer tem capacidade para se manter competitiva mesmo diante de um cenário adverso que reúne a pandemia da covid-19 e a frustração com o fim do acordo com a Boeing. Em abril do ano passado, a americana desistiu de comprar a unidade de aviação comercial da brasileira, um negócio de US$ 4,2 bilhões.

Plano de estímulo de Biden soma US$ 1,9 tri – O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, detalhou ontem seu Plano de Resgate Americano que pode chegar a US$ 1,9 trilhão para ajudar os americanos a resistirem ao choque econômico da pandemia do coronavírus e injetar mais dinheiro em testes e distribuição de vacinas. “Não é difícil ver que estamos no meio de uma crise econômica que ocorre uma vez em várias gerações com uma crise de saúde pública que ocorre uma vez em várias gerações. Uma crise de profundo sofrimento humano está à vista e não há tempo a perder”, disse Biden em seu discurso para anunciar seu pacote de estímulos.

Promessas do Planalto esbarram em limites do Orçamento – As promessas feitas pelo Palácio do Planalto para atrair votos em benefício de seus aliados nas eleições que renovarão o comando da Câmara e do Senado esbarram no orçamento apertado deste ano. O cenário das contas públicas é crítico para a liberação de emendas parlamentares e aumento de gastos. Além disso, o projeto de lei do Orçamento, enviado pelo governo ao Congresso, no ano passado, prevê um aumento de R$ 30,5 bilhões nas despesas, que precisa ser acomodado no teto de gastos. O Planalto já tem “pendurada” uma conta de R$ 19 bilhões de emendas não pagas no ano passado, como mostrou o Estadão. A cifra, indicada por deputados e senadores para transferir verbas a seus redutos eleitorais, vai “competir” com as despesas programadas para o Orçamento deste ano. Agora, emendas extras e cargos estão sendo negociados pelo governo, nos bastidores, para favorecer a candidatura do deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), chefe do Centrão, à presidência da Câmara. A votação do projeto de lei do Orçamento será depois das eleições para o comando da Câmara e do Senado, marcadas para fevereiro. As emendas parlamentares ao Orçamento são indicadas por deputados e senadores, que destinam recursos para obras em suas bases e funcionam como moeda de troca com o Executivo. Neste ano, o governo está prometendo liberar recursos adicionais para quem apoiar seus candidatos. O presidente Jair Bolsonaro entrou nas negociações. Cobrou publicamente a adesão da bancada ruralista à campanha de Lira, já se reuniu com deputados de vários partidos para pedir votos e também disse ter “simpatia” pela candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) ao comando do Senado. Além das emendas oferecidas pelo Planalto, que deu carta-branca a Lira e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para fazer as ofertas em nome do governo, os próprios candidatos defendem propostas que elevam despesas e não têm como ser cumpridas.

STF vai limitar prazo de decisões monocráticas – Uma emenda no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal (STF) promete colocar fim a um dos aspectos mais criticados da Corte: o excesso de liminares concedidas individualmente. Em fevereiro, os ministros devem aprovar proposta para que todas as decisões monocráticas sejam submetidas imediatamente ao plenário virtual como condição para que mantenham a validade. A tendência é de que a decisão seja unânime. — As liminares devem ser submetidas imediatamente ao colegiado. Isso “desmonocratiza” o tribunal — disse o presidente do Supremo, Luiz Fux, ao GLOBO. O tema começou a ser debatido em sessão administrativa do STF em outubro, mas Fux pediu vista. A retomada da votação deve ser em fevereiro, com o retorno das atividades do tribunal. As liminares individuais são determinações provisórias, tomadas em caráter de urgência e válidas até que todos os ministros decidam de forma conjunta sobre o assunto. Mesmo assim, algumas delas adquiriram aspecto de permanentes, como, por exemplo, a que vetou a redistribuição dos royalties do petróleo em 2013. O caso nunca foi submetido ao plenário.

 

Outros destaques

Serviços não anulam perdas – O setor de serviços cresceu 2,6% em novembro do ano passado, na comparação com outubro. O sexto resultado mensal positivo veio acima das expectativas do mercado, mas não bastou para anular as perdas sofridas na pandemia de covid-19. E, segundo especialistas, não se sustenta no curto prazo. Há receio de que o setor volte para o vermelho neste início de ano por conta do recrudescimento da disseminação do novo coronavírus. Responsável por cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), o setor foi o mais atingido pela crise sanitária, e acumula retração de 8,3% nos 11 primeiros meses de 2020.

Novo lança Van Hattem – Com uma bancada de oito deputados, o partido Novo lançou a candidatura de Marcel Van Hattem (RS) para a Presidência da Câmara. Essa será a segunda vez que o parlamentar vai concorrer ao cargo. Em 2019, ele obteve 23 votos. Hattem terá o apoio oficial de seu próprio partido, que tenta reforçar uma imagem de independência na Casa. “Temos convicção de que o Brasil merece mais e, por isso, estamos decididos a enfrentar esse enorme desafio, em uma eleição em que o que mais conta é a posição individual dos parlamentares”, disse o político.

Um longo caminho – Se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizar, no domingo, o uso emergencial dos imunizantes produzidos pela Fiocruz e Butantan, o governo federal pretende iniciar a vacinação na próxima quarta-feira, com a distribuição de seis milhões de doses. Deixando de lado os preparativos, para fins de propaganda, da cerimônia no Planalto que simbolizará o começo da imunização, a data marca o passo mais aguardado pela nação no combate ao novo coronavírus. Ressalte-se, no entanto, que essa é tão somente uma frente da guerra. Há muitas outras batalhas em curso. O caminho para vencer o novo coronavírus é longo e tortuoso. A vacina constitui uma solução importante para dar um refrigério à rede de atendimento da saúde. Permite, também, avançar no planejamento da retomada de atividades essenciais, como o retorno às aulas, a produção industrial e a prestação de serviços. Mas, a imunização não significa, de forma alguma, o abrandamento de outras medidas absolutamente necessárias para conter a disseminação do novo coronavírus. Países como Canadá, Alemanha, Inglaterra e Portugal, muito mais adiantados do que o Brasil no processo de imunização, estão impondo medidas mais duras –– em algumas situações, lockdown –– para conter as ocorrências de mortes e de novos casos.

Retrocesso – Pressionados pelo governo Bolsonaro e apesar de todas as evidências científicas em contrário, o governo do Amazonas e a Prefeitura de Porto Alegre decidiram adotar o chamado “tratamento precoce” para enfrentar o avanço da pandemia. As velhas hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, mundialmente conhecidas como inúteis para conter o vírus, passaram a ser oficialmente distribuídas na rede pública de atendimento. Má-fé, irresponsabilidade, curandeirismo, simpatia, wishful thinking. É possível chamar essas iniciativas de muitos nomes. Menos de ciência. Por sinal, note-se a evidente contradição daqueles que defendem rigor extremo na aprovação da vacina, mas recomendam abertamente tratamentos alternativos sem qualquer comprovação médica a pacientes com covid.

Enquanto Manaus agoniza, negacionistas se refugiam no Telegram – Enquanto brasileiros morrem de covid-19 e Manaus entra em colapso por falta de oxigênio, bolsonaristas migram em massa para o Telegram para criticar a imprensa, apoiar Donald Trump e, sobretudo, divulgar, sem filtro, pudor ou comprovação científica, mensagens negacionistas e mentiras sobre a pandemia. “O lockdown não ajudou, nem nos ajudará, tratar precocemente é o que devemos fazer”, diz vídeo que desestimula o uso de máscaras. A escolha do aplicativo de mensagens é uma retaliação às políticas de privacidade do WhatsApp (Facebook). Blogueiros e parlamentares simpáticos a Jair Bolsonaro criam canais que funcionam como chats. O vídeo é intitulado “Não espere”. Enquanto tiram as máscaras, os participantes dizem: “Queremos respirar”. Participam as deputadas Carolina de Toni (PSL-SC), Bia Kicis (PSL-DF) e Chris Tonietto (PSL-RJ) e a juíza Ludmila Grilo, que viralizou ensinando a burlar o uso da máscara. No canal de Hélio Lopes (PSL-RJ), o parlamentar diz: “Somente no prédio da Presidência, mais de 200 pessoas contraíram o vírus e se curaram com tratamento precoce”. Em live que entrará negativamente para a história, Bolsonaro e Eduardo Pazuello se esquivaram de responsabilidade no colapso de Manaus repetindo a tese do tal tratamento. Ah, vale lembrar que os bolsonaristas comemoraram o afrouxamento das restrições no Amazonas. Tratamento precoce significa: tomar hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina sem prescrição médica ou sintomas. Não há qualquer comprovação científica de que funcione e é desaconselhado pela comunidade médica.

Expectativa é vacinar 5% da população de cada cidade em primeira fase – A distribuição das vacinas contra a covid-19 entre os municípios do País será proporcional ao número de habitantes. De acordo com o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, a expectativa é de que cada cidade consiga imunizar entre 4% e 5% da sua população na primeira fase da vacinação, levando em conta que estarão disponíveis 8 milhões de doses (Coronavac e Astrazeneca). No Norte, porém, a conta deverá ser um pouco diferente por causa da população indígena, que terá prioridade. A questão foi discutida por ele e outros prefeitos em reunião com o Ministério da Saúde nesta quinta-feira, 14. Donizette também afirmou à Coluna que, embora o sistema de saúde de Manaus tenha colapsado com o avanço rápido de casos de covid-19, ele não vê a possibilidade de isso acontecer no restante do País. Os 130 prefeitos que estavam na reunião com Eduardo Pazuello pediram ao ministro o reforço na segurança dos municípios para a vacinação contra a covid-19. Temem que quadrilhas especializadas nos ataques aos bancos possam roubar vacinas. O Ministério da Justiça e Segurança Pública irá coordenar a segurança da logística do recebimento, transporte e armazenamento das vacinas, inicialmente com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Quando as doses chegarem aos Estados, as polícias militar e civil passarão a atuar também.

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