Resumo dos jornais de segunda-feira (19)  | Claudio Tognolli

Chico Bruno

O GLOBO – primeira página

Manchete: Guedes assina medida que transfere Coaf para o Banco Central

A medida provisória (MP) que transfere o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de combate à lavagem de dinheiro, do Ministério da Economia para o Banco Central foi assinada pelo ministro Paulo Guedes sexta-feira e enviada à Secretaria- Geral da Presidência. A expectativa é que a MP seja publicada a partir de amanhã, o que significará a saída do presidente do Coaf, Roberto Leonel. Ele foi indicado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e recentemente virou alvo da insatisfação do presidente Jair Bolsonaro. Com essa solução, Leonel sairá por contingência técnica, não política.

Favorito na Argentina faz aceno de paz a Bolsonaro – Candidato do kirchnerismo e vencedor das primárias para a Casa Rosada, Alberto Fernández responde, em entrevista ao jornal La Nación, às críticas do presidente brasileiro, pedindo que “fique tranquilo”, pois não pensa “em fechar a economia”. “O Brasil continuará sendo nosso principal parceiro.”

‘Rei Arthur’, foragido, é flagrado em vida de luxo em Miami – Empresário acusado de financiar compra de votos para a Olimpíada no Rio é localizado pelo “Fantástico”, da TV Globo.

Fila para remédios especiais no Rio tem ao menos 8.500 doentes – Pelo menos 8.500 pessoas estão à espera de medicamentos para doenças graves e raras no Rio, segundo dado do governo estadual. O problema acaba se refletindo no Tribunal de Justiça, que recebeu de janeiro a julho, 2.731 ações com pedidos de remédios e insumos, enquanto em todo o ano passado foram 2.942.

Automação pode afetar emprego de metade dos trabalhadores do país – Para pesquisadores de Harvard, investimento em educação é necessário para desenvolver habilidades que as máquinas não têm.

Fernando Gabeira – Brasil corre o risco de ficar só com Trump.

Notícias de O GLOBO 

Reunião pode selar destino de delegado de Itaguaí – O delegado da Receita Federal no Porto de Itaguaí, José Alex Nóbrega de Oliveira, foi chamado para uma reunião, na manhã de hoje, na sede da superintendência do órgão no Centro do Rio. Ameaçado de exoneração por “pessoas do entorno do presidente Jair Bolsonaro”, segundo auditores fiscais, ele não está disposto a pedir para sair da função que ocupa há um ano e meio. A cúpula do Fisco alertou Bolsonaro sobre o risco de substituição em Itaguaí, unidade cercada pela milícia. A provável exoneração de Oliveira abriu uma crise na Receita e pode provocar também a saída do superintendente do órgão no Rio, Mário Dehon. Ele se negou a afastar o subordinado em Itaguaí. Também há pressões políticas para a saída da chefe do Atendimento na Delegacia da Receita na Barra, Adriana Trilles. Desde anteontem, quando vazou um relato de Oliveira, em um aplicativo de mensagens, alertando para os riscos da troca de comando, o delegado de Itaguaí recebeu manifestações de solidariedade dos colegas de profissão.

PGR enfrentará desafios inéditos sob Bolsonaro – O novo procurador-geral da República a ser indicado pelo presidente Jair Bolsonaro na mais concorrida disputa que já se viu no órgão terá de lidar com um leque de temas e problemas que aportam pela primeira vez na instituição. Um deles é a possibilidade de investigações dependerem de autorização judicial para usar informações colhidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ) e pela Receita Federal — tema que será avaliado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro —, além da possível mudança de posição da Corte sobre as prisões após condenação em segunda instância. Outra questão em pauta é o futuro das delações premiadas dos executivos da JBS. Em pelo menos um desses casos, o do Coaf, a Procuradoria-Geral da República (PGR) atuará em lado oposto ao do presidente da República, cujo filho, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é autor da ação que pede restrições ao órgão. A atual procuradora-geral, Raquel Dodge, recorreu da liminar concedida pelo presidente do STF, Dias Toffoli, que paralisou todas as investigações iniciadas com base em relatórios do Coaf e da Receita. A decisão atingiu em cheio o inquérito em tramitação no Ministério Público do Rio que investiga se Flávio desviou recursos públicos em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio por meio da prática de rachadinha — apropriação de parte do salário de funcionários.

‘Rei Arthur’, foragido, é flagrado em vida de luxo em Miami – Foragido da justiça brasileira, o empresário Arthur Soares, acusado de atuar em licitações fraudadas e de pagar propinas na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, foi localizado nos EUA pela reportagem do “Fantástico”, da TV Globo. O “Rei Arthur”, apelido que ganhou devido à influência no governo Cabral, vive em uma residência na ilha de Miami Beach, na Flórida. Segundo a reportagem, o empresário leva uma vida com hábitos de luxo e circula livremente pelas ruas. Arthur Soares é alvo de um pedido de extradição feito pelo Ministério Público Federal (MPF) às autoridades americanas em 2017. À época, o empresário foi acusado, na Operação Unfairplay, de pagar propinas a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o Rio fosse eleito sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O governo dos EUA, porém, não atendeu o pedido do Brasil. De acordo com a reportagem do “Fantástico”, Arthur se mudou nos últimos meses da residência onde morava, em um condomínio de luxo na ilha de Key Biscayne, para uma casa em Miami Beach, outra ilha localizada junto à costa de Miami. A nova moradia tem acesso direto para rua, reforçando a integração de Arthur Soares à cidade. A reportagem flagrou “Rei Arthur” fazendo compras, praticando corrida e passeando a pé e de carro pelas ruas de Miami.

Facções se unem na Justiça contra portaria de Moro – Rompidas desde 2016, as duas maiores facções do Brasil se juntaram em uma tentativa de derrubar as restrições impostas pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, para o sistema penitenciário federal. Integrantes das organizações criminosas paulista e fluminense concordaram em ir à Justiça para contestar a portaria 157, assinada por Moro em fevereiro, que proíbe o contato físico entre presos e seus familiares, além de reforçar o veto à visita íntima. A medida visa a bloquear a comunicação com o mundo externo. Isso porque chefes presos costumam enviar ordens para outros integrantes por meio de bilhetes entregues a familiares e advogados. A portaria também ratifica outra decisão, de agosto de 2017, que proibiu visitas íntimas, por tempo indeterminado, a quem foi membro de facção, líder de quadrilha ou que tentou fuga. A costura do acordo entre as facções, assim como as ações judiciais, foram feitas por advogados do Instituto Anjos da Liberdade, que atuam em nome de todos os presos das unidades federais. Para contestar as imposições da portaria de Moro, o instituto entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com três arguições de descumprimento de preceito fundamental, entre outras ações.

Bolsonaro não sabe dar susto – Conta-se que, certa vez, um empresário carioca pediu a João Havelange que intermediasse um encontro seu com Castor de Andrade. O cartola era amigo do bicheiro ainda dos tempos em que o primeiro presidia a antiga CBD, e o segundo era patrono do time do Bangu. O encontro foi feito e o empresário, visivelmente nervoso, começou a desembuchar: — Sabe o que é, Dr. Castor? Meu sócio está me roubando e eu queria que o senhor desse um susto nele. O bicheiro não pensou duas vezes: — Desculpe, susto eu não sei dar. Mas se o senhor quiser, mando matar ele. Essa história lembra, um pouco, o drama do agronegócio, um segmento pujante da nossa economia, ameaçado de perder mercados por causa do discurso “mata, esfola” de Bolsonaro em relação ao meio ambiente. Alguns figurões do setor queriam apenas que o presidente desse um “susto”, naqueles que, na visão deles, são considerados extremados ambientalistas. Mas Bolsonaro, assim como Castor, “não sabe dar susto”. (Ancelmo Gois)

O ESTADO DE S.PAULO – primeira página

Manchete: MEC quer definir verba de universidade por desempenho

O Ministério da Educação quer repassar, já a partir de 2020, mais dinheiro às universidades federais que tiverem melhor desempenho em indicadores como governança e inovação. O secretário de Educação Superior do MEC, Arnaldo Lima Junior, diz que o novo modelo será discutido com reitores das 63 federais e não depende de alterações na lei. Atualmente, o modelo de distribuição do orçamento é centrado no tamanho das universidades, o que faz com que instituições maiores e com mais alunos, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), recebam mais. Hoje, dos R$ 6,9 bilhões de despesas discricionárias das universidades – aquelas que bancam gastos operacionais como as contas de energia elétrica e de serviços de limpeza –, R$ 3,2 bilhões estão bloqueados. O MEC pretende usar ainda em 2019 um dos indicadores, o ranking de governança do Tribunal de Contas da União (TCU), para definir quem terá prioridade no eventual desbloqueio de recursos.

Placar aponta resistência à indicação de Eduardo – Levantamento do Estado mostra que o presidente Jair Bolsonaro não tem hoje o mínimo de 41 votos no Senado para referendar a indicação do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), à embaixada do Brasil nos EUA. Só 15 senadores se declararam a favor, e 30 afirmaram que pretendem votar contra. Outros 35 não responderam ou se disseram indecisos. O quadro explica a cautela com que o presidente tem tratado a questão.

Bolsonaro ataca Fernández de novo – O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar, por meio de sua conta no Twitter, o candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Se Fernández vencer, afirmou, o povo vai sacar “em massa” o dinheiro dos bancos. Segundo Bolsonaro, “o retorno da turma do Foro de São Paulo” deixa o país mais populista.

Presidente ficará isolado, diz Bebianno – Ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno diz que Bolsonaro “atira nos seus soldados pelas costas” e “vai se tornar um homem solitário”.

Previdência provoca ‘debandada’ no MP – O receio da perda de benefícios com a reforma da Previdência está provocando corrida por aposentadorias no Ministério Público e ameaça o andamento de inquéritos.

Mercado imobiliário, enfim, esboça retomada – Com a inflação sob controle, a queda dos juros e o aumento da concorrência entre os bancos nos financiamentos, o mercado imobiliário começa a reagir, atraindo compradores.

Cida Damasco – Meta fiscal está garantida, mas falta dinheiro até para limpeza nas universidades.

Notas & Informações: Nem esquerda nem direita – Fariam melhor os líderes do País se atentassem às condições sem as quais nenhuma governança será bem-sucedida, seja qual for a inspiração ideológica.

Notas & Informações: Estados atolados em gastos – Dezesseis Estados mais o DF já perderam a garantia da União para tomar empréstimos.

Notícias do Estadão 

Placar aponta resistência à indicação de Eduardo – Levantamento feito pelo Estado explica a cautela com que o presidente Jair Bolsonaro tem tratado a indicação do filho Eduardo para a embaixada do Brasil em Washington. Hoje, ele não teria o mínimo de 41 votos no plenário do Senado para ser aprovado para o comando da representação diplomática mais importante do País no exterior. Dos 81 senadores, 30 responderam que pretendem votar contra o nome do “filho 03” do presidente, ante 15 que disseram ser a favor. Outros 35 não quiseram responder (28) ou se colocaram como indecisos (7). Sem votos certos, Bolsonaro afirmou na semana passada que só irá oficializar a escolha quando Eduardo “sentir” que tem o apoio majoritário dos senadores. Maior bancada do Senado, com 13 parlamentares, o MDB engrossa a rejeição à indicação de Eduardo. Seis senadores disseram ser contrários à iniciativa do presidente. Entre os críticos da medida, estão caciques do partido como Renan Calheiros (AL) e Jarbas Vasconcelos (PE). “Sou contra o nepotismo. Sempre fui contra esse tipo de prática na minha vida inteira. Não vou mudar agora”, disse Vasconcelos. A rejeição dos emedebistas é igual, em número de votos, à do PT. Toda a bancada petista diz que vai votar contra a indicação.

Presidente ficará isolado, diz Bebianno– A caminho do Palácio dos Bandeirantes, onde se encontraria com o governador João Doria, pouco antes da filiação do deputado Alexandre Frota ao PSDB, Gustavo Bebianno adianta seus planos para o futuro: quer participar da eleição de 2020, talvez como candidato a prefeito do Rio, filiado ao próprio PSDB ou ao DEM. “Recebi alguns convites e, na hora certa, vai ser decidido”, disse ele ao Estado na última sexta-feira. Demitido da Secretaria-Geral da Presidência, Bebianno afirmou que sua saída do governo e a expulsão de Frota do PSL mostram um “viés autoritário” do presidente Jair Bolsonaro, cujo destino seria terminar o governo isolado. “Ele próprio atira nos seus soldados. E pelas costas.”

Previdência provoca ‘debandada’ no MP – Apesar das fortes críticas dirigidas ao recém-aprovado projeto da lei de abuso de autoridade, é outra proposta que ainda tramita no Congresso que tem tirado o sono de integrantes dos Ministérios Públicos estaduais por todo o País. O receio de perder benefícios com a reforma da Previdência provocou uma corrida por aposentadorias de procuradores e promotores de Justiça, a ponto de ameaçar o andamento de inquéritos por falta de investigadores. Em São Paulo, 69 promotores e procuradores já se aposentaram só neste ano, segundo levantamento feito pelo MP paulista a pedido do Estado. O número é cinco vezes maior do que as 13 aposentadorias registradas no mesmo período do ano passado. Em 2017, quando o governo do ex-presidente Michel Temer tentou aprovar sua reforma previdenciária, foram 26 “baixas”. A situação elevou em 21% o número de cargos vagos na Promotoria em apenas seis meses – de 299 para 362 – e acendeu o sinal de alerta do chefe da instituição.

Para analista, democracia exige lideranças partidárias fortes – A cobrança feita por grupos de renovação política por mais democracia interna nos partidos e pela diminuição do poder das lideranças partidárias parte de um diagnóstico correto, mas não leva em conta que nosso modelo de democracia exige liderança centralizada para que as siglas organizem sua atuação parlamentar. A análise é do cientista político e membro do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Fernando Guarnieri. Doutor em Ciência Política e especialista nas áreas de competição política e partidos políticos, Guarnieri é um dos convidados do seminário “Desafios da democracia no Brasil: inovação, participação e representação num mundo conectado”, que será realizado pelo Estado em parceria com a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) no dia 4 de setembro, no Senado Federal, em Brasília. “As oligarquias partidárias têm de ter algum limite, mas o que os movimentos de renovação têm de refletir é até que ponto essa forma enrijecida de partido não é consequência justamente do jeito como funciona nossa democracia”, afirma. Esse fenômeno, para o professor, não é exclusivo do Brasil. “No mundo inteiro há vários exemplos de partidos que têm dono.”

‘Novo Davi’ se distancia de aliados de 1ª hora – Aliados de primeira hora de Davi Alcolumbre estão decepcionados com a postura pouco “combativa” do presidente do Senado. O grande motivo da discórdia: ele engavetou pedidos de impeachment de ministros do STF e a CPI da Lava Toga. Esses senadores acham que o “novo Davi” se acostumou ao status quo. Ele tem, inclusive, se aproximado de Renan Calheiros (MDB-AL), seu adversário na disputa pelo comando da Casa. O grupo que bancou Davi na ocasião era formado, majoritariamente, por senadores estreantes, lavajatistas e do PSL. Desde a volta do recesso, Renan reuniu-se com Alcolumbre ao menos três vezes. Trataram de Previdência e PECs que restringem a atuação do STF – a estas últimas, o senador do MDB é contrário. A interlocutores, o ex-presidente do Senado tem afirmado que seu sucessor faz o melhor pela harmonia entre os Poderes. O Estado mostrou que Alcolumbre briga na Justiça para não dar publicidade a gastos do Senado. Se inspirou num ato assinado pelo então presidente Renan Calheiros para negar acesso retroativo às notas fiscais. Apesar de desagradar a turma da Lava Toga no Senado, Alcolumbre está bem na fita com o Planalto. Um interlocutor disse que Bolsonaro está “apaixonado” pelo senador. Os principais temas do governo estão na mão de Alcolumbre: Previdência e a indicação de Eduardo para Washington. O presidente do Senado tem prometido ajuda. (Coluna do Estadão)

Onde dá para resolver – Tereza Cristina identificou que 30% dos assentamentos desocupados ou ociosos estão próximos de mercados consumidores, no Sul e Sudeste, dependendo apenas de orientação técnica e acesso a crédito. O Ministério da Agricultura quer conceder, a quem estiver regular, a titulação desses terrenos, etapa necessária para acessar crédito. Pretende, com isso, reaquecer a agricultura familiar. (Coluna do Estadão)

Conselho de procuradores-gerais pede veto à lei de abuso – O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG) se manifestou contrário à Lei de Abuso e indicou que há inconstitucionalidades no texto e na maneira como o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados nesta quarta, 14. Em nota pública, a associação diz esperar que a lei seja vetada pelo presidente Jair Bolsonaro e afirma: “Não se teme uma ‘Lei de Abuso de Autoridade’, mas o abuso na criação da referida lei”. Diferentes entidades de juízes, delegados e procuradores tem se posicionado contra aspectos do projeto que define o crime de abuso de autoridade e sua votação na Câmara, em regime de urgência e votação simbólica. Para o Conselho de Procuradores-Gerais, o PL 7.596/2017, cria obstáculos à ‘legítima atuação do Ministério Público brasileiro no combate à criminalidade organizada e à corrupção’ e fragiliza o sistema de justiça brasileiro, uma vez que acarreta intimidação aos agentes de combate à corrupção.

FOLHA DE S.PAULO – primeira página 

Manchete: SP terá de gastar até R$ 1 bilhão a mais com Rodoanel Norte

A conclusão do Rodoanel Norte custará entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão a mais para o governo de São Paulo, segundo estimativas de políticos e técnicos da administração João Doria (PSDB). Iniciado em 2013, o trecho restante do anel viário está sob investigação por superfaturamento e corrupção. Orçado em R$ 4,3 bilhões, já consumiu R$ 6,85 bilhões, sem que obra ficasse pronta, como previsto, em 2016. Com desapropriações de terrenos, o valor final deve superar R$ 10 bilhões. A parte norte do Rodoanel tem 44 km de extensão e passa com viadutos sobre uma área de mata atlântica. Três dos lotes terão de ser licitados novamente porque a execução não passa de 30%, em média, do projeto original. Outros três, quase concluídos, serão entregues à empresa que ganhou a concessão de pedágios. A Secretaria de Logística e Transportes não quis comentar os valores.

País não puniu ninguém por morte de 300 presos em 3 anos – Levantamento da Folha mostra que grandes motins em presídios não tiveram nem sequer investigações policiais concluídas —250 réus aguardam julgamento por três dos massacres. Faltam testemunhas e provas.

Superlotado, Pedrinhas vê melhora na estrutura – Presídio que virou símbolo de violência ainda enfrenta superlotação e facções, mas melhora estrutura, procedimentos e programas de reinserção.

EMBRAER completa 50 anos em mudança de identidade – Eletricistas trabalham no jato Practor em hangar de São José dos Campos; após venda de fatia à Boeing, empresa planeja investir em produtos consolidados e novas tecnologias.

50 milhões não têm proteção trabalhista ou previdenciária – O país deve encarar a realidade explosiva de 50 milhões de brasileiros que estão desempregados ou na informalidade, sem garantia trabalhista ou previdenciária, aponta o sociólogo José Pastore, 84. “A sociedade precisa encontrar proteção para o terceirizado, o freelancer, o casual”, afirma.

SP terá de gastar até R$ 1 bilhão a mais com Rodoanel Norte

Sob investigação por corrupção, trecho restante do anel viário foi orçado em R$ 4,3 bi, mas já consumiu R$ 6,85 bi

A conclusão do Rodoanel Norte custará entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão a mais para o governo de São Paulo, segundo estimativas de políticos e técnicos da administração João Doria (PSDB). Iniciado em 2013, o trecho restante do anel viário está sob investigação por super-faturamento e corrupção.

Orçado em R$ 4,3 bilhões, já consumiu R$ 6,85 bilhões, sem que obra ficasse pronta, como previsto, em 2016. Com desapropriações de terrenos, o valor final deve superar R$ 10 bilhões.

A parte norte do Rodoanel tem 44 km de extensão e passa com viadutos sobre uma área de mata atlântica. Três dos lotes terão de ser licitados novamente porque a execução não passa de 30%, em média, do projeto original. Outros três, quase concluídos, serão entregues à empresa que ganhou a concessão de pedágios.

A Secretaria de Logística e Transportes não quis comentar os valores. (Poder A4)
País não puniu ninguém por morte de 300 presos em 3 anos

Levantamento da Folha mostra que grandes motins em presídios não tiveram nem sequer investigações policiais concluídas —250 réus aguardam julgamento por três dos massacres. Faltam testemunhas e provas, (Cotidiano B1)

Superlotado, Pedrinhas vê melhora na estrutura

Presídio que virou símbolo de violência ainda enfrenta superlotação e facções, mas melhora estrutura, procedimentos e programas de reinserção. (Página B2)

EMBRAER completa 50 anos em mudança de identidade 

Eletricistas trabalham no jato Practor em hangar de São José dos Campos; após venda de fatia à Boeing, empresa planeja investir em produtos consolidados e novas tecnologias (Mercado A20)

50 milhões não têm proteção trabalhista ou previdenciária

Entrevista da 2a. : José Pastore

O país deve encarar a realidade explosiva de 50 milhões de brasileiros que estão desempregados ou na informalidade, sem garantia trabalhista ou pre-videnciária, aponta o sociólogo José Pastore, 84.

“A sociedade precisa encontrar proteção para o terceirizado, o freelancer, o casual”, afirma. (Página A12)

Leandro Colon: Bolsonaro vai ter de baixar a bola em intervenções – Servidores da Receita e da Polícia Federal reagem aos movimentos de interferência do chefe da República em postos estratégicos desses dois órgãos. A reação das instituições é importante para frear a caneta presidencial.

Fernández criticou gestão de Cristina, vice em sua chapa – O presidenciável argentino Alberto Fernández, 60, foi crítico do governo de Cristina Kirchner, de quem foi chefe de gabinete e hoje é vice em sua chapa. Chegou a articular a até hoje frustrada ideia de uma “avenida do meio” do peronismo.

Deltan afirma que seguiu a lei ao usar dados da Receita – Em resposta a reportagem da Folha, o procurador Deltan Dallagnol disse que a relação entre Ministério Público e fisco sempre foi amparada na lei. Para a defesa do ex-presidente Lula, revelações reforçam que o petista foi vítima de uma conspiração.

Antônia Pellegrino e Manoela Miklos: É hora de aliados das mulheres se apresentarem – Na discussão sobre o fim da lei de cotas para candidaturas femininas, os primitivos estão confortáveis em ver o Brasil na posição 133 do ranking Mulheres no Parlamento.

Na contramão da cultura, videogames ganham afagos e regalias do governo.

Juros negativos nos países ricos bagunçam relação com investimentos.

Editorial: Falência múltipla – Sobre esgotamento de recursos em órgãos federais.

Editorial: A saga da despoluição – Acerca de novo projeto para o rio Pinheiros, em SP.

Notícias da Folha 

Superlotação em presídio no Paraná ‘beneficia’ detentos da Lava Jato – A superlotação carcerária no Paraná está proporcionando aos presos da Lava Jato tratamento diferenciado dos demais detentos. O CMP (Complexo Médico-Penal), com capacidade para 659 pessoas e que abriga personagens importantes da operação, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, está com 1.054 detentos, quase o dobro do ideal. Para desafogar as alas, um setor do hospital penitenciário, que pertence ao complexo, foi improvisado em junho para abrigar 38 presos por crimes “de colarinho branco”, incluindo os detidos pela Lava Jato, mas também de outras operações, como o ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, conhecido como Bibinho, condenado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O local abrigava enfermarias e acabou de passar por ampla reforma que durou dois anos. É mais confortável e espaçoso e não lembra em nada as celas em que ficam os detentos normalmente.

Grupos de direita compartilham mais conteúdo – Estudo recém-publicado do departamento de ciência da computação da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, indica que os grupos de WhatsApp de direita no Brasil são mais numerosos, mais distribuídos geograficamente e compartilham muito mais conteúdo multimídia e vídeos do YouTube do que os grupos de esquerda. O estudo acompanhou 232 grupos públicos, aqueles que podem ser acessados por meio de links ou convites abertos, sendo 175 de direita e 57 de esquerda. De 1º de setembro a 1º de novembro de 2018, foram coletados 2,8 milhões de mensagens de mais 45 mil usuários. O levantamento detectou uma presença mais significativa de grupos de direita, em parte por causa da maior facilidade de encontrar convites para esses grupos. Segundo o doutorando em inteligência artificial Victor Bursztyn, um dos autores do estudo, o conteúdo mais compartilhado era o que mostrava uma urna fraudada. O material, falso, era divulgado nos grupos de direita. O levantamento mostra que as notícias mais compartilhadas por grupos de WhatsApp brasileiros durante a campanha eleitoral de 2018 vinham de sites que disseminam fake news. Entre as principais fontes estavam o Jornal da Cidade Online e PlantãoBrasil.net, denunciados por várias agências de checagem.

Moro se recusa a revelar documentos que deu a Bolsonaro sobre laranjas – Em resposta a um pedido feito pela Folha pela Lei de Acesso à Informação, o gabinete do ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) se recusou a divulgar cópia da documentação que, segundo o presidente Jair Bolsonaro declarou numa entrevista coletiva no Japão, em junho, o próprio ministro lhe repassou. Os documentos tratariam da investigação da Polícia Federal que estava sob sigilo a respeito de candidaturas laranjas do PSL. Procurada com o mesmo pedido, a Presidência também se recusou a fornecer a documentação, sob o argumento de que a solicitação era “uma duplicata” e que o Ministério da Justiça e Segurança Pública é que responderia. No início de julho, em resposta a perguntas da Folha, o Ministério da Justiça enviou duas notas. A primeira, no dia 2, confirmou que “o presidente da República foi informado sobre o andamento das investigações em curso”. Depois, no dia 5, a pasta afirmou que “informações que inclusive já haviam sido divulgadas amplamente na imprensa foram repassadas ao presidente. Nenhuma peça ou informação processual que pudesse comprometer o sigilo das investigações ou que já não estivesse amplamente disponível à imprensa foi repassada”. A reportagem então pediu acesso à documentação enviada por Moro a Bolsonaro. Foram feitos dois pedidos simultâneos pela Lei de Acesso, um na Presidência e outro no ministério. A resposta de Moro foi encaminhada no último dia 8, 33 dias depois do protocolo do pedido. Ela foi redigida pelo SIC (Serviço de Informações ao Cidadão) do gabinete do ministro e diz apenas que “já houve manifestação oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública acerca do assunto”.

Para auditores, pressão de governo sobre a Receita visa proteger políticos – A interferência do presidente Jair Bolsonaro no dia a dia da Receita Federal e os ataques ao órgão têm o objetivo de limitar a atuação sobre políticos, avaliam associações de auditores fiscais. Hoje, a Receita não precisa de autorização para procurar por irregularidades nas contas de qualquer brasileiro. Mas as entidades acreditam que o pano de fundo da crise gerada pelo governo é criar uma barreira às investigações envolvendo quem ocupa cargos políticos e que, no Judiciário, tem foro especial. Surpreendeu a categoria o fato de que, dessa vez, o movimento parte do centro do governo, na esteira da pressão de Bolsonaro por substituições dentro da Polícia Federal. Segundo o presidente do Sindifisco (sindicato nacional dos auditores fiscais da Receita), Kleber Cabral, o uso de posições de influência —deputados e empresários— para forçar uma troca de cargo no órgão sempre existiu. “Mas o ministro [da Economia] ou o próprio presidente têm que segurar a pressão. A pior notícia é que a pressão vem do presidente. A existência de pressão é quase rotina. O que é estranho é a pressão se concretizar de forma escancarada”, afirma. Além da tentativa de intervenção em cargos da Receita, o governo passou a estudar mudanças na estrutura do órgão, que poderia ser fatiado e ter regras flexibilizadas para que funções de chefia possam ser ocupadas por indicações políticas.

Deltan diz que seguiu a lei – Após a publicação de reportagem da Folha neste domingo (18) que mostrou que a equipe da Lava Jato driblou a lei para ter acesso a dados da Receita, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que a cooperação entre o Ministério Público Federal e o Fisco sempre foi amparada na lei. A defesa do ex-presidente Lula também reagiu à revelação da reportagem e afirmou que ela reforça que o petista “foi vítima de uma conspiração e de atos ilícitos”. Em uma rede social, neste domingo, o procurador, que coordena a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, disse que se tratam de “mais acusações falsas contra a Lava Jato”. “A Receita passou informações para o MP na Lava Jato em 3 situações, sempre com amparo na lei: 1) Quando houve quebra de sigilo fiscal decidida por juiz 2) quando o MP requisitou informações fiscais, poder dado pela Lei Complementar 75/93 e reconhecido em atos e decisões da Administração Pública e do Judiciário 3) quando a Receita identificou indícios de crimes, em apuração de iniciativa própria ou a partir de informações recebidas do Ministério Público, de outros órgãos ou de cidadãos.” O procurador também afirmou que a Receita “tem liberdade de apurar ilícitos a partir de notícias que recebe e de comunicá-los” ao Ministério Público.

Sem perícia, mensagens não têm sido usadas em investigações – O teor das mensagens de Telegram obtidas pelo site The Intercept Brasil não é, até o momento, objeto de investigação de órgãos oficiais. Em julho, a Polícia Federal prendeu quatro suspeitos de envolvimento no hackeamento das contas de Telegram de autoridades como os procuradores da Lava Jato e o ministro Sergio Moro (Justiça). Um dos presos, Walter Delgatti Neto, 30, afirmou à PF que foi o responsável por entrar no aplicativo dos procuradores, capturar as mensagens e repassá-las ao jornalista Glenn Greenwald, do Intercept. Delgatti disse que agiu por conta própria e não recebeu dinheiro. O inquérito da PF, ainda em curso, não analisa o conteúdo das mensagens da Lava Jato, que foram apreendidas com o suspeito. A investigação foca apenas nas circunstâncias da invasão, para tentar descobrir, por exemplo, se outras pessoas participaram do crime.

Em meio a bloqueios de recursos, governo gasta R$ 1,6 mi com medalhas – Presidente da República egresso da carreira militar, Jair Bolsonaro (PSL) deu em seus primeiros meses de governo impulso ao gasto para confecção de um apetrecho caro à caserna, as medalhas. Os ministérios das Relações Exteriores, da Defesa, Exército, Marinha, Aeronáutica e Escola Superior de Guerra têm mais de 50 tipos diferentes de condecorações, da Medalha do Pacificador à Medalha Sangue do Brasil. O custo para confecção delas ficou em R$ 1,6 milhão nos primeiros meses de 2019 — dados que vão até abril ou junho, a depender do órgão. Apesar de o governo ter patrocinado um contingenciamento que atingiu severamente diversas pastas, entre elas a da Educação, o desembolso para as medalhas supera, proporcionalmente, os feitos em 2017 e 2018, se assemelhando aos de 2016 (R$ 3,7 milhões) caso sigam no mesmo ritmo até o fim do ano. Os valores foram obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. Capitão do Exército reformado, Bolsonaro se destaca tanto em dar quanto em receber medalhas. A Folha identificou que o presidente da República recebeu ao menos sete tipos diferentes de medalhas, quatro delas durante a gestão daquele que ele aponta hoje como seu arquirrival, o petista Luiz Inácio Lula da Silva.

MEC tenta sensibilizar Supremo a deixá-lo investir dinheiro recuperado na Lava Jato – Em meio a uma crise financeira e com boa parte dos recursos congelados, o Ministério da Educação elabora proposta para reivindicar o uso de valores recuperados da Petrobras pela Lava Jato. A pasta quer sensibilizar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a destinar ao menos uma parte dos R$ 2,5 bilhões que foram pagos em multa pela estatal a ações voltadas à primeira infância. O ministro Abraham Weintraub já conversa com o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre o projeto. A princípio, o MEC avalia que seria possível viabilizar a operação sem o aval do Congresso. Uma das ideias é enviar os recursos apenas a entidades privadas. Tudo, porém, depende da anuência de Moraes. O ministro suspendeu, em março, os efeitos de um acordo celebrado pela Lava Jato de Curitiba com a Justiça norte-americana que previa direcionar os R$ 2,5 bilhões a uma fundação a ser criada pela força-tarefa. Antes mesmo de o STF decidir a questão, já há ao menos um projeto de lei no Congresso que também prevê a destinação do montante recuperado para o MEC. Em maio, o presidente Jair Bolsonaro disse querer usar o dinheiro do fundo da Lava Jato para educação e pesquisa. (Painel)

Queda de braço – O grupo de trabalho da Câmara que analisa o pacote anticrime de Sergio Moro formou maioria para derrotar na íntegra o parecer do deputado Capitão Augusto (PL-SP), alinhado ao ministro da Justiça. Segundo a articulação, a coordenadora do colegiado, Margarete Coelho (PP-PI), pode assumir a relatoria e elaborar um novo parecer a ser levado ao plenário. O texto, construído em consenso com a ala majoritária do grupo, cria, por exemplo, a figura do juiz de garantia e derruba o excludente de ilicitude. (Painel)

Curto-circuito – A derrubada da medida provisória 879, que vence na quarta (21), pode prejudicar os planos do governo de privatizar a Eletrobras ainda neste ano. Sem ela, a estatal terá que assumir dívidas de subsidiárias, o que comprometerá seu balanço e poderá afetar o preço de suas ações. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse a integrantes da equipe econômica que, se a Câmara aprovasse o texto até terça (20), garantiria a votação a jato na Casa. Até os mais otimistas desconfiaram. Alcolumbre tem demonstrado especial disposição em acelerar a agenda de Paulo Guedes e já é considerado parceiro entre aliados do ministro, que até então tinham Rodrigo Maia (DEM-RJ) como preferido. (Painel)

Bolsonaro traz insegurança e recessão se aproxima, diz investidor – A recessão se aproxima, a reforma da Previdência não será suficiente para reerguer a economia e o comportamento de Bolsonaro traz insegurança aos investimentos. A opinião é do investidor Lawrence Pih, antigo dono do Moinho Pacífico, um dos maiores processadores de trigo do país, vendido para a Bunge em 2015. Apesar do retrato, Pih vislumbra fortalecimento do real e alta da Bolsa. Não por projeção de forte crescimento no Brasil, mas por falta de alternativa no mundo. Bancos centrais pelo mundo implementarão mais medidas de afrouxamento monetário, injetando liquidez nos mercados, e reduzirão juros abaixo de zero em alguns casos, já os governos elevarão gastos apesar de quadros fiscais frágeis”, afirma Pih. Para o investidor, há pouco que as autoridades monetárias e governo possam fazer para evitar uma recessão mundial nos próximos anos. Ironicamente, a liquidez buscará destino e pode aumentar o investimento no Brasil, segundo Lawrence Pih. “Hoje há muito poucas alternativas de investimento, visto que US$ 17 trilhões estão aplicados em bônus rendendo juro negativo nominal e mais de US$ 30 trilhões com juro real negativo”, afirma ele. Por incrível que pareça”, segundo o investidor, o Congresso é hoje um dos fatores de estabilização da economia, além do ministro Paulo Guedes, que ancora as esperanças do mercado. “Quem diria, o Congresso”, diz ele. “O comportamento errático e disruptivo de Bolsonaro tem relevância na visão dos investidores. A postura dele traz insegurança e incerteza porque é imprevisível a agenda do presidente. Ele imita Trump, um dos piores exemplos no mundo” (Painel S.A.)

Balanço – Após a publicação, na quinta (15), do decreto que autoriza a Infraero a vender suas participações nos aeroportos Galeão, Confins, Brasília e Guarulhos, o secretário da SAC (Aviação Civil), Ronei Glanzmann, avalia que a meta não é visar lucro ou evitar prejuízo nas transações. Vai ser vendido pelo valor de mercado. Não sabemos se vai dar lucro ou prejuízo. A visão nem é muito isso. É mais de desestatização, de tirar o poder público desses investimentos, coisa que o setor privado tem condição de absorver”, diz Glanzmann. A estatal de aeroportos está em processo de contratação de um assessor financeiro que vai fazer a avaliação dos ativos. O decreto de quinta-feira também qualificou outros 22 aeroportos para o PPI (Programa de Parcerias de Investimento). De acordo com Glanzmann, o processo de avaliação deverá tomar seis meses, e a estruturação das operações, outros seis, com venda dos ativos no segundo semestre do ano que vem. (Painel S.A.)

Itamaraty nega informação sobre política de gênero a associação LGBT – O Itamaraty indeferiu um pedido da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos para ter acesso aos documentos que orientaram diplomatas a reiterar que o governo brasileiro entende que “a palavra gênero significa o sexo biológico: feminino e masculino”. O Ministério das Relações Exteriores justificou a negativa afirmando que o tema é “sensível para a condução de negociações internacionais do país”. Citou ainda, em resposta ao movimento, um decreto que afirma que “são passíveis de classificação as informações consideradas imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado”. O ministério afirma à coluna que a Lei de Acesso à Informação prevê várias razões que podem justificar a classificação de documentos, não se limitando apenas a segurança nacional. (Mônica Bergamo)

Correio Braziliense – primeira página

Manchete: Ibaneis decide militarizar cinco escolas

Apesar de dois dos colégios votarem contra, o CEF 407 de Samambaia e o Gisno, na Asa Norte, o governador considera que os pleitos têm apenas caráter consultivo. “A gestão compartilhada atende melhor a sociedade. Os indicadores mostram a necessidade do modelo”, justifica.

O modelo Bolsonaro – Declarações impactantes do presidente dividem opiniões no exterior de forma diversa. Há os que o criticam, como o discurso na questão ambiental, mas outros países o veem como parceiro comercial e estratégico.

Alerta contra queimadas – Corpo de Bombeiros registrou 4 mil ocorrências este ano, 28% a mais em relação ao mesmo período de 2018. A baixa umidade do ar e o calor desta época facilitam a proliferação dos focos de incêndio.

Hong Kong quer direito a voto – Mesmo com um forte aparato de segurança e ameaça de intervenção militar, cerca de 1,5 milhão de pessoas (128 mil, segundo as autoridades) foram às ruas da ex-colônia britânica protestar contra o governo de Pequim e a violência policial dos últimos dias.

Correio debate – O quer pode ser feito para reduzir a carga tributária dos combustíveis?

Notícias do Correio 

Discurso de Bolsonaro sob crivo internacional – Depois de selar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, no fim de junho, o Brasil voltou ao centro das atenções do mundo ao longo das últimas semanas. Não pela abertura de novos mercados ou tratados de livre-comércio, mas pelas declarações do presidente Jair Bolsonaro e polêmicas envolvendo o governo, como a provável indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à embaixada brasileira nos Estados Unidos, em Washington. O discurso da radicalização, em uma postura de confronto com países como Argentina, Alemanha e Noruega, causa preocupações aos que temem pela “nova direção”, como define Bolsonaro, e incertezas, mesmo entre aliados. O Correio ouviu especialistas, parlamentares com afinidade a outros países e investidores estrangeiros, e a conclusão é de que o mundo observa, sim, o Brasil com outros olhos. Representantes de países asiáticos, como Japão e China, e integrantes do Brics, Rússia, Índia e África do Sul, não demonstram muito incômodo com a postura do Executivo. Os principais focos de insatisfação em relação ao governo brasileiro estão na Europa Ocidental. “Há uma preocupação de que o Brasil tenha ultrapassado uma linha do razoável por conta de Bolsonaro. Ele passa um ar de soberba e arrogância. Não é bom, mas não é o fim dos tempos”, pondera um investidor europeu.

Alfinetadas – No Twitter, Bolsonaro voltou a comentar as eleições na Argentina. O presidente Mauricio Macri, que foi eleito com uma pauta liberal, enfrenta graves problemas econômicos. A chapa favorita, que ganhou as primárias com folga é formada por Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner. Fez duas postagens seguidas às 8h47. Na primeira delas, culpou os adversários de Macri pela crise econômica. “Com o possível retorno da turma do foro de São Paulo na Argentina, agora o povo saca, em massa, seu dinheiro dos bancos. É a Argentina, pelo populismo, cada vez mais próxima da Venezuela”, criticou. Na segunda, divulgou um trecho da Bíblia, retirado de Provérbios 28:19. “Quem lavra sua terra terá comida com fartura, quem persegue fantasias, se fartará de miséria.”

Candidato argentino critica “prepotência” – O candidato favorito à Presidência da Argentina, Alberto Fernández, declarou à imprensa local que o seu país está “virtualmente” em “default” e prometeu não fechar a economia, como teme o Brasil. Fernández garantiu ainda que o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) ainda “não existe” e criticou a “prepotência” do presidente Jair Bolsonaro. “Me incomoda a forma e a prepotência com que fala, entre outras coisas. Mas a verdade é que o Brasil é muito mais importante do que Bolsonaro”, disse. “Se Bolsonaro pensa que eu vou fechar a economia e que então o Brasil vai deixar o Mercosul, que fique tranquilo, porque não penso em fechar a economia. É uma discussão idiota.”

Câmara deve votar porte de armas – O plenário da Câmara dos Deputados pode votar, esta semana, o Projeto de Lei nº 3.723/19, do Poder Executivo, que permite a concessão, por decreto presidencial, de porte de armas de fogo para novas categorias, além das previstas no Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/03). Na semana passada, o plenário da Casa aprovou o regime de urgência para votação da proposta. Atualmente, o porte só é permitido para as categorias descritas no Estatuto do Desarmamento, como militares das Forças Armadas, policiais e guardas prisionais. A medida consiste na autorização para que o indivíduo ande armado fora de sua casa ou local de trabalho. Já a posse só permite manter a arma dentro de casa ou no trabalho. O relator do projeto, deputado Alexandre Leite (DEM-SP), acatou três das 20 emendas apresentadas à proposta, como estender o porte de arma para os oficiais de Justiça e para os oficiais do Ministério Público. Outro destaque quer incluir os integrantes dos órgãos policiais da Câmara Legislativa e das assembleias legislativas na lista dos autorizados a ter porte de arma e permitir os órgãos a comprar armas de fogo de uso restrito sem autorização do Comando do Exército.

Reforma tributária – A Comissão Especial da Câmara que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC 45/19) da reforma tributária vai ouvir amanhã o autor da matéria, deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Também será ouvido o economista Bernardo Appy, que preparou a proposta da Câmara, que unifica tributos sobre a produção e o consumo arrecadados pela União, pelos estados e pelos municípios, e cria outro imposto sobre bens e serviços específicos, cujas receitas ficarão apenas com o governo federal. Na semana passada, a comissão aprovou o plano de trabalho do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Ele propôs oito audiências públicas na Câmara sempre às terças-feiras, e seminários em cada uma das cinco regiões do país, em datas ainda a serem definidas. O relator espera apresentar o parecer a partir de 8 de outubro.

Valor Econômico – primeira página

Manchete: Juros do cheque especial persistem acima de 300%

Desde que o governo parou de interferir nos bancos públicos para tentar forçar a queda do custo de crédito no país, as taxas cobradas no cheque especial subiram para os maiores percentuais desde o Plano Real, quando teve início a série estatística do Banco Central. Em junho, a taxa média ficou em 322,23% ao ano, mesmo com o juro básico em mínima histórica.

Alta renda dá fôlego a setor imobiliário – Os resultados apresentados nos balanços das principais empresas do setor imobiliário no primeiro semestre mostram forte retomada do segmento de média e alta renda. As vendas subiram 23,2% em relação ao mesmo período de 2018, para R$ 9,43 bilhões, e os lançamentos, 43,5%.

‘Rei do bitcoin’ enfrenta ação e penhora – Claudio Oliveira, dono do Grupo Bitcoin Banco (GBB), virou alvo de centenas de processos em vários Estados de clientes que não conseguem, desde o fim de maio, sacar recursos aplicados em bitcoins nas plataformas NegocieCoins e TemBTC – nem em dinheiro, nem em criptomoedas.

Substituição de importação – O Brasil é uma das principais apostas da Beiersdorf, companhia alemã dona da Nivea. O CEO global da empresa, Stefan De Loecker, veio ao país para inaugurar a ampliação da fábrica de Itatiba (SP), que custou R$ 300 milhões e vai produzir desodorantes, antes vindos da Argentina.

Fernández diz a Bolsonaro: ‘Não fecho economia’ – O candidato de oposição na disputa à presidência da Argentina, Alberto Fernández, mandou um recado ao presidente Jair Bolsonaro: “Não se preocupe, porque não pretendo fechar a economia”.

Rumo à recessão – O mundo caminha para uma recessão e os BCs podem não ter como evitá-la, diz Jan Lambregts, chefe global de economia do Rabobank, que prevê recessão moderada já no 2º semestre de 2020.

Mil municípios podem ficar sem repasses federais – Mais de mil municípios brasileiros estão sujeitos ao bloqueio de transferências da União por deixar de prestar informações contábeis, orçamentárias e fiscais obrigatórias à Secretaria do Tesouro Nacional.

Exportação de frutas vai a US$ 1 bi em 2020 – Com clima favorável à produção e abertura de novos mercados, as exportações de frutas frescas estão em alta e, se o ritmo for mantido, poderão alcançar a marca recorde de US$ 1 bilhão no ano que vem.

Notícias do Valor

Evento em Salvador antecipa discussão da ONU sobre clima – Como estruturar instrumentos de mercado e aumentar as metas para enfrentar a mudança do clima serão temas em foco na “Semana do Clima da América Latina e Caribe”, reunião internacional que começa hoje, na Bahia, promovida pelas Nações Unidas, pelo governo federal e pela prefeitura de Salvador. A semana chegou a ser cancelada pelo governo Bolsonaro, que voltou atrás de depois de muita pressão.

Delegados querem autonomia da PF após interferência de Bolsonaro – Depois da tentativa do presidente Jair Bolsonaro de interferir na escolha do superintendente da Polícia Federal no Rio, delegados da PF começam a se mobilizar para pressionar o Congresso a aprovar um projeto para estabelecer a autonomia da corporação. Paralelamente, os agentes vão defender a aprovação de uma proposta que estabelece um mandato de três anos para o diretor-geral da corporação.

Conservador pode ser interino na PGR – A demora do presidente Jair Bolsonaro para indicar o novo procurador-geral da República pode fazer com que o cargo seja ocupado de maneira interina pelo subprocurador-geral Alcides Martins, de perfil conservador e ligado à Igreja Católica.

Bolsonaro flerta com 66 milhões de gamers – No dia em que fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais cortando o cabelo, em 29 de julho, o presidente Jair Bolsonaro atraiu a atenção da mídia ao fomentar a rusga com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, mas havia, no conteúdo do vídeo de quase 13 minutos, outra mensagem central. Era a terceira vez, em poucos dias, que Bolsonaro usava as redes sociais para se dirigir aos jogadores de games eletrônicos do país, prometendo que seria reduzida a tributação do setor.

“Compliance de fachada também é ato de corrupção” – Depois de mergulhar nos meandros da negociação de seis acordos de leniência com empresas investigadas por corrupção no país, a ex-ministra-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) Grace Mendonça passou para o outro lado do balcão. Aos 50 anos, após 28 de serviço público, migrou para a iniciativa privada e, há cerca de um mês, abriu seu próprio escritório, onde continua a atuar com programas de integridade – agora, como representante das corporações.

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