Resumo dos jornais de segunda-feira (20/01/20)  | Claudio Tognolli
Resumo dos jornais de segunda-feira (20/01/20) 
Editado por Chico Bruno
Manchetes
FOLHA DE S.PAULO: PCC realiza fuga em massa, 75 escapam no Paraguai
Na madrugada deste domingo, 75 presos, a maioria ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital, escaparam de penitenciária em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Um túnel foi achado, mas prevalece a suspeita de que a fuga tenha sido facilitada por suborno. A facção é ativa no tráfico de drogas na fronteira com o país vizinho. Segundo o ministro do Interior paraguaio Euclides Acevedo, 40 dos fugitivos são brasileiros e é possível que tentem retornar ao país. Seis teriam ligação com um dos chefes do PCC naquela região. O ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Sergio Moro, afirmou que trabalha com as forças de segurança para impedir a entrada dos criminosos no Brasil, e que, caso sejam capturados, serão levados a presídios federais. O estado do Mato Grosso do Sul reforçou com 200 policiais a segurança na divisa. A fuga será um teste para o governo Bolsonaro, que tem no combate a criminosos do PCC uma bandeira, cujos trunfos são disputados com gestões estaduais. Em 2019, 22 integrantes da facção, incluindo líderes, foram transferidos para presídios federais.
CORREIO BRAZILIENSE: Presos ligados ao PCC fogem do Paraguai e podem estar no Brasil
Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou bloqueios na divisa entre o município de Ponta Porã (MS) e a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, onde fica a prisão da qual escaparam 76 detentos vinculados ao Primeiro Comando da Capital. Uma das versões é de que eles teriam fugido por um túnel de 25 metros de extensão, mas há a possibilidade de que tenham saído pela porta da frente com a ajuda de funcionários da penitenciária, que teriam recebido US$ 80 mil. Toda a direção do presídio foi afastada. Autoridades admitem que bandidos estejam em território brasileiro.
O ESTADO DE S.PAULO: Com juro menor, transferência de dívida de imóvel dispara
Com a queda da taxa de juros e do custo de financiamento para aquisição de imóvel, a portabilidade do crédito imobiliário – a transferência da dívida para outro banco – somou R$ 1,46 bilhão entre janeiro e novembro de 2019 e cresceu 175,43% em relação aos 11 primeiros meses de 2018, segundo o Banco Central. Ao fazer a portabilidade, o consumidor pode conseguir reduzir o valor das parcelas e melhorar as condições do empréstimo. A média das taxas cobradas em novos financiamentos estava em 7,2% ao ano. Cinco anos antes, em novembro de 2014, era de 9,3%. Uma postura mais agressiva em busca de clientes por parte dos bancos, que consideram o crédito imobiliário estratégico para um relacionamento de longo prazo, também está contribuindo para o crescimento da transferência. Com o aumento das opções para quem deseja migrar a dívida, a portabilidade deve continuar em alta em 2020.
VALOR ECONÔMICO: Petrobras vai perder direitos no próximo leilão do pré-sal
O governo vai reduzir o valor do bônus de assinatura ou diminuir o percentual de partilha do óleo com a União exigido nos campos de Sépia e Atapu, no pré-sal, informou ao Valor o secretário-especial da Fazenda, Waldery Rodrigues. Os dois campos não receberam ofertas no leilão da cessão onerosa, no ano passado. O objetivo é torná-los mais atraentes para os investidores estrangeiros. O governo também pretende acabar com o direito de preferência concedido à Petrobras na exploração do pré-sal. A avaliação técnica é de que esse direito distorce a concorrência e afasta competidores. “Nós estamos analisando cada um desses itens e o relacionamento dos potenciais interessados com a Petrobras”, disse o secretário. Definida a nova modelagem, a intenção é realizar os leilões de Sépia e Atapu em dezembro. “Não descartamos fazer o leilão neste ano, mas é um calendário apertado”, afirmou Waldery. O certo, observou, é que 33% do valor do bônus dos dois campos serão transferidos aos Estados e municípios.
O GLOBO: Sem interesse, BNDES encerra linha de R$ 4 bi para Segurança
Lançado em 2018, o programa BNDES Pró-Segurança Pública foi encerrado em 31 de dezembro com os R$ 4 bilhões postos à disposição de estados e municípios intocados. Burocracia, desinformação e a troca de comando nos estados estimularam o desinteresse. O banco lançará nova linha, focada em ações específicas e acompanhamento de metas.
Destaques do dia
Cliente de Wajngarten vira número 1 em verbas publicitárias – A agência de publicidade Artplan, cliente de uma empresa privada do chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, passou na gestão dele a ser a número um em verbas distribuídas pela pasta. Sob o comando de Wajngarten, a agência recebeu da secretaria R$ 70 milhões entre 12 de abril e 31 de dezembro de 2019, 36% mais do que o pago no mesmo período do ano anterior (R$ 51,5 milhões). O levantamento feito pela Folha nas planilhas de pagamento da Secom mostra uma inversão de tendência. Até a chegada de Wajngarten ao cargo de secretário, a agência mais contemplada com a verba de propaganda era a Calia Y2. No mesmo intervalo de tempo em 2019, ela obteve R$ 57,1 milhões, quase 40% menos que em 2018 (R$ 92,6 milhões), no governo Michel Temer (MDB). Mesmo em 2019, antes da nomeação de Wajngarten, a Calia Y2 ainda era a que mais recebia da secretaria. Até 11 de abril, véspera de ele assumir, a agência obteve R$ 43,8 milhões, ante R$ 15,4 milhões da Artplan. Depois disso, a dinâmica dos pagamentos mudou.
O ‘talkey show’ de Bolsonaro – Desde junho, quando Bolsonaro começou a dar entrevistas na saída do palácio, brasileiros e estrangeiros iniciariam visitas diárias ao Alvorada, em um esforço para fazer uma fotografia ou solicitar um favor ao presidente. E, na maioria das vezes, como constatou a Folha nas últimas semanas, só conseguem chegar perto dele depois de mais de uma tentativa, já que o cumprimento depende do humor do político, que se irrita facilmente com pedidos de ajuda e com o noticiário. “Só pelo bafo não vai ter emprego”, disse Bolsonaro em setembro, ao ser abordado por um simpatizante que se ofereceu para ajudá-lo com uma política de estímulo ao turismo. Conhecido pelo estilo personalista, o presidente assumiu o papel de porta-voz de seu governo e adotou como hábito conceder entrevistas diárias na saída da residência oficial, onde dá recados a aliados e adversários, comenta acontecimentos nacionais e internacionais e hostiliza, com agressões verbais, repórteres e cinegrafistas. O discurso diário de Bolsonaro no Alvorada, que é aplaudido pelos simpatizantes presentes, foi apelidado por assessores palacianos de talk show e adaptado para “talkey show”, devido ao vício de linguagem dele, de terminar frases com a pergunta “tá ok?”. Nas últimas semanas, passaram pelo espaço reservado estrangeiros, blogueiros, religiosos e até mesmo ex-eleitores do PT.
Tudo para evangélicos é suor, e Bolsonaro ecoa sentimento – Evangélicos são mal representados no Brasil, e o presidente Jair Bolsonaro merece seu respeito por estar atento a isso, diz o pastor Samuel Câmara. “Tem horas em que batemos em repartições públicas e não encontramos um brasileiro que reflita 30% da população. Tudo para nós é suor, lágrimas”, afirma Câmara à Folha em seu templo. Irmão de Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, ele pastoreia a Igreja Mãe, a primeira das Assembleias de Deus no Brasil, fundada há 108 anos, em Belém. Bolsonaro pode ter uma “forma muito absolutista” de se portar, mas uma coisa é certa para Câmara: “É até melhor do que quem tem extrema capacidade, mas exclui qualquer tipo de fé. Oro para que dê certo, que o Brasil vá se conformando”. Assembleianos formam o maior grupo evangélico do país e, segundo estatísticas internas, têm 110 mil templos de Norte a Sul. Neopentecostais, é verdade, chamam mais a atenção por serem “mais vistosos”, “mais cosmopolitas”. Mas o Brasil profundo, saiba, é muito mais a cara da Assembleia, afirma o pastor. “Entre evangélicos, somos como num icerberg: o corpo maior está dentro da água. As pontas que aparecem são interessantes, até. Ora causam dano, ora avisam aquilo que está ali.” Câmara encarou como “uma piada” Lula, que orientou o PT a criar núcleos evangélicos, ter dito dias atrás possuir um jeitão de pastor”, sobretudo “quando a Justiça brasileira está atribuindo a ele muita corrupção”. Irmão de um deputado também com problemas na Justiça, o pastor disse esperar que o ex-presidente alcance “a graça de Deus”.
Filha de ex-presidente da Angola é acusada de desviar milhões – Isabel dos Santos, 46, aparece no número 13 da lista da revista Forbes dos maiores bilionários da África de 2020. A filha mais velha de José Eduardo dos Santos, que presidiu Angola durante 39 anos, acumula uma fortuna estimada em 2,2 bilhões de dólares (R$ 9,16 bilhões). Reportagens publicadas neste domingo (19) por veículos integrantes do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICJI), como New York Times, Guardian, BBC e revista Piauí, revelam que grande parte desse patrimônio foi obtido às custas dos cofres públicos angolanos. Chamada de “Luanda Leaks”, a investigação se baseou em um vasto conjunto de documentos obtidos por denúncias anônimas pela Plataforma para Proteção de Denunciantes Anônimos na África. Os registros revelam como Santos e seu marido, Sindika Dokolo, se beneficiaram de uma série de transações envolvendo empresas públicas durante o governo de seu pai. Eles teriam usado um complexo esquema de empresas de fachada registradas em paraísos fiscais e jurisdições sigilosas, como Dubai, Maurício e Ilhas Virgens Britânicas. A companhia estatal angolana de petróleo, Sonangol, está no centro da complexa rede de contratos e empresas de fachada usados pelo casal para desviar fundos públicos a seu favor, segundo o New York Times. Em 2016, a empresa entrou em crise após uma queda dos preços do petróleo no mercado mundial. José Eduardo dos Santos, à época presidente, demitiu todo o conselho de administração e nomeou sua filha para chefiar o órgão.
Projeto do ‘Puerto Madero’ paulista prevê até teleférico – O plano de privatização do governo de São Paulo para transformar a antiga Usina Elevatória de Traição, no rio Pinheiros, em uma espécie de Puerto Madero paulistano está pronto e prevê o uso dos espaços laterais e da cobertura do edifício original para a instalação de um mirante, além de restaurantes, bares ou outros pontos comerciais. A despoluição do rio Pinheiros, no entanto, ainda é tida como desafio para a atratividade do empreendimento. Outro obstáculo é o acesso ao empreendimento, inserido entre as marginais e a linha 9 da CPTM. Diferentes formas de travessia, como transporte náutico e teleférico podem ser estudadas. A JHSF é vista pelo mercado como uma das principais potenciais interessadas nesta privatização. O nome da empresa é até citado no documento da chamada pública, pela proximidade com o shopping Cidade Jardim. A empresa também tem torres e o recém lançado Fasano Residence no local. No ano passado, o presidente do conselho da JHSF, José Auriemo Neto, teve reuniões com o Palácio dos Bandeirantes para discutir sobre o processo de limpeza do rio Pinheiros. Variam de 22 a 50 anos os prazos de permissão de uso das áreas da Usina de Traição, que além do retrofit na fachada, passa a se chamar Usina São Paulo. As empresas interessadas têm até o dia 6 de fevereiro para apresentar as propostas, com divulgação final da análise no dia 14.
Portabilidade de crédito pode reduzir juros em 50% – Com a taxa básica de juros (Selic) no menor patamar da história, de 4,5% ao ano, o número de operações de transferência de dívida de um banco para outro, chamada de portabilidade, vem crescendo a todo vapor. Ao fazer a migração, o consumidor pode melhorar as condições do empréstimo e, no fim das contas, diminuir o valor das parcelas. Em alguns casos, se o correntista souber negociar com o gerente do banco, ele pode até cortar a despesa financeira pela metade. Segundo dados do Banco Central, o total de pedidos de portabilidade efetivados foi de 486.959 em novembro de 2019, o maior valor em três anos. Esse número é quase quatro vezes superior aos 130.769 concretizados mesmo mês de 2016.
Presença esvaziada – O Brasil terá uma participação reduzida e pouco destaque no 50º encontro anual do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), na gelada Davos, na Suíça, que começa oficialmente nesta segunda-feira. O encontro reúne aproximadamente três mil pessoas entre elas, executivos das maiores empresas globais e os principais líderes do planeta, mas contará com pouquíssimas autoridades do primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro. O presidente desistiu de participar do evento no famoso resort dos Alpes suíços, neste ano. Ao discursar por apenas seis minutos e meio, em 2018, ele não entusiasmou a plateia exigente de Davos. Um executivo que participou da última edição do WEF conta que Bolsonaro ficou visivelmente incomodado com o fato de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter se tornado o centro das atenções no evento. E, por conta disso, segundo o executivo, nem mesmo os ministros que costumam frequentar o Fórum quiseram ir desta vez, para não ficarem à sombra do chefe da equipe econômica, que lidera a delegação brasileira neste ano.
Investigações de corrupção em Estados superam R$ 2 bi – Em uma década, metade dos Estados brasileiros e o Distrito Federal tiveram governadores implicados em suspeitas de crimes, relacionados aos seus mandatos e suas campanhas eleitorais. São 26 ex-mandatários atualmente investigados, denunciados ou condenados por casos de corrupção. Somados, os valores das ações ou investigações das quais são alvo ultrapassam a cifra de R$ 2 bilhões. Na avaliação de juristas ouvidos pelo Estado, as investigações no plano estadual ganharam impulso com o avanço do trabalho dos órgãos de controle federais nos Estados e no DF. O caso mais recente é o do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), da Paraíba, denunciado (acusado formalmente) por participação em organização criminosa responsável por prejuízo de R$ 134 milhões aos cofres estaduais. Sua defesa diz que não há provas das acusações, e que Coutinho é inocente. Sete ex-governadores já foram condenados, entre eles o emedebista Sérgio Cabral (RJ) e o petista Fernando Pimentel (MG). Só do Rio de Janeiro, quatro ex-governadores integram a lista: Cabral foi condenado por corrupção ativa, passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas. Ele já foi sentenciado em 12 ações criminais a penas que somam 122 anos. Luiz Fernando Pezão (MDB) é réu em processo que apura o recebimento de quase R$ 40 milhões em propinas. A defesa de Pezão tem sustentado que as acusações não procedem. Anthony e Rosinha Garotinho são réus em ação por corrupção, peculato e organização criminosa. Os dois foram presos provisoriamente em outubro do ano passado, mas atualmente respondem em liberdade. Eles negam as irregularidades. Os ex-governadores Beto Richa, do Paraná, e Marconi Perillo, de Goiás, ambos tucanos, também foram alvo. O paranaense foi colocado no banco dos réus por supostamente ordenar a omissão de parte da compra de salas comerciais em Curitiba, feita pela família Richa e paga em dinheiro vivo. Ele ficou seis dias preso. Segundo a acusação, os bens teriam sido adquiridos com dinheiro de propina proveniente de contratos fraudados para obras de escolas públicas. Já o ex-governador goiano é réu por corrupção passiva, por ter parte de uma dívida de campanha eleitoral, no valor de R$ 90 mil, supostamente paga em troca de um aditivo realizado em contrato do Estado com uma empresa de engenharia. A defesa de Perillo, na ocasião, classificou a denúncia como “fraquíssima”. No Distrito Federal, Agnelo Queiroz virou réu por corrupção passiva em operação sobre a obra do Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha). Sua defesa disse que “jamais houve qualquer indício de sobrepreço ou irregularidade”. Na Bahia, Jaques Wagner é investigado pelas obras do estádio Fonte Nova. Em 2019, a Justiça Federal declinou a competência da investigação, suspendeu a operação e a mandou para a Justiça Estadual da Bahia. À época, sua defesa caracterizou as suspeitas como “factoides e inverdades” e disse que sua inocência seria demonstrada. À exceção de Cabral, que em dezembro fechou um acordo de delação premiada com a PF, os demais citados negam ter praticado as irregularidades pelas quais respondem.
Família Arraes em guerra – O núcleo de uma das mais tradicionais famílias da política brasileira vive uma briga fratricida. Os atritos superaram o terreno privado do clã Campos-Arraes e a lavação de roupa suja se tornou pública. Antigas diferenças políticas se converteram em um fogo cruzado que é influenciado pela polarização nacional e se volta até mesmo contra o legado do seu quadro mais proeminente, o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na campanha presidencial de 2014. As divergências alcançaram outro patamar depois que o deputado federal João Campos (PSB-PE), filho de Eduardo, atacou o tio, o advogado Antônio Campos, o Tonca, em dezembro passado, na Câmara dos Deputados. Em reunião da Comissão de Educação, o ministro da área, Abraham Weintraub, lembrou ao parlamentar que Antônio contribui com o governo que ele critica porque é presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). “Eu nem relação tenho com ele, ministro. Ele é um sujeito pior que você”, retrucou o deputado, em referência ao tio. Tão duro quanto o tom foi a forma. Em Pernambuco, “sujeito” pode não significar meramente uma pessoa indeterminada, mas alguém desqualificado socialmente. Nos bastidores, políticos da região disseram que essa expressão pesou mais do que qualquer coisa porque chamar alguém de sujeito, naquele Estado, equivale quase a um palavrão. Mãe de Eduardo Campos, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes comprou a briga do filho e repreendeu o neto publicamente, numa rara entrevista concedida ao jornalista Magno Martins, na Rede Nordeste de Rádios, no início do mês. Disse ter ficado “entristecida” e “indignada” com a “má educação” e com a “prepotência” do neto, com quem parou de falar.
Maia cobra STF por pensões para solteiras – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem ao Estado que continuará trabalhando para que o Supremo Tribunal Federal (STF) mude a interpretação da lei que garante o benefício para 194 filhas solteiras de ex-parlamentares e ex-servidores, a um custo anual de R$ 30 milhões. Maia chamou de “absurdos” os casos revelados pela reportagem, como a da pesquisadora Helena Hirata, que mora há 49 anos em Paris e recebe R$ 16.881,50 por mês apenas por ser solteira e filha de ex-deputado. Uma auditoria do TCU, de 2016, apontou suspeitas de fraudes em 19 mil pensões para filhas solteiras pagas em diversos órgãos da administração pública federal, não apenas do Legislativo. O tribunal alterou a interpretação da lei e obrigou que as pensionistas comprovassem a dependência do benefício para manterem o privilégio. “Depois da interpretação do Tribunal de Contas da União, o STF deu infelizmente decisão garantindo o direito adquirido. Todos os casos como esses mostrados são absurdos. Vamos continuar investigando, tomando as decisões e trabalhando para que o STF mude sua interpretação e tenha interpretação real daquilo que é o correto, para que não tenhamos privilégios e desperdícios desnecessários”, disse Maia. As solteiras passaram a reivindicar ao Supremo a manutenção das remunerações. O ministro Edson Fachin suspendeu o acórdão do TCU e determinou a aplicação do entendimento original à lei, o que foi respaldado pela Segunda Turma da Corte. De forma reservada, um integrante do Supremo também classificou os pagamentos como “absurdo”.
Líder do DEM é favorito para comandar CMO – De olho nas eleições municipais deste ano, a cúpula do Congresso tem se articulado para indicar o líder do DEM, Elmar Nascimento (BA), para o comando da Comissão Mista de Orçamento neste ano. A avaliação é de que os postos-chave do colegiado têm tido muita influência no direcionamento de recursos para os municípios ao deliberar sobre projetos de crédito orçamentário e sobre o próprio Orçamento da União. A corrida pelo cargo se intensificou ainda no fim do ano passado, logo após a votação da proposta orçamentária para este 2020. Como alguns parlamentares têm intenção de disputar eleições para governador, querem se cacifar junto a suas bases no pleito deste ano. Avaliam que na CMO podem ter mais projeção sobre os governos locais. A escolha de Elmar, no entanto, não é um bom sinal para o governo. O deputado é aliado de primeira ordem do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem conduzido a Casa de forma independente.
Legado – Se o próximo titular da Cultura mantiver o Prêmio Nacional das Artes da forma como Roberto Alvim o idealizou, os projetos serão analisados por artistas e pesquisadores alinhados com o “conservadorismo em arte”. Foi isso que o ex-secretário explicou ao Estado na sexta, antes de ser demitido do cargo. Alvim também disse abominar o funk e o hip hop, por terem “péssima qualidade estética”. “Qualquer pessoa que tenha sido exposto a uma sinfonia de Mozart percebe isso com clareza absoluta”, disse.
Bolsonaro ironiza levantamento da Fenaj sobre ataques à imprensa – O presidente Jair Bolsonaro ironizou um levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) sobre ataques à imprensa. O relatório da entidade, divulgado na quinta-feira passada, mostra que 208 ataques a veículos de comunicação e jornalistas foram registrados no ano passado. Bolsonaro foi responsável por 121 desses casos, segundo a Fenaj, ou 58% do total. Pelas redes sociais, o presidente reagiu com ironia. “HAHAHAHAHAHAHA. KKKKKKKKKKKKKKK.” O comentário foi publicado na conta oficial do Facebook e do Twitter do chefe do Planalto. Bolsonaro respondeu ainda a um seguidor que perguntou como o levantamento chegou ao índice. “Pegaram o QI médio da galera da imprensa. Deu 58”, escreveu o presidente. Nos últimos dias, ele passou a responder internautas diretamente em comentários feitos nas publicações em sua página oficial. Conforme o relatório da Fenaj, a maior parte dos ataques de Bolsonaro foi contabilizada na categoria “descredibilização da imprensa”. “Em 2019, a modalidade tornou-se a principal forma de ameaça à liberdade de imprensa no Brasil e foi incluída no relatório diante da institucionalização da prática”, disse a Fenaj. Em decisão, juiz diz que País vive ‘merdocracia neoliberal neofascista’ – O juiz do trabalho Jerônimo Azambuja Franco Neto chamou o atual momento do Brasil de “merdocracia neoliberal neofascista” ao proferir sentença de um processo trabalhista, publicada na quinta-feira, 16. “A merdocracia neoliberal neofascista está aí para quem quiser ou puder ver”, escreveu o juiz substituto 18ª Vara do Trabalho de São Paulo, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), André Mendonça, disse no Twitter que o “linguajar utilizado na sentença – característico de um militante partidário, não de um juiz – foge da técnica jurídica e claramente viola o Código de Ética da Magistratura”. “A AGU representará perante o Conselho Nacional de Justiça”, escreveu o ministro. Jerônimo Azambuja Franco Neto, de 35 anos, é natural de Bagé, no Rio Grande do Sul. Foi técnico e analista no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região antes de ser aprovado em 1º lugar no concurso para juízes do TRT paulista, em 2014. Ele foi o orador de sua turma na posse, em 2016. No discurso disse que a Justiça trabalhista vivia uma crise que terminaria por fortificá-la.
Emprego cai e produção cresce no campo – O setor agropecuário deixou de empregar quase 1,8 milhão de pessoas desde 2012. Entre o terceiro trimestre daquele ano e o de 2019, a população ocupada diretamente na atividade diminuiu de 10,3 milhões para 8,5 milhões. Somente na passagem de 2018 para o ano passado o número de trabalhadores no campo foi reduzido em 174 mil pessoas, apesar de um crescimento estimado de 2,39% na produção agropecuária. Os ganhos de produtividade, o avanço da mecanização e a maior concentração da produção explicam a redução ano a ano da mão de obra na agricultura.
PSB mira em alianças com o centro – De negociações com o apresentador José Luiz Datena (DEM) a articulações com o Psol, o PSB busca diversificar os aliados nos Estados para se descolar do PT e se fortalecer rumo às eleições de 2022. O partido trabalha para ampliar as alianças com o centro na disputa municipal deste ano e deve lançar candidaturas nas capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores. PSB definiu o PDT, Rede e PV como os principais parceiros para as eleições de outubro. O presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, no entanto, avalia que é preciso se aliar também a legendas de centro para se contrapor ao avanço da direita. “O momento exige a ampliação de alianças rumo ao centro. Essa amplitude é necessária”, reforça Siqueira. O diálogo do PSB com o PT para as eleições de outubro pouco avançou. Desde que saiu da prisão, em novembro de 2019, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conversou com Carlos Siqueira e s negociações têm sido com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. O PSB faz críticas ao PT até mesmo em documento do partido, lançado em novembro e que servirá de base para uma autorreforma. A legenda faz ponderações sobre as políticas sociais implementadas no governo federal e culpa o aliado por problemas enfrentados pela esquerda, como a perda da “hegemonia no campo da probidade, da lisura e do respeito aos princípios da administração pública.
Registro de furto de combustível volta a crescer em SP – Após bater recorde em 2018, os registros de furto de combustíveis no país caíram pela primeira vez em cinco anos no ano passado. Foram 203 ocorrências, queda de 22% em relação a 261 do ano anterior, segundo dados da Transpetro, subsidiária de transporte de petróleo e derivados da Petrobras, obtidos pelo GLOBO. No entanto, um novo aumento dos casos no fim de 2019, concentrado em São Paulo, acendeu uma luz amarela na estatal, que decidiu intensificar um a força-tarefa para combater esse tipo de crime, praticado por quadrilhas especializadas. Em cinco meses, o número de ocorrências no estado triplicou, pulando de sete em julho para 21 em dezembro. Em janeiro deste ano, já foram registrados cinco casos, todos em São Paulo. O principal alvo dos criminosos são dutos subterrâneos de transporte da Transpetro, que opera uma rede de tubulações de 14 mil quilômetros para distribuir petróleo, derivados como gasolina e diesel e produtos petroquímicos. Só em 2019, foram roubados 7,4 milhões de litros em todo o país, um prejuízo de R$ 120 milhões. No entanto, a ameaça vai além das perdas financeiras da Petrobras. A perfuração de dutos pode provocar danos ao meio ambiente e risco à vida de moradores de áreas cortadas pela rede. Para a Petrobras, um fator que dificulta o combate às quadrilhas especializada sé a falta de uma lei que tipifique o crime de furto de combustível por dutos, com penas mais duras. Atualmente, a maioria dos casos é enquadrada como crime qualificado ou formação de quadrilha. Tramita no Congresso um projeto de lei de autoria da senadora Simone Tebet (MDB-MS) que altera a legislação para tipificar crimes que envolvam o furto de combustíveis de estabelecimentos de produção e instalações de transporte e armazenamento, além da receptação para punir quem compra produtos roubados. O projeto está na Câmara dos Deputados, onde já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e estabelece uma gradação na pena.
BNDES planeja replicar ações de municípios pelo país – Em Teresina, uma das duas capitais contempladas no financiamento de R$ 165 milhões do BNDES para ações de segurança, os planos passam por investimento em tecnologia para reduzir o crime. A principal meta é combater efetivamente casos de furto e roubo de veículos. A expectativa é que o BNDES aprove, ainda em janeiro, a liberação de R$ 30 milhões para Teresina. O orçamento total das ações na capital do Piauí é de R$ 33,3 milhões. Segundo o secretário de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas da cidade, Samuel Silveira, o planejamento inclui a instalação de mais de mil câmeras de segurança com tecnologia de reconhecimento facial. — Vamos colocar mais de mil câmeras, integradas a um software de reconhecimento facial e identificação de placas de veículos. Outra parte dos recursos será direcionada para a construção de uma sede da Guarda Municipal e para o investimento em prevenção da violência, com ações nas escolas e a requalificação de dois centros de esportes —afirmou o secretário. Os outros municípios contemplados por esse financiamento de R$ 165 milhões do BNDES são Porto Alegre (RS), Jundiaí (SP) e São Bernardo do Campo (SP). Segundo o diretor de Crédito e Garantia do BNDES, Petrônio Cançado, as ações que funcionarem nessas cidades devem ser replicadas em outros municípios de todo o país.
error:

Notice: Undefined index: prnt_scr_msg in /var/www/wp-content/plugins/wp-content-copy-protector/preventer-index.php on line 171