Resumo dos jornais de sexta-feira (02/04/2021) | Claudio Tognolli

Resumo de sexta-feira (02/04/2021)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Na pandemia, governo faz cortes no Farmácia Popular

CORREIO BRAZILIENSE: OMS: covid é crítica no Brasil. Vizinhos fecham fronteiras

O ESTADO DE S.PAULO: Programa de redução salarial deve ficar R$ 4 bi mais caro

O GLOBO: Governo entrega menos da metade de doses prometidas

Resumo de manchetes

A manchete da Folha denuncia que criado para distribuir remédios gratuitos ou com descontos à população de baixa renda, o programa Farmácia Popular foi reduzido na gestão de Jair Bolsonaro mesmo durante a pandemia. A rede de farmácias atende a pessoas com doenças crônicas, como asma e hipertensão, que aumentam risco em caso de Covid-19. Em 2020, primeiro ano da pandemia, foram 20,1 milhões de beneficiários no programa. Isso representa 1,2 milhão a menos que no ano anterior. A menor cifra desde 2014. A quantidade de farmácias também caiu no ano passado para 30.988 unidades. Esse é o menor patamar desde 2013. Os dados são do Ministério da Saúde, obtidos via Lei de Acesso à Informação. Desde dezembro de 2014, estão impedidos os cadastros de novos estabelecimentos. A época, o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) suspenderam o credenciamento por já ter atingido a meta de rede de cobertura daquele ano. O processo nunca foi reaberto, e a Saúde informou que não há prazo para isso. Já no início do governo, o Farmácia Popular figurava entre programas a serem encerrados. O objetivo, segundo integrantes do time do ministro Paulo Guedes (Economia), é usar esse recurso público em outras ações. A manchete do Correio trata do alerta dado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que considerou muito grave a situação da pandemia no país. “Há uma situação muito séria no Brasil no momento, quando temos um número de estados que estão em situação crítica”, alertou Maria Van Kerkhove, líder técnica de resposta à covid-19 da OMS, em resposta a questionamento do Correio Braziliense. O agravamento da doença em território brasileiro preocupa todo o continente. Ontem, a Bolívia interrompeu a entrada e a saída de pessoas na divisa com o Brasil, durante o prazo de uma semana. Por sua vez, o Chile decidiu barrar, por 30 dias, a entrada de estrangeiros, a partir de segunda-feira. Na América do Sul, apenas o Paraguai se mantém aberto a receber cidadãos brasileiros. O Estadão traz manchete que informa que o governo deve gastar R$ 9,8 bilhões com o novo programa de redução de jornada e salário, valor entre R$ 3,3 bilhões e R$ 4 bilhões maior do que o previsto. Isso porque, com o agravamento da pandemia, mais prefeitos e governadores têm adotado medidas de distanciamento, o que prejudica setores como o de serviços, que registra escalada de demissões. Os recursos pagarão o benefício emergencial (BEm), que compensa parte da perda salarial, e a medida deve alcançar entre 3,8 milhões e 4 milhões de trabalhadores. O Globo em sua manchete revela que o governo federal não cumpriu o prometido. Em 17 de fevereiro, o então ministro da Saúde, general da ativa Eduardo Pazuello anunciou a entrega aos estados de 46 milhões de doses de vacinas em março, entretanto só distribuiu 20,3 milhões.

Notícia do dia: O presidente da República, Jair Bolsonaro, negou nesta quinta-feira, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, ter “politizada” as Forças Armadas. Bolsonaro falou sobre as trocas recentes na Esplanada dos Ministérios e elogiou o novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, que substituiu Fernando Azevedo. Bolsonaro também elogiou os chefes de Exército, Edson Pujol, da Marinha, Ilques Barbosa Júnior, e da Aeronáutica, Antônio Carlos Bermudez, que foram substituídos. Durante a live, porém, ele disse que não trataria sobre o motivo da mudança. — Só nós [ele e o Braga] sabemos o motivo e morreu aqui.

Notícias de 1ª página

Pelo STF, Aras e Mendonça focam em evangélicos – De olho na vaga que será aberta em julho no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), André Luís Mendonça, e o procurador-geral da República, Augusto Aras, estão acenando para os evangélicos, segmento que o presidente Jair Bolsonaro já afirmou, que pretende agradar com a decisão. A Procuradoria-Geral da República pediu, na noite de anteontem, no Supremo Tribunal Federal (STF), para revogar as medidas restritivas de combate ao Covid-19 que impeçam cultos e missas. Ontem de manhã, a AGU tomou a mesma iniciativa. Em outra frente, uma disputa entre os dois foi aberta sobre a abertura de investigações aos críticos do presidente com base na Lei de Segurança Nacional (NSA). O subprocurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, homem de confiança de Aras, pediu a Mendonça uma explicação das investigações abertas a seu pedido quando ele estava no comando do Ministério da Justiça — ele deixou o caso na segunda-feira. O atual AGU é considerado um dos favoritos para a indicação do STF. Nas últimas semanas, segundo fontes ouvidas pelo Globo, Bolsonaro indicou sua preferência a ministros, políticos e líderes evangélicos. Há duas semanas, durante uma reunião com religiosos, Bolsonaro disse se sentir “mais confortável” com a nomeação de Mendonça. O ministro é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, mas não tem proximidade com a Bancada Evangélica no Congresso. A primeira nomeação de Bolsonaro, o ministro Kassio Nunes Marques, chegou a causar mal-estar no grupo, já que o presidente havia anunciado publicamente que colocaria um nome “terrivelmente evangélico” no STF. Depois do barulho, ele garantiu que agora manteria a promessa.

Novo Chanceler dá sinais de que vai se distanciar de Ernesto – Um sinal que já o diferencia de seu antecessor, Ernesto Araújo, o novo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, se reuniu com os presidentes das Comissões de Relações Exteriores da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e do Senado, Kátia Abreu (Progressistas-TO), antes de ser empossado na próxima terça-feira. A ideia principal era enfatizar seu desejo de manter boas relações com o Legislativo. Apesar da conduta altamente questionável do Itamaraty, foi a pressão política em Brasília que derrubou Ernesto e França sabe disso. Nos últimos cinco meses, como assessor-chefe de Jair Bolsonaro, França participou de reuniões privadas do presidente com importantes lideranças políticas, como o presidente, Arthur Lira (PP-AL), e com ministros como Paulo Guedes. Ele também esteve presente na reunião da semana passada em que Lira e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) cobraram Ernesto de seu desempenho em relação a pandemia. No mesmo dia, senadores pediram sua saída. Os contatos com Aécio e Kátia Abreu, confirmados pelos parlamentares ao GLOBO, foram considerados mais um bom sinal de França, o que tem deixado uma impressão positiva entre os colegas e no mundo parlamentar. A nomeação do embaixador Fernando Simas Magalhães como secretário-geral do Itamaraty foi outro gesto que caiu bem entre os diplomatas.

Ao centro, presidenciáveis tentam pacto de não agressão – O manifesto divulgado por um grupo de seis possíveis candidatos à Presidência em defesa da democracia, da Constituição de 1988 e contra o autoritarismo, marca um pacto de não agressão e já é tratado como embrião de uma aliança ampla de centro, embora o caminho até sua confirmação seja longo e repleto de obstáculos. Com exceção de Ciro Gomes (PDT), os demais signatários do texto publicado anteontem já mantinham conversas reservadas bilaterais sobre a necessidade de se criar uma terceira via para quebrar a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula na disputa pelo Planalto em 2022. Os presidenciáveis do centro direita à centro esquerda seguem conectados em um grupo de WhatsApp chamado “Polo Democrático”. Embora não tenha assinado o documento, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro também participa do grupo. Na definição do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), o manifesto é o “primeiro passo” na construção de uma aliança para as eleições de 2022. “Isso não significa convergência absoluta, algo que não temos nem no nosso partido. Mas percebo a disposição de um diálogo permanente sobre outros temas”, afirmou o tucano, signatário do documento ao lado do governador paulista, João Doria, também do PSDB, de Luiz Henrique Mandetta (DEM), de João Amoêdo (Novo), de Ciro e do apresentador Luciano Huck, ainda sem partido. Segundo Leite, caso seja lançada mais de uma candidatura contra a polarização, a expectativa é de um enfrentamento no “plano das ideias”. A lógica do “pacto de não agressão” foi confirmada reservadamente ao Estadão por pelo menos outros três dirigentes dos partidos envolvidos.

Indústria surpreende e cai – O recrudescimento da pandemia de covid-19 no País afetou o desempenho da indústria em fevereiro. A produção no período recuou 0,7%, na comparação com janeiro, interrompendo uma sequência de nove meses de recuperação, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado surpreendeu analistas do mercado financeiro ouvidos pelo serviço Projeções Broadcast, que estimavam um avanço, na mediana, de 0,5%. “A queda foi uma surpresa, embora já tivéssemos ideia de que havia problemas no setor automotivo, que ainda não foram normalizados, ligados a peças. A produção industrial de março com certeza terá queda, claro que também por conta da nova onda de covid”, afirmou o economista-chefe da gestora de recursos Western Asset, Adauto Lima, completando que o cenário para a atividade econômica no primeiro semestre “está se desenhando bem pior do que o esperado”. Na passagem de janeiro para fevereiro, houve perdas em 14 dos 26 ramos industriais pesquisados, com destaque para o mau desempenho da fabricação de veículos automotores (7,2%) e das indústrias extrativas (-4,7%). Outras influências negativas relevantes decorreram das quedas em produtos têxteis (-9,0%), produtos de metal (-4,1%), couro e calçados (-5,9%), produtos diversos (8,2%), derivados do petróleo e biocombustíveis (-0,7%), vestuário e acessórios (-3,5%), farmoquímicos e farmacêuticos (3,4%) e bebidas (-1,8%).

As vacinas e o Titanic – O debate sobre a compra de vacinas pela iniciativa privada, defendida pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, dificilmente alcançará um bom termo. As posições a respeito do assunto são extremadas, para não dizer incompatíveis. Enquanto uma parte dos deputados e Lira argumentam que, em uma guerra, cada brasileiro vacinado representa uma esperança de vida a mais na batalha contra o novo coronavírus, os opositores da ideia denunciam a criação do “camarote vip” para a vacinação. Nesse debate, é inevitável a comparação com o Titanic. Na ausência de botes salva-vidas para todos os passageiros, uma parte dos viajantes busca outros meios de escapar do naufrágio. Com aproximadamente 8% da população brasileira vacinada, estabelecer critérios diferenciados para a imunização pode acentuar a desigualdade de acesso a tratamento de saúde, problema social crônico no Brasil. Há risco, ainda, de o assunto ser marcado pela judicialização. O artigo 196 da Constituição determina que “Saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” A continuar a iniciativa no Congresso, não será surpresa se o Supremo Tribunal Federal for provocado a se manifestar.

Falsa enfermeira fazia delivery de ‘vacina’ de soro – A falsa enfermeira presa pela Polícia Federal por realizar suposta vacinação contra covid-19 em garagem de empresa de ônibus em Belo Horizonte já atuava com o esquema na cidade desde o início de março, conforme investigações da Polícia Federal. A mulher, que foi levada para a Penitenciária Estevão Pinto na noite de terça-feira, 30, teve a prisão temporária convertida em preventiva. Laudo da polícia ainda apontou que o material apreendido na casa da falsa enfermeira era soro fisiológico, o que indica que ela aplicava falsas doses do imunizante. As autoridades constataram que a mulher, que na verdade era uma cuidadora de idosos, atendia também em domicílio. De acordo com as investigações, um dos bairros em que ela mais fez “atendimentos” – em casas e apartamentos – foi o Belvedere, de classe alta. “Os moradores lá estão todos sem saber o que fazer”, afirma um empresário que frequenta a região. Diligências feitas pela Polícia Federal encontraram na casa dela ampolas de soro fisiológico. A suspeita é que era isso que vinha sendo aplicado nas pessoas que contratavam seus serviços. Conforme a Polícia Federal, a falsa enfermeira, com os recursos que ganhava com a aplicação da “vacina”, estava comprando carro e um sítio. Segundo a revista piauí, que denunciou a ocorrência de uma vacinação irregular contra a covid-19 na garagem de ônibus em reportagem publicada no dia 24, a falsa enfermeira cobrava R$ 600 por duas doses do que afirmava ser vacina. Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros em uma garagem no bairro Caiçara, região noroeste de Belo Horizonte. Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação, no local, ocorreu nos dias 22 e 23. Pelo menos 80 pessoas passaram pelo local naquelas duas noites.

Mortalidade por covid é maior em UTI pública – Dados compilados pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) apontam que um a cada três pacientes de coronavírus (36,6%) morreu após precisar ser internado na UTI durante a pandemia. Proporcionalmente, a mortalidade é maior na rede pública, com taxa de 52,9%, conforme o levantamento. Já nos hospitais privados, o índice de óbitos é de 29,7%. No Brasil, o número de mortos pela doença a cada 24 horas já se aproxima de 4 mil e redes de saúde em várias regiões já entraram em colapso, com falta de leitos ou remédios para intubação. As informações sobre a mortalidade nos leitos de terapia intensiva constam da plataforma UTIs Brasileiras, com objetivo de orientar gestores de saúde, que reúne dados de 652 hospitais — o equivalente a cerca de 25% das unidades de terapias intensivas no País. São 403 unidades da rede privada e 249 da pública, que correspondem a 20.865 leitos. Membro do Conselho Consultivo e ex-presidente da Amib, Ederlon Rezende é o coordenador da plataforma. Para ele, o fato de a rede pública estar recebendo doentes em situação mais aguda ajuda a entender a diferença entre as taxas de mortalidade. “Quando a gente fala de UTI pública e privada, a primeira coisa a se observar é o percentual de pacientes sob ventilação mecânica, ou seja, os casos mais graves”, afirma. “Nos hospitais públicos, isso representa cerca de 65% das pessoas atendidas, enquanto nas UTIs privadas é 40%. O dado, por si só, já explica por que a mortalidade é maior.” Ele pondera, no entanto, que também há discrepância quando se compara a letalidade apenas em pacientes intubados. Na rede pública, o índice é de 72,4%, segundo o UTIs Brasileiras. Na particular, fica em 63,6%. Para os pacientes que não precisam de ventilação, a taxa de mortalidade é, respectivamente, 17,1% (público) e 7,6% (privado).

Ministério deixa 58 mil pessoas sem droga contra doenças autoimunes – No Brasil, 57.957 pessoas que fazem tratamento para controle de doenças reumatológicas, dermatológicas e inflamatórias intestinais com adalimumabe, na apresentação de 40 mg/0,4ml, enfrentam desabastecimento no SUS desde o segundo semestre de 2020. No estado de São Paulo o problema atinge 19.306 pacientes, de acordo com o Movimento Medicamento no Tempo Certo, da BioRed Brasil, ONG que reúne associações de pacientes de todo o país. Também há problemas com a versão pediátrica, de 20 mg, utilizada por cerca de 600 crianças no país. Neste caso, a farmacêutica global AbbVie, que é a responsável pela fabricação e distribuição do adalimumabe de referência (Humira), fez a doação de 2.000 frascos ao Ministério da Saúde. O remédio é adquirido pelo governo federal e distribuído aos estados, que fazem a dispensação através das farmácias de alto custo. As duas apresentações do medicamento estão com o registro ativo na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas outros fabricantes podem vender biossimilares no Brasil. Priscila Torres, 40, tem artrite reumatoide. Ela coordena a BioRed Brasil. “A situação é desesperadora. É um medicamento que as pessoas não conseguem comprar. Para o Ministério da Saúde, ele custa R$ 11 mil por paciente por ano. Para o consumidor final, que precisa tomar mensalmente as duas injeções da caixa, o custo na farmácia é de R$ 9.200 por mês”, diz ela. As sociedades brasileiras de Dermatologia e Reumatologia, e o Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil enviaram uma carta ao ministério, na qual manifestam preocupação com a falta do medicamento.

Aos 24 anos, faixa que orgulha e salva vidas – Brasília nasceu e se consolidou a despeito da incredulidade e contra a vontade de muitos. E ao longo dos quase 61 anos, a cidade mantém a vocação para concretizar o que, aos olhos de alguns, parece impossível. Nesta semana, um dos símbolos da capital completou 24 anos: a faixa de pedestres. Em 1º de abril, justo no dia da mentira, o então governador Cristovam Buarque decretou que, por aqui, os motoristas respeitariam a travessia de pedestres na faixa. Assim como estes, buscariam, sempre que possível, o equipamento de segurança para cruzar uma pista. Passados 24 anos, é a faixa de pedestre quem presenteia o brasiliense. Levantamento do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran) comprova a eficácia dela na redução de atropelamentos fatais. No primeiro ano após a pintura das listras brancas no asfalto, o número de pedestres mortos caiu 24% em relação ao ano anterior. Mesmo com o aumento de 209,1% da frota desde a implementação da faixa, a quantidade de pedestres mortos no trânsito do DF caiu 83,4%, diminuindo de 266 para 44 no último ano. Outro dado que reforça a importância desse equipamento de segurança é que, dos 44 pedestres mortos ano passado em atropelamentos, apenas um perdeu a vida durante a travessia na faixa. Os demais, morreram enquanto atravessavam a rua.

Inaceitável – Mais de 30 senadores subscreveram o pedido para adoção de um voto de censura contra o assessor presidencial Filipe Martins. O requerimento, apresentado pelo senador Fabiano Contarato (Rede- ES), foi aprovado em plenário na noite de quarta-feira. O documento afirma que Martins, ao fazer um gesto interpretado como racista, teve uma atitude “completamente inadequada, desrespeitosa e quiçá criminosa”. Na semana passada, por causa do episódio, o presidente Bolsonaro havia sinalizado que demitiria Filipe Martins. Mas aí veio o furacão que varreu Ernesto Araújo do Itamaraty e mudou cinco ministérios.

Presidente do conselho do Banco do Brasil renuncia – Indicado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, Hélio Magalhães renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil nesta quinta-feira (1) por discordar da interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na instituição, com a indicação de um novo presidente e novos integrantes do colegiado, grupo que determina a direção que o banco vai tomar. Além de Magalhães, outro conselheiro indicado por Guedes, José Guimarães Monforte, abriu mão do cargo. Ambos deixam os cargos oficialmente na sexta-feira (2), segundo comunicado do BB ao mercado. Na carta de renúncia, Magalhães critica a interferência de Bolsonaro no banco ao indicar o administrador Fausto de Andrade Ribeiro, 52, como novo presidente. Segundo ele, Ribeiro não passou pelo crivo do Conselho de Administração. Tido como bolsonarista, ele hoje dirige o braço de consórcios do BB. Ambos não foram indicados para uma recondução ao cargo. Magalhães escreve que, mesmo se isso ocorresse, não continuaria no posto.

Tapa na cara do novo ministro – O presidente aplicou a primeira bofetada no rosto de seu novo ministro da Saúde. O estalo se fez ouvir nacionalmente, à saída do Planalto, onde Marcelo Queiroga condenara aglomerações. Bolsonaro, sem máscara e sem escrúpulo, desautorizou-o. (Ruy Castro)

PT tentará aliança com centro ‘se for preciso’, diz Lula – Em entrevista na noite desta quinta-feira (1º/4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou aberta a possibilidade de o PT buscar alianças com setores de centro para a eleição de 2022 e criticou outros presidenciáveis que publicaram na quarta (31) um manifesto em defesa da democracia. “O PT é um partido grande. Vamos construir alianças com setores de esquerda. Se for preciso alianças com o centro, vamos tentar”, afirmou, em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo. O manifesto criticado pelo ex-presidente foi assinado por Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido). “Aprovo qualquer manifesto que defenda a democracia. Mas todos eles tiveram a chance de deixar a democracia garantida e votar no Haddad [na eleição de 2018]. Mas preferiram votar em Bolsonaro”, disse o ex-presidente. “O Ciro foi pra Paris”, alfinetou Lula.

O petista conversou por uma hora e 20 minutos com Azevedo no programa de rádio É da Coisa, da BandNews. Ainda sobre o “Manifesto pela Consciência Democrática”, Lula lançou outra provocação que levou Azevedo aos risos. “Tome muito cuidado com isso, quando tenta pescar em terra seca, não tem peixe. Num país deste tamanho, você não inventa candidato. Quando inventa, o resultado é nefasto.”

Alesp suspende deputado por 6 meses – A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, nesta quinta-feira (1º), de forma unânime com 86 votos, a punição de afastamento por seis meses sem salário para o deputado Fernando Cury (Cidadania), que apalpou a deputada Isa Penna (PSOL) em plenário em dezembro passado. O plenário ampliou a pena determinada pelo Conselho de Ética, de 119 dias de suspensão —punição que venceu, em 5 de março, por 5 a 4, a proposta do relator Emidio de Souza (PT) de afastamento por seis meses. Com isso, o suplente de Cury, padre Afonso Lobato (PV), será convocado e poderá exonerar os servidores do gabinete do deputado, que é desmobilizado.

Chile e Bolívia fecham fronteiras e deixam Brasil ainda mais isolado – O Chile e a Bolívia anunciaram nesta quinta-feira (1º) que fecharam suas fronteiras —medida que deixará o Brasil ainda mais isolado na região. O presidente boliviano, Luis Arce, determinou especificamente o “fechamento temporário das fronteiras com o Brasil por 7 dias”, como parte das “medidas de proteção à população”. Já no Chile, a restrição vale para todos os países, incluindo as fronteiras aéreas e as terrestres, durante o mês de abril. Com isso, dos principais países vizinhos, apenas o Paraguai mantém fronteiras terrestres abertas para o Brasil. O Brasil teve seu pior mês desde o início da pandemia, com 66 mil mortos em março. Depois dos EUA (552 mil mortos), foi o país que registrou o maior número de mortes por Covid-19 (321.515), seguido pelo México (203.210).

Destaques

Apoio da direita a Bolsonaro nas redes sociais cai para o menor patamar desde 2019 – O apoio de perfis de direita nas redes sociais a Jair Bolsonaro (sem partido) recuou para o menor patamar desde setembro de 2019. No mês de março deste ano, as menções positivas ao presidente representaram 68,6% das manifestações do segmento. Segundo a .MAP, agência de análise de inteligência em dados e mídias que fez o levantamento, a reação ao desempenho do governo na epidemia somado à inflação e ao desemprego sustentam o desânimo de apoiadores.

Bolsonaro desrespeitou militares e só vai conseguir se distanciar mais deles – Para o general da reserva Francisco Mamede de Brito Filho, 59, a demissão do então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e a subsequente saída dos comandantes militares tiveram a marca do desrespeito do presidente Jair Bolsonaro. Conhecido como general Brito, ele comandou o contingente brasileiro da missão de paz da ONU no Haiti (conhecida como Minustah) e a Força de Pacificação no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Ele participou do governo Bolsonaro durante quatro meses, em 2019, quando foi chefe de gabinete do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, o Inep. Conta ter se decepcionado também com a falta de respeito e pedido as contas. O general observa que as mudanças no Ministério da Defesa e nas Forças Armadas ocorreram abruptamente e sem explicações ou agradecimentos —estes que só vieram em live nesta quinta-feira, 1º. “O ministro Fernando [Azevedo e Silva] dormiu no domingo como ministro e na segunda saiu com uma carta de demissão”, aponta.

Bolsonaro nega politização da Defesa e cita governos do PT – Diante da crise que provocou nesta semana ao trocar toda a cúpula militar do país, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou sua live desta quinta-feira (1º) para negar que tenha procurado politizar as Forças Armadas. Para se defender, ele citou governos do PT. “Houve uma especulação enorme da mídia. ‘Está politizando, quer fazer isso, quer fazer aquilo’. Curiosidade: quem era e quem é o atual ministro da Defesa? Ambos são generais do Exército do último posto da carreira, generais de quatro estrelas”, afirmou Bolsonaro. “Obviamente, vocês sabem que o militar da ativa não pode sequer estar filiado a qualquer partido político. Agora, eu estou politizando colocando generais do último posto dentro da Defesa?”, indagou Bolsonaro. O presidente, então, citou os ministros da Defesa do governo Dilma Rousseff (PT) com filiação política: o hoje senador Jaques Wagner (PT-BA) e Aldo Rebelo, que à época era filiado ao PC do B e hoje está no Solidariedade. “Isso é politizar ou eu que estou politizando?”, indagou Bolsonaro aos seguidores. “Quem está politizando as Forças Armadas? Não sou eu”, insistiu Jair Bolsonaro. O presidente disse que apenas ele e Braga Netto sabem o motivo da troca no comando da Defesa, mas não entrou em detalhes. “Morreu aqui essa história, não tem que discutir nada”, encerrou. Diante do temor de que as mudanças objetivassem um rompimento institucional como um golpe militar, Bolsonaro reiterou que atua nos limites da Constituição. “Sempre falei para todos os meus ministros: onde é nosso jogo? Nosso jogo é dentro das quatro linhas da Constituição. Não vamos sair deste retângulo ou deste quadrado. E também devemos nos preocupar com quem está jogando fora deste quadrado, que está agindo de forma errada”, disse Bolsonaro. O presidente, porém, voltou a falar em “meu Exército” para se posicionar contra medidas restritivas adotadas em alguns estados e municípios para conter a pandemia com detenção para quem descumpre as regras. “Isso é um crime que está acontecendo. Agora, isso vai ter um limite um dia. Não pode continuar acontecendo essas coisas e nós assistindo passivamente isso daí”, afirmou. “O meu Exército brasileiro não vai às ruas para agir contra o povo ou para fazer cumprir decretos de governadores ou prefeitos. Não vai. O meu Exército, enquanto eu for presidente, não vai. O que estão esperando acontecer?”, indagou. Bolsonaro usou a live também para insistir em tratamento precoce e colocar em dúvida quando irá tomar a vacina contra Covid-19. No Distrito Federal, a imunização de pessoas com 66 anos, idade do presidente, começa neste sábado (3). “Depois que o último brasileiro for vacinado, se estiver sobrando uma vacina, daí eu vou decidir se vacino ou não”, afirmou. O mandatário também atacou governadores que adotam medidas restritivas, em especial o do Piauí, o petista Wellington Dias, que divulgou vídeo em que cobra a volta do pagamento do auxílio emergencial, que já foi de R$ 600, e agora vai variar de R$ 150 a R$ 375. “Quem está acabando com emprego é ele, governador Wellington Dias, não somos nós aqui”, disse o presidente.

Bolsonaro gastou mais de R$ 2 milhões em viagens de férias durante a pandemia – O governo federal informou que foram gastos R$ 2,3 milhões de recursos públicos nas viagens de férias do presidente Jair Bolsonaro nas praias de São Francisco do Sul (SC) e Guarujá (SP) entre os dias 18 de dezembro de 2020 e 5 de janeiro deste ano, período de agravamento da pandemia. A informação foi enviada pelo general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência), e pelo ministro Onyx Lorenzoni, da Secretaria Geral da Presidência, em resposta ao pedido de informação formulado pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO).
O deputado divulgou à imprensa os documentos entregues pelo governo. Os dados foram encaminhados ao parlamentar quase três meses depois que ele apresentou o requerimento a órgãos da administração federal solicitando as informações detalhadas. O GSI respondeu que foram gastos US$ 185 mil, cerca de R$ 1 milhão, com transporte aéreo em aeronaves da FAB para eventos privados do presidente neste período. Além disso, foram calculadas despesas de R$ 202 mil com passagens aéreas e diárias de integrantes da secretaria de segurança e coordenação presidencial.

Stalking é crime para até dois anos de prisão – O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que identifica o crime de perseguição obsessiva, prática conhecida como “stalking”. Segundo a norma, torna-se crime “perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”. O texto destaca práticas como tentativas persistentes de aproximações físicas, recolhimento de informações sobre a vítima, envio repetido de mensagens, bilhetes, e-mails, perseguições e aparições nos locais frequentados pela vítima. A proposta, de autoria da senadora Leila Barros (PSB-DF), foi aprovada pelo Congresso em março. A nova lei 14.132/21 prevê punição de até dois anos de prisão. A pena ainda pode ser aumentada se envolver crimes contra crianças, adolescentes, idosos e mulheres e se houver a participação de duas ou mais pessoas ou o uso de armas. Países como França, Itália, Alemanha, Índia, Holanda, Canadá, Portugal e Reino Unido também tipificaram o stalking como crime.

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