Resumo dos jornais de sexta (20/11/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta (20/11/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Covas tem 58% no 2º turno em São Paulo; Boulos 42%

CORREIO BRAZILIENSE: 0 Brasil negro que importa

O ESTADO DE S.PAULO: Hacker português é suspeito de atacar TSE; elo radical é apurado

O GLOBO: Brasil só testou contra a Covid 20% da meta

Valor Econômico: Receitas e lucros em alta marcam o 3º trimestre

Resumo das manchetes – A Folha dedica sua manchete ao primeiro levantamento do Datafolha após o primeiro turno das eleições municipais em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) surge com 58% dos votos válidos. Seu opositor, Guilherme Boulos (PSOL), tem 42%. O Globo revela em sua manchete que o Brasil só atingiu 20% da meta de testagem para a Covid. O Estadão traz em sua manchete a descoberta de que foi o hacker português Rui Pinto que invadiu o portal do TSE, no último domingo. Já, manchete do Correio saúda o Dia da Consciência Negra. A manchete do Valor informa que receitas e lucros cresceram no 3º trimestre, mas apesar dos bons resultados, existe uma preocupação com a alta dos preços, falta de matéria-prima e a ameaça de uma segunda onda da Covid.

Destaques de sexta

Leci é excluída da lista de personalidades da Fundação Palmares – Retirada da lista de personalidades históricas da Fundação Palmares, Leci Brandão (PC do B), 76, diz que Sérgio Camargo —presidente do órgão e cujo nome ela não pronuncia— foi escolhido por ser um alienado. O nome dela foi excluído em movimento que também tirou os de Martinho da Vila, Gilberto Gil, Milton Nascimento, e outras figuras de contribuições importantes para a cultura nacional. “Quer aparecer, está sempre procurando uma forma de humilhar, desmerecer. Quer desmontar toda uma história, uma verdade que existe aí”. Sobre Camargo ter decidido não celebrar o Dia da Consciência Negra em 2020, a deputada estadual e sambista afirma se tratar de um imbecil. “Não entendeu o quanto a população negra tem uma felicidade, a gente se sente fazendo parte realmente da história desse país. Nós fazemos parte de tudo o que está aí. Você não pode olhar costumes, cultura, arte, e não falar da população negra. Estamos em tudo isso”, afirma. “É um cidadão que não pesa em nada, não significa nada para mim”.

Médico do Einstein fala em aumento de Covid-19 entre ricos – Em áudio enviado a um rabino, o médico e vice-presidente do Hospital Israelista Albert Einstein Marcos Knobel disse que está muito preocupado com casamentos, que teme que eles possam gerar contaminação em massa e pede que o interlocutor considere tomar alguma atitude em relação a um casamento com 300 pessoas que iria acontecer. “A gente está tendo agora uma onda de Covid, toda a classe socioeconômica média-alta para alta, ou seja, incidindo muito no ambiente em que a gente convive”, afirmou Knobel na semana passada, em áudio que se espalhou. “O senhor não sabe como a gente está pegando casos. Ontem eu tive 12 pacientes que me ligaram e que eu atendi com Covid. Cada momento é um atrás do outro. E todos pegando em aglomeração: almoços, jantares”, completou o médico cardiologista. “Como eu sei que vai ter um casamento para 300 pessoas, isso me deixa muito preocupado. Eu temo que a gente possa ter uma contaminação em massa nesses casamentos. (…) Eu fico imaginando 300 pessoas juntas, comendo juntas, isso vai ser terrível”, explicou. Ao Painel, Knobel disse se tratar de um áudio particular e que não gostaria de comentar de que casamento estava falando e quem é o rabino. Mas reforçou o alerta. “Jantares, restaurantes, eventos, festas, danças. Tudo isso culminou no que estamos vendo agora”, diz. “Os hospitais particulares estão enchendo novamente, os públicos também, o governo mudando regras de leitos de Covid. Está tudo voltando como ao começo”, completa. Ele explica que estava sugerindo ao rabino orientar todas as pessoas para tentar evitar o relaxamento.

Bolsonaro diz uma coisa, Economia diz outra – Jair Bolsonaro voltou a dizer, em live nesta quinta (19), que “em breve” serão abertos concursos para a contratação de 2.000 homens para a Polícia Federal e 2.000 para a Polícia Rodoviária Federal. “Eu tenho falado para a equipe econômica que é um investimento”, afirmou. André Mendonça (Justiça) acrescentou que prepara um plano de valorização dos policiais federais e das polícias dos estados. O número de vagas prometido, porém, foi vetado pela área orçamentária do Ministério da Economia e deve cair para algo ao redor de 1.400. Um dos motivos, além da restrição fiscal, é a limitação legal —não daria tempo para a PF recrutar, treinar e dar posse a todo esse efetivo em 2021 e não poderia deixar rescaldos para 2022.

Paes, com 71%, Crivella, tem 29% – O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), tem 71% das intenções de votos válidos no segundo turno da disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, aponta o Datafolha. O atual mandatário, Marcelo Crivella (Republicanos), tem 29% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Considerando-se os votos totais, Paes tem 54%, e Crivella, 21% —patamar semelhante ao indicado pela simulação de segundo turno divulgada no sábado (14) pelo Datafolha. Afirmam votar em branco ou nulo 22% dos entrevistados, enquanto 3% não souberam responder. O Datafolha entrevistou 1.064 eleitores nos dias 18 e 19 de novembro. A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais.

Covas tem 58%, contra 42% de Boulos – No primeiro levantamento do Datafolha após o primeiro turno das eleições municipais em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) surge com 58% dos votos válidos. Seu opositor, Guilherme Boulos (PSOL), tem 42%. O Datafolha ouviu 1.254 eleitores nos dias 17 e 18 de novembro. A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou menos.

Marília tem 55%; e Campos, 45% – A deputada federal Marília Arraes (PT), neta do ex-governador Miguel Arraes, aparece com 55% dos votos válidos na primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno na disputa pela Prefeitura do Recife. O deputado federal João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Arraes, tem 45%. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos. O Datafolha ouviu 924 eleitores nos dias 17 e 18 de novembro. A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Covas é sócio de Doria, diz Boulos – Em campanha no segundo turno para tentar ser prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) subiu o tom contra o governador João Doria (PSDB) para atacar seu rival na disputa, o candidato à reeleição Bruno Covas (PSDB). O líder de movimentos de moradia, que concorre pela segunda vez a um cargo eletivo —em 2018, disputou a Presidência da República—, disse à Folha nesta quinta-feira (19) que a frente de apoios de esquerda a seu nome tem como objetivo derrotar Doria e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Boulos rebateu as pechas de inexperiente e radical que a campanha do PSDB tenta colar nele, disse que sua proximidade com Lula (PT) é de conhecimento público e afirmou que, se eleito, governará à base de diálogo com os movimentos sociais, de onde ele vem, e com a Câmara.

Joice declara apoio a Covas – Após sair do primeiro turno com 1,85% dos votos, a deputada federal Joice Hasselmann declarou apoio à candidatura de Bruno Covas (PSDB) à Prefeitura de São Paulo. Como líder do PSL na capital, Hasselmann afirma que Covas se comprometeu a incorporar algumas de suas ideias no plano de governo caso seja eleito. Uma delas é a Lava Jato Paulistana, que tem como objetivo fortalecer a Controladoria-Geral do Município. “Em virtude do risco iminente que a cidade de São Paulo corre de ter a prefeitura invadida novamente pela esquerda, dessa vez, ainda mais radical, não há outro caminho para o PSL da cidade de São Paulo e para mim […] a não se posicionar a favor da reeleição do atual prefeito Bruno Covas”, afirmou em nota divulgada à imprensa.

Bolsonaro manda mensagem a aliados com estocada em Covas – Apesar de ainda não ter pedido votos explicitamente a nenhum candidato no segundo turno das eleições municipais, o presidente Jair Bolsonaro tem feito, reservadamente, críticas indiretas a Bruno Covas (PSDB), que disputa a Prefeitura de São Paulo. O mandatário enviou na quarta-feira (18) mensagem de WhatsApp a pessoas próximas na qual dá uma estocada no tucano. Bolsonaro encaminhou uma foto de uma conversa de Covas e o youtuber Felipe Neto pelo Twitter no qual o candidato do PSDB afirma não ter votado em Bolsonaro para presidente em 2018. Junto com a imagem da conversa, o presidente encaminhou em negrito e letras maiúscula a seguinte frase: “VOTOU NO HADDAD.”, em referência a Fernando Haddad (PT) contra quem disputou o segundo turno na eleição presidencial. A Folha leu a mensagem no celular de uma pessoa que a recebeu. Bolsonaro apoiou Celso Russomanno (Republicanos) no primeiro turno da briga pela Prefeitura de São Paulo e viu o candidato acabar na quarta colocação na disputa. Nesta semana, o Republicanos endossou o nome de Covas, assim como Russomanno, para evitar a vitória de Guilherme Boulos (PSOL), que passou para o segundo turno. Segundo pessoas ligadas ao candidato derrotado do Republicanos, porém, o próprio teria ficado reticente em declarar apoio ao tucano justamente pelo receio em desagradar Bolsonaro. Russomanno considerou adotar a neutralidade nessa fase do pleito. O fato de o presidente ter enviado esta mensagem pelo WhatsApp foi encarada por quem a recebeu como uma forma de Bolsonaro tentar impedir o avanço tucano em São Paulo, embora o concorrente de Covas seja Boulos, do PSOL.

Crivella xinga Doria de ‘vagabundo’ e usa termo homofóbico – Prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Marcelo Crivella (Republicanos) aparece xingando o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em um vídeo que viralizou nesta quinta-feira (19) nas redes sociais. Depois, em nota enviada ao UOL, Crivella pediu desculpas ao tucano, que lamentou o ocorrido. Nas imagens, Crivella, em tom exaltado, grita que Doria é “vagabundo” e, também usa um termo homofóbico, “viado”, para ofendê-lo. O prefeito estava falando sobre as OS (Organizações Sociais) de saúde. “Eu entrei na Justiça contra esses vagabundos. Sabe o que eles fizeram? Dei dinheiro para pagar aos funcionários, eles pegaram e pagaram fornecedor, que tinha que pagar dia 10 de dezembro. E faltou dinheiro. Sabe de quem é essa OS? Essa OS é de São Paulo. É do Doria. Viado! Vagabundo!” De acordo com o jornal O Globo, os xingamentos aconteceram em uma reunião com filiados do Republicanos que disputaram a eleição para vereador. O evento aconteceu nesta quarta-feira (18), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Após os gritos de Crivella, os presentes vibram com as ofensas e aplaudem o prefeito. O vídeo foi publicado no Facebook por Sandro Avelar, presidente da escola de samba Império Serrano. Ele apoia Eduardo Paes (DEM) no segundo turno da disputa pela prefeitura do Rio.

STF questiona escolha de reitores – O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), fixou prazo de cinco dias para que o presidente Jair Bolsonaro dê explicações sobre a nomeação de reitores nas universidades federais. Ação apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) questiona a designação de nomes que não ocupam os primeiros lugares de listas votadas pelo corpo docente das instituições. A OAB argumenta que as universidades são autônomas, como previsto na Constituição Federal, e que o presidente da República não tem direito a escolher livremente os gestores. “O ato de nomeação de reitores e vice-reitores, pelo presidente da República, na forma do art. 16, I e III da Lei Federal 9.192/1995, deveria ser interpretado da seguinte maneira: havida a consulta prévia à comunidade acadêmica, o seu resultado deveria ser integralmente observado, vinculando o ato de nomeação à ordem das listas tríplices”, destaca pedido da instituição. Os autores da ação entendem “que a nomeação, nestes casos, consiste em ato meramente homologatório, não podendo a legislação federal que regula a gestão democrática das universidades e sua autonomia mitigar a autonomia determinada pela Constituição da República, e deixar ao crivo do presidente da República uma livre escolha”.

UnB na expectativa – No último dia 11, em entrevista ao programa CB.Poder, parceria entre o Correio e a TV Brasília, o deputado federal Professor Israel Batista (PV-DF) se disse preocupado com a nomeação dos reitores das universidades públicas. De acordo com ele, desde o início do mandato, o presidente Jair Bolsonaro definiu 15 candidatos a reitores que não estavam em primeiro lugar nas respectivas listas tríplices, elaboradas por docentes, alunos e funcionários. O parlamentar lembrou que alguns dos nomeados tiveram apenas 5% dos votos da comunidade acadêmica, como o da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Valdiney Veloso Gouveia. Também na quarta-feira passada, a comunidade acadêmica da Universidade de Brasília (UnB) fez um ato simbólico no prédio da reitoria, pedindo a nomeação de Márcia Abrahão, que teve 65% dos votos para seguir no cargo. O atual mandato dela acaba amanhã.

Quem tem tempo não tem pressa – O presidente Jair Bolsonaro vai esperar mais algum tempo antes de definir filiação partidária. Afinal, ainda falta um ano e meio para a eleição e sua caneta “Compactor ou Bic” ainda tem tinta, conforme repetem aliados. Por mais que haja algum desgaste, não está fora do jogo para 2022. Quem acompanha atentamente todos os movimentos da política lembra que, em 2008, quando Gilberto Kassab se elegeu prefeito de São Paulo, o PT do então presidente Lula jogou todo o prestígio presidencial para tentar eleger Marta Suplicy –– e ela perdeu. Dois anos depois, lá estava Lula fazendo de Dilma Rousseff sua sucessora no Planalto. Portanto, qualquer avaliação de derrotado neste momento tem a validade de um iogurte.

Hacker português é suspeito de atacar TSE – Os ataques cibernéticos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no último domingo, quando houve o primeiro turno das eleições municipais, partiram de um hacker português em prisão domiciliar. Uma das linhas de investigação indica a possibilidade de envolvimento de extremistas ligados a núcleos bolsonaristas na ofensiva. O Estadão conversou por e-mail com o invasor conhecido como Zambrius, que disse ter agido sem ajuda, de Portugal, munido apenas de um celular. “Eu realizei tudo sozinho”, afirmou ele. “Estou sem computador. Se o tivesse, acredite que o ataque teria um impacto muito maior”. Ao contrário do que difundiram as redes sociais bolsonaristas, as ações do hacker – que diz ter feito tudo de Portugal – não provocaram impacto no processo de votação. À reportagem, o invasor afirmou que os dados roubados do TSE não têm ligação com o resultado das urnas. Aos 19 anos, Zambrius se define como um viciado em explorar vulnerabilidades. Diz que só atacou o TSE porque a Corte declarou ter reforçado a segurança após a invasão a domínios do Superior Tribunal de Justiça. Questionado pelo Estadão se tem ciência de que ajudou a criar a falsa narrativa bolsonarista de fraude, ele disse ter escolhido a data por “diversão”. Se fizesse antes, não haveria a “piada”. O hacker português afirmou que suas últimas ações não foram feitas em coautoria, mas admitiu ao menos um contato durante a operação. “Eu apenas pedi ajuda a um elemento para que me enviasse uma imagem do doxbin (site usado para compartilhamento de informações privadas hackeadas) e dos arquivos, para que pudesse ter uma noção de como ficaria em uma tela de computador”, contou. Os indícios de elo de Zambrius com os extremistas brasileiros estão sob análise de investigadores do Ministério Público Federal e de técnicos do TSE. As suspeitas são reforçadas em dois pontos: o histórico de atuação do hacker, líder do grupo denominado CyberTeam, e o modus operandi na internet de radicais, no Brasil, especialistas em tecnologia da informação.

Canetada no Ibama – Nomeado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para comandar o Ibama na Bahia, o superintendente Rodrigo Santos Alves cancelou atos de sua própria equipe técnica no Estado para liberar obras de um resort de luxo, erguidas sobre a areia da Praia do Forte, numa região conhecida pela procriação de tartarugas marinhas. Alves não só retirou uma multa de R$ 7,5 milhões que havia sido aplicada pelos técnicos do Ibama contra o hotel como anulou a decisão que paralisava a obra. Além do cargo de superintendente do Ibama na Bahia, assumido em junho do ano passado, Rodrigo Santos Alves é sócio de uma empresa imobiliária, que atua na oferta de imóveis de luxo no litoral. O Tivoli Ecoresort, onde as diárias vão de R$ 1,5 mil a R$ 7 mil, iniciou a construção de um muro na areia da praia para conter o processo de erosão em frente ao hotel. A situação é causada pela deterioração das restingas, vegetação que cobre a areia. O muro de gabião, montado com pedras acumuladas em armações de aço, começou a ser instalado em uma faixa da areia, diretamente na praia, diante das instalações do hotel. A crítica dos especialistas ambientais é de que esse tipo de estrutura, que fica submersa, enterrada na areia, compromete a procriação das tartarugas, que avançam para a margem para desovar. O resort está localizado na mesma praia do Projeto Tamar, programa do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) de proteção aos animais marinhos. Em julho deste ano, após vistoria no local, os técnicos do Ibama autuaram a empresa e determinaram o embargo de “todas e quaisquer atividades relacionadas à construção em faixa de areia da praia do empreendimento”. Àquela altura, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, também tinha embargado a obra pelo mesmo motivo. Em setembro, porém, Rodrigo Santos Alves rejeitou as notificações do Ibama, sob o argumento de que o hotel já possui licença ambiental dada pelo município de Mata de São João, onde está instalado, e que o Ibama não pode se sobrepor a essa autorização. Apesar de as obras ocorrerem diretamente na faixa de areia da praia, que pertence à União, o superintendente do Ibama alegou que se trata de uma intervenção que acontece em área de domínio do hotel.

Governo deve isentar Amapá de conta de luz – O governo deve editar uma medida provisória para isentar consumidores do Amapá do pagamento da conta de luz em novembro. O Estado sofreu dois apagões em um intervalo de 14 dias. O Tesouro deve fazer um aporte para bancar o benefício, que deve custar entre R$ 45 milhões e R$ 80 milhões, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Ontem, a Justiça Federal determinou o afastamento provisório da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema (ONS). A medida provisória deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União. A determinação visa a contribuir para o enfrentamento da crise de energia no Amapá, que sofreu um apagão em 3 de novembro – 14 dos 16 municípios do Estado ficaram às escuras por quatro dias. A população passará por racionamento até o dia 26, quando o atendimento deve ser plenamente restabelecido. Na terça-feira, um novo blecaute atingiu o Estado às 20h27, mas a eletricidade voltou à 1h04 em sistema de rodízio, já que o fornecimento não foi completamente retomado em razão do primeiro apagão. O governo ainda não fechou os cálculos sobre o valor que será necessário aportar para pagar a conta de luz da população do Amapá. Ainda não foi decidido se haverá limite máximo para o nível de consumo que terá isenção, mas a ideia é que toda a conta seja bancada. A proposta é repassar recursos do Tesouro para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que banca subsídios da conta de luz, e, a partir da CDE, enviar recursos para a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), distribuidora do Estado. Ontem à noite, o Senado também aprovou projeto de lei que prevê compensações para consumidores atingidos pelo apagão. A proposta estabelece “crédito” na conta de luz até que a energia elétrica seja restabelecida no Estado. Além disso, o texto prevê medidas para outros Estados em caso de situações semelhantes. A Consultoria Legislativa do Senado levantou questionamentos. Segundo a avaliação técnica, a medida não detalhada como o benefício será implementado, se pode encarecer o preço da conta para todo o País e até causar novos apagões. O projeto tem de passar pela Câmara.

Primeiras doses de vacina chegam da China – O primeiro lote de doses da CoronaVac, vacina contra a covid19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, chegou a São Paulo na manhã desta quinta-feira. As 120 mil doses ainda precisam de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem aplicadas nos brasileiros. A vacina está na fase 3 dos testes clínicos, etapa que mede a eficácia do produto, se ele é capaz de proteger contra a covid-19. Somente após a conclusão desta fase é que a vacina poderá obter autorização de uso. As primeiras doses já chegaram prontas, mas o acordo da Sinovac com o Instituto Butantã prevê a transferência tecnológica para o País, o que permitirá a produção da vacina no Brasil. A produção 100% local, no entanto, só deve acontecer a partir de 2022, com a conclusão da obra da fábrica que terá capacidade de produzir até 100 milhões de doses por ano. Até lá, o Butantã receberá doses prontas da China ou matéria-prima para que a produção seja apenas finalizada no Brasil. Na chegada ao aeroporto de Guarulhos, o governador João Doria (PSDB) disse que estava lá “para receber essa carga que ajuda a salvar a vida de milhares de brasileiros”.

Ministério diz que insistirá na cloroquina se houver segunda onda – Em resposta a pedido de informação sobre quais ações serão adotadas diante da cada vez mais provável segunda onda da covid-19 no País, o Ministério da Saúde afirmou apenas que, se não houver mudança nas orientações para uso precoce de medicamentos, continuará realizando o fornecimento aos Estados, Distrito Federal e municípios de cloroquina, hidroxicloroquina e o oseltamivir. Nenhum desses medicamentos tem eficácia comprovada no tratamento da covid-19. As questões foram encaminhadas pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP). O Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19 também informou que não cabe ao órgão se imiscuir e determinar medidas de amenização ou enfrentamento de uma segunda onda da doença. O comitê avalia que essa é uma competência de todos os entes federativos e cita, entre outras legislações, a decisão do Supremo que deu autonomia para que Estados e municípios tomem decisões no combate à covid-19, porém sem livrar o governo federal de suas obrigações. Nas respostas, tanto a Saúde quanto a Casa Civil afirmam que as ações de combate ao vírus que cabiam ao governo federal não foram relaxadas e citam isolamento social e a quarentena como medidas recomendadas pelo governo para enfrentar a doença. A questão, no entanto, é controversa: o ministério apagou postagem em rede social que citava o isolamento como uma das ações necessárias para frear a escalada do vírus.

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