Resumo dos jornais de segunda-feira (22/02/21) | Claudio Tognolli

Resumo dos jornais de segunda-feira (22/02/21)

Editado por Chico Bruno

Manchetes

FOLHA DE S.PAULO: Primeiras doses elevam apoio a vacinas no mundo

CORREIO BRAZILIENSE: Novo lote de CoronaVac deve chegar amanhã

O Estado de S.Paulo: Sem Congresso ativo, STF faz ‘reforma tributária’ silenciosa

O GLOBO: Mudança no comando trava reestruturação da Petrobras

Valor Econômico: Intervenção na Petrobras traz turbulência ao mercado

Resumo de manchetes

A manchete da Folha informa que em diversos países do mundo a aplicação das primeiras doses levou a um aumento do apoio às campanhas de imunização. Na França, onde em dezembro 58% da população rejeitava o imunizante, 56% declararam em janeiro que se vacinariam. O salto pode ser visto também na Espanha, onde a intenção aumentou mais de 20 pontos, de 52% em dezembro para 66% em 7 de janeiro e 73% no dia 5 de fevereiro. No Reino Unido, o primeiro país ocidental a vacinar sua população, a alta foi de 63% para 86%. Os EUA também tiveram uma virada acentuada. No levantamento inicial em julho, 66% se disseram dispostos a receber a injeção, percentual que caiu para 50% em setembro, mas alcançou 71% no estudo mais recente, no fim de janeiro. A manchete do Correio informa que reunião marcada para hoje de manhã, no Ministério da Saúde, definirá o número de doses destinadas ao Distrito Federal. A taxa de ocupação dos leitos de UTIs reservados para o tratamento da covid-19 está em 85,84% no DF. Perto de um ano da confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, o país ainda se vê diante de erros na gestão da crise sanitária. O número de mortos na pandemia está próximo de 250 mil pessoas. O Estadão revela em sua manchete que com a agenda de reformas praticamente desativada no Congresso durante pandemia da covid-19, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem feito uma reforma tributária silenciosa por meio dos julgamentos no plenário virtual da Corte. Usando a ferramenta online, ministros têm mudado interpretações e jurisprudências sobre impostos como ICMS, ISS e tributos federais. O Globo e o Valor privilegiam em suas manchetes a intervenção de Bolsonaro na Petrobras e avaliam os custos desta decisão. O Globo informa que gestoras de investimentos já começam a recomendar para seus clientes a venda de ações da Petrobras. Uma das preocupações dos agentes do mercado é saber se a intervenção presidencial vai se limitar à petroleira ou poderá afetar outros setores. O Globo aborda, ainda, que a troca no comando da Petrobras deve travar a venda de refinarias e de ações da estatal na BR na Bolsa, o que tinha previsão de ocorrer entre abril e maio. Estas operações fazem parte de uma estratégia de reestruturação da companhia que começou no governo de Michel Temer. Já o Valor, lembra aos leitores que a estatal tem 43,11% do seu capital total nas mãos de investidores estrangeiros. Analistas, ouvidos pelo Valor, avaliam muita turbulência com a alta do dólar e dos juros de longo prazo e queda da bolsa.

Notícia do dia:

Primeiras páginas

Bolsonaro faz pressão por redução na conta de luz – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pressiona as equipes econômica e de energia por medidas para baixar a conta de luz. A ideia é usar R$ 70 bilhões de um fundo setorial e tributos federais para reduzir tarifas. O movimento é feito atento à reeleição. A investida ocorre após a intervenção política na Petrobras. Neste ano, o reajuste tarifário estimado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) será de cerca de 13%. No sábado (20), Bolsonaro afirmou que vai “meter o dedo na energia elétrica, que outro problema também”. Assessores do Planalto afirmam que uma das propostas para conter a alta é a destinação de R$ 20 bilhões pelo governo para a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) —fundo setorial financiado por consumidores para criar políticas públicas, como redução de tarifas, especialmente para os mais pobres. As discussões no momento giram em torno da manobra fiscal necessária para permitir uma injeção de recursos desse porte quando o governo também pretende estender o auxílio emergencial para aqueles que ainda sofrem os efeitos da pandemia do coronavírus. Essa medida deverá ser combinada com outra já em curso na Aneel. A agência reguladora estuda como será a devolução de cerca de R$ 50 bilhões pagos a mais pelos consumidores nas contas de luz.

Centrão quer só suspensão para Daniel Silveira – Apesar da votação expressiva para manter a prisão de Daniel Silveira (PSL-RJ), deputados ligados ao centrão e aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apostam e articulam uma punição mais branda no Conselho de Ética da Câmara. Em reservado, congressistas próximos ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), trabalham para que o conselho decida pela suspensão, em vez da cassação do colega bolsonarista. A estratégia pró-Silveira dependeria, argumentam, de um processo longo no colegiado. Isso contribuiria para diminuir a pressão da sociedade, mas exigiria também um comportamento mais reservado do próprio deputado. Silveira está preso desde terça-feira (16), após ter publicado um vídeo com ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e com apologia da ditadura militar. A prisão em flagrante foi ordenada por Alexandre de Moraes. O colegiado se reúne nesta terça-feira (23) para instaurar o processo. Uma radiografia momentânea do órgão poderia sugerir uma situação adversa a Silveira, principalmente inflada pela decisão de sexta. Dos 19 deputados do conselho —que está incompleto, seriam 21 ao todo—, 12 votaram pela manutenção da prisão no plenário, 4 foram contrários e 3 não votaram. A votação no plenário, no entanto, não significa garantia de que a posição deve se repetir no conselho, para um lado ou para outro.

Casos de Silveira e Flordelis terão prioridade – Em meio ao impasse sobre a ordem de tramitação de processos contra deputados no Conselho de Ética da Câmara, o presidente do colegiado, Juscelino Filho (DEM-MA), informou ao GLOBO que os casos de Daniel Silveira (PSL-RJ) e de Flordelis (PSD-RJ) serão pautados e devem ter relator designado na sessão de amanhã. Os dois casos vão tramitar paralelamente, com prioridade sobre outros processos como o de Carlos Jordy (PSL-RJ), Bibo Nunes (PSL-RS), Carla Zambelli (PSL-SP), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Alê Silva (PSL-MG) e Filipe Barros (PSL-PR) acusados pelo PSL de quebra de decoro ao fazer críticas aos integrantes do seu próprio partido. Há o caso, ainda, de Wilson Santiago (PTB-PB) acusado de quebra de decoro por suspeita de corrupção, o caso ainda não chegou ao Conselho de Ética e aguarda parecer da Mesa Diretora.

Mortes por Covid estão em queda no mundo – O número de novos casos da Covid-19 no mundo vem caindo nas últimas semanas. De acordo com o boletim semanal mais recente da Organização Mundial da Saúde, do dia 16 deste mês, houve uma redução de 16% nas infecções em relação à semana anterior. A queda, segundo afirmam especialistas, é resultado do endurecimento das medidas restritivas implementadas no fim do ano passado e do início da campanha de vacinação contra o vírus, além de imunidade coletiva — embora este último, segundo apontam estudos, seja um fator transitório. Desde que os primeiros casos do novo coronavírus foram confirmados, em janeiro do ano passado, o mundo já registrou mais de 111 milhões de infecções e quase 2,5 milhões de mortes provocadas pela doença altamente contagiosa. Segundo o relatório da OMS, a semana encerrada no dia 16 também registrou uma queda de 10% nos novos óbitos. Essa tendência aparece desde meados de janeiro, pelo menos. No entanto, apesar de ser uma boa notícia a respeito da crise sanitária, há muitas ressalvas. Enquanto alguns países acompanham a tendência global de queda nos casos e mortes, outros seguem na direção contrária. É o caso do Brasil, que desde o dia 21 de janeiro registra uma média de mortes acima de mil por dia. O Brasil é o segundo país no mundo com mais mortes pela Covid-19 — 244 mil ao todo — e o terceiro com mais casos, tendo registrado mais de 10 milhões de infecções. Com os gargalos na produção e distribuição da vacina contra a Covid-19, o país só conseguiu imunizar com uma dose 2,74% da população, segundo dados do consórcio de veículos do qual O GLOBO faz parte. Aqueles que receberam a segunda dose somam 0,53%, muito longe da proporção necessária para a volta da normalidade.

Entidades criticam proposta de Lira de desvincular Orçamento – Gestores públicos e especialistas de áreas como a Saúde e a Educação discordaram da proposta do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de promover a desvinculação do Orçamento, ou seja, derrubar a obrigatoriedade de destinação de percentuais mínimos para cada área. Atualmente, a Constituição determina que os estados devem destinar 12% de seus recursos para a saúde e 25% para a educação, enquanto, no Orçamento federal, os índices são de 15% e 18%, respectivamente. Integrantes do Conselho Nacional de Saúde e do Conselho de Secretarias Municipais da área afirmaram temer uma eventual redução de recursos. A presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz, diz que a mudança poderia “desmanchar a lógica” do Fundeb, que reorganizou a distribuição de recursos na área. Lira apresentou a ideia em entrevista ao GLOBO, publicada na edição de ontem. O deputado argumenta que o engessamento do Orçamento reduz o poder do Legislativo na definição sobre aplicação dos recursos públicos. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é favorável à tese de Lira. Para passar a valer, a mudança exigiria mudar trechos da Constituição, mediante a aprovação no Congresso de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

Venda de refinarias da Petrobrás vira dúvida – Tão importante quanto uma eventual mudança na política de preços dos combustíveis, com a Petrobrás sob o comando do general Joaquim Silva e Luna, é saber se a estatal manterá o plano estratégico de negócios traçado nas últimas gestões, dizem analistas. Especialmente em relação às vendas de ativos, com a prioridade dada à exploração do pré-sal e a saída de áreas menos rentáveis para a companhia. Silva e Luna, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar a presidência da estatal no lugar de Roberto Castello Branco, já veio a público dizer não ver possibilidade de interferência nos preços dos combustíveis, uma vez que a decisão sobre o tema é colegiada. Mas que é preciso enxergar, além dos acionistas e do lucro, o impacto causado pela empresa em toda a população. A intervenção foi feita após pressões dos caminhoneiros, por conta do aumento dos combustíveis. “As refinarias (que estão no programa de desinvestimento) vendem derivados”, diz Gustavo Loyola, sócio da consultoria Tendências. “Se elas não pertencem mais à Petrobrás, como ela vai poder controlar os preços?” Além disso, diz Loyola, a visão de generais não costuma historicamente ser pró-privatização. “Será que ele vai continuar nesse programa ou ter a confiança de potenciais compradores?”, diz. Na prática, a dúvida dos analistas – e também dos investidores – é saber se Silva e Luna comandará a petroleira de maneira profissional ou se obedecerá às demandas do Palácio do Planalto. “O Silva e Luna é mais um pau mandado, mais um (ministro da Saúde, general Eduardo) Pazuello”, diz Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC), referindose à percepção de que o general à frente da Saúde teria permanecido no cargo apenas por não ter contestado as convicções de Bolsonaro em relação ao combate à pandemia, ao contrário de seus antecessores.

Marcelo Ramos diz que radicais da Câmara atrasam o País – O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), avalia que o bolsonarismo radical atrapalha a agenda econômica do próprio governo de Jair Bolsonaro ao ocupar o tempo do Legislativo com polêmicas como a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ). No segundo mandato federal, Ramos, de 47 anos, começou sua vida política na esquerda, como filiado ao PC do B. Foi eleito outras duas vezes deputado estadual. Agora, no segundo principal cargo na Mesa Diretora comandada por Arthur Lira (PP-AL), um político aliado ao Palácio do Planalto, o parlamentar se considera “independente” em relação ao governo. Ele criticou medidas recentes, como os decretos que ampliaram a posse e o porte de armas para caçadores, atiradores e colecionadores. Mesmo diante das divergências, Marcelo Ramos diz que não é o “Hamilton Mourão” de Lira – o vice-presidente da República se notabilizou nos últimos dois anos por discordar em público de Jair Bolsonaro.

Força do silêncio – O silêncio de Jair Bolsonaro diante das ações dos extremistas de sua base política, como no caso do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), dá aval para militância agir. Ao mesmo tempo que costura acordos de boa vizinhança com lideranças do Judiciário e do Congresso, o presidente Jair Bolsonaro silencia diante das ações dos extremistas de sua base política. Na última semana, manteve distância do caso de Daniel Silveira, deputado do PSL do Rio que fez ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal, sem impor um freio aos comportamentos antidemocráticos dos apoiadores fiéis. A estratégia para manter a ala ideológica coesa foi seguida à risca. O silêncio de Bolsonaro não foi acompanhado nas redes sociais e no Congresso pelo seu exército, sobre o qual ele exerce plena influência. Mesmo com a Câmara mantendo a prisão de Silveira, deputados que ascenderam graças ao bolsonarismo e integram o núcleo duro do presidente partiram para cima da Suprema Corte em reação à ordem do ministro Alexandre de Moraes de prender o parlamentar em flagrante. Carlos Jordy (PSL-RJ) chamou Moraes de “vagabundo” e cobrou postura da cúpula da Câmara contra os “ditadores” do STF. Otoni de Paula (PSC-RJ) convocou movimentos de direita contra a “ditadura da toga”. Alê Silva (PSL-MG) disse que a Suprema Corte se contradiz porque “quase morre do coração” quando alguém se refere ao Ato Institucional n.º 5 e “não se constrange” ao usar uma lei do mesmo período para aplicar a prisão. Eduardo Bolsonaro (PSLSP), filho do presidente, defendeu o deputado preso em nome da “liberdade de expressão”. Jair Bolsonaro ignorou a crise com seu aliado ao longo da semana. Na transmissão ao vivo que faz às quintas-feiras no Palácio da Alvorada, falou por cerca de uma hora. Entre a ameaça ao presidente da Petrobrás e uma amenidade e outra, desprezou o tema. Publicamente, não defendeu Silveira contra o STF, mas também não deu orientações à sua base mais radical para que não o fizesse.

Fiocruz prevê mais 2 milhões de doses ainda nesta semana – A Fiocruz confirmou que receberá mais dois milhões de doses prontas da vacina AstraZeneca/Oxford da covid19, que virão do Instituto Serum, da Índia. O lote deve chegar até o fim da semana. Em algumas cidades, como o Rio, a campanha parou por falta de imunizante. Já o Ministério da Saúde pediu ontem ajuda ao Planalto para destravar as negociações com as farmacêuticas Pfizer e Janssen. O acordo firmado entre Fiocruz, a farmacêutica britânica AstraZeneca e o Serum prevê a aquisição de dez milhões de vacinas importadas. Os outros oito milhões serão importados ao longo dos próximos dois meses, mas ainda não há datas. Cobrado por vários países, o CEO do Serum, Adar Poonawala, pediu no sábado paciência aos governos e disse priorizar a demanda da Índia, de 1,3 bilhão de habitantes. Em janeiro, o Serum já havia enviado dois milhões de doses ao Brasil, em complica negociação diplomática da gestão Jair Bolsonaro. Na última semana, capitais – como Rio, Salvador e Cuiabá – anunciaram interrupção da aplicação da 1ª dose da vacina. A escassez tem elevado a pressão sobre Bolsonaro e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Debate sobre lei para defender democracia já dura 30 anos – O primeiro projeto apresentado na Câmara dos Deputados para debater a revisão da Lei de Segurança Nacional (LSN) vai completar 30 anos de tramitação em dezembro. Usada como base para prender o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) na semana passada, a lei promulgada ainda na ditadura militar tem sido amplamente aplicada desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu a Presidência – servindo de instrumento para investigar de jornalistas a advogados –, mas segue contestada e alvo de 23 propostas legislativas que preveem sua modificação ou revogação. O primeiro projeto neste sentido foi apresentado em 1991, três anos após o Brasil ganhar uma nova e democrática Constituição. A Carta de 1988, no entanto, não deixava claro – como ainda não deixa – se a LSN deveria continuar a ser aplicada com a mudança de regime. O Supremo Tribunal Federal ainda não decidiu a respeito. Deputado pelo PT na época, o jurista Hélio Bicudo (morto em 2018) apresentou um projeto que definia o que eram crimes contra o Estado Democrático de Direito e o equilíbrio entre os Poderes. Ele se baseava em uma outra proposta, do governo de José Sarney, que revogava por completo a LSN. Desde então, outros 22 textos foram apensados ao projeto original. O último deles, de autoria dos deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e João Daniel (PT-SE), institui a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, em substituição à LSN. Desenvolvido em parceria com um grupo de juristas, que inclui nomes como Pedro Serrano, Lenio Streck, Juarez Tavares e Carol Proner, o texto é baseado em normas internacionais de países que, como o Brasil, já viveram ditaduras. Teixeira acredita que a prisão de Silveira possa resgatar o debate no Legislativo. Na sexta, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou a criação de um grupo para estudar leis que definam a relação entre os Poderes. “Nossa proposta pune, por exemplo, quem faz apologia a ditaduras, como foi o caso, e agrava a pena quando se trata de agente público civil ou militar”, diz o petista, que lista no projeto uma série de países que têm leis para defender a democracia, da Alemanha ao Chile. Segundo Teixeira, desde que Bolsonaro chegou ao poder há “exagero” no uso da legislação. Levantamento do Estadão no ano passado comprova a percepção: nos oito anos da gestão do ex-presidente Lula (2003-2010) foram abertos 29 inquéritos com base na LSN. Sob Bolsonaro, de janeiro de 2019 a junho de 2020, a Polícia Federal abriu 30. O governo Bolsonaro tem recorrido a LSN para mandar investigar quem o critica. Foi o que fez o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, em relação ao ex-presidente Lula, por exemplo, e é o que tem feito o atual ministro André Mendonça com jornalistas, cartunistas e advogado”, diz Serrano.

Outros destaques

De luto, Senado define futuro da CPI da Covid-19 – O Palácio do Planalto promete procurar todos os senadores que assinaram o pedido de criação da CPI da Covid-19. Não será fácil, porém, evitar a instalação da comissão: para além dos erros e omissões do Ministério da Saúde e da irresponsabilidade Jair Bolsonaro perante a pandemia, a crise do coronavírus virou um drama pessoal para muitos dos senadores. “Lamentavelmente, não perdi um amigo, mas vários. Meu Amazonas está passando um momento muito difícil. Em 39 anos de vida pública, nunca vi algo parecido”, afirma Eduardo Braga. “O governo não vai conseguir tirar assinaturas para a criação da CPI, está muito difícil”, afirma Braga (AM), líder do MDB. “CPI é instrumento de pressão para fazer as coisas andarem, precisamos encontrar respostas”, diz ele. Braga se emocionou na última reunião de líderes ao relatar a perda de inúmeros amigos em Manaus, capital que registra índices ruins no enfrentamento da doença. Outros senadores relatam dramas pessoais. A mãe de Jayme Campos (DEM-MT) foi uma das vítimas. No início deste mês, morreu o senador José Maranhão (MDB-PB). Além do contato direto com os senadores, o governo federal aposta na “comissão temporária de monitoramento das ações contra a covid-19”, que deverá ser instalada ainda nesta semana no Senado, para tentar esfriar a CPI. O líder do governo Fernando Bezerra (MDB-PE) pede: esperem uns dez dias para avaliar o andamento dos trabalhos da comissão de acompanhamento para, só então, decidir pela abertura da CPI. Essa comissão, no entanto, tem como objetivo principal monitorar a vacinação contra a covid-19 no País, sem poder de quebrar sigilos, por exemplo. O próprio autor do requerimento que criou a comissão, Braga, avalia que a CPI tem outra finalidade.

Deputada bolsonarista pró-cloroquina é imunizada com Coronavac – A deputada bolsonarista Soraya Manato (PSL-ES) recebeu dose da Coronavac em 25 de janeiro, dia em que o governo de seu estado abriu vacinação para trabalhadores da saúde. A parlamentar é defensora do tratamento precoce para o coronavírus e posta com frequência reuniões com equipes do governo federal para conseguir mais hidroxicloroquina, cloroquina ou ivermectiva para o Espírito Santo. Os remédios não têm eficácia comprovada contra a Covid-19 e médicos têm apontados efeitos colaterais graves a partir de seu uso. Ela diz ao Painel que preferia ter sido imunizada com outra vacina que não a Coronavac, mas que não há como escolher. E afirma que tomará a outra dose nesta segunda (22).

Supremo homologa acordo entre PGR e Onyx – O ministro Marco Aurélio Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), homologou na noite de sexta-feira (19) o acordo de não persecução penal assinado entre o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni (DEM), e a PGR (Procuradoria-Geral da República). A informação foi confirmada à Folha pelo ministro da corte. Onyx confessou ter recebido dinheiro ilegal da empresa JBS em 2012 e 2014, como caixa dois de campanha. O valor repassado foi de R$ 300 mil (cerca de R$ 437 mil, com a correção da inflação). Para não ser responsabilizado criminalmente, o ministro do governo de Jair Bolsonaro fez um acordo com a PGR, em que se comprometeu a pagar uma multa de R$ 189 mil. “Fiquei vencido, e acabou suplantada a questão da declinação [da investigação para a Justiça Eleitoral]. Então, tive de enfrentar a questão”, afirmou Mello. “Não posso obrigar o Ministério Público a propor uma ação. Se ele diz que quer fazer um acordo, é preciso segui-lo.” Onyx já está em seu terceiro posto no governo Bolsonaro. Primeiro, ele foi ministro da Casa Civil. Depois, foi alojado no Ministério da Cidadania. Agora, ele voltou a despachar no Palácio do Planalto, ao ser nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Pressão sobre Bia Kicis – Dos desdobramentos do caso do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), preso após publicar vídeo em que ameaça o Supremo Tribunal Federal (STF) e defende a volta de um regime de exceção no país, um dos principais é o desgaste na imagem dos bolsonaristas radicais no Congresso. A decisão da Câmara de manter o deputado na cadeia, por ampla maioria de votos, e as críticas do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), aos discursos antidemocráticos podem atrapalhar os planos desse grupo de parlamentares. O mais ambicioso deles é emplacar Bia Kicis (PSL-DF) como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a de maior relevância na Câmara. Da mesma forma que Silveira, Kicis é fiel aliada do presidente Jair Bolsonaro e também gravou vídeo com ataques ao Supremo. Na sexta-feira, quando a Câmara manteve a prisão do deputado, ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, ela votou pela soltura do colega. A indicação da deputada para comandar a comissão que analisa a constitucionalidade das propostas legislativas partiu de Arthur Lira, como retribuição ao apoio da ala bolsonarista do PSL à sua candidatura para a presidência da Câmara. Antes mesmo da prisão de Silveira, a possibilidade de Kicis assumir a função foi repudiada por parlamentares governistas e de oposição. O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), por exemplo, relatou que havia um “constrangimento” e um “mal-estar”, dentro e fora do Congresso, com a indicação da deputada.

Nada de Bolsonaro sozinho na pista – Liberado pelo ex-presidente Lula para desfilar como pré-candidato do PT à Presidência da República, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que representou o Partido dos Trabalhadores na última eleição presidencial, dá a largada à sua pré-campanha acusando o empresariado brasileiro de ter “contratado o caos” em 2018 ao apoiar Jair Bolsonaro em “troca de dinheiro miúdo” e alguns por “dinheiro graúdo”, referindo-se à expectativa de privatização da Eletrobras e da Petrobras, que faziam parte dos planos de Paulo Guedes. Nesta entrevista ao Correio, ele anuncia que o partido não vai esperar 2022 para pressionar pela vacinação, pela volta do auxílio emergencial e pela geração de empregos, áreas em que avalia que o governo fracassou. “Não podemos deixar Bolsonaro sozinho na pista”, afirma Haddad, que considera Bolsonaro uma pessoa “perigosa”. Quanto à rejeição ao PT, que levou o partido à derrota em 2018, ele considera que passou: “A rejeição ao Bolsonarismo já superou essa. Hoje, mais de 50% da população não quer a continuidade dessa loucura que virou o país, que é um país necrófilo, cultivando a morte, o desemprego, o desalento”, diz.

CVM avalia investigação – Os comentários do presidente Jair Bolsonaro na última semana sobre possíveis alterações no comando da Petrobras antes de ele indicar Silva e Luna, que afetaram as ações da estatal na Bolsa de Valores de São Paulo na sexta-feira passada — naquele dia, a companhia perdeu R$ 28,2 bilhões de valor de mercado e viu as ações ordinárias despencarem 7,92% e as ações preferenciais caírem 6,33% —, podem ser alvo de investigação por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “A CVM acompanha e analisa informações e movimentações envolvendo companhias abertas, tomando as medidas cabíveis, sempre que necessário”, informou a assessoria de imprensa do órgão regulador, em nota enviada ao Correio. De acordo com a Instrução 358 da instituição, empresas que contam com ações na Bolsa de Valores devem delegar a um diretor de relações com investidores (DRI) a competência de noticiar “qualquer ato ou fato relevante ocorrido ou relacionado aos seus negócios bem como zelar por sua ampla e imediata disseminação, simultaneamente em todos os mercados em que tais valores mobiliários sejam admitidos à negociação”.

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