Resumo dos jornais de sexta (26/06/2020) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta (26/06/2020)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Aprovação de Bolsonaro segue estável após prisão de Queiroz

CORREIO BRAZILIENSE: Decotelli assume MEC com missão de reabrir diálogo

O ESTADO DE S.PAULO: Bolsonaro atende ala militar e escolhe moderado para o MEC

Valor Econômico: MP facilita concessão de PLR e livra empresas de multas

O GLOBO: Decisão do TJ coloca em risco investigação sobre Flávio Bolsonaro

Destaques do dia

Pesquisa Datafolha – A popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue estável na semana seguinte à prisão do ex-assessor de sua família Fabrício Queiroz. Segundo pesquisa do Datafolha, Bolsonaro manteve sua aprovação em 32%, o mesmo índice do fim de maio (33%). A rejeição ao governo é de 44%, ante 43% da rodada anterior, enquanto os que avaliam Bolsonaro como regular estacionaram nos 23% (eram 22%). O Datafolha ouviu 2.016 pessoas por telefone nos dias 23 e 24 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A estabilidade contrasta com a tensão política decorrente da prisão de Queiroz, amigo de Bolsonaro desde 1984 e ex-assessor de seu filho Flávio, hoje senador. Investigado no esquema das “rachadinhas” quando era deputado estadual no Rio, Queiroz é o elo entre o clã presidencial e figuras do submundo miliciano no Rio. O caso, contudo, tem grande potencial destrutivo. A aprovação de Bolsonaro cai para 15% entre aqueles que acham que o presidente sabia onde Queiroz se escondia até ser preso no dia 18 – estes são 64% dos que tiveram conhecimento da prisão. Três quartos dos ouvidos afirmaram ter ciência do caso, 29% detalhadamente, 35% mais ou menos e 11% mal.

Pego de surpresa – Ao anunciar o nome do professor Carlos Alberto Decotelli, 69 anos, para ministro da Educação, o presidente Jair Bolsonaro fez questão de destacar: “Bacharel em ciências econômicas pela UERJ, mestre pela FGV, doutor pela Universidade de Rosário, na Argentina, e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha”, disse. Economista de formação e ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a escolha dele – que não estava entre os favoritos para o cargo – foi recebida com surpresa até pelo próprio Decotelli. Dentro do governo, a nomeação representa uma derrota da ala ideológica e uma vitória do grupo militar mais moderado. Conservador, de perfil técnico, o novo titular do MEC promete diálogo para pacificar as relações com o Congresso, estados, municípios e, sobretudo, com o mundo acadêmico e entidades representativas da educação.

Volta ao MEC – Economista especializado em gestão, Carlos Alberto Decotelli foi anunciado ontem como novo ministro da Educação. Decotelli, ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, é visto como profissional pragmático e distante do pensamento ideológico que dominou o MEC desde o início do governo Bolsonaro. Sua nomeação, antecipada pelo Estadão, significa derrota da ala olavista e vitória do grupo moderado militar. “Não tenho competência para fazer adequação ideológica”, disse o sucessor de Abraham Weintraub. “Respeito a opinião de todos, mas tenho urgência de resolver questões que a covid desorganizou e precisamos resolver. Mas a ideia, claro, é fazer uma gestão que seja compatível com a realidade de cada um poder opinar”, afirmou. Ex-professor e oficial da reserva da Marinha, Decotelli, de 67 anos, é o primeiro ministro negro da atual gestão. Especialistas em educação acreditam que ele pode retomar a interlocução com Estados e municípios.

Sem multa – Ao aprovar a Medida Provisória 936, que autorizou a redução de jornada de trabalho e salário durante a pandemia, o Congresso incluiu dispositivos que facilitam a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados das empresas (PLR). Uma das novidades permite que os acordos de PLR possam ser firmados no mesmo ano de pagamento do benefício, e não um ano antes, como exigiam a regra anterior e a Receita Federal. O Congresso estabeleceu que a MP terá efeito retroativo. Isto significa que perderão validade autuações bilionárias aplicadas pela Receita a empresas e bancos. A lei diz que participações até R$ 6,6 mil são isentas do pagamento de Imposto de Renda (IR). Acima dessa quantia, é cobrado o IR, mas apenas esse tributo.

Investigação em risco – O Tribunal de Justiça do Rio decidiu ontem retirar do juiz Flávio Itabaiana a investigação sobre as chamadas rachadinhas do gabinete de Flávio Bolsonaro quando este era deputado estadual, colocando em risco as decisões já tomadas pelo magistrado no caso. Foi ele quem decretou a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz e determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador e de outras 103 pessoas e empresas. A decisão vai na contramão do Supremo Tribunal Federal, que enviou para a primeira instância casos semelhantes

Dedo de Guedes – O nome de Decotelli foi indicado pela cúpula militar, em uma sugestão dos almirantes do governo. Ele também contou com o apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, com quem atuou no passado no IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais).

Bolsonaro diz que auxílio emergencial deve ter mais três parcelas – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (25) que haverá prorrogação do auxílio emergencial de R$ 600 por mais três meses. O benefício, segundo ele, será reduzido gradualmente, e deve ter parcelas de R$ 500, R$ 400 e R$ 300. Depois, o pagamento da assistência a trabalhadores informais seria encerrado. O auxílio foi aprovado pelo Congresso com duração de três meses. O objetivo era trazer alívio financeiro às parcelas mais vulneráveis da população.

Novo Bolsa Família terá prioridade em programa de emprego – A reformulação do Bolsa Família, que passará a se chamar Renda Brasil, vai prever uma porta de saída do programa assistencial. O novo benefício formulado pelo governo será acoplado ao programa de emprego desonerado em elaboração no Ministério da Economia. Pela proposta, haverá uma “rampa de acesso” do Renda Brasil até o mercado formal de trabalho. Beneficiários da assistência estarão automaticamente habilitados a entrar no programa de emprego, informaram à Folha fontes que participam das discussões no governo. No plano da equipe econômica, o Renda Brasil será mais robusto do que o Bolsa Família. A ampliação do número de beneficiários ou do valor do benefício, no entanto, vai depender da disposição do Legislativo em revisar ou extinguir programas sociais existentes hoje e considerados ineficientes. Entre os alvos do ministro Paulo Guedes (Economia), estão abono salarial, seguro-defeso (pago a pescadores), programa farmácia popular e desonerações da cesta básica. Segundo participantes da elaboração, quanto maior a economia com a revisão dessas ações, maior será o Renda Brasil.

Inédito, governo Bolsonaro faz cinco gestos de paz – O governo Bolsonaro fez, em um só dia, ao menos cinco gestos de paz, algo inédito neste um ano e meio. Foram três atos do presidente: discurso conciliador ao lado de Dias Toffoli, escolha na Educação fora da ala ideológica e homenagem a vítimas de Covid, ao som de Ave Maria. Fábio Faria (Comunicações) anunciou diálogo com a imprensa e o general Ramos (Secretaria de Governo), sua ida à reserva do Exército, rompendo vínculo que incomodava os demais poderes. Nesta sexta (26), o ministro da Justiça, André Mendonça, vai apresentar à imprensa resultados de operações e apreensões de bens do tráfico de drogas e, para isso, chamou secretários estaduais, o que está sendo tratado como uma novidade. Sob Sergio Moro, também com o incentivo de Bolsonaro, o governo federal era acusado de usar resultados obtidos nos estados para se gabar de redução de índices de criminalidade. O evento marcará também a primeira aparição pública do novo diretor-geral da Polícia Federal. Com menos de dois meses no cargo, Rolando de Souza está em férias, mas o ministério confirmou sua participação.

PF bate recorde de autorizações de posse de armas – A Polícia Federal concedeu neste ano a maior quantidade da história de autorizações de posse de arma para o período de janeiro a maio. Foram 58.997 novas permissões, quase o triplo do ano anterior (19.162). Do total, 36.076 foram para pessoas físicas. Segundo decreto, o armamento deve permanecer guardado no imóvel do dono. O armamento da população coincide com as medidas de flexibilização e incentivo do governo Bolsonaro. Na reunião ministerial que se tornou pública, o presidente falou que queria armar a população. “Eu quero todo mundo armado. Que povo armado jamais será escravizado.”

Foro especial para Flávio Bolsonaro contraria decisões do STF – A decisão da 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ de conceder foro especial para Flávio Bolsonaro contraria determinações do Supremo, avaliam ministros da corte. Casos do ex-presidente Michel Temer foram usados como exemplo para ilustrar a contradição. As investigações do emedebista foram enviadas para a primeira instância –na época dos fatos, ele estava deputado, depois vice, depois presidente, mas agora ele não tem mandato e, por isso, não tem foro. Ministros dizem que a expectativa é que a decisão desta quinta (25) seja revertida, no STJ ou no próprio Supremo.

Checagem – Três vídeos com alto compartilhamento no WhatsApp dizem que o uso de máscara contra a Covid-19 diminui a imunidade e aumenta a chance de infecção –o que contraria as orientações médicas. As fake news circularam em 114 dos 465 grupos monitorados pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV entre 21 e 24 de junho.

TJ-RJ concede foro a Flávio’, mas mantém decisões anteriores – A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aceitou pedido de habeas corpus do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e concedeu a ele foro especial. Assim, o processo que investiga a prática de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio sairá das mãos do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, e irá para o Orgão Especial do TJ, colegiado formados por 25 desembargadores. Os desembargadores Paulo Rangel e Monica Tolledo votaram por aceitar o pedido de Flávio. A desembargadora Suimei Cavalieri se posicionou pela manutenção do processo na primeira instância. A 3ª Câmara Criminal decidiu, ainda, que as medidas autorizadas pela 27ª Vara continuam a valer com a transferência do processo para o Órgão Especial. Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro informou que insistirá junto ao Órgão Especial pela anulação de todas as decisões e provas obtidas desde o início das investigações.

Senado adia votação do projeto de lei sobre fake news – O Senado adiou nesta quinta-feira (25) a apreciação do texto-base do projeto de lei das fake news. O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), depois que um grupo de parlamentares pediu mais tempo para analisar o relatório elaborado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA). Ao todo, 16 requerimentos foram protocolados pelos parlamentares pedindo o adiamento da votação. Com isso, marcou-se nova tentativa de votação para a terça-feira (30) da semana que vem. “Com a consciência do que é certo, quero recepcionar o apelo de todos os senadores. Saio convencido que estamos no caminho certo”, disse Alcolumbre. A votação, que já não era consenso, acabou prejudicada pelo fato de o relator da matéria ter encaminhado seu parecer poucos minutos antes do começo da sessão. Devido ao tema suscitar discussões acaloradas, Alcolumbre permitiu que 10 senadores pudessem se manifestar a favor e outros 10 contrários à matéria. Foram mais de duas horas de debate virtual entre os parlamentares.

Maia defende adiamento das eleições – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta quinta-feira (25) o adiamento das eleições municipais e criticou o que viu como incoerência de prefeitos que defendem a manutenção da data, mas reivindicam verbas para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Maia tenta costurar um acordo para votar já na semana que vem a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que adia as eleições de outubro para novembro. Para isso, pretende conversar com líderes de partidos que estão rachados sobre o adiamento da data. A divisão nas bancadas é fruto de uma pressão de prefeitos e vereadores que buscam a reeleição. Caso o calendário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) seja mantido, os adversários teriam menos tempo para fazer campanha junto aos eleitores, o que, em tese, beneficiaria os atuais ocupantes dos cargos.

Homem incendeia ônibus em frente ao Palácio do Planalto – Um ônibus de transporte público de Brasília pegou fogo no fim da tarde desta quinta-feira (25) em frente ao Palácio do Planalto. Segundo a cobradora do veículo, Deusilde Santana, um homem entrou no ônibus na rodoviária do Plano Piloto, 2,7 quilômetros antes da sede do Executivo, pela porta traseira, com uma muleta e uma mochila. Pouco antes de chegar à Praça dos Três Poderes, o veículo começou a pegar fogo, com cerca de dez ocupantes em seu interior. Alguns metros depois, já diante do Planalto, o ônibus parou e todos saíram. De acordo com a cobradora, um homem ateou fogo ao veículo e gritava “fora Bolsonaro”. Uma viatura da Polícia Militar que estava parada na Praça dos Três Poderes foi ao local e prendeu o homem, que não foi identificado e foi levado à 5ª Delegacia de Polícia. Dentro do carro da polícia, ele continuou gritando contra o presidente Jair Bolsonaro, que havia deixado o Planalto cerca de uma hora antes.

Redução de custos – O novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, deve contratar uma consultoria de gestão que formule um plano de redução dos custos tanto com o quadro de pessoal como com o aluguel de imóveis da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Em conversas reservadas, que foram relatadas à Folha por auxiliares presidenciais, o ministro avalia que dificilmente a empresa terá condições de ser privatizada no curto prazo. A opinião dele é compartilhada pela cúpula militar, para a qual a estatal é fundamental na estratégia de comunicação do governo. A EBC tem hoje mais de 1.800 funcionários e, no ano passado, teve uma despesa total de R$ 549 milhões, o que representou um déficit de R$ 87 milhões em relação às suas receitas próprias. Só com a folha de pagamento e encargos trabalhistas, o gasto foi de R$ 326 milhões. Em maio, a empresa estatal foi incluída para estudos técnicos no programa de privatizações de empresas públicas. E, neste mês, o presidente Jair Bolsonaro disse que o novo ministro colocaria a EBC para funcionar e afirmou que ela será vendida para a iniciativa privada assim que for possível.

Ex-ministro de Lula é alvo de pedido de prisão – O ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau foi apontado pelo Ministério Público Federal como integrante do núcleo político de uma organização que fraudou contratos da Eletronuclear, estatal responsável pela operação das usinas nucleares brasileiras. O juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, chegou a emitir mandado de prisão contra ele e outros 11 alvos da operação Fiat Lux, deflagrada pela Polícia Federal no início da manhã desta quinta (25), mas a decisão foi revogada em segunda instância no fim da tarde. Rondeau foi indicado pelo PMDB a cargos de comando no setor elétrico brasileiro durante o primeiro mandato do governo Lula (PT). Não foi encontrado pela Polícia Federal durante o dia e era considerado foragido até a revogação da prisão. Além de Rondeau, Bretas determinou a prisão temporária do ex-deputado Aníbal Gomes (DEM-CE) e Ana Cristina da Silva Toniolo, filha do ex-presidente da Eletronuclear Othon Pinheiro.

Senado aprova MP que recria sorteios na TV – O Senado aprovou nesta quinta-feira (25) a medida provisória que autoriza a recriação de sorteio e concursos na TV aberta. A medida beneficia emissoras aliadas do governo. A proposta foi aprovada no plenário virtual com 76 votos favoráveis e quatro contrários. O texto será encaminhado para sanção do presidente da República Jair Bolsonaro. Por se tratar de uma MP, a permissão para concursos na TV tem efeito imediato e está em vigor desde o dia 3 de março, quando foi assinada por Bolsonaro. Os sorteios de prêmios na televisão estavam proibidos desde o final dos anos 1990. A iniciativa era considerada nociva aos consumidores e recebeu críticas de alguns senadores.

Portugal impõe mais restrições em Lisboa – A onda de novos casos de coronavírus fez Portugal apertar o cerco das medidas de contenção e restringir a circulação de pessoas em Lisboa. A partir da próxima segunda-feira (29), moradores de 19 regiões da capital portuguesa terão que voltar ao confinamento, com permissão para sair de casa apenas para trabalhar e comprar bens essenciais, como alimentos e remédios. “A única maneira eficaz de controlar a pandemia é ficar em casa sempre que possível, manter distância física o tempo todo e sempre manter os padrões de proteção e higiene”, disse o primeiro-ministro português, António Costa, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (25). No início desta semana, Portugal já havia reduzido o horário de funcionamento de lojas, cafés e bares na capital. O limite para reuniões públicas, que era de 20 pessoas, caiu para 10, na última segunda-feira (22) e, com as novas regras, cairá para 5 até, pelo menos, 12 de julho. Até esta quinta (25), o país registrou mais de 40 mil casos e 1.549 mortes por coronavírus, de acordo com a universidade americana Johns Hopkins.

Apesar do STF, Guedes insiste em cortar salário de servidor – A equipe econômica considera inevitável a discussão sobre o corte de salário de servidores mesmo após a decisão do STF que impediu as reduções. A ideia é persistir no tema por meio de uma PEC (proposta de emenda à Constituição), mas a estratégia deve encontrar resistência no Congresso. A preocupação mencionada por interlocutores do ministro Paulo Guedes (Economia) é principalmente com a situação financeira de estados e municípios. O cenário das contas dos entes, considerado delicado, deve se agravar com os efeitos da pandemia e a perda de receitas.

Desembargador revoga prisões de ação da PF – O desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), revogou, no começo da noite de ontem, as prisões temporárias do ex-ministro Minas e Energia Silas Rondeau, que atuou no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2005-2007), e do ex-deputado Anibal Gomes, e de mais 10 pessoas, conforme determinara o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Eles eram alvo da Operação Fiat Lux, novo desdobramento da Lava-Jato no Rio, contra supostos responsáveis por contratos fraudulentos e pagamento de propina na Eletronuclear. Os agentes da Polícia Federal também foram às ruas para cumprir 17 mandados de busca e apreensão. Athie atendeu a um pedido do advogado Fernando Fernandes, que representa Ana Cristina Toniolo, uma das investigadas. Para o desembargador, as prisões decretadas por Bretas violam a presunção de inocência e estão em desacordo com outra decisão do Tribunal. Os mandados foram cumpridos nos estados do Rio, São Paulo e no Distrito Federal. Anibal e Rondeau não chegaram a ser presos.

Aras x Heleno – O procurador-geral da República, Augusto Aras, informou ao STF que instaurou uma notícia de fato para “averiguação preliminar” da carta pública do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Em 22 de maio, o general, em “nota à nação”, disse que o pedido de apreensão do celular de Bolsonaro poderia “ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Após a repercussão, Heleno argumentou que fez uma nota “neutra” e que houve “distorção” do que escreveu. Na nota, o general se referia ao fato de o ministro Celso de Mello, do STF, ter enviado à PGR três notícias-crimes apresentadas por partidos que solicitavam a apreensão do celular do chefe do Executivo. Ao STF, Aras informou que “caso surjam indícios mais robustos de possível prática de ilícitos pelo representado, será requerida a instauração de inquérito criminal no STF, para adoção das medidas cabíveis”. Os pedidos de apreensão do celular foram no âmbito do inquérito que apura suposta interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal. A PGR se manifestou contrária à apreensão, e o ministro Celso de Mello arquivou o caso.

Bolsonaro pede “entendimento” – Pressionado por dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF); pelas investigações contra o filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ); por diversos pedidos de impeachment na Câmara e em meio às crises sanitária e econômica, o presidente Jair Bolsonaro, aparentemente, decidiu levantar a bandeira branca para os demais poderes. Ele, agora, pondera o tom de voz ao se referir ao Legislativo. E, ontem, em cerimônia no Planalto, com a presença do presidente da Corte, Dias Toffoli, pregou “entendimento” e “cooperação”. No discurso de ontem, Bolsonaro citou nominalmente os presidentes do STF; da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). “O nosso entendimento, sim, no primeiro momento, é que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país”, afirmou. “Obviamente, entra mais gente nesse entendimento, que são deputados, senadores, os demais ministros do Supremo, nossos colegas do STF, servidores, que, somente dessa forma, com paz, tranquilidade e sabendo da nossa responsabilidade, que nós podemos, sim, colocar o Brasil naquele local que todo mundo sabe que um dia ele chegará. (…) Obrigado a todos pelo entendimento, pela cooperação e pela harmonia.”

Fux promete empenho pela luta da democracia – Eleito presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), com 10 votos, o ministro Luiz Fux prometeu atuar pela democracia e independência entre os poderes. O mandato tem dois anos de duração e começa em 10 de setembro, com posse prevista para as 16h. A ministra Rosa Weber foi eleita vice-presidente da Corte na mesma sessão. No pleito, Fux votou na colega para o comando do tribunal, como ocorre tradicionalmente para evitar unanimidade na escolha — os 11 integrantes da Corte se revezam na presidência. A eleição deveria ocorrer em agosto, mas foi antecipada em razão da pandemia. Fux assumirá o lugar de Dias Toffoli, que tem uma passagem polêmica na presidência da Corte, em razão do controverso inquérito aberto para investigar fake news e ataques contra o tribunal. Também na gestão dele, o tribunal chegou a anunciar, com o presidente Jair Bolsonaro, um “pacto entre os poderes”, que teria como objetivo atuar em frentes jurídicas e políticas para permitir o avanço de obras e projetos em todo o país.

Novo normal de Bolsonaro – Em conversas reservadas, militares e líderes partidários comemoram a mudança de postura do presidente Jair Bolsonaro, em relação aos outros Poderes. Está muito diferente do confronto adotado com Rodrigo Maia, em 16 de abril, quando, em entrevista à CNN, disse que o presidente da Câmara deveria respeitá-lo e que sabia qual o tipo de diálogo que ele queria. E também do “acabou, p…”, em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia é tentar tirar de cena não só os inquéritos e processos em curso no Judiciário, mas também jogar no assado a postura do governo no início da pandemia de covid-19, quando o presidente não usava máscara, dizia que tudo deveria voltar ao normal, porque o desemprego mataria mais do que o novo coronavírus, que a covid-19 era uma “gripezinha” e por aí vai –– material que está guardado para os adversários, a fim de ser usado nas ampanhas futuras, seja este ano, seja em 2022. Nesse espírito de deixar tudo no passado, houve ainda uma homenagem às vítimas do coronavírus na live de ontem.

Faria estuda plano para melhorar imagem no exterior – O Ministério das Comunicações estuda criar uma secretaria internacional para tentar melhorar a imagem do governo no exterior. A secretaria unificaria o discurso em questões ambientais ou de comércio bilateral, como no caso da China. A medida será uma das primeiras ações do novo ministro da área, Fábio Faria. O movimento por uma comunicação de governo menos ideológica vem sendo defendido por vários ministros como Paulo Guedes (Economia), Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura). Ganhou ares de urgência após 29 grandes fundos estrangeiros terem alertado, em carta, sobre as “incertezas” de se investir no Brasil em um cenário de aumento do desmatamento. A fala do ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, de que era preciso aproveitar o período da pandemia do novo coronavírus para “passar a boiada” em normas ambientais também criou problemas para o governo brasileiro e tem preocupado ministros. A ideia também conta com o apoio do núcleo militar do Palácio do Planalto, formado pelos ministros Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional.

Disputa velada entre Ciro e o PT permeia ato – As negociações para colocar em pé o ato virtual de parte da oposição a Jair Bolsonaro hoje à noite envolvem antigos ressentimentos, disputa por protagonismo e muitas desconfianças. Em alas importantes do PT, é dado como certo que o “Direitos Já” está a serviço da pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) a presidente, com apoio velado do PCdoB, o que explicaria a decisão de Lula de não participar, ainda que Fernando Haddad esteja confirmado. Entre os tucanos, o prefeito Bruno Covas era dúvida até as 21h de ontem. João Doria não foi convidado. O sociólogo Fernando Guimarães, egresso do PSDB, nega que o ato, marcado para as 19h na página do Facebook do Direitos Já, esteja a serviço de Ciro ou de qualquer outro nome. “É um movimento horizontal. Todos terão o mesmo tempo para discursar”, diz Guimarães. Ele defende que o ato não foi “esvaziado”, apesar da desistência de Michel Temer, José Sarney e Dias Toffoli de participar. Segundo Guimarães, outros nomes se somaram ao grupo: Geraldo Alckmin, Tarso Genro, Wellington Dias e Eduardo Leite. FHC balançou, mas, por enquanto, manteve sua participação no ato de hoje.

Meio cheio, meio vazio – A edição de junho do Barômetro do Poder, levantamento feito pelo site InfoMoney, mostra melhora das projeções para a situação de Jair Bolsonaro no Congresso. O levantamento contou com 13 participantes, sendo 9 consultorias de risco político e 4 analistas independentes. A média das estimativas para a base de apoio na Câmara saiu de 97 em abril, foi para 162 em maio e agora atinge 183 parlamentares. É a melhor marca desde abril do ano passado. Já a oposição é estimada em 149 deputados. Em contraste com a melhora nas relações com o Congresso Nacional, o governo vive seu pior momento com o Judiciário, na avaliação dos analistas políticos. Pela primeira vez, 100% dos entrevistados classificam como ruim ou péssima as relações entre os dois Poderes. O pessimismo se mantém em relação às reformas. Das três PECs apresentadas pelo governo em novembro de 2019 na “Agenda Mais Brasil”, nenhuma é vista com chances elevadas de aprovação. Delas, a PEC dos Fundos é a com melhor desempenho.

Aos 89 anos, três lives por semana – Com a pandemia, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 89 anos, virou habitué das lives, nas quais critica Jair Bolsonaro e prega a coesão da oposição. A mulher o ajuda a encarar a tecnologia. Acostumado a participar de eventos acadêmicos e palestras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 89 anos, virou um habitué das lives (transmissões de vídeo ao vivo pela internet). O tucano pode ser visto, em junho, em até três vídeos diferentes na mesma semana, fora as entrevistas para veículos do Brasil e do exterior. O ritmo intenso o levou a pedir a seus assessores que diminuam a carga de lives em julho. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, as transmissões ao vivo cumprem a função de manter FHC ativo politicamente e compor a renda que ele costumava receber com palestras pagas. Em geral, cabe à sua mulher, Patrícia Kundrát, de 42 anos, deixar o computador pronto, com microfone e vídeos funcionando. Mas, como ela nem sempre está em casa, alguns contratempos podem acontecer.

Autor do voto de desempate já chamou foro privilegiado de ‘presente’ – O desembargador Paulo Rangel deu na quinta-feira o voto que desempatou o julgamento da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) e atendeu ao pedido de foro especial feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro. Rangel, porém, já escreveu um livro no qual criticou o foro especial e uma lei sancionada em 2002 que garantia o direito ao foro para autoridades mesmo em inquéritos ou ações judiciais abertos após elas deixarem seus cargos e que tivessem como objeto seus atos administrativos. No livro “Direito Processual Penal”, que teve sua 27ª edição em 2019, Rangel escreveu que “não podemos deixar de consignar o cancelamento da Súmula 394 do STF” e a aprovação da “Lei nº 10.628, de 24/12/2002, verdadeiro presente de Natal do governo FHC, como se o próprio governo, por si só, durante os oito anos, não fosse suficiente”.

Wassef esteve com Queiroz em 2018, dizem testemunhas – Três testemunhas afirmaram ao Jornal Nacional que na madrugada do dia 25 para o dia 26 de dezembro de 2018, Fabrício Queiroz deu entrada no Hotel Faro, em Atibaia, acompanhado do advogado Frederick Wassef, que não ficou hospedado. Segundo as testemunhas, no dia seguinte, Wassef voltou ao local e eles tiveram uma reunião. Poucos dias antes, o Ministério Público Federal (MPF) confirmou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontava movimentações financeiras suspeitas do ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Ainda segundo o Jornal Nacional, no dia em que Fabrício Queiroz foi preso na casa registrada no nome de Frederick Wassef como um escritório de advocacia, um outro funcionário do hotel, identificado como Patrick, fez uma publicação sobre o ocorrido e escreveu: “Gente, eu fiz um walk-in dele aí no hotel um dia, ele foi com aquele xarope que sempre causa, acho que é Frederick, tem no sistema procura aí. Hahahahahaha”.

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