Resumo dos jornais de sexta-feira (05/03/2021) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta-feira (05/03/2021)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: SP Pandemia mata como nunca, e Bolsonaro fala em ‘mimimi’

CORREIO BRAZILIENSE: “Ninguém vai ter leito se a gente não tomar cuidado”

O ESTADO DE S.PAULO: ‘Chega de frescura e mimimi’, diz Bolsonaro sobre pandemia

O GLOBO: Estados ‘no limite’ cobram vacinas, mas imunização vai continuar lenta

Valor Econômico: Saúde prevê 3 mil mortes por dia nas próximas semanas

Resumo de manchetes

A Folha e o Estadão destacam em manchete que enquanto o país atinge recordes em mortes por conta da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro volta a criticar as medidas de isolamento social no país e diz que os problemas precisam ser enfrentados pela população. “Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? A manchete do Correio explora entrevista do governador do GDF, Ibaneis Rocha, na qual anuncia a abertura de mais três hospitais de campanha em Brasília e alerta a população “vão continuar saindo, vão continuar morrendo”. O Globo alerta em manchete que 14 governadores se declaram “no limite de suas forças e suas possibilidades” para conter o vírus e pedem medidas imediatas para a compra de vacinas. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) reforçou a urgência da vacinação em massa, e o Ministério Público Federal enviou uma recomendação ao ministro Pazuello (Saúde) de medidas para conter Covid-19. A manchete do Valor revela que cúpula do Ministério da Saúde espera que o Brasil atravesse nas próximas duas semanas o pior momento da pandemia. O Valor apurou que, no entorno do ministro Eduardo Pazuello, a expectativa é que haja uma explosão de casos e mortes no período, com os óbitos ultrapassando a barreira dos 3.000 por dia. O diagnóstico decorre de uma tempestade perfeita: o alastramento do vírus em todo o país, impulsionado pelas aglomerações no fim do ano e no Carnaval; a dificuldade da população de manter-se em isolamento social; a circulação no país de novas variantes mais contagiosas e com grande carga viral; a iminência de um colapso do sistema hospitalar em diversos Estados ao mesmo tempo; e a falta de vacinas disponíveis para imunizar os brasileiros.

Notícia do dia: No dia em que o País bateu um recorde na média móvel de mortes que leva em consideração os últimos sete dias, com 1.361 óbitos em razão da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia. “Chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas”, afirmou o presidente. Bolsonaro criticou as medidas de restrições impostas por governadores e prefeitos para tentar conter o agravamento da crise sanitária. “Até quando vamos ficar dentro de casa? Até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso”, disse Bolsonaro.

Notícias de primeiras páginas

Falta de gestão derruba preço de ativos locais – A falta de planejamento do governo na saúde e na área fiscal coloca os ativos brasileiros na pior posição entre os principais mercados globais. O Ibovespa acumula queda de 12,15% no ano, em dólar, enquanto a bolsa mexicana recua 0,03% e a da África do Sul sobe 10,87%. O dólar valorizou-se 9,12% ante o real e tem alta de 6,25% em relação ao peso mexicano e de 1,03% frente ao rublo. Para analistas, a demora na encomenda de vacinas e a flexibilização prematura de medidas de restrição agora provocam pressão por gastos fiscais, impedem que o país se beneficie do boom das commodities e afasta os investidores estrangeiros.

Condução da crise transforma o Brasil em ameaça sanitária global – A tragédia brasileira com a Covid-19 está nas manchetes e em charges nada abonadoras de jornais internacionais. Pelo menos 18 países suspenderam voos ou impuseram outros vetos específicos aos passageiros saídos do Brasil e da África do Sul, com medo da propagação do novo coronavírus e de suas variantes. Só os viajantes do Reino Unido enfrentam mais obstáculos. Fala-se do Brasil como uma importante “ameaça sanitária global”, usando os termos publicados no jornal britânico The Guardian, que ouviu médicos e especialistas preocupados com o avanço da doença no país. “Isso é sobre o mundo. É global”, disse ao jornal o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Se a mutação do vírus, a P1, surgida em Manaus, já era motivo de alerta por se tratar de uma variante mais contagiosa — e, a princípio, mais resistente às vacinas —, é a condução da crise pelo governo brasileiro que põe o país sob os holofotes neste momento. Especialistas, economistas e governos mundo afora acompanham com perplexidade o que acontece no Brasil e aconselham o isolamento. — Se não houver uma mudança radical e rápida na forma como o país está lidando com a pandemia, ele vai se tornar uma ameaça global à gestão da crise, como também um pária, rejeitado pelos demais em transações econômicas, turismo e até mesmo na cooperação e diálogo sobre as grandes questões — diz Fabio de Sá e Silva, co-diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos. Para Sayantan Ghosal, professor de economia da Universidade de Glasgow, o que acontece no Brasil hoje tem implicações sérias sobre a sua reputação no cenário mundial: — O país sempre foi um exemplo, uma economia e democracia vibrantes. Todos queriam aprender com o Brasil. Agora, a negligência e a estratégia fraca de combate à Covid colocam em risco a boa imagem construída em anos. Especialista em desigualdades sociais, ele destaca que a pandemia vai cobrar um preço alto da sociedade brasileira nos médio e longo prazos. A diferença entre ricos e pobres vai se agravar, e a recuperação da economia será demorada. Entre os governos estrangeiros, por enquanto, o discurso diplomático segue cauteloso. Autoridades americanas e europeias evitam apontar o dedo para o Brasil, ou insistir na variante brasileira, que têm preferido chamar publicamente de P1, para não singularizar o país.

Portugal consegue reverter a situação com uma quarentena rígida – Portugal registrou 862 casos de coronavírus na quarta-feira, segundo a média móvel de sete dias calculada pela Universidade Johns Hopkins. A taxa de contágio é agora uma das mais baixas da Europa e marca uma curva descendente da pandemia no país, alcançada devido à imposição de uma quarentena bastante rígida após o vírus sair de controle em janeiro, quando 16.432 novos casos chegaram a ser confirmados num mesmo dia. O número de mortes também caiu drasticamente, passando de 303 em 28 de janeiro para 42 na média móvel de quarta. Os hospitais portugueses também já estão mais aliviados. De acordo com dados da Direção Geral da Saúde (DGS), o número de doentes internados caiu 75% entre 1º de fevereiro e 4 de março, passando de 6.775 para 1.708. É o número mais baixo desde 26 de outubro e representa uma diminuição de 1.708 pessoas internadas em relação ao dia anterior. O número de pessoas hospitalizadas em unidades de terapia intensiva (UTI) também vem caindo: eram 399 nesta quinta-feira, 16 a menos do que na quarta e o valor mais baixo desde 13 de novembro. O país se saiu melhor do que outras nações europeias na primeira onda da pandemia, entre março e abril do ano passado, mas 2021 trouxe um aumento devastador de infecções e mortes durante a segunda onda, em parte atribuídas à rápida disseminação de variantes do vírus e ao relaxamento das restrições durante o Natal. Diante da gravidade inédita, o governo decidiu decretar nova quarentena em 15 de janeiro, mas manteve as escolas abertas. A medida foi muito criticada, porque liberou a circulação diária de mais de dois milhões de pessoas. Uma semana depois, o primeiro-ministro António Costa voltou atrás e encerrou as atividades letivas presenciais. Os voos comerciais e privados de e para o Brasil estão suspensos desde então.

País pode virar ‘celeiro’ do vírus com avanço de novas variantes – De acordo com nota divulgada no início da noite de ontem pelo Observatório Covid-19 da Fiocruz, foram avaliadas mil amostras dos Estados de Alagoas, Ceará, Minas, Pernambuco, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A nova ferramenta genética usada é capaz de detectar a mutação no vírus que é comum nas três variantes que mais vem preocupando o mundo atualmente – a P.1, identificada inicialmente no Amazonas, a B.1.1.7, originada no Reino Unido, e a B.1.351, na África do Sul. Dos seis Estados, somente nas amostras de Minas e Alagoas a presença da mutação ocorreu em menos da metade das amostras – respectivamente 30,3% e 42,6%. Os Estados em que elas mais aparecem são Ceará (71,9%) e Paraná (70,4%). A situação nos demais é: PE (50,8%), RJ (62,7%), RS (62,5%), SC (63,7%). “A alta circulação de pessoas e o aumento da propagação do vírus Sars-Cov-2 tem levado ao surgimento de variantes de preocupação, que podem ser potencialmente mais transmissíveis em todo o mundo. Foi este o cenário que favoreceu o surgimento da variante brasileira P.1, no Amazonas, já classificada como uma ‘variante de preocupação’”, aponta a Fiocruz, que voltou a defender medidas mais rígidas, como lockdown. Apesar de o teste ser capaz de detectar uma mutação comum a três variantes de preocupação, a Fiocruz afirma que há outros indícios de que “prevalência que está sendo observada nos estados esteja associada à P.1, uma vez que as outras duas variantes não têm sido detectadas de forma expressiva no território brasileiro”.

PEC do auxílio abre brecha para blindar verbas de militares – Proposta que recria auxílio para os mais vulneráveis autoriza carimbar receitas para uso exclusivo de militares e abre brecha para novas vinculações, na contramão do que deseja a equipe econômica; temor é de que o setor ‘capture’ uma grande fatia do Orçamento. Em mais um aceno aos militares, o Congresso Nacional incluiu na PEC que recria o auxílio emergencial um dispositivo que abre caminho para carimbar receitas e destiná-las a ações de “interesse à defesa nacional” e “destinadas à atuação das Forças Armadas”. A medida vai na direção contrária do que prega a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende a necessidade de maior flexibilidade no Orçamento. A alteração foi introduzida na versão final do parecer do relator, senador Marcio Bittar (MDB-AC), poucas horas antes da votação no plenário do Senado. Outros grupos de interesse dentro do governo também conseguiram blindar suas receitas, como a Polícia Federal. O texto ainda precisa ser aprovado em dois turnos na Câmara. A manobra chamou a atenção de técnicos e de economistas de fora do governo, pois o objetivo central da equipe de Guedes é justamente o oposto: tirar o máximo possível de carimbos das receitas para combater represamento de recursos em certas áreas. Se as receitas vinculadas não são usadas, elas não podem financiar outro tipo de gasto, mesmo que haja necessidade.

10 milhões de senhas do Brasil são expostas – Mais de 10 milhões de senhas de e-mails de brasileiros foram expostas na internet em um vazamento global de 3,2 bilhões ocorrido no começo de fevereiro. Entre as credenciais brasileiras estão mais de 70 mil senhas da administração pública, como de emails da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Petrobrás. Os números foram obtidos após análise exclusiva para o ‘Estadão’ feita pela empresa de cibersegurança Syhunt. O vazamento ocorreu no começo de fevereiro e traz 3,28 bilhões de senhas para cerca de 2,18 bilhões de endereços únicos de e-mail. O arquivo de 100 GB foi publicado no mesmo fórum onde, em janeiro, hackers colocaram à venda bases de dados que comprometeram 223 milhões de CPFs, 40 milhões de CNPJs e 104 milhões de registros de veículos. Ao contrário do megavazamento de janeiro, no qual as informações de brasileiros estavam à venda, o vazamento de senhas foi disponibilizado integralmente de forma gratuita – qualquer pessoa pode baixar. Entre as informações de brasileiros, existem pelo menos 10 milhões de senhas. Esse é o número de credenciais referente apenas a e-mails do domínio “.br” – cerca de 26 milhões de domínios em todo o mundo foram afetados. Isso significa que o número de brasileiros atingidos pode ser maior. A análise não incluiu serviços de e-mail muito populares por aqui, como Gmail e Hotmail, pois eles estão no domínio “.com”. Embora o vazamento de janeiro tenha muito mais informações sobre brasileiros, o novo vazamento também traz riscos importantes para a segurança digital. “No vazamento de janeiro, havia milhões de e-mails. Essas informações podem ser cruzadas com a base de senhas e permitir acesso dos criminosos”, diz Felipe Daragon, fundador da Syhunt. No megavazamento de janeiro, o criminoso colocou à venda e-mails de 77,8 milhões de pessoas e de 15,8 milhões de empresas.

 

Impasse nas negociações trava chegada de imunizantes ao Brasil – A velocidade da vacinação é um fator crítico para o país conter o aumento das taxas de ocupação de leitos com pacientes de covid-19. Mas o novo cronograma de entrega das vacinas contra a doença, obtido pelo Correio, aponta uma queda na previsão de doses que serão incorporadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI) em março. Com o atraso do fechamento de contratos com fornecedores de imunizantes, o país terá este mês 37,4 milhões de vacinas disponíveis, o equivalente a 81% do previsto. Em 17 de fevereiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou que o país contaria com 46 milhões de doses em março. Mas o novo calendário indica um atraso na importação de doses da Covishield, conhecida popularmente como a vacina de Oxford, por exemplo. No documento apresentado em reunião com governadores, Pazuello informou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) entregaria 4 milhões de doses prontas trazidas da Índia, mais 12,9 milhões de doses produzidas no Brasil com a matéria-prima importada ainda em março. O novo cronograma indica, entretanto, que a Fiocruz entregará 3,8 milhões de doses produzidas no país. A Fiocruz já entregou ao PNI 4 milhões de doses prontas da Covishield, importadas da Índia, e aguarda a chegada de mais 8 milhões de imunizantes. Divididos em lotes de 2 milhões, as vacinas começam a chegar ao país somente em abril. Em nota, a fundação explicou que “somente após os resultados dos lotes de validação e liberação pela Anvisa é que será possível precisar as datas e os quantitativos a serem disponibilizados para o PNI”. “O Instituto de Tecnologia em Imunobilógicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) permanece com empenho total para disponibilizar sua vacina no menor prazo possível”, completou a instituição. Questionado pelo Correio, o Ministério da Saúde não comentou os motivos da mudança no cronograma. Em nota, o órgão federal informou que é importante ressaltar que o PNI depende da entrega dos laboratórios para poder fazer o envio. “Portanto, o cronograma está sujeito a alterações”, ressaltou a pasta.

Chega de mortes, presidente, enfrente a covid -O presidente Jair Bolsonaro voltou a protestar contra o lockdown adotado por governadores e prefeitos em meio à disparada de casos e mortes pela covid-19. Ele cobrou o retorno ao trabalho e, de novo, fez pouco caso da tragédia que atinge o país. “Aqui, tem muita gente que produz. Ontem (quarta-feira), almocei com seis embaixadores, e o do Kuwait me disse uma coisa que eu não sabia: 80% do que eles importam de produtos do campo vêm do Brasil”, afirmou, durante inauguração de trecho da Ferrovia Norte-Sul, em São Simão (GO). “Vocês (produtores, agricultores) não ficaram em casa, não se acovardaram. Nós temos de enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas.” O chefe do Executivo emendou dizendo que “sem dinheiro, sem salário e sem emprego, estamos condenados à miséria, ao fracasso, à morte, a ações que não nos interessam, como distúrbios, saques”. Por fim, fez um pedido aos governadores: “Eu apelo aqui, já que me foi castrada a autoridade, repensem a política do fecha-tudo. Venham para o meio do povo. Não fiquem me acusando de fazer aglomeração. Vamos combater o vírus, mas não de forma burra, ignorante, suicida”, disparou. “Como gostaria de ter o poder para definir essa política. E eu sei, aprendi na minha vida, que temos de tomar decisões. Fui eleito para comandar o Brasil. Espero que esse poder me seja restabelecido, porque sou um democrata”, destacou. Na quarta-feira, Bolsonaro afirmou ter um plano contra a covid-19, mas ao ser questionado sobre qual seria, não disse e justificou não ter “autoridade” para exercê-lo. “Se o Supremo Tribunal Federal achar que pode dar o devido comando desta causa a um poder central, que eu entendo ser legitimamente meu, estou pronto para botar meu plano”, ressaltou. Antes de ir a São Simão, Bolsonaro passou por Uberlândia (MG), onde reclamou da pressão para compra de vacinas contra a covid-19. “Tem idiota que diz ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe. Não tem para vender no mundo”, disparou. Ele ainda falou sobre o veto à medida que permitia a estados comprarem doses e, posteriormente, serem reembolsados pela União. “Alguns governadores queriam direito a comprar vacina, e quem ia pagar? Eu! Onde tiver vacina para comprar, nós vamos comprar.”

Falta de doses atrasou vacinação de 400 mil pessoas – A paralisação na distribuição de vacinas contra a Covid-19 na semana passada causou um impacto significativo na imunização do país. A pausa provocou um atraso na vacinação de quase 400 mil pessoas, incluindo primeira e segunda doses. O Brasil vinha aplicando em média 1,3 milhão de unidades por semana no primeiro mês da campanha. Mas entre os dias 22 e 28 de fevereiro, quando a fonte secou, esse número caiu para cerca de 900 mil, mostram dados do governo federal que são atualizados diariamente. É o equivalente a uma média de 50 mil pessoas a menos por dia. A seca da semana passada aconteceu porque os dois laboratórios que estão abastecendo o país ficaram semanas sem entregar remessas, e o governo ainda não tem outras fontes de imunizantes, apesar de estar negociando com outras iniciativas.

BNDES deu R$ 20 mi para firma de hidroxicloroquina – A Apsen Farmacêutica, principal fabricante de hidroxicloroquina do Brasil, assinou dois contratos de empréstimo com o BNDES em 2020, no total de R$ 153 milhões, para investir em atividades de pesquisa e ampliar sua capacidade produtiva. O valor é sete vezes maior do que o crédito liberado para a empresa nos 16 anos anteriores. O primeiro acordo, assinado em fevereiro de 2020, prevê financiamento de até R$ 94,8 milhões para o “plano de investimentos em inovação” da companhia. Desse montante, o banco desembolsou R$ 20 milhões em março do ano passado que, afirma, não pode ser aplicado na fabricação de medicamentos já existentes —caso da hidroxicloroquina. Já o segundo financiamento, de R$ 58,9 milhões, foi assinado em junho para “ampliar a capacidade produtiva e de embalagem no complexo industrial da Apsen, em São Paulo”. Os recursos aprovados nesse acordo ainda não foram liberados pelo BNDES. As informações constam no site da instituição, que usa recursos públicos para oferecer empréstimos com juros abaixo dos praticados pelo mercado. O presidente da Apsen, Renato Spallicci, é antigo apoiador do presidente Jair Bolsonaro e, na pandemia, ganhou o ex-capitão como “garoto-propaganda”. Bolsonaro, que defende o medicamento para tratar a Covid-19, mesmo sem haver eficácia comprovada, exibiu a caixinha de hidroxicloroquina da empresa em diversas ocasiões. As vendas de hidroxicloroquina –usada no tratamento contra malária e doenças reumáticas–, ajudaram a Apsen a alcançar faturamento recorde no ano passado, próximo de R$ 1 bilhão. É uma alta de 18% em relação ao ano anterior, dos quais 2,7% se devem ao remédio, como afirmou a empresa à Repórter Brasil.

Presidente vê sua popularidade digital encolher – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perdeu desde o início deste ano parte de sua base de apoio digital, diante do agravamento da crise da pandemia do coronavírus, e ainda viu a aproximação do ex-presidente Lula (PT) no ranking de popularidade digital. A popularidade nas redes sociais é o principal trunfo de Bolsonaro em busca de sua reeleição no ano que vem, assim como foi em 2018 para a sua eleição ao Palácio do Planalto, quase sem tempo de TV na propaganda eleitoral, e tem sido no dia a dia de seu governo. A queda de patamar de Bolsonaro aparece em atualização nesta semana do ranking do Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest. A métrica avalia o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. Bolsonaro segue na primeira colocação do ranking, dentre uma lista de 13 nomes que devem influenciar as eleições presidenciais de 2022. O presidente, porém, está em um patamar 20 pontos abaixo em relação ao que acumulava em 2020. Outra novidade na atualização desse ranking é o avanço digital do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista, que sempre teve atuação capenga nesse campo, ganhou força nos últimos meses e aparece agora como o principal antagonista de Bolsonaro nas redes sociais.

Cármen pediu por não soltura de Lula, diz Deltan – Diálogos enviados pela defesa do ex-presidente Lula ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta (4) mostram os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato discutindo como evitar que o petista saísse da prisão por meio de habeas corpus concedido pela Justiça em 2018. No dia 8 de julho daquele ano, um domingo, o desembargador Rogério Favreto, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), atendeu a um pedido de advogados e determinou que Lula fosse solto. A notícia foi recebida como uma bomba nos meios jurídicos e deu início a uma movimentação intensa dos procuradores e de magistrados para que a liberdade de Lula fosse evitada. Os diálogos revelam os bastidores das iniciativas tomadas por eles. Nos diálogos, analisados pelo perito Cláudio Wagner e enviados ao STF pelo escritório Teixeira Zanin Martins Advogados, o procurador Deltan Dallagnol escreve aos colegas que a então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, teria se envolvido na movimentação. Ela teria telefonado para o então ministro da Segurança, Raul Jungmann, a quem a PF era subordinada, e pedido para Lula não ser solto. “Carmem Lúcia ligou pra Jungman e mandou não cumprir e teria falado tb com Thompson. Cenário tá bom”, escreveu Deltan Dallagnol. Thompson Flores acabou suspendendo a decisão de Favreto ainda naquele domingo. E Lula seguiu preso. A coluna procurou o gabinete de Cármen Lúcia, que pediu que a demanda fosse enviada por escrito para que a magistrada pudesse se manifestar. Os procuradores da Lava Jato não reconhecem a autenticidade das conversas. Afirmam que elas foram obtidas por meios criminosos e que podem ser editadas e tiradas de contexto. Os diálogos aos quais a defesa de Lula teve acesso, e agora entrega ao STF, fazem parte da Operação Spoofing, que investiga a invasão de telefones de autoridades por hackers.

Grupo de investigação que mirava Flávio e Carlos é dissolvido – O procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, decidiu encerrar as atividades do grupo responsável pelas investigações sobre corrupção no Rio de Janeiro. Entre as apurações tocadas por ele estavam as que miram o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). As atividades do Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção) serão absorvidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado), que investiga crimes relacionados à milícia e ao tráfico de drogas. Entre as apurações que estavam sob responsabilidade pelo Gaeco está o homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes. Será criada, agora, uma força-tarefa exclusiva para o caso com três promotores. O Gaeco terá um núcleo dedicado ao combate à corrupção, de acordo com resolução publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (4).

Bolsonaro segue rota de Dilma pré-impeachment – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está fazendo o Brasil reviver o insólito cenário de forte aceleração da inflação com queda da atividade econômica. A combinação, conhecida como “estagflação” —quando estagnação econômica, ou recessão, convive com preços em alta— foi a principal marca dos meses que precederam o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a partir de maio de 2016. Sob Bolsonaro, apesar de a economia ter encolhido 4,1% no ano passado e caminhar para uma possível estagnação neste primeiro semestre, a inflação deve atingir 7% em meados do ano. Raramente isso acontece, pois atividade deprimida tende a segurar os preços —a não ser que outros motivos, estruturais ou políticos, detonem o fenômeno. O principal fator para o cenário de economia fraca hoje é a pandemia da Covid-19, que impede uma retomada mais livre e que tem causado distorções no mercado. Mas, segundo especialistas, a postura errática do presidente em relação ao equilíbrio das contas públicas, além de suas intervenções, como no episódio Petrobras, tem pressionado o valor do dólar para além do que os fundamentos econômicos justificariam, alimentando exageradamente a inflação. Nos últimos 12 meses, o dólar subiu quase 30% frente o real, uma das moedas que mais se desvalorizaram no mundo, tornando mais caros os produtos importados ou denominados na moeda americana. Neste início de 2021, os valores em reais (impactados pelo dólar) de commodities internacionais agrícolas, metálicas e dos combustíveis tiveram alta conjunta inédita —pressionando preços em várias cadeias produtivas, como de alimentos, bens duráveis e construção civil. O aumento de preços de alguns desses itens, que compõem a taxa oficial de inflação (o IPCA) já é superior ao verificado nos últimos meses do governo Dilma. Em 2015, último ano completo sob o comando da petista, a economia encolheu -3,5%; e os preços subiram 10,6%. Hoje, um dos poucos setores em que a aceleração da inflação ainda está abaixo do período pré-impeachment é o de serviços, impactado pelo isolamento social. Mesmo assim, há pressões consideráveis nesse item.

PEC Emergencial passa pelo Senado e vai para a Câmara – O Senado concluiu na manhã desta quinta-feira (4) a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que destrava uma nova rodada do auxílio emergencial, mas estabelece um teto de R$ 44 bilhões para pagamento do benefício. A PEC Emergencial agora segue para a Câmara dos Deputados, onde também precisa tramitar em dois turnos e ser aprovada por 60% dos deputados federais. Nesta tarde, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a admissibilidade do texto deve ser votada na terça-feira (9), e os dois turnos, na quarta (10). “Para semana que vem, não é justo que a PEC saia hoje [quinta] do Senado e a Câmara tenha que votá-la hoje ou amanhã, sem discutir”, afirmou. “O Senado levou um tempo maior, e os deputados e deputadas tendo conhecimento do texto, pelo menos dá para as lideranças e os partidos se posicionarem em relação ao mérito a partir da terça-feira, que é o que eu penso.” O relator do texto na Câmara será o deputado Daniel Freitas (PSL-SC).

PIB teve estimativa de alta de 2,5% a queda de até 6,6% – Em 2020, as incertezas econômicas trazidas pela pandemia provocaram revisões bruscas nas projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. No início do ano passado, os economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus projetavam crescimento de 2,5% para 2020. As projeções começaram a ser revistas para menos de 2% em março, logo após a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar oficialmente que o mundo estava vivendo uma pandemia, no dia 11 daquele mês. As revisões se acentuaram a partir da decretação de restrições de circulação na segunda quinzena de março e terminaram o mês em queda de 0,9%. Em maio, os economistas consultados pelo Focus projetavam queda de 4,1%, resultado que acabou sendo confirmado quase um ano depois. As revisões para baixo, no entanto, continuaram. Naquele mês, o Goldman Sachs projetava contração de 7,4% e a estimativa do BTG era próxima, de 7%, e a do Santander, de 6,4%. No final de junho, foi registrada a previsão mais pessimista do Focus (-6,6%). Na época, várias medidas de estímulo já estavam em vigor, mas seus resultados ainda não estavam claros.

Trecho que liga ferrovia Norte-Sul a SP é inaugurado – A inauguração do trecho da ferrovia Norte-Sul entre São Simão (GO) e Estrela D’Oeste (SP), nesta quinta-feira (4), fará com que a concessionária Rumo tenha conexões nos seis principais estados produtores do país, além de ligá-la à Malha Paulista. O trecho, de 172 quilômetros, operava em fase de testes desde a segunda semana de fevereiro e será o primeiro da Malha Central da Rumo, após investimento de R$ 711 milhões —no terminal, em pontes e em dezenas de quilômetros de trilhos. A Norte-Sul é uma ferrovia cuja história se arrasta desde a década de 1980. Em 13 de maio de 1987, a Folha publicou reportagem de Janio de Freitas que mostrou que a concorrência para a construção da ferrovia tinha sido uma farsa. De forma cifrada, o resultado das empresas vencedoras tinha sido publicado cinco dias antes. Além disso, até 2017 a ferrovia já tinha consumido R$ 28 bilhões em valores corrigidos pela inflação e órgãos de controle e fiscalização estimavam que pelo menos um terço tinha sido superfaturado. Cinco anos antes, a PF (Polícia Federal) deflagrou operação que revelou corrupção nas obras feitas pela Valec, estatal que detinha a concessão da ferrovia. As obras atrasaram porque houve troca de executivos e centenas de pendências com o TCU (Tribunal de Contas da União) tiveram de ser resolvidas para que o embargo às obras fosse suspenso. Contratos foram refeitos para que os sobrepreços fossem cancelados. A rota entre São Simão e o porto de Santos será feita com trens de 120 vagões, e não mais de 80, o que significa mais eficiência, com ganhos em emissão de gases e economia de combustível. Cada composição passou de 1,5 km para 2,2 km de comprimento.

Itaú demite 50 funcionários que pediram auxílio – O Itaú demitiu 50 funcionários que, mesmo estando fora dos critérios de elegibilidade, pediram o auxílio emergencial criado pelo governo para tentar mitigar os impactos da pandemia do coronavírus. O anúncio foi feito em comunicado interno divulgado pelo banco na quarta-feira (3) ao qual a Folha teve acesso. Segundo as regras do governo, a pessoa que tem emprego formal ou que tenha recebido rendimentos tributáveis acima do teto de R$ 28.559,70 em 2018 de acordo com a declaração do Imposto de Renda, não tem direito a receber o auxílio emergencial. Também não têm direito aqueles que pertencem à família com renda superior a três salários mínimos (R$ 3.135) ou cuja renda mensal por pessoa da família seja maior do que meio salário mínimo (R$ 522,50) e que estejam recebendo seguro-desemprego, benefícios previdenciários ou assistenciais ou benefícios de transferência de renda federal –com exceção do Bolsa Família. No comunicado, o banco afirmou que o compromisso com a ética deve ser cultivado não somente nas decisões do banco, mas também na vida profissional e pessoal. O Itaú tem mais de 96 mil funcionários. “Satisfazer interesses particulares em detrimento do bem comum é inaceitável, uma vez que fere os interesses gerais e coloca em risco a reputação do Itaú Unibanco”, disse o banco no comunicado interno. Os casos foram identificados como desvio de conduta. “Somos todos guardiões da nossa reputação e, por isso, quando nos deparamos com um fato ou uma suspeita de violação de uma diretriz, uma lei, um regulamento ou uma norma, cabe-nos também comunicar o fato prontamente aos canais competentes”, dizia o comunicado.

Presidente violou regras do Facebook para Covid, mas não foi punido – O presidente Jair Bolsonaro violou a política do Facebook sobre Covid-19 ao menos 29 vezes neste ano, 22 delas em suas lives às quintas-feiras. Mas, ao contrário do que fez em outros países, a plataforma não removeu nem marcou nenhum desses conteúdo. Segundo levantamento da Agência Lupa, nos conteúdos que foram autorizados pelo Facebook, Bolsonaro promoveu curas e métodos de prevenção da Covid-19 sem comprovação científica, desaconselhou o uso de máscara, pôs em dúvida o isolamento social e incentivou aglomeração. As lives de Bolsonaro chegam a alcançar 2,2 milhões de pessoas só dentro do próprio Facebook. Há duas semanas, o Facebook baniu por uma semana um deputado australiano Craig Kelly depois que ele compartilhou tópicos iguais aos disseminados por Bolsonaro. O deputado publicou links para médicos promovendo tratamentos para Covid-19 não comprovados cientificamente. Segundo Kelly, a plataforma apagou seus posts que falavam de cloroquina e ivermectina como curas para a Covid, além de conteúdo dizendo que máscaras são inúteis para crianças. Ao diário britânico The Guardian, um porta-voz do Facebook afirmou: “Não permitimos que ninguém compartilhe desinformação sobre Covid-19 que pode levar a perigo iminente de dano físico. Nós temos políticas claras contra esse tipo de conteúdo e vamos removê-lo assim que tomarmos conhecimento”. Até hoje o Facebook só derrubou um post de Bolsonaro relacionado à pandemia: um vídeo de março de 2020 em que ele cita o uso de cloroquina para o tratamento da doença e defende o fim do isolamento social.

Demais destaques

Voto de Flávio Bolsonaro na PEC Emergencial irrita policiais – Um voto de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) nesta quarta (3) contra uma emenda na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial irritou policiais. Ideia do senador Marcos do Val (Podemos) pretendia deixar diversas forças de segurança protegidas das mudanças previstas pela PEC, como a que proíbe reajuste salarial. O senador votou contra a proposta do colega, que foi rejeitada. Dessa forma, o texto que seguiu para a Câmara prevê que policiais estarão na mesma situação que demais servidores públicos. O episódio e a polêmica sobre prioridade da vacinação estão levando a atritos entre Jair Bolsonaro e a categoria, sua importante base eleitoral. Em nota, a FenaPRF (Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais) disse que o governo foi contra a valorização dos profissionais de segurança pública. Para os policiais, o apoio do governo Bolsonaro, inclusive com o voto do senador Flávio Bolsonaro contra a emenda, mostra que a “segurança pública parece ser utilizada apenas como uma bandeira eleitoreira”. No entendimento dos PRFs, mesmo sendo uma bandeira de Bolsonaro, não há no governo “uma política verdadeira de valorização” dos agentes de segurança pública. A UPB (União dos Policiais do Brasil) também criticou o comportamento do executivo federal na votação da PEC Emergencial. As 24 entidades representativas de carreiras policiais da UPB assinaram uma nota pública em que classificam como “chantagista” a PEC enviada pelo governo e lamentam o “descaso do governo federal” com os policiais.

Distorção – O presidente Jair Bolsonaro insiste numa inverdade, de que o Supremo Tribunal Federal tirou dele a autoridade para definir ações contra a covid-19 no país. O que a Corte fez foi dar autonomia a estados e municípios nas medidas de combate ao novo coronavírus, mas não retirou o dever do Executivo federal de também atuar no enfrentamento da pandemia. No ano passado, o presidente do STF, Luiz Fux, enfatizou esse ponto. Segundo ele, a resolução da Corte “não eximiu” o governo federal de suas responsabilidades, “pelo contrário, só reforçou a competência dos (Poderes) Executivos”.

Decisão beneficia Bia Kicis – A Câmara adiou para a terça-feira a definição das presidências das comissões, em razão da falta de acordo entre os líderes. No entanto, uma resolução da Mesa Diretora da Casa deu à deputada Bia Kicis (PSL-DF) larga vantagem na corrida pelo comando da Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ). De acordo com o entendimento do colegiado, só poderá haver candidaturas avulsas para membros do mesmo partido do parlamentar indicado inicialmente. Como as duas alas do PSL, a bolsonarista e a fiel à legenda, têm acordo firmado que levou o presidente da sigla ao cargo de 1º secretário, será difícil que o próprio partido imploda o combinado na já delicada harmonia interna. A deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) entrou com uma ação popular contra a nomeação de Bia Kicis. Segundo ela, pelos riscos que a deputada representa, por ser de extrema direita, ter defendido intervenção militar, ser contra o uso de máscara e o isolamento social e por ser um dos braços do presidente da República dentro da Câmara. “Bia Kicis é um perigo para o país: propagadora de mentiras, aliada do vírus, inimiga das liberdades democráticas e do povo, aliada de primeira hora do genocida que ocupa a Presidência da República. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir que ela assuma a presidência da comissão mais importante da Câmara dos Deputados”, enfatizou a parlamentar, que pretende se candidatar ao cargo. Kicis fez uma longa peregrinação a gabinetes para se apresentar como deputada moderada, prometendo ouvir, igualmente, base governista e oposição, no plenário da CCJ. Nos bastidores, congressistas questionam a decisão da Mesa, ou tentam contorná-la. É o caso de Delegado Waldir (PSL-GO), que não deve ser designado ao colegiado justamente por ser adversário de Kicis. O Correio apurou que o parlamentar busca uma indicação entre os partidos de oposição para conseguir ingressar na CCJ e disputar a vaga da colega de legenda. A manobra, porém, é muito difícil de ser executada.

Ignora e atropela – Esse é o principal conselho que os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, têm recebido em reuniões informais que discutem sobre como proceder diante das falas de Jair Bolsonaro contra o lockdown determinado em vários estados para tentar conter a taxa de transmissão da covid-19 — índice que, no Distrito Federal, chega ao patamar de 1,32, conforme o governador Ibaneis Rocha anunciou, ontem, em entrevista ao CB.Poder. Lira, porém, chegou a cogitar um apoio incondicional ao presidente nesse campo, mas mudou de ideia e acabou seguindo o aviso de seus conselheiros. Afinal, foi eleito para ajudar a votar o projeto econômico do governo e não para ir contra a ciência. Até os aliados de Bolsonaro acreditam que ele passou do tom ao criticar as medidas, ao dizer que “chega de mimimi”, e por aí vai. Mas não dá para confundir essa posição com qualquer perspectiva de afastamento do presidente. Se alguém for por esse caminho, levará todo o grupo de centro de volta ao colo presidencial. Qualquer atitude nesse sentido transformará o presidente em vítima e não resolverá o problema principal do atendimento hospitalar e da redução da taxa de transmissão, de forma a tirar a pressão sobre o sistema de saúde.

Barroso: ‘País vive sequestro de narrativa’ – Em resposta a uma pergunta do apresentador Luciano Huck, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, fez ontem uma série de críticas indiretas ao bolsonarismo e ao governo federal. Barroso disse que o Brasil vive hoje um “sequestro da narrativa” de quem se elegeu com um discurso contra a corrupção. A declaração foi dada em um debate promovido pelo grupo de formação política RenovaBR. Huck havia questionado Barroso sobre como o TSE vai reagir a ataques à credibilidade do sistema eleitoral. O ministro então afirmou que existem hoje três fenômenos que impactam a democracia: populismo, extremismo conservador e autoritarismo. “Isso impacta o mundo inteiro, e o Brasil inclusive”, disse o ministro. Segundo o presidente do TSE, o autoritarismo é uma “assombração” na América Latina. “Uma das manifestações contemporâneas do autoritarismo é a tentativa de desacreditar o processo político e colocar em dúvida a autenticidade do processo eleitoral”, disse. “O Brasil está sujeito à incidência desses três fenômenos.” Ao dissertar sobre o que chamou de “tentativa de sequestro da narrativa”, Barroso pontuou que, após o caso do mensalão, formou-se um “arco de aliança” para desacreditar as instituições do País. “O mensalão pela primeira vez condenou políticos e empresários por crimes como corrupção ativa, passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Foi um marco da vida brasileira. Quando o processo extrapolou o PT e chegou a mais partidos, e é essa a verdade, a determinação arrefeceu. O problema é que no Brasil do andar de cima todo mundo tem parente, amigo ou ente querido que estava metido em coisa errada. Forma-se um arco de aliança que tem representantes em toda parte, da imprensa até onde menos se espera, e começa a trabalhar para desacreditar tudo”, afirmou.

Bolsonaro faz cálculo eleitoral, diz Costa – O governador da Bahia, Rui Costa (PT), acredita que a conduta do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia reflete um cálculo eleitoral que deve garantir ao presidente uma vaga no segundo turno nas eleições do ano que vem. “A conta dele é esticar a corda ao máximo, para polarizar parte da sociedade. Com isso, ele junta 30% dos votos”, afirmou ao Valor. A Bahia enfrenta hoje “o pior cenário possível” nos hospitais, com ocupação de 100% da rede em Salvador e possibilidade de suspensão de atendimento a novos pacientes nas UPAs. Diante disso, o petista aposta na autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para importação e aplicação de 50 milhões de doses da vacina russa Sputnik, mesmo sem aval da Anvisa. “Estamos numa guerra, 40 países já aplicam a Sputnik, por que a Anvisa ter que fazer todo o trabalho de novo?”. Segundo Costa, se o STF desse sinal verde essa semana, seria possível começar aplicar a Sputnik nos Estados do Nordeste esse mês. O Consórcio Nordeste, que inclui os nove Estados da região, tem um pré-contrato para adquirir 50 milhões de doses.

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