Resumo dos jornais de segunda-feira (25/01/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de segunda-feira (25/01/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Bolsonaro perde de Doria em avaliação da pandemia

CORREIO BRAZILIENSE: Congresso quer auxílio emergencial no Orçamento

O ESTADO DE S.PAULO: Com número limitado de doses, prefeitos disputam vacinas

O GLOBO: Na pandemia, exclusão digital agrava desigualdade

Valor Econômico: Piora da pandemia eleva pressão por novo auxílio

Resumo de manchetes

A manchete da Folha repercute pesquisa Datafolha, na qual para 46% dos brasileiros, o governador João Doria (PSDB-SP) fez mais contra a pandemia da Covid-19 do que Jair Bolsonaro. Já 28% apontam o presidente como político mais empenhado na tarefa do que o tucano. Não souberam dizer qual dos políticos rivais trabalhou mais contra o novo coronavírus 13%, enquanto 11% disseram que nenhum deles o fez e 2%, que ambos combateram a crise. As manchetes do Correio e Valor informam que aumenta a pressão para que o Congresso incluía, contra vontade da equipe econômica, o auxílio emergencial no Orçamento, o que tem a simpatia do presidente Jair Bolsonaro. A manchete do Estadão retrata a triste realidade da falta de um plano nacional de imunização, o que gera conflitos entre municípios, questionamentos sobre os critérios de prioridade e acusações de favorecimento. Prefeitos reclamam das quantidades recebidas e de discrepâncias em relação a cidades vizinhas. O Globo traz uma manchete que constata que a pandemia agravou a desigualdade no acesso à internet no Brasil, o que pode deixar cicatrizes sociais em crianças e jovens: com a exclusão digital e a disparidade no acesso à educação, o risco de os filhos não conseguirem ter renda superior à dos seus pais quando adultos aumenta.

Notícia do dia – Sob pressão para deixar o cargo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, desembarcou na noite de sábado (23) em Manaus, cidade que enfrenta um colapso de saúde por causa da epidemia do coronavírus. Segundo relatos feitos à Folha, a viagem foi sugerida pelo Palácio do Planalto, que tenta diminuir o desgaste de imagem do ministro. O objetivo é também rebater discurso dos partidos de oposição de que o Poder Executivo não tem atuado de maneira efetiva no combate à doença. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o ministro “não tem voo de volta a Brasília” e que “ficará no Amazonas o tempo que for necessário”. No sábado (23), a Procuradoria-Geral da República solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal), abertura de inquérito para apurar a conduta do ministro em relação à crise enfrentada em Manaus.

Notícias de primeira página

Três evangélicos disputam a próxima vaga no Supremo – A promoção do juiz federal carioca William Douglas dos Santos a desembargador no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, prevista para fevereiro, vai expor mais um lance da disputa silenciosa que ocorre nos bastidores pela próxima vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a ser indicada em julho, após a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Juízes de primeiro grau costumam ser preteridos na corrida que, além de William Douglas, já tem outros dois nomes se movimentando nos bastidores: o ministro da Justiça, André Mendonça, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins. No fim do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) recebeu em seu gabinete o juiz carioca que vai virar desembargador para tratar da nomeação. O magistrado é o preferido de lideranças evangélicas como o bispo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, e o missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, além de ser visto com bons olhos pela maioria da bancada da Bíblia no Congresso Nacional. Quem colocou as igrejas como atores preponderantes no processo foi o próprio presidente Jair Bolsonaro. Em 2019, ele prometeu entregar uma das duas vagas que tem direito a preencher durante o mandato para alguém “terrivelmente evangélico”. Quando selecionou o piauaiense Kassio Nunes Marques para a vaga do decano Celso de Mello, Bolsonaro deixou as lideranças irritadas por não serem contempladas. O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e um dos seus principais apoiadores, gravou vídeos contra a escolha, e o rompimento da aliança com o Planalto quase aconteceu.

Acidente mata jogadores e presidente do Palmas – Decepcionado com a eliminação do Palmas na primeira fase da Copa do Brasil 2020, após a derrota por 2 a 0 contra o Paraná, o presidente da Federação Tocantinense de Futebol, Leomar Quintanilha, reclamou com o presidente do clube na época, Lucas Meira, sobre o uso de jogadores muito jovens. Do empresário de 43 anos, o dirigente ouviu que, mesmo que o resultado não tivesse vindo, era uma boa oportunidade para dar visibilidade aos jogadores. Ainda mais: provavelmente, alguns teriam a oportunidade em outros clubes. Um acidente aéreo na manhã de ontem deu um golpe no avanço do projeto Palmas, baseado nessa estratégia de revelação de jogadores e indo além do status da principal força do Tocantins. Lucas Meira, de 32 anos, e outros quatro jogadores morreram após o avião que os levou para Goiânia logo após a decolagem em Luzimangues, Distrito de Porto Nacional, município a cerca de 60 km de Palmas. Ainda não há informações sobre a causa do acidente. O acidente matou o goleiro Ranule, 27, o lateral-esquerdo Lucas Praxedes, 23, o meia Guilherme Noé, 28, o atacante Marcus Molinari, 23, e o piloto Wagner Machado Junior. A viagem para Goiânia seria para o jogo de hoje, contra o Vila Nova, pela oitava rodada da Copa Verde. Os jogadores estavam no voo com o presidente porque deram positivo para o Covid-19 há dez dias e, de acordo com o protocolo da CBF, estariam à disposição do técnico Wilson Gottardo. A maioria da delegação decolaria em um voo comercial à tarde. A CBF reserva viagens da Copa Verde, mas há um limite de 23 pessoas. Devido à tragédia, a entidade adiou a partida, ainda sem nova data.

Enem registra recorde de abstenção de 55% – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou um recorde de abstenção de 55,3% ontem, segundo dia de provas deste ano. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza a aplicação do exame. O número superou a abstenção do domingo anterior, em 51,5%, que já havia sido recorde. Antes disso, a maior taxa era de 2009, 37,7%, ano em que o Enem era usado como porta de entrada para as universidades. Em 2019, a abstenção foi de 23%. – Esse número foi mais do que o agente esperava, mas gosto de olhar para o copo meio cheio- disse ontem o presidente do Inep, Alexandre Lopes, em coletiva de imprensa. – É uma vitória para o Brasil poder dar essa oportunidade ao seu jovem. No segundo dia, foram registrados 5,5 milhões, 2,5 milhões, 44,7%, efetivamente aprovados e 3 milhões, 55,3%, estavam ausentes. O estado com maior taxa de abstenção no segundo dia foi Roraima, com 63,5% ausentes. No Rio de Janeiro, 55,2% dos candidatos não compareceram ao segundo domingo das provas. O ministro da Educação Milton Ribeiro disse ontem que já esperava uma alta taxa de abstenção. Ontem, os alunos fizeram provas de matemática e ciências naturais. Segundo cálculos do GLOBO, a abstenção da semana passada já havia causado um desperdício de R$ 332,5 milhões ao governo — o custo da prova desde o ano é de R$ 117 por aluno. Desde que as portas abriram às 11h30 de ontem, candidatos e especialistas em impostos de nível em diferentes capitais já notaram um movimento ainda menor em relação ao dia 17. Se no primeiro domingo do Enem havia candidatos proibidos por causa da superlotação nas salas, com o imposto alegando que estavam seguindo medidas sanitárias, ontem não havia filas.

Rondônia registra colapso e transfere doentes com Covid – O governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL), anunciou em pronunciamento sábado (23) à noite que chegou a um acordo com o governo federal para transferir pacientes que estão em fila de espera para tratamento da Covid-19. Sem vagas para mais atendimentos, ele fez ainda um apelo para que médicos vão até o estado ajudar as equipes de saúde. “Temos equipes, mas tem uma profissão que faz grande falta: os médicos, aqueles que vão comandar essas equipes. Eu faço um apelo ao senhor doutor, a senhora doutor que, por favor, venha nos ajudar, ajudar os rondonienses porque nós temos os leitos, mas está faltando o senhor e a senhora para ajudar os demais integrantes da equipe de saúde”, afirmou. Segundo Rocha, um contato feito ontem com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, garantiu que o governo federal deve transferir pacientes e ajudar a desafogar a rede de saúde sem vagas para novos pacientes. No sábado, 543 pessoas estavam internadas tratando a doença em hospitais de Rondônia.

Grupos à direita promovem carreatas contra Bolsonaro – Um dia depois das manifestações de políticos e organizações de esquerda pelo país, com pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, neste domingo (24) grupos da direita protagonizam a mobilização nas ruas pelo afastamento. Convocados pelos grupos Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL), manifestantes vestidos de verde e amarelo fazem carreatas em várias cidades do país, entre elas, Rio de Janeiro e São Paulo, além de municípios do interior paulista. No Rio de Janeiro, os manifestantes saíram em carreta da Barra da Tijuca, na zona oeste, e foram até Ipanema, na zona sul. Eles fizeram um buzinaço pelo impeachment. Algumas pessoas colaram em seus carros cartazes lembrando o número de mortos pelo coronavírus no país. Muitos veículos levavam bandeiras do Brasil. Antes da saída dos veículos, os manifestantes cantaram o Hino Nacional e fizeram um minuto de silêncio pelos mortos vítimas da Covid-19. Em São Paulo, os manifestantes seguiram em comboio pela Avenida Paulista. Pessoas de motos e bicicletas participaram do ato. Durante o ato, os manifestantes também deram palavras de ordem contra o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Eles pediam “Fora, Gilmar”.

Empresas pedem aval para comprar 33 milhões de vacina – Empresas privadas brasileiras negociam com o governo uma autorização para importar 33 milhões de doses da vacina de Oxford/Aztrazeneca. Segundo empresários, as tratativas ocorrem com o Ministério da Saúde. O plano é que a pasta edite um ato descrevendo as condições para a liberação. Pelo acordo em andamento, metade do total dos imunizantes seria doado ao SUS (Sistema Único de Saúde). O restante iria para funcionários e familiares das companhias que fazem parte da negociação. De acordo com quem está na articulação, estão no grupo para adquirir as vacinas ao menos 12 firmas. Um texto que circula entre empresários cita grandes companhias que estariam no grupo inicial que têm interesse na vacina: Vale, Gerdau, JBS, OI, Vivo, Ambev, Petrobrás, Santander, Itaú, Claro, Whirlpool e ADN Liga. A ideia é aumentar o número de empresas e incluir quem tiver interesse. Cada uma receberia o equivalente ao que comprou. O objetivo das companhias é garantir a imunização de ao menos parte de suas equipes para manter as atividades em funcionamento. A vontade aumentou depois de o governo ter enfrentado entraves para conseguir importar vacinas e insumos. Os 33 milhões de doses —a unidade é estimada US$ 23,79— são a quantidade disponibilizada pela Aztrazeneca e poderiam chegar ao Brasil em fevereiro. Segundo empresários, a conversa com o farmacêutica é conduzida pela Dasa, que detém laboratórios e hospitais. No início do mês, o ministro Eduardo Pazuello (Saúde) disse que a prioridade seria o SUS e “uma vez supridas” as demandas do sistema, as empresas poderiam comprar vacinas disponíveis. Segundo empresários, o governo sinalizou que liberaria a importação. Procurado, o Ministério da Saúde não respondeu. A Dasa também não.

Presidente de Portugal se reelege; populista radical de direita fica em 3º – Em um pleito marcado pelo alto nível de abstenção, Marcelo Rebelo de Sousa, 72, foi reeleito presidente de Portugal neste domingo (24), com cerca de 61% dos votos válidos. O resultado garantiu ao atual chefe de Estado, já em primeiro turno, mais cinco anos no Palácio de Belém.

Portugal é um regime parlamentarista, onde o governo está nas mãos do primeiro-ministro. O presidente tem uma função mais institucional, sendo o chefe de Estado. Embora não governe, o presidente tem alguns poderes estratégicos, como a possibilidade de vetar leis e de dissolver o Parlamento. Com níveis de popularidade superiores a 70% durante a maior parte do mandato, a recondução de Rebelo de Sousa já era dada como certa, sendo a acirrada disputa pelo segundo lugar a verdadeira incógnita do pleito. Ex-diplomata e militante histórica do Partido Socialista (PS), a candidata Ana Gomes, 66, levou a melhor sobre o deputado André Ventura, 38, líder do partido de direita radical, Chega. Em uma vitória apertada, que começou com Ventura na liderança no começo da apuração, a ex-deputada europeia teve cerca de 12,8% dos votos, enquanto o parlamentar garantiu o apoio de 11,9%. A vice-liderança nas eleições presidenciais havia sido estabelecida como prioridade para André Ventura, que chegou a prometer, durante a campanha, que se demitiria da liderança do partido caso terminasse a corrida eleitoral atrás da socialista. Após conhecer o resultado final do pleito, ele afirmou que “devolveria a decisão” sobre o assunto aos militantes do partido, que tem uma plataforma de propostas polêmicas, como a castração química de pedófilos e a adoção da prisão perpétua. Embora aquém das expectativas de seu líder, a terceira colocação atingida pelo Chega —formalizado há menos de dois anos, mas que em 2019 já havia garantido, justamente com Ventura, um lugar no Parlamento— já dá sinais do crescimento do alcance da direita radical no país.

Bolsonaro tem menos apoio na Câmara que antecessores – O presidente Jair Bolsonaro contou com uma base de votos na Câmara menor que a de antecessores nos dois primeiros anos de mandato. Mesmo com o apoio de partidos do Centrão e o alinhamento maior de deputados desse bloco ao Palácio do Planalto, a adesão a Bolsonaro supera apenas a observada durante o governo de Dilma Rousseff (PT) pouco antes do impeachment, em 2016. Para cientistas políticos ouvidos pelo Estadão/broadcast, o quadro representa risco para o presidente quando cresce a pressão por seu afastamento. Levantamento do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB), produzido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), revela que, na primeira metade de seu mandato, Bolsonaro teve, em média, apoio de 72,5% na Câmara. O índice considera o alinhamento dos deputados com a liderança do governo em todas as votações, excluindo aquelas nas quais houve consenso, como o decreto de calamidade pública para enfrentar a pandemia de covid-19. Apesar de ter maioria na Câmara para aprovar projetos de seu interesse, Bolsonaro enfrenta dificuldades. Não sem motivo: o porcentual de 72,5% indica que o apoio parlamentar ao governo é inferior à base que sustentava seus antecessores desde a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2006 e 2007 a 2010). A média de apoio ao governo em votações nominais na Câmara no primeiro mandato de Lula, por exemplo, foi de 77,1% até junho de 2004. Já o ex-presidente Michel Temer, que assumiu o governo após o afastamento de Dilma Rousseff, obteve respaldo de 73,7% dos deputados no período em que permaneceu no cargo, até o fim de 2018. Nos meses que antecederam o impeachment de Dilma, no entanto, a adesão ao governo petista era de 58,2%. Agora, diante do agravamento da pandemia de covid-19 e de erros do governo na condução da crise, a aprovação ao governo Bolsonaro caiu e foram registrados nos últimos dias em diversas cidades panelaços e carreatas com o mote “Fora Bolsonaro” (mais informações nesta página). O presidente mudou a estratégia de comunicação, como mostrou o Estadão, e agora aposta na chegada das vacinas ao Brasil para superar o desgaste. Na arena política, Bolsonaro tem distribuído cargos e emendas para indicados do Centrão.

Gestão ineficiente – As críticas públicas da gestão Jair Bolsonaro à proposta da Pfizer para venda de vacinas contra covid-19 foram vistas por especialistas como atestado da inabilidade em pôr de pé um plano amplo e eficiente de imunização. O temor agora é que a guerra de narrativas afaste outras farmacêuticas com quem o Ministério da Saúde ainda poderia obter mais doses, num momento de alta de casos e óbitos. A pasta de Eduardo Pazuello divulgou anteontem nota acusando a Pfizer de buscar “marketing” na negociação e indicou pontos que, na visão do governo, pesaram contra o acordo com a farmacêutica americana. Esses obstáculos são contestados por especialistas. A Pfizer não comenta. A sucessão de trapalhadas do governo na pandemia levou partidos a discutirem o impeachment do presidente. Uma das razões citadas pela pasta é o fato de a Pfizer só ter acenado com dois milhões de doses no 1º trimestre. “Para o Brasil, causaria frustração”, disse a Saúde, “pois teríamos, com poucas doses, que escolher, num país continental com mais de 212 milhões de habitantes, quem seriam os eleitos a receberem a vacina”, prosseguiu. Mas Pazuello foi na última sexta-feira ao Aeroporto de Guarulhos para recepcionar a mesma quantidade de doses da vacina Oxford/AstraZeneca que o ministério importou da Índia para acelerar a imunização, após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sair na frente com a Coronavac. Em 2020, o governo chegou a negociar com a Pfizer 70 milhões de doses para 2021, mas a compra não avançou e o Brasil perdeu lugar na fila, apesar de alertas da farmacêutica para a alta demanda. “Dois milhões de doses (da Pfizer) eram pouco em setembro, (mas) sexta-feira recriaram uma ‘fonte luminosa’ e um ‘coreto’ para receber a mesma dosagem (da Oxford)”, criticou o epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, no Twitter.

Curso técnico cresce com desemprego e pandemia – Rápidos e relativamente baratos, ensinos técnico e profissionalizante, além de cursos livres, têm registrado aumento de procura na pandemia. Em geral, os interessados são jovens em busca do primeiro emprego e trabalhadores à procura de recolocação. Só no Senai, o aumento nas matrículas foi de 64% em cursos online no ano passado, em comparação com 2019.

 

Outros destaques

Baleia Rossi fala em analisar pedidos ‘com equilíbrio’ – Candidato à presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) afirmou ontem que, caso eleito, analisará “com equilíbrio” os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Ele também questionou se seu principal rival na disputa, Arthur Lira (PP-AL), teria algum “combinado” com o Planalto sobre isso. “O compromisso é cumprir a Constituição. Como presidente, não abrirei mão de minhas funções. Analisarei com equilíbrio os pedidos. Por quê? Arthur Lira engavetaria sem cumprir seu papel com independência? Existe algo combinado entre o Planalto e Lira neste sentido?”, disse Baleia em sua página no Twitter, respondendo a questionamento do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP.

‘É o Brasil que está contra o mundo’, diz Sérgio Amaral – Embaixador do Brasil em Washington de 2016 a 2019, Sérgio Amaral diz que o País está isolado e colhe os frutos de uma política externa “equivocada”. “Não é o mundo que está contra o Brasil, é o Brasil que está contra o mundo. Precisamos fazer uma avaliação dos custos que essa política externa está trazendo. O Brasil está sozinho”, disse à Coluna. Segundo ele, as grandes nações já estão discutindo como será o mundo do pós-pandemia, e o Brasil, nessa toada, não fará parte dele porque ficou ao lado de uma minoria que inclui Hungria e Polônia. Joe Biden (EUA) está com uma forte agenda ambientalista e, provavelmente, pedirá medidas concretas e quantificáveis do Brasil para impedir o desmatamento, avalia Amaral. “Mas será que o Brasil vai fazer isso?, questiona ele. “Os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Ernesto Araújo (Itamaraty) não têm credibilidade para levar adiante um programa de mudança”, afirma Sérgio Amaral. A carta de Jair Bolsonaro para Biden nesta semana, na avaliação de Amaral, é positiva, embora tardia. “Sinaliza, se não uma mudança, pelo menos uma intenção de mudança.”

‘Vacina causa apreensão, mas impeachment não prospera’ – A senadora Simone Tebet (MDB-MS), candidata à presidência do Senado, avalia que não há clima político para um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Apesar da apreensão nas ruas com o atraso na vacinação contra a covid-19, a parlamentar não vê hoje ambiente para o Congresso afastar o chefe do Executivo. “Neste momento, o impeachment não tende a prosperar”, afirmou a parlamentar, em entrevista ao Estadão. Diante da pressão por uma nova rodada do auxílio emergencial, a senadora do MDB afirmou que o benefício precisa ser discutido com urgência. Ela lançou, porém, a responsabilidade para o governo federal. Em uma tentativa de se contrapor ao adversário e candidato do Palácio do Planalto, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que não se pode mexer no teto de gastos, mas admitiu uma nova rodada do auxílio emergencial por crédito extraordinário, que fica fora da limitação.

Sem máscara, Bolsonaro passeia em Brasília – Sob críticas sobre sua postura no combate à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) passeou de motocicleta neste domingo (24) na capital federal. Na companhia de seguranças, o presidente dirigiu por cerca de uma hora. No trajeto, ele chegou a parar em uma banca de frutas, mas logo subiu de volta no veículo com a chegada da imprensa. O passeio ocorre quando partidos de oposição e entidades da sociedade civil defendem a instauração de um processo de impeachment diante do discurso negacionista do presidente. Para tentar evitar a abertura de um procedimento, Bolsonaro intensificou a articulação nos últimos dias pela eleição do líder do centrão, Arthur Lira (PP-AL), para o comando da Câmara dos Deputados. O líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), por exemplo, foi escalado para ajudar Lira na tentativa de virar votos hoje a favor do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), candidato do presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). Acuado, o Palácio do Planalto resolveu ajustar o discurso para evitar uma piora do cenário e começou, sob a orientação do ministro Fábio Faria (Comunicação), a implementar um plano de comunicação.

Ibope irá fechar no fim de janeiro – O Ibope Inteligência, empresa de pesquisas de opinião, política e mercado, irá deixar de existir no fim de janeiro. A marca Ibope foi vendida para a inglesa Kantar em novembro de 2014. Desde então, passaram a existir duas empresas: a Kantar Ibope Media –controlada pela companhia inglesa, que passou a ter o controle acionário das operações da divisão de mídia–, que realiza medições de audiência de TV; e a Ibope Inteligência, que manteve o nome por acordo de direito de licenciamento da marca. O encerramento das atividades da Ibope Inteligência coincide com o fim do direito de licenciamento da marca, que passará a pertencer totalmente à inglesa Kantar. A família Montenegro, que controla a Ibope Inteligência, irá deixar o ramo após 79 anos de atividade. Segundo O Globo, Márcia Cavallari, presidente do Ibope desde 2010, irá se juntar a alguns executivos que trabalhavam com ela para abrir o Ipec (Inteligência, Pesquisa e Consultoria), também na área de pesquisa.

Senadora manda carta pedindo votos – A senadora Simone Tebet (MBD-MS), candidata à Presidência do Senado, enviou uma carta a senadores pedindo votos para a disputa de fevereiro. Com o adversário na frente — Rodrigo Pacheco (DEM-MG) é apoiado pelo Palácio do Planalto —, a estratégia da parlamentar é “ficar rouca de tanto ouvir”, conforme escreveu no texto aos colegas. “Fortalecida pela forma como minha candidatura foi abraçada, primeiro pelos setores da sociedade civil organizada dentro do MDB, comecei a colocar em prática a estratégia que me impus quando aceitei essa missão: ficar rouca de tanto ouvir”, escreveu a parlamentar, no documento enviado aos senadores, ontem, a uma semana da disputa que definirá quem comandará a Casa até o início de 2023.

Batalha final para conter os infiéis – Já na reta final da corrida pela Presidência do Senado, os dois principais candidatos, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS), vão focar suas agendas — até 1º de fevereiro, data da eleição — em reuniões com bancadas partidárias, no intuito de evitar dissidências em seus grupos. O pleito para a Mesa Diretora da Casa está embolada e, apesar do otimismo, nenhum dos lados crava quem vai sair vitorioso. Pacheco, que lançou a campanha antes da adversária, conta com um bloco maior. Além do DEM, o senador é chancelado por PSD, PP, PL, Pros, PSC, PDT, PT e Republicanos. Ele tem como cabos eleitorais o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o presidente Jair Bolsonaro. Pelos cálculos dos aliados, o parlamentar já teria 42 votos, suficientes para se eleger (o mínimo são 41). “Pacheco conseguiu construir boas alianças neste período de campanha. Além do mais, teve o apoio do presidente Davi, do qual eu tenho proximidade e sei que fez uma boa escolha para sua sucessão”, defende o senador Elmano Férrer (PP-PI). Mesmo apoiado pelo Palácio do Planalto, Pacheco conseguiu atrair a bancada do PT, que tem seis senadores. Para Humberto Costa (PT-PE), a relação com o chefe do Executivo não foi determinante para a escolha do partido. “Pacheco nos garantiu que seguirá com uma postura independente, mesmo tendo a simpatia do governo Bolsonaro. Nosso compromisso é manter o Senado como uma Casa e um poder autônomo”, defende o parlamentar petista. Apesar de seus partidos estarem no bloco do político mineiro, alguns senadores tendem a escolher Simone Tebet. A votação é secreta, portanto, “traições” não podem ser controladas pelas legendas. É justamente nessas possíveis reviravoltas que a campanha da emedebista tem apostado as articulações. Por isso, Tebet sustenta o discurso anti-Bolsonaro para ganhar votos na Casa. A intenção, nos próximos dias, é pregar a imagem de governista no adversário. Recentemente, a candidata divulgou notas com diversas críticas ao comandante do Planalto, entre as quais, que ele perdeu a guerra das vacinas, teve “arroubos autoritários e machistas” e que os candidatos do MDB às Presidências do Senado e da Câmara (Baleia Rossi, de São Paulo) ganham votos a “cada vez que ele abre a boca”. Na outra Casa, Rossi rivaliza com Arthur Lira (PP-AL), respaldado pelo Planalto.

“O PSol tem que cutucar e tem autoridade para isso” – Única mulher entre os nove candidatos à presidência da Câmara dos Deputados, Luiza Erundina foi escolhida pelo PSol, após o partido ser o único da oposição a não fechar acordo com o bloco do também candidato Baleia Rossi (MDB-SP). A parlamentar, de 84 anos, chega na disputa apenas dois meses depois de ter concorrido como vice-prefeita na chapa de Guilherme Boulos à prefeitura de São Paulo. Em entrevista ao Correio, a parlamentar destaca que vem sofrendo pressão de diversas lideranças partidárias para que abra mão de sua candidatura, no entanto, ela descarta essa possibilidade. Na sexta-feira, Erundina criticou o partido no Twitter ao reclamar de supostas negociações da sigla com outras legendas: “É lamentável que o PSol negocie suas convicções e compromissos políticos históricos ao aderir ao fisiologismo e à barganha por cargos na Mesa da Câmara. Essa é uma prática dos partidos de direita com a qual eu não compactuo”. O PSol foi o único partido da oposição que não aceitou embarcar na candidatura de Baleia Rossi. A senhora concorda com esse posicionamento da esquerda e qual o objetivo da sua candidatura? Eu aceitei esse convite com muita honra. O PSol tentou um acordo com os diversos partidos da oposição, para que nós tivéssemos uma candidatura própria e de forte oposição ao governo Bolsonaro. Não precisava ser o meu nome, mas, infelizmente, não chegamos a um acordo, pois eles entenderam que a melhor opção para derrotar o candidato do Bolsonaro era apoiar o Baleia no primeiro turno. Respeito. Mas acredito que nossa candidatura abre discurso para debatermos com a sociedade e com esse espaço vamos poder apresentar nossas ideias. É assim que se faz política.

Ameaça ao acordo com europeus – Em abril de 2019, um grupo de 600 cientistas publicou, na prestigiosa revista Science, uma carta pedindo que a União Europeia condicione as negociações comerciais com o Brasil à maneira com que o país protege os direitos humanos e o meio ambiente. Um dos signatários é o brasileiro Tiago Nogueira Pimenta dos Reis, pesquisador de política ambiental da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Procurado pela reportagem, ele comentou sobre os desdobramentos verificados desde então. “Não houve avanço real em termos de renegociar o acordo (com o Mercosul). No entanto, vários países-membros da UE retiraram seu apoio ao acordo publicamente, e alguns parlamentos nacionais passaram moções desaprovando e declarando que não vão ratificar o acordo”, relata. “Minha opinião é que não será ratificado até o Brasil mostrar medidas e políticas reais com resultados concretos, no mínimo, reduzindo o desmatamento, que só aumenta. Não há viabilidade política na Europa para aprovar isso. Se o Brasil conseguir acabar com o desmatamento, o que provavelmente só ocorrerá num próximo governo, o acordo deverá sair da gaveta.”
Sobre outros fatores verificados nesse período, Tiago Reis relatou que “tem havido boicotes a frutas brasileiras, que não têm nada a ver com desmatamento, e à carne brasileira, esta, sim, bastante responsável”. O pesquisador também destacou que um exemplo bastante ilustrativo da situação de isolamento enfrentada pelo Brasil é o fato de o país não ter sido convidado para participar da Cúpula do Clima das Nações Unidas, realizada em dezembro, com a presença de cerca de 80 chefes de Estado e governo. “A imagem do Brasil é péssima. Nunca foi tão ruim. Talvez, tenha sido pior nos governos militares, mas havia menos acesso à informação do que hoje. Portanto, qualitativamente, podemos dizer que nunca a imagem do Brasil esteve tão ruim no mundo e, entre as diversas causas dessa péssima imagem, a política ambiental brasileira é uma das principais”, conclui.

‘Não vejo ameaças no momento’ – Mesmo sem apoio do presidente Jair Bolsonaro, a candidata do MDB à presidência do Senado, Simone Tebet (MS), considera que possui afinidade com a pauta econômica do governo e destaca que apoiou mais propostas do Executivo do que o seu principal adversário, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Simone considera que um eventual processo de impeachment contra Bolsonaro dependeria de vontade popular, mas ressalta pesquisas que mostram falta de apoio no momento. Apoiada por caciques do MDB depois de ter enfrentando Renan Calheiros em 2019, a senadora diz: “não fui eu quem mudei”.

‘A nossa vacina pode mudar o rumo da pandemia no Brasil’ – Comandante da Sinovac, a farmacêutica chinesa que produz uma das duas únicas vacinas contra a Covid-19 aprovadas até o momento no Brasil para uso emergencial, Yin Weidong defende a eficácia do imunizante que será produzido no país pelo Instituto Butantan. A CoronaVac é o imunizante, aposta, “capaz de frear a pandemia no Brasil”. — Nosso foco é nos “três nãos”: não à necessidade de tratamento médico, não à doença severa e não à morte. De acordo com a fase três dos testes clínicos, esse objetivo pode ser alcançado — diz o CEO. Yin disse ainda que a nova variante da Covid-19 detectada no Amazonas preocupa os chineses, mas que testes mostraram que a CoronaVac oferece proteção também para algumas das novas mutações do vírus. O novo surto de Covid-19 que colocou o gigante asiático em alerta nas últimas semanas acabou alterando na última hora o local da entrevista. É que a região em que se localiza a nova unidade da Sinovac onde está sendo fabricada a CoronaVac entrou em lockdown após a descoberta de novos casos do vírus. A Sinovac antecipou que o presidente da empresa não responderia a duas questões: sobre o envolvimento de Yin Weidong num caso de suborno a um funcionário de uma agência reguladora chinesa entre 2002 e 2011; e sobre detalhes do contrato da Sinovac com o Butantan que teriam impedido o instituto brasileiro de divulgar os resultados completos dos testes clínicos feitos no Brasil. Mais tarde, o laboratório enviou nota ao GLOBO em que esclarece que a Sinovac “está concentrada no progresso significativo da CoronaVac, fazendo a sua parte em uma missão extremamente importante para ajudar a combater a pandemia global. As alegações contra o presidente da Sinovac foram feitas mais de uma década atrás. Observamos que nem a empresa nem Yin jamais foram processados judicialmente por qualquer autoridade governamental em conexão com essas alegações”. Já, o acordo com o Instituto Butantan, informa a nota, “prevê que os resultados clínicos devem ser confirmados por ambas as partes. O objetivo é que os resultados sejam precisos e nós estávamos totalmente conscientes de que os resultados seriam eventualmente levados a público pela Anvisa para registrar a vacina”.

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