Resumo dos jornais de sexta-feira (01/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta-feira (01/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: No Brasil, 68% acham que 2021 será melhor

CORREIO BRAZILIENSE: 2021 Um ano de esperança e muitos desafios

O ESTADO DE S.PAULO: Pandemia deve moldar futuro por uma década

O GLOBO: Horizonte de esperança

Resumo das manchetes

A manchete da Folha revela que pesquisa Datafolha indica que 68% dos brasileiros afirmam que 2021 será melhor do que 2020, mas quando a pergunta é voltada não apenas para si próprios, mas para os brasileiros em geral, esse índice cai para 58%. A manchete do Correio toma toda a primeira página do jornal tratando dos planos e sonhos para quando a pandemia acabar. Já, o Estadão em sua manchete induz aos leitores que a pandemia acelerou profundas transformações nos aspectos pessoal, social e profissional, e a volta à normalidade não é mais uma possibilidade. Assim como em outros períodos de crise, a tendência é que a fase mais crítica da turbulência não passe sem deixar marcas. O Globo aposta em uma manchete otimista, que revisita acontecimentos que mexeram com o Brasil em 2020 e projeta seus desdobramentos para o ano que começa.

Destaques

Deputada argentina rebate Bolsonaro sobre aborto – A deputada argentina e militante feminista Ofelia Fernández rebateu com ironia a crítica de Bolsonaro à permissão ao aborto aprovada no país. “Muito boa a opinião que ninguém te pediu, aproveito para recomendar que não relaxe, que a força feminista latino-americana se soma no Brasil à fúria por Marielle. Sorte, que está só começando”. Nas redes sociais, Bolsonaro disse lamentar pela “vida de crianças argentinas, ceifadas com anuência do Estado” e afirmou que, por ele, o aborto jamais será aprovado no Brasil.

Influência de advogados evangélicos cresce sob Bolsonaro – Associação Nacional de Juristas Evangélicos, a Anajure começou a ser concebida em 2007, no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e saiu de vez do papel em 2012, fundada por três advogados nordestinos no segundo ano de Dilma Rousseff (PT). Mas é no governo Jair Bolsonaro (sem partido) que seu brado retumbou de vez em Brasília. Estão na gênese da entidade vários elementos que, seis anos depois, levariam à eleição presidencial de um deputado de baixo clero que começava a se alinhar ao segmento religioso que mais crescia no país, o evangélico —e com quem o presidente da Anajure, o sergipano Uziel Santana, 43, encontrou-se no fim de outubro, no Palácio do Planalto. O lançamento da associação ter sido num auditório da Câmara dos Deputados não é mera coincidência, como também não são os convidados nela. A associação, que calcula agregar 700 membros, iniciou uma trajetória que se embaralha com a ascensão evangélica na política brasileira. Dali saíram homenageados evangélicos que anos depois integrariam o pelotão bolsonarista: o senador Magno Malta (PL-ES), aliado que acabaria escanteado pelo presidente, o deputado Arolde de Oliveira (PSD-RJ), depois eleito senador em dobradinha com Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e vítima da Covid-19 em outubro, e uma pastora que trabalhava como assessora jurídica no Congresso. “Dra. Damares Alves, por sua luta incansável em favor dos indígenas em situação de risco”, diz registro da Anajure do evento.

Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão são absolvidas – O TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede em Recife) recusou uma denúncia do MPF (Ministério Público Federal) que acusava as empreiteiras Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão de improbidade administrativa no uso de verbas federais em obra de abastecimento de água do Grande Recife. A decisão da Justiça também absolveu ex-dirigentes da Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento). O MPF acusava os dirigentes da Compesa e as empreiteiras de terem cometido irregularidades na licitação e sobrepreço superior a R$ 110 milhões nas obras do Sistema Produtor de Pirapama, responsável pelo abastecimento de água de grande área da região metropolitana do Recife. O Sistema Produtor Pirapama foi citado na delação da Odebrecht. Mas a empresa sempre afirmou que não houve superfaturamento nas construções que mencionou em seu acordo com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

O entrave do ringue político – Ao longo de 2020, o presidente Jair Bolsonaro foi o personagem principal de uma tensão na política nacional ao partir para o ataque contra governadores, valendo-se até de palavrões para se referir a alguns dos seus principais desafetos. Os embates públicos, motivados, muitas vezes, por divergência de opiniões, acabaram entrando no campo da covid-19: o chefe do Executivo criticou as medidas de isolamento social, reclamou do fechamento do comércio e de áreas de recreação e lazer, atacou os gestores estaduais que se opuseram à hidroxicloroquina e, mais recentemente, passou a duvidar da efetividade de vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus. Nas últimas semanas, Bolsonaro até tentou mostrar um tom mais conciliatório com os governadores. Na cerimônia de lançamento do plano nacional de vacinação contra a covid-19, em 16 de dezembro, acenou para a união e a irmandade entre o Executivo federal e os governos estaduais, desculpando-se por eventuais “exageros” que tenha cometido. No entanto, dias depois, afirmou não se importar se o país está retardando o início da vacinação — “Eu não dou bola pra isso” — e incitou a população a cobrar providências dos governadores, caso algum dos imunizantes cause reações adversas. Essa instabilidade no comportamento de Bolsonaro é vista como um problema para este ano que começa.

Nada de prorrogar estado de calamidade – Apesar dos reiterados pedidos de governadores para que o Executivo federal prorrogue o estado de calamidade, encerrado ontem, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirma que não existe essa possibilidade. “Não sei de onde veio essa conversa. Já foi dito tantas vezes que não teria (prorrogação)”, afirmou, pontuando que tanto o decreto que instituiu o estado de calamidade quanto a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento de Guerra precisam passar pelo Congresso, que está de recesso até fevereiro. “O presidente (Bolsonaro) tem um mantra: não tem prorrogação do Orçamento de Guerra, não tem fura teto e não tem aumento da carga tributária. Esses são os limites com os quais temos de trabalhar. Não há essa possibilidade (de prorrogação), também não temos a necessidade”, enfatizou. O parlamentar ainda ressaltou que quem decide “sobre medidas de isolamento e paralisação da economia são prefeitos e governadores”.

Jorge Oliveira toma posse no TCU – Ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira tomou posse, ontem, como ministro do Tribunal de Contas da União. Indicado para a Corte, em outubro, pelo presidente Jair Bolsonaro, ele teve o nome aprovado pelo Senado. Major da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, advogado e amigo do chefe do Executivo, Oliveira assume a vaga aberta com a aposentadoria do ministro José Múcio Monteiro Filho. O substituto de Oliveira na Secretaria Geral ainda não foi divulgado. Pelas redes sociais, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, felicitou Oliveira. “Parabéns ao amigo Jorge Oliveira, nomeado hoje (ontem), pelo presidente Jair Bolsonaro, ministro do TCU. Ganha o Tribunal de Contas da União. Jorge é um excelente quadro e fará muita falta ao governo”, escreveu.

Desafios para os novos prefeitos – Em um dos momentos mais atípicos da democracia brasileira, os prefeitos dos mais de cinco mil municípios do país vão tomar posse, hoje, em cerimônias sem grandes aglomerações e, em alguns casos, de forma virtual, por causa da pandemia do novo coronavírus. Para a maioria das cidades (63%), não haverá novidades, já que os mandatários da última gestão foram reeleitos. No restante (37%), os novos gestores chegam para tentar cumprir suas promessas de campanha. Apesar de os mandatos serem novos, os desafios dos prefeitos são os mesmos de anos anteriores, com o agravante da pand emia. De acordo com especialistas, a arrecadação e a retomada da economia estão entre os maiores desafios dos Executivos locais. Nesse cenário, as capitais devem se sair melhor, já que os investimentos feitos pelo governo federal em 2020 ajudaram a turbinar os caixas dessas prefeituras. Dados do Tesouro Nacional mostram que, de janeiro a agosto do ano passado, 20 das 26 capitais receberam R$ 2,7 bilhões acima do valor de suas perdas de arrecadação com o Imposto Sobre Serviços (ISS), principal indicador da atividade econômica do município. Ao todo, a União destinou cerca de R$ 60 bilhões para os entes compensarem suas perdas de arrecadação.

Casos no TSE – Em ao menos 96 municípios do país não haverá posse de prefeitos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesses lugares, venceram a disputa candidatos que tiveram o registro indeferido pela Justiça Eleitoral. Enquanto a situação não for juridicamente definida, assumirão o cargo os presidentes das Câmaras de Vereadores. Há, ainda, casos em que a Corte não concedeu o registro para o candidato mais votado. Nessas situações, serão realizadas novas eleições. A previsão é de que isso ocorra a partir de março.

O bloco dos “sem partido” em alta para 2022 – Personagens que merecem atenção neste ano pré-eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro, o empresário e apresentador Luciano Huck e o ex-juiz Sergio Moro têm em comum o fato de não terem partido definido para o pleito de 2022. Desse trio, Bolsonaro, único candidato líquido e certo, não escolheu para onde vai, porque sabe que, quanto mais demorar, mais tempo deixará todas as legendas que o apoiam “travadas”. Ou seja, bloqueadas para potenciais adversários do projeto bolsonarista. Huck e Moro sequer decidiram se serão candidatos. A ida de Moro para os Estados Unidos, depois de seis meses fora do ministério, indica que, pelo menos em 2021, ano das “entregas” do governo, o ex-juiz estará fora do combate por aqui. Mas, isso não quer dizer que deixará de dar o ar da graça. Dia desses, por exemplo, perguntava em seu Twitter se havia presidente em Brasília e “quantas vítimas ainda teríamos que ter para que o governo abandonasse o negacionismo” em relação à pandemia. Huck passou 2020 em lives e no seu trabalho de apresentador, que o mantiveram em evidência. Porém, o fato de as urnas de 2020 terem apostado mais na experiência e nos “conhecidos” deixou os partidos meio cabreiros em relação a um nome tão fora do xadrez político. Esse humor dos eleitores será medido mês a mês. Se Bolsonaro se mantiver no patamar em que está, e melhorar avaliação este ano, vai ser difícil esses dois candidatos, sem tradição em nenhum partido, conseguirem angariar apoios e conquistarem grandes legendas.

Brexit efetivado impõe nova era para britânicos – Assim que o Brexit entrou em vigor, em 31 de janeiro de 2020, o fornecedor de uma loja de produtos italianos em Londres aumentou os preços. O molho de tomate, por exemplo, passou a ser vendido para o dono do negócio pelo dobro do valor. Como 90% dos alimentos são importados da Itália – não só os salames, os queijos e o macarrão, mas também a farinha e o fermento para a fabricação dos pães –, parte do custo foi repassado aos clientes. “Precisamos pagar o aluguel, os funcionários, as contas. O impacto do Brexit foi maior para lojas pequenas, de bairro. Os grandes supermercados têm mais poder de compra”, disse o gerente Omar De Caro ao Estadão. O italiano, que vive há 11 anos no Reino Unido, tem acompanhado de perto as transformações provocadas por esse complicado divórcio. Desde o plebiscito de junho de 2016 – quando 52% dos britânicos votaram a favor da saída da União Europeia – o Brexit dividiu o país e custou o cargo de dois primeiros-ministros: David Cameron, que convocou a votação popular, e Theresa May. O sucessor dela, Boris Johnson, assumiu prometendo resolver a questão a qualquer custo. Ontem chegou ao fim o período de transição de onze meses que serviria para definir a futura relação entre as duas partes e hoje começa uma nova era para os britânicos. Com o Reino Unido oficialmente fora do bloco, ainda há muitas perguntas sem respostas, mas algo é certo: a rotina será bem diferente. Ser integrante da União Europeia significa fazer parte de um clube seleto. Com as chamadas “quatro liberdades” – livre circulação de pessoas, mercadorias, serviços e capital – é possível viver e trabalhar, abrir uma conta corrente, ter roaming gratuito de celular em qualquer uma das nações do bloco, entre outros benefícios. Agora, britânicos só podem passar 90 dias na União Europeia em um período de seis meses sem precisar de visto, e vice-versa.

Ministro tentou evitar indicação para a ANTT – O ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) telefonou para vários senadores tentando evitar a nomeação de Arnaldo Silva Júnior, aliado do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para a diretoria da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT). Pacheco é o candidato de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para a sucessão do atual presidente da Casa. Mas o esforço do ministro não obteve sucesso. Se Freitas não aceitasse a indicação de Silva Júnior, Pacheco e Alcolumbre prometeram revidar: derrubariam nomes indicados pelo governo. Como mostrou o Estadão, o governo ignorou as restrições da Lei das Agências Reguladoras na indicação de Silva Júnior, que foi deputado estadual em Minas Gerais entre 2015 e 2019 e comanda o diretório municipal do DEM em Uberlândia (MG). A lei é clara ao proibir a indicação de políticos a cargos de diretoria de órgãos reguladores. Vem desgaste pela frente para a candidatura de Pacheco.

Coluna do Estadão

01 de janeiro de 2021 | 05h00

O ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) telefonou para vários senadores tentando evitar a nomeação de Arnaldo Silva Júnior, aliado do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para a diretoria da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT). Pacheco é o candidato de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para a sucessão do atual presidente da Casa. Mas o esforço do ministro não obteve sucesso. Se Freitas não aceitasse a indicação de Silva Júnior, Pacheco e Alcolumbre prometeram revidar: derrubariam nomes indicados pelo governo.

Foto: Alan dos Santos/Presidência da República

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