Resumo dos jornais de sexta (27/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta (27/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Na reta final, Covas tem 54%, e Boulos, 46% dos votos válidos

CORREIO BRAZILIENSE: Mercado de imóveis dribla a pandemia e cresce no DF

O ESTADO DE S.PAULO: Estado de SP estuda restringir lazer por causa de pandemia

O GLOBO: Após erro em teste, vacina comprada pelo Brasil é questionada

Valor Econômico: Mercado reage mal a corte de investimentos da Petrobras

Resumo das manchetes

A Folha dedica sua manchete a mais uma rodada de pesquisa Datafolha sobre a sucessão paulista. A manchete do Estadão revela que o governo de São Paulo deve anunciar novas medidas restritivas em algumas regiões do estado. O Correio em sua manchete mostra que o mercado imobiliário no DF cresceu, apesar da pandemia gerando vendas acima de R$ 1,5 bilhão. O Globo traz em sua manchete a suspeita que especialistas, passaram a reunir sobre alguns pontos da vacina da farmacêutica AstraZeneca, que tem parceria com Universidade de Oxford, no Reino Unido. Finalmente, a manchete do Valor versa sobre o plano anunciado pela Petrobras de produzir 2,75 milhões de barris de óleo equivalente por dia em 2021 e de 3,3 milhões em 2024, uma queda de 5,7% em relação ao estabelecido no planejamento anterior, o que provocou uma reação negativa do mercado.

Destaques de sexta-feira

Datafolha em São Paulo – Na reta final da campanha eleitoral paulistana, o prefeito Bruno Covas (PSDB) marca 54% dos votos válidos e o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, 46%, mostra o Datafolha. A corrida a ser decidida no domingo (29) é acirrada. A vantagem do tucano era de 16 pontos sobre o psolista na pesquisa dos dias 17 e 18 passados. Uma semana depois, no levantamento de terça (24) e quarta (25), caiu à metade. O quadro, contudo, é de estabilidade agora em relação ao levantamento feito segunda (23), quando o placar era 55% a 45% dos válidos.

Datafolha no Rio – O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) mantém, a quatro dias do segundo turno, a ampla vantagem na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro com 70% das intenções de votos válidos contra 30% de Marcelo Crivella (Republicanos), candidato à reeleição, aponta pesquisa Datafolha. O cenário é de estabilidade comparado ao levantamento divulgado há uma semana, quando Paes tinha 71% das intenções de votos válidos e Crivella, 29%.

Datafolha no Recife – Em um segundo turno acirrado na disputa pela Prefeitura do Recife, a deputada federal Marília Arraes (PT) e o deputado federal João Campos (PSB), seu primo, estão em empate técnico, aponta o Datafolha. Marília, neta do ex-governador Miguel Arraes, aparece com 52% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Arraes, tem 48%.

Bolsonaro diz ao STF que não vai depor – Investigado por suposta tentativa de interferência no comando da Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz que não vai depor no inquérito do caso. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (26) ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral Júnior. A palavra final sobre a realização da oitiva, no entanto, cabe ao relator da apuração, ministro Alexandre de Moraes. Na condição de investigado, o presidente pode faltar ao compromisso caso Moraes determine que a PF marque o depoimento. “O peticionante [Bolsonaro] vem, respeitosamente, à presença de V.Exa., declinar do meio de defesa que lhe foi oportunizado unicamente por meio presencial”, afirmou Levi.

Custo & benefício – Ao não prestar depoimento presencial aos procuradores no caso da denúncia de interferência na Polícia Federal, Jair Bolsonaro optou por se preservar. Afinal, um depoimento frente a frente com os investigadores poderia ter a presença de Sergio Moro, criando um palanque para um potencial adversário futuro. De quebra, o genioso presidente correria o risco de cair em alguma provocação.

Itamaraty diz em carta que reação da China a Eduardo foi ofensiva e desrespeitosa – O Itamaraty repreendeu a embaixada da China pelas críticas contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e disse, em ofício, que a resposta da missão diplomática ao parlamentar traz conteúdo “ofensivo e desrespeitoso”. “Não é apropriado aos agentes diplomáticos da República Popular da China no Brasil tratarem dos assuntos da relação Brasil-China através das redes sociais. Os canais diplomáticos estão abertos e devem ser utilizados”, disse o ministério das Relações Exteriores, em carta enviada aos representantes do governo chinês no Brasil na quarta-feira (25). Com a carta, o Itamaraty responde à manifestação dos chineses contra uma publicação de Eduardo —filho de Jair Bolsonaro (sem partido) e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara—, que associou o governo de Pequim à espionagem de dados.

Eduardo nas mãos de Maia – Apresentado o pedido para que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) seja afastado da presidência da Comissão de Relações Exteriores, conforme antecipou o Blog da Denise, no site do Correio Braziliense, agora só falta Rodrigo Maia (DEM-RJ) colocar para votar no plenário da Casa. Os autores, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Fausto Pinato (PP-SP), têm recebido inúmeros telefonemas com pedidos para subscrever o requerimento. Na hipótese de a Câmara aprovar o pedido dos deputados para que Eduardo Bolsonaro seja afastado da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, quem assume é o vice-presidente, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PSL-SP).

TCU ameaça condenar Guedes – O ministro da Economia, Paulo Guedes, corre o risco de sofrer uma condenação pelo plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) caso ignore o alerta enviado pelo órgão e deixe de enviar ao Congresso uma meta fiscal para o resultado primário de 2021. O plenário do tribunal decidiu por unanimidade, há cerca de 20 dias, comunicar ao governo que atuar com meta flexível é não ter uma meta, o que significaria cometer crime de responsabilidade. Na avaliação de técnicos do tribunal, se essa situação persistir, uma possível condenação de Guedes deverá respingar no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e abrir caminho para um processo de impeachment, como ocorreu com Dilma Rousseff (PT). A flexibilidade da meta fiscal (receitas menos despesas) foi proposta pela equipe econômica em abril, quando o governo teve de mandar o PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021 ao Congresso.

Presidente do Ibama facilitou exportação de madeira nativa – O presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, recebeu uma comitiva de empresários do setor madeireiro do Pará dias antes de ele afrouxar as normas para a exportação de madeira nativa. A reunião aconteceu na sede do Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, no dia 6 de fevereiro. Dezenove dias depois, Bim atendeu a um pedido das madeireiras e assinou um despacho liberando a exportação de madeira nativa sem autorização do órgão. Entre as madeireiras recebidas por Eduardo Bim estão duas empresas que, juntas, somam mais de R$ 2,6 milhões em multas. Procurado, o Ibama confirmou a participação de Eduardo Bim na reunião e que o motivo dela foi a “revogação parcial da IN 15/2011”. Questionados, tanto o Ibama quanto o MMA negaram que Ricardo Salles tenha pedido a Eduardo Bim que ele mudasse as regras de exportação madeira. “O Ministro nunca fez nenhum pedido ou sugestão de alteração de regras pelo IBAMA”, disse o MMA em nota.

‘Votem em quem quiserem’, diz Bolsonaro – O presidente Jair Bolsonaro disse na noite desta quinta-feira, 26, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais, que não vai tomar lado no segundo turno das eleições em São Paulo. “Não vou dar dica aqui. Tô fora dessa”. Quando comentou sobre as eleições no Rio de Janeiro, o líder do Planalto tampouco pediu votos para o prefeito e candidato à reeleição Marcelo Crivella (Republicanos), apoiado pelo presidente no primeiro turno. “Votem em quem quiserem”, disse Bolsonaro, que tem boa relação com o adversário de Crivella na disputa, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). Paes lidera com folga a corrida eleitoral no Rio de Janeiro, segundo pesquisas de intenção de voto. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o presidente falhou como cabo eleitoral nessas eleições. Ao lado do ministro da Educação, Milton Ribeiro, e do secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, Bolsonaro lembrou que seu candidato na capital paulista, Celso Russomanno (Republicanos), foi derrotado em primeiro turno, e teceu comentários em tom de crítica sobre os rivais desta segunda etapa, o prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), e Guilherme Boulos (PSOL). “O Covas declarou que não votou em mim no segundo turno. Então votou no PT, no Haddad. O outro cara, do PSOL, é conhecido.” Covas, na verdade, já disse publicamente que anulou seu voto nas eleições presidenciais de 2018.

Supremo deve abrir caminho para reeleição – O Supremo Tribunal Federal (STF) deve deixar nas mãos do Congresso Nacional a decisão sobre a possibilidade de Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) se candidatarem à reeleição das presidências do Senado e da Câmara. Isso abriria o caminho para que ambos permaneçam nos cargos por mais dois anos. Os ministros vão julgar a partir do dia 4 de dezembro um processo que questiona se a Constituição Federal permite a reeleição dos presidentes das Casas em uma mesma legislatura, isto é, no período de quatro anos entre uma eleição e outra. O julgamento será em plenário virtual, um sistema que funciona sem a necessidade do encontros dos ministros, com a postagem dos votos ao longo de uma semana. O mais provável é que os ministros declarem que essa é uma questão “interna corporis”. Em linguagem jurídica, significa dizer que cabe exclusivamente ao Congresso Nacional definir as regras das eleições da Mesa Diretora.

Autoridades reguladoras sabiam de erros no teste de vacina – A multinacional farmacêutica AstraZeneca afirmou em comunicado na tarde desta quinta-feira (26) que as autoridades reguladoras sabiam do problema de dosagem ocorrido no teste da vacina contra Covid-19 que a empresa desenvolveu em parceria com a Universidade de Oxford. Segundo a nota, o erro, que consistiu na administração de meia dose para uma parte dos voluntários do ensaio clínico, não foi mantido em segredo, e a solução apresentada para contornar o problema constatado foi acatada. “Essa constatação foi apresentada pelo time de estudo da Universidade de Oxford e revisada pelo Comitê Independente de Monitoramento de Segurança e Dados e pela agência reguladora do Reino Unido (MHRA), ambos os quais aprovaram a continuação deste regime de dosagem do ponto de vista clínico e científico”, afirmou a empresa no comunicado. A empresa não mencionou especificamente se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o órgão de regulação no Brasil, sabia do ocorrido, mas diz que “todas as demais autoridades regulatórias foram informadas de que continuaríamos a monitorar” os indivíduos que receberam a meia dosagem. Procurada pelo GLOBO, a Anvisa informou que a AstraZeneca repassou à agência apenas dados pré-clínicos por meio do processo de submissão contínua, adotado pelo órgão para acelerar o processo de análise e registro de vacinas contra a Covid-19. Em nota, a assessoria disse que as informações técnicas se referem às fases anteriores aos ensaios com seres humanos. A assessoria esclareceu, ainda, que a farmacêutica britânica não formalizou qualquer pedido para o uso emergencial da fórmula testada no país, ainda.

Saúde tem R$ 3,4 bilhões ‘parados’ desde maio – O Ministério da Saúde não usou R$ 3,4 bilhões liberados na forma de crédito extraordinário em maio deste ano para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. Passados seis meses da aprovação do recurso extra, a pasta nem sequer empenhou (reservou o montante para desembolso posterior) os valores. As cifras “paradas” no orçamento do Ministério da Saúde estão contidas em duas Medidas Provisórias (MPs) de crédito emergencial editadas pelo governo e aprovadas posteriormente no Congresso. Já no caso de outros R$ 74,7 milhões, o recurso simplesmente não pode mais ser usado, porque três MPs perderam a validade sem que a pasta tenha empenhado todos os valores previstos nelas. Os dados são inéditos e foram levantados pela Comissão de Financiamento e Orçamento (Cofin) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão ligado ao Ministério da Saúde, com informações oficiais até 24 de novembro. Para Getulio Vargas, conselheiro do CNS e membro da Cofin, o levantamento aponta a falta de planejamento do governo.

Parceria com a China reforçada – O vice-presidente Hamilton Mourão ignorou o mal-estar provocado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que acusou os chineses de fazerem espionagem por meio da tecnologia 5G, e disse, ontem, que a parceria entre Brasil e China oferece “bases sólidas para expandir e diversificar” as relações econômicas entre os dois países. Em evento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), ontem, ele destacou que o governo de Pequim é o maior parceiro comercial do país, quadro que não foi afetado pela pandemia da covid-19. “O governo chinês identifica com clareza a nova dinâmica da economia mundial que alia crescimento econômico e sustentabilidade”, afirmou Mourão. Em sua fala, ele ressaltou a “complementaridade” das duas economias. Segundo ele, as relações entre os dois países se baseiam em oportunidade e estratégia. “Novas estratégias chinesas de economia circular e sustentabilidade representam oportunidade para ampliarmos nossas relações econômicas”, disse. Mas, na chegada à Vice-Presidência, de manhã, ele amenizou as declarações do filho do presidente da República, Jair Bolsonaro. Eduardo apagou a publicação em suas redes sociais com as acusações. A embaixada da China reagiu e afirmou, em nota, que as declarações do deputado “além de desrespeitarem os fatos da cooperação sino-brasileira e do mútuo benefício que ela propicia, solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”. Sobre o assunto, Mourão disse que a posição do filho do presidente se trata apenas de uma “declaração” e que a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, presidida por Eduardo no ano passado, não faz parte do governo.
Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores saiu em defesa de Eduardo Bolsonaro ao considerar “ofensiva” a nota emitida pela Embaixada chinesa no Brasil, em reação ao tuíte do deputado.

Fachin: Há racismo no Brasil – O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou, ontem, para que o crime de injúria racial seja imprescritível. Na visão dele, a injúria em razão de raça deve ser equiparada ao racismo e punida a qualquer tempo. O magistrado enfatizou que existe racismo no Brasil. A Corte analisa o caso de uma idosa que ofendeu um frentista de posto de gasolina, em 2013, com declarações racistas. A defesa da acusada afirma que o crime já prescreveu e que, portanto, a cliente não pode ser punida. O julgamento foi interrompido em razão do horário e deve ser retomado na próxima semana. Na última semana, o vice-presidente Hamilton Mourão declarou que “não existe racismo no Brasil”. Ele comparou a situação do país com crimes raciais que ocorrem nos Estados Unidos. O presidente Jair Bolsonaro também negou a existência do problema, ao dizer que se tenta “importar” fatos “alheios à nossa história”. Presidente e vice comentavam o caso de João Alberto Freitas, homem negro morto por dois seguranças brancos numa unidade do Carrefour, em Porto Alegre, na semana passada. Fachin ressaltou que o racismo é um problema estrutural e grave da sociedade brasileira. “Há racismo no Brasil. É uma chaga infame, que marca a interface entre o ontem e o amanhã”, disse o magistrado. Ele é o relator da ação, e o primeiro a votar no caso.

Homofobia: sem acordo – O ministro da Educação, Milton Ribeiro, rejeitou o acordo oferecido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que poderia livrá-lo da abertura de inquérito por homofobia no Supremo Tribunal Federal (STF). Para isso, ele teria de admitir que cometeu crime ao dizer, em entrevista ao Estadão, em setembro, que o “homossexualismo (sic)” é “fruto de famílias desajustadas”. A declaração levou a PGR a pedir a abertura de uma investigação na Corte. Em manifestação enviada ao STF, ontem, Ribeiro comunicou oficialmente que recusa a proposta de acordo e pede o arquivamento do caso. O ministro também reiterou “o seu mais firme pedido de desculpas, já formulado publicamente, a toda e qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida pelas palavras proferidas”. A admissão de que o ministro cometeu crime de ato preconceituoso contra homossexuais poderia ser interpretada como um sinal contraditório do próprio governo Bolsonaro, que tenta no STF justamente “relativizar” o conceito de homofobia.

Substituto do Bolsa Família só em 2021 – O programa de transferência de renda que o governo quer bancar como substituto do Bolsa Família pode não ser aprovado neste ano. A afirmação é do líder do governo no Senado, Eduardo Gomes (MDB-TO), ontem. Segundo ele, como não há “ambiente político já definido” sobre qual é a melhor estratégia para financiar a iniciativa, o Executivo quer ampliar as discussões para entrar em consenso com o Congresso Nacional. Dessa forma, Gomes comentou que o Renda Brasil ou Renda Cidadã terá de aguardar, pelo menos, até janeiro. De acordo com o senador, existe a possibilidade de a medida ser apresentada ao Parlamento fora do texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que trata da regulamentação dos gatilhos que devem ser acionados no caso de descumprimento do teto de gastos.

Supremo dá o tom mais uma vez – A bola desta reta final de 2020 está nos pés do Supremo Tribunal Federal, que decide desde datas de realização de concursos para adventistas do Sétimo Dia até a questão das vacinas, passando ainda pela preservação de restingas e manguezais e, de quebra, a eleição para os comandos da Câmara e do Senado. Isso mostra que o novo presidente do STF, Luiz Fux, não conseguiu colocar em prática o que pregou em sua posse — evitar a judicialização — e nem conseguirá no futuro. O único tema que caminha para que o STF abra mão de meter a sua colher é o da candidatura à reeleição nas duas Casas do Congresso. Como não há candidaturas oficiais, a tendência na Suprema Corte, hoje, é considerar o tema “interna corporis”, ou seja, de decisão pelo próprio Parlamento. Vale lembrar que, em seu discurso de posse, Fux afirmou que “alguns grupos de poder não desejam arcar com as consequências de suas próprias decisões e acabam por permitir a transferência voluntária e prematura de conflitos de natureza política para o Poder Judiciário”, temas que, na avaliação do presidente do STF, deveriam ser debatidos em outras áreas. Ele alertou que isso leva o STF a um “protagonismo deletério, corroendo a credibilidade dos tribunais quando decidem questões permeadas por desacordos morais que deveriam ter sido decididos no Parlamento”. Em tempo: antes da Lava-Jato e do mensalão, dizia-se, em Brasília, que tudo acabava “em pizza”. Agora, tudo acaba “em Supremo”.

Muito além do Amapá – O governo federal teme que o apagão prolongado no Amapá fique pequeno perto de outros problemas energéticos que está tentando evitar. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) deve retomar, nas próximas semanas, um julgamento que pode determinar à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) o pagamento de R$ 600 milhões a uma empresa do Rio Grande do Norte que se diz prejudicada pelo atraso na entrega de uma linha de transmissão. A Advocacia-Geral da União (AGU) tem procurado os desembargadores para explicar que o valor é exorbitante, o dobro da concessão que a Chesf ganhou (de R$ 300 milhões em 30 anos) e que a despesa, se efetivada, fará com que toda a região Nordeste corra o risco de sofrer com apagão. A defesa da distribuidora alega que a outra empresa concordou, por escrito, com o atraso da obra e que não sofreu o prejuízo alegado.

Os US$ 4 bilhões que travaram na Esplanada – O governo Jair Bolsonaro está deixando parado um financiamento internacional de US$ 4 bilhões, com taxas de juros mais baixas e prazos mais longos do que as captações feitas pelo Tesouro no mercado, para arcar com o pagamento do auxílio emergencial e ações de combate à crise econômica provocada pela pandemia. A tomada do crédito, que foi anunciada em maio, travou na burocracia da Esplanada dos Ministérios. Enquanto isso, o Brasil abre mão de um alívio de algumas centenas de milhões de reais na gestão de sua dívida pública porque é obrigado a pagar mais caro para credores privados que têm financiado o gigantesco déficit primário no nosso “Orçamento de guerra”. Seis bancos multilaterais e agências de desenvolvimento se dispuseram a emprestar para o Brasil. Todos já aprovaram, em suas instâncias decisórias, a liberação do crédito. As fontes de financiamento são as seguintes: US$ 1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), US$ 1 bilhão do Banco Mundial, US$ 1 bilhão do NDB (conhecido como Banco do Brics), US$ 420 milhões do banco de fomento alemão KfW, US$ 350 milhões do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e US$ 240 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento. No entanto, de forma atípica, nenhuma mensagem foi enviada ao Senado até agora pedindo autorização para essas operações.

Bolsonaro grava vídeos de apoio em três cidades – O presidente Jair Bolsonaro vem seguindo o conselho de auxiliares mais próximos para se manter discreto e não apoiar candidatos no segundo turno da eleição municipal nas principais cidades do país. Mas abriu exceções e, a pedido de aliados, gravou vídeos para candidatos em ao menos três municípios: Rio Branco (AC), Anápolis (GO) e São Gonçalo (RJ).

Tucanos atentos à abstenção na pandemia – As circunstâncias atípicas destas eleições em tempos de pandemia levaram as campanhas a produzirem cálculos complexos sobre o impacto da abstenção e dos votos nulos e brancos no resultado final. A conclusão é de que esse contingente pode fazer a diferença. Em São Paulo, mesmo estando em vantagem nas pesquisas, Bruno Covas (PSDB) tem dedicado atenção ao tema: entende ser esse o principal fator de instabilidade hoje. Por ora, a avaliação dos tucanos é de que não há uma onda a favor de Guilherme Boulos (PSOL), no máximo, uma “ondinha”. Claro, os tucanos avaliam que a campanha está aberta, mas, com base nas pesquisas, acham que Covas atingiu uma consistência eleitoral. Se ele não derrapar no debate de hoje na TV Globo, o foco da reta final será levar o eleitor do prefeito às urnas, especialmente a “terceira idade”, temerosa com a covid-19. Até aqui, há excesso de cuidados da campanha de Covas em criticar Boulos: deixou o candidato do PSOL desempenhar sem contraponto o papel de “opção paz e amor”. Enquanto isso, Boulos foi eficiente em criticar Covas. Por isso, a campanha dele continuará apostando pesado nas redes sociais e nos jovens. De acordo com Manoel Fernandes, da Bites Consultoria, Covas negligenciou a importância das redes sociais e agora não tem volume suficiente para se contrapor à ofensiva de seu adversário, especialmente quando o assunto é o vice Ricardo Nunes. Nos últimos sete dias, Covas investiu R$ 78 mil em impulsionamentos de conteúdo no Facebook e no Instagram. A campanha tucana também pagou por um anúncio no Google, que aparece como resultado quando o nome de Nunes é buscado. O link pago, no entanto, tinha sido pouco compartilhado até ontem. A campanha de Covas obteve importante vitória. A Justiça entendeu que Boulos “faltou com a verdade” em sua campanha ao usar imagens do transporte público da capital paulista feita antes da atual administração.
Outubro tem recorde de criação de empregos – A economia brasileira gerou 394.989 empregos com carteira assinada em outubro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério da Economia. Foi o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1992. Até então, o melhor valor para esse período havia sido registrado em 2009 – quando foram abertos 230.956 empregos formais. Apesar disso, mesmo com o crescimento dos empregos formais nos últimos meses, ainda não houve recuperação de todas as perdas registradas entre março e maio deste ano, no auge da pandemia de covid-19 – quando foram perdidos 1,594 milhão de empregos. Até outubro, o saldo ainda está negativo em 171.139. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o País pode terminar o ano com perda zero de empregos com carteira assinada. Mas ele não deu projeções para os próximos meses para sustentar sua estimativa. Historicamente, dezembro registra fechamento de vagas.

Aprovação do presidente cai no período eleitoral – O Estadão comparou a avaliação do governo em 24 capitais, em levantamentos feitos desde outubro. O porcentual dos que consideram a administração de Bolsonaro ótima/boa variou negativamente em 19 cidades. Em sete a oscilação aparece dentro da margem de erro. Em outras 12, o resultado aponta um desgaste na imagem do governo. A maior queda de popularidade do presidente ocorreu em João Pessoa, onde a queda foi de 13 pontos, indo de 43% para 30%. Já o porcentual de pessoas que avaliam o governo como ruim/péssimo cresceu de 33% para 43% no mesmo período. A margem de erro das pesquisas é de quatro pontos.
Em Manaus, a aprovação de Bolsonaro caiu de 54% para 42%, enquanto a rejeição passou de 26% para 32% durante o período eleitoral. O porcentual de eleitores que consideram a gestão de Bolsonaro ótima/boa teve queda também em Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Goiânia, Porto Velho, Rio Branco, São Luís, São Paulo e Vitória – todas em valores mais altos do que a margem de erro das pesquisas. O número de entrevistados que consideram o governo ruim ou péssimo cresceu em nove dessas cidades, e, também em Teresina. Não houve variação na avaliação positiva do governo em Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro. Entre essas cidades, a única que apresenta dois candidatos de oposição ao governo é a capital pernambucana, com João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). Apenas duas capitais ficaram de fora do levantamento do Estadão. Em Macapá, que teve o primeiro turno adiado em razão da crise de energia elétrica, a pesquisa mais recente do Ibope é do dia 10. Em Aracaju, o instituto não perguntou sobre a avaliação de Bolsonaro no início da campanha.

Maia e siglas maiores resistem a volta das coligações – Após as eleições municipais, partidos de pequeno e médio porte ensaiam um movimento no Congresso para tentar promover o retorno das coligações proporcionais a partir de 2022 — a principal novidade das eleições deste ano, a nova regra diminuiu, em média, a fragmentação partidária no legislativo municipal. A iniciativa, no entanto, atende à resistência de partidos maiores e à oposição declarada do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. As siglas menores temem que a proibição das coligações dificulte o alcance da cláusula de barreira, dispositivo legal destinado a tentar reduzir a expansão partidária no país. A expectativa, segundo parlamentares a favor da nova mudança, é que o tema seja formalmente abordado a partir de março do próximo ano, uma vez que as mudanças nas regras eleitorais devem ocorrer até um ano antes da eleição. A ideia conta com o apoio do Podemos, Patriota, Solidariedade, Rede, PSL e Grandes Legendas do Centrão, como o PP.

948 cidades não elegeram mulheres – Proposta de emenda à Constituição que reserva até 16% dos assentos para mulheres em todas as instâncias do poder legislativo deve ser votada em breve pela Câmara dos Deputados. Embora o percentual já seja realidade nas Capitais, é relevante para a representatividade no interior do país. A Câmara dos Deputados deve votar em breve uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que reserva até 16% dos assentos para mulheres em todas as instâncias do poder legislativo — municipal, estadual e federal. Levando-se em conta os resultados mais recentes das Capitais, o número mínimo já é cumprido na maioria deles, mas a estipulação de um piso terá um papel relevante no aumento da representatividade nas câmaras de vereadores do interior do país — um parlamento exclusivamente masculino foi formado em 948 municípios, 17% do total no país. Há cidades nessa situação nos 26 estados brasileiros. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comprometeu-se com a bancada feminina a colocar a proposta em pauta antes do fim de seu mandato, em fevereiro do próximo ano. Ele confirmou o compromisso com o Globo.

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