Resumo dos jornais de sexta (04/12/20) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de sexta (04/12/20)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: PIB tem crescimento de 7,7%, recorde e abaixo do esperado

CORREIO BRAZILIENSE: Três empresas disputam hoje o controle da CEB

O ESTADO DE S.PAULO: Apoiada pelo Planalto, rede de ódio lucra com canais antidemocracia

O GLOBO: Economia reage, mas avanço do vírus gera incertezas

Valor Econômico: Surgem na bolsa primeiros ganhadores do efeito vacina

Resumo das manchetes

As manchetes da Folha e Globo versam sobre recorde do PIB abaixo do esperado, mas a do matutino carioca alerta para a incerteza gerada pela Covid-19. A economia brasileira registrou crescimento recorde de 7,7% no terceiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores, segundo dados do PIB divulgados ontem pelo IBGE. O número veio abaixo das projeções do governo e do mercado. Além disso, as perdas não são repostas. O Correio traz, também, uma manchete econômica sobre o leilão da CEB Distribuidora, estatal de pertencente ao GDF, que será disputado pelos grupos Equatorial, Neonergia e CPFL. A manchete do Estadão revela que o Planalto apoia uma rede de ódio contra o STF e o Congresso, que segundo inquérito policial seus youtubers faturam cada R$ 100 mil por mês. O Valor dedica sua manchete ao efeito vacina, haja vista, que investidores em ações começam a apostar em ganhadores dessa nova fase do combate à pandemia. Na bolsa de São Paulo (B3), ações duramente penalizadas no início da crise sanitária agora estão em forte alta. O efeito vacina se dá principalmente no setor aéreo e no de turismo.

Destaques de sexta-feira

Desistência de holding italiana na disputa pela CEB tira munição da oposição – Não deixa de ser um alívio para o governo a desistência da italiana Enel na disputa pela privatização da CEB. Os críticos do processo de vendas das ações apontavam o risco de a empresa vencer o leilão e administrar a distribuição de energia no Distrito Federal. O problema é que a empresa, que tem a concessão da antiga Celg, em Goiás, apresenta péssimos resultados. A holding está presente em 38 países, espalhados por cinco continentes. A Enel Brasil é a maior empresa privada do setor elétrico brasileiro e atua nos segmentos de distribuição, geração, transmissão, comercialização, além de soluções de energia. Após a aquisição da Enel Distribuição São Paulo (antiga Eletropaulo), em 2018, a empresa se tornou o maior grupo em distribuição de energia do país. O problema, no entanto, é político. Em meio a críticas da oposição, o exemplo de Goiás seria mais munição contra o processo de privatização. A Enel, no entanto, não está entre as empresas aptas a participar, hoje, do leilão na Bolsa de Valores de São Paulo.

Deputado bolsonarista ataca bancada feminina – A bancada feminina prepara uma representação contra o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) que, ontem, ao discursar no final do manhã, avisou que, a partir daquele momento, chamaria as deputadas de “deputéricas”, segundo ele “deputadas histéricas que não respeitam minimamente o presidente da República”. Ele repetiu várias vezes que as mulheres “criticam, criticam” e são “histéricas”. Além disso, vangloriou-se de criar um neologismo. “Quando eu falar ‘deputérica’, estarei me dirigindo a uma deputada histérica, que não tem posicionamento, que não tem bom senso e que não se enquadra dentro do decoro parlamentar”, anunciou. A resposta não demorou. Menos de 10 minutos após o pronunciamento, as parlamentares revezaram-se, na tribuna, criticando a fala de Bibo e avisaram que irão ao Conselho de Ética. “É um apelido ridículo, indecoroso e machista”, definiu a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que ainda avisou ao bolsonarista: “Não vamos parar de nos posicionar. Vai ter que nos ouvir ainda que não goste”. A reclamação foi suprapartidária. Do Distrito Federal, Flávia Arruda (PL) e Érika Kokay (PT), de campos opostos da política, uniram-se no discurso. “Não vamos aceitar nenhum tipo de machismo. Já temos que conviver com isso na rua, nas campanhas. Não é possível que tenhamos que conviver, também, no Parlamento”, protestou Flávia.

Barrada na própria solenidade – A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Priscilla Gaspar, passou por uma situação constrangedora, em cerimônia no Palácio do Planalto. Ao chegar para discursar na solenidade de comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado ontem, e do Dia do Voluntário, celebrado amanhã, foi barrada na entrada. Priscilla, que tem deficiência auditiva, atrasou-se para o evento por tentar provar que havia sido convidada para a solenidade. Ao enfim chegar ao púlpito, para seu discurso, contou o que aconteceu. “Sabemos que ainda temos muitas barreiras, muitos impedimentos. De vez em quando, temos algum problema. Eu, infelizmente, atrasei porque tive um probleminha ao entrar. Ainda que eu dissesse que estava vindo para o nosso evento, no Dia da Pessoa com Deficiência, apresentando meu crachá, não acreditaram que eu estava neste evento. Pediram para eu dar uma volta, para conseguir ter acesso. E dei a volta, e também não foi liberada a minha acessibilidade, a minha entrada, mesmo eu dizendo que era secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência”. E completou: “Precisei dizer que eu, ainda sendo uma pessoa surda, não sou diferente de ninguém. Isso me mostrou que nós precisamos ainda lutar bastante, todos os dias das nossas vidas”, desabafou. Ao discursarem no evento, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) não comentaram o fato. O Correio questionou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que faz o controle de acesso e negou que Priscilla tivesse sido barrada.

Vachina da discórdia – O anúncio de João Doria (PSDB) de que pretende iniciar a vacinação em janeiro, antes do governo federal, alarmou os demais governadores e lideranças no Congresso. O risco é que o descompasso gere uma corrida desorganizada, estimulando pessoas a viajarem a São Paulo atrás das doses. Secretários estaduais de saúde pretendem aumentar a pressão para que Eduardo Pazuello (Saúde) se comprometa em comprar e aplicar no resto do país a vacina que estiver pronta primeiro. “A pressão popular vai fazer com que a Anvisa e o Ministério da Saúde autorizem a Coronavac [vacina chinesa]. Bolsonaro vai ter que rever sua estratégia, senão haverá desgaste em sua popularidade”, diz a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Os governadores também pedem correção de rota. “Será importante adquirir todas as vacinas que forem aprovadas no Brasil”, diz Renato Casagrande (PSB-ES). Para Wellington Dias (PT-PI), a primeira dose da vacinação tem de ser concluída no primeiro semestre de 2021, para que a economia do país possa voltar à normalidade. “Por isto a necessidade de múltiplas vacinas”, afirma.

Senador diz que ministro não agiu contra crise energética – O líder do DEM no Senado, Rodrigo Pacheco (MG), culpa o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) por parte da atual crise energética. Pacheco afirma que alertou o presidente, em 7 de outubro, sobre o esvaziamento da represa de Furnas, sugerindo medidas de contenção. Bolsonaro disse que daria ordem a Albuquerque. “O problema é que há ministros que acham que mandam mais que o presidente”, diz Pacheco.

PT muda orientação e aceita apoiar ‘golpistas’ – Após duas eleições para o comando do Congresso prometendo “não votar em golpista”, o PT aceita agora apoiar nomes que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. “Temos que recompor nossas posições”, diz Carlos Zarattini (SP). O objetivo é ocupar espaços na Mesa e em comissões.

No STF, futuro dos comandos no Congresso – O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, hoje, a ação que pode definir o futuro dos comandos da Câmara e do Senado. A Corte avalia, por meio do plenário virtual — em que os ministros colocam os votos por escrito — a ação direta de inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo PTB que pede a proibição de recondução do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) às presidências das respectivas Casas legislativas. Partidos do Centrão articulam-se contra Maia, enquanto, ao menos, 14 senadores querem frustrar os planos de Alcolumbre. Na ação que corre no Supremo, a sigla pede que o STF dê “interpretação conforme” o Artigo 57 da Constituição de 1988 e proíba a reeleição no Congresso. O trecho da Carta Magna afirma que é “vedada a recondução para o mesmo cargo, na eleição imediatamente subsequente”. No entanto, Câmara e Senado já permitem a reeleição, desde que ocorram em legislaturas diferentes, ou seja, que ambos os pleitos estejam separados por uma eleição geral, para senadores, deputados e escolha do presidente da República. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes, que será o primeiro a votar. O prazo para que ocorram as manifestações dos magistrados é de cinco dias corridos. Caso algum dos ministros peça destaque, o caso pode ser levado ao plenário físico, onde as sessões são transmitidas ao vivo pela tevê e internet, e os integrantes da Corte podem ser pressionados a mudar de voto.

Jogo político – Caso o Supremo jogue a decisão para o Legislativo, abre-se precedente para que Maia e Alcolumbre se articulem para permanecer no cargo. O caso também influencia os planos do Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro tem Alcolumbre como aliado, mas não pode dizer o mesmo em relação a Maia. O comandante da Câmara, frequentemente, critica atos do governo, rebate o chefe do Executivo em declarações e se posiciona ao lado de personalidades, autoridades e ativistas alvos dos discursos inflamados do presidente. Maia é um dos críticos, por exemplo, à forma como o governo vem tratando a pandemia do novo coronavírus. A ala militar do governo tem atuado no Supremo para impedir a recondução dele.

Aras defende Bolsonaro – O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu, ontem, que o presidente Jair Bolsonaro não deve ser obrigado a prestar depoimento no inquérito em que é acusado de tentar interferir na Polícia Federal para beneficiar amigos e parentes no Rio de Janeiro. As investigações foram abertas após denúncias do ex-ministro Sergio Moro, que também é um dos alvos no inquérito, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação de Aras, o presidente tem, como outros cidadãos, o direito de não depor. “Inexiste razão para se opor à opção do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, de não ser interrogado nos presentes autos, seja por escrito, seja presencialmente. Na qualidade de investigado, ele está exercendo, legitimamente, o direito de permanecer calado”, enfatizou. “Há de ser respeitada, pois, a escolha da autoridade investigada, que intenta exercer o seu direito ao silêncio, constitucionalmente garantido.” No último dia 26, em parecer enviado à Corte, a Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que o chefe do Executivo abre mão de ser ouvido. Por isso, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, pediu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Conforme fontes ouvidas pelo Correio na Polícia Federal, sem o depoimento de Bolsonaro, o caso, dificilmente, será concluído e a tendência é de que o inquérito seja arquivado, a pedido da PGR.

Bolsonaro chama Múcio para o governo e se diz “apaixonado” – O presidente Jair Bolsonaro afirmou, ontem, que o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro Filho, tem vaga garantida no primeiro escalão do governo. O convite foi feito na videoconferência do 4º Fórum Nacional de Controle, promovido pela Corte de contas com o tema Inovação pela Educação no Brasil. “Se a saudade lhe bater, venha para cá. Estará entre nós, pode ter certeza, no nosso primeiro time”, disse Bolsonaro a Múcio, que antecipou a saída do TCU para 31 de dezembro. “Me permita: eu sou apaixonado por você. Vossa Excelência tem um comportamento sempre conciliador, amigo, buscando cada vez mais um consenso”, destacou o presidente.

Toffoli manda PF ouvir ministro – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, ontem, que a Polícia Federal marque o depoimento do ministro da Educação, Milton Ribeiro, no inquérito que investiga se ele cometeu o crime de homofobia, reconhecido pela Corte como uma forma de racismo. De acordo com o despacho, a corporação deve definir dia e hora para que Ribeiro seja ouvido. A investigação foi aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para saber se o ministro da Educação cometeu ato de homofobia durante entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Na ocasião, Ribeiro ligou a orientação sexual dos gays a “famílias desajustadas”. “Acho que o adolescente, que muitas vezes, opta por andar no caminho do homossexualismo (sic), tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato, e caminhar por aí. São questões de valores e princípios”, afirmou, na ocasião. Ribeiro pediu desculpas pelas afirmações e disse que foram tiradas de contexto. No entanto, na semana passada, rejeitou um acordo de persecução penal com o Ministério Público. Nesse tipo de ferramenta jurídica, o réu confessa o crime em troca de não ser denunciado à Justiça. Mas, fazendo isso, terá de cumprir ações negociadas com os procuradores. Esse tipo de acordo só é possível em delitos que têm pena menor do que quatro anos de cadeia.

Isonomia de tratamento – Diante das notícias que envolvem o deputado Arthur Lira (PP-AL) em rachadinhas (desvio de salários de servidores), na Assembleia estadual de Alagoas, o mínimo que os pepistas vão cobrar do governo é o benefício da dúvida que é dado ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente jair Bolsonaro. Aliados de Lira dizem que o deputado já andou muito em sua pré-campanha para recuar agora, quando começa o jogo. Se desistir, sairá com cara de derrotado e condenado. A tendência de Bolsonaro, porém, é manter uma distância regulamentar. Afinal, se Lira perder musculatura por causa das denúncias, o presidente sempre poderá dizer que não se envolveu diretamente na eleição congressual. No entorno dele, há quem diga que, desde que Rodrigo Maia (DEM-RJ) não saia vitorioso, está tudo certo para o governo. Se, no caso de Flávio, que é filho, Bolsonaro tenta manter uma certa distância, imagine com Lira, com quem apenas tem uma relação política. Há quem diga que o governo entrou cedo demais na candidatura de Lira a presidente da Câmara. Assim, se o DEM sacar mesmo a candidatura de Fernando Coelho Filho (PE), Bolsonaro estará numa saia justa. Fernando é filho do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e já foi ministro de Minas e Energia no governo Michel Temer. A forma como os deputados estão conduzindo a disputa para presidente da Câmara indica que será na linha do voto para derrotar o candidato A ou B, ou seus respectivos padrinhos, e não voto em favor de B ou A.

Etanol, a nova fronteira – Com o ESG (sigla em inglês para meio-ambiente, inclusão social e governança) cada vez mais forte no mundo, o etanol surge como uma saída mais prática para a questão energética no país, muito mais do que os carros elétricos europeus. “Na Europa, os carros elétricos pretendem levar a uma emissão de 62 gramas de CO2 por quilômetro rodado, enquanto o etanol está abaixo de 60 gramas, com 56 por quilômetro rodado” diz Evandro Guzzi, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única).

“Polarização não acabou” – Ex-mago do marketing do PT e abatido pela Lava-Jato, João Santana diz que a “tragédia aparente” de Bolsonaro nas urnas não encerrou a polarização. À Mesa com o ‘Valor’, diz a Fernando Exman que a eleição municipal “é solipsista”, conversa consigo mesma. “Sempre foi assim e não serve de medida para fora dela”.

Câmara aprova Casa Verde e Amarela, que substituirá o MCMV – A Câmara dos Deputados aprovou ontem a medida provisória (MP) que cria o Casa Verde e Amarela, programa que substituirá gradualmente o Minha Casa, Minha Vida. O novo programa visa a construção de moradias para população com renda de até R$ 7 mil mensais e, também regras para regularização fundiária, que foram ampliadas por emendas dos parlamentares.

Lira faturava R$ 500 mil por mês com desvio, diz PGR – O esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Alagoas propiciou ao deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) um rendimento mensal de R$ 500 mil, segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Como revelou ontem o Estadão, o parlamentar é apontado como o líder de um esquema responsável por desviar R$ 254 milhões dos cofres públicos entre 2001 e 2007. Documentos sigilosos da investigação indicam que parte do dinheiro foi usado por ele para aumentar o próprio patrimônio. Na época, seu salário como deputado estadual era de R$ 9,5 mil. Líder do Centrão e candidato do Palácio do Planalto para comandar a Câmara nos próximos dois anos, Lira responde a uma ação penal que ainda tramita na Justiça estadual de Alagoas. Ele já foi condenado pelo caso em segunda instância na esfera cível, por improbidade administrativa, e só conseguiu concorrer em 2018, quando se elegeu deputado federal, após obter uma liminar do Tribunal de Justiça alagoano. Na denúncia apresentada contra o deputado, a PGR incluiu documentos apreendidos em sua casa e em uma de suas empresas que indicam como era feita a distribuição do dinheiro desviado da Assembleia. Em um deles, encontrou anotações à mão descrevendo valores e siglas, como “500 meu/mês” e “500 AL”. Para os investigadores, “tais documentos eram utilizados como forma de controlar os pagamentos e desvios realizados”. Nos seis anos em que esteve à frente do esquema, de acordo com o Ministério Público Federal, Lira movimentou R$ 9,5 milhões em sua conta. Desta quantia, R$ 1 milhão foi depositado diretamente a ele por três servidores da Assembleia Legislativa apontados como operadores financeiros do grupo criminoso. Mas essa não era a única forma de o dinheiro chegar ao bolso do parlamentar, segundo relata a denúncia. Outra maneira era a utilização de empresas para simular negócios. Um laudo da Polícia Federal identificou transações com quatro companhias diferentes. Somente uma delas recebeu 120 cheques emitidos pela Assembleia, que somam R$ 249 mil. A análise da movimentação nas contas de Lira revelou que a mulher do dono da empresa repassou “de volta” R$ 210 mil ao deputado. Para os investigadores, foi a forma encontrada pelo grupo para “lavar” o dinheiro desviado.

‘PSDB deve ser firme contra os extremos’ – Presidente do PSDB, o ex-deputado Bruno Araújo, de 48 anos, disse em entrevista ao Estadão que as urnas pediram moderação em 2020, o que deve levar, em sua opinião, os líderes políticos a se afastarem de posições consideradas extremas. “O eleitor confirmou que quer distância dos extremos. É contra esses extremos na área comportamental e que faz agressões às instituições que o PSDB tem que falar de forma mais firme”, afirmou. Segundo o dirigente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é o único nome da sigla colocado para concorrer à Presidência da República em 2022, “respeitando o ambiente da pulverização de alternativas no nosso campo”, o centro. Segundo Araújo, porém, a eleição na capital paulista fez Bruno Covas emergir como uma liderança no País. “São Paulo tem neste momento dois importantes líderes nacionais.”

Youtubers bolsonaristas ganham R$ 100 mil mensais – O sigiloso inquérito dos atos antidemocráticos aberto em abril para apurar a organização e o financiamento de manifestações contra a democracia revela que um negócio muito lucrativo estava por trás dos protestos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso. Mas o que mais causou surpresa foi a descoberta de que informações usadas por uma rede de canais no YouTube, investigados por promover esses atos no País, saíram de dentro do Palácio do Planalto. A conclusão consta de inquérito com 1.152 páginas, ao qual o Estadão teve acesso. Após sete meses de diligências, as apurações mostraram os elos e a convivência harmoniosa da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) com os youtubers do “gabinete do ódio”, núcleo palaciano que adota um estilo beligerante nas redes sociais. A existência desse grupo, com essa denominação, foi revelada pelo Estadão, em setembro de 2019. Trabalhando a poucos metros do gabinete do presidente Jair Bolsonaro, o assessor especial da Presidência da República Tércio Arnaud Tomaz e o Coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ajudante de ordens, são os interlocutores do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre, dentro do Planalto. Tércio é apontado no inquérito dos atos antidemocráticos como elo entre o governo e os youtubers, que possuem acesso privilegiado a Bolsonaro e informaram faturamento de mais de R$ 100 mil por mês. Integrante do “gabinete do ódio”, Tércio repassa vídeos do presidente e participa de grupo de WhatsApp com os blogueiros para “discutir questões do governo”, segundo disse em depoimento à Polícia Federal. Cid, por sua vez, admitiu que, como “mensageiro” de Bolsonaro, leva e traz recados de Allan para ele. O blogueiro atua como uma espécie de representante das demandas dos demais canais. A investigação feita pela Polícia Federal em inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, ainda não terminou, mas já atormenta Bolsonaro por fechar o cerco sobre a militância digital bolsonarista. Até agora, foram ouvidas mais de 30 pessoas, entre as quais o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), apontado como comandante do “gabinete do ódio”, e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filhos do presidente. “A propaganda de conteúdo extremista no campo digital culmina, de fato, em ações subsequentes: as manifestações reais contra o Estado Democrático de Direito, criando um ciclo que se realimenta, com a difusão das manifestações pelos canais de internet dos produtores, que, por sua vez, são alardeados e replicados em perfis pessoais de redes sociais de agentes do Estado, gerando mais visualizações (difusores)”, constatou a Polícia Federal, em relatório de 9 de julho. Não passou despercebido dos investigadores que, no período dos protestos antidemocráticos, alguns com a presença de Bolsonaro, vídeos com títulos apelativos pipocaram nas redes sociais. Nessa lista estavam “Bolsonaro rebate conspiradores”, “Bolsonaro dá ultimato para sabotadores e intromissões”, “Bolsonaro invade STF”, “A Força de Bolsonaro é maior que Congresso e STF”, “Bolsonaro e Forças Armadas fechados em um acordo para o Brasil” e “STF decidiu eliminar Bolsonaro”, como registrou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Gilmar e Toffoli votam para permitir reeleição de Maia e Alcolumbre – Em um julgamento histórico, com previsão de durar uma semana, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram na madrugada desta sexta-feira (4) para permitir uma eventual reeleição dos atuais presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na prática, o voto dos dois ministros abre caminho para que Maia e Alcolumbre concorram à reeleição em fevereiro de 2021, quando está marcada a eleição da cúpula do Congresso. Maia nega ser candidato a disputar mais dois anos à frente da Casa. Relator da ação do PTB que discute a controvérsia, Gilmar Mendes escreveu um longo voto de 64 páginas, em que entende que os membros do Congresso podem até discutir o tema e deliberar sobre o assunto internamente, desde que observado em qualquer caso, o limite de uma única reeleição ou recondução sucessiva ao mesmo cargo. No entanto, para Gilmar Mendes a regra de permitir apenas uma reeleição deve valer apenas a partir de agora, por conta do princípio da “anualidade” – para o ministro, não se pode mudar as regras do jogo faltando menos de um ano para o pleito. Dessa forma, o voto do relator permite que Maia (que já está no terceiro mandato consecutivo à frente da Câmara) dispute mais dois anos no comando da Casa.

O plano de João Doria nas mãos da Anvisa – Até quem não vai com a cara de João Doria no espectro político do centro para a esquerda reconhece que o governador paulista está correto em acreditar e trabalhar pela vacinação contra a covid-19 a partir de janeiro. Não importam mais as razões, a prioridade é não deixar o País muito atrás na corrida pela imunização. Porém, quem conhece a Anvisa por dentro acha que já seria difícil para o governador paulista obter êxito nesse cronograma mesmo se contasse com a boa vontade da agência e do Planalto. Imagine sendo inimigo de Jair Bolsonaro… O Butantã espera apresentar até o dia 15 os resultados de eficácia. Segundo o governo de SP, o processo na Anvisa está avançado e, portanto, faz mais sentido fazer o pedido de registro tradicional e, assim, definitivo. É justamente nesse ponto onde mora o perigo. O registro definitivo, na prática, significa deixar o instituto mais vulnerável às exigências e, também à burocracia da Anvisa. O outro caminho seria buscar o registro provisório. O risco, nesse caso, é ser gongado sem muitas explicações.

Governo avalia oferecer ministérios em troca de apoio à Lira na Câmara – Na ofensiva para eleger aliados como presidentes da Câmara e do Senado, o governo Jair Bolsonaro costura abrir espaços em ministérios e em cargos estratégicos para que congressistas apoiem os candidatos do Palácio do Planalto nas disputas em 1º de fevereiro do ano que vem — a principal meta é derrotar o atual detentor do posto na Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na avaliação de auxiliares do presidente, ele não vai “repetir o erro” de 2019 de não interferir na eleição da Câmara. O governo aposta suas fichas no deputado federal Arthur Lira (PP-AL) para superar Maia ou o candidato escolhido pelo grupo dele. Já no Senado, auxiliares acreditam que o Planalto possa manter Davi Alcolumbre (DEM-AP) — candidato que já contou com o apoio em 2019 —, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) permita a reeleição. Ao intensificar as negociações, surgiram iniciativas de se fazer uma reforma ministerial para poder distribuir cargos aos partidos que ajudarem a eleger Lira. Segundo auxiliares de Bolsonaro, parlamentares pediram a recriação do Ministério do Esporte, que seria oferecido ao grupo formado por PSL, PTB e Pros. O bloco soma 62 deputados e, caso conquistasse a pasta, sairia da alçada de Maia para apoiar Lira na à presidência. Se o acordo for selado, o presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), que hoje conversa com Maia, mudaria de lado. Partidos do Centrão sinalizaram a interlocutores de Bolsonaro haver interesse no Ministério da Cidadania, comandado hoje pelo deputado Onyx Lorenzoni, e também na Secretaria Geral da Presidência, ocupada por Jorge Oliveira, que vai para o Tribunal de Contas da União (TCU) em janeiro. No caso de Jorge, o almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos, era favorito, mas foi avisado pelo presidente que deve continuar na função atual. Assim, aliados de Bolsonaro acreditam que a cadeira possa ser usada na composição política. Pelos cálculos do Palácio do Planalto, Lira conta com o voto de deputados de nove partidos (PP, PL, PSD, Solidariedade, PSC, PTB, Avante, Patriota e Pros). O candidato sabe que não tem a maioria dos votos destas legendas, casos, por exemplo, de PTB e Pros, que estão conversando com Maia. Por isso, foi intensificada a ofensiva junto ao governo para trazer o maior número de apoios. Como a votação é secreta, Lira conta que os deputados possam apoiá-lo, “traindo” seus partidos. Um dos possíveis candidatos à Presidência da Câmara e aliado de Maia, o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) pondera que a pecha de governista pode atrapalhar a viabilidade de Lira: — Com todo esse clima de beligerância, que mensagem vai ser passada para o eleitor de esquerda se um deputado de esquerda apoiar o candidato do Bolsonaro? É muito difícil um deputado de partido de esquerda apoiar um candidato governista.

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